domingo, janeiro 25, 2026

Qualquer “caminhada” desse tipo continuará sendo apenas bizarrice travestida de patriotismo


 * Por José Montalvão


Caro Júnior de Santinha,

Essa chamada “caminhada” soa muito mais como uma cortina de fumaça do que como um ato genuíno em defesa de qualquer causa nobre. Em vez de enfrentar de frente a bomba do Banco Master, que já começou a respingar lama nos três Poderes da República, prefere-se criar um espetáculo midiático para desviar a atenção da opinião pública e, de quebra, promover os “cabeças” do movimento como se fossem salvadores da pátria.

Anistia, do jeito que está sendo vendida, é engodo. Vai de encontro à Constituição, sobretudo quando o devido processo legal foi respeitado. Não se pode rasgar a lei ao sabor de interesses políticos ou de conveniências momentâneas. Isso não é justiça, é oportunismo.

O mais grave é a hipocrisia: nessa caminhada não se vê a mesma indignação em defesa dos milhares de pobres que apodrecem em verdadeiras masmorras, superlotadas de idosos, senhoras e doentes, todos em condições subumanas. Para esses, não há carro de som, nem holofote, nem discurso inflamado. A seletividade da compaixão denuncia a falta de compromisso real com os direitos humanos.

Os vídeos  traduzem bem o que está por trás disso tudo: comandar multidão não pensante, verdadeiro rebanho conduzido pela emoção e pela desinformação. Política séria não se faz com manipulação de massas, nem com encenação.

Enquanto não se enfrentar a raiz dos problemas — corrupção, desigualdade, injustiça social e abuso de poder — qualquer “caminhada” desse tipo continuará sendo apenas bizarrice travestida de patriotismo


 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025


Desenvolvimento não se faz com promessas vazias

 



Por José Montalvão

As eleições se aproximam. Ainda nem chegamos oficialmente ao período eleitoral, mas o que já se vê são promessas vãs de pré-candidatos, repetidas há décadas como um disco arranhado. Falam em “desenvolver o município” como se isso pudesse acontecer por um toque de mágica, por um gesto milagroso ou por um slogan bem ensaiado.

Desenvolvimento de verdade só acontece quando há geração de empregos, oportunidades para os empreendedores locais e aumento real da arrecadação. Desenvolvimento econômico precisa mudar a vida das pessoas em todas as classes sociais. Quando apenas um pequeno grupo privilegiado fica mais rico, isso não é progresso: é exploração econômica.

Ficar passivamente esperando que algum empresário resolva, por acaso, escolher seu município para se instalar é, no mínimo, uma loucura. É preciso proatividade. É necessário dialogar com o mercado todos os dias, entender com clareza as potencialidades da cidade, suas vocações, suas limitações e, principalmente, suas oportunidades. Município que não se planeja não se desenvolve.

Nesse contexto, o prefeito Tista de Deda, mesmo com toda a sua experiência, e contando com o apoio da chefe de gabinete Anabel — que traz uma bagagem relevante da administração pública por já ter atuado na Secretaria de Governo da Bahia — vem tentando implantar em Jeremoabo uma série de instrumentos fundamentais de planejamento. Não se trata de discurso bonito, mas de medidas estruturantes, que quase nunca aparecem nas campanhas eleitorais porque não rendem aplauso fácil.

Entre essas iniciativas está o Plano de Mobilidade Urbana, que busca organizar o crescimento da cidade e melhorar a circulação de pessoas e veículos, pensando no curto, médio e longo prazo. Um município sem mobilidade planejada cresce de forma caótica e paga caro por isso depois.

Outro ponto essencial é o Plano Municipal de Habitação, que estabelece estratégias para enfrentar o déficit habitacional, orientar o uso do solo urbano e estruturar políticas de financiamento e subsídio, além de fortalecer a cadeia produtiva da construção civil, gerando emprego e renda.

Há também o Plano de Regularização Fundiária, que trata da legalização de áreas ocupadas irregularmente, garantindo o direito à moradia, segurança jurídica às famílias e o cumprimento da função social da propriedade.

No campo da prevenção, o Plano Municipal de Redução de Risco busca mapear áreas sujeitas a enchentes e deslizamentos, propondo medidas estruturais e não estruturais para reduzir ou eliminar situações de perigo. Planejar antes do desastre é sempre mais barato e mais humano do que agir depois da tragédia.

O Plano Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável visa fortalecer a agricultura local, identificar demandas do homem do campo e gerar trabalho e renda no meio rural, valorizando o espaço rural como oportunidade, e não como sinônimo de abandono.

Já o Plano Municipal de Saneamento Básico e Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos trata de saúde pública, meio ambiente e qualidade de vida, com foco na redução, reutilização e reciclagem do lixo, além da destinação ambientalmente correta dos resíduos.

O Plano Municipal de Abastecimento de Água estabelece diretrizes para garantir segurança hídrica, melhorar os serviços de saneamento e assegurar melhores condições ambientais para a população.

No campo da modernização, o Plano Municipal de Gestão de Ciência, Tecnologia e Inovação busca incentivar atividades científicas e tecnológicas, promovendo desenvolvimento econômico, social e ambiental, além de melhorar os serviços públicos.

Há ainda o Plano Municipal de Contingência, voltado à prevenção e resposta a desastres naturais, como enchentes, vendavais e outros eventos extremos, organizando ações de socorro e recuperação.


E, para fechar o ciclo do planejamento responsável, o Plano Municipal de Gestão Orçamentária, Financeira e Fiscal, que fornece ferramentas para uma administração mais eficiente, transparente e alinhada à realidade fiscal do município.

