Na fronteira com a Bolívia, a cidade mato-grossense de Cáceres, conhecida por ser a Capital Nacional das Bicicletas e sede do maior Festival de Pesca em Água “Doce” do Mundo, com seu clima tropical e temperatura muito quente. Tem por economia o turismo, a pesca, a agropecuária, o comércio, e o setor de serviços. Também podemos dizer que Cáceres é terra de mangueiras. Basta vermos sua fotografia aérea.
No geral, nesta terra, dependendo da variedade, a mangueira floresce em meados de junho, colhendo-se frutos maduros uns três meses após sua florada. Repleto da fruta, desde as árvores até o chão dos quintais, a cidade chega cheirar a manga. Em Cáceres, as belas e exuberantes mangueiras adaptaram-se a ponto de aparentar ser uma planta nativa. Elas estão espalhadas por quase todos lugares e rincões, ofertando ao povo um ótimo lugar de sombra para tirar-se aquela soneca após o almoço.
Mangueira (mangifera indica) – uma planta exótica originária provavelmente da Índia, introduzida no Brasil pelos portugueses, há centenas de anos atrás.
De acordo com dados nutricionais: A fruta é rica em beta-caroteno, que o corpo transforma em vitamina A. Uma manga de 500 g tem 135 calorias e fornece quase o dobro da RDA (Ingestão Dietética Recomendada de vitamina) A para o adulto e quase 100% da RDA de vitamina C. É uma boa fonte de vitamina E, potássio e ferro; ela também é rica em pectina, uma fibra solúvel importante no controle do colesterol no sangue. A resina de seu tronco é depurativa e suas sementes são vermífugas.
Com aquele sal, o deguste da manga começa mesmo quando ainda está verde. A fruta madura é agradavelmente doce e suculenta, dela se faz sucos, saladas, sorvetes, vitaminas, doces, etc. Chegando a ser produto de comercialização, até mesmo, de especuladores de outros estados. Nesta época, como diz o cacerense, “as pessoas e os animais tiram a barriga da miséria!”
Segundo constatação de alguns proprietários de panificadoras, o consumo desenfreado da fruta chega afetar diretamente a venda de pães. “Existe uma queda na venda do pão francês, na época da queda (produção) das mangas”, confirma o Sr. Rubens Maldonado Ferreira, dono de padaria há 25 anos no município.
Segundo professoras da educação básica, que lecionam na rede pública, na periferia do município de Cáceres. Com base na experiência de anos consecutivos em sala de aula e na observação diária do desempenho, desenvolvimento e participação das crianças, das quais deram aula. Notaram e asseguram que muitas crianças freqüentam a escola, em muito, devido ao atrativo da merenda (pois muitas não têm o que comer em suas casas).
Elas afirmam que com a falta de merenda escolar, as crianças ficam com fome e desanimadas. Essas professoras observaram que na época da produção das mangas, as crianças chegam para as aulas muito mais alegres e ativas, dispostas, estudam e participam mais do que fora dessa época.
É de senso comum, tanto de nutricionistas, quanto de professores, diretores e políticos em geral, que precisamos nos alimentar bem, para melhor aprender. Como todos sabem, “saco vazio não para em pé”, e a banda de rock Paralamas do Sucesso já cantou, “Livro pra comida, prato pra Educação”, e como sempre digo, ao invés de roer livro feito traça, prefiro ser ‘caruncho’ e comer feijão!
É de indignar vermos que municípios de população pobre
(sócio-economicamente), com alto índice de desemprego (como é o caso de Cáceres) faltem com a merenda escolar, e com sua qualidade, na rede pública.
Não podemos mais nos calar diante dos professores, dirigentes e governantes omissos que permitem existir escolas públicas que não disponham merenda as suas crianças.
Chega dar-me azia saber que certas crianças ainda tenham que esperar mais uma safra de manga, ou de qualquer outra fruta, para aprenderem melhor e serem mais felizes.■
Reinaldo de S. Marchesi.
(Reinaldo de Souza Marchesi Acaêmico de Pedagogia e Agronomia da UNEMAT)
E-mail: reinaldomarchesi@yahoo.com.br
Fonte: Caros Amigos
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