segunda-feira, agosto 03, 2026

Lula se lança à reeleição e promete ‘briga’ por emendas

 

Lula se lança à reeleição e promete ‘briga’ por emendas

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Foto: Miguel Schincariol/AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se lançou oficialmente como candidato à reeleição neste domingo, em São Paulo, e deu recados políticos sobre seu programa de governo e a relação com o Congresso Nacional. O petista disse que não quer ser lembrado apenas pelo Bolsa Família e prometeu, em um possível novo mandato, disputar com o Legislativo o dinheiro das emendas parlamentares. Ao afirmar que não seria o “Lulinha paz e amor” se ganhar, mas o “Lulinha porreta”, o presidente disse que “vai ter briga com emenda parlamentar. Vai ter briga com o papel que tem o Poder Legislativo”. No discurso, também falou sobre soberania nacional, direitos das mulheres, investimento em defesa e outros temas que devem aparecer em sua campanha. “Eu não quero ser apenas o presidente do Bolsa Família”, disse. A fala expõe uma cobrança que Lula tem feito a seus aliados mais próximos: quer propostas mais ousadas para apresentar na atual campanha, sem foco total nas políticas sociais que marcam sua trajetória. (Folha)

Em um discurso de 62 minutos, Lula disse estar “inteiraço” e indicou, no improviso, que Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, pode ser seu sucessor. O presidente questionou qual país ele vai entregar a Haddad depois de ele “governar São Paulo por 8 anos”. Em seguida, emendou: “Ou você, Rafael [Fonteles]? Quem sabe sai do Piauí o próximo? Ou quem sabe do Ceará. Ou quem sabe de Pernambuco. De algum lugar vai sair. E da Bahia? Essa eleição de agora é para definir que país a gente vai deixar do ponto de vista das coisas que ainda não fizemos”. Lula também evitou mencionar o ex-presidente Jair Bolsonaro, referindo-se a ele como “traste” e “coisa”. (Poder360)

Veja íntegra do discurso de Lula na convenção do PT. (UOL)

Sem nenhuma mulher na programação, embora o voto feminino estivesse entre as pautas mais importantes do evento, o presidente abriu a fala com uma autocrítica: “Não é possível que a gente tenha esquecido do principal evento da nossa campanha, não ter colocado uma mulher para falar”, afirmou. O presidente convocou então a primeira-dama Janja da Silva pra fazer um discurso antes dele. Antes da abertura oficial do evento, Marina Silva, Simone Tebet e Benedita da Silva participaram de entrevistas transmitidas ao vivo. Nos discursos oficias, contudo, não havia mulheres escaladas. Antes de Lula discursaram, além de Haddad, o presidente do PT, Edinho Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). (g1)

Pesquisa BTG/Nexus divulgada hoje (íntegra) mostra que Flávio Bolsonaro (PL) cresceu nas intenções de voto no 1º turno e está empatado tecnicamente com Lula no 2º. A sondagem foi feita entre os dias 31 de julho e 2 de agosto de 2026 e a margem de erro é de dois pontos. Na pergunta estimulada de 1º turno, Lula aparece com 41% e Flávio, com 37%. Já no 2º turno, o presidente tem 46%, contra 45% de Flávio. (Meio)

Felipe Nunes: “Este ano, mesmo com intenções de voto acima das observadas nas urnas em 2022 nesses 10 estados pesquisados, chama muita atenção o desânimo do eleitor com a continuidade de Lula — o que pode sinalizar para uma abstenção maior, mesmo com intenção de voto maior. Quando perguntados se o presidente merece mais quatro anos de mandato, boa parte do eleitorado responde que não. Só nos estados do Nordeste, Lula empolga. Nos demais, a maioria não acha que Lula mereça continuar. Um sinal de alerta muito grande para uma campanha que tem que projetar o futuro”. (Globo)

  

Assunto de família

Spacca

  

