
Privatistas não podem esperar e querem vender os ativos da empresa
Carlos Newton
País da piada pronta, onde tudo acontece ao contrário, o governo decide privatizar a Petrobras justamente na fase em que a empresa se tornou a petroleira de maior potencial de crescimento no mundo, devido à descoberta do pré-sal. Na verdade, não há a menor justificativa para vendê-la. Afinal, qual é a maior empresa de petróleo do mundo? Seria a Exxon? Ou a Shell? Quem sabe a Chevron ou a British Petroleum? A resposta é nenhuma delas.
Na realidade as maiores empresas de petróleo e gás do mundo são estatais – as chamadas national oil companies (NOCs). Entre elas, estão a Saudi Aramco (Arábia Saudita), a NIOC (Irã), a KPC (Kuwait), a ADNOC (Abu Dhabi), a Gazprom (Rússia), a CNPC (China), a PDVSA (Venezuela), a Statoil (Noruega), a Petronas (Malásia), a NNPC (Nigéria), a Sonangol (Angola), a Pemex (México) e a Petrobras.
MAIOR POTENCIAL – Desde sempre há disputas envolvendo a Petrobras, cujo verdadeiro criador foi o general Horta Barboza, presidente do Clube Militar, que fez o pronunciamento decisivo propondo o monopólio do petróleo. Depois, com a empresa já funcionando, ele enfrentou Juarez Távora e evitou que o setor de refino (o mais rentável) fosse entregue às multinacionais.
Hoje, a Petrobras está sendo privatizada justamente quando é considerada a petroleira de maior potencial de crescimento no mundo, retirando petróleo no pré-sal a 8 dólares o barril, custo só comparável a raros campos no Oriente Médio.
Em 2026 o Brasil estará produzindo 5,1 milhões de barris/dia de petróleo. E se tornará um grande exportador de petróleo e derivados. Mas os privatistas não podem esperar e querem vender logo os ativos da empresa, a 30 dinheiros e na bacia das almas, como se dizia antigamente.
TUDO POR DINHEIRO – Gasodutos, refinarias e outras unidades já começaram a ser privatizadas, como se a Petrobras fosse uma empresa inviável. Em 1980 (há apenas 38 anos), a Petrobras produzia míseros 200 mil barris/dia de petróleo. Hoje, cada nova unidade FPSO que entra em operação tem capacidade de produção de 180 mil barris/dia. O lançamento destes navios deveria ser comemorado com ampla divulgação. Mas isto não acontece, porque a atual administração quer esconder o futuro da companhia para justificar as vendas de ativos em andamento.
Segundo previsão da Agência Nacional de Petróleo, em 2026 o Brasil estará produzindo 5,1 milhões de barris dia de petróleo. Somente o campo supergigante de Búzios, na área de cessão onerosa, estará produzindo 2,8 milhões de barris dia.
Ao invés de vender companhia, com a cumplicididade do Congresso, o presidente da República deveria enquadrar a Petrobras, exigindo que a empresa institua um Fundo de Equalização, para manter seus preços internos e ficar imune às variações internacionais, como está ocorrendo agora, devido ao atentado à maior refinaria do mundo.
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P.S. – Este mês a Petrobras colocou à venda mais uma refinaria, a Gabriel Passos, em Minas. É um crise de lesa-pátria. Como dizia John D. Rockefeller, “o melhor negócio do mundo é uma refinaria de petróleo bem administrada e o segundo melhor é uma refinaria mal administrada”. Mas quem se interessa?
P.S. – Este mês a Petrobras colocou à venda mais uma refinaria, a Gabriel Passos, em Minas. É um crise de lesa-pátria. Como dizia John D. Rockefeller, “o melhor negócio do mundo é uma refinaria de petróleo bem administrada e o segundo melhor é uma refinaria mal administrada”. Mas quem se interessa?