sexta-feira, dezembro 05, 2025

STF, Senado e o risco de erosão da legitimidade democrática

Publicado em 5 de dezembro de 2025 por Tribuna da Internet


COLUNA CLÁSSICA — A VOZ QUE NÃO SE CALA

 

Foto do perfil de ednagomesoficial1
Quando um senador sugere punir quem critica o Congresso, não é o povo que erra, é o poder que se esquece de ouvir. Democracia não é silêncio, é escuta. E opinião não se intimida com polícia. O Brasil precisa de instituições que acolham o que dói na sociedade, em vez de tentar silenciar quem sente. Porque representar não é calar, é reconhecer.(https://www.instagram.com/reel/DR4aZQ8jSe0/?igsh=MWk1a20wdjBtcnYycQ%3D%3D)

Nota da Redação Deste Blog -


COLUNA CLÁSSICA — A VOZ QUE NÃO SE CALA

Por José Montalvão

Há momentos na vida pública em que certas frases ecoam muito além do palco onde foram ditas. O vídeo que circula, no qual um senador insinua punir quem critica o Congresso, expõe uma verdade antiga e sempre atual: quando o poder tenta calar, não é a população que falha — é o próprio poder que esquece sua função essencial. Democracia não é silêncio. Democracia é escuta.

A crítica, por mais dura que seja, é o termômetro da República. É pela voz do povo que as instituições percebem o que dói, o que falta, o que fere. Não existe democracia madura onde opinião vira crime, onde questionamento vira afronta, onde a polícia é chamada para vigiar palavras. O Brasil precisa — e merece — instituições que acolham as angústias da sociedade, e não estruturas que tentem sufocar quem ousa sentir, falar e denunciar.

E aqui, por analogia e com personagens bem diferentes, essa reflexão cai como uma luva em Jeremoabo.

Porque em Jeremoabo, assim como no Brasil, há quem acredite que amordaçar a imprensa e intimidar vozes críticas pode impedir que a população descubra as feridas abertas pelo improbo, pelo abuso, pela injustiça. Há quem se iluda pensando que processos arbitrários, manobras jurídicas e ameaças veladas podem controlar a narrativa, esconder a podridão ou apagar os rastros dos desmandos.

Mas a história — sempre ela — ensina o contrário.

A opinião não se intimida com polícia.
A verdade não se cala com processo.
E a imprensa, quando livre, transforma-se no maior antídoto contra o medo.

O poder que tenta silenciar revela, na verdade, sua fraqueza. E o cidadão que denuncia, que escreve, que expõe, cumpre uma função nobre: garantir que ninguém coloque cadeado na consciência pública. Representar não é calar. Representar é reconhecer, é acolher, é enfrentar o que machuca a sociedade.

Por isso, em Jeremoabo, assim como no país inteiro, vale reafirmar uma máxima que parece simples, mas que alguns insistem em ignorar:

Direito tem quem direito anda.

E quem anda torto, por mais que tente esconder, um dia tropeça na própria sombra.

A voz do povo — e da imprensa que lhe serve de caixa de ressonância — continua sendo a mais poderosa sentinela da democracia. E essa voz, por mais que tentem calá-la, sempre encontra um jeito de ressurgir.

Senado prepara nova lei sobre impeachment de ministro do STF para rebater decisão de Gilmar

 

Senado prepara nova lei sobre impeachment de ministro do STF para rebater decisão de Gilmar

Por Raphael Di Cunto , Caio Spechoto , Catia Seabra e Carolina Linhares/Folhapress

05/12/2025 às 06:35

Atualizado em 05/12/2025 às 09:38

Foto: Carlos Moura/Arquivo/STF

Imagem de Senado prepara nova lei sobre impeachment de ministro do STF para rebater decisão de Gilmar

Davi Alcolumbre

O Senado prepara uma nova lei sobre crime de responsabilidade de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e outras autoridades –como o presidente da República– para rebater a decisão de Gilmar Mendes que blindou os ministros contra processos de impeachment, ao elevar o quórum para afastá-los e tornar uma prerrogativa exclusiva do procurador-geral da República (PGR) a apresentação de pedidos contra eles.

Esse projeto foi apresentado em 2023 pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), após uma minuta ser formulada por equipe liderada pelo então ministro do STF e hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. A proposta foi debatida ao longo daquele ano, mas desde agosto de 2023 está parada.

