segunda-feira, março 23, 2026

Obra analisa raízes históricas e sociais da fragmentação brasileira

 

Obra analisa raízes históricas e sociais da fragmentação brasileira

Novo livro de Helder Maldonado investiga como imaginários nacionais influenciam o Brasil do século XXI

 

Talvez seja por isso que a mistura de sarcasmo com crítica ácida do Helder deu tão certo: ela se mostra completamente adequada a um país que conseguiu gerar Guimarães Rosa, Gusttavo Lima, Darcy Ribeiro e Pablo Marçal. Talvez sejamos mesmo a ‘imundície de contrastes’ de que falava Mário de Andrade, o que pode não ser tão ruim assim, afinal.”

 

- DEUSDETE NEGARESTANI, prefaciador

 

Em É possível unir o Brasil?, o comunicador Helder Maldonado investiga as raízes históricas e culturais das divisões que moldam o país e desafia a concepção de uma “brasilidade cordial”. Com ironia e precisão analítica, o autor desmonta a imagem de um Brasil harmonioso — construída por discursos que vão de pensadores clássicos à indústria cultural — e expõe as engrenagens de um projeto de dominação interna que transformou indígenas, negros, pobres e nordestinos em alvos recorrentes de estigmatização.

 

A partir do declínio do futebol como símbolo de identidade nacional, da ascensão da cultura digital e da intensificação das desigualdades, Maldonado mostra como a ideia de um “país de todos” entrou em colapso. Ele analisa como ressentimento, nostalgia e disputas políticas moldam as percepções sobre democracia, eleições e pertencimento, evidenciando que muito do que se entende hoje como polarização é, na verdade, a revelação de fissuras antigas.

 

Na obra, o autor também reconhece a vitalidade de um Brasil contraditório, múltiplo e resistente a simplificações. O livro combina ensaio, sátira e observação social para refletir sobre o que significa ser brasileiro em um momento de tensão política e transformação acelerada — e levanta a pergunta central: ainda existe algo capaz de unir o país além da desilusão compartilhada?

 

Helder Maldonado é um dos criadores do canal Galãs Feios, que reúne mais de 1,3 milhão de inscritos no YouTube, focado em comentar política, cultura pop, comportamento e celebridades com humor ácido, ironia e uma abordagem progressista. O livro conta com prefácio de Deusdete Negarestani, pseudônimo do pesquisador e filósofo Anderson Cleiton Fernandes Leite, também colaborador do canal. É possível unir o Brasil? aborda temas como democracia, redes sociais, polarização, racismo e desigualdade, oferecendo um retrato direto e contemporâneo das tensões que atravessam o Brasil de hoje.

 

FICHA TÉCNICA

Título: É possível unir o Brasil?

Autor: Helder Maldonado

ISBN: 978-85-422-4024-5

144 páginas

R$ 52,90

Editora Planeta

 

SOBRE O AUTOR

Helder Maldonado nasceu em São Paulo, em 1985, último ano da ditadura militar. Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, teve sua trajetória profissional marcada principalmente por atuações nas editorias de música e política, com passagens pelos portais IG, R7, UOL e Sucesso!. Em 2018, criou o canal Galãs Feios no YouTube, espaço dedicado para o debate político e cultural com humor, leveza e deboche. Como escritor, é autor do livro Amanhã vai ser pior, que analisa os primeiros anos do bolsonarismo no poder.

 

SOBRE A EDITORA

Fundado há 70 anos em Barcelona, o Grupo Planeta é um dos maiores conglomerados editoriais do mundo, além de uma das maiores corporações de comunicação e educação do cenário global. A Editora Planeta, criada em 2003, é o braço brasileiro do Grupo Planeta. Com mais de 1.500 livros publicados, a Planeta Brasil conta com nove selos editoriais, que abrangem o melhor dos gêneros de ficção e não ficção: Planeta, Crítica, Tusquets, Paidós, Planeta Minotauro, Planeta Estratégia, Outro Planeta, Academia e Essência.

