quinta-feira, fevereiro 16, 2023

Ministros do Supremo consideram que há provas de crimes de militares no golpismo

Publicado em 16 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Dispensado na véspera da invasão do Planalto, Batalhão da Guarda  Presidencial tem, na prática, duplo comando

Batalhão da Guarda Presidencial teria mostrado conivência 

Guilherme Amado
Metrópoles

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão convencidos de que há provas suficientes sobre crimes cometidos por militares — de diferentes patentes — no 8 de janeiro. E esses crimes teriam sido cometidos, na visão de alguns ministros, em dois momentos.

Em um primeiro momento, ao proibir a Polícia Militar do Distrito Federal de desmontar o acampamento golpista, militares de patentes mais altas teriam permitido que o espaço servisse para a formação de uma célula terrorista, onde foram planejados e de onde partiram os ataques aos Três Poderes naquele domingo.

NOVA PROIBIÇÃO – Conforme revelou a coluna, essa proibição ocorreu também na noite do 8 de janeiro, por parte do Comando Militar do Planalto (general Gustavo Dutra de Menezes) e do Comando do Exército (general Júlio Arruda). Os dois afirmaram ao interventor Ricardo Cappelli que não permitiriam a remoção.

O comandante do Exército chegou a dizer para o então comandante da Polícia Militar, coronel Fábio Augusto Vieira, que a tropa sob seu comando era maior do que a da PMDF.

Em depoimento após ser preso, o coronel Jorge Eduardo Naime, que era o comandante de Operações da PMDF, afirmou que também havia sido proibido de desmontar o acampamento em dezembro, ainda no governo Bolsonaro, quando o Exército era comandado por Marco Antônio Freire Gomes.

CONJUNTO DE PROVAS – Nesse rol de possíveis crimes, os ministros veem um conjunto de provas, formado pelos depoimentos já prestados e outros que ainda deverão ocorrer.

Já nos ataques propriamente ditos, a comprovação de conivência e omissão proposital está dada pelos vídeos, que mostram a Guarda Presidencial do Palácio do Planalto, formada por militares do Exército, não fazendo nada e deixando o palácio ser destruído.

Diversas imagens, algumas publicadas pela coluna, e relatos de servidores do Planalto, como este, também entrevistado pela coluna, mostram que os militares da Guarda Presidencial queriam deixar os golpistas saírem do palácio sem ser presos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Uma coisa é admitir que houve crimes de militares, fato que está fora de dúvida. Outra coisa, muito diferente, é punir os militares. O processo e o julgamento têm de ser feitos pela Justiça Miiltar, cabendo recurso ao Supremo somente em caso de inconstitucionalidade da decisão. E nesses casos, quase sempre o corporativismo fala mais alto. (C.N.)


Fux será relator de ação para proibir Forças Armadas como ‘Poder Moderador’




O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), será o relator da ação movida pelo PSOL para tornar inconstitucionais as interpretações golpistas do artigo 142 da Constituição.

O processo foi distribuído ao gabinete de Fux nesta quarta-feira, 15, por prevenção – quando uma ação ou investigação anterior dá preferência ao ministro para relatar o caso. Ele já é responsável por uma ação em que o PDT pede para o tribunal definir os limites de atuação das Forças Armadas.

O artigo 142 é sistematicamente usado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para pregar uma intervenção militar.

O PSOL pede que o STF proíba o uso do texto para defender a atuação das Forças Armadas como ‘Poder Moderador’, com competência para arbitrar conflitos entre os Poderes, ou para pregar um golpe de Estado.

O partido também tenta pressionar deputados e senadores bolsonaristas. A ação pede que o STF reconheça que a imunidade parlamentar não vale para quem incentivar interpretações que venham a ser declaradas inconstitucionais.

“O que se objetiva é efetivamente impedir que, a pretexto de se interpretar o art. 142 da CF, pratiquem-se atos golpistas concretos por parte da sociedade civil e por meio de discursos de autoridades públicas, inclusive parlamentares”, afirma o PSOL.

O artigo 142 estabelece que as Forças Armadas devem defender a pátria e garantir o exercício dos poderes constitucionais, a lei e a ordem.

