sexta-feira, setembro 20, 2019

Na terça, governo negou aumento nos combustíveis; na quarta, preços foram elevados


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Charge do Jota A (jornal O Dia/PI)
Pedro do Coutto
Na noite de terça-feira o governo anunciou oficialmente que os preços da gasolina e óleo diesel permaneceriam os mesmos, apesar do aumento do petróleo no plano internacional. A noite de terça-feira foi sucedida pela de quarta-feira. O que aconteceu? A Petrobrás tomou para si uma decisão totalmente oposta àquela determinada pelo presidente Jair Bolsonaro. A colisão nasce da desconexão no Executivo, dando a impressão de que o ministro Paulo Guedes comanda efetivamente um bloco de pensamento liberal na economia, o qual procura ultrapassar as medidas políticas do Palácio do Planalto.
Digo políticas, porque me lembro do ministro Roberto Campos que certa vez afirmou que toda decisão no plano da economia repousa e repousará sempre num contexto político.  Nunca esqueci a frase e ele, avô do atual presidente do Banco Central, ingressaria na política parlamentar ao se eleger senador por Mato Grosso. Mas esta é outra questão.
CONTROVÉRSIA – O essencial é a controvérsia que está dividindo as bases do atual governo com reflexos na opinião pública e causando desgaste na aprovação do desempenho presidencial superado pela percentagem dos que reprovam as ações do Executivo.
Não se sabe, portanto, em quem acreditar a médio prazo, isso porque as tensões na equipe ministerial não poderão se prolongar indefinidamente até 2022. Este é um exemplo marcante produzido pelo choque do petróleo na estrUtura comercial brasileira. Afinal quem estará certo? Jair Bolsonaro ou Paulo Guedes. O presidente da Petrobrás não conta. Roberto Castelo Branco faz o que a área econômica determinar,
independentemente da vontade que flutua na esplanada de Brasília. Inclusive a Petrobrás é vinculada ao Ministério de Minas e Energia.
CONTRADIÇÃO – Outra contradição na área do governo. O presidente Jair Bolsonaro vetou a criação de novo imposto sem o nome CPMF. No caso, pode-se dizer por ironia que o imposto sobre transações financeiras produzido na mente de Paulo Guedes é tão negativo em matéria de inflação do que a antiga CPMF. Entretanto, reportagem de Lu Aiko Otta e Rafael di Cunto, edição de quinta-feira do Valor, destaca o pronunciamento do ministro Paulo Guedes  na abertura do 4º Forum Nacional do Comércio.
O ministro teve a descontração de deixar claro que o que ele chama de choque de emprego resultará da desoneração da folha salarial. Um completo absurdo já demonstrado por mim em artigo anterior no qual revelei que a contribuição patronal para o INSS é muito maior que a dos empregados. Portanto, o ministro da Economia sustentou que o tema poderá ser colocado na mesa do presidente da República no momento da votação da reforma tributária.
CALIBRAGEM – O ministro Onyx Lorenzoni, por seu turno, disse que a questão fundamental, palavras dele, é calibrar a alíquota do novo imposto de forma que possa financiar o processo que tem o objetivo de reduzir o desemprego no país.
Acrescento: se aumento de impostos influi para elevar o nível de emprego, algo de muito estranho está se passando na consciência do próprio governo.

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