domingo, agosto 02, 2026

Abstenção pode crescer demais e preocupa as campanhas na disputa presidencial


Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Italo Nogueira
Folha

A estudante universitária Ana Luiza Souza Ferreira, 20, teve um imprevisto nas últimas eleições e precisou se ausentar de Governador Valadares (MG). Ela pagou a multa da Justiça Eleitoral para manter seu título em regularidade. Sem planos de viagem para este ano, ela pretende engrossar de novo as estatísticas de abstenção. “As promessas só surgem em época de eleição. Depois, nada acontece. Prefiro pagar multa.”

A abstenção eleitoral crescente se tornou um desafio para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e entrou no cálculo das candidaturas num cenário de disputa acirrada pela Presidência da República. Especialistas apontam que o maior prejudicado com o não comparecimento às urnas este ano deve ser o presidente Lula (PT), que busca a reeleição. Dados da Justiça Eleitoral e de pesquisas de intenção de voto indicam que o perfil dos eleitores que se abstém se assemelha mais aos do petista.

ENGAJAMENTO FEMININO – Ao mesmo tempo, o maior engajamento eleitoral feminino beneficia Lula, setor mais refratário à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), de acordo com pesquisas. A abstenção vem crescendo desde 2002, primeira eleição geral integralmente feita pela urna eletrônica. Naquele ano, quando Lula foi eleito pela primeira vez para a Presidência, 17,7% dos eleitores não compareceram às urnas no primeiro turno, e 20,4%, no segundo.

O percentual subiu ano a ano até 2022, quando 20,9% não participaram do primeiro turno. Pela primeira vez no período a abstenção caiu no segundo turno, atingindo 20,5%. Especialistas vinculam o movimento à acirrada disputa entre Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O município com a maior abstenção no segundo turno de 2022 foi Maraã (AM), no coração da amazônia onde 45,5% dos eleitores estiveram ausentes. Governador Valadares (MG) teve 27,5% de abstenção, a maior entre as cidades com mais de 200 mil eleitores —municípios em que há segundo turno nos pleitos municipais.

MOTIVOS – Moradores apontaram diferentes motivos para não comparecer às urnas. A advogada Késia Cristina Ferreira, 34, se ausentou da cidade para cumprir compromissos profissionais. “Eu pensei que meu voto não iria fazer tanta diferença para o momento que a gente estava vivendo.” O administrador Neuber Santos, 42, faltou ao último pleito porque teve uma viagem a lazer, mas diz que pretende comparecer. “Tem que votar, né?”

Cientistas políticos afirmam não existir pesquisas que ofereçam um diagnóstico sobre o fenômeno. Descrevem, porém, um somatório de hipóteses para o crescimento discreto, mas constante, da abstenção a cada eleição geral deste século.

As razões podem ir desde a dificuldade para acessar os locais de votações, mais comum na região amazônica e pequenas cidades, desinteresse pela disputa e até desatualização do cadastro de eleitores. Todas as possibilidades, apontam especialistas, se alimentam da punição quase simbólica pelo não cumprimento do voto obrigatório.

IMPLICAÇÃO –  “Se você não entregar a declaração do Imposto de Renda no dia, você sabe qual é a implicação disso para a sua vida. Agora, se você não votar e faltar três eleições sucessivas, você sai do cadastro [do TSE]. Para os eleitores que não vão fazer viagem internacional, não vão fazer concurso, faltar não tem uma implicação pessoal tão grande”, afirma o cientista político Jairo Nicolau, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

O voto é obrigatório para todas as pessoas entre 18 e 70 anos, à exceção de analfabetos. O eleitor pode justificar sua ausência por meio do aplicativo e-Título, do TSE, sem necessidade de documento comprobatório. Caso não o faça no prazo, paga uma multa de R$ 3,51 por turno em que não compareceu. O título é cancelado após três ausências.

Em 2025, 5 milhões de pessoas tiveram o título cancelado após faltarem nos últimos três pleitos. “Se você quisesse realmente ampliar a participação, passaria a multa para R$ 70. Tem uma vertente da Justiça Eleitoral que é a favor do voto facultativo. Isso não é dito. Não foi uma decisão do Legislativo. É [decisão] administrativa da Justiça Eleitoral facilitar a justificativa da ausência e aplicar uma multa que não é reajustada há 30 anos”, afirma Nicolau.