 

COMUNICAÇÃO

Nathalia Bottino - nbottino@editoraplaneta.com.br 

Barbara Novaes – barbara.rocha@editoraplaneta.com.br 

Isabella Zacharias - isabella.zacharias@editoraplaneta.com.br

Pauta | IRPF 2026: saiba tudo sobre a declaração, que começou nesta segunda (23)

 


IRPF 2026: saiba tudo sobre a declaração, que começou nesta segunda (23)

 

Clique aqui para baixar a sugestão de imagem. Crédito: Freepik.

O período de entrega da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026 começou nesta segunda-feira (23), e segue até as 23h59 de 29 de maio de 2026. A Receita Federal espera receber cerca de 44 milhões de declarações, número superior ao registrado nos últimos anos.
 

Entre as mudanças deste ano estão a atualização dos critérios de obrigatoriedade, a ampliação da declaração pré-preenchida, a antecipação das restituições e novas funcionalidades digitais para facilitar o preenchimento e o envio das informações.
 

QUEM É OBRIGADO A DECLARAR?
 

Uma das principais mudanças está nos valores que determinam quem é obrigado a declarar. O limite anual de rendimentos tributáveis recebidos em 2025 é de R$ 35.584 – no ano base 2024 o valor era de R$ 33.888. Já para a atividade rural, o limite de receita bruta passou para R$ 177.920 – no ano base 2024 o valor era de R$ 153.199,50.
 

Também devem apresentar a declaração pessoas que, no ano de 2025:

- Receberam rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil;

- Realizaram operações em bolsa superiores a R$ 40 mil ou com ganhos tributáveis;

- Tiveram ganho de capital na venda de bens;

- Possuíam bens ou direitos acima de R$ 800 mil em 31 de dezembro;

- Passaram à condição de residente no Brasil durante o ano;

- Possuem investimentos ou entidades controladas no exterior, “trusts” ou rendimentos internacionais, conforme regras da Lei nº 14.754/2023.
 

Outra novidade importante é a evolução do sistema Meu Imposto de Renda (MIR), a versão online da declaração. A plataforma permite, por exemplo, retificar declarações feitas no programa tradicional, emitir impressões completas e acessar ferramentas de ajuda diretamente na web.
 

Além disso, contribuintes que possuem renda variável agora também poderão utilizar a versão online, o que amplia o número de usuários do sistema. A Receita Federal também implementará novos alertas automáticos para evitar erros comuns, como despesas médicas inconsistentes ou dependentes sem rendimentos declarados”, explica o professor de Contabilidade da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP)Tiago Slavov.
 

PRINCIPAIS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS

– Última Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física;

– Informes de Rendimentos – salários, honorários, Nota Fiscal Paulista, Aposentadoria etc.;

– Rendimentos Recebidos de Pessoa Física – pensões, aluguéis, livro-caixa etc.;

– Informes de Rendimentos Financeiros e Dívidas – Contas, Aplicações, Previdência, empréstimos etc.;

– Dependentes e Alimentandos;

– Bens e Direitos – saldos de bens, documentos de imóveis, criptomoedas etc.;

– Despesas Médicas;

– Despesas com Instrução;

– Doações;

– Pensões Pagas;

– Outros Rendimentos (Bolsas de Estudo, Ganho de Capital, Heranças, Acordos Judiciais, Restituição do IR anterior etc.);

– Outros Pagamentos (Advogados, Engenheiros, Profissionais Liberais, Aluguéis Pagos, etc.).
 

AVANÇO DA DECLARAÇÃO PRÉ-PREENCHIDA
 

A declaração pré-preenchida segue em expansão e deve alcançar mais de 60% dos contribuintes em 2026. A ferramenta utiliza informações já disponíveis nos bancos de dados da Receita, reduzindo o tempo de preenchimento e o risco de erros.
 

