segunda-feira, junho 13, 2022

Dianteira de Lula opõe ‘dois Brasis’ e acentua redesenho de forças




Vantagem do petista em camadas populares, enquanto Bolsonaro agrega fatias privilegiadas, indica mudança no poder decisório

A dianteira das intenções de voto no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em grupos da base da pirâmide social e a expressiva rejeição ao presidente Jair Bolsonaro (PL) nesses segmentos menos privilegiados sinalizam fenômenos para além da corrida ao Planalto deste ano.

Pesquisadores da ciência política e analistas têm identificado nas pesquisas eleitorais pistas de mudanças mais profundas, tanto no aspecto do poder de decisão —com influência mais sensível das camadas populares em detrimento das elitizadas— quanto no processo democrático.

Ao mesmo tempo, a vantagem de Lula em setores como mulheres, negros, pobres e moradores do Nordeste, em contraste com a predileção por Bolsonaro em estratos como homens, brancos, ricos e empresários, acentua a crescente divisão do eleitorado nos pleitos nacionais.

Fatores sociais, políticos e culturais ajudam a explicar a chamada clivagem social do voto, com contraposição clara entre fatias da população e também cisões dentro de parcelas específicas (homens estão mais divididos entre Lula e Bolsonaro, mulheres majoritariamente escolhem o petista).

Antes mais nítida no segundo turno, a segmentação se antecipou com o afunilamento precoce entre o petista, que no Datafolha tem 48%, e o atual mandatário, com 27%. O terceiro colocado, Ciro Gomes (PDT), possui 7%.

“É uma oposição entre dois Brasis”, diz o cientista político Felipe Nunes, também diretor da Quaest, que faz pesquisas eleitorais. Ele vê um cenário em que a polarização se torna não só política ou partidária, mas também social e afetiva. “Isso põe em jogo direitos, privilégios e recursos.”

O fato de Lula estar hoje 21 pontos percentuais à frente de Bolsonaro, com favoritismo superior entre classes menos favorecidas, evidencia o peso desses grupos nos rumos do pleito. Não se trata de um deslocamento do eixo definidor do resultado, mas de uma questão mais ampla.

Parcelas que aderem ao petista são numericamente robustas no total da população —mulheres, por exemplo, correspondem a 53%, e pessoas com renda familiar mensal de até dois salários mínimos são 52%, conforme o Datafolha—, mas avançaram em uma espécie de escala de poder simbólico.

Campanhas pelo empoderamento feminino e contra o racismo estão na raiz de alterações estruturais recentes, por exemplo. Há ainda a organização da visão de mundo por “bolhas”, maximizada pelas redes sociais, que contribui para o que Nunes classifica como esgarçamento social.

“As distâncias estão cada vez mais cristalinas, pautadas por pertencimento de grupo e identificação no espaço social. Grupos que sempre levaram desvantagem começaram a desenvolver um sentimento diferente. Não é mais olhar o patrão como amigo, a elite como algo que está ao lado”, diz ele.

Embora o ramo dos empresários represente 3% da população e a categoria dos que têm renda familiar superior a dez salários seja de 2%, historicamente o establishment assume papel importante em eleições por concentrar financiadores, agentes públicos e formadores de opinião.

“Grupos que antes talvez não eram foco de atenção da classe política estão se tornando cada vez mais cruciais e se mobilizando por seus interesses, como é o caso de mulheres, negros e jovens”, diz Natália de Paula Moreira, doutora em ciência política pela USP que estuda a participação feminina.

Teorias acadêmicas sustentam que eleições são mais do que votar em A ou B: elas promovem amadurecimento democrático a longo prazo. Ainda que inconscientemente, o cidadão tende a se politizar e a desenvolver senso mais aguçado de consciência e decisão.

No último dia 29, quando a Folha publicou reportagem sobre características dos eleitorados de Lula e Bolsonaro reveladas pela sondagem do Datafolha, um leitor usou a caixa de comentários para exprimir sua opinião —que originou a ideia de debater o assunto nesta reportagem.

“A influência das elites econômicas e dos homens brancos está diminuindo”, escreveu Thomas Bustamante. “O Brasil será salvo pelos pretos, pobres, mulheres e nordestinos. Estes parecem entender muito mais de civilidade e respeito do que aqueles que tradicionalmente mandaram.”