COMO FUNCIONA O SISTEMA – O cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, avalia que a alta da abstenção, combinada com a queda nos votos inválidos (nulos e brancos) registrada em 2022 para todos os cargos, indica que “as pessoas estão entendendo como o sistema funciona”. “Se você não quer votar em alguém e a punição de não ir é pequena demais, é melhor você não ir do que ir e apertar um botão nulo ou branco. A abstenção se transformou num comportamento eleitoral”, afirma Nunes.

O cientista político Antônio Alkmin aponta ainda para um contingente de pessoas que nem sequer tiraram título de eleitor. “Em 1989 a gente tinha 10% da população que potencialmente poderia ter o título de eleitor e não tinha. Hoje, pelas estimativas, chega a 5%. Parece pouco, mas num eleitorado de 160 milhões, a gente está falando de 8 milhões de pessoas”, aponta.

Dados do TSE mostram que a abstenção em 2022 foi maior entre os que possuem escolaridade mais baixa, eleitor mais alinhado à esquerda, de acordo com as pesquisas. Por outro lado, as mulheres, cuja intenção de voto era majoritariamente para Lula, apresentaram uma taxa de abstenção menor —19,96% contra 21,98% dos homens no primeiro turno.

ABSTENÇÃO FEMININA – “A abstenção é desigual pelo território e em termos sociais. […] Foi fundamental para a vitória do Lula o voto das mulheres. Uma alta abstenção feminina é muito prejudicial à esquerda. Teria uma vitória mais forte de Bolsonaro em 2018 e uma vitória mais apertada ou eventualmente até uma derrota em 2022. Então a abstenção faz diferença, sim, porque ela é desigual”, afirma Nicolau.

Os números da Justiça Eleitoral mostram que a queda na abstenção entre o primeiro e o segundo turnos foi mais intensa entre os menos escolarizados. O deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), coordenador do Grupo de Tática Eleitoral do PT, afirma que o tema está no radar do partido.

PREOCUPAÇÃO – “É um motivo de preocupação pelo perfil das abstenções, de baixa renda. Está no nosso radar fazer uma campanha direcionada, mas quem tem que fazer esse trabalho de conscientização do voto e jogar pesado é o TSE. É competência dele dizer qual a importância do voto”, afirmou o deputado. Procurado, o TSE não se manifestou sobre como pretende ampliar a participação do eleitorado este ano.

O cientista político Antônio Alkmin aponta como campanhas podem também atuar no sentido inverso, a fim de desestimular o comparecimento de perfis do eleitorado mais alinhado ao adversário. “A Cambridge Analytica fez consultoria em várias eleições no mundo. Em El Salvador, por exemplo, ela fez uma estratégia de estimular a abstenção entre os jovens com o discurso antissistema”, afirmou.

Espetáculo do vazio: como a direita trocou o projeto de país pela guerra política


Flávio opta pela espetacularização em pré-campanha

Marcelo Copelli
Revista Fórum

A pré-campanha presidencial de 2026 já expôs seu método antes mesmo de apresentar seu programa. Em vez de colocar no centro da discussão propostas sobre crescimento, produtividade, envelhecimento populacional, transição energética ou reforma do Estado, a direita brasileira voltou a organizar sua comunicação em torno da lógica do confronto permanente. O lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, realizado em São Paulo, tornou esse movimento evidente.

Na convenção que oficializou o nome do senador pelo PL para a corrida presidencial, sem vice definido e ainda sem uma coligação nacional consolidada, o momento de maior repercussão não foi um discurso sobre economia ou políticas públicas. Foi a exibição de um vídeo produzido por inteligência artificial reproduzindo a imagem e a voz de Jair Bolsonaro, utilizado pelo próprio filho para pedir apoio ao seu nome, mesmo com o ex-presidente submetido a restrições judiciais que o impedem de participar de atos públicos.

