segunda-feira, março 23, 2026

Depois do Prerrogativas, site petista também ataca TV Globo e GloboNews


Relação dos ligado a Vorcaro está revoltando os petistas

Listagem dos ligados a Vorcaro está revoltando os petistas

Lucas Vasques
Fórum

Após a emissora de notícias das Organizações Globo, a Globo News, ter levado ao ar na tarde desta sexta-feira (20) uma ilustração sobre o escândalo do Banco Master distorcendo fatos e omitindo e minimizando o papel de personagens que seriam centrais no caso, diversas críticas têm sido feitas ao grupo de comunicação.

O formato utilizado pela emissora remete ainda ao PowerPoint utilizado pelo ex-procurador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol, que apontava o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como centro da suposta organização criminosa investigada pela força-tarefa. Pela apresentação, Dallagnol foi condenado pela Justiça a pagar R$ 146 mil em indenização por danos morais a Lula.

LULA E MANTEGA – Embora o escândalo do Banco Master tenha implicado até agora praticamente só nomes da direita e figuras ligadas ao bolsonarismo, a peça feita pela emissora mostrava próximos ao banqueiro Daniel Vorcaro, no centro da imagem, fotos do presidente Lula, do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, do “PT da Bahia” e do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ainda que tenha sido na gestão de Roberto Campos Neto, nomeado por Bolsonaro, que Vorcaro tenha conseguido autorização para assumir o controle do Banco Máxima, que posteriormente se tornou o Banco Master.

O ex-diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sergio Neves de Souza, também da gestão de Campos Neto, e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), Belline Santana, foram apontados pela Polícia Federal (PF) como “funcionários” ou “consultores informais” de Vorcaro. E o Master firmou convênio com o INSS para operar o crédito consignado em 2020, também no governo Bolsonaro.

MUITO GRAVE – Nada disso pareceu fazer com que a Globo fizesse a equivalência correta na sua ilustração. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) classificou como “muito grave” o episódio.

“É muito grave o que a Rede Globo fez, o novo PowerPoint. Sinceramente, eu achei que depois do PowerPoint do Dallagnol, a gente não teria tão cedo outra tentativa tão grotesca de manipulação da opinião pública através da criação de uma narrativa através de um PowerPoint”, declarou, em vídeo publicado nas redes sociais.

“As duas campanhas do Brasil que receberam mais dinheiro nas últimas eleições foram as campanhas do Bolsonaro e do Tarcísio de Freitas. E eles não aparecem, não aparecem no PowerPoint da Rede Globo”, acrescentou, mencionando alguns nomes omitidos pela emissora.

PRÁTICA COMUM – Não é a primeira vez em que as Organizações Globo são acusadas de interferirem em processos eleitorais ou pré-eleitorais. A extrema direita costuma tecer teorias conspiratórias, mas os fatos apontam que é a esquerda quem foi alvo de coberturas enviesadas, falsificações e distorções.

Um dos casos emblemáticos envolve as primeiras eleições diretas para governador durante o processo de abertura política, no fim da ditadura iniciada com o golpe de 1964. No Rio de Janeiro, a empresa Proconsult, que contava com militares em sua direção, venceu a licitação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para totalizar os votos no estado, mesmo sem contar com nenhuma experiência no setor.

O professor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, Mauro José de Souza Silveira, analisava no trabalho “O caso Proconsult” os embates na apuração das eleições para o governo fluminense em 1982 a diferença entre a cobertura do Jornal do Brasil e do grupo Globo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A reportagem cita também outras distorções políticas e eleitorais das Organizações Globo, como a “edição” manipulada do debate entre Collor e Lula, feita pelo jornalista Alberico Souza Cruz, a campanha movida contra Brizola em toda a gestão, e a omissão da cobertura da emenda Dante de Oliveira e do movimento Diretas Já. Esse ataque por parte do Fórum, um site intersindical apoiado pelo governo Lula, vem se somar às acusações do Grupo Prerrogativas para abrir, em ano eleitoral, uma desnecessária guerra contra as Organizações Globo, que deste o início vinha apoiando e poupando Lula e agora terá de mudar de lado, por óbvio. (C.N.).