A eleição de 2006, em que Lula derrotou aquele que hoje é seu vice, Geraldo Alckmin (à época no PSDB, agora no PSB), é considerada icônica para o movimento de fragmentação.

No Datafolha da véspera do segundo turno naquele ano, o candidato do PT abria larga vantagem, por exemplo, entre os mais pobres (69% a 31%), ao passo que o então tucano crescia conforme aumentava a renda, sendo o predileto na ponta mais endinheirada (56% a 44%).

Até então, a tendência era a de votações mais homogêneas, segundo o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda. Dados compilados por ele no livro “Emoções Ocultas e Estratégias Eleitorais” (ed. Objetiva) mostram distribuição mais equilibrada do vencedor dentro de cada estrato.

Por exemplo: na faixa de dois a cinco salários mínimos, Fernando Collor (PRN) teve 56% das intenções de voto em 1989; Fernando Henrique Cardoso (PSDB) pontuou 55% em 1994 e 59% em 1998; e Lula obteve 66% em 2002 e 57% em 2006. As proporções também se aproximavam quanto ao grau de escolaridade.

Lavareda, que é ligado ao instituto de pesquisas Ipespe, afirma que o quadro atual dá indícios de “maior autonomização das camadas de menor renda”, com convergência em Lula sobretudo pelo viés econômico. O bolsonarismo, afirma o especialista, envolve mais traços ideológicos.

Em 2018, a vitória de Bolsonaro resultou da adesão de parte da camada social mais elevada —porta-vozes do PIB, personalidades, líderes políticos— e do apoio popular movido por forte antipetismo.

Lavareda entende que, desta vez, “a economia ‘deselege’ Bolsonaro” e é ilusão pensar que “as elites, após a democratização da comunicação, ainda possam conduzir a formação de opinião dos segmentos inferiores”. De acordo com ele, a realidade demonstra que o eleitor é pragmático.

Outros pesquisadores concordam que é preciso considerar a crise econômica como pano de fundo da enxurrada de votos dos mais pobres em Lula. O petista evoca a memória de seus dois mandatos (2003-2010) para se colocar como alternativa ao atual estado de coisas.

Segundo o Datafolha, 53% das pessoas dizem que a economia influencia muito na decisão de voto, e 75% apontam que o governo Bolsonaro tem responsabilidade pela inflação.

“Se fosse verdade que os grupos da elite ainda dão as cartas, a terceira via estaria competitiva, e não é o que estamos vendo”, observa o cientista político Carlos Melo, que também é professor do Insper.

Para ele, a proibição de doações de empresas para campanhas e a criação do fundo eleitoral público, da ordem de R$ 5 bilhões neste ano, propiciaram menor dependência dos partidos em relação à iniciativa privada —o que não exclui aproximações.

Melo lembra que em 2002 Lula venceu mesmo sem ter o apoio inicial do topo da pirâmide. “Ele nunca foi exatamente adorado por esses setores, mas compôs muito bem com eles quando chegou ao poder. Sem isso, talvez não tivesse governado.”

Neste ano, o discurso eleitoral do petista apostou até aqui nas camadas populares, com a promessa de volta a um tempo de picanha e cerveja, mas começa a intensificar acenos ao setor produtivo. Dias atrás, Lula disse que só conversaria com o mercado quando ele tivesse interesse.

Pessoas do entorno reconhecem que o ex-presidente não conta hoje com o apoio das esferas mais altas, mas rejeitam a ideia de buscar aval do mercado, argumentando que soaria como submissão. Por outro lado, o diagnóstico do PT é o de que a base menos abastada seguirá com ele.

POR JOELMIR TAVARES

FolhaPress / Daynews

Rússia fez 93 bilhões de euros com venda de hidrocarbonetos nos primeiros 100 dias de guerra




A Rússia obteve 93 bilhões de euros com exportações de energia fóssil durante os primeiros 100 dias da guerra contra a Ucrânia, a maior parte proveniente da UE, segundo um relatório de um centro de pesquisa independente.

