quinta-feira, abril 24, 2025

Cidades pequenas gastam mais de R$ 1 mi por ano com salários de membros do Executivo

 Foto: Divulgação/Prefeitura Cedro do Abaeté no Facebook

Cidade de Cedro do Abaeté, em Minas Gerais, que tem 1.091 moradores24 de abril de 2025 | 13:08

Cidades pequenas gastam mais de R$ 1 mi por ano com salários de membros do Executivo

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Cidades com menos de 3.000 habitantes espalhadas pelo interior do Brasil estão avançando na criação de cargos comissionados e chegam a ter estrutura de governo semelhante à de cidades maiores, ainda que dependam majoritariamente de recursos externos para sobreviver. As cidades ainda patinam na implementação de políticas de primeira necessidade, como saneamento básico.

Cedro do Abaeté (MG) tem 1.091 moradores e nove secretarias —1 para cada 121 habitantes. A renda média de seus trabalhadores formais fica na casa de 1,7 salário mínimo.

Os salários do prefeito José Filho (MDB), do vice, Helder Andrade (MDB), dos nove secretários e do chefe de gabinete custam R$ 860 mil ao ano, cifra que supera em mais de R$ 100 mil a arrecadação prevista para 2025 em impostos e taxas municipais (R$ 758 mil), segundo a Lei Orçamentária Anual (LOA).

Cenário semelhante vive Cachoeira de Goiás (GO), com 1.419 habitantes. Com 13º salário, vencimentos de agentes políticos somam quase R$ 1,1 milhão por ano —quase toda a arrecadação própria de 2024 (R$ 1,3 milhão).

A cidade goiana não oferece água tratada a todos e chegou a ser condenada no ano passado a garantir o fornecimento e a construir um sistema de esgoto.

Também sofre com saneamento Lajeado Grande (SC), 1.771 habitantes, que em 2023 criou um programa de incentivo a sistemas individuais de tratamento de esgoto.

Com 13º salário, prefeito, vice, seis secretários e uma assessora custam R$ 865 mil. O município prevê arrecadar R$ 1,2 milhão em impostos e taxas municipais neste ano.

Salários ainda mais altos são pagos ao gabinete de Santo Afonso (MT), com 2.460 habitantes estimados para 2024 e cuja rede de esgoto só estava ligada a 6% dos domicílios em 2022. O custo anual dos vencimentos do prefeito, do vice, dos secretários e do chefe de gabinete somam R$ 973 mil, superando os R$ 882 mil destinados ao saneamento segundo a LOA.

Em Amparo de São Francisco (SE), 61% da água produzida pelo sistema de captação é perdida. A cidade tem água para todos, mas não há rede de esgoto. Com 2.206 habitantes, o município gasta R$ 1,2 milhão anuais com salários de agentes políticos, enquanto a LOA prevê R$ 2 milhões em receita própria de impostos a 2025.

Apesar das diferenças socioeconômicas, é um organograma que difere pouco do que possui Botucatu (SP), cidade mais eficiente do Brasil segundo ranking da Folha que analisou aquelas que entregam mais iniciativas com menos recursos.

Com 150 mil habitantes, Botucatu gasta R$ 4,43 milhões anuais com 16 secretarias, prefeito, vice, assessor e secretário do prefeito –ou 2,63% dos R$ 168,3 milhões arrecadados em tributos e taxas municipais.

Um decreto-lei de 1969 condicionava a existência de secretarias a cidades paulistas com mais de 150 mil habitantes. A chamada Lei Orgânica dos Municípios de São Paulo deixou de ser cumprida com a Constituição, que deu ampla autonomia a municípios –a legislação estadual acabou revogada em definitivo em 2006.

Professor assistente de direito administrativo na PUC-SP, o advogado José Jerônimo Nogueira de Lima diz que é hora de o país retomar uma legislação do gênero —mas isso depende de emenda constitucional.

“O que temos hoje não se paga. São milhares de cidades, com formas distintas de gestão. É muito pulverizado, você não consegue racionalizar políticas e investimentos”, afirma. “É uma autonomia descontrolada”.

Mudanças devem ser feitas, diz, o que depende também de uma pauta suprapartidária.

“Você precisa de vontade política. Os prefeitos garantem votos aos deputados e aos senadores, que têm seus redutos eleitorais, o que dificulta qualquer debate sobre o tema.”