Entre os dados recuperados automaticamente estão:

- Pagamentos de DARFs;

- Informações de renda variável;

- Dados do eSocial, como empregados domésticos;

- Informações relativas aos dependentes do núcleo familiar.
 

O programa da declaração do IRPF estará disponível no dia 20/03, mas os dados da declaração pré-preenchida estarão disponíveis apenas no dia 23/03.
 

NOVOS CAMPOS NA DECLARAÇÃO
 

A declaração também terá novos campos e registros, melhorias que refletem ajustes recentes na legislação e iniciativas de aprimoramento estatístico e social.
 

Entre as mudanças, figuram:

- Rendimentos provenientes de apostas de quota fixa (bets);

- Registro de saldos em plataformas de apostas como bens;

- Campo opcional para raça e cor do contribuinte e dependentes;

- Possibilidade de informar nome social.
 

RESTITUIÇÕES MAIS RÁPIDAS
 

Outra novidade é a antecipação do pagamento das restituições. Em 2026, haverá quatro lotes regulares, iniciando em 29 de maio, data do término do prazo de entrega. A expectativa da Receita Federal é de que 80% dos contribuintes recebam a restituição até o segundo lote, em junho.
 

“As prioridades continuam as mesmas, beneficiando idosos, pessoas com deficiência ou doença grave, professores e contribuintes que utilizarem a declaração pré-preenchida e optarem por receber via PIX com chave CPF”, acrescenta o professor da FECAP.
 

RESTITUIÇÃO AUTOMÁTICA PARA QUEM NÃO DECLAROU
 

Uma inovação relevante será a criação de um lote especial de restituição automática referente ao IRPF 2025. A medida beneficiará contribuintes que tinham direito à restituição, mas não entregaram a declaração por não estarem obrigados a fazê-lo.
 

“Nesse caso, a Receita poderá gerar automaticamente uma declaração simplificada com base em dados já disponíveis. A estimativa é beneficiar cerca de 4 milhões de pessoas, com restituições de até R$ 1.000, pagas exclusivamente via PIX”, acrescenta o docente da FECAP.
 

A vantagem de declarar com antecedência é a possibilidade de pagar em uma única parcela, sem juros, ou parcelar. Além disso, quem tem imposto a pagar e não entrega a declaração fica sujeito a duas multas: uma pelo atraso da entrega e outra pelo atraso no pagamento do imposto. Para quem tem saldo de imposto a restituir (vai receber dinheiro de volta), declarar mais cedo pode significar receber a restituição mais cedo. Se não receber a restituição, o contribuinte possivelmente caiu na “malha fina”.
 

NÃO CAIA NA MALHA FINA
 

É importante preencher a declaração corretamente, evitando tentativas de burlar o fisco. Com o avanço da tecnologia, a Receita Federal utiliza medidas de “cruzamento de informações” cada vez mais sofisticadas. Tentativas de burlar podem levar à declaração à malha fiscal, resultando em multas e juros evitáveis.
 

“Dois dos principais motivos para a declaração cair na malha fiscal são a omissão de rendimentos e as despesas médicas. A omissão ocorre, por exemplo, quando o contribuinte deixa de informar um rendimento ou informa de maneira incorreta”, lembra o especialista.
 

As despesas médicas também geram pendências por diversos motivos, como falta de previsão legal, de documento hábil, de comprovante de pagamento e de indicação errada do beneficiário (se contribuinte ou dependente), entre outros.
 

“O preenchimento correto da declaração do IRPF com todas as informações disponíveis, também colabora para reduzir o imposto a pagar ou aumentar a restituição, permitindo que o programa da Receita sugira a melhor forma de entrega, seja ‘completa’ ou ‘simplificada’. Muitos contribuintes, especialmente os que deixam para a última hora, esquecem de informar despesas dedutíveis, como o que pode aumentar o valor do imposto devido”.
 

