quinta-feira, setembro 19, 2019

Flávio Bolsonaro ameaça expulsar filiados que não abandonarem gestão de Wilson Witzel


Atitudes de Flávio têm provocado descontentamentos na legenda
Caio Sartori
Estadão
Após orientar a saída do PSL da base do governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), o senador Flávio Bolsonaro, que preside a legenda no Estado, aumentou o tom. Em nota divulgada nesta quarta-feira, dia 18, o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro afirma que o partido estará na oposição e ameaça de expulsão os filiados que permanecerem em cargos na gestão estadual.
“Aqueles que quiserem permanecer devem pedir desfiliação partidária. Nossa oposição não será ao Estado do Rio, mas ao projeto político escolhido pelo governador Wilson Witzel”, afirmou o senador. O anúncio do desembarque, feito na segunda-feira, se deu após o governador criticar o presidente da República, negar que tenha sido eleito na esteira do bolsonarismo e reafirmar que tem interesse em concorrer à Presidência da República em 2022 – Bolsonaro já anunciou que pretende tentar a reeleição.
SECRETARIAS – O PSL, que tem a maior bancada da Assembleia Legislativa do Rio, com 12 deputados, ocupa cargos no Executivo estadual, incluindo duas secretarias – a de Ciência e Tecnologia, com Leonardo Rodrigues, e a de Vitimização e Amparo à Pessoa com Deficiência, liderada pela Major Fabiana. Até esta quarta-feira, ninguém havia renunciado – Rodrigues já disse que não o fará.
A imposição de Flávio é um teste de força para o parlamentar como dirigente partidário. Alvo de investigação do Ministério Público do Rio desde o fim de 2018, na qual se apuram suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no período em que era deputado estadual, Flávio Bolsonaro viu recentemente seu indicado para concorrer à Prefeitura do Rio, o deputado fluminense Rodrigo Amorim, perder força dentro do partido.
CONFLITOS NO CLà– Há um conflito interno que envolve, inclusive, discordâncias entre Flávio e o irmão Carlos Bolsonaro, vereador no Rio pelo PSC, que não apoia o nome de Amorim. O PSL ainda não definiu sua estratégia para a disputa pela Prefeitura do Rio. O deputado federal Hélio Lopes (PSL-RJ), conhecido como Hélio Negão, seria o candidato favorito de Jair Bolsonaro.
Ao participar de um evento no Centro do Rio, Witzel disse que o projeto de disputar o Planalto não é dele, mas de seu partido, o PSC. “Não é um projeto Wilson Witzel. Eu apenas sou presidente de honra do partido. O partido tem um projeto para o Brasil”, afirmou.
ACENO – Em outro momento, Witzel fez um aceno ao senador. Ele agradeceu a Flávio pela articulação que garantiu a aprovação, no Senado, de um projeto de lei que prevê a distribuição a Estados e municípios de recursos obtidos pelo governo federal com leilões de blocos de exploração de petróleo. “Agradeço ao Flávio Bolsonaro por isso e por ter caminhado comigo durante as eleições”, disse.
“Lá em Nova Iguaçu nós caminhamos juntos no calçadão, rumo à vitória. Agradeço todo o trabalho do senador. Queria dizer ao Flávio que meu projeto político é o mesmo dele: governar bem o Rio, juntamente ao Congresso Federal e ao Senado da República”, afirmou o governador.
ARTICULAÇÃO – Além da tentativa de se impor no âmbito estadual, Flávio tem atuado como um articulador político “tradicional” em Brasília, e seus posicionamentos causaram intrigas com a bancada do partido no Senado.
A movimentação do parlamentar para evitar a instauração da CPI da Lava Toga –  e, com isso, impedir um desgaste entre os Poderes – gerou insatisfação em senadores como Selma Arruda (MT), que avisou que vai para o Podemos, e Major Olímpio (SP), que permanece no PSL e chegou a sugerir que Flávio deixasse a legenda.
 “Nós que representamos a bandeira anticorrupção do presidente. Eu tentei convencê-la (Selma Arruda) a ficar e resistir conosco. Quem tem que cair fora do PSL é o Flávio, não ela. Gostaria que ele saísse hoje mesmo”, disse Olímpio à Coluna do Estadão. 
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Em pouco tempo, Flávio Bolsonaro conseguiu promover uma grande confusão na legenda, criando impasses não só no Rio de Janeiro, mas também em âmbito nacional. Ao pressionar senadores contra a CPI da Toga, provocou a debandada da senadora Selma Arruda e foi alvo de severas críticas  do Major Olímpio. No Rio, diante de algumas controvérsias, deputados estão divididos diante da “ordem” de abandonar o navio de Witzel. A questão é que, meses após Witzel ter surfado na onda Bolsonaro, começou a criticá-lo e também a deixar claro a sua disposição de rivalizar com o presidente em uma possível disputa pelo Planalto em 2022. Antes que o “monstro” cresça, o clã achou melhor optar por asfixiá-lo. Witzel já esperava e disse apenas que “valoriza quem tem lado, quem tem palavra e cumpre com a palavra”. E ninguém baixa o tom. (Marcelo Copelli)

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