sábado, março 14, 2026

Avanço das investigações da PF impede qualquer tentativa de “blindar” Vorcaro


🌞Bom dia! Confira a charge da edição desta sexta-feira (29/8) do Correio Braziliense, por Kleber Sales.

Charge do Kleber Sales (Correio Braziliense)

Malu Gaspar
O Globo

Desde que a bomba do caso do Banco Master voltou a estourar no colo do Supremo Tribunal Federal (STF), com a descoberta de que Daniel Vorcaro enviou mensagens a Alexandre de Moraes no dia da prisão perguntando se ele “conseguiu bloquear”, os ministros parecem perdidos, sem saber o que fazer.

Pelos relatos de quem frequenta os corredores e gabinetes, quem não está perplexo está furioso. Estão tão acostumados a pairar acima de tudo e todos no ecossistema de Brasília que se mostram sem repertório para lidar com uma premissa básica da democracia: têm obrigação de prestar contas à sociedade.

CÓDIGO BAND-AID – A crise se agravou tanto que o Código de Ética defendido pelo presidente da Corte, Edson Fachin, hoje teria o efeito de um band-aid cobrindo uma fratura exposta. E, ainda assim, a proposta não andou um milímetro desde que a ministra Cármen Lúcia foi designada relatora.

A única reação ensaiada até agora veio da ala furiosa da Corte, que passou a cobrar do governo Lula uma grande operação abafa a partir da interferência na Polícia Federal (PF). O núcleo que orbita em torno de Moraes e de Dias Toffoli se julga abandonado pelo Palácio do Planalto.

Afinal, o Supremo Futebol Clube vem matando no peito todas as bolas tortas que o governo não consegue defender no Congresso. Por esse argumento, o mínimo que Lula poderia fazer é anular a PF em nome dessa aliança.

IMAGEM ABALADA – Achar que Lula vai intervir é uma visão ao mesmo tempo alienada e ingênua. Alienada, porque faz questão de ignorar a dimensão que o caso ganhou e quanto o Supremo está machucado pela crise.

Na falta de sensibilidade política, já começam a surgir indicadores como a pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira mostrando que 35% dos que tomaram conhecimento do escândalo o associam ao STF, e 70% desse universo considera que a imagem do Supremo está abalada.

O mesmo levantamento aponta que 44% dizem que a chance de votar num candidato a senador nas próximas eleições aumentará caso ele apoie o impeachment de ministros. Os pesquiseiros do Planalto e do bolsonarismo já perceberam essa tendência, daí por que não faz sentido para Lula se afundar junto com o Supremo.

INGENUIDADE – Nesse contexto, é de uma suprema ingenuidade imaginar que o presidente, que já largou pelo caminho aliados de uma vida, vá se sacrificar agora por causa das lambanças de Toffoli e Moraes.

Também surpreende a suposição de que a troca do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues — que, apesar do relatório sobre Toffoli, sempre se portou como aliado de Moraes —, vá anular o trabalho de dezenas de delegados e agentes. Taí algo que nem Jair Bolsonaro conseguiu, mesmo tentando muito. Além disso, a esta altura da investigação seria inútil.

Embora ainda falte muita coisa para vir à tona, o número de versões do celular de Vorcaro nas mãos de investigadores já é grande o suficiente para que não se possa mais eliminá-las completamente.

MENDONÇA NO COMANDO – Ao substituir Toffoli na relatoria do caso, o ministro André Mendonça ainda estabeleceu contato direto com os delegados e os proibiu de passar informações a superiores hierárquicos.

Pelo jeito, já andava de pé atrás com os uísques caros que Andrei tomou em Londres em abril de 2024 com Moraes, Paulo Gonet e Ricardo Lewandowski, entre dezenas de outros figurões — tudo bancado por Vorcaro.

Isolado no Supremo desde que assumiu o cargo, Mendonça foi o único a votar pela suspeição de Moraes para julgar a trama golpista. É cedo para dizer se abrirá alguma investigação contra o colega de Corte, mas não para constatar que, se em algum momento houve alguma chance de enterrar a apuração, ela já ficou no passado.

CENTRÃO NA MIRA – Para completar o quadro, os documentos com os sigilos fiscais do Master, da Reag e de Vorcaro que vêm desembarcando nas CPIs do INSS e do Crime Organizado já começam a vir à tona, colocando em xeque as lideranças do Centrão.