Estadão / Dinheiro Rural

Como uma vacina de 100 anos é usada agora contra câncer e doenças autoimunes



Em março de 2020, enquanto o Reino Unido se preparava para entrar em lockdown, dois novos testes foram incluídos no clinicaltrials.gov, o maior registro de ensaios clínicos do mundo, mantido pelo Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.

Por Steven Smith*, The Conversation

Os pesquisadores propuseram que a BCG, uma antiga vacina contra a tuberculose, fosse testada para verificar seu efeito protetor contra a covid-19.

Mas, como as vacinas costumam ativar reações imunológicas muito específicas contra suas doenças-alvo, por que esses cientistas acreditavam que a BCG pudesse ter efeito contra este patógeno tão profundamente diferente?

Na verdade, quase desde o seu primeiro uso contra a tuberculose, há pouco mais de 100 anos, sabe-se que a BCG tem “efeitos protetores não específicos”. Em outras palavras, ela pode prevenir outras doenças, além da tuberculose.

A BCG foi desenvolvida na França por dois médicos, Albert Calmette e Camille Guérin – daí vem seu nome: Bacilo Calmette-Guérin.

Entre 1908 e 1921, Calmette e Guérin cultivaram repetidas vezes, sobre fatias de batata, o organismo responsável pela tuberculose em bovinos, até que sua versão mais atenuada não mais causasse a doença nos animais. E a BCG também protegeu aqueles mesmos animais, quando foram inoculados posteriormente com a versão humana do micro-organismo, a Mycobacterium tuberculosis.

Em poucos anos, a BCG estava sendo injetada em crianças, oferecendo altos níveis de proteção contra a tuberculose, com poucos efeitos colaterais.

Em 1931, Calmette sugeriu que a BCG também poderia evitar a morte por outras doenças infecciosas, além da tuberculose. Esta observação foi sustentada, em parte, por dados de estudos realizados na Suécia.

Uma nova análise dos dados suecos concluiu recentemente que, embora houvesse um elemento de “viés vacinal saudável” em alguns daqueles dados (ou seja, pessoas com melhores condições de saúde têm maior probabilidade de serem vacinadas), os resultados realmente sustentavam um efeito protetor não específico da BCG.

Observações e testes posteriores também relataram efeitos protetores não específicos da BCG contra infecções pulmonares não relacionadas à tuberculose.

O motivo da capacidade da BCG de induzir um estado geral de prontidão no sistema imunológico – um fenômeno conhecido como “imunidade treinada” – é a sua identidade como micro-organismo vivo com uma parede celular externa complexa.

Certos componentes dessa parede celular são detectados pelos elementos mais antigos (em termos evolutivos) do sistema imunológico, também chamados de reação inata. Esta interação programa as células imunológicas inatas a reagir com maior eficácia a qualquer micro-organismo que elas encontrarem.

Vacina contra o câncer

Os efeitos benéficos da BCG não se restringem às doenças infecciosas. A administração de bactérias vivas ou mortas como tratamento contra o câncer foi descoberta no século 19.

Os efeitos específicos das micobactérias contra o câncer foram observados no início do século 20. A descoberta levou ao estabelecimento da BCG administrada diretamente à bexiga como tratamento contra câncer de bexiga invasivo não muscular – que ocorre quando as células cancerosas encontram-se apenas na superfície interna da bexiga. A vacina é o tratamento padrão para este tipo de câncer até hoje.

Já os testes de imunoterapia com BCG contra outros tipos de câncer forneceram resultados contraditórios. Alguns estudos relataram ausência de efeito contra malignidades em geral, enquanto outros sugeriram efeito contra a leucemia infantil ou até um dramático efeito de longo prazo contra câncer do pulmão.

Sua injeção direta em lesões de melanoma revelou resultados positivos. Já a administração de BCG pelo método de injeção padrão no braço é menos convincente no tratamento de melanoma.

Para destruir com sucesso as células cancerosas, o sistema imunológico desenvolve muitas armas que também são eficazes contra vírus e bactérias que gostam de viver dentro das nossas células. E o efeito de imunidade treinada fornecido pela BCG ativa essas mesmas armas, direta ou indiretamente.