REAÇÃO – O episódio provocou reação imediata. A Federação Brasil da Esperança, que reúne o PT, apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral uma representação por propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial, distribuída ao ministro Kassio Nunes Marques. No Supremo, a defesa de Bolsonaro argumentou que o ex-presidente sequer teria condições de autorizar o uso de sua imagem diante das limitações impostas pela Justiça. A justificativa, porém, acabou ampliando uma questão central: se o próprio Bolsonaro não poderia validar publicamente a utilização de sua imagem, quem decidiu colocá-lo para “falar” na convenção?

A controvérsia dividiu espaço nas manchetes com outro episódio de forte impacto: a presença do presidente argentino Javier Milei, que utilizou seu discurso para atacar Lula e o ministro Alexandre de Moraes em termos que dificilmente seriam empregados por um político brasileiro em território nacional, protegido pela condição de chefe de Estado estrangeiro. A consequência foi uma crise diplomática entre Brasília e Buenos Aires, com a convocação do embaixador brasileiro para consultas e uma reação institucional do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que classificou as declarações como desrespeitosas às instituições brasileiras.

Somaram-se ainda mensagens de apoio do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, utilizadas para associar a chapa à imagem de uma articulação conservadora internacional. O resultado foi simbólico: o evento que deveria apresentar Flávio Bolsonaro como candidato ao Planalto acabou dominado por controvérsias externas à formulação de um programa de governo — inteligência artificial, tensão diplomática e conflitos institucionais — e não pela apresentação de prioridades para o país.

MÉTODO POLÍTICO – Essa dinâmica não surgiu agora. Ela representa a continuidade de um método político consolidado desde 2018: transformar a política em uma disputa permanente de identidades, ameaças e inimigos, na qual conflitos com instituições, pautas de costumes e ataques simbólicos ocupam o espaço que deveria ser destinado à construção de um projeto nacional.

É preciso reconhecer que esse modelo teve eficácia política. A direita bolsonarista construiu uma identidade forte, mobilizou sua base de maneira consistente e alterou o funcionamento do debate público brasileiro como poucas forças políticas conseguiram fazer nas últimas décadas. Sua capacidade de criar engajamento e influenciar a agenda nacional é um fato político relevante.

O problema está em outro ponto: a mobilização passou a funcionar como substituta de uma formulação programática mais ampla. A extrema direita brasileira demonstrou força para organizar conflitos, mas ainda enfrenta dificuldades para apresentar uma visão de país que vá além da reafirmação de identidades políticas e da permanente busca por adversários.

SIMBOLISMO – A lógica do confronto permanente cumpre, nesse modelo político, uma função específica: manter a base mobilizada a partir de ameaças contínuas e disputas simbólicas que exigem posicionamento constante. Enquanto um programa de governo precisa lidar com escolhas, limites e resultados mensuráveis, a política baseada no conflito depende da produção permanente de novos antagonismos. O adversário deixa de ser apenas um concorrente eleitoral e passa a ocupar o centro da própria identidade do movimento.

No caso de Flávio Bolsonaro, essa limitação aparece de forma mais evidente. O senador foi lançado ao cenário presidencial pelo próprio pai, sem ter construído, até aqui, uma identidade política plenamente independente, e enfrenta dificuldades para consolidar liderança dentro do próprio campo. Pesquisas indicam que Michelle Bolsonaro apresenta maior competitividade entre segmentos como evangélicos e mulheres, enquanto o campo conservador continua marcado por diferentes grupos e interesses.

Ao mesmo tempo, setores do centro político e aliados da direita buscam nomes com maior capacidade de articulação e ampliação eleitoral, enquanto pesquisas de intenção de voto indicam uma disputa ainda marcada pela vantagem de Lula em cenários de segundo turno. Flávio também carrega o peso de episódios que acompanham sua trajetória política, como as investigações envolvendo crime de corrupção na Assembleia Legislativa do Rio e questionamentos relacionados à aquisição de imóveis. São temas explorados por adversários e que não desaparecem apenas porque o debate público é ocupado por controvérsias momentâneas.