O primeiro a ser alvejado foi ACM Neto (União Brasil), que os repórteres do Globo descobriram ter recebido R$ 3,6 milhões do Master e da Reag via empresa de consultoria.

Ninguém tem dúvida de que vem muito mais por aí. Não foi por outra razão que os presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados adotaram nesta semana o regime de sessões semipresenciais, evitando debates no plenário e driblando a pressão para decidir sobre os pedidos de CPI sobre a mesa.

ANARQUIA DO SISTEMA – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), querem mais é serem esquecidos, enquanto tentam achar uma forma de não serem tragados pelo escândalo. É o máximo que podem fazer no momento pelo STF.

Diante da situação, é impossível não se lembrar do diálogo com a namorada em que Vorcaro diz ser “a anarquia do sistema”. A partir de agora, é cada um por si. Quem não entender isso se afundará ainda mais rápido.

Delatar ou não delatar, eis a questão

 

Arte: Marcelo Chello

O STF formou maioria para manter o banqueiro das festinhas de Trancoso preso. Só que os detalhes que saíram hoje são de cinema. O Davizinho mandou um ofício para ele mesmo liberar R$ 379 milhões em emendas para o Amapá, onde o suplente dele saiu de banco ontem com R$ 350 mil em dinheiro vivo no bolso. O Gilmar com J de Jeitinho salvou o Lulinha de ter o sigilo quebrado, por ora. E Bolsonaro segue na UTI. Se segura, BRASEW.

“Infernizando o juiz”

A treta é a seguinte. O homem do Cine Trancoso, Daniel Vorcaro, está preso na Penitenciária Federal de Brasília e hoje o STF formou maioria para mantê-lo lá. O supremo terrivelmente evangélico André Mendonça foi o relator, votou pela manutenção da prisão, e Luiz Fux e Nunes Marques foram junto. O supremo Gilmar ainda não votou. O julgamento vai até a próxima sexta no plenário virtual.

Mas o que saiu hoje de novo sobre a primeira prisão do Vorcaro, em novembro do ano passado, é de tirar o fôlego do roteirista de Brasil. O Estadão teve acesso ao conteúdo do celular do banqueiro e o que está lá é, como dizem os técnicos, bastante comprometedor.

Antes da prisão, o então advogado Walfrido Warde ligou diretamente para o juiz do caso, Ricardo Leite, tentando segurar a situação. Não funcionou. Aí Warde mandou mensagem no zap do juiz junto com uma notícia sobre a venda do Banco Master, como quem diz “olha, tá tudo bem aqui, não precisa prender ninguém”. Também não funcionou. Às 18h08 daquele dia, Warde mandou para o Vorcaro prints da conversa com o juiz e escreveu: “Estamos infernizando o cara.”

(Juro que não inventei.)

Vorcaro foi preso no raio-x do aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar num jatinho para o exterior. Ficou 11 dias na cana, foi solto, ganhou tornozeleira e proibição de sair de São Paulo. Mas aí a PF foi fundo no celular dele e o que encontrou levou o supremo André Mendonça a decretar a segunda prisão, na semana passada.

Para os perdidos. A PF diz que Vorcaro soube com antecedência que seria preso porque recebia informações sigilosas de dentro do Banco Central. Ele chegou a anotar no celular o nome de todos os delegados da PF que participaram de uma reunião sobre o Master. Conseguiu ainda descobrir, via hackeamento, em qual vara tramitava o inquérito sigiloso. Tudo para tentar sumir antes que as algemas chegassem.

E não foi só isso. Nas mensagens do celular, Mendonça encontrou o Vorcaro conversando com seu braço armado particular, o tal Luiz Phillipe Mourão, que trabalhava com ele e atendia pelo apelido de Sicário. (Sim, atendia, pois ele mÓrreu, ou foi morrido, vai saber.) Sobre uma funcionária que o estaria ameaçando, Vorcaro escreveu ao Sicário: “É preciso moer essa vagabunda.” Sobre o jornalista Lauro Jardim, do Globo: “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto.”

O que será que Sicário levou com ele? De que outro sicário o Sicário tinha medo?

Mendonça também revelou que existem oito celulares de Vorcaro para serem periciados pela PF. Só um foi analisado até agora. O que já saiu deste primeiro já deu nisso tudo. Imagina o tamanho da treta que tem nos outros sete?

E o novo advogado?