Em outras palavras, a BCG é “imunoestimulante”.

Por isso, pode causar surpresa a descoberta de que alguns dos efeitos protetores não específicos da BCG funcionam contra doenças nas quais o sistema imunológico é superativo ou combate os alvos errados — como por exemplo nas condições autoimunes esclerose múltipla e diabetes tipo 1. Nestas condições autoimunes, a BCG tem um efeito oposto e benéfico, atenuando a imunidade.

Estudos demonstraram que a BCG pode reduzir e evitar danos ao sistema nervoso causados pela imunidade em casos de esclerose múltipla. E pode também combater células imunológicas descontroladas que atacam a produção de insulina no pâncreas de pacientes diabéticos.

Na esclerose múltipla e na diabetes tipo 1, os cientistas acreditam que a capacidade da BCG de reprogramar o metabolismo nas células e aumentar o número de células T especiais que reduzem a imunidade tem papel importante.

E contra a covid-19?

O que aconteceu com a vacinação contra a covid com a BCG? Também aqui, o panorama é contraditório.

Uma meta-análise recente — estudo que combina e analisa dados de diversas pesquisas — não conseguiu encontrar um efeito protetor geral. Mas testes individuais tiveram algum sucesso.

Houve, por exemplo, redução do risco de covid-19 seis meses após a vacinação. Ou, mais surpreendentemente, observou-se eficácia de 92% em adultos com diabetes tipo 1 duradoura que receberam BCG para a prevenção da covid.

A tendência de variação da proteção fornecida pela BCG é conhecida há algum tempo, tanto para seu “trabalho diário” como vacina contra a tuberculose, quanto para seus efeitos protetores não específicos. Foram propostas diversas razões para esta variabilidade.

A exposição anterior a outros micro-organismos, como bactérias da mesma família da BCG, ou a vermes parasitas pode fazer com que o sistema imunológico reaja de forma errônea à BCG. E diferenças genéticas entre os pacientes também podem gerar reações imunológicas menos eficientes à vacina.

No futuro, quando entendermos melhor o ambiente que permite que a BCG forneça seus efeitos específicos e não específicos de forma mais consistente, certamente poderemos fazer uso mais eficaz desta vacina — a mais versátil de todas.

*Steven Smith é professor de ciências biomédicas da Universidade Brunel de Londres. 

BBC Brasil

O que Centrão quer para apoiar governo Lula




Planalto avalia manter indicações políticas nomeadas por Bolsonaro em busca de votos no Congresso

Por Mariana Schreiber, em Brasília

Mudou o presidente, mas centenas de cargos na administração federal tendem a permanecer nas mãos de indicados do chamado Centrão — grupo de partidos de centro-direita que costumam apoiar diferentes governos em troca de verbas e espaço na máquina pública.

Os órgãos mais desejados são aqueles com grande orçamento e capilaridade no território nacional, ou seja, com verba e alcance para impactar realidades locais e gerar mais dividendos políticos.

É o caso, por exemplo, da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) ou das superintendências do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Amazônia (Sudam).

Conseguir que aliados ocupem cargos nesses órgãos permite a políticos ampliar sua influência em suas bases eleitorais, o que tende a se transformar em mais força política nas eleições seguintes.

No momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não tem uma base de apoio sólida no Congresso para garantir a aprovação de matérias do seu interesse, até porque siglas de centro-esquerda são minoria no Parlamento.

Por isso, sua gestão está aberta a negociar esses cargos até mesmo com integrantes de partidos que eram da base do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e hoje se colocam como independentes, como Republicanos e PP. A ideia é conseguir ao menos parte dos votos dessas siglas no Congresso.

Além disso, partidos grandes da centro-direita que receberam o comando de alguns ministérios, como MDB, PSD e União Brasil, mas que não estão integralmente fechados com o Palácio do Planalto, também desejam mais espaço no governo.

E, claro, na disputa por esses cargos, também estão os partidos mais próximos a Lula, como o próprio PT.