“Mexer nisso é mexer num vespeiro”, diz o advogado Gustavo Marinho, especialista em direito administrativo e financeiro pela Universidad de Salamanca, na Espanha e sócio do escritório Warde.

Para ele, uma reforma poderia incluir governanças conjuntas em municípios de pequeno porte. “Aí justificaria você ter salários um pouco maiores.”

Em nota, Cedro do Abaeté afirma que “os atuais valores dos vencimentos foram estabelecidos pela administração passada, que aprovou reajuste significativo a todos os cargos no Executivo, e não temos poder de decisão sobre isso, uma vez que valores foram fixados previamente”.

Já Lageado Grande disse que “os salários dos agentes políticos seguem parâmetros estabelecidos pela legislação, sendo fixados por lei municipal aprovada pelo Poder Legislativo, em conformidade com diretrizes constitucionais”.

Sobre o assessor de gabinete, disse que “o cargo tem especificações detalhadas e exige qualificações técnicas ao seu provimento, garantindo que suas atribuições sejam desempenhadas eficientemente”.

A gestão acrescenta que “tem se dedicado continuamente ao aprimoramento da gestão dos recursos, promovendo melhorias significativas para a população”.

A Folha procurou os demais municípios mencionados, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

André Fleury Moraes, FolhapressPoliticaLivre

Força Sindical sai em defesa de sindicato alvo de operação da PF

Foto: Divulgação/Arquivo
O Sindnapi tem como diretor vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico, um dos irmãos do presidente Lula (PT)24 de abril de 2025 | 14:32

Força Sindical sai em defesa de sindicato alvo de operação da PF

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A Força Sindical manifestou “total apoio” ao Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), ligado à central, que está na lista de associações na mira da Polícia Federal por realizarem descontos não autorizados em aposentadorias e pensões.

“Desde a deflagração da Operação Sem Desconto o Sindnapi tem sido citado pela imprensa como um dos alvos da investigação conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). No entanto, conforme esclarecido em nota oficial, o Sindicato não cometeu qualquer fraude ou ato ilegal, tampouco recebeu mandado ou notificação relacionada a investigações”, diz a nota da Força Sindical.

“Mais do que isso, reafirmando seu compromisso com a defesa dos direitos dos aposentados e pensionistas, o Sindnapi declarou apoio à Operação Sem Desconto”, prossegue a nota, assinada pelo presidente da Força Sindical, Miguel Torres.

O Sindnapi tem como diretor vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico, um dos irmãos do presidente Lula (PT). Frei Chico não é citado na operação, ao contrário do presidente do Sindnapi, Milton Baptista de Souza Filho.

De acordo com a Força Sindical, o Sindnapi é “alvo de atenção” por ser o mais antigo e mais representativo dos aposentados, pensionistas e idosos.

Fabio Zanini, Folhapress

PoliticaLivre 

Em tom mais moderado, novo PL propõe anistia proporcional a condenados pelos atos de 8 de janeiro

 Foto: Divulgação/Arquivo

Deputado federal Fausto Pinato (PP-SP)24 de abril de 2025 | 14:57

Em tom mais moderado, novo PL propõe anistia proporcional a condenados pelos atos de 8 de janeiro

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Um novo projeto de lei entrou no radar da Câmara dos Deputados nas discussões sobre a anistia das pessoas condenadas por envolvimento nos atos antidemocráticos do 8 de janeiro de 2023, que terminou com destruição dos prédios dos três poderes. A proposta é do deputado federal Fausto Pinato (PP-SP), através do PL 1815/2025, apresentado nesta quarta-feira (23), que propõe a concessão de anistia proporcional aos condenados naqueles atos.

“Passados os acontecimentos, é importante reconhecer que muitos cidadãos foram induzidos ao erro por lideranças políticas influenciadoras que, em muitos casos, não assumiram responsabilidade”, afirma Pinato na justificativa do projeto, ao qual o Política Livre teve acesso. Ele também aponta o papel das fake news e da ausência de regulação eficaz da internet como fatores que contribuíram para o envolvimento de pessoas que “não compreendiam a real gravidade de suas ações”.