Com a decisão do STF de manter a prisão, o advogado Pierpaolo Bottini, que conduzia a defesa mais recente de Vorcaro, deixou o caso hoje, alegando motivos pessoais. Bottini já vinha avisando que não participaria de negociação de delação premiada, que é exatamente para onde o caso parece estar caminhando. Vamos combinar que, se rolar delação, o que vai ter de outros clientes dele no rolê não vai ser brinquedo.

Quem entra no lugar é o Juca, também conhecido como José Luis Oliveira Lima, um dos criminalistas mais respeitados do país, com um currículo que vale ser mencionado: defendeu Léo Pinheiro, empreiteiro da OAS, na Lava-Jato. Defendeu José Dirceu no mensalão. Representou o general Braga Netto no processo do golpe. E, detalhe não pequeno, já advogava para o Banco Master antes de a instituição ser liquidada pelo Banco Central em novembro.

Juca já avisou pra galera que não descarta uma delação e que “todas as possibilidades estão abertas.” O próprio Vorcaro já cogitava delatar antes mesmo de ser preso novamente e só aguardava o resultado do julgamento de hoje para decidir. O STF manteve a prisão. E agora, Vorca?

Mas atenção: para delatar, Vorcaro vai precisar apresentar provas concretas do que disser. Sem evidências, sem acordo. As negociações de colaboração são complexas, especialmente num caso do tamanho do Master.

Davizinho mandou ofício para… o Davizinho

Ontem a TixaNews contou que a PF flagrou Breno Chaves Pinto (segundo suplente de Davi Alcolumbre no Senado) saindo de uma agência bancária com R$ 350 mil em cash e entrando num carro registrado em nome de empresa de primos do Davizinho. Breno está sob investigação por suspeita de fraudes em licitações do Dnit.

Hoje, a notícia sobre nossa estrela-mor do Senado piorou.

Alcolumbre enviou um ofício de 15 páginas solicitando a liberação de R$ 379 milhões em emendas para obras no Amapá, seu reduto eleitoral. Até aqui, tudo bem. Afinal de contas senadores fazem isso.

O detalhe é o destinatário do ofício: o próprio Davi Alcolumbre, presidente do Senado.

Ele pediu respeitosamente a si mesmo que liberasse o dinheiro. “Certos de podermos contar com a sua valiosa colaboração”, escreveu ele... para ele mesmo. (Quem lembrou do Xandão expedindo pedido de prisão pra ele mesmo levanta a mão. Só que dessa vez não foi obra de hacker.)

Do total dos R$ 379 milhões, R$ 30,5 milhões foram para uma obra tocada pela construtora do tal Breno Chaves. O mesmo suplente do dinheiro vivo de ontem.

A justificativa do se Davi? Que mandou o ofício para si mesmo para “cumprir acordo feito com o STF” que exige identificar o autor de cada emenda. Só que especialistas em contas públicas discordam e dizem que a manobra é exatamente o contrário: uma forma de esconder quem indicou o quê, jogando tudo no colo da “bancada do Amapá” como se fosse uma decisão coletiva.

O ministro que intermediou a liberação dos recursos foi Waldez Góes, do Ministério da Integração, indicado ao cargo pelo próprio Alcolumbre. O governador do Amapá que assinou os contratos é aliado político de Alcolumbre. A empresa do suplente recebeu R$ 8 milhões, executou menos de 9% da obra e o contrato foi “rescindido” em julho, mas o último pagamento foi feito em setembro.

Gilmar dá uma aliviada para o Lulinha

O supremo Gilmar com J de Jeitinho pediu destaque hoje no julgamento sobre a quebra de sigilo do Lulinha. Com isso, o caso sai do plenário virtual e vai para o plenário físico, em data a definir.

Para os perdidos. A CPI do INSS aprovou a quebra de sigilo do Lulinha. O supremo Flávio Dino suspendeu essa e outras quebras aprovadas pela CPI, dizendo que precisavam ser analisadas uma a uma. A CPI recorreu. Hoje Dino votou para manter a decisão dele. Aí chegou o Gilmar e pediu o destaque.

O efeito prático: o julgamento recomeça do zero, no plenário físico, em data indefinida. O Lulinha respira aliviado, por enquanto.

Bolsonaro na UTI

Os médicos de Jair Bolsonaro confirmaram nesta sexta-feira que o nosso ex está internado com pneumonia aguda no hospital DF Star, em Brasília. Ele chegou com dificuldade de respirar, está estável, sem necessidade de entubação, mas segue na UTI sem previsão de alta.

Esta é, segundo os médicos, a pneumonia mais grave das três que ele enfrentou desde o ano passado e rolou por conta dos refluxos constantes que acabam levando líquidos aos pulmões.