Essas nomeações, porém, seguem ainda em ritmo lento, enquanto intensas negociações acontecem nos bastidores.

“Tem deputados reclamando. Por que estão disponíveis, querendo ajudar (o governo), mas nada ainda”, disse um deputado do PP à BBC News Brasil.

“A desconfiança que nós estamos é que os líderes (dos partidos no Congresso), o presidente da Câmara (Arthur Lira, do PP de Alagoas) vão tentar segurar na mão deles essa interlocução por cargos”, afirmou ainda.

'Presidente do União Brasil, o deputado Luciano Bivar cobra cargos abertamente'

Segundo este parlamentar, mesmo o senador Ciro Nogueira, presidente do PP e ex-ministro de Bolsonaro, dizendo que o partido deve ficar na oposição, parte da sigla pretende apoiar o novo governo. No entanto, ressaltou, esses deputados podem inicialmente votar contra o Planalto.

“O que vai acontecer na prática: uns quatro ou cinco deputados do PP vão votar contra. Por que, se a gente vota a favor, os caras vão inverter a gente (da ordem de prioridades)”, calcula.

Outras lideranças falam abertamente do desejo por cargos. Segundo o presidente do União Brasil, Luciano Bivar (PE), seu partido tem interesse por Codevasf, Dnocs e Sudene.

“O PT é feito por pessoas inteligentes, que sabem que, para fazer política é necessário ter espaços. Quanto mais espaços tivermos no governo, mais apoios poderemos garantir”, disse em entrevista recente ao jornal O Globo.

Indicações antigas ‘podem ser aproveitadas’, diz ministro

Questionado pela BBC News Brasil, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), confirmou o diálogo com todos que tenham interesse em colaborar com o governo.

Ele afirmou, inclusive, que o Planalto pode manter pessoas que foram nomeadas na administração anterior.

Na Codevasf, por exemplo, há nomes indicados por políticos do União Brasil e do PP.

“Às vezes, já tinham pessoas indicadas, que já tinham um papel em determinadas áreas, estão sendo avaliadas. Se forem competentes, tecnicamente competentes do ponto de vista político, têm capacidade de diálogo com a sociedade, podem ser aproveitadas”, disse o ministro.

Padilha afirmou ainda que o governo tem interesse em acelerar as nomeações e que há muitos “currículos” sendo analisados, indicados por “movimentos sociais, segmentos econômicos, entidades e parlamentares”.

“Estamos trabalhando a partir dessas indicações, e são os ministros que definem, chamam as pessoas para serem entrevistadas, avaliam os currículos. Se aliar competência técnica com a competência política para construir uma política pública e, além disso, reforçar uma indicação do Congresso Nacional, melhor ainda”, ressaltou.

Por que esses cargos são tão visados?

A Codevasf tornou-se um caso emblemático que ilustra bem o apetite político.

Criada originalmente em 1974 para apoiar o desenvolvimento regional da bacia do rio São Francisco, sobretudo com projetos de irrigação em áreas afetadas pela seca, a companhia aumentou fortemente sua área da atuação nos últimos anos.

Durante o governo Bolsonaro, passou a executar bilhões de reais em emendas parlamentares, dentro do chamado Orçamento Secreto, em ações como pavimentação de vias ou doação de tratores e caminhões para prefeituras.

Sua expansão começou a partir de 2000, quando o Congresso passou a aprovar a inclusão de novas bacias hidrográficas na área coberta pela Codevasf, elevando o número de municípios atendidos. Mas esse processo se intensificou nos últimos anos, quando a quantidade de municípios alcançados deu um salto em 2018 (de 1.020 para 1.641) e em 2020 (de 1.641 para 2.675).

Isso resultou em mais escritórios e superintendências nos Estados e mais cargos comissionados disponíveis para indicações políticas, além de ampliar a possibilidade de destinação de recursos pelo país.

Na mudança mais recente, aprovada a partir de um projeto de lei do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), a Codevasf passou a atuar no seu Estado, o Amapá, na Paraíba e no Rio Grande do Norte, além de aumentar a área atendida em mais nove Estados.