CPMI do INSS agoniza sem uma conclusão a caminho

 

Perto do fim do prazo para fechamento, comissão criada após escândalo de desvios das contas dos velhinhos pode acabar em pizza se não houver prorrogação

postado em 23/03/2026 03:59
Deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI, diz ter esperança que Supremo aprove um prazo maior para o colegiado -  (crédito: Danandra Rocha/CB/DA.Press)
Deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI, diz ter esperança que Supremo aprove um prazo maior para o colegiado - (crédito: Danandra Rocha/CB/DA.Press)

A poucos dias do fim do prazo para prorrogação, marcado para 28 de março, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) caminha para terminar sem conclusão, ou seja, em pizza. Esse risco de não ter desfecho, aliás, revela o desconforto político generalizado em torno da continuidade das investigações do escândalo que lesou mais de 5,7 milhões de brasileiros.

Criada para apurar um esquema de fraudes estimado em, pelo menos, R$ 6,3 bilhões contra aposentados e pensionistas, a CPMI do INSS enfrenta resistência crescente para prorrogar seus trabalhos, mesmo diante de um volume robusto de provas ainda em análise. Em princípio, a continuidade dos trabalhos da comissão parece não interessar ao governo, ao presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e a uma ala do Centrão.

O escândalo escancarou, inclusive, uma prática dos sindicatos buscarem receita após o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical no governo anterior e que retornou em 2023 com a atual gestão. Entre os alvos das investigações realizadas pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que revelou o desfalque bilionário nas contas dos velhinhos, estavam o irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), José Ferreira da Silva, o Frei Chico, e, o diretor-presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Silva Lemos, que possui vínculos políticos e familiares com Alcolumbre. Tanto Jocildo como outros membros do Comitê de Investimentos votaram favoráveis à aplicação no Banco Master — liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 — e contaram com mandados de busca e apreensão expedidos.

O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), inclusive, criticou a falta de manifestação do Alcolumbre, classificando como "inércia" a ausência de resposta dele até o momento. O deputado disse que está "espantado com essa situação". Ele ainda defendeu que a ampliação do prazo é essencial para consolidar um relatório mais consistente.

Há, ainda, a possibilidade de judicialização. Integrantes da CPMI admitem recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a extensão dos trabalhos, o que adicionaria mais embates entre Legislativo e Judiciário. O pedido está sob a relatoria do ministro André Mendonça.

"A esperança é de que o ministro relator dê à CPMI a oportunidade de produzir um relatório com muito mais profundidade em relação aos indícios e às responsabilidades", declarou Gaspar. Para ele, encerrar a CPMI, neste momento, significaria interromper uma apuração que ainda reúne elementos relevantes sobre o esquema investigado.

Desde quando foi instaurada, em 20 agosto do ano passado, a CPMI aprovou ao menos 87 quebras de sigilo, reuniu mais de 30 Gigabytes de dados bancários e telefônicos e avançou sobre contratos suspeitos que ultrapassam 250 mil operações de crédito consignado potencialmente irregulares. Ainda assim, o tempo é considerado insuficiente por parte dos próprios integrantes da comissão, sobretudo diante da complexidade do material coletado e das frentes de investigação que seguem abertas.

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), tornou-se o principal defensor da prorrogação, argumentando que o encerramento agora comprometeria a conclusão dos trabalhos. Ele sustenta que decisões judiciais recentes, que limitaram o acesso a dados e flexibilizaram a obrigatoriedade de depoimentos, acabaram atrasando o andamento das apurações. A proposta em discussão varia entre 30 e 60 dias adicionais aos trabalhos do colegiado.

"A medida judicial foi adotada porque a comissão entende que foram atendidos os requisitos constitucionais e regimentais necessários para a prorrogação", disse Viana, por meio de nota.