A publicação do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo, com sede na Finlândia, ocorre em um momento em que a Ucrânia está pressionando os ocidentais a romper vínculos com a Rússia para não alimentar os cofres do Kremlin que sustentam a guerra.

A União Europeia decidiu recentemente impor um embargo progressivo - com exceções - às importações de petróleo da Rússia. No momento, o gás, do qual o bloco é muito dependente, não é afetado.

Segundo o centro de estudos, a UE representa 61% das vendas de hidrocarbonetos russos, o equivalente a 57 bilhões de euros nos primeiros 100 dias da guerra. Por país, os maiores importadores foram a China (12,6 bilhões), a Alemanha (12,1 bilhões) e a Itália (7,8 bilhões).

As maiores receitas da Rússia vêm da venda de petróleo bruto (46 bilhões), seguido de gás enviado por gasodutos (24 bilhões) e, por último, derivados de petróleo, gás natural liquefeito e carvão.

Embora as exportações tenham caído em maio e a Rússia tenha sido forçada a vender a preços menores nos mercados internacionais, o país se beneficiou do aumento dos preços globais de energia.

O relatório destacou que alguns países, como Polônia, Finlândia e os Países Bálticos, tomaram medidas para reduzir suas importações, enquanto outros, como China, Emirados Árabes Unidos e França, aumentaram suas compras.

AFP / Estado de Minas

Fome, inflação e caça aos votos




Em campanha eleitoral, o presidente Bolsonaro tenta passar a empresários e governadores a responsabilidade pela inflação.

Por Rolf Kuntz 

Fartura e fome foram destaques do noticiário, de novo, neste país conhecido como terra de contrastes. Em novo recorde, a safra de grãos deve chegar a 271 milhões de toneladas, segundo o Ministério da Agricultura. Não devem faltar, nos armazéns, feijão, arroz e outros alimentos essenciais para os brasileiros. Pode faltar, e tem faltado, dinheiro para quem precisa pagar pela comida. Divulgada no mesmo dia, uma pesquisa apontou 33 milhões de pessoas sujeitas à fome, 15,5% da população, e 125 milhões em condição de insegurança alimentar. O Brasil proporciona alimentos a 1 bilhão de pessoas, disse o presidente Jair Bolsonaro, em Los Angeles, na Cúpula das Américas. Não ficou claro se esse bilhão inclui aqueles subnutridos, se o desconto foi feito ou mesmo se Bolsonaro tinha ouvido a notícia.

Mas comida no prato depende do poder de compra. Como este depende dos preços, Bolsonaro foi alertado sobre os efeitos eleitorais da inflação. Na quinta-feira o presidente e o ministro da Economia, Paulo Guedes, participaram virtualmente de uma reunião do setor de supermercados e pediram ajuda aos empresários. Bolsonaro sugeriu redução do lucro sobre os produtos da cesta básica. O ministro apelou por uma trégua nos aumentos de preços. Transferiram às empresas, portanto, uma responsabilidade pública, a ação anti-inflacionária, confessando implicitamente sua impotência e menosprezando fatores como a incerteza fiscal e a instabilidade do câmbio.

Transferir responsabilidades e culpas é uma das especialidades do presidente Bolsonaro. Nesse jogo, ele demitiu três presidentes da Petrobras e um ministro de Minas e Energia. Conseguiu retardar alguns aumentos de preços, mas sem eliminar um ponto essencial da política da empresa, a observância das cotações internacionais.

Também governadores e prefeitos foram envolvidos nesse jogo. Bolsonaro responsabilizou-os pelas perdas econômicas na pior fase da pandemia, quando impuseram restrições à circulação e à aglomeração de pessoas. Nunca reconheceu a dianteira das administrações estaduais nas campanhas de imunização, enquanto o Executivo federal atrasava a distribuição de vacinas e ele espalhava desinformação sobre o assunto. Vencida a pior fase, o presidente agora gasta dinheiro em campanha publicitária para se atribuir mérito pela vacinação e por sucessos econômicos em grande parte imaginários.

Com o mesmo tipo de manobra, Bolsonaro e seus aliados do Centrão tentam envolver os Tesouros estaduais na redução de preços dos combustíveis. Num espetáculo patético, na segunda-feira à noite, o presidente da República defendeu a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado sobre gasolina, diesel, gás de cozinha, eletricidade, telecomunicações e transporte público. A proposta inclui até a adoção de alíquota zero. O poder federal, segundo se prometeu, compensará as perdas de arrecadação.