Na ocasião, Alcolumbre disso à TV Senado que a ampliação serviria para obras de infraestrutura hídrica, revitalização de orlas de cursos d'água, construção de barragens, saneamento básico, além de estruturar as cadeias produtivas pela economia criativa, artesanato e do cultivo de hortaliças e frutos orgânicos.

Segundo a Codevasf, a companhia já destinou R$ 360 milhões para o Amapá, com investimento mais expressivo em rodovias e doação de máquinas.

Já a inclusão do Rio Grande do Norte na área de atuação da companhia viabilizou, por exemplo, a doação de equipamentos de apoio à atividade agrícola para a cidade de Mossoró, como tratores, caminhões-pipa e caminhões, no total de R$ 5 milhões.

Essa, entre outras ações do governo federal, foram lembradas na eleição pelo prefeito da cidade, Allyson Bezerra (Solidariedade), ao manifestar seu apoio à candidatura ao Senado de Rogério Marinho (PL-RN), que foi ministro do Desenvolvimento Regional de Bolsonaro, pasta à qual a Codevasf está submetida. Marinho foi eleito.

“Rogério tem trabalho prestado a Mossoró e, com o apoio do nosso povo mossoroense, chega ao Senado Federal com 47.089 obtidos em Mossoró”, escreveu em seu Instagram o prefeito, destacando as doações de máquinas agrícolas.

A forte expansão da Codevasf foi, porém, acompanhada por denúncias de corrupção. Em janeiro, a Polícia Federal realizou uma operação contra um grupo acusado de fraudes nas doações de tratores pela companhia, por meio de emendas parlamentares, para prefeituras do interior da Bahia.

O governo Lula ainda não trocou o comando da Condevasf. A nomeação do atual presidente, o engenheiro Marcelo Moreira, no governo Bolsonaro é atribuída a uma indicação do deputado federal Elmar Nascimento, líder do União Brasil na Câmara.

Ele chegou a ser indicado por seu partido para ser ministro de Lula, mas foi barrado devido ao forte apoio que deu ao ex-presidente na eleição.

As superintendências estaduais também seguem sob comando de indicados de governos anteriores. A de Pernambuco é chefiada desde julho de 2016 (governo Michel Temer) por Aurivalter Pereira da Silva, indicado pelo então senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), depois de ter atuado em seu gabinete.

Coelho e sua família têm longa tradição de apoio a diferentes presidentes: ele foi ministro da Integração Regional de Dilma Rousseff; seu filho, o deputado federal Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE), foi ministro de Minas e Energia de Michel Temer; e depois Bezerra Coelho foi líder da gestão Bolsonaro no Senado.

Já a superintendência de Alagoas continua sob comando de João José Pereira Filho (PP), o Joãozinho Pereira, primo do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, a Codevasf pavimentou uma via na pequena cidade de São Sebastião, no interior alagoano, com verbas de emenda parlamentar indicada por Lira, nas proximidades de fazendas do próprio deputado.

Lira, que participou da inauguração da obra no ano passado, disse ao jornal que era uma “inverdade” relacionar a obra federal com sua propriedade, sem prestar maiores esclarecimentos.

Questionada sobre as críticas e as suspeitas contra a atuação da Codevasf, a companhia disse, por meio de nota que “ações e projetos da empresa contribuem para a redução de desigualdades e são empreendidas com abordagem técnica e em resposta a demandas da sociedade, independentemente da origem dos recursos orçamentários”.

A Codevasf afirmou ainda que “possui sólida estrutura de governança implantada” e que “nomeações para cargos de direção observam requisitos técnicos e de experiência estabelecidos pela Lei nº 13.303/2016 e por normas complementares”.

“A diretoria é composta por pessoas com qualificação e experiência cujos nomes são aprovados pela instância de nomeação e destituição, que é o Conselho de Administração da Companhia. A ocupação de cargos em comissão ocorre de acordo com as disposições do Plano de Funções e Gratificações da Empresa e das demais normas aplicáveis”, acrescentou. 

