sexta-feira, maio 08, 2026

Ação da PF contra senador põe em xeque delação de Vorcaro

 

Ação da PF contra senador põe em xeque delação de Vorcaro

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Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Uma operação da Polícia Federal na manhã de quinta-feira em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Progressistas, pode anular a delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Masters. Segundo a PF, há indícios de que o senador teria recebido do banqueiro repasses mensais que variariam de R$ 300 mil a R$ 500 mil por meio de Felipe Vorcaro, primo de Daniel e preso na ação de ontem. A investigação apura possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A PF diz ainda que a equipe do Master elaborou uma emenda legislativa apresentada por Nogueira que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que beneficiaria diretamente o Master. Em nota, a defesa do senador negou irregularidades. (Folha)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso, já indicou a interlocutores que não deve homologar, nos moldes atuais, a proposta de delação premiada de Vorcaro. A avaliação é de que o material apresentado contém omissões e tentativas de preservar aliados, o que comprometeria a validade do acordo. Nos bastidores, a leitura é de que as investigações já conduzidas pela PF avançaram o suficiente para sustentar apurações sem depender das informações do ex-banqueiro. Mendonça já havia advertido a defesa de Vorcaro sobre as lacunas na delação, apresentada na quarta-feira. O ministro cobrou especificamente detalhes sobre a relação do ex-banqueiro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). (Folha)

Aliás, como conta Malu Gaspar, Alcolumbre teria reclamado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva das investigações da PF contra ele, especialmente no caso do Master. O fundo de previdência dos servidores do Amapá, comandado por um aliado do senador, investiu R$ 400 milhões em títulos de alto risco do Master. Nas semanas seguintes à conversa, Alcolumbre trabalhou para barrar a indicação por Lula de Jorge Messias ao STF e derrubar o veto à Lei da Dosimetria. Para a PF, a delação de Vorcaro é seletiva e busca blindar autoridades, como o próprio Alcolumbre e ministros do STF. (Globo)

A gorda mesada de Vorcaro não era o único agrado oferecido pelo ex-banqueiro a Ciro Nogueira. Vorcaro também bancou despesas do senador em viagens internacionais, incluindo hospedagem no hotel Park Hyatt, em Nova York, cujas diárias podem superar R$ 130 mil. Segundo a PF, incluem também gastos em restaurantes de alto padrão, uso de cartão para despesas pessoais e outros benefícios. (g1)

E a PF já encaminhou ao ministro André Mendonça um pedido para que Vorcaro seja transferido da Superintendência da PF, em Brasília, de volta ao sistema penitenciário federal, onde já esteve preso. Vorcaro havia sido levado para a sede da PF com o objetivo de facilitar negociações de um possível acordo de delação premiada. (Metrópoles)

Em Washington, o presidente Lula procurou se esquivar de perguntas sobre a ação da PF contra Ciro Nogueira, dizendo ser difícil fazer comentários longe do Brasil. “Há uma decisão do ministro André Mendonça para que houvesse a operação, e ela foi feita. Espero que todos os investigados sejam inocentes”, afirmou. (Globo)

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou como “graves” as informações reveladas pela operação da Polícia Federal, sem citar nominalmente o senador Ciro Nogueira, ex-ministro e um dos principais aliados de seu pai, Jair Bolsonaro. Aliados do senador fluminense admitem que o desgaste para campanha pode ser grande, já que Nogueira chegou a ser cotado para o posto de vice na chapa de Flávio. O vice ainda não havia sido escolhido exatamente pelo temor do envolvimento de aliados no caso Master, que pode atingir também o presidente do União Brasil, Antonio Rueda. (Folha)

Raquel Landim: “Políticos à esquerda e à direita acreditam que a PF apenas começou a puxar o fio das relações entre Vorcaro e os partidos do Centrão. A ação contra Nogueira também cai como uma bomba na pré-campanha de Flávio Bolsonaro, e o PT já resgatou das redes sociais um vídeo de Flávio citando Ciro como um possível vice.” (Estadão)

  

O encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump foi marcado por uma tentativa de ampliar o diálogo entre Brasil e Estados Unidos em meio a divergências sobre comércio, segurança e política internacional. Segundo relatos do governo brasileiro, a conversa ocorreu em tom cordial e abordou temas como combate ao crime organizado, narcotráfico, tarifas comerciais, minerais críticos e os desdobramentos da guerra no Irã. Lula afirmou que defendeu maior cooperação internacional contra facções criminosas e voltou a argumentar que o enfrentamento ao tráfico exige também alternativas econômicas para países produtores de drogas. Lula, no entanto, disse que os dois não discutiram a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. (Folha)

Do lado americano
, a impressão também parece ter sido positiva. Após a conversa, Trump classificou a reunião como “muito boa” e afirmou ter discutido com Lula temas ligados a comércio e tarifas. Em publicação nas redes sociais, o presidente americano disse que representantes dos dois países voltarão a se reunir para avançar em pontos considerados estratégicos e indicou que novos encontros poderão ocorrer nos próximos meses. Ao contrário do que acontece de praxe, Lula e Trump não conversaram com os jornalistas no Salão Oval da Casa Branca. (g1)

Lula ainda afirmou
 que não acredita em interferência de Donald Trump nas eleições brasileiras de 2026. Segundo o petista, a relação com Trump é “sincera” e baseada no respeito institucional. Lula também afirmou que o resultado da eleição será definido exclusivamente pelo eleitorado brasileiro e disse não acreditar em influência externa no processo político nacional. (CNN Brasil)

  

Negócios

Marcelo Martinez

  

Um relatório apresentado pela historiadora Maria Cecília Adão à Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura em 1976. O documento, que deve ser aprovado pela comissão, nega que o carro onde estava JK perdeu o controle após bater em um ônibus, atribuindo o desastre a uma sabotagem ou atentado ao motorista. Um vídeo feito a partir de laudos simula o que teria acontecido. (Folha)

  

Apesar da expectativa de que Irã e Estados Unidos estão próximos de chegar a um acordo para colocar fim à guerra, os dois países voltaram a trocar agressões. O Irã acusou os EUA de atacarem seu território e um petroleiro iraniano. Explosões foram registradas na ilha de Qeshm, na cidade portuária de Bandar Abbas e também em Teerã, segundo a imprensa iraniana e relatos publicados nas redes sociais. (New York Times)

  

O brasileiro tem convicções fortes sobre o país, mas pouca noção do quão limitada elas podem ser. Uma pesquisa inédita revelou que vivemos em 9 bolhas distintas que moldam nossos valores, nossa política e nossas escolhas eleitorais. No Conversas com o Meio, Pedro Doria e Felipe Nunes, diretor da Quaest, mostram quais são essas bolhas e em qual você está. Ficou curioso? No streaming do Meio você encontra essa e mais entrevistas, séries, documentários e leituras de cenário que você não vê em nenhum outro lugar. Seja premium e aproveite nosso catálogo.

  

Viver

Dados do Portal da Transparência dos Registros Civis mostram que mais de 1,7 milhão de crianças que nasceram nos últimos dez anos no Brasil possuem apenas o nome da mãe no documento, sendo que apenas em 2025 cerca de 6% dos 2,5 milhões de recém-nascidos não tiveram o nome do pai no registro. O total de pessoas sem o nome paterno entre 2016 e o início de maio deste ano é semelhante à população de cidades como Recife e Goiânia, que contam com cerca de 1,5 milhão de habitantes cada. Os dados se referem à falta de reconhecimento oficial, e não que essas pessoas não saibam quem são seus pais. (DW)

  

O Ministério da Saúde informou que o Brasil bateu o recorde de transplantes de órgãos e tecidos em 2025. Foram 31 mil procedimentos no ano passado, uma alta de 21% em relação a 2022, superando dados do período pré-pandemia. O transplante de córnea foi o mais realizado, com 17.790 procedimentos, seguido por rins (6.697) e medula óssea (3.993). A marca se deve a avanços de logística e organização do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), mas a recusa de cerca de 45% das famílias pela liberação dos órgãos é apontada como um entrave para reduzir as longas filas de espera. Até esta quinta-feira, 48.827 pessoas aguardavam um novo órgão no país. (Globo)

  