A pressão por mais tempo também vem da oposição. Parlamentares como Eduardo Girão (Novo-CE), Izalci Lucas (PL-DF) e Marcel van Hattem (Novo-RS) lideraram a coleta de assinaturas para estender a comissão, reunindo mais de 200 apoios no Congresso. Para esse grupo, a CPMI ainda não alcançou o núcleo central do esquema, que envolve instituições financeiras, associações e operadores suspeitos de intermediar descontos indevidos diretamente na folha do INSS. "Se o mandado de segurança que impetramos resultar em uma negativa por parte do Supremo, por força de lei e de prazo, teremos de partir para a leitura do relatório, ainda que parcial, e para a tentativa de aprovação do texto até no final da próxima semana", disse Girão a jornalistas, na quarta-feira passada.

Resistência

Por outro lado, a resistência não se manifesta de forma explícita, mas se materializa na prática. Parlamentares da base do governo evitam aderir ao pedido de prorrogação, enquanto parte do Centrão atua para reduzir o tempo adicional ou simplesmente deixar a comissão expirar. Nos bastidores, o cálculo é político: prolongar a CPMI significa manter em evidência um escândalo de grande alcance social e potencial desgaste institucional.

Entre os parlamentares da ala petista que são contra a prorrogação da CPMI do INSS está o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), ex-ministro de Lula. A jornalistas, ele afirmou que a comissão já reuniu todos os elementos necessários para concluir as investigações, e a continuidade dos trabalhos atende mais a interesses políticos da oposição do que à apuração de fatos novos.

"Não há absolutamente nada a mais que a CPI possa investigar", declarou o parlamentar petista. Ele ainda destacou que o objetivo do colegiado é a comissão de "palco de disputa política".

Pimenta também avaliou que os depoimentos recentes não trouxeram novidades, mas reforçaram que as irregularidades no crédito consignado tiveram origem em mudanças adotadas durante o governo Jair Bolsonaro, entre 2021 e 2022, com participação do Banco Central do Brasil. "O esquema só foi possível por alterações feitas naquele período", pontuou.

Em uma ala do Centrão também existe uma mobilização de parlamentares para tentar barrar a prorrogação da comissão. A estratégia, conforme apurado pelo Correio, seria pressionar deputados e senadores de centro pela retirada de assinaturas que endossam o requerimento apresentado para estender os trabalhos, que chegou a contar com a aquisição de 175 deputados e 29 senadores em apoio ao requerimento. O ato pela retirada de assinaturas pode ter efeito na desqualificação do mandado de segurança apresentado ao STF e que pede a prorrogação dos trabalhos por 120 dias.

Girão também direcionou críticas a Davi Alcolumbre, questionando a falta de avanço na prorrogação da comissão e levantando suspeitas sobre possíveis conflitos de interesse. Na mesma linha, a deputada Bia Kicis (PL-DF) afirmou que as decisões judiciais têm prejudicado diretamente os trabalhos da CPMI. Para ela, há um esforço do governo para encerrar as investigações. "O governo está desesperado, está fazendo de tudo para encerrar agora essa CPMI, porque eles querem blindar todo mundo", declarou.

A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) também criticou a atuação da Suprema Corte, classificando as decisões como uma afronta à separação entre os poderes. "As últimas decisões do STF interferem diretamente no Congresso Nacional, porque a CPI é uma prerrogativa do Congresso de investigar", disse. Segundo ela, permitir que testemunhas deixem de comparecer compromete a efetividade das investigações, mas defendeu que o Supremo retome seu papel constitucional. "Precisamos devolver ao STF o papel de guardião da Constituição. A CPMI está muito prejudicada com essas interferências", acrescentou Ventura.

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Especialistas, porém, afirmam que as decisões do Supremo seguem parâmetros constitucionais já consolidados e fazem parte do sistema de freios e contrapesos entre os Três Poderes. Doutor e mestre em filosofia do direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Roberto Beijato Junior avaliou que as CPIs possuem poderes amplos de investigação, mas estão sujeitas ao controle de legalidade do Judiciário.

