segunda-feira, março 16, 2026

Decisão de Dino pode provocar perda do cargo do ministro do STJ acusado de assédio

 

Decisão de Dino pode provocar perda do cargo do ministro do STJ acusado de assédio

Por Gabriela Echenique, Folhapress

16/03/2026 às 14:50

Foto: Emerson Leal/Divulgação STJ/Arquivo

Imagem de Decisão de Dino pode provocar perda do cargo do ministro do STJ acusado de assédio

O ministro do STJ, Marco Aurélio Buzzi, durante lançamento do livro "Superendividamento dos Consumidores - Aspectos materiais e processuais", no Espaço Cultural STJ

A decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino de determinar a perda de cargo e salário de um magistrado como maior punição pode afetar diretamente o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Marco Buzzi.

Buzzi responde a duas acusações por crimes sexuais e deve ser alvo de um PAD (Processo Disciplinar Administrativo). O plenário do STJ se reúne no dia 14 de abril.

Nos bastidores, o que se fala é que ele deve ser punido com uma aposentadoria compulsória, que é quando o ministro é afastado da função, mas mantém a remuneração proporcional ao tempo de serviço.

Integrantes do STJ e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) avaliam que a decisão de Flávio Dino abre brecha para que Buzzi seja punido com a perda do cargo. Vai depender da avaliação a ser feita pelo conselho.

Alguns membros do colegiado defendem a punição mais gravosa.

Diante das acusações, aliados de Buzzi no tribunal defendem que ele antecipe a aposentadoria para estancar a crise, mas ele não tem dado sinais de que vai fazer isso. O ministro tem 68 anos e só se aposentaria em 2033, aos 75.

O ministro tem negado as acusações. Os advogados de Buzzi falam em "tentativa de julgar e condenar uma pessoa antes mesmo do início formal de uma investigação".

Politica Livre

Dino põe fim à aposentadoria compulsória como punição disciplinar mais grave a juízes

 

Dino põe fim à aposentadoria compulsória como punição disciplinar mais grave a juízes

Por Carolina Brígido e Felipe de Paula, Folhapress

16/03/2026 às 14:19

Atualizado em 16/03/2026 às 14:03

Foto: Victor Piemonte/STF/Arquivo

Imagem de Dino põe fim à aposentadoria compulsória como punição disciplinar mais grave a juízes

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que a aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço não pode mais ser aplicada como punição disciplinar a magistrados. Ele determinou que infrações graves cometidas por juízes devem resultar na perda do cargo.

"Não faz mais sentido que os magistrados fiquem imunes a um sistema efetivo de responsabilidade disciplinar, com a repudiada e já revogada 'aposentadoria compulsória punitiva'", pontuou Dino na decisão.

A decisão foi tomada enquanto estão em curso procedimentos administrativos contra o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por assédio sexual supostamente cometido contra duas mulheres. Buzzi enfrenta processos no próprio tribunal e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A aposentadoria compulsória dos juízes é a pena mais severa prevista em decorrência de um processo administrativo disciplinar. Ela está prevista no artigo 42 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), que entrou em vigor durante a ditadura militar, em 1979.

A punição é aplicada hoje em casos de corrupção, desvios de conduta e venda de sentenças. Magistrados que recebem a pena continuam recebendo vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. A decisão de Dino encerra esse privilégio.

Na percepção do ministro, "a aposentadoria é um benefício previdenciário que tem por finalidade garantir ao trabalhador condições dignas de vida quando não mais for possível o desenvolvimento de atividade laboral em virtude de idade-limite, incapacidade permanente para o trabalho ou pela conjugação dos critérios idade mínima e tempo de contribuição".

A decisão foi tomada no julgamento de uma ação apresentada em 2024 por um juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ele recorreu das punições disciplinares impostas, que foram confirmadas pelo CNJ.

O juiz atuava em Mangaratiba (RJ) e foi punido com censura, remoção compulsória e duas aposentadorias compulsórias após uma inspeção realizada pela corregedoria por irregularidades - como morosidade processual deliberada, liberação de bens bloqueados sem manifestação do Ministério Público e decisões que beneficiariam policiais militares.

Dino explicou na decisão que, depois de promulgada a Emenda Constitucional 103, de 2019, a possibilidade de aposentadoria compulsória como punição administrativa foi extinta. Embora a decisão tomada por Dino valha apenas para o caso específico do juiz de Mangaratiba, o entendimento deve ser aplicado a outros magistrados daqui para frente - inclusive Buzzi.