Segundo o próprio prefeito Tista de Deda, implantar tudo isso tem sido difícil — mas não impossível. Com determinação, coragem e fé, e com o apoio de deputados e senadores, é possível melhorar significativamente o desenvolvimento de Jeremoabo. Talvez não se colha tudo de imediato, mas o mais importante já começou: a tentativa concreta de substituir promessas vazias por planejamento sério.

Desenvolvimento não nasce de discursos inflamados nem de promessas de campanha. Nasce de trabalho, planejamento, responsabilidade e compromisso com o futuro. Quem não entende isso continuará vendendo ilusões. Quem entende, começa a construir caminhos.

  José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025


Vorcaro nega à PF influência política em negócios, mas tem laços com centrão, PT e MDB

 

Vorcaro nega à PF influência política em negócios, mas tem laços com centrão, PT e MDB

Por Raquel Lopes/Folhapress

25/01/2026 às 07:21

Foto: Divulgação/Arquivo

Imagem de Vorcaro nega à PF influência política em negócios, mas tem laços com centrão, PT e MDB

Daniel Vorcaro

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, disse à Polícia Federal que não se valeu de influência política em seus negócios, nem utilizou relações com autoridades para obter vantagens. O banqueiro investigado, no entanto, mantém relações profundas com lideranças do centrão e chegou a contratar consultores ligados ao PT e ao MDB.

O depoimento ocorreu em 30 de dezembro do ano passado, no STF (Supremo Tribunal Federal), no inquérito sobre suspeitas de irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo banco BRB, de Brasília.

Segundo Vorcaro, os contatos que mantém com autoridades e lideranças partidárias têm caráter institucional ou se restringem ao âmbito de amizades pessoais. Ele chegou a contestar reportagens que apontavam suposta influência política em operações financeiras envolvendo o banco.

Como argumento, afirmou que sua própria situação jurídica demonstraria a inexistência de qualquer facilitação. Disse que, se tivesse recorrido a aliados políticos, a operação com o Banco BRB não teria sido negada, ele não estaria usando tornozeleira eletrônica nem teria sido preso (ele foi solto poucos dias depois).

Por meio da promoção de festas luxuosas e financiamento de eventos, Vorcaro se aproximou de figuras como o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, Antonio Rueda, presidente do União Brasil, Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, entre outros, como a Folha mostrou.

Além disso, o banco contratou como consultores pessoas capazes de expandir suas relações, como Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, e Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda de governos petistas, que marcou encontro de Vorcaro com o presidente Lula (PT).

As relações políticas envolvendo o BRB também aparecem no contexto da negociação. O ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa foi apadrinhado por anos por Ciro Nogueira. Já a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, é filiada ao PP, partido comandado pelo senador.

Tanto ela quanto o governador Ibaneis Rocha negociam o apoio político do União Brasil, de Antonio Rueda, para as eleições de 2026, Celina para o governo do DF e Ibaneis para o Senado.

Ao ser questionado pela Polícia Federal sobre quais deputados ou senadores costumavam frequentar sua residência, Vorcaro reconheceu ter amigos em todos os poderes, mas se recusou a citar nomes individualmente.

Alegou que essas relações pessoais não guardam conexão com o caso envolvendo o BRB.

"Pergunta se eu tenho alguns amigos de todos os Poderes. Não consigo nominar aqui individualmente quem frequentava a minha casa. Também não vejo qual relação com o caso", disse Vorcaro.

Ele também negou ter solicitado qualquer tipo de intervenção política, seja de ministros seja de parlamentares ou secretários de Estado, junto ao Banco Central ou ao próprio BRB, tanto para aprovar a aquisição do Banco Master quanto para viabilizar a continuidade das cessões de carteiras.

Entretanto, Vorcaro confirmou ter tido contato com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em "algumas poucas oportunidades" sobre a venda da companhia ao BRB.

"[Ibaneis] já foi à minha casa, se não me engano, uma vez. Eu já fui à casa dele, e a gente se encontrou poucas vezes. Conversas institucionais, todas na presença também de outras pessoas", completou Vorcaro sobre encontros ou conversas entre os dois entre janeiro de 2024 e novembro de 2025.

Vorcaro também declarou que nem ele nem o Banco Master realizaram doações eleitorais ou contribuições a partidos políticos ligados a autoridades do Distrito Federal entre 2022 e 2025.

Segundo ele, o banco apenas patrocinou eventos de debate institucional, nos quais poderiam estar presentes autoridades públicas, sem qualquer objetivo de favorecimento político pessoal.

Com mandados de busca e apreensão cumpridos em novembro, investigadores apuravam se houve pressão de políticos para que o BRB decidisse comprar o controle do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e carteiras de crédito falsas.

Segundo pessoas a par do inquérito, há a suspeita de que o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sabia que as carteiras de crédito consignado do Master eram falsas e, mesmo assim, tenha autorizado a compra de cerca de R$ 12,2 bilhões.

O repasse de recursos, considerado sem justificativa, teria começado antes mesmo do anúncio de compra do Master pelo BRB, em março deste ano, e prosseguido até maio. Do total, R$ 6,7 bilhões seriam contratos falsos e R$ 5,5 bilhões, prêmios (o valor que supostamente a carteira valeria, mais um bônus).

A investigação considera ser improvável que a presidência do BRB desconhecesse uma manobra classificada como grosseira. Também refuta a alegação de boa-fé pelo fato de a compra das carteiras falsas de crédito ter continuado mesmo após o anúncio de aquisição de 58% do Master.

O BC decretou a liquidação do Master em novembro. Ao justificar a decisão em nota, a autoridade monetária apontou grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações às normas que regem o sistema financeiro nacional.

Politica Livre

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