Nesta Sexta-feira Santa, cristãos de todo o mundo relembram com pesar e reverência a condenação de Jesus Cristo, julgado de maneira injusta por Pôncio Pilatos, que lavou as mãos diante da pressão popular e dos interesses políticos da época. Uma cena que se repete, simbolicamente, até os dias de hoje. A história sagrada nos ensina que Pilatos, embora consciente da inocência de Jesus, escolheu o caminho da covardia e da conveniência. Abriu mão da justiça para proteger os poderosos, e a multidão clamou pela crucificação.
Quantos "Pilatos" não existem em pleno século XXI? Quantos juízes, autoridades, promotores e figuras públicas continuam absolvendo ímpios, trapaceiros e corruptos, enquanto condenam inocentes para proteger estruturas de poder podres e intocáveis? A história sagrada é mais atual do que nunca. O martírio de Cristo serve como alerta, como espelho da hipocrisia institucionalizada que ainda impera em muitos cantos do mundo – inclusive aqui no Brasil.
Como bem pontuou o jornalista Carlos Newton, da Tribuna da Imprensa, sobre um caso recente envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o delegado Tagliaferro:
"No Brasil, a Justiça agora está sendo feita ao contrário. No banco dos réus, no lugar da Tagliaferro, quem deveria estar sentado é o próprio ministro Alexandre de Moraes. Realmente há crimes nos autos, mas eles foram principalmente cometidos por Moraes, que determinava a seu subalterno Tagliaferro que os cometesse, criando provas quando elas não existissem. E ainda chamam isso de Justiça." (C.N.) (https://www.tribunadainternet.com.br/)
Esse comentário resume a inversão de valores que vivemos. A justiça se transformou, muitas vezes, em um instrumento de perseguição política ou pessoal. O justo é punido para que o culpado siga livre, sorridente, protegido pelos muros da impunidade e pelas capas do poder.
E como perguntar não ofende, será que em Jeremoabo também não estamos vivendo tempos de injustiça parecida? Será que não existem “Pilatos” locais, lavando as mãos enquanto inocentes são humilhados e culpados continuam nos cargos, nas benesses e no controle do sistema? Será que a perseguição a servidores públicos honestos, a manipulação de processos, a omissão de vereadores e o silêncio conivente de muitos não é o mesmo cenário que se viu há dois mil anos?
Celebrar a paixão de Cristo é também refletir. Refletir sobre os erros que se repetem. Sobre o quanto a justiça humana ainda precisa se espelhar na verdadeira justiça divina. Que a condenação de Jesus nos inspire não apenas piedade, mas coragem: coragem para denunciar, resistir e lutar contra as injustiças – sejam elas em Jerusalém, em Brasília ou em Jeremoabo.
Nota da Redação Deste Blog - Esse Print é uma reprodução do site: https://ayaeditora.com.br/wp-content/uploads/2021/07/31.-O-Direito-Penal-do-Autor-sobre-a-cruz-de-Cristo-opt.pdf