O número de projetos de lei sobre apostas online saltou no Congresso Nacional, mas poucos textos tratam dos impactos das bets na saúde pública. É o que revela um levantamento do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) divulgado nesta quinta-feira. Dos 231 projetos protocolados entre janeiro de 2019 e março deste ano, 30% se concentra em regras de funcionamento e operação das plataformas e 23% tratam de regulação de publicidade e patrocínio, enquanto apenas 6,1% são voltados à governança e políticas públicas de prevenção. O Ieps defende que as apostas online sejam reguladas como produto de risco à saúde pública, como é feito com o tabaco. (Folha)

  

Cultura


Após 16 anos de espera, os cariocas vão poder visitar a nova sede do Museu da Imagem e do Som, em Copacabana, com a exposição gratuita Arquitetura em Cena: o MIS COPA antes da Imagem e do Som contando a epopeia de sua construção. Ainda no Rio, o guitarrista norte-americano Dean Wareham, fundador das bandas Galaxie 500 e Luna, faz show na cidade pela primeira vez. Em São Paulo, acontece a primeira edição do Pixo Punx Fext, que une as duas culturas de rua com shows, DJs, exposição e uma mostra de curtas. Já o Itaú Cultural apresenta o projeto \\ ENTRE \\ arte e acesso, com palestras, peças, shows e espetáculos de dança. Leia todas as sugestões no site do Meio.

  

O longa de Luciana Malavasi O Que Sobrou do Céu será exibido no Marché du Film, maior mercado de cinema do mundo que será realizado no Festival de Cannes deste ano. O thriller acompanha uma mulher de 45 anos à beira de um colapso, que se muda com o filho para um retiro espiritual, onde os limites entre fé, manipulação e sobrevivência começam a se confundir. Dirigido por Malavasi, o longa conta com Ana Costa, Alan Rocha, Gustavo Rodrigues, Tuna Dwek e Túlio Linare no elenco. A estreia nacional está prevista para o primeiro semestre de 2027. (Rolling Stone)

  

Gravado ao longo de 16 anos, o novo álbum de Seu Jorge traz um lado pouco conhecido do cantor com regravações ambiciosas de canções nacionais e internacionais. Lançado nesta sexta-feira, The Other Side (Spotify) apresenta 11 faixas em que o artista busca uma sonoridade mais calma. É o caso de Crença, pinçada do álbum de estreia de Milton Nascimento, que ganha versão realçada pela voz de Seu Jorge. O disco teve suas faixas gravadas esporadicamente desde 2009, conforme as sessões de estúdio ganhavam espaço na agenda. (Folha)

  

Cotidiano Digital

Os países-membros da União Europeia e os parlamentares do bloco fecharam um acordo preliminar para suavizar as regras da Lei de Inteligência Artificial, atendendo a uma pressão do setor empresarial e evitar incertezas jurídicas. Com a nova redação, a implementação de obrigações para sistemas considerados de alto risco, como o uso de biometria e a gestão de infraestruturas críticas, foi adiada para dezembro de 2027. O texto também estabelece que qualquer conteúdo gerado por IA deverá exibir uma marca d'água obrigatória e proíbe a criação de deepfakes sexuais. (DW)

  

O Spotify lançou uma ferramenta em fase beta que permite aos usuários importar áudios criados por inteligência artificial para a biblioteca pessoal de podcasts. Para utilizar o recurso, os interessados precisam acessar uma ferramenta de linha de comando no GitHub e realizar a integração com os modelos de linguagem conhecidos no mercado. (TechCrunch)

Mais novidades de Spotify: o streaming de áudio anunciou também a expansão do seu recurso de DJ com inteligência artificial para quatro novos idiomas, incluindo o português brasileiro. Até agora, a funcionalidade estava restrita ao inglês e ao espanhol. A ferramenta permite que o usuário interaja por voz para mudar o clima da música ou solicitar gêneros com o uso de assistentes virtuais. (TechCrunch)

  

Meio em vídeo. No Pedro+Cora, os jornalistas Pedro Doria e Cora Rónai debatem se as inteligências artificiais têm capacidades de unir a população e organizar democracias. No papo, falam sobre o poder do algoritmo de recomendação das redes sociais e como podem influenciar politicamente as pessoas, o estímulo de conflito na internet e se as IAs trabalham para aliviar a polarização. Confira o debate. (YouTube)

  

A disseminação de notícias falsas chega todos os dias até você, bem na tela do celular. O que desinforma é também o que manipula o seu voto. Por isso é tão importante ter dados confiáveis e independentes para entender o jogo político. A Pesquisa Meio/Ideia foi criada para ser um guia até as eleições. No levantamento de maio: as bets se consolidam como a principal pauta moral-econômica, o fim da escala 6x1 tem amplo apoio popular e o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) se fortalece como principal nome da direita. Assinantes Premium recebem em primeira mão, às 0h. Já conferiu?