O advogado Berlinque Cantelmo, especialista em direito penal, destacou que as "CPIs não podem ultrapassar garantias constitucionais fundamentais", e, portanto, uma intervenção judicial deve "preservar o equilíbrio institucional". "O Supremo acaba atuando como árbitro entre o poder investigatório do Congresso e a proteção de direitos individuais."

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“A farra dos intocáveis” | Por Luiz Holanda

 

“A farra dos intocáveis” | Por Luiz Holanda

O autor do título é o governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, ao acusar o Supremo Tribunal Federal (STF) de viver a “farra dos intocáveis”. Segundo o governador, essas “pessoas que se julgam acima da lei podem fazer o que bem entenderem”, e que “o Judiciário brasileiro está perdendo totalmente sua credibilidade”. Temos assistido no Supremo uma “falta de vergonha”, algo que, segundo ele, “dá vergonha para os brasileiros”. O desabafo foi feito diante do comportamento de alguns dos ministros do Supremo, supostamente envolvidos no escândalo do Banco Master, em especial os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Os escândalos são tantos que a mídia em geral perdeu o medo. Diariamente a imprensa divulga fatos considerados alarmantes. Diversas ações contra ministros teriam sido abertas após a divulgação de mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o ministro Alexandre de Moraes, os prints das mensagens encontrados no celular de Vorcaro estavam “vinculados a pastas de outras pessoas” na lista de contatos do banqueiro. Ainda assim, o texto sustenta que havia relação de proximidade entre o ministro e o empresário, além do fato de que a esposa de Moraes seria advogada do Banco Master com contrato de R$ 129 milhões.

Mas a “farra” mencionada por Zema não se limitaria a esse episódio. O texto cita o caso da degustação em Londres, supostamente paga por Daniel Vorcaro no valor de US$ 640.831,88 (cerca de R$ 3,3 milhões), que teria reunido diversas autoridades brasileiras. Entre os mencionados estariam o ministro Alexandre de Moraes, o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues e o procurador-geral da República Paulo Gonet. Segundo relatos divulgados na imprensa, dados extraídos do celular de Vorcaro pela Polícia Federal e posteriormente enviados à CPMI do INSS conteriam registros dessa proximidade.

De acordo com o texto, os registros teriam sido obtidos após sessão secreta do STF realizada em 12 de fevereiro, na qual se discutiu o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master. As mensagens e informações recuperadas teriam reforçado a percepção de intimidade entre autoridades e o banqueiro, que estaria prestes a negociar uma possível delação premiada.

O artigo menciona ainda o financiamento pelo Banco Master de um fórum jurídico em Londres, cujo momento mais comentado teria sido a degustação de whisky Macallan no George Club, evento pago por Vorcaro. O valor da bebida variaria entre R$ 800 e R$ 5 mil por garrafa, dependendo da versão. Ao final da confraternização, cada convidado teria recebido uma garrafa de Macallan como presente.

A imprensa também divulgou que o próprio Alexandre de Moraes teria mencionado o encontro durante sessão secreta do STF, afirmando: “Nesse encontro, vários estávamos lá. Eu estava lá. Andrei Rodrigues estava lá. Depois fomos todos juntos a um pub e tomamos Macallan.” O fórum jurídico reuniu empresários, autoridades e membros do sistema de justiça, tanto como palestrantes quanto na plateia.

Entre os debatedores citados estavam o ex-presidente Michel Temer, o procurador-geral da República Paulo Gonet e dois ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ): Luis Felipe Salomão e Antonio Saldanha Palheiro.

Também participaram como debatedores Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Andrei Rodrigues e o ministro Gilmar Mendes. O evento contou ainda com a presença do então presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Davi Alcolumbre, e do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski.

Segundo o texto, ao definir a lista de convidados para a plateia do fórum, Daniel Vorcaro teria consultado Alexandre de Moraes, que teria vetado a presença do empresário Joesley Batista, da JBS. O banqueiro teria levado a determinação à organização do evento. O veto aparece em trocas de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro.

