sábado, dezembro 17, 2022

MAIS UMA SANGRIA CONTRA O DINHEIRO PÚBLICO PRATICADO PELO PREFEITO QUE GOSTA DE DÁ TRABALHO AO MINISTÉRIO PÚBLICO E AO TCM-BA

 Mais uma vez estamos diante de  redundancia em promoção pessoal  cometida pelo prefeito Deri do Paloma. que  conforme o Site Jusbrasil  já vem acumulando 134 AÇÕES NO TJBA,  recordista em quantidade de processos desde a Emancipação PolÍtica de Jeremoabo.

Só de denúncias por Promoção Pessoal as custas do dinheiro do povo, já existem 07(sete)denúncias encaminhadas pela ONG  ao Centro de Apoio Operacional das Promotorias de defesa de Patrimônio Público.

Para não ir muito longe reproduzirei uma penalidade aplicada ao prefeito infrator por autopromoção, penalidade essa aplicada pelo TCM-BA, alás o  prefeito vem ignorando essas orientações, caracterizando dolo ao violar o disposto no artigo 37 da Constituição Federal, incorrendo-se em ato de improbidade previsto no artigo 11 da Lei Federal 9429/92, 


PREFEITO DE JEREMOABO É MULTADO POR PUBLICIDADE AUTOPROMOCIONAL


O Tribunal de Contas dos Municípios, na sessão desta quinta-feira (17/09), realizada por meio eletrônico, julgou procedente denúncia formulada contra o prefeito de Jeremoabo, Derisvaldo José dos Santos, em razão de publicidade autopromocional, contrariando o disposto na Constituição Federal. O relator do processo, conselheiro Francisco Netto, determinou a formulação de representação ao Ministério Público Estadual para que se apure possível crime de improbidade administrativa. O prefeito foi multado em R$5 mil.

De acordo com a denúncia – que acabou comprovada -, o prefeito vem utilizando as páginas oficiais do município nas redes sociais para promover seu próprio nome diante da população. Em sua defesa, o prefeito negou abusos e ilegalidade.

Segundo a relatoria, a regra constitucional determina que a publicidade institucional veiculada pelos entes públicos deve “ter caráter educativo, informativo ou de orientação social,” voltados para atender a coletividade. Além disso, a divulgação não poderá “constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.”

Embora as peças publicitárias apresentassem mensagens de interesse da coletividade, porque informam as ações administrativas, segundo o relator, “não se pode negar que, além do cunho institucional, as divulgações promovem especial realce à figura do prefeito, sobretudo com a veiculação de sua imagem e menções como “o Novo Prefeito”, numa clara alusão ao pleito eleitoral suplementar de que saiu vencedor”. Segundo o conselheiro relator, “as divulgações realizadas conferem especial destaque à pessoa do prefeito, inclusive do partido político de que se valeu para se candidatar nas últimas eleições, numa mensagem subliminar a seus apoiadores”, apontou.

Em sua defesa, o gestor alegou que não se trata de propaganda institucional, uma vez que as publicações não foram custeadas pelo poder público, devido a sua veiculação ter sido realizada através das redes sociais, que não possuem nenhum custo, nem são geridas por servidor público. Todavia, de acordo com o Ministério Público de Contas, “é possível vislumbrar um gasto público indireto com a utilização desse meio de comunicação, já que, provavelmente, há um servidor incumbido de promover as publicações na página, além de envolver os computadores, a internet e a energia elétrica da prefeitura”.(TCM-BA)


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Flávio Dino: pessoas já foram identificadas por vandalismo em Brasília

 




Futuro ministro diz que investigações prosseguirão em novo governo

Por Pedro Rafael Vilela 

O senador eleito Flávio Dino (PSB-MA), ex-governador do Maranhão e futuro ministro da Justiça no governo Lula, afirmou nesta sexta-feira (16) que parte dos manifestantes que participaram de atos de vandalismo em Brasília foram identificados. A declaração foi dada em São Luís durante coletiva de imprensa para anunciar novos integrantes de sua equipe no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

"As investigações sobre o que aconteceu na capital do país estão em curso. Já há identificação de dezenas de pessoas que atuaram naqueles atos de terrorismo, violência, intimidação, danos patrimoniais e risco à integridade física das pessoas", afirmou Dino. Ele assegurou que, mesmo que eventuais investigações não avancem este ano, a apuração terá continuidade com o novo governo. 