Xandão proibiu, Lula proibiu, e ninguém foi visitar o Bolsonaro

Lembra do Darren Beattie, aquele assessor do Trump, que queria vir ao Brasil e para quem os advogados do ex-mito tentaram uma liberação pra visitar Bolsonaro lá na Papudinha? Pois é, Xandão tinha autorizado a visita. Na quinta-feira, voltou atrás, depois que o Itamaraty avisou que um funcionário do governo americano visitando um ex-presidente preso em ano eleitoral cheira a ingerência estrangeira nos assuntos internos do país.

Mas aí chegou o Lula com um recado extra.

“Ele foi proibido de visitar e eu o proíbo de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde que tá bloqueado.” E daí o Itamaraty cancelou o visto do gringo, alegando que ele mentiu nesse rolê de visitar Bolsonaro.

Para os perdidos. Em agosto do ano passado, o governo do Trump cancelou os vistos da esposa e da filha do ministro Alexandre Padilha, na treta daquelas sanções americanas contra autoridades ligadas ao programa Mais Médicos. O visto pessoal de Padilha já estava vencido desde 2024 e simplesmente não foi renovado.

Trump, Putin e o petróleo de todo mundo

Donald J. Trump (J de João, juro) admitiu hoje que Putin pode estar ajudando o Irã “um pouco” no conflito no Oriente Médio, isso enquanto os EUA suspendem temporariamente as sanções ao petróleo russo para tentar segurar os preços do combustível. Zelensky, aquele da Ucrânia, disse que a medida pode injetar até 10 bi de doletas extras no esforço de guerra da Rússia. O Putin adorou e já pediu mais isenções.

A União Europeia reclamou que não foi consultada. Macron disse que as isenções são “temporárias e limitadas”. O secretário do Tesouro dos EUA disse primeiro que a medida não ia ajudar a Rússia “significativamente”, depois voltou atrás e disse que era “uma inevitabilidade” e “lamentável”.

Então tá, né?

É isso, BRASEW. Sexta pesada, fim de semana à vista. Vou ali comprar um pão salgado que enjoei do doce.

sexta-feira, março 13, 2026

Lava Master: a volta dos que não foram

 

Lava Master: a volta dos que não foram

O espetáculo do caso Vorcaro expõe a herança dos métodos lavajatistas na erosão do devido processo legal

Por ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO

Publicado em 13/03/2026 às 13:13

Alterado em 13/03/2026 às 13:19


                              O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay Foto: reprodução

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https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2026/03/1058954-lava-master-a-volta-dos-que-nao-foram.html




O amigo da corte e o bajulador de ministro são inimigos que se digladiam

Publicado em 13 de março de 2026 por Tribuna da Internet

🗓️ 2026 até agora resumido em uma charge. Você concorda?

Charge reproduzida do Arquivo Google

Conrado Hübner Mendes
Folha

Ser ministro do STF é exercer função pública, não ostentar estilo de vida. O cargo permite vida privada com o privilégio e o conforto do topo da pirâmide social brasileira. Só não permite o luxo extrativista, os cortejos oligárquicos e gangsteristas, o empreendedorismo familiar.

A carreira de ministro vem com muito poder, prerrogativa e prestígio, só pede não agredir a instituição. E não paga o suficiente para vestir-se de ouro. Não por moralismo. Não só por razões éticas ou estéticas, mas por razões legais compatíveis com a realidade socioeconômica brasileira.

ESTILO VORCARO – O que é ética, estética e legalidade para quem se regozija em degustação de uísque e charuto patrocinado por banqueiro em Londres? No “Fórum Jurídico Brasil de Ideias”, em 2024, quem teve a grande ideia foi Daniel Vorcaro, o rei do camarote da fraude bancária. Por que não financiar noite de álcool e fumaça com autoridades públicas por US$ 640 mil?

Fomos acostumados a ouvir anedotas da vulgaridade magistocrática. E ficamos moralmente anestesiados, juridicamente preguiçosos, politicamente paralisados. A prática foi se aprofundando, e muitos enriquecendo na conjunção patrimonialista. O JusPorn Awards só olhava.

Neste mês, a instituição chegou mais perto do precipício a partir das notícias da relação de ministros do STF com o Carminha da Faria Lima, artífice do previsível escândalo financeiro. Não porque a promiscuidade foi nova, não porque conflitos de interesses não convivam com ministros há muitos anos. Mas porque ficou bem desenhadinho aonde a indiferença a conflitos de interesses pode chegar. Virou esquete do Porta dos Fundos.