De acordo com a divulgação citada no artigo, Vorcaro recebeu uma lista de possíveis convidados e respondeu em três mensagens:
“Boa. Só Joesley foi bloqueado. Não comentou os demais. Entendo que aprovou. Ainda assim, reperguntei. Possível que ele não queira explicitar a concordância. Mas concordo ao afastar um só nome.”

A chamada “farra em Londres” levou o governador mineiro Romeu Zema a protocolar mais um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes. O motivo alegado seria a suposta relação do ministro com o banqueiro, revelada após a quebra do sigilo do celular de Vorcaro.

O partido Novo, legenda de Zema, também anunciou a intenção de representar contra o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, pedindo seu afastamento do Conselho de Ética do Senado. A justificativa seria omissão na apreciação de pedidos e ausência de notícia-crime contra Moraes.

Seja como for, conclui o autor, os episódios revelados teriam exposto um STF até então pouco conhecido pela opinião pública, ampliando o debate sobre transparência, limites institucionais e responsabilidade das autoridades públicas.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.

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Brasil conquistou primeiro título mundial em 1958 com vitória sobre a Suécia e desempenho de Pelé e Garrincha

 

Brasil conquistou primeiro título mundial em 1958 com vitória sobre a Suécia e desempenho de Pelé e Garrincha

Em 29 de junho de 1958, a Seleção Brasileira conquistou o primeiro título da Copa do Mundo da FIFA, ao derrotar a Suécia por 5 a 2 no Estádio Rasunda, em Solna. A vitória foi marcada pela combinação de jovens talentos e atletas experientes, com destaque para Pelé, aos 17 anos, e Garrincha, que desempenharam papéis decisivos ao longo do torneio.

O início da final foi dominado pela Suécia, que abriu o placar com gol de Nils Liedholm aos 4 minutos, mas a equipe brasileira rapidamente reorganizou o jogo. O atacante Vavá marcou dois gols, enquanto Pelé registrou uma dobradinha, incluindo um gol memorável com chapéu sobre o defensor sueco, consolidando a virada da Seleção.

A vitória também contou com a participação estratégica do meia Didi e do atacante Zagallo, equilibrando o trabalho coletivo e o desempenho individual, evidenciando a capacidade tática e ofensiva da equipe.

Trajetória do Brasil na Copa de 1958

A Seleção Brasileira iniciou o torneio com vitória por 3 a 0 sobre a Áustria, embora ainda sem a presença de Pelé e Garrincha entre os titulares. Pelé estava recuperando-se de uma lesão no joelho, enquanto Garrincha entrou no time titular apenas após a fase de grupos.

O ponta-direita Garrincha assumiu a posição titular a partir do empate por 0 a 0 com a Inglaterra, contribuindo decisivamente na partida contra a União Soviética e consolidando-se como peça-chave da equipe ofensiva.

O meio-campista Didi manteve a calma diante do gol inicial da Suécia na final e conduziu o time ao controle da partida, garantindo eficiência tática e equilíbrio em campo.

Estratégia, uniforme e premiação

Na final, a Seleção Brasileira utilizou o segundo uniforme azul, devido à coincidência de cores com a Suécia, substituindo a tradicional camisa amarela. A escolha evitou conflito visual e foi associada à proteção simbólica, rememorando a tradição de Nossa Senhora Aparecida.

O capitão Bellini recebeu a Taça Jules Rimet das mãos do rei Gustaf VI Adolf, inaugurando um gesto que se tornou tradicional em conquistas subsequentes.

O triunfo consolidou o Brasil como potência no futebol mundial e deu início a uma sequência de conquistas, tornando a Seleção Brasileira referência em desempenho ofensivo e coletivo.

Equipe titular e principais jogadores

O elenco brasileiro na final de 1958 incluía Gilmar e Castilho (goleiros); Djalma Santos, Nilton Santos, De Sordi e Oreco (laterais); Bellini, Orlando, Mauro e Zózimo (zagueiros); Zito, Didi, Dino Sani e Moacir (meio-campistas); Pelé, Garrincha, Vavá, Mazzola, Dida, Joel e Pepe (atacantes).