Os atos violentos ocorreram na noite de segunda-feira (12), na região central da capital federal. Manifestantes que apoiam o presidente Jair Bolsonaro tentaram invadir a sede da Polícia Federal (PF) após a prisão do indígena José Acácio Tserere Xavante, decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e iniciaram um protesto que resultou no fechamento do Setor Hoteleiro Norte e de parte do Eixo Monumental. Ao menos oito veículos, incluindo cinco ônibus, além de carros particulares, foram incendiados durante a confusão. Os manifestantes também danificaram vidros de outros automóveis, quebraram mobiliário público e vidros de uma Delegacia de Polícia. Até o momento, nenhum prisão foi efetuada. 

Equipe

Durante a coletiva, Flávio Dino anunciou novos integrantes de sua equipe para postos-chave da pasta. Para coordenar o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), que vigorou durante o mandato anterior de Lula e será recriado, foi chamada a advogada Tamires Sampaio, ligada ao PT. O ex-deputado federal e ex-presidente da Ordem dos Advogados no Rio de Janeiro (OAB-RJ), Wadih Damous (PT), será o secretário nacional do consumidor e coordenará o Sistema Nacional do Consumidor. 

A professora e advogada de direitos humanos Sheila de Carvalho, que integrou a equipe de transição, será assessora especial do gabinete do ministro com ênfase no combate ao racismo, e também presidirá o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare). Outro nome anunciado é o da advogada Estela Aranha, que coordenará uma área de direitos digitais que será criada no ministério. 

Além dos novos nomes, Flávio Dino já havia indicado, na semana passada, o delegado Andrei Rodrigues, chefe da equipe de segurança do presidente eleito Lula, para a diretoria-geral da Polícia Federal. O jornalista Ricardo Cappeli foi anunciado essa semana como secretário-executivo do MJSP, o segundo cargo mais importante na hierarquia da pasta. Cappelli foi secretário de Comunicação do governo do Maranhão na gestão de Flávio Dino e continuava servindo como secretário no estado. Já o secretário-executivo adjunto será Diego Galdino, anunciado nesta sexta. Galdino foi foi chefe da Casa Civil, secretário estadual de Cultura e Turismo e secretário estadual do Meio Ambiente, os três cargos no governo do Maranhão. Com os anúncios, Dino informou que já preencheu cerca de metade dos cargos considerados os mais estratégicos na estrutura do ministérios, e que espera concluir a montagem da equipe até a próxima semana.  

Confira o perfil dos novos nomes anunciados por Flávio Dino para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a partir de janeiro:

- Diego Galdino (secretário-executivo Adjunto): Administrador e bacharel em Direito. Trabalhou  por 8 anos na Vale. Na gestão pública, atuou no Governo do Maranhão como Secretário Adjunto na Secretaria de Estado da Cultura, como secretário de Cultura e Turismo, secretário de Estado do Governo, secretário de Estado de Meio Ambiente,  e como chefe da Casa Civil do Estado. Foi membro do Conselho Superior de Segurança Pública do Maranhão e Presidente do Consórcio de Turismo Internacional do Nordeste.

- Estela Aranha (coordenadora para Direitos Digitais): Advogada,  especialista em regulação e direito digital. Presidente da Comissão Especial de Proteção de Dados do Conselho Federal da OAB e da OAB-RJ. Pesquisadora do CEDIS- IDP. Membro da Comissão de Juristas para a regulação de Inteligência Artificial no Senado Federal.