PRINCIPAIS DIFICULDADES E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
 

As principais dificuldades encontradas pelos contribuintes decorrem da falta de conhecimento sobre o preenchimento da declaração. Caso haja qualquer dúvida, é necessário que o contribuinte consulte as orientações disponibilizadas no site da Receita Federal.
 

Para os contribuintes com dificuldades em compreender as regras tributárias ou que estejam sujeitos a condições mais complexas e com maior patrimônio, o auxílio de um profissional de contabilidade para a entrega da declaração é imprescindível para evitar problemas e, principalmente, para avaliar as oportunidades de planejamento tributário, que são formas de reduzir a carga tributária licitamente.
 

O Núcleo de Apoio Fiscal e Contábil (NAF) é um projeto desenvolvido pela Receita Federal em parceria com instituições de ensino, como a FECAP, cujo objetivo é oferecer serviços gratuitos na área contábil, fiscal e de comércio exterior para pessoas físicas e jurídicas de menor poder aquisitivo. Os atendimentos são realizados via agendamento pelo e-mail naf@fecap.br. A assistência é realizada pelos alunos dos cursos de Graduação da FECAP.
 

ISENÇÃO DO IR
 

Aprovada no ano passado, a Lei nº 15.270 amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física, concedendo isenção a quem recebe R$ 5 mil por mês. O principal benefício recai sobre trabalhadores de baixa e média baixa renda, que, desde o início deste ano, têm mais fôlego no orçamento. Contudo, as declarações de 2026, referente ao ano de 2025, não serão afetadas. A redução da carga tributária sobre os rendimentos só será sentida na declaração de 2027.
 

O especialista: Tiago Nascimento Borges Slavov é doutor em Contabilidade pela USP e Mestre em Contabilidade pela FECAP. É professor do Programa de Mestrado em Ciências Contábeis da FECAP e coordenador do Núcleo de Apoio Fiscal e Contábil (NAF) da FECAP.
 



Sobre a FECAP 

A Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) é referência nacional em Educação na área de negócios desde 1902. A Instituição proporciona formação de alta qualidade no Ensino Médio (técnico, pleno e bilíngue), Graduação, Pós-graduação, MBA, Mestrado, Extensão e cursos corporativos e livres. Diversos indicadores de desempenho comprovam a qualidade do ensino da FECAP: nota 5 (máxima) no ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) e no Guia da Faculdade Estadão Quero Educação 2021, e o reconhecimento como melhor centro universitário do Estado de São Paulo segundo o Índice Geral de Cursos (IGC), do Ministério da Educação. Em âmbito nacional, considerando todos os tipos de Instituição de Ensino Superior do País, a FECAP está entre as 5,7% IES cadastradas no MEC com nota máxima.


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FECAP - Assessoria de Imprensa
Contato: atendimentoimprensa@fecap.br 

Telefone/WhatsApp: 11 96613-5719

Pra que servem nossos militares?

 

Pra que servem nossos militares?  

Há cheiro de Terceira Guerra Mundial no ar. Donald Trump promete aumentar os ataques ao Irã se o estreito de Hormuz não for aberto, enquanto Israel afirma esperar “dizimar” o país – e este, por sua vez, alerta que vai ampliar o bombardeio para toda a região. O estreito de Hormuz segue fechado; o petróleo subiu para mais de 100 dólares o barril. O mundo é governado por homens loucos que querem reeditar um poder colonialista do século 20, dividindo-o em grandes blocos onde os mais poderosos fazem o que querem. O Brasil, que tem a maior floresta tropical do mundo, reservas de petróleo invejáveis, toda a costa sul do Atlântico, terras raras e minério abundante, é um território altamente cobiçado.    

