Mais uma vez, venho a público não como um profeta do caos, mas como cidadão consciente — e sinceramente indignado — com o que se tornou uma piada de péssimo gosto para o povo de Jeremoabo: a famigerada taxa de esgoto de 80% cobrada pela EMBASA.
Sim, 80%! Oitenta por cento sobre o consumo de água, mesmo quando nem esgoto tratado chega à casa do contribuinte. É como se estivéssemos pagando por um serviço de luxo, quando na verdade lidamos com fossas estouradas, vazamentos e valas abertas que fedem mais que promessas de palanque.
E como se não bastasse o absurdo dessa taxa, agora nos deparamos com outro golpe silencioso e cruel: a redução do consumo mínimo de 10m³ para 6m³. Os 4m³ que antes eram parte de um direito básico, hoje são contabilizados como dívida! Isso mesmo, dívida! Aquilo que era nosso por direito virou mais uma armadilha da EMBASA para sangrar o bolso do cidadão.
Diante disso, só me resta apelar. Não à Câmara de Vereadores — essa mesma que, em pleno período eleitoreiro, aprovou um projeto de lei obrigando a EMBASA a reduzir a taxa de esgoto para 40%. Projeto esse que, após sua "grandiosa aprovação", teve para a EMBASA o mesmo valor que uma nota de três reais: nenhum.
A empresa seguiu impávida, ignorando o clamor popular e a tal “lei municipal”, como quem despreza um panfleto de esquina. A verdade é que, se nem a nossa Câmara consegue fazer valer uma lei municipal aprovada, a quem recorrer?
A São João Batista? A Santo Expedito — padroeiro das causas urgentes e impossíveis? Talvez seja o caso. Afinal, a fé pode nos consolar onde a política só nos decepciona.
Enquanto isso, seguimos rindo para não chorar. Pagando 80% de esgoto para um serviço que não existe, acumulando dívidas por metros cúbicos que nos foram arrancados sem aviso, e assistindo calados a um jogo onde quem deveria nos defender parece ter esquecido de qual lado está.
Mas deixo aqui meu apelo sincero — ou, se quiserem, meu grito engasgado: que a Câmara de Jeremoabo acorde de seu sono profundo e retome o que resta de sua dignidade. Que enfrente a EMBASA com seriedade e responsabilidade, exigindo que essa taxa seja revista e que os direitos do povo voltem a valer mais do que uma nota de três reais.
Porque o povo de Jeremoabo já está cansado de pagar a conta — e o pato.
Nota da redaçaão deste Blog - Vamos apelar para o cordel..
Cordel: "A Conta da EMBASA e a Lei de Três Reais"
Por Jose Montalvao
1
Em Jeremoabo sofrido,
Terra quente, chão rachado,
Tem um povo batalhador
Mas vive sendo explorado.
A EMBASA chegou por cá
Com contrato abençoado.
2
A água vem de pinguim,
Pingando, cheia de falha,
E o esgoto? Vai pra onde?
Pra rua, vala ou calçada.
Mas a taxa vem certeira:
Oitenta por cento na cara!
3
É mais caro ter descarga
Que encher pote ou bacia.
E se chover um pouquinho,
Já vira lagoa todo dia.
Mas a conta vem gordinha
Feita barriga de jia!
4
E teve outro cabra bom,
Cheio de papo e de bicho,
Que tirou do nosso povo
Quatro metros sem aviso.
Dez virou seis do nada,
E os quatro viraram prejuízo!
5
Agora, além de pagar,
Por serviço que não vê,
O cidadão vira devedor
Do que já era pra ter!
Se correr, o bicho cobra,
Se ficar, o boleto vem!
6
Mas no meio da novela,
A Câmara apareceu.
Com discurso e papelada,
Um projeto ela escreveu:
“Taxa agora é só quarenta!”
E o povo até bateu pé.
7
Só esqueceram um detalhe,
Que é mais triste que novela:
A EMBASA riu na cara
E limpou o pé na cancela.
Pegou a lei da Câmara
E usou pra forrar panela!
8
Vale menos que promessa
De vereador em eleição.
É lei de enfeite, enfeiteiro,
Nota de três no balcão!
Dessas que o povo só ri,
Pra não chorar de aflição.
9
Por isso eu digo, irmãos,
Vamos logo nos benzer.
Ou apelar pra São João,
Santo Expedito e mais três.
Porque só com reza braba
Pra um milagre acontecer.
10
E que a Câmara acorde,
Deixe o teatro de lado!
Vá pra cima da EMBASA
Com respeito e com brado.
Que o povo já tá cansado
De pagar o pato e o estrago!