- Tamires Sampaio (coordenadora do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania - Pronasci): Advogada, mestra em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, pesquisadora na área de segurança pública, política criminal e racismo estrutural. Bolsista do Zoryan Institute no Genocide and Human Rights University Program em 2019 na Universidade de Toronto, Canadá. Foi secretária adjunta de Segurança Cidadã em Diadema. É Diretora do Instituto Lula e militante do movimento negro na Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN).

- Wadih Damous (Secretário Nacional do Consumidor): Advogado. Graduado pela Faculdade de Direito da UERJ. Mestre em Direito Constitucional e Teoria do Estado pela PUC/RJ. Autor do livro Medidas Provisórias no Brasil, com Flávio Dino. Foi Presidente da OAB/RJ ( 2007/12); da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro (2012/14); Deputado Federal PT/RJ (2015/18).

- Sheila de Carvalho (assessora especial do ministro e presidente do Comitê Nacional para os Refugiados - Conare): Advogada Internacional de Direitos Humanos. Foi Fellow do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU e Diretora de Incidência política do Instituto de Referência Negra Peregum. Especialista em litigância estratégica em direitos humanos e justiça climática. É professora de pós-graduação em direitos humanos. Integra a Uneafro Brasil, Coalizão Negra Por Direitos e Grupo Prerrogativas. Coordenadora do Núcleo de Violência Institucional da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP e do Centro de Referência Legal da Artigo 19. Atuou como advogada para as principais organizações de direitos humanos brasileiras e internacionais.É também conselheira da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD). 

Agência Brasil

Renan Filho é sondado para comandar o Ministério do Planejamento do governo Lula




O senador eleito Renan Filho (MDB-AL) foi sondado para comandar o Ministério do Planejamento. A conversa entre Renan e um interlocutor do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva ocorreu nesta quinta-feira, 15. A avaliação do núcleo duro de Lula é de que a entrada do ex-governador de Alagoas no Planejamento poderia resolver um problema técnico pela via política.

Na semana passada, Lula anunciou o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad para o Ministério da Fazenda. Desde então, o presidente eleito vem sendo pressionado a divulgar quem será o titular do Planejamento. A dobradinha Haddad-Renan Filho é vista com bons olhos por dirigentes do PT.

Economista, Renan Filho disse a aliados que ainda não pode dar uma resposta ao emissário de Lula sem que a bancada do MDB avalize sua ida para esse cargo. Até agora, no entanto, os senadores do MDB preferem um ministério que faça “entregas”, como os de Cidades, Infraestrutura ou Desenvolvimento Regional.

Antes de ser sondado para o Planejamento, Renan Filho teve o nome cotado para ocupar Minas e Energia. Como mostrou o Estadão, o ministério também é cobiçado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que deseja emplacar no cargo o deputado Elmar Nascimento (BA), líder do União Brasil e seu aliado. Lira e a família Calheiros são adversários na política e a queda-de-braço já chegou à composição do governo Lula.

Estadão / Dinheiro Rural

Combate a golpismo não deve ser movido por desejo vingativo - Editorial




Rigor da lei é necessário — mas Lula e o PT fazem acusações falsas para tentar desviar de temas incômodos

Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) cumpriu ontem mais de cem mandados de busca e apreensão para investigar apoiadores do presidente Jair Bolsonaro suspeitos de organizar atos antidemocráticos desde o anúncio do resultado do segundo turno da eleição presidencial. Já era hora de uma resposta ampla e coordenada.

O Brasil não pode ficar refém de nenhum grupo violento, de direita ou esquerda. O Estado tem o dever de prender os culpados por promover manifestações que agridem o Estado Democrático de Direito de forma violenta, como se viu na segunda-feira em Brasília. Pelo mesmo motivo, as investigações de empresários do ramo dos transportes e caminhoneiros que bloquearam estradas têm de prosseguir. A punição precisa ser exemplar para que não haja nenhum incentivo a quem cogite a hipótese de voltar a propagar o caos.