BBC Brasil

A democracia resiste - Editorial




A recessão democrática que assombrou o mundo nos últimos anos aparentemente foi interrompida em 2022, aponta índice da Economist Intelligence Unit, mas o trabalho está só no começo

A democracia segue sob ataque, mas a situação parou de piorar, segundo a mais recente edição do Índice de Democracia elaborado pela Economist Intelligence Unit, divisão de pesquisas do grupo responsável pela revista britânica The Economist. De 2016 a 2021, esse indicador capaz de medir o vigor da democracia em 167 países e territórios havia descido gradativamente até o patamar mais baixo de sua série histórica, iniciada em 2006. Agora o índice mostra que o declínio democrático foi interrompido em 2022, um alívio em meio a tantas turbulências. Resta saber, porém, se o freio na escalada autoritária terá força para se impor daqui para a frente − ou se foi mero espasmo.

Na escala de 0 a 10, a média global do Índice de Democracia ficou em 5,29 no ano passado, um acréscimo de 0,01 em relação ao resultado de 2021. Essa mínima variação não chegou a ser classificada como aumento, mas estagnação, o suficiente para conter a espiral descendente dos últimos anos. A única região a apresentar avanços democráticos expressivos foi a Europa ocidental, cujo indicador cresceu de 8,22 para 8,36. Ao todo, 75 países subiram na tabela, bem mais que os 47 registrados em 2021.

Por outro lado, houve graves retrocessos. A Rússia foi a nação que mais perdeu posições em meio à onda de repressão e censura interna que se seguiu à criminosa e inaceitável invasão da Ucrânia. A China, por sua vez, fez valer seus poderes ditatoriais ao implementar uma política de tolerância zero em relação à covid-19, mantendo milhões de pessoas trancadas em casa no terceiro ano da pandemia. O norte da África e o Oriente Médio puxaram a média global para baixo, enquanto a América Latina e o Caribe tiveram nova queda no indicador: de 5,83 para 5,79.

O Índice de Democracia classifica os países em quatro grupos. No topo estão as chamadas “democracias plenas”, categoria que passou de 21 para 24 nações, com a reinclusão de Chile, Espanha e França em 2022. Vale notar que esse seleto grupo, liderado pela Noruega e formado majoritariamente por europeus, concentra apenas 8% da população mundial. Consideradas as “democracias falhas”, entre as quais se encontram Brasil e Estados Unidos, as democracias alcançam 72 países, respondendo por menos de metade da população mundial − um dado que diz muito sobre o déficit democrático. As demais categorias são a dos “regimes híbridos”, na qual o Peru acaba de ingressar, e a dos “regimes autoritários”, caso de Venezuela, Nicarágua, Cuba e Haiti.

O relatório da Economist Intelligence Unit faz referência à falta de consenso internacional acerca dos critérios para medir o grau de democracia de um país. O índice é calculado com base em 60 indicadores de 5 grandes áreas: processo eleitoral e pluralismo; liberdades civis; funcionamento do governo; participação política; e cultura política. Embora não esgotem o conceito de democracia, essas categorias jogam luz sobre diferentes aspectos a serem observados para que se possa falar, efetivamente, em regime democrático. Cabe destacar alguns dos parâmetros por trás do conceito de “democracias plenas”: existência de Poder Judiciário independente, sistema eficaz de freios e contrapesos, imprensa livre e uma cultura política que estimule a participação popular. Eleições justas e livres, claro, pressupõem respeito ao resultado das urnas e transferência pacífica de poder.

O Brasil perdeu quatro posições neste ano e aparece na 51.ª posição, com índice de 6,78, atrás de países como Argentina, Índia e África do Sul. O relatório assinala que a eleição presidencial brasileira foi a mais polarizada da América Latina em 2022 e menciona os ataques do então presidente Jair Bolsonaro às urnas eletrônicas, além dos atos golpistas do último dia 8 de janeiro − citados, corretamente, como um risco “para o futuro da democracia brasileira”. Risco esse, vale dizer, que deve ser desbaratado com a força das instituições do País.

O Índice de Democracia sinalizou que é possível frear a erosão democrática global, um alento para quem se opõe à escalada autoritária. Repetir tamanho passo em 2023 e nos próximos anos é um desafio para democratas no mundo inteiro.