PRIORIDADES – Uma eleição presidencial deveria ser o momento de confronto entre diferentes visões sobre o futuro do país. Os desafios que estarão diante da próxima administração não pertencem a um único governo nem serão solucionados por uma única gestão. A qualidade da disputa democrática depende da capacidade de apresentar prioridades, escolhas e caminhos para enfrentar problemas estruturais. Quando a maior parte da atenção pública é absorvida por conflitos institucionais, embates simbólicos e disputas de identidade, reduz-se o espaço para discutir como cada candidatura pretende governar.

Esse fenômeno não é exclusivo do Brasil. Em diferentes democracias, forças políticas perceberam que a mobilização de ressentimentos, identidades e adversários simbólicos pode produzir resultados eleitorais relevantes. A diferença está no que acontece depois: transformar engajamento político em capacidade de formular políticas públicas diante de sociedades cada vez mais complexas continua sendo o principal teste para qualquer força que pretende governar.

ESPETACULARIZAÇÃO – A questão central para a direita brasileira, especialmente para sua vertente mais radicalizada, não é mais sua capacidade de mobilizar. O problema é que essa mobilização passou a ocupar o lugar que deveria ser destinado à construção de um projeto de país. Ao transformar espetacularização, desinformação, confrontos institucionais e conexões internacionais utilizadas como instrumentos de polarização em eixo da comunicação política, a extrema direita deixa em segundo plano a apresentação de respostas para os problemas concretos do Brasil.

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro não apresentou apenas uma estratégia de comunicação; expôs um método político. O centro da cena foi ocupado pela reconstrução artificial da presença de Jair Bolsonaro, pela internacionalização da disputa e pelo confronto com instituições.   O que permaneceu ausente foi justamente o elemento que deveria organizar uma candidatura presidencial: uma visão de futuro para o país, com prioridades definidas e respostas para os desafios que estarão diante da próxima administração.

 


PF aponta interesse de Daniel Vorcaro em emendas do mercado de carbono

Publicado em 2 de agosto de 2026 por Tribuna da Internet

Aplicativo Pardal permitirá envio de denúncias de propaganda eleitoral

 Ferramenta estará disponível a partir de 16 de agosto e permitirá o envio de denúncias por celular com autenticação pelo e-Título ou Gov.br

Logo do aplicativo Pardal (Foto: TSE)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) regulamentou o uso do aplicativo Pardal Móvel para o recebimento de denúncias de propaganda eleitoral irregular durante as Eleições Gerais de 2026. As regras estão previstas na Portaria TSE nº 451/2026, assinada pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, e publicada na última segunda-feira, 27, no Diário da Justiça Eletrônico (DJE).

A ferramenta estará disponível a partir de 16 de agosto, data de início da propaganda eleitoral, e permitirá que eleitoras e eleitores encaminhem denúncias diretamente aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), responsáveis pelo exercício do poder de polícia sobre a propaganda eleitoral.

O objetivo é facilitar a participação da sociedade na fiscalização do cumprimento das regras eleitorais, tornando mais ágil o encaminhamento de informações sobre eventuais irregularidades.

Como funcionará o Pardal

De acordo com a portaria, o sistema será composto por três módulos:
– Pardal Móvel: aplicativo gratuito disponível para smartphones e tablets nas plataformas Google Play e App Store;
– Pardal ADM: ambiente de uso exclusivo da Justiça Eleitoral para gestão de dados apresentados em denúncias relativas à respectiva circunscrição;
– Pardal Web: plataforma destinada ao acompanhamento de estatísticas das denúncias registradas.

Para acessar o aplicativo, a pessoa usuária deverá se identificar por meio do e-Título ou da plataforma Gov.br. A norma, contudo, assegura que a identidade da pessoa denunciante permanecerá protegida por sigilo, independentemente da forma de autenticação utilizada.

Classificação das denúncias

Ao registrar uma nova denúncia, a pessoa usuária deverá informar a descrição da suposta irregularidade. Em seguida, um agente automatizado fará uma classificação preliminar da ocorrência em duas categorias: propaganda eleitoral irregular na internet e outras formas de propaganda eleitoral irregular.