O rigor, porém, não deve ser contaminado por acusações levianas nem por um espírito vingativo. Um dia depois do ataque de bolsonaristas à sede da PF em Brasília, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, aumentou a temperatura e mentiu ao declarar que Bolsonaro “continua incentivando os ativistas fascistas que estão nas ruas se movimentando”.

Bolsonaro pode ser acusado de omissão — e isso também é grave —, mas não de incentivo. Nesse ponto, se distanciou de seu guru Donald Trump. Em 6 de janeiro de 2021, o então presidente americano insuflou pelas redes sociais as hostes que se mobilizavam, mandou preparar o carro presidencial para que o levasse ao Capitólio invadido e agrediu o agente do serviço secreto que o impediu. Não houve nada semelhante por aqui.

Ao fustigar Bolsonaro, Lula está interessado em manter vivo o clima da campanha eleitoral e em continuar coberto pelo manto de “salvador da democracia”. Seus gestos são repetidos por caciques petistas como a deputada federal e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que chamou Bolsonaro de cúmplice e o acusou de abrigar envolvidos.

O discurso inflamado tem contaminado até figuras mais sensatas. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, do PSB, declarou que não haverá ninguém “no dia da posse quebrando prédio em Brasília”. “Isso não vai ter porque, se tiver, aí já estará sob nosso comando a partir do dia 1º de janeiro”, disse em tom de ameaça.

O brasileiro não precisa que Lula, Gleisi ou Dino fiquem a todo tempo associando os golpistas e vândalos a Bolsonaro. Isso não é segredo para ninguém. As digitais estão por todos os lados: no vestuário, nos métodos, nas ideias e nas teses conspiratórias. Cada carro incendiado, cada vidro quebrado, cada estrada bloqueada gera desaprovação não apenas de quem votou em Lula, mas também entre os eleitores de Bolsonaro.

Além de serem um problema para o próprio bolsonarismo, os atos golpistas e de vandalismo servem de álibi para o PT desviar a atenção da opinião pública de assuntos incômodos, como mudanças na Lei das Estatais para abrir a porta a aliados no novo governo, o caráter perdulário e irresponsável da PEC da Transição ou as contradições da nova política econômica. Quanto a golpistas e vândalos, o melhor a fazer é deixá-los se imolar, enquanto são alvo do escárnio da população e do rigor da lei.

O Globo

O assembleísmo petista




Quando fala em democracia participativa, o PT alega o objetivo de obter sugestões de políticas públicas. Sempre foi clara, porém, a ação de fortalecer a militância do partido.

Por José Pastore* (foto) 

Após dois anos de pandemia, seca na agricultura e crise energética, provocada pela guerra da Ucrânia, a economia brasileira passou a apresentar sinais de recuperação. Para 2022, a taxa de crescimento do PIB é estimada em 2,8%, a inflação deve ficar em 5,7%, a taxa de desemprego em 8% e o saldo da balança comercial em aproximadamente 55 bilhões de reais.

Mas nem tudo são flores. O desequilíbrio das finanças públicas é grave. Uma eventual política expansionista de Lula para atender as promessas de campanha provocará uma política contracionista do Banco Central com elevação dos juros e redução do crescimento econômico. Problema semelhante ocorre no mundo desenvolvido. A disparada da inflação em vários países está provocando a elevação da taxa de juros e uma recessão mundial que pode afetar ao Brasil.

No momento, muitas questões persistem no campo econômico. Em que medida o governo respeitará a Lei de Responsabilidade Fiscal? Como serão acomodadas as várias facções e tensões da coligação que elegeu Lula? Quais os eventuais impactos na áreas trabalhista?

O Partido dos Trabalhadores, fundado em 10 de fevereiro de 1980, nasceu de uma mescla de ideias do sindicalismo do ABC paulista, da doutrina social da Igreja Católica e de grupos esquerdistas que se diziam marxistas.