A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, considerada uma importante agente para a redução da rejeição de Flávio Bolsonaro entre as mulheres, não compareceu à convenção regional do PL em Brasília que a lançou candidata ao Senado pelo Distrito Federal. Ela foi internada no sábado para o tratamento de uma “cefaléia refratária a medicamentos orais” e teve alta ontem à noite, a poucas horas do evento. A convenção marcaria o primeiro encontro público entre Michelle e Flávio após o perdão da madrasta ao enteado, em um vídeo veiculado durante o evento de lançamento da candidatura presidencial do senador, na semana passada. Apesar da ausência, o PL confirmou Michelle e a deputada Bia Kicis na disputa ao Senado pelo DF. A candidatura de Michelle era dúvida no PL após a briga pública com Flávio. Na ocasião, Michelle deixou a presidência do PL Mulher e chegou avaliar saída do partido. Ela teria dito a aliadas que aguardava “sinal divino” para decidir candidatura. (Estadão)

O voto feminino também foi pauta do discurso de Flávio Bolsonaro durante convenção do Republicanos que oficializou a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, à reeleição, no sábado. Flávio falou antes de Tarcísio e abriu o discurso acenando às mulheres, público entre o qual tem alta rejeição e desvantagem nas pesquisas. Na sequência, defendeu a redução da maioridade penal e relembrou o início da relação de Tarcísio com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio atribuiu ao pai a “descoberta” do governador, que foi seu ministro da Infraestrutura. Tarcísio retribuiu: “Eu amo o seu pai. Eu amo Jair Messias Bolsonaro”, disse, dirigindo-se a Flávio no palanque. (Globo)

  

Depois de anunciar e suspender um “ataque massivo” contra o Irã durante o fim de semana, o presidente americano Donald Trump afirmou que as negociações com o Irã serão retomadas hoje. “Eles sabiam da dimensão do ataque porque o viram se formando. Agora, o que estamos fazendo é conversar com eles em negociação. Começa amanhã à tarde, e veremos”. Trump disse que o pedido para cancelar o ataque planejado veio de aliados como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e pelo próprio Irã. A mídia estatal iraniana negou que o país tenha solicitado a Trump para interromper os ataques planejados. (CNN)

Enquanto isso, ataques aéreos israelenses atingiram Gaza pelo segundo dia consecutivo ontem, matando pelo menos 18 palestinos, apesar de Trump também ter anunciado avanços nos esforços para implementar o acordo de cessar-fogo redigido no ano passado. Aviões de guerra israelenses atingiram a Cidade de Gaza, no norte, a cidade central de Deir al-Balah e a área de Khan Younis, no sul, causando o maior número de mortes diárias em semanas, de acordo com autoridades de saúde palestinas. (Reuters)

  

Chegou a 72 o número de imigrantes marroquinos mortos ao tentar chegar à cidade de Ceuta, um território autônomo espanhol no norte da África. Dezenas de milhares de migrantes entraram a nado no enclave na quinta-feira, mas a maior parte já regressou a Marrocos, escoltada até a fronteira por soldados e policiais espanhóis. O fenômeno, cujas imagens chocaram o mundo, abalou a Europa politicamente e deixou no ar dúvidas sobre o que desencadeou esse fluxo repentino: se as postagens nas redes sociais prometendo um caminho fácil para a Europa simplesmente viralizaram ou se foi algo organizado. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, criticou alguns membros da União Europeia por “atacarem” a Espanha em meio à crise. (BBC)

  

O tempo está se esgotando. Quem ainda não garantiu vaga no Clube Meio Eleições 2026 tem até hoje, meio-dia, para aproveitar o desconto de 20%. Depois disso, as inscrições encerram de vez. E o primeiro encontro já está logo ali: na quinta, dia 6, com quem estuda o assunto de perto e as perguntas vindo de quem estiver na sala. Quer estar nessa? Se você já é Premium + Cursos, está dentro. Se ainda não é, entre para o Clube.