O Estado de São Paulo

Feira de Santana: Médico será indiciado por homicídio culposo por morte de paciente durante endoscopia


Por Redação

Imagem sobre Feira de Santana: Médico será indiciado por homicídio culposo por morte de paciente durante endoscopia
Foto: Aldo Matos/Acorda Cidade

A Polícia Civil de Feira de Santana indiciou o médico responsável pela morte do industriário Edilberto Lopes Batista, de 51 anos, por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O caso ocorreu no dia 13 de fevereiro de 2019, quando o paciente passava por um procedimento de endoscopia digestiva alta, em uma clínica particular da cidade.

 

Para o Acorda Cidade, parceiro do Bahia Notícias, o delegado Alisson Carvalho, titular da 2ª Delegacia de Polícia Civil, as investigações constataram que a vítima morreu por asfixia.

 

“Realizamos a ouvida de alguns parentes da vítima, ouvimos a equipe toda que trabalhou no exame de endoscopia dele, também a parte do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que foi lá prestar o socorro, e ao final com os elementos que foram juntados aos autos, eu entendi que ocorreu de fato um homicídio culposo, quando não há de fato a intenção de matar. Por esse motivo, houve o indiciamento do médico responsável por este exame”, afirmou o delegado.

 

De acordo com as investigações, antes de realizar o exame endoscópico, não foram solicitadas do paciente todas as informações necessárias sobre a sua situação de saúde.

 

O delegado afirmou ainda que o médico foi indiciado na esfera criminal, porém a clínica não. Entretanto, os familiares ainda poderão acionar a Justiça para responsabilizar a pessoa jurídica caso sintam necessidade.

 

O inquérito já foi relatado e remetido ao Ministério Público, que deverá se pronunciar sobre toda a investigação realizada pela Polícia Civil, destacou Alisson Carvalho. O médico terá direito de defesa, caso o MP efetue a denúncia, e cabe ao juiz determinar se ele será condenado ou não.

"Primo do Ebola" e um dos vírus mais letais do mundo, Marburg tem surto confirmado pela OMS

Quarta-Feira, 15/02/2023 - 21h20

Por Redação

Imagem sobre "Primo do Ebola" e um dos vírus mais letais do mundo, Marburg tem surto confirmado pela OMS
Foto: Cynthia Goldsmith / Reprodução

Pertencente à mesma família do Ebola, o vírus Marburg teve surto confirmado na Guiné Equatorial, país localizado na África Central. A Organização Mundial de Saúde (OMS) informa que nove mortes foram confirmadas e 16 casos são investigados como suspeitos. A taxa de letalidade do vírus é de até 88%, de acordo com a OMS, o que faz dele um dos vírus mais mortais do mundo.

 

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Segundo o Estadão, o quadro começa abruptamente, com febre alta, dor de cabeça e mal-estar intensos. Muitos pacientes desenvolvem sintomas hemorrágicos graves dentro de sete dias. Ainda não há vacinas ou tratamentos antivirais aprovados para tratar o vírus.

 

Contudo, apesar de ainda não existir um tratamento específico ou imunizante, a OMS afirma que beber muita água e tratar sintomas específicos da doença melhoram as chances de sobrevivência do paciente.

 

A OMS explica que o Marburg tem um período de incubação de 2 a 21 dias. O diagnóstico não é fácil, porque muitos dos sintomas são semelhantes a outras doenças infecciosas ou febres hemorrágicas virais. Entre os sintomas estão: Febre, Dor de cabeça, Dores musculares, Fadiga, Vômito com sangue e Diarreia.

 

De acordo com especialistas, o risco do Marburg espalhar pelo mundo, incluindo o Brasil, é baixo. Por ser uma doença sintomática, o isolamento dos infectados se torna mais tranquilo do que em relação aos pacientes de Covid-19, por exemplo.

 

O Marburg é transmitido aos humanos por morcegos frugívoros e se espalha através do contato direto com os fluídos corporais de pessoas, superfícies e materiais infectados.

Bahia Notícias

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