Apesar de ter contado com a simpatia de grupos intelectuais, o PT mostrou logo um forte enraizamento com os movimentos sociais de base ao se apresentar como defensor das classes destituídas. E nessa defesa, ficou na oposição por muito tempo. Lula e os parlamentares do PT não assinaram a Constituição de 1988 e tampouco a Lei de Responsabilidade Fiscal, no ano 2000. Contestaram o Plano Real, o sistema de cambio flexível e o de metas da inflação.

O PT sempre foi contra a privatização. Houve época em que movimentos liderados pelo Partido dos Trabalhadores promoveram ocupações e invasões de propriedades rurais e urbanas. Nos dois mandatos de Lula (2003-2010), a média desses eventos na zona rural foi de 246 por ano. Com Dilma Rousseff (2011-2016) caiu para 162. Sob Michel Temer (2016-2018), para 27 por ano e com Jair Bolsonaro, nove.

Ameaças de volta ao passado já foram antecipadas. Vejam o que diz João Pedro Stédile: “Acho que a vitória do Lula, vai ter como consequência natural, um ‘reânimo’ para nós retomarmos as grandes mobilizações de massa”.

O PT nunca escondeu seu desejo de mesclar a democracia representativa com a democracia participativa, dando ampla liberdade de voz, voto e ação para os movimentos sociais de base. Para tanto, o PT praticou intensamente o assembleísmo por meio de inúmeros conselhos locais, municipais, estaduais e Conferências Nacionais sobre o idoso, a mulher, combate à discriminação, direitos dos portadores de deficiência, economia solidária, cidades, juventude, trabalho infantil e várias outros. Algumas iniciativas tiveram caráter internacional como foi a Conferência Nacional pelo Emprego e Trabalho Decente, realizada em 2012, com a participação da OIT.

O objetivo alegado era o de obter sugestões de políticas públicas. Sempre foi clara, porém, a ação de fortalecer a militância do partido. Nas eleições, muitos participantes, nomeados para cargos públicos, atuavam como cabos eleitorais.

As bases sentiam que sua voz era ouvida. Como regra, era exigido que seus pleitos legítimos fossem tratados como pleitos legais. Com isso, o assembleísmo exercia forte pressão junto aos poderes Executivo e Legislativo. Cerca de quatro mil projetos de lei foram inspirados em duas mil propostas das Conferências Nacionais. A maioria não chegou a tramitar.

Até 2014, haviam participado do assembleísmo, mais de seis milhões de brasileiros. As discussões eram infindáveis e, muitas vezes, as conclusões, pasmem, eram obtidas por aclamação. A maioria dos participantes tinha as despesas de viagem, estadia, alimentação, etc. pagas pelo governo. O Estado, que normalmente é lento, com o assembleísmo se tornava ainda mais.

O assembleísmo foi praticado até o final do Governo Dilma Rousseff (2016). De lá para cá, os tempos mudaram. Será que o PT e partidos coligados insistirão no assembleísmo?

As Diretrizes do Governo Lula-Alckmin 2023-26 indicam que sim:

“Estamos comprometidos com a retomada do diálogo com todos os movimentos sociais, organizações da sociedade civil e representações populares, compreendendo-os como importantes protagonistas na reconstrução do Brasil”.

Lula também já anunciou a recriação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e outros. “No nosso governo”, disse ele em um de seus discursos recentes, “vamos ouvir novamente as bases: vamos trazer de volta as conferências nacionais para propor políticas públicas em cada área: educação, saúde, cultura, habitação…”

Os primeiros sinais do assembleísmo foram notados na criação de 31 grupos temáticos, com mais de 300 participantes, para fazer a transição entre os governos Bolsonaro e Lula.

Há ações que exigem velocidade e competência técnica. É o caso do controle do déficit público, por exemplo, que é crucial para atrair investimentos. Lula terá de implementar uma politica econômica austera no meio de uma coligação de partidos que gosta de assembleísmo, empreguismo e gastança. Muitos dos líderes dos movimentos sociais já deixaram claro que não aceitarão o desprezo às causas sociais. “Vamos ter de combinar pau e prosa”, prometem os dirigentes do MST.