A combinação de experiência e jovens talentos, aliada à adaptação tática e aproveitamento de oportunidades, foi determinante para o resultado final.

A Copa de 1958 marcou o início da consolidação do Brasil como referência em futebol ofensivo, criativo e estratégico, influenciando gerações posteriores de atletas e treinadores.

TRE-BA aponta mais de 6,5 milhões de abstenções na Bahia entre 2020 e 2024 e detalha perfil do eleitor faltoso


O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), por meio do Grupo de Pesquisas Judiciárias (GPJ), apresentou nesta sexta-feira (20/03/2026) relatório sobre as taxas de comparecimento e abstenção nas eleições de 2020, 2022 e 2024, considerando primeiro e segundo turnos, com dados do estado da Bahia e de Salvador. Segundo o levantamento, 6.577.350 eleitores não compareceram às urnas nem justificaram a ausência nas três eleições analisadas. O estudo também identificou o perfil mais frequente do eleitor faltoso e reuniu propostas voltadas à ampliação da participação no processo eleitoral, com ênfase em acessibilidade, educação cidadã, logística de transporte e combate à desinformação.

Abstenção eleitoral supera 6,5 milhões na Bahia em três eleições

O relatório do GPJ/TRE-BA mostra que, no conjunto das eleições de 2020, 2022 e 2024, a Bahia registrou um volume expressivo de ausências não justificadas. De acordo com os dados apresentados, 2.240.067 eleitores deixaram de votar em 2020, enquanto 2.408.763 não compareceram em 2022. Já em 2024, o total foi de 1.928.520 abstenções.

O levantamento consolida um panorama de persistência da abstenção ao longo de diferentes ciclos eleitorais. Embora os números variem de uma eleição para outra, o relatório indica que o fenômeno segue como desafio estrutural para a Justiça Eleitoral, sobretudo diante da necessidade de ampliar a participação de segmentos mais vulneráveis ou com maior tendência à ausência.

Ao reunir informações de pleitos distintos, o TRE-BA buscou não apenas quantificar a abstenção, mas também compreender padrões de comportamento eleitoral. A proposta é utilizar esses dados como base para o planejamento de ações institucionais que fortaleçam o vínculo entre eleitorado e processo democrático.

Salvador registrou oscilações no comparecimento entre 2020, 2022 e 2024

Na capital baiana, os dados revelam variações relevantes no comparecimento ao longo do período analisado. Em 2020, durante a pandemia de Covid-19, Salvador tinha 1.897.098 eleitores aptos, dos quais 1.395.103 compareceram às urnas, o equivalente a 73,54%. Naquele pleito, 501.995 pessoas se abstiveram, o que correspondeu a 26,46% do eleitorado apto.

Em 2022, o comparecimento foi maior. Dos 1.983.198 eleitores aptos1.627.853 participaram da votação, representando 82,08% do total. Já a abstenção somou 355.345 eleitores, ou 17,92%. O dado indica uma redução significativa em relação ao pleito municipal de 2020.

Em 2024, Salvador voltou a registrar alta na ausência às urnas. O número de eleitores aptos chegou a 1.969.757, dos quais 1.508.864 votaram, correspondendo a 76,60%. Outros 460.893 não compareceram, o que levou a taxa de abstenção a 23,40%. A oscilação entre os três pleitos sugere que fatores conjunturais e estruturais seguem influenciando o comparecimento eleitoral.

Perfil do eleitor faltoso revela recortes etários, sociais e de acessibilidade

O relatório também traçou o perfil mais recorrente do eleitor que se abstém. Segundo o estudo, a ausência é mais frequente entre pessoas com mais de 70 anos e entre eleitores de 21 a 29 anos. O recorte etário sugere que a abstenção se distribui de forma mais intensa tanto em faixas de voto facultativo quanto entre adultos jovens.

Além da idade, o levantamento aponta incidência maior entre pessoas com baixa escolaridade e entre eleitores com estado civil viúvo ou separado judicialmente. Esses indicadores reforçam a importância de se observar dimensões sociais e demográficas no desenho de políticas voltadas ao aumento do comparecimento.