O ministro da Fazenda mencionou um custo provável entre R$ 25 bilhões e R$ 50 bilhões, sem esconder a improvisação. Não houve como disfarçar o caráter eleitoreiro da jogada, tão óbvio quanto o erro de avaliação econômica e política. Bolsonaro e sua turma trataram o custo dos combustíveis como se fosse muito mais importante que o desemprego, a perda de remuneração e o encarecimento de itens como comida, gás e transporte público. Além disso, tratar o imposto indireto como causa de aumento de preços dependentes do mercado é tolice evidente. Esse imposto apenas incide sobre o preço básico e entra, portanto, na composição do valor final.

Divulgada na quinta-feira, a inflação de maio motivou novos comentários do presidente e do ministro Guedes. A taxa mensal diminuiu de 1,06% para 0,47%, mas a alta de preços acumulada em 12 meses, de 11,73%, ainda foi muito grande. Grande também foi a alta acumulada de itens essenciais, como alimentação (13,51%), transporte público (17,43%) e combustíveis domésticos (29,56%), incluído o gás.

Não se ganharia muita coisa, eleitoralmente, alardeando a redução da taxa mensal de inflação ou o barateamento de produtos como tomate, cenoura e batata inglesa. Mas presidente e ministro tentaram mostrar empenho pedindo a colaboração dos empresários e dos governadores.

Cidadãos de enorme boa vontade podem ter celebrado o recuo da taxa mensal de inflação. Mas parece irrealista apostar em arroubos de alegria, quando há tantos sinais de dificuldades. As dimensões da fome e da subnutrição ficaram mais claras com os dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan) e do Instituto Vox Populi. O quadro piorou a partir de 2013. Em 2018 os famintos eram 5,8% dos brasileiros. Em 2019 eram 9% e em 2022 o contingente chegou a 15,5%. Esses números compõem parte importante do balanço do atual presidente, juntamente com uma das maiores taxas de desemprego do mundo, 10,5% no trimestre móvel encerrado em abril. Bolsonaro conseguirá debitar tudo isso nas contas de empresários e governadores?

O Estado de São Paulo

Como vírus podem ser armas poderosas para a cura do câncer




Alguns vírus têm maior afinidade com células cancerosas e podem ajudar a destrui-las

Os vírus sempre foram encarados como grandes vilões da saúde — noção que se fortalece ainda mais durante uma pandemia como a que vivemos, em que o causador da covid esteve associado a 20 milhões de mortes até agora.

Por André Biernath,  em Londres

Mas, dentro da oncologia, especialidade da medicina que lida com o câncer, alguns desses agentes infecciosos passam a ser vistos cada vez mais como aliados: os vírus podem se tornar uma ferramenta valiosa para tratar uma série de tumores, apontam especialistas.

Atualmente, diversos grupos de pesquisa avaliam a possibilidade de usar os chamados vírus oncolíticos como uma maneira de atacar diretamente as células cancerosas ou de incentivar uma resposta mais robusta do sistema imunológico contra essas unidades doentes.

O exemplo mais recente desse empreendimento científico é o CF33-hNIS Vaxinia, uma virusterapia desenvolvida pelo City of Hope, hospital localizado nos Estados Unidos, e pela farmacêutica australiana Imugene.

O produto traz agentes infecciosos da mesma família da varíola que foram modificados em laboratório para atacar especificamente as células tumorais.

Em testes pré-clínicos, feitos com amostras de células e cobaias, essa estratégia foi capaz de reduzir diversos tipos de tumores, como aqueles que aparecem no intestino grosso, nos pulmões, nas mamas, nos ovários e no pâncreas.

Resta saber se esse mesmo efeito acontece em seres humanos. No final de maio, os cientistas começaram os testes clínicos, que envolvem voluntários.

Na primeira fase dos estudos, que envolverá 100 pacientes, a meta é conferir se o produto, injetado diretamente no tumor ou aplicado por meio de infusões na veia, é realmente seguro e não provoca efeitos colaterais.

Os resultados do experimento devem sair em até 24 meses.