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EDITORIAL: O Luto de uma Herança – A Agonia do Casarão da Fazenda Caritá


EDITORIAL: O Luto de uma Herança – A Agonia do Casarão da Fazenda Caritá


Por José Montalvão

O que deveria ser um motivo de orgulho e um símbolo de altivez para cada cidadão jeremoabense, hoje, infelizmente, desperta apenas náuseas e uma profunda indignação. Assistir a documentários ou visitar o que restou do Casarão Histórico da Fazenda Caritá — o berço do Barão de Jeremoabo — é testemunhar o sepultamento de uma identidade. O local, que foi palco de decisões cruciais para o Império, para a República e para a construção da nossa cidade, hoje não passa de um esqueleto abandonado e severamente danificado.

A ruína da Caritá é o resultado amargo de décadas de incompetência e de uma falta crônica de vontade política para manter intacta essa parte vital da nossa memória.


1. O Engenho que o Tempo não Venceu

Apesar do descaso humano, a resistência da estrutura é impressionante. Nem mesmo o tempo, em sua fúria implacável, conseguiu destruir totalmente o local onde funcionava o engenho. Lá ainda resistem peças, poços e madeiramentos que, com uma dose mínima de determinação e boa vontade, poderiam ser a base de uma reconstrução histórica.

Entretanto, o que vemos é a aplicação prática da advertência bíblica: "Não deem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos". O patrimônio sagrado de Jeremoabo foi atirado ao descaso, pisoteado pela ignorância daqueles que deveriam protegê-lo e que, em sua cegueira política, permitiram que a história fosse despedaçada.

2. A Herança do Desmembramento e da Omissão

É necessário fazer justiça aos fatos: a atual administração municipal não pode ser culpada pelo início do sepultamento dessa história, pois o "leite já estava derramado" quando os processos de tombamento foram tentados recentemente. O erro capital reside naqueles que permitiram o desmembramento territorial para a criação do município de Sítio do Quinto, entregando o berço do Barão a uma nova jurisdição sem as devidas garantias de preservação.

A responsabilidade recai sobre os prefeitos que por ali passaram e os que ainda estão na ativa, cuja incompetência e desconhecimento sobre a grandeza do que possuíam levaram ao estado atual de ruína. Eles não compreenderam que a Caritá não era apenas uma fazenda, mas o DNA histórico de uma região.


3. Um Povo que Chora por sua Memória

Jeremoabo assiste, a conta-gotas, ao desaparecimento de seus marcos. Primeiro foi o Casarão do Coronel João Sá, agora a agonia da Caritá. Resta ao povo jeremoabense — aquele que ainda guarda amor pelas suas raízes — chorar pela história que está sendo sepultada à míngua.

O descaso com a Fazenda Caritá é a prova de que, para muitos gestores, a cultura e a história são fardos, e não ativos. Enquanto o esqueleto do casarão resiste ao sol e à chuva, ele grita por socorro, lembrando-nos de que um povo sem memória é um povo sem destino.


Blog de Dede Montalvão: Em luto pela Caritá, mas sempre vigilante pela história que ainda resta.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)

O Brasil dos Cartórios: Por que registrar um imóvel custa até 5 vezes mais dependendo do estado





O Brasil dos Cartórios: Por que registrar um imóvel custa até 5 vezes mais dependendo do estado


Por José Montalvão

Você juntou dinheiro, conseguiu aprovação no financiamento, escolheu o imóvel e está prestes a realizar o sonho da casa própria. Então surge uma despesa que muita gente só descobre no fim do processo: o cartório. Em 2026, o custo para registrar e escriturar um imóvel no Brasil varia de forma drástica entre as unidades federativas — e justamente as regiões de menor renda do país concentram alguns dos maiores valores cobrados. Um levantamento técnico, baseado nas tabelas públicas de emolumentos vigentes nas 27 unidades federativas, revela um cenário de forte desigualdade no sistema cartorário brasileiro. A análise utilizou como parâmetro um imóvel de R$ 155 mil — faixa comum nas operações de habitação popular e financiamentos do programa Minha Casa Minha Vida — para padronizar a comparação nacional.