O estudo também registra taxas mais elevadas de abstenção entre pessoas com deficiência e entre eleitores com voto facultativo. Esse dado amplia o debate sobre barreiras materiais, informacionais e estruturais que podem dificultar o exercício do voto, especialmente entre grupos que demandam atenção específica da administração eleitoral.

Bases de dados e metodologia do levantamento

As informações utilizadas no relatório foram extraídas do Portal de Estatísticas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Relatório Gerencial Eleições 2024 do TRE-BA. A partir dessas bases, o GPJ combinou análises quantitativas e qualitativas com o objetivo de identificar padrões de abstenção e possíveis caminhos para enfrentá-la.

A coordenadora do Grupo de Pesquisas Judiciárias, Tatiana Almeida, afirmou que o estudo pode servir de apoio para o aprimoramento das ações do Tribunal. Segundo ela, os resultados têm potencial para subsidiar iniciativas voltadas tanto ao processo eleitoral quanto ao fortalecimento da cidadania e à melhoria dos serviços prestados à população.

A manifestação da servidora reforça o caráter institucional do relatório, que não se limita à descrição estatística. Ao identificar perfis e recorrências, o material passa a funcionar como instrumento técnico para orientar decisões administrativas e estratégias de inclusão eleitoral.

TRE-BA propõe medidas para reduzir a abstenção

Entre as recomendações apresentadas, o relatório destaca a necessidade de ampliar ações de acessibilidadeeducação cidadãlogística eleitoral e combate à desinformação. Uma das propostas centrais é a expansão das seções eleitorais acessíveis para pessoas com deficiência, até que essa condição alcance a totalidade das seções.

O documento também sugere a oferta de transporte acessível e o fortalecimento de campanhas informativas em formatos inclusivos, como vídeos com Librasáudio-descrição e materiais em braille. A diretriz indica preocupação com a eliminação de barreiras que extrapolam o espaço físico e alcançam a comunicação institucional.

No campo da formação cidadã, o relatório recomenda o reforço de parcerias entre a Justiça Eleitoral baiana, escolas públicas e universidades, com o objetivo de promover atividades educativas sobre a importância do voto. A proposta aponta para uma estratégia de longo prazo, baseada na consolidação da cultura democrática e no estímulo à participação política.

Logística, segurança e enfrentamento à desinformação

O estudo ainda propõe a garantia de transporte público gratuito ou subsidiado nos dias de eleição, com atenção especial a comunidades periféricas e áreas rurais. A recomendação parte do entendimento de que o deslocamento continua sendo um obstáculo concreto para parte do eleitorado.

Outro ponto mencionado é o reforço da segurança nos locais de votação situados em áreas de maior vulnerabilidade, medida que busca reduzir fatores de intimidação ou dificuldade de acesso. Trata-se de uma frente que relaciona comparecimento eleitoral a condições mínimas de ordem e mobilidade.

No combate à desinformação, o relatório defende o fortalecimento de campanhas permanentes e a ampliação de canais oficiais de esclarecimento rápido de boatos eleitorais. A proposta reconhece que a circulação de informações falsas pode afetar diretamente a confiança do eleitor e, por consequência, sua disposição de participar do pleito.

Monitoramento contínuo deve orientar políticas mais eficazes

Além das medidas imediatas, o relatório recomenda o monitoramento contínuo dos dados de abstenção com base em recortes sociodemográficos. Entre os critérios sugeridos estão escolaridadefaixa etáriagêneroraça/cor e deficiência.

A intenção é permitir que a Justiça Eleitoral atue de maneira mais direcionada, com políticas calibradas para os segmentos onde a ausência se mostra mais recorrente. Esse tipo de acompanhamento tende a ampliar a precisão das estratégias e a evitar respostas genéricas para realidades distintas.

Ao apostar em monitoramento, acessibilidade, informação qualificada e parcerias educacionais, o TRE-BA indica que a redução da abstenção depende de uma ação institucional contínua, e não apenas de iniciativas pontuais em períodos eleitorais.

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