“Esperamos aproveitar a promessa da virologia e da imunoterapia para o tratamento de uma ampla variedade de cânceres que são mortais”, antevê o cirurgião oncológico Yuman Fong, um dos criadores da virusterapia no City of Hope, em comunicado à imprensa.

Ação dupla

Para entender como a virusterapia funciona na prática, precisamos antes saber como os vírus atuam na natureza.

Os vírus são patógenos extremamente simples, cuja única função se resume a invadir as células de um ser vivo e “sequestrar” aquele maquinário biológico para criar novas cópias de si mesmo.

Essas novas cópias, por sua vez, vão repetir o processo enquanto durar a infecção.

Nesse rito de invasão, sequestro e replicação, as células afetadas pelos vírus não resistem e morrem.

A partir da observação desse mecanismo viral, alguns cientistas começaram a especular: será que não é possível utilizar o mesmo princípio para atacar somente as células que formam o tumor?

Essa é a premissa básica da virusterapia: encontrar na natureza, ou desenvolver em laboratório, patógenos que mirem especificamente nas células cancerosas.

E, ao investir nesse tipo de tratamento, é possível obter dois efeitos positivos diferentes.

“O primeiro deles é fazer com que o vírus invada a célula doente e a mate”, explica o imunologista Martin Bonamino, pesquisador do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

“O segundo é que alguns desses vírus modificados carregam genes específicos que geram anticorpos e estimulam o sistema imunológico do próprio paciente a reconhecer o tumor e passar a atacá-lo”, complementa o especialista, que também trabalha na Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz).

Essa ação dupla pode ser potencializada ainda mais com o uso de outros remédios em conjunto. Uma possibilidade é combinar os vírus oncolíticos com a imunoterapia, um tipo de tratamento que estimula o sistema imune a identificar e combater o câncer.

Mas como é possível garantir que esses vírus terapêuticos só vão infectar as células tumorais e pouparão as unidades saudáveis do organismo? É aí que entram em cena a biotecnologia e a engenharia genética.

“A ideia é encontrar patógenos que têm uma afinidade com as células cancerosas e atuem especificamente nelas”, contextualiza o oncologista clínico Vladmir Cordeiro de Lima, do A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo.

Décadas de trabalho

A primeira proposta bem-sucedida de virusterapia contra o câncer foi o T-VEC, um remédio aprovado pela agência regulatória dos Estados Unidos em 2015 (ele não está disponível no Brasil até o momento).

Trata-se de um recurso terapêutico indicado para casos de melanoma, um tipo de câncer de pele que costuma ser agressivo.

De lá para cá, vários outros estudos nessa área foram iniciados. Alguns deles, inclusive, estão em andamento no Brasil.

Dois grupos de pesquisa diferentes, um na Universidade de São Paulo (USP) e outro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por exemplo, estão estudando se o vírus zika pode ser utilizado como tratamento para alguns tipos de câncer que afetam o sistema nervoso central.

A ideia surgiu a partir da observação de que esse patógeno, por trás de um grave problema de saúde pública no país desde 2015, tem uma “preferência” por atacar as células que constituem o cérebro e os nervos — isso, aliás, explica o fato de ele estar por trás da microcefalia nos bebês durante a gestação.

Os primeiros resultados, obtidos em 2018 a partir de experimentos com cobaias, foram encorajadores: o zika de fato reduziu o tamanho dos tumores no sistema nervoso numa parcela significativa dos animais.

Procurada pela BBC News Brasil, a geneticista Mayana Zatz, que lidera as pesquisas com o zika na USP, diz que as investigações sobre o potencial vírus oncolítico seguem em andamento.

“Estamos trabalhando em várias frentes. Buscamos, por exemplo, diferentes estratégias para conseguir um zika modificado em laboratório”, explica.

A ideia é que essas alterações genéticas feitas no vírus “original” permitam intensificar a resposta ao tratamento, para obter resultados ainda superiores.

“Também estamos injetando o vírus ainda não modificado em cães diagnosticados com tumores cerebrais e acompanhando a evolução clínica e neurológica dos casos”, completa a pesquisadora, que coordena o Centro de Estudos em Genoma Humano e Células-Tronco da USP.