Os dados mostram que Piauí e Alagoas lideram o ranking nacional de custos cartorários imobiliários. Para um imóvel nesse valor, as despesas com escritura e registro ultrapassam R$ 11 mil. No outro extremo aparecem Paraná e Distrito Federal, com custos inferiores a R$ 2,3 mil. A diferença de mais de cinco vezes chama atenção não apenas pelo valor absoluto, mas pelo contraste econômico: estados do Sul e do Centro-Oeste, que possuem renda média superior e mercados imobiliários mais aquecidos, praticam custos significativamente menores do que parte do Nordeste. O Sul cobra menos de quem tem mais — e o Nordeste cobra mais de quem tem menos —, sem que haja uma justificativa técnica ou econômica para essa inversão.

Os emolumentos são os valores cobrados pelos cartórios para a realização de atos obrigatórios, como a escritura pública, o registro de imóveis, averbações, certidões e a formalização de financiamentos habitacionais. Esses procedimentos garantem a validade jurídica às operações; sem eles, a propriedade não é efetivamente transferida ao comprador. Embora exista regulamentação federal, cada estado possui autonomia para definir suas tabelas, o que gerou o atual mapa da desigualdade. De acordo com o ranking de 2026 para um imóvel de R$ 155 mil, o Piauí ocupa o 1º lugar (R$ 12.290,40), seguido por Alagoas (R$ 11.774,70) e Rio de Janeiro (R$ 6.274,60). Na outra ponta, Sergipe aparece em 14º (R$ 4.220,50), Santa Catarina em 17º (R$ 3.825,80), enquanto Rio Grande do Sul (R$ 2.550,00), Paraná (R$ 2.280,60) e Distrito Federal (R$ 2.220,56) ocupam as últimas posições.

Essa disparidade cria um paradoxo nos programas de moradia popular. Enquanto o governo federal subsidia juros e facilita o crédito para reduzir barreiras, os estados erguem muros através das custas cartorárias. Para uma família com renda de R$ 2.000 mensais no Piauí ou em Alagoas, o custo do cartório representa quase seis meses de renda bruta, pagos antes do recebimento das chaves. Na prática, o subsídio destinado à família acaba sendo transferido ao sistema notarial e registral. Além disso, o estudo identifica assimetrias entre imóveis urbanos e crédito rural: quem compra uma casa popular pode pagar proporcionalmente mais do que quem registra grandes garantias rurais, o que levanta debates sobre isonomia e proporcionalidade.

Juridicamente, a Lei Federal nº 10.169/2000 estabelece que os emolumentos devem observar a complexidade dos atos e não apenas o valor do bem. Como o trabalho técnico do cartório é essencialmente o mesmo para registrar imóveis de valores diferentes, a tabela progressiva sem limites razoáveis tem sido questionada por especialistas e juristas, inclusive à luz do direito constitucional à moradia. Diante desse cenário, cresce a defesa por medidas como a criação de tetos para habitação popular, revisão de taxas adicionais e maior uniformidade nacional nos critérios de cobrança. O custo do cartório deixou de ser uma etapa burocrática para se tornar uma barreira real entre o financiamento aprovado e a conquista da casa própria, exigindo um debate urgente sobre equilíbrio e transparência em todo o país.

Blog de Dede Montalvão: Analisando os fatos, defendendo o direito e cobrando transparência para o povo.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)

quinta-feira, maio 07, 2026

Trump elogia Lula após a reunião e confirma novas conversas entre Brasil e EUA

Publicado em 7 de maio de 2026 por Tribuna da Internet

 

É preciso aplaudir a Polícia Federal, por prender os criminosos que a Justiça solta


CIRO É ALVO DA PF - ICL Notícias

Desta vez, Ciro Nogueira não conseguirá escapar da Justiça

Vicente Limongi Netto

A vida pública brasileira, incluindo a política e o Judiciário, ainda não virou completamente uma zona de beira de estrada graças as ações patrióticas da Policia Federal. Que investiga e denuncia, com rigor, destrambelhos de figuraças engomadas.