De acordo com integrantes da cúpula do Senado, a estratégia do presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) é colocar este projeto em votação ainda antes do recesso parlamentar. Ele conversou com o senador Weverton Rocha (PDT-MA), relator da proposta, para que o parecer seja apresentado em breve.

O projeto ficou parado por causa de pontos polêmicos, como impor um prazo para que o presidente da Câmara dos Deputados decida se aceita a denúncia por crime de responsabilidade contra o presidente da República. Atualmente, ele pode ficar com o processo na gaveta, sem arquivar ou aceitar a representação.

Além disso, o texto amplia o rol de autoridades sujeitas a serem processadas por crime de responsabilidade, incluindo juízes, desembargadores e integrantes do Ministério Público. Outro ponto polêmico é conferir a partidos políticos, sindicatos e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a possibilidade de apresentar denúncias contra autoridades.

Senadores dizem que a expectativa é de que o texto seja debatido na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) na próxima semana. A Folha não conseguiu contato com Rocha. A ideia é que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) apresentada pela oposição para permitir que qualquer cidadão possa solicitar o impeachment dos ministros não seja debatida, já que o plano é atualizar a lei de 1950.

Outras propostas que a oposição tenta retomar são as PECs para limitar as decisões monocráticas (individuais) no STF e para permitir que o Congresso suspenda julgamentos da corte. Porém, parte da Câmara afirma que o ideal é avançar com o projeto de lei que regulamenta este tipo de decisão dos ministros e restringe os partidos com acesso ao Supremo, aprovado esta semana pela Casa.

A reação do Congresso ocorreu após Gilmar declarar parte da Lei do Impeachment inconstitucional. Ele proibiu que cidadãos comuns peçam ao Senado o impeachment dos ministros e disse que isso é uma competência exclusiva do procurador-geral da República.

Além disso, ele aumentou o quórum para aprovar o impeachment. Pela lei, é necessário o apoio da maioria simples dos votantes. Gilmar igualou ao afastamento do presidente da República, que exige o voto favorável de dois terços do Senado –54 dos 81 senadores.

Nesta quinta, Gilmar defendeu sua decisão em evento em Brasília. "As pessoas dizem: mas por que liminar? Estou lhes dando as razões. Com tantos pedidos de impeachment, com as pessoas anunciando que farão campanhas eleitorais para obter maioria no Senado para fazer o impeachment", afirmou.

O ministro Flávio Dino o apoiou e disse que nunca houve tantos pedidos de impeachment. "Espero que esse julgamento sirva como estímulo ao Congresso Nacional para legislar sobre o assunto", disse. "Basta lembrar que o campeão é apenas um ministro: Alexandre de Moraes. Então, ou se cuida de um serial killer ou se cuida de alguém que está sendo vítima de uma espécie de perseguição, de uma chantagem".

As falas foram criticadas por congressistas. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), foi um dos poucos no Congresso a defender a decisão. Para ele, o impeachment dos ministros "não pode ser convertido em instrumento de intimidação, retaliação ou coerção política contra o Poder Judiciário" e há um plano da direita para intimidar o Supremo, ao formar maioria no Senado.

Uma ala majoritária do governo avalia que o debate sobre impeachment de ministros tira a sucessão no STF do foco e permitirá ao Palácio do Planalto realinhar sua relação com o Senado. Há, inclusive, quem defenda um gesto de solidariedade de Lula a Alcolumbre para desobstruir os canais de comunicação, interrompidos após o petista indicar Jorge Messias para a vaga no Supremo, preterindo Pacheco.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, viajará com Alcolumbre para o Amapá nesta sexta (5), para anúncio de programas federais. Aliados de Lula afirmam que a conversa com o presidente do Senado pode ocorrer já na próxima semana, antes do recesso, embora a votação para o novo ministro do STF deva ficar para 2026.

No entanto, a crítica do petista às emendas parlamentares em evento com empresários e integrantes da sociedade civil nesta quinta (4) aumentou a tensão entre os dois Poderes.

"Não concordo com as emendas impositivas. Eu acho que o fato de o Congresso Nacional sequestrar 50% do Orçamento da União é um grave erro histórico. Mas você só vai acabar com isso quando mudar as pessoas que governam e que aprovam isso", declarou o petista, durante a sexta reunião do "Conselhão".

A fala incomodou deputados e senadores da base aliada que estavam no plenário da Câmara dos Deputados para uma sessão do Congresso. Um deputado ligou para o secretário especial de Assuntos Parlamentares da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), André Ceciliano, e repassou o telefone para o presidente do Senado.