  

Viver

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) disse que o fenômeno El Niño deve continuar se intensificando até alcançar uma força elevada entre agosto e outubro. A organização afirma que temperaturas acima da média são esperadas em grande parte do mundo nos próximos meses, com efeitos sobre as chuvas variando de acordo com a região. A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, ressalta que a identificação antecipada do fortalecimento do fenômeno oferece uma oportunidade para que governos e comunidades se preparem antes da chegada dos impactos. (g1)

  

Relatos de dívidas de milhares de reais e crises familiares ligadas a perdas em sites de apostas chegam cada vez mais aos departamentos de RH pelo país, de acordo com a Associação Brasileira de Recursos Humanos. O fenômeno afeta desde grandes empresas a pequenos comércios. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes cita constantes pedidos de adiantamento e a desatenção dos funcionários como sinais de alerta. No primeiro ano de mercado de regulação das bets, em 2025, o número de afastamentos pelo adoecimento decorrente da perda de controle com jogo subiu 59,8% frente a 2024. (Folha)

  

O Brasil brilhou no Campeonato Pan-Americano de Canoagem Slalom, com duas medalhas de ouro da canoísta Ana Sátila. Omira Estácia Neta, irmã de Ana, ficou com uma prata e um bronze. Pedro Gonçalves levou um ouro na categoria K1 do caiaque, e Kauã Luz ficou com a prata, na categoria C1. (UOL)

  

Cotidiano Digital

Um estudo divulgado pelo órgão regulador da internet da Austrália mostrou que mais de 8 em cada 10 adolescentes do país ainda usavam redes sociais três meses após a entrada em vigor da proibição a menores de 16 anos. O uso ficou acima de 81%, e era de 86% antes da lei, mesmo com a posse de contas caindo de 52% para 42%. Segundo o regulador, a principal razão para a permanência dos adolescentes nas plataformas foi a falha das empresas em aplicar verificação de idade eficaz. (Reuters)

  

Em sua última teleconferência como CEO da Apple, Tim Cook afirmou que a nova versão da Siri com inteligência artificial poderá ter recursos adicionais liberados apenas para assinaturas pagas do iCloud+, embora tenha ressaltado que esses planos ainda não são definitivos. A prática seguiria o modelo já usado por concorrentes como Anthropic e OpenAI, que oferecem versões gratuitas limitadas com opção de upgrade. A nova Siri está disponível na versão beta do iOS 27, com lançamento geral previsto para o outono do hemisfério norte, ou seja, entre setembro e dezembro. (TechCrunch)

  

Enquanto amplia sua investigação sobre o incidente de hacking na empresa de tecnologia Hugging Face, a OpenAI descobriu outros casos em que agentes autônomos escaparam do controle. Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que as fugas foram limitadas e que nenhum dos agentes chegou a sair da rede da companhia. Especialistas em segurança de IA afirmaram que as novas revelações retratam um grupo de laboratórios de ponta cuja capacidade de desenvolver agentes de hackers autônomos perigosos supera sua capacidade de mantê-los sob controle. (Reuters)

  

Cultura

Uma música totalmente inédita de John Lennon, gravada em 1965, vai estar na edição especial do álbum dos Beatles Rubber Soul, com lançamento previsto para 2 de outubro. A faixa, encontrada em uma fita de Lennon, nunca vazou em bootlegs tampouco era alvo de rumores. Intitulada Little Girl, a demo caseira traz apenas John e seu violão acústico, cantando em um estilo que lembra Buddy Holly. Ninguém sabe exatamente quando a música foi composta, mas não deve ser anterior ao verão de 1965, porque John faz uma referência a um trecho de I’ve Just Seen a Face, de Paul McCartney, gravada em junho e lançada em agosto daquele ano no álbum Help!. (Rolling Stone)

  