A proposta estabelece uma graduação para a aplicação da anistia, dividindo os envolvidos em cinco categorias. Os que participaram de forma pacífica, sem atos de violência ou depredação, terão suas penas perdoadas integralmente. Já os que causaram danos leves ao patrimônio receberão redução de 75% na pena, enquanto os responsáveis por prejuízos significativos ao patrimônio público terão redução de 50%.

Para os que agrediram pessoas, como agentes públicos ou terceiros, a proposta prevê uma redução de 25%. Contudo, “não serão concedidos os benefícios da anistia aos indivíduos identificados como organizadores, financiadores ou líderes dos atos que culminaram em violência ou depredação”, diz o projeto.

A nova matéria surge enquanto os deputados discutem acelerar a votação de um PL anterior, o 2858/2022, cujo texto concede anistia mais ampla, sem categorizar a gradação das penas. No último dia 14, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Casa, protocolou o pedido de urgência após ter coletado 262 assinaturas favoráveis – o Regimento Interno da Casa requer 257.

Fausto Pinato afirma que sua iniciativa é ancorada nas prerrogativas da Constituição Federal e “trata-se de meio legítimo de conciliação política e social, quando pautado em critérios objetivos, como os que ora propomos”.

Ele rechaça, todavia, que a iniciativa tenha qualquer tentativa de apagar a memória do episódio, mas defende uma resposta mais ponderada.

“Não se pretende apagar a memória do episódio lastimável, mas sim permitir que o Estado exerça seu poder punitivo de forma racional, ponderada e compatível com os princípios constitucionais”, completa.

VEJA A GRADUAÇÃO DE ANISTIA PROPOSTA PELO PROJETO:

I – Participação Pacífica: Indivíduos que participaram das manifestações sem envolvimento em atos de violência ou depredação do patrimônio público terão suas penas perdoadas integralmente.

II – Danos Leves ao Patrimônio: Aqueles que cometeram danos materiais de pequena monta, sem prejuízo significativo ao erário, terão redução de 75% (setenta e cinco por cento) de suas penas.

III – Danos Significativos ao Patrimônio: Indivíduos responsáveis por depredações que resultaram em prejuízos consideráveis ao patrimônio público, terão redução de 50% (cinquenta por cento) de suas penas.

IV – Agressão a Pessoas: Participantes que cometeram agressões físicas contra agentes públicos ou terceiros terão redução de 25% (vinte e cinco por cento) de suas penas.

V – Liderança e Organização: Não serão concedidos os benefícios da anistia aos indivíduos identificados como organizadores, financiadores ou líderes dos atos que culminaram em violência ou depredação.

Política Livre

PF diz ter prova de corrupção e venda de decisões e pede ação contra desembargadores de MS

 Foto: Divulgação/Polícia Federal

Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 3 milhões em espécie na casa de desembargador aposentado do TJ-MS24 de abril de 2025 | 14:03

PF diz ter prova de corrupção e venda de decisões e pede ação contra desembargadores de MS

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A Polícia Federal afirma ter encontrado provas de corrupção e pediu a imediata abertura de uma ação penal pela PGR (Procuradoria-Geral da República) contra cinco desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) da ativa e outros dois aposentados.

A informação consta de relatório apresentado ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin.

De acordo com a PF, os desembargadores participaram de um esquema de venda de decisões judiciais no TJ-MS. O delegado do caso afirma que deixou de formalizar o indiciamento dos magistrados em razão do entendimento do Supremo de que o ato é incabível em caso de investigação vinculada a pessoas com foro especial.

Segundo o relatório, os desembargadores Alexandre Aguiar Bastos, Marcos José de Brito Rodrigues, Sideni Soncini Pimentel, Vladimir Abreu da Silva e Sergio Fernandes Martins cometeram crimes de corrupção com a venda de decisões judiciais, assim como os desembargadores aposentados Julio Roberto Siqueira Cardoso e Divoncir Schreiner Maran.

Na última terça-feira (22), Zanin manteve o afastamento de Bastos, Rodrigues, Sideni e Vladimir do tribunal.

O conselheiro afastado do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul Osmar Domingues Jeronymo foi apontado pela PF como suspeito de participar de uma organização criminosa que comprou decisões, falsificou a escritura de uma fazenda e praticou extorsões.

O advogado Felix Jayme da Cunha, que é considerado o operador do esquema, foi caracterizado como suspeito pelas mesmas suspeitas de crimes que recaem sobre o conselheiro afastado.