AMIGO E BAJULADOR – Em circunstâncias assim, o que faz o amigo da corte? Amigo na acepção genuína da palavra – feita de cuidado, franqueza e liberdade crítica – aponta o erro, pede compostura, propõe debate sobre código de ética, defende saídas institucionais de responsabilização individual que preservem a confiança na justiça e a institucionalidade do STF.

E o que faz o bajulador de ministro? Nega qualquer irregularidade, defende honorário faraônico pago pelo banqueiro para trabalho jurídico não sabido e sem complexidade. Acusa de lavajatista o jornalista que reporta fatos, classifica de “inimigo da corte” quem critica decisão do STF.

O amigo da corte está preocupado com o que vai sobrar de legitimidade ao STF para defender a Constituição dos inimigos à espreita. O sucesso do extremismo bolsonarista depende da implosão do obstáculo constitucional e da masterização da constitucionalidade.

ÁLCOOL E FUMAÇA – O bajulador de ministro prefere deixar o tribunal sangrar, enterrar sujeira em cova rasa e se encontrar em Lisboa como se nada. Financia álcool e fumaça para que o fluxo de honorários desse pacto de bajulação lucrativa não se interrompa.

O amigo da corte não é remunerado. Reconhece que o dano autoinfligido por ministro à sua autoridade é irreversível e contamina o sistema de justiça. Entende só restar à instituição do tribunal a redução de danos, alguma solução rápida. O que está provado é grave o suficiente.

O amigo da corte não é ingênuo a ponto de esperar espírito público voluntário numa hora dessas. Mas tenta imaginar alguma forma de estancar o sangramento. Seja por aposentadoria ou por sanção jurídica. Qualquer coisa que não a adulação. Já o bajulador de ministro não é amigo da corte. Nem o centrão supremocrático.

OAB quer ver provas do caso do Master e critica inquéritos sem prazo no STF

Publicado em 13 de março de 2026 por Tribuna da Internet

Entidade quer acesso integral às provas obtidas

Pepita Ortega
O Globo

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil decidiu pedir ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acesso às provas do caso Master, que levou à prisão, pela segunda vez, o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o presidente da entidade, Beto Simonetti, a sociedade “precisa ter revelado o que tem” no inquérito.

Segundo Simonetti, o pedido será entregue a Mendonça pessoalmente. O advogado afirmou que a OAB já requereu uma audiência no gabinete do ministro do STF e que aguarda a data para o encontro. A entidade quer acesso integral às provas obtidas até o momento na investigação, que já teve três etapas ostensivas abertas. A decisão pela apresentação do pedido a Mendonça se deu por aclamação em reunião do Conselho da OAB.

APURAÇÃO RIGOROSA – O anúncio do pedido de acesso foi feito após Simonetti se reunir com representantes da OAB nos 27 Estados e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, no Conselho Nacional de Justiça na última terça-feira. Em nota, a entidade disse ter defendido, durante o encontro, “apuração rigorosa dos fatos envolvendo qualquer autoridade” no bojo das apurações da Operação Compliance Zero.

O caso Master também foi tema de reunião entre Fachin e Mendonça, realizada na noite de segunda-feira na Presidência do STF. Em meio ao rescaldo das novas revelações sobre o suposto grupo criminoso que, segundo a Polícia Federal, seria liderado por Vorcaro, o presidente do STF também se encontrou com outros integrantes da Corte para tratar do assunto.

INQUÉRITO DAS FAKE NEWS – Na mesma reunião, além do caso Master, foi levantado o tópico do inquérito das fake news. No mês passado, a Ordem encaminhou ao STF um ofício pedindo o arquivamento de investigações de natureza perpétua, principalmente as que “deixam de ostentar delimitação material e temporal suficientemente precisa”. No documento, a entidade registrou “extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração”.

Segundo Simonetti, foi reafirmado, na ocasião, o “interesse” da advocacia em ver o inquérito relatado pelo ministro Alexandre de Moraes arquivado. O presidente da OAB sustenta que não há norma que permita “inquéritos permanentes e eternos”. Segundo ele, Fachin “compreende que esses inquéritos não podem se manter como estão”, mas não deu “nenhum tipo de sinalização” sobre o eventual fim da investigação. Simonetti ainda disse que a OAB não descarta a possibilidade de procurar Moraes para ponderar sobre “situações encontradas” ao longo do inquérito.