Em seu primeiro fim de semana nos cinemas, Homem-Aranha: Um Novo Dia arrecadou US$ 927 milhões (cerca de R$ 5,1 bilhões) globalmente, ficando atrás apenas de Vingadores: Ultimato (US$ 1,22 bilhão) em estreias mundiais de todos os tempos. Somente na América do Norte, foram US$ 355 milhões, além de outros US$ 23,8 milhões no Brasil. Junto com A Odisseia, o herói da Marvel impulsionou a maior bilheteria coletiva de um fim de semana na história, com aproximadamente US$ 430 milhões. Além de interpretar o Homem-Aranha, Tom Holland também estrela o filme de Christopher Nolan, ao lado de Zendaya, que integra ambos elencos. (Variety)

  

O Tribunal Regional de Munique, na Alemanha, decidiu na sexta-feira que a Suno, empresa americana de IA que gera músicas a partir de comandos de texto, violou direitos autorais. A ação foi movida em janeiro de 2025 pela GEMA, entidade alemã responsável pela gestão coletiva de direitos autorais musicais, alegando que a companhia treinou seus modelos de IA com músicas protegidas por direitos autorais para fins comerciais sem remunerar os detentores dos direitos. A Justiça decidiu que a Suno deve revelar os ganhos obtidos de forma ilícita e pagar uma indenização, com valor a ser definido. A empresa pretende recorrer. (DW)

  

Todo fim de semana, o Meio Premium desacelera com uma newsletter especial. Nesta Edição de Sábado: as estratégias da esquerda para eleger parlamentares diante de um Congresso cada vez mais à direita, a eleição britânica em que um candidato-piada lidera as pesquisas contra Nigel Farage, e os quatro anos de uma festa que reúne três gerações da black music no Brasil. Assine para ler a edição completa e receber uma nova todo sábado na sua caixa de entrada.

Lula é oficializado candidato à reeleição e tentará 4° mandato em novo embate com clã Bolsonaro

 

Lula é oficializado candidato à reeleição e tentará 4° mandato em novo embate com clã Bolsonaro

Convenção do PT ocorre em SP em meio a desgaste de investigações sobre Lulinha e Jaques Wagner

Por Caio Spechoto/Catia Seabra/Juliana Arreguy/Folhapress

02/08/2026 às 11:42

Atualizado em 02/08/2026 às 12:28

Foto: Ricardo Stuckert/PR

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Candidatura à reeleição do presidente Lula (PT) é confirmada durante convenção do PT em São Paulo

A candidatura à reeleição do presidente Lula (PT), 80, é confirmada neste domingo (2), em São Paulo, durante convenção do PT no Expo Center Norte, na zona norte da capital paulista.

O petista está sendo oficializado pelo partido nesta manhã na disputa pela reeleição, quando travará novo embate contra a família Bolsonaro —desta vez contra Flávio, após ter vencido Jair na eleição de 2022. Se ganhar, será seu quarto mandato na Presidência.

O evento terá poucos discursos, segundo apurou o jornal Folha de São Paulo, e estão previstas falas de Edinho Silva, presidente nacional do partido, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ex-ministro Fernando Haddad, candidato ao Governo de São Paulo.

Antes do evento, uma transmissão do próprio PT foi exibida no telão do pavilhão com entrevistas de convidados como lideranças partidárias e candidatos nestas eleições.

Lula dizia na campanha de 2022 que não concorreria à reeleição, citando inclusive a idade avançada, mas recuou ao longo do terceiro mandato.

A convenção petista ocorre em meio ao desgaste sofrido pelo presidente, diante da abertura de dois inquéritos, pela Polícia Federal, para investigar suspeitas de tráfico de influência por parte de um de seus filhos, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

A PF quer investigar se Lulinha atuou na comercialização de cannabis medicinal em favor de uma empresa ligada ao Careca do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), e se agiu junto à Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência) para beneficiar um empresário e prospectar contratos.

Além disso, Lula também lida com o fato de um de seus aliados, o senador Jaques Wagner (PT), ter sido alvo de operação da Polícia Federal em meio às investigações sobre o Banco Master. Segundo a PF, Wagner teria recebido benefícios, como um apartamento de luxo, de um dos sócios de Daniel Vorcaro, Augusto Lima.