Enquanto o conhecimento na área avança aos poucos, Bonamino ressalta a importância da pesquisa científica básica para que inovações como os vírus oncolíticos possam virar realidade.

“Esses tratamentos são resultado de muitos anos de estudo, que permitiram desvendar os mecanismos básicos dos vírus e criar as técnicas de engenharia genética”, aponta.

Cordeiro de Lima, por sua vez, entende que a virusterapia pode se tornar, no futuro, uma ferramenta auxiliar no tratamento de muitos tumores.

“Há um grande potencial para que ela seja combinada e integrada com outras estratégias, como uma maneira de aumentar o espectro de pacientes que se beneficiam de tratamentos contra o câncer”, conclui o médico.

BBC Brasil / Daynews

Autorizado o concurso para técnico do INSS e Receita Federal

 em 13 jun, 2022 8:37

O certame oferece vagas nos dois órgãos (Foto: Freepik)

Diário Oficial da União publica nesta segunda-feira, 13, portaria da Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, que autoriza a realização de concurso público para o provimento de mil cargos de Técnico do Seguro Social do quadro de pessoal do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Também foi autorizada a realização de concurso público para nomeação em 699 cargos do quadro de pessoal da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil. Desse total de vagas, 469 serão destinadas para o cargo de analista-tributário e 230 para o cargo de auditor-fiscal.

*Com informações do Ministério da Economia

INFONET

Saiba os pontos de testagem para Covid-19 em Aracaju

em 13 jun, 2022 9:36

Praça Fausto Cardoso recebe a testagem da Coovid-9 (Foto: SMS)

A Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju (SMS) confirmou nesta segunda-feira, 13, que está realizando testagem de Covid-19 para os cidadãos aracajuanos com ou sem sintomas gripais.

Ainda segundo a SMS, os testes podem ser feitos na praça Fausto Cardoso, centro de Aracaju, até 11h30 desta segunda-feira, 13.

Além da praça Fausto Cardoso, a testagem também ocorre em mais de 40 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) espalhadas pela capital (entre 7h e 17h); e no Centro de Síndrome Gripal (das 07h às 18h).

por João Paulo Schneider 

INFONET


Dessa vez o meliante bateu na porta errada

 +                                           Abra o vídeo:


Hoje pela manha (13.06), dia de Santo Antônio, acordei com o cachorro fazendo o maior barulho, para minha surpresa era a visita de um meliante pulando o muro da nossa rsesidência após subtrair uma bicicleta.

De imediato minha esposa juntamente com meu enteado sairam no encalço do ladrão, encontrando o mesmo com o furto na mão  não oferecendo resistência

Mesmo assim já emiti o B.O. na Delegacia Virtual de Aracaju, já que o mesmo está viciado a furtar residências aqui no Bairro Leite Neto no Grageru.

Rússia destrói ponte sobre rio na Ucrânia e corta rota de fuga




Por Natalia Zinets e Max Hunder

KIEV - As forças russas explodiram uma ponte que liga a cidade ucraniana de Sievierodonetsk a uma cidade do outro lado do rio, cortando uma possível rota de fuga de civis, informaram autoridades locais neste domingo. 

Sievierodonetsk se tornou o epicentro da batalha pelo controle da região de Donbas, no leste ucraniano, e teve partes destruídas em alguns dos combates mais sangrentos desde que o Kremlin lançou sua invasão, em 24 de fevereiro.

As forças ucranianas e russas ainda lutavam nas ruas neste domingo, disse o governador da província de Luhansk, Serhiy Gaidai.

As forças russas tomaram a maior parte da cidade, mas as tropas ucranianas permanecem no controle de uma área industrial e de uma fábrica de produtos químicos onde centenas de civis estão abrigados.

Os russos destruíram uma ponte sobre o rio Siverskyi Donets que liga Sievierodonetsk à sua cidade-irmã Lysychansk, disse Gaidai. 

Isso deixa apenas uma das três pontes ainda de pé e reduz a opção de rotas que poderiam ser usadas para retirar civis ou para as tropas ucranianas se moverem a posições a oeste do rio. 