Empate nas pesquisas e a verdadeira batalha desta eleição presidencial

Publicado em 13 de março de 2026 por Tribuna da Internet

Campo político se reorganiza em torno de uma polarização

Pedro do Coutto

A nova pesquisa divulgada pelo instituto Quaest trouxe um elemento que muda o ritmo da disputa presidencial: um empate técnico entre o presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. O levantamento indica que ambos aparecem com cerca de 41% das intenções de voto nesse cenário, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

O dado, embora ainda distante da eleição, sinaliza que a corrida presidencial caminha para uma disputa altamente competitiva. Pesquisas anteriores mostravam vantagem mais confortável para Lula, mas a diferença foi diminuindo ao longo dos últimos meses, consolidando Flávio como o principal nome da direita na disputa nacional.

CAMPANHAS ELEITORAIS – Mas pesquisas são fotografias de um momento — e não o filme completo da eleição. A história política brasileira mostra que campanhas eleitorais são capazes de alterar percepções públicas, consolidar lideranças ou produzir reviravoltas inesperadas. O empate técnico revelado pela Quaest, portanto, é menos um prognóstico definitivo e mais um sinal de que o campo político começa a se reorganizar em torno de uma polarização que, mais uma vez, opõe lulismo e bolsonarismo.

Para Lula, o desafio central será preservar o eleitorado que o levou de volta ao Planalto e ampliar pontes com o centro político. A estratégia tradicional do petismo costuma combinar duas frentes: a defesa de resultados econômicos e sociais do governo e a tentativa de apresentar o adversário como uma ameaça institucional. Em eleições anteriores, essa narrativa funcionou para mobilizar setores progressistas e parte do eleitorado moderado.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, tenta trilhar um caminho mais complexo. Embora carregue o peso político do sobrenome e do legado do ex-presidente Jair Bolsonaro, sua campanha busca construir uma imagem menos confrontacional, capaz de dialogar com eleitores que rejeitam a radicalização política. A aposta de aliados é que ele represente uma versão mais moderada do bolsonarismo, mantendo a base conservadora mobilizada sem afastar o eleitor de centro.

MÍDIAS – No entanto, a eleição não será decidida apenas pelas identidades políticas dos candidatos. O terreno decisivo estará nas campanhas — especialmente na capacidade de cada lado de dominar três arenas fundamentais da política contemporânea: televisão, redes sociais e imprensa.

A televisão ainda mantém peso relevante na formação de opinião, sobretudo entre eleitores mais velhos e em regiões onde o acesso à internet é menos intenso. Já as redes sociais se tornaram o espaço privilegiado da disputa narrativa, onde militâncias organizadas, influenciadores e campanhas digitais tentam moldar percepções em tempo real. E os jornais — impressos e digitais — continuam desempenhando um papel importante na agenda pública, pautando debates e revelando fatos que podem influenciar o humor do eleitorado.

Outro fator determinante será a capacidade de cada candidatura de construir alianças políticas nos estados. O Brasil continua sendo um país de dimensões continentais, onde palanques regionais, governadores e lideranças locais desempenham papel decisivo na transferência de votos. Uma campanha nacional sólida exige articulação territorial — algo que historicamente tem peso nas eleições presidenciais.

CONTEXTO ECONÔMICO E SOCIAL – Também não se pode ignorar o impacto do contexto econômico e social. Inflação, emprego, renda e segurança pública costumam influenciar o humor do eleitorado de forma direta. Governos que conseguem transmitir sensação de estabilidade econômica tendem a chegar mais fortes à disputa, enquanto crises ou escândalos políticos podem alterar rapidamente o cenário eleitoral.

Nesse sentido, o empate técnico revelado pela Quaest não significa necessariamente equilíbrio definitivo. Significa, sobretudo, que a eleição entrou em uma fase de disputa aberta. Lula ainda possui a vantagem da incumbência e da visibilidade do cargo, enquanto Flávio Bolsonaro tenta capitalizar o desgaste natural de um governo em exercício e reorganizar a direita em torno de seu nome.

No fundo, a eleição presidencial que se desenha no horizonte parece repetir um padrão já conhecido da política brasileira contemporânea: uma disputa polarizada, intensa e marcada por narrativas fortes. Mas, como sempre acontece em democracias vibrantes, o resultado final dependerá menos das pesquisas de hoje e mais da capacidade de cada campanha de convencer o eleitor de amanhã.


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