Apesar disso, Lula pediu votos a Wagner durante convenção do PT na Bahia, no sábado (1°). O senador, no entanto, não compareceu à convenção nacional.

A relação de Wagner com o caso Master deu munição para ataques adversários em um terreno em que os petistas vinham construindo muitas de suas críticas à campanha de Flávio Bolsonaro (PL).

Em maio deste ano, foi revelado que Flávio pediu e recebeu dinheiro de Vorcaro para o filme "Dark Horse", que conta a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O caso tem contribuído para o isolamento político de Flávio, que até o momento não conseguiu atrair outro partido para compor com a vice de sua chapa.

Segundo a última pesquisa Datafolha, Lula tem 40% das intenções de voto para o primeiro turno contra 32% de Flávio. No cenário mais provável de segundo turno, o petista aparece com 48% contra 43% de Flávio. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Leia também: Deputado do PL aciona PGR contra Lula por pedido de votos na Bahia

Governo avalia que lobby das big techs dificulta votação de PL dos mercados digitais antes das eleições

Governo avalia que lobby das big techs dificulta votação de PL dos mercados digitais antes das eleições

Por Nathalia Garcia e Guilherme Pimenta/Folhapress

03/08/2026 às 07:45

Foto: Ricardo Stuckert/Arquivo/PR

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O presidente Lula

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a ofensiva das grandes empresas de tecnologia e o lobby dos Estados Unidos reduziram as chances de o projeto de lei que cria regras concorrenciais para plataformas digitais ser votado no Congresso Nacional antes das eleições, em outubro.

Segundo integrantes da equipe econômica, embora a proposta seja considerada prioritária pela Fazenda e conte com apoio do ministro Dario Durigan, ela não está entre as prioridades políticas do presidente Lula neste momento, o que seria fundamental para o avanço do texto no curto prazo.

O parecer apresentado em julho pelo relator, deputado Aliel Machado (PV-PR), incorporou ajustes negociados com a Fazenda e com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e, na visão de pessoas a par do debate ouvidas pela Folha, solucionou boa parte das dúvidas técnicas levantadas ao longo da tramitação.

A proposta cria um regime concorrencial específico para plataformas digitais com poder de mercado considerado sistêmico. Inspirado em experiências adotadas pela União Europeia, Reino Unido e Japão, o projeto amplia a capacidade de atuação preventiva do Cade e prevê obrigações para empresas classificadas como de relevância sistêmica, buscando reduzir barreiras à concorrência antes que práticas produzam efeitos anticompetitivos sobre o mercado.

Segundo relatos feitos à Folha sob condição de anonimato, havia expectativa de que o texto fosse levado à votação na Câmara antes do recesso parlamentar. A percepção dentro do governo agora é que ainda pode haver alguma movimentação nas semanas de esforço concentrado, entre agosto e setembro, mas as chances diminuíram significativamente.

O último texto divulgado pelo relator foi elogiado pelo governo e pelo presidente do Cade, Diogo Thomson, sob o argumento de que ele confere mais segurança jurídica ao restringir os possíveis alvos da regulação prévia pelo órgão de defesa da concorrência.

Reservadamente, integrantes da equipe econômica afirmam que as big techs intensificaram a ofensiva contra a proposta em diversas frentes quando detectaram que o ambiente no Congresso se tornou mais favorável à aprovação do texto.

A avaliação é que empresas potencialmente atingidas passaram a ampliar investimentos em estudos e firmar parcerias com entidades, consultorias e outras frentes de interlocução política para tentar convencer parlamentares de que o projeto que regula os mercados digitais traria efeitos negativos sobre inovação e investimentos.

Outro elemento que preocupa integrantes do governo é a dimensão internacional da discussão. Como as principais empresas sujeitas às novas regras são americanas, auxiliares do presidente Lula acompanham com atenção relatos sobre uma possível atuação diplomática dos Estados Unidos em torno do projeto.