Os magistrados e demais investigados foram alvo da operação Ultima Ratio em outubro do ano passado, que investigou os crimes de corrupção em vendas de decisões judiciais, lavagem de dinheiro, organização criminosa, extorsão e falsificação de escrituras públicas no Poder Judiciário.

Segundo a investigação, as quebras de sigilo de comunicações que fundamentaram a operação apontaram que as negociações sob suspeitas aconteciam por meio dos filhos dos desembargadores afastados.

Esses filhos são, na maioria, advogados que, segundo a PF, usariam seus escritórios para burlar mecanismos de rastreamento do fluxo de dinheiro.

Em domicílio do desembargador aposentado Julio Cardoso, um dos alvos da operação, foram apreendidos aproximadamente R$ 3 milhões em espécie pela Polícia Federal.

Procurado, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul ainda não se manifestou. O advogado do desembargador Sideni Soncini Pimentel, Pierpaolo Cruz Bottini, disse em nota que seu cliente “nunca atuou em casos em que seus filhos fossem advogados”.

“Todas as suas decisões foram fundamentadas, jamais recebeu qualquer vantagem de vida no exercício da jurisdição. A defesa apresentou um extenso parecer técnico contábil no qual aponta a origem de todas as receitas do desembargador, todas explicadas e lícitas. O desembargador prestou depoimento na Polícia Federal e esclareceu todos os fatos, não havendo motivo para continuidade de seu afastamento”, afirma.

Felipe Carvalho, advogado de Sérgio Martins, classificou a afirmação da Polícia Federal de estapafúrdia e negou a prática de qualquer ato de corrupção por seu cliente.

“Não há apontamento de uma única conversa não republicana com qualquer pessoa. Não há indicação de recebimento de valores por parte do Desembargador que não aqueles derivados de sua remuneração do TJMS. Não há sequer anotação pelo Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras] de qualquer movimentação financeira atípica por parte do Desembargador Sérgio Martins”, afirmou.

As defesas dos demais investigados não foram localizadas.

O relatório da PF fundamentou a decisão de Zanin de manter os afastamentos dos desembargadores.

O inquérito foi enviado ao Supremo a pedido da PGR, por ser relacionado a suspeitas que envolvem o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, citado em investigações que envolvem gabinetes do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Neste relatório sobre o TJ-MS, porém, a PF não pede para processá-lo.

Após a deflagração da operação, no ano passado, o TJ afirmou que os investigados teriam “todo o direito de defesa” e que os fatos estavam sob investigação, “não havendo qualquer juízo de culpa definitivo”.

José Marques, Folhapress

Com piora clínica e em exames, Bolsonaro segue sem alimentação oral


Um homem está sentado em uma cama de hospital, usando uma camisa de hospital e com um monitor ao fundo. Ele tem um acesso venoso no braço e está segurando um dispositivo. Uma mulher está ao lado dele, segurando papéis e usando uma máscara. O ambiente é bem iluminado e decorado com plantas.

Bolsonaro ficou nervoso ao receber intimação de Moraes

Mariana Brasil
Folha

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou piora em seu quadro, segundo a equipe médica que o acompanha, e permanece internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) sem previsão de alta.

“Apresentou piora clínica, elevação da pressão arterial e piora dos exames laboratoriais hepáticos. Será submetido hoje a novos exames de imagem”, diz boletim divulgado nesta quinta-feira (24).

EM JEJUM ORAL – Ainda de acordo com os médicos, Bolsonaro segue em jejum oral e com nutrição parenteral exclusiva. Segue com a fisioterapia motora e as medidas de prevenção de trombose venosa. Persiste a recomendação de não receber visitas e não há previsão de alta da UTI.

Nesta semana, Bolsonaro deu uma entrevista na segunda (21) por vídeo ao SBT Brasil, da cama de seu quarto de UTI, e na terça-feira (22) participou de live em que conversou com Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, seus filhos. O ex-piloto Nelson Piquet também participou, e o ex-presidente relatou a previsão de ter alta na próxima segunda-feira (28).

Depois da live, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, uma oficial de Justiça entrou no quarto de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital nesta quarta-feira (23) para intimar Bolsonaro sobre o início do processo penal em que é acusado de tentativa de golpe de Estado em 2022.