E, no entanto, quem acompanha de perto as notícias aqui no Brasil percebe que nossos militares estão mui preocupados com outras coisas. Recentemente, membros da cúpula do Exército mandaram um “recadinho”, naquele modo “anônimo”, que foi divulgado pelo jornalista Merval Pereira: a alta cúpula militar teria levado a Lula um recado de “preocupação” sobre a crise do Banco Master. Eles estariam, segundo o jornalista, “incomodados” com o fato de que “não se meteram” e “aceitaram todas as punições” e “agora ministros do Supremo estão envolvidos em ilegalidades”. 

O mesmo recado foi dado a ministros do STF, segundo a jornalista Andreia Sadi. Com isso, a cúpula das Forças Armadas está tentando salvar a patente de golpistas como o General Heleno, um tríplice coroado – nome que se dá ao primeiro da turma de oficialato. Segundo apurou Sadi, “nos bastidores, militares têm dito a ministros que oficiais poderão ser declarados ‘indignos do oficialato’ com base em decisões tomadas por um tribunal que, na visão deles, estaria hoje sob desgaste exatamente moral”.

Trocando em miúdos. Às vésperas de uma conflagração mundial, nossos militares continuam se ocupando de imiscuir-se na política nacional em vez de fazer e planejar a defesa territorial brasileira. Essa atuação nos bastidores fica ainda mais grotesca diante da nova Estratégia de Segurança Nacional nos EUA, que fala explicitamente em ampliar sua presença militar na América Latina. Há apenas algumas semanas, os EUA assinaram um acordo com o Paraguai que permite a presença de tropas dos EUA no país vizinho. Sem falar na invasão à Venezuela para sequestrar Nicolás Maduro por uma justificativa fabricada, expediente que encantou Trump e sua cúpula militar e deu claramente ganas de fazer o mesmo em outros países. 

É neste contexto que o editorial da Folha de S.Paulo neste sábado, “Afastar militares do poder para evitar tentativas de golpe”, merece ser lido como um grande serviço de jornalismo público. Os editorialistas da Folha foram ao ponto: não haveria tentativa de golpe em 2023 se os militares se limitassem ao trabalho para o qual são pagos: proteger o país. O editorial retoma proposta de emenda constitucional (PEC) proposta por Perpétua Almeida (PC do B), que busca afastar do serviço quem for trabalhar em cargos civis ou candidatar-se. A Folha defende ainda impedir que militar que tenha ocupado posição de chefia, mesmo que esteja na reserva, participe do Executivo, no Legislativo e no Judiciário. 

“O que causa espanto é que os três Poderes – Legislativo, Executivo e Judiciário – ainda não tenham se unido em torno do interesse comum de reduzir o risco de um golpe de Estado e da subsequente implantação de um regime que os deixaria manietados ou os reduziria a figuras apenas decorativas de uma ditadura”, conclui.  

De fato, punir os golpistas, inclusive os altos generais estrelados, é apenas um passo. Estamos diante de uma possível eleição do mesmo grupo que atenta contra a democracia, como já discuti por aqui, e é preciso, agora, que as instituições se mexam para criar barreiras institucionais para novas empreitadas golpistas.

A Folha acerta em lembrar a PEC, mas vale relembrar também outras iniciativas que vão além: desde 2023, Carlos Zarattini (PT) tenta articular uma PEC que altera o artigo 142 da Constituição Federal e delimita poderes de militares, levando qualquer um que participe da política para a reserva. O projeto também acabaria com a aberração das GLOs, operações nas quais os militares operam dentro do território nacional em segurança pública, tema do meu livro Dano Colateral. Como se sabe, o plano desenhado pelos Bolsonaro incluía a decretação de uma GLO ou Estado de Emergência. 

Recentemente o deputado disse à Carta Capital que o projeto ficará para depois

Outra iniciativa que vale lembrar – esta poderia ser avançada pelo Judiciário – são as ADIs. Ações Diretas de Inconstitucionalidade impetradas perante o STF que pretendem delimitar o poder na Justiça Militar, a mesma que, agora, ameaça manter as patentes de generais que são claramente “indignos do oficialato”. 