Segundo parlamentares, Alcolumbre questionou, em frente aos demais, "que sequestro" seria este, já que estava trabalhando para aprovar a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) como queria o governo e ainda atuando para ajudar os Correios, com uma mudança na meta fiscal que permite que o Executivo não tenha que cortar despesas para compensar o prejuízo maior que a estatal deve registrar em 2026.

 Politica Livre

Aliados de Davi estudam propor sabatina de ministros do STF a cada 5 anos em retaliação a Gilmar

 

Aliados de Davi estudam propor sabatina de ministros do STF a cada 5 anos em retaliação a Gilmar

Por Danielle Brant/Folhapress

05/12/2025 às 06:56

Foto: Carlos Moura/Arquivo/Agência Senado

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Plenário do Senado

Senadores aliados de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) avaliam um cardápio de medidas em resposta à decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de suspender trechos da Lei do Impeachment, incluindo a reavaliação dos ministros da corte em sabatina a cada cinco anos.

Uma das medidas foi citada pelo próprio Alcolumbre em nota na qual criticou a decisão de Gilmar de determinar que apenas o chefe da PGR (Procuradoria-Geral da República) poderia abrir processos contra magistrados do Supremo.

Ele lembrou projeto do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que defendia para o STF para a vaga de Luís Roberto Barroso, que prevê um novo marco legal de crimes de responsabilidade. A ideia seria votar esse texto na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado já na próxima semana.

Além desse ponto, aliados do presidente do Senado avaliam outras medidas, como o aumento do número de ministros dos atuais 11 para 15, estabelecimento de mandato e reavaliação por meio de sabatina de cinco em cinco anos.

Uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que restringe decisões monocráticas do STF, já aprovada no Senado e que está na Câmara, é outra das medidas que devem ser destravadas em meio à irritação de senadores com a decisão de Gilmar.

Politica Livre

Ministros do STF se enfurecem com Messias e veem traição em manifestação contra Gilmar

 

Ministros do STF se enfurecem com Messias e veem traição em manifestação contra Gilmar

Por Guilherme Seto/Folhapress

05/12/2025 às 07:24

Foto: Arquivo Agência Brasil

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Jorge Messias

Em conversas nesta quinta-feira (4), ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) adotaram tom de indignação ao comentar a manifestação apresentada pela Advocacia-Geral da União, comandada por Jorge Messias, que pediu que Gilmar Mendes reconsiderasse sua decisão que ajuda a blindar integrantes da corte contra a abertura de processos de impeachment.

Gilmar rejeitou o pleito da AGU também nesta quinta-feira.

A interlocutores, ministros próximos a Gilmar avaliaram a postura de Messias como uma traição contra aquele que era o seu principal articulador entre os magistrados na busca por uma vaga.

Agora, afirmam, o escolhido do presidente Lula (PT) deverá ter ainda mais dificuldade em conseguir apoio para sua candidatura no Senado, onde há parlamentares muito próximos dos magistrados.

Ministros afirmaram nessas conversas que, em suas avaliações, Messias tentou se aproveitar do atrito entre o Senado e Gilmar para ganhar o apoio de senadores em sua campanha para conseguir aprovação para sua indicação.

Ignorou, no entanto, o desgaste que isso geraria para o ministro, que vinha trabalhando insistentemente para vencer a resistência de colegas como Alexandre de Moraes e Flávio Dino ao seu nome.

Moraes apoiava o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que era o preferido também do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). Dino, por sua vez, desentendeu-se com Messias quando ambos faziam parte do governo petista.

A cronologia do processo também foi destacada nas conversas pelos ministros, que ressaltaram que Gilmar pediu manifestação da AGU no processo em 30 de setembro e a resposta foi apresentada somente agora, em meio à campanha de Messias para uma vaga no STF.

Em sua decisão, Gilmar afirma que apenas o chefe da PGR (Procuradoria-Geral da República), atualmente a cargo de Paulo Gonet, pode apresentar denúncia para abertura de impeachment contra magistrados do Supremo.

A reação no Senado foi imediata. Em nota, o presidente do Senado, Alcolumbre cobrou respeito do tribunal e falou em mudar a Constituição para defender as prerrogativas do Senado se preciso.

Na manifestação rejeitada por Gilmar, a AGU pediu que a decisão tivesse seus efeitos suspensos até o julgamento em definitivo pelo plenário do STF.

Politica Livre

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