“DATA ADEQUADA” – O STF (Supremo Tribunal Federal) informou, em nota, que esperava uma “data adequada” para que a intimação pessoal fosse feita a Bolsonaro —internado desde o último dia 11 e submetido a cirurgia no intestino.

A oficial de Justiça chegou ao hospital por volta das 10h30, segundo pessoas próximas de Bolsonaro informaram à Folha. Ela entrou no quarto de UTI às 12h45, entregou os documentos e coletou a assinatura do ex-presidente. Bolsonaro ficou nervoso e alteou a voz, reclamando.

Mais tarde, Bolsonaro divulgou vídeo que mostra a entrada da oficial da Justiça, com quem falou por cerca de 11 minutos. “Ele acha que me prendendo ou me tirando da vida pública, acabou. Está tudo resolvido a questão do Brasil aqui. E não é assim”, disse, referindo-se ao ministro Alexandre de Moraes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Bolsonaro está pagando caro pela falta de cuidados com as consequências da facada. Desde a segunda operação, tinha de levar uma vida regrada em termos de alimentação e hábitos, evitando forçar o abdômen, por causa da tela implantada. Há duas semanas, permitiu ser carregado nos ombros de admiradores. E o resultado é a dificuldade na recuperação. Como pretende ser presidente da República de novo, nessa situação? Ele e Lula são dois insensatos. (C.N.)

Moraes dá novo vexame jurídico e manda prender o megatraficante búlgaro


A PRETEXTO DE COMBATER A "EXTREMA DIREITA" , MORAES INVENTA A "DEMOCRACIA DEFENSIVA" - Cariri é Isso

Charge do Schmock (Revista Oeste)

Carlos Newton

O ministro Alexandre de Moraes deu mais um vexame jurídico no Supremo Tribunal Federal. Não mais que de repente, como diria Vinicius de Moraes, nesta quarta-feira (dia 23) ele viu-se obrigado a determinar novamente a prisão preventiva do megatraficante búlgaro, cujo processo de extradição pedido pela Espanha tinha sido suspenso pelo próprio Moraes.

Na ânsia de retaliar a Suprema Corte espanhola, que negara extradição do blogueiro Oswaldo Eustáquio, por se tratar de “perseguido político”, na semana passada Moraes nem raciocinou sobre a estultice que estava fazendo e, além de suspender o processo, cedeu prisão domiciliar ao búlgaro, que na Espanha negociava 52 quilos de cocaína, que valem cerca de 80 milhões de dólares no mercado do pó.

PIADA DO ANO – Além de soltar o traficante, Moraes deu prazo de cinco dias para a embaixadora da Espanha explicar por que a Suprema Corte de seu país não aceitou a forçada reciprocidade, tipo “eu extradito um e você também extradita o outro”.

A repercussão foi a pior possível e o destrambelhado Moraes teve de recuar, porque cometera um gravíssimo erro jurídico, no estilo Piada do Ano. O ministro brasileiro mostrou desconhecer a regra jurídica de que  jamais poderia ter oferecido prisão domiciliar a quem não tem domicílio no país…

Assim, Moraes teve de recuar de sua suprema mancada, mas ficará pela metade, porque não pedirá desculpas à embaixadora Maria del Mar Fernández-Palacios.

DISSE MORAES – “Considerando a inexistência de endereço fixo no Brasil que possibilite a prisão domiciliar, mantenho a prisão de Vasil Georgiev Vasilev, na unidade prisional Ricardo Brandão de Ponta Porã/MS, até a chegada das informações solicitadas ao governo da Espanha’, diz a decisão.

De acordo com o governo espanhol, o búlgaro cometeu o crime de tráfico de drogas em Barcelona, em 2022. Em 15 de abril, Moraes decidiu suspender um pedido de extradição do governo da Espanha, depois de a Espanha negar a extradição do jornalista brasileiro Oswaldo Eustáquio, com o argumento de que o governo do Brasil tem “motivação política” para o pedido.

Moraes argumentou que sua decisão foi tomada tendo em vista a exigência de “reciprocidade” prevista na Lei de Imigração. Eustáquio tem dois mandados de prisão preventiva no Brasil por determinação do STF, a propósito de ameaça, corrupção de menores e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Ele está foragido há mais de dois anos.

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P.S. –
 A pergunta que não quer calar: Quem vai parar Moraes? – indaga o genial chargista Leandro Spett, o Schmock (C.N.)


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