De acordo com a decisão, o Conselho Nacional de Justiça passa a ter três alternativas em casos de infrações na magistratura. Poderá absolver o juiz, aplicar outra sanção administrativa ou encaminhar o caso à Advocacia-Geral da União para que seja proposta ação de perda do cargo do magistrado. A aposentadoria compulsória, portanto, deixa de ser uma forma de punição.

Antes da decisão de Dino, magistrados condenados criminalmente já não tinham direito à aposentadoria compulsória. Nesses casos, a legislação previa a perda do cargo como efeito da condenação, o que na prática resultava na expulsão do juiz da magistratura.

Na avaliação do ministro, a perda do cargo como maior penalidade aplicável a magistrados se justifica pela "impossibilidade de se manter a relação jurídica com servidor a quem tenha sido atribuída conduta que implica alto grau de desmoralização do serviço público e perda da confiança nas instituições públicas".
Politica Livre

Investigado por rombo, ex-presidente do BRB deixa dívida e vira alvo de penhora



Aos 7 anos do inquérito das fake news, lembro como fui parar na PF outra vez

Publicado em 16 de março de 2026 por Tribuna da Internet

Master: Toffoli e Moraes enfrentam isolamento no STF e silêncio de colegas após queda de credibilidade

Toffoli e Moraes fizeram em conluio para censurar Sabino

Mario Sabino
Metrópoles

Para marcar os sete longos anos da abertura do inquérito das fake news, reproduzo um artigo que escrevi em 2019, depois de ser censurado:

Faz sete anos, exatamente, que o inquérito das fake news foi aberto de ofício por Dias Toffoli, então presidente do STF, a pretexto de defender o tribunal contra ataques que ameaçariam a vida de ministros e até a própria existência da instituição.

Toffoli entregou a relatoria de bandeja a Alexandre de Moraes, que desde então, com o aval dos seus pares, vem perpetrando arbitrariedades ao arrepio das regras processuais e da Constituição Federal.

CENSURA À CRUSOÉ – Há sete anos também, a revista Crusoé, que criei e da qual era publisher, foi censurada no âmbito do inquérito das fake news por ter publicado uma reportagem verdadeira, baseada em documento no qual Dias Toffoli havia sido citado como “o amigo do meu amigo de meu pai” por Marcelo Odebrecht, investigado no âmbito da Lava Jato.

Além de ter a revista censurada, fui obrigado a prestar depoimento à PF, em episódio vergonhoso para a democracia brasileira. Ainda no calor da violência sofrida, escrevi um artigo em 19 de abril de 2019, intitulado “E lá fui parar na PF outra vez”. Eu o reproduzo abaixo para marcar o aniversário de sete longos anos desse inquérito sem data para ser encerrado, que fez mais uma vítima nesta semana: o jornalista que denunciou o uso indevido de um carro funcional do Tribunal de Justiça do Maranhão pela família de Flávio Dino.

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“E LÁ FUI PARAR NA PF OUTRA VEZ”

“Na última terça-feira, dia 16 de abril, apenas 24 horas depois de ser intimado pelo ministro Alexandre de Moraes, eu me apresentei ao delegado da Polícia Federal escolhido para conduzir o inquérito sigiloso e inconstitucional aberto para intimidar a imprensa (a história de que serve para apurar fake news e ameaças ao STF nas redes sociais é conversa para boi dormir). Foi a quarta vez na minha carreira profissional que me vi convocado a comparecer diante de um delegado pelo fato de ser jornalista.

Na primeira, em 2008, fui à mesma Superintendência da PF em São Paulo, como redator-chefe da Veja, para sair de lá como o único indiciado no caso do dossiê dos aloprados. Em 2016, Lula também quis me levar para uma delegacia, sob a acusação de que O Antagonista era uma associação criminosa. Nossos advogados conseguiram evitar essa ignomínia.

Em 2017, Wagner Freitas, presidente da CUT, foi outro a querer que um delegado me interrogasse. A tentativa foi novamente abortada.

UM RECORDISTA – É perturbador que um jornalista, pelo fato de exercer a sua profissão, seja intimado a ir quatro vezes à polícia na vigência de um regime democrático. Tendo a crer que sou um recordista no Brasil.