Antes do preenchimento das informações complementares, o sistema apresentará orientações sobre quais condutas são permitidas ou proibidas pela legislação eleitoral, de acordo com o tipo de denúncia selecionado. A medida busca reduzir registros equivocados ou sem fundamento.

A classificação sugerida pelo sistema poderá ser alterada pelo próprio denunciante. Além da descrição do fato, será possível anexar fotos, vídeos, áudios ou endereços eletrônicos relacionados à irregularidade apontada.

Após o envio, o sistema gerará um número de protocolo para acompanhamento da denúncia, que poderá ser consultada tanto no aplicativo quanto por meio de um link enviado ao e-mail informado pela pessoa denunciante.

Encaminhamento para outros canais

A portaria também prevê situações em que a denúncia não se enquadra no escopo do Pardal. Nesses casos, a pessoa será direcionada para os canais apropriados, como o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (SIADE), utilizado para comunicações relacionadas à desinformação capaz de afetar a integridade do processo eleitoral, ou os canais eletrônicos do Ministério Público Eleitoral (MPE) da respectiva unidade da Federação, destinados ao recebimento de denúncias sobre crimes eleitorais e outros ilícitos que afetem a disputa na circunscrição.

Gestão pelas unidades da Justiça Eleitoral

No Pardal ADM, módulo de uso exclusivo da Justiça Eleitoral, os Tribunais Regionais Eleitorais e os juízos eleitorais poderão gerenciar as denúncias recebidas por meio de diferentes perfis de acesso, como administrador, triagem, cartório e consulta. O sistema também permitirá configurar regras para encaminhar automaticamente as denúncias às zonas eleitorais competentes, com base em critérios como município, categoria da ocorrência ou equipes responsáveis pela análise.

A ferramenta ainda possibilitará o envio de notificações eletrônicas a candidatas e candidatos, partidos, federações e coligações mencionados nas denúncias, para apresentação de esclarecimentos ou comprovação da regularização da situação apontada. Além disso, as ocorrências poderão ser autuadas diretamente no Processo Judicial Eletrônico (PJe), na classe processual Notícia de Irregularidade de Propaganda Eleitoral (NIPE), conferindo maior agilidade ao tratamento dos casos pela Justiça Eleitoral.

Fonte: TSE

Saiba como agir contra golpes bancários após roubo ou perda de celular

 Rapidez no bloqueio de contas e valores aumenta as chances de recuperação de recursos e auxilia as investigações


(Foto: SSP/SE)

No contexto de furtos, roubos ou perda de aparelhos celulares, situações cada vez mais exploradas por criminosos para acessar aplicativos bancários e aplicar golpes financeiros , a Polícia Civil orienta a população sobre os mecanismos disponíveis para reduzir prejuízos e proteger dados pessoais. A principal recomendação é agir rapidamente ao perceber uma fraude, acionando imediatamente a instituição financeira para bloquear contas, transações e acessos indevidos.

A delegada Luciana Pereira, da Delegacia Especial de Turismo (Detur), destaca que o tempo é o principal aliado da vítima nesses casos. “O mais importante, em um crime de fraude, é o tempo. O tempo é o fator mestre. Fui vítima de fraude, o que fazer? Imediatamente ligar para o banco ou entrar no seu aplicativo e tentar bloquear”, orienta.

Entre os recursos disponíveis está o Mecanismo Especial de Devolução (MED), do Banco Central, criado para ampliar as chances de recuperação de valores obtidos por criminosos em fraudes eletrônicas. O mecanismo permite que as instituições financeiras bloqueiem rapidamente os recursos recebidos na conta do fraudador e também rastreiem e interrompam a movimentação do dinheiro caso ele tenha sido transferido para outras contas.

Segundo a delegada, a ferramenta evita que os valores sejam pulverizados entre diversas contas, o que facilita tanto a restituição dos recursos à vítima quanto o trabalho investigativo da Polícia Civil. “Hoje, o MED evita a pulverização do valor. Ainda que aquele valor tenha sido remetido para outras contas, além da conta principal que recebeu o valor enviado, outras contas também podem ser bloqueadas. Isso facilita para que a vítima consiga recuperar um valor eventualmente perdido e também contribui para a investigação da Polícia”, explica.