A forte expansão da máquina pública sempre esteve presente nos governos do PT. Entre 2005 e 2006, o governo Lula criou 404 mil postos de trabalho para servidores da administração pública e aumentou o número de carreiras dos servidores públicos federais de 31 para 317.

A partir do governo de Michel Temer, a máquina pública foi gradualmente desaparelhada. Mas o aparelhamento pode voltar. Lula anunciou a criação de mais de 30 ministérios. Os que têm grande capilaridade (educação, saúde, previdência, povos primitivos, cidadania e assistência social) são candidatos à retomada do assembleísmo.

O governo do PT sempre se caracterizou por uma esquerda do tipo burocrático-sindical que almejava ter poder para se perpetuar no controle do Estado. Não se trata de uma esquerda revolucionária. Lula é um homem conservador. Ele sabe que o crescimento econômico é essencial para o fortalecimento do governo e a sobrevida do governante.

É provável que isso venha a criar um ambiente de negócios mais estimulante e expedito no mandato que terá início em 2023. Ademais, com a eleição de parlamentares de centro-direita e simpatizantes da iniciativa privada, o governo pode enfrentar uma oposição aguerrida. Será que isso reduzirá o assembleísmo? O tempo dirá.

*José Pastore é professor aposentado da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo

Revista Crusoé

Rússia lança dezenas de mísseis contra Kiev




Série de explosões derrubou fornecimento de energia e levou a população da capital ucraniana a fugir para abrigos. Outras cidades também foram atingidas.

A Rússia lançou uma série de ataques com mísseis nesta sexta-feira (16/12) contra a Ucrânia, ação que atingiu mais uma vez a infraestrutura de várias regiões do país. Na capital Kiev, autoridades relataram explosões em várias partes da cidade e pediram aos residentes que se refugiassem.

"O ataque à capital continua", escreveu o prefeito Vitali Klitschko no Telegram. Mais tarde, ele acrescentou que o metrô da cidade teve os serviços suspensos, e que as estações podiam ser utilizadas como abrigos.

Klitschko disse ainda que o abastecimento de água também foi interrompido: "Devido a danos à infraestrutura energética, há interrupções no abastecimento de água em todas as áreas da capital".

O governador da região de Kiev, Oleksy Kuleba, afirmou que a Rússia estava "atacando maciçamente" a Ucrânia.

Na região central de Kryvyi Rih, no centro-sul do país, ao menos duas pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas devido aos ataques.

"Um míssil russo atingiu um edifício residencial em Kryvyi Rih. A escadaria [do edifício] foi destruída. Duas pessoas morreram. Pelo menos cinco ficaram feridas, incluindo duas crianças. Todas estão no hospital", escreveu o governador, Valentyn Reznichenko, no Telegram.

Até o momento, não há informações adicionais sobre outros possíveis mortos e feridos.

Autoridades locais também relataram ataques à infraestrutura nas cidades de Kharkiv, no leste; em Odessa, no Mar Negro; e em Vinítsia, no centro-oeste.

O prefeito de Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, com 1,4 milhão de habitantes, disse que "há um dano colossal à infraestrutura, principalmente no sistema de energia".

"Peço que sejam pacientes com o que está acontecendo agora. Sei que em suas casas não há luz, aquecimento e abastecimento de água", escreveu Ihor Terekhov no Telegram.

'Estações do metrô de Kiev foram transformadas em abrigo para a população se proteger dos bombardeios russos'

Longo tempo de reparo

A Ukrenergo, empresa que opera a rede elétrica da Ucrânia, informou que, devido aos intensos ataques desta sexta-feira, o tempo de reparo do sistema de energia deve ser mais longo do que os anteriores.