A PF não brinca em serviço. Não afina. Estava tudo combinado entre graúdos da política e do Supremo Tribunal Federal (STF). Todos sabiam que políticos e ministros, puros e santos, seriam poupados na delação do meliante Daniel Vorcaro.

ÁGUA NO CHOPE – Desta vez, porém, a Policia Federal estragou a festa. Botou água no chope da camarilha engomada, com apoio entusiasmado e irrestrito da sociedade brasileira.

Em boa hora, a PF age para conter a lama da corrupção que se espalha oceanicamente, levando o Brasil na correnteza da podridão.  E o telhado da escória rica, arrogante, cretina e gulosa começa a cair.

O senador Ciro Nogueira, presidente da Propina Paga, ou seja, do PP, recebia 500 mil reais de mesada do Vorcaro. Para o bandido do  Master, Ciro era irmão de cama e mesa.

É BOM LEMBRAR – No dia 6, O Globo publicou texto meu, sob o título, “É o Master, estúpido!”, onde salientei:

“Se Lula mandou investigar tudo, doa a quem doer, tornou-se desafeto dessa turma do Centrão e da extrema direita que domina o Congresso. Infelizmente a Justiça brasileira usa os rigores da lei para os mais pobres e os favores da lei para os mais ricos. Por isso, esse Legislativo vem procurando na lei algum modo de livrar todos esses envolvidos em falcatruas e ver se consegue eleger Flávio Bolsonaro, para fazer igual ao pai dele e abafar todos os inquéritos e processos”.

Advogados da União são insaciáveis e querem fazer bico na advocacia privada

Publicado em 7 de maio de 2026 por Tribuna da Internet

Minha charge de hoje na @folhadespaulo

Charge do Jean Galvão (Folha)

Adriana Fernandes
Folha

Um abre alas geral e institucionalizado para o popular bico no trabalho. É o que querem os advogados da União, procuradores da Fazenda Nacional, procuradores federais e procuradores do Banco Central.

Os servidores dessas carreiras jurídicas federais poderão advogar no setor privado, fora das suas atribuições funcionais, caso a tramitação de um projeto, aprovado nesta semana na Comissão de Constituição e Justiça, avance no Congresso. Querem o melhor dos mundos dos setores privado e público.

LIBEROU GERAL – Essas carreiras jurídicas do serviço público já têm direito a estabilidade no emprego e honorários de sucumbência, as verbas pagas pela parte perdedora em processos judiciais e rateadas entre eles. Além de outras regalias, como a ampliação do auxílio saúde para academia e práticas esportivas.

Só em honorários de sucumbência, em 2025 os membros da AGU receberam R$ 6,1 bilhões. Um recorde turbinado por pagamentos de verbas retroativas e auxílios de alimentação e saúde —quase o triplo do montante pago em 2024.

A dupla função entre o público e o privado expõe o servidor a conflitos de interesse, risco de uso de informações privilegiadas e comprometimento no horário do expediente.

SEM CONTROLE – Mesmo que o projeto estabeleça salvaguardas importantes, como a proibição de advogar contra o setor público, o controle dessas restrições é de difícil implementação. Caberá à AGU publicar na internet a lista atualizada de todos os profissionais que optarem por exercer a advocacia privada. Mais trabalho para os órgãos de controle, como a CGU (Controladoria-Geral da União).

O projeto, de 2016, é do Executivo e foi votado uma semana depois do atual AGU, Jorge Messias, ter seu nome vetado para o STF e em meio à pressão da sociedade contra os privilégios no serviço público escancarados pelos chamados penduricalhos.

Mesmo após a decisão do STF que limitou o pagamento dessas verbas extras, tribunais de Justiça e ministérios públicos discutem criar novos penduricalhos. Desafiam a todos. Penduricalhos e privilégios são como praga e proliferam facilmente em Brasília.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Excelente artigo, enviado por José Perez, sempre atento ao interesse público. Os operadores do Direito são insaciáveis roedores dos cofres públicos. Mas o artigo tem um pequeno equivoco, ao falar em “horário do expediente”. Isso não existe mais. Desde a epidemia, é home office direto. Juízes, procuradores e promotores trabalham quase sempre em casa. Outro detalhe importante: procuradores estaduais e municipais já atuam livremente em causas privadas. Vivemos sob Ditadura do Judiciário(C.N.)

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