A ADI 5032, apresentada, em 2013, pede que agentes das Forças Armadas que cometam crimes em GLOs não sejam julgados pelos tribunais militares, mas pela justiça comum. A ADPF 289 pede que a Justiça Militar não possa processar e julgar civis em tempos de paz. 

Seriam bons passos em avançar na subjugação dos militares ao poder civil, num momento em que nossa Constituição se aproxima de completar quatro décadas. 

Há exemplos de sobra para saber que, no Brasil, o vírus do golpismo militar segue vivo – e terá que ser tomado com seriedade e prioridade pelos demais poderes. Se antes falávamos de uma ameaça existencial à nossa democracia, em um mundo conflagrado, passamos a falar de uma ameaça existencial muito maior. 

Afinal, segundo a Constituição Cidadã de 1988, as forças militares existem, são treinadas, armadas e protegidas nos seus privilégios para defender que nós, brasileiros, possamos decidir por nós mesmos que país queremos construir. 


A democracia depende de quem investiga e expõe as ameaças que tentam limitá-la. O jornalismo independente existe para fazer exatamente isso, com rigor, coragem e sem concessões. Mas ele só continua se houver quem o sustente.

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PGR se manifesta a favor da prisão domiciliar de Bolsonaro

 Brasil

PGR se manifesta a favor da prisão domiciliar de Bolsonaro

Por Luísa Martins e Ana Pompeu / Folha de São Paulo

23/03/2026 às 11:11

Atualizado em 23/03/2026 às 12:28

Foto: Reprodução/Instagram/Arquivo

Imagem de PGR se manifesta a favor da prisão domiciliar de Bolsonaro

Jair Bolsonaro

A PGR (Procuradoria-Geral da República) opinou, nesta segunda-feira (23), em favor do pedido de prisão domiciliar protocolado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O ex-presidente está preso no processo da trama golpista, mas precisou ser transferido para um hospital em 13 de março após passar mal. Ele foi diagnosticado com um quadro de broncopneumonia.

"Ao ver da Procuradoria-Geral da República, está positivada a necessidade da prisão domiciliar, ensejadora dos cuidados indispensáveis ao monitoramento, em tempo integral, do estado de saúde do ex-Presidente, que se acha, comprovadamente, sujeito a súbitas e imprevisíveis alterações perniciosas de um momento para o outro", escreveu o Procurador-Geral, Paulo Gonet, na manifestação.

Na quarta-feira (18), o Ministro Alexandre de Moraes, do STF, pediu ao hospital DF Star, onde Bolsonaro está internado, informações sobre o quadro clínico do ex-presidente. A instituição enviou ao ministro os boletins médicos e um prontuário completo.

O ex-presidente trata uma pneumonia bacteriana decorrente de um episódio de broncoaspiração. Apesar de o hospital afirmar que o quadro é de "boa evolução", ainda não há previsão de alta.

Como mostrou a Folha, a ofensiva pela domiciliar teve a participação de Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, da bancada bolsonarista no Congresso Nacional e de ministros do STF.

Um argumento utilizado por políticos e por outros ministros junto a Moraes foi o risco de que a eventual morte de Bolsonaro fosse encarada politicamente como responsabilidade do Supremo.

Pelo menos metade da composição atual da corte entende que deixar Bolsonaro cumprir a pena em casa, mediante a aplicação de outras medidas cautelares, é a melhor opção.

Ao atender Bolsonaro na manhã em que ele teve a crise de saúde, a equipe médica de plantão na Papudinha citou "risco de morte" do ex-presidente como motivo para a transferência ao hospital.

Ao solicitar a domiciliar para Bolsonaro, a defesa afirmou que houve uma piora no seu quadro de saúde e que a Papudinha é incompatível com a preservação da saúde e da integridade física do ex-presidente.

A internação foi colocada pelos advogados como um fato superveniente à decisão de Moraes que, em 2 de março, havia negado a domiciliar. Por isso, foi requerida uma reconsideração

Politica Livre

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