O delegado designado para conduzir o inquérito inconstitucional saído das cacholas de Dias Toffoli e de Alexandre de Moraes não soube dizer aos meus advogados em qual condição eu estava ali: se de investigado, testemunha ou, sei lá, colaborador. Ele afirmou ainda que, por ser sigiloso, desconhecia o teor exato da investigação.

Sim, você leu certo: o delegado designado para conduzir o inquérito inconstitucional saído das cacholas de Dias Toffoli e de Alexandre de Moraes disse não ter ideia sobre o que estava sendo investigado a meu respeito. Se é que eu era investigado, claro.

SEM JUSTIFICATIVA – Eu, no entanto, sei que não há objeto de investigação nenhum. Apenas quiseram calar a boca dos jornalistas que vêm fazendo reportagens sobre ministros do Supremo Tribunal Federal.

Como não conseguiram – e nem conseguirão, se o Brasil realmente for uma democracia digna de tal nome –, o inquérito teratológico ampliou a sua ousadia autoritária, com Alexandre de Moraes prestando-se ao papel vexaminoso de censor.

Dias Toffoli e Alexandre de Moraes acusam-me de estar à frente de sites que não são jornalísticos, mas destinados a produzir notícias falsas contra o Supremo Tribunal Federal, em conluio com procuradores da Lava Jato e militares golpistas — ambos os veículos financiados por gente escusa do mercado financeiro. A ideia agora, pelo que depreendo, é tentar provar que não sou jornalista, embora tenha 35 anos de carreira. 

ALEGAÇÃO DE TOFFÓLI – Em entrevista ao Valor, o ministro Dias Toffoli mostrou que seguirá o caminho de tentar nos desqualificar e criminalizar. Ele disse que orquestramos narrativas inverídicas para constranger o Supremo às vésperas de uma decisão sobre a prisão de condenados em segunda instância, o que seria obstrução de administração da Justiça.

Respondi no jornal que o único constrangimento causado ao Supremo se dá pelo comportamento abusivo de Dias Toffoli, que está abolindo o devido processo legal com o seu inquérito inconstitucional.

No dia seguinte, publicamos que Dias Toffoli simplesmente mentiu ao Valor: a reportagem sobre a eventual revisão da prisão de condenados em segunda instância foi publicada na quinta-feira, dia 11, o julgamento estava marcado para o dia 10, um dia antes de ela ser publicada, mas ele já havia sido adiado seis dias antes, no dia 4, a pedido da Ordem dos Advogados do Brasil. E nem sequer havia sido marcada uma nova data. Além disso, o documento da Odebrecht em que se baseou a reportagem foi anexado nos autos da Lava Jato no dia 9 de abril, após o julgamento ter sido adiado, portanto.

PEGA NA MENTIRA – Pergunto-me se Dias Toffoli mentiria assim diante do delegado da Polícia Federal que tomou o meu depoimento.

O presidente do Supremo Tribunal Federal também disse ao Valor que a Crusoé e O Antagonista não são imprensa livre, mas ‘imprensa comprada’. Respondi no jornal que não recebemos mesada e que Dias Toffoli não está imune a processo por calúnia.

Dias Toffoli e Alexandre de Moraes imaginavam que nós nos acovardaríamos porque teríamos rabo preso. Nós não nos acovardamos porque não temos o rabo preso.

Eles imaginavam que não teríamos apoio dos grandes jornais e emissoras de rádio e TV. Nós tivemos o apoio dos grandes jornais e das emissoras de rádio e TV. Todos perceberam que a ameaça não era apenas contra nós, mas contra a liberdade de imprensa.

MAIS APOIO – Eles imaginavam que não contaríamos com o apoio de juristas e entidades de classe. Nós tivemos o apoio de juristas e entidades de classe.

A censura foi levantada, mas não sei até que ponto os demais ministros do Supremo Tribunal Federal deixarão essa alopragem correr solta. Sugiro, modestamente, que contenham Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A pretexto de salvaguardar o Supremo, a dupla só fez afundar ainda mais a imagem do tribunal como guardião da Constituição. São eles, portanto, que ameaçam a corte.

Sem o Supremo Tribunal Federal, não há democracia. Assim como não há democracia sem liberdade de imprensa, o que significa o direito de criticar e fiscalizar todas as instituições, inclusive o STF. E, não canso de repetir, a liberdade de imprensa só se enfraquece quando não a exercemos. Se tiver de voltar à PF, direi isso ao delegado.”

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