"A prioridade será dada às instalações de infraestrutura essenciais: hospitais, abastecimento de água, aquecimento e estações de tratamento de esgoto", divulgou a Ukrenergo.

Logo depois dos ataques russos, autoridades ucranianas promoveram cortes de energia emergenciais em todo o país. O metrô da capital Kiev, por exemplo, deve permanecer com o serviço suspenso pelo menos até o fim desta sexta-feira.

"Devido aos danos no sistema elétrico e às interrupções emergenciais de energia, os trens não funcionarão até o final do dia de hoje", anunciou Kiev, em declaração online, reforçando que as estações continuarão servindo como abrigos subterrâneos para os civis.

Vestindo pesados casacos de inverno – nesta época do ano, a temperatura é próxima de zero grau ou muitas vezes negativa –, residentes da capital se aglomeraram nas estações, enquanto sirenes de alerta contra ataques aéreos tocaram nas primeiras horas da manhã.

"Acordei e vi um míssil no céu. E entendi que deveria ir para o metrô", disse Lada Korovai, 25 anos, moradora de Kiev.

A Rússia vem atacando a infraestrutura energética da Ucrânia desde outubro, causando repetidas quedas de energia em todo o país justamente a partir do início da época mais fria do ano.

Em Kiev, 37 de 40 mísseis teriam sido abatidos

A administração da capital Kiev divulgou que a cidade resistiu, nesta sexta-feira, a "um dos maiores ataques" lançados pelas forças russas desde o começo da invasão da Ucrânia, iniciada oficialmente no dia 24 de fevereiro deste ano.

"Cerca de 40 mísseis foram registrados no espaço aéreo da capital", informaram as autoridades regionais em um comunicado nas mídias sociais.

Desse total, os sistemas de defesa aérea ucranianos teriam derrubado 37 na área de Kiev, segundo informações divulgadas por Mykhailo Shamanov, porta-voz da administração militar da capital ucraniana.

Na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia advertiu que, caso os Estados Unidos entreguem os sofisticados sistemas antiaéreos Patriot à Ucrânia ou mesmo desloque efetivos, isso seria legitimado como um ataque às forças russas. Washington, no entanto, rechaçou a ameaça.

Bombardeios ucranianos em Lugansk

No vilarejo de Lantrativka, região de Lugansk, oito pessoas teriam morrido e 23 ficado feridas após um bombardeio ucraniano na área, que é comandada por separatistas pró-Rússia.

O administrador designado pela Rússia para a região, Leonid Pasechnik, classificou os ataques como "bárbaros".

Moscou luta para assumir o controle das regiões de Lugansk e Donetsk, no Donbass, leste da Ucrânia. Essas são duas das quatro áreas – juntamente com Kherson e Zaporíjia – que a Rússia proclamou como seus territórios após um pseudoreferendo, no final de setembro, amplamente ignorado e criticado pela comunidade internacional.

A Ucrânia, por sua vez, reforçou que o exército russo continua sofrendo grande quantidade de baixas em meio a batalhas brutais no leste.

UE aprova novas sanções

Nesta quinta-feira, a União Europeia (UE) aprovou novas sanções contra a Rússia devido à guerra na Ucrânia – apesar de algumas discordâncias de Estados-membros quanto à exportação de produtos agrícolas e fertilizantes através de portos europeus.

O Parlamento Europeu também declarou o Holodomor, a grande fome ocorrida na Ucrânia no início dos anos 30, como um genocídio cometido pela então União Soviética.

O legislativo da UE disse que "reconhece o Holodomor, a fome de 1932-1933 na Ucrânia causada por uma política deliberada do regime soviético, como um genocídio contra o povo ucraniano".

O Senado dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei que autoriza um gasto militar recorde de 858 bilhões de dólares (806 bilhões de euros) no próximo ano, além de 800 milhões de dólares em assistência adicional de segurança para a Ucrânia em 2023, à medida que a invasão russa continue.

Deutsche Welle

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