Como mostrou a Folha, a embaixada dos Estados Unidos agiu, a pedido das big techs, para barrar a aprovação do projeto na Câmara dos Deputados. Representantes americanos procuraram o relator do texto pedindo mais tempo antes da votação do texto.

A única que se posicionou na ocasião foi a Apple, dizendo que a proposta é desnecessária e "criará uma experiência pior para os usuários e desenvolvedores brasileiros".

O projeto que regula os mercados digitais tramita em urgência desde março deste ano, quando, apesar da pressão contrária das gigantes de tecnologia, o requerimento foi aprovado.

A pressão contra a proposta ganhou mais peso nos últimos dias, quando um grupo de 20 parlamentares americanos pediu ao governo Donald Trump que inclua o projeto brasileiro de regulação dos mercados digitais nas negociações comerciais com o Brasil.

Em carta enviada ao representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, os parlamentares afirmam que a proposta brasileira discrimina empresas americanas de tecnologia e deve ser tratada como parte da agenda comercial entre os dois países.

Na visão das autoridades brasileiras, parte da estratégia dos americanos busca também associar o projeto a temas como moderação de conteúdo e liberdade de expressão —interpretação considerada equivocada pela Fazenda.

Embora a equipe econômica sustente que o texto trata exclusivamente de questões concorrenciais e de poder econômico das plataformas digitais, há um temor de que o tema seja instrumentalizado pela oposição durante a campanha eleitoral e leve o Palácio do Planalto a segurar a pauta.

Politica Livre 

Michelle é lançada ao Senado, mas falta a ato com Flávio Bolsonaro

Publicado em 2 de agosto de 2026 por Tribuna da Internet

Flávio Dino avança para responsabilizar parlamentares pelas emendas

Publicado em 2 de agosto de 2026 por Tribuna da Internet

Nova ofensiva coloca o Congresso na mira do STF

Dora Kramer
Folha

O ponto mais recente que Flávio Dino acrescentou à escrita dele sobre a manipulação no uso das emendas parlamentares não mereceu destaque no noticiário voltado às campanhas eleitorais. Conviria, porém, prestar atenção aos movimentos do ministro.

Dino sinaliza introduzir na cena o conceito de responsabilidade jurídica de deputados e senadores no manejo daqueles recursos, hoje na ordem dos R$ 60 bilhões, em ação em curso no Supremo Tribunal Federal que os equipara a ordenadores de despesas do Orçamento da União.

FRONTEIRAS DA POLÍTICA – Diz que o manejo das emendas ultrapassa as fronteiras da política e se inscreve nos atos inerentes ao Poder Executivo, submetidos aos ditames constitucionais. É quase como se dissesse que os legisladores precisam ter, nesse nosso presidencialismo arrevesado, obrigações semelhantes às do parlamentarismo.

O ministro pede que a Câmara se manifeste a respeito. Não foi um ato isolado. Faz parte de um todo construído por ele desde agosto de 2024, quando um encontro de representantes dos Três Poderes estabeleceu um acordo, não cumprido, pela transparência total no uso das emendas.

De lá para cá, o Congresso recorreu a diversas manobras às quais Flávio Dino reagiu com a abertura de sucessivas frentes: contesta os critérios de rastreabilidade, questiona a constitucionalidade das emendas impositivas e a legalidade daquelas sem controle, as chamadas Pix.

FINANCIAMENTO PÚBLICO – O ministro não conseguiu interditar a farra para esta eleição. Parlamentares ainda podem contar com essa espécie de financiamento público paralelo, que distorce o princípio da igualdade de condições e assegura vantagem aos atuais detentores de mandatos.

Talvez seja a última oportunidade da vigência dessa distorção. Quando a obra do ministro Flávio Dino for concluída, o cerco se fechar, as dezenas de ações em curso do Supremo se completarem e o efeito de materializar em condenações, aí sim, será possível pensar na retomada do equilíbrio, algo harmonioso e independente entre os entes da República.


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