O MED pode ser utilizado em situações em que a vítima foi enganada por criminosos e realizou uma transferência acreditando em uma situação falsa, como falsas promessas de benefícios, solicitações indevidas de dados ou acessos fraudulentos a aplicativos bancários. Nesses casos, é fundamental comunicar imediatamente o banco para que o mecanismo seja acionado.

A delegada ressalta que o recurso não se aplica a erros de digitação durante uma transferência. “O MED não foi criado para pessoas que fazem um PIX errado. Se você fez um PIX errado, porque digitou um CPF ou um número incorreto, e a pessoa não quis devolver o valor, você vai registrar um boletim de ocorrência e a delegacia vai tentar resolver esse caso”, esclarece.

Como parte das medidas para prevenir golpes bancários, a Polícia Civil orienta que, em casos de furto, roubo ou perda de celulares, os acessos às contas bancárias e aos demais aplicativos financeiros sejam bloqueados imediatamente. A medida reduz o risco de fraudes e movimentações indevidas.

Fonte: Polícia Civil de Sergipe

DESCASO URBANO: Cratera na Rua Milton do Prado Melo Coloca em Risco Pedestres e Motoristas em Aracaju

 


DESCASO URBANO: Cratera na Rua Milton do Prado Melo Coloca em Risco Pedestres e Motoristas em Aracaju


Por José Montalvão


A mobilidade urbana e a segurança no trânsito de uma capital exigem atenção contínua do poder público. Em Aracaju, no entanto, moradores e motoristas que trafegam pelo bairro Grageru vivenciam uma rotina diária de sobressaltos e indignação. Há mais de trinta dias, a Rua Milton do Prado Melo encontra-se parcialmente bloqueada pelo avanço descontrolado de um buraco na pista que, sem a devida manutenção asfáltica, atingiu proporções de uma verdadeira cratera.

A gravidade do problema é amplificada pela localização estratégica da via: o ponto crítico situa-se em um importante cruzamento que funciona como corredor de tráfego constante para quem se desloca em direção a restaurantes, instituições de ensino, delegacia e redes de supermercados da região.

Risco Permanente de Acidentes e Prejuízos Materiais

A permanência da cratera por mais de um mês sem qualquer intervenção emergencial afeta a fluidez do trânsito local e expõe condutores e pedestres a riscos iminentes de acidentes graves. Durante o período noturno, a falta de sinalização adequada na pista transforma o trecho em uma armadilha, especialmente para motociclistas e ciclistas.

Além da ameaça à integridade física, os condutores que transitam diariamente pela localidade relatam o prejuízo acumulado com a quebra de suspensão, pneus furados e avarias diversas nos veículos — uma conta salgada que acaba sendo paga pelo cidadão que já cumpre com suas obrigações tributárias, como o IPVA e o IPTU.

"Passar por esse cruzamento virou um teste de paciência e perícia. O buraco começou pequeno e, com a falta de reparo e o fluxo contínuo de carros, virou essa cratera. São mais de 30 dias de abandono em uma rua de grande fluxo. É inaceitável a omissão da Prefeitura diante de um perigo tão evidente", desabafa um morador do entorno.

A Omissão do Poder Público e a Cobrança por Providências

O descaso na Rua Milton do Prado Melo escancara a morosidade nos serviços operacionais de infraestrutura da capital. É dever precípuo da administração municipal, por meio da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), garantir a manutenção da malha viária e a trafegabilidade segura nas vias públicas.

Até o momento da publicação desta matéria, nenhuma equipe de manutenção asfáltica compareceu ao local para realizar os serviços de tapa-buraco ou a recuperação do pavimento.

Comunidade local, comerciantes e condutores solicitam uma resposta imediata dos órgãos competentes da Prefeitura de Aracaju. A execução dos reparos urgentes no trecho afetado não é um favor à população; é uma obrigação legal e um compromisso básico com a segurança viária e o bem-estar coletivo!

José Montalvão

Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).

Blog de Dede Montalvão: Fiscalizando a aplicação dos recursos públicos, cobrando eficiência da gestão urbana e dando voz às reivindicações da comunidade!

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