Publicado em 13 de outubro de 2023 por Tribuna da Internet

Nada de novo na Palestina, num sofrimento que não tem fim
Carlos Newton
A vida é feita de tragédias. Como diz a oração católica, o mundo é um vale de lágrimas, em perdas que se sucedem e precisamos superar. Quando há um genocídio em massa, como esse organizado pelo Hamas, o mundo inteiro sofre, ao mesmo tempo. Torna-se o assunto obrigatório e deveria levar as pessoas a raciocinar sobre o ocorrido, ao invés de seguirem trocando ódios em favor de israelenses e palestinos.
É preciso lembrar que muitas guerras ocorrem por motivos terrenos, disputas disso ou daquilo, mas essa desgraça permanente no Oriente Médio ocorre sempre em nome de Deus, o que a torna ainda mais grave e desnecessária.
MELHOR SER ATEU? – Sem a menor dúvida, seria melhor se todos fossemos ateus, como John Lennon imaginou, antes de sofrer aqueles tiros no meio da rua. Mas certamente iriam encontrar outro motivo para fazer guerra e matar inimigos.
Sempre tive muitos amigos e colegas ateus. Eu mesmo sempre fui ateu, desde criança, me recusei a fazer a primeira comunhão, meus pais nem insistiram. Mas fui me modificando com o tempo e a convivência com a espiritualidade, sou cada vez menos ateu e tenho respeito por todas as religiões.
Aliás, seguir uma religião, não importa qual, é sempre positivo, embora ser ateu não signifique que a pessoa se torne menos caridosa, solidária e prestativa, muito pelo contrário.
JUDEUS E ISLAMITAS – No caso da guerra eterna entre judeus e islamitas, o premier Netanyahu aproveitou a tragédia para formar um governo israelense que vai administrar um matadouro de palestinos, sejamos francos, porque ele não consegue fazer outra coisa.
Netanyahu não tem a grandeza de líderes anteriores que procuravam a paz. É hora de um cessar-fogo, de devolução de reféns e de uma trégua negociada. Aparentemente é impossível, mas Yasser Arafat e Ytizak Rabin não pensavam assim e quase chegaram lá.
A vingança não leva a nada, a não ser a uma vingança contrária. A ONU precisa enviar os boinas azuis para a ocupar a Faixa de Gaza e cessar as hostilidades. Mas quem se interessa?
###
P.S. 1 – Sempre que penso em amigos e colegas ateus, lembro de Paulo Francis, com quem trabalhei na Tribuna da Imprensa e na Última Hora – no Pasquim, quando entrei, ele já tinha saído. Francis é exemplo de uma vítima do acaso. Teve problemas cardíacos em Nova York, o médico diagnosticou bursite. Sem tratamento adequado, sofreu um enfarte e morreu. Na mesma época, Henry Kissinger foi vítima do mesmo erro. O médico quis operar-lhe o ombro, ele procurou uma segunda opinião, foi direto para mesa de operação e ganhou algumas pontes de safena. Já tem mais de 100 anos e recentemente esteve novamente na China, para ver como as coisas estão indo por lá, e foi recebido por XI Jiping.
P.S. 2 – Quanto a Paulo Francis, ele não tem ideia da falta que está fazendo ao Brasil, assolado hoje por uma verdadeira epidemia de cientistas políticos, que nada entendem nem de ciência nem de política. (C.N.)