Por Natalia Zinets e Pavel Polityuk

Reuters / SWI

"Poderosa e invencível", Rússia faz marcação cerrada a Severodonestk




Vladimir Putin festejou mais um Dia da Rússia no 109.º dia de guerra na Ucrânia. Num discurso pouco surpreendente e muito patriota, o presidente russo destacou a importância da união do povo e voltou a comparar a invasão às conquistas de Pedro, o Grande, segundo ele responsável por criar uma Rússia "poderosa e invencível". É nesta guerra desigual que as tropas ucranianas continuam a defender-se, à medida que os combates se intensificam em Severodonestk. Eis o resumo dos principais acontecimentos deste domingo.

- No feriado dedicado ao país "cheio de orgulho na sua história e fé no futuro", Putin dirigiu-se à nação para apelar à união do povo e exaltou a figura de Pedro, o Grande, por ter criado uma Rússia "poderosa e invencível". Numa clara comparação aos feitos do czar que governou a Rússia ao longo de 43 anos, entre 1682 a 1725, o presidente russo garante que nada mudou. "Parece que Pedro I lutou contra a Suécia e tirou alguma coisa a alguém. Ele não tirou nada. Ele recuperou (...) e aparentemente, também [nós] tivemos que nos recuperar e consolidar", disse ainda numa alusão à "operação militar especial" que decorre na Ucrânia.

- A Rússia está a "conquistar gradualmente território em Severodonetsk e arredores", de acordo com o Ministério da Defesa do Reino Unido. Hoje, os militares russos destruíram mais uma ponte que fazia a ligação entre Severodonetsk e Lysychansk. Segundo o governador de Lugansk, o objetivo é "cortar completamente" a possibilidade de retirar civis e a entrada de munições e reforços para as forças ucranianas que resistem na região. Uma outra ponte já tinha sido destruída a 22 de maio.

- A Ucrânia anunciou hoje que estabeleceu duas rotas, através da Polónia e da Roménia, para exportar cereais e evitar uma crise alimentar global. A Ucrânia é o quarto maior exportador mundial de cereais e diz que existem cerca de 30 milhões de toneladas de cereais armazenados em território ucraniano que está a tentar exportar por estrada, rio e comboio.

- O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico revelou que um antigo soldado britânico foi baleado e acabou por morrer em Severodonetsk. Jordan Gatley deixou o exército britânico em março e viajou para a Ucrânia. O pai, Dean Gatley, confirmou a morte do jovem no Faceboook.

- A Rússia disse ter destruído com mísseis "Kalibr" de longo alcance um armazém de sistemas de mísseis antitanque fornecidos a Kiev pelos Estados Unidos e por países europeus na região de Ternopil, no oeste da Ucrânia. O ataque fez 22 feridos, entre eles está uma criança de 12 anos, de acordo com as autoridades ucranianas.

- Bombardeamentos russos causaram um incêndio na fábrica de produtos químicos Azot, em Severodonetsk. As autoridades ucranianas estimam que estejam na fábrica, atualmente sob o controlo da Ucrânia, cerca de 800 civis que fugiram para os abrigos subterrâneos para se protegerem dos ataques.

- Feriado ficou também marcado pela reabertura dos antigos restaurantes McDonald's na Rússia, mas agora com outro nome. 15 restaurantes que pertenciam à cadeia de "fast-food" americana sob alçada de um novo dono - Alexander Govor - e um novo nome -"Vkusno i tochka" - em inglês "Tasty and that"s it", numa tradução livre em português "Saboroso e é isso".

- O líder norte-coreano Kim Jong-un manifestou, este domingo, "total apoio" ao presidente Vladimir Putin no Dia da Rússia. Sob a liderança de Putin, disse Kim, a Rússia "conseguiu ousadamente ultrapassar todo o tipo de desafios e dificuldades" enfrentados "na realização da justa causa da defesa da dignidade, da segurança e do direito ao desenvolvimento".

Jornal de Notícias (PT)

O quarto inverno: novo salto no escuro?




No mundo da economia, não faltam experimentos populistas fracassados de ‘esquerda’ e de ‘direita’ na América Latina.

Por Pedro S. Malan* (foto)

O presidente Bolsonaro anunciou esta semana, com três meses de antecedência, a preparação de manifestações que ocorrerão no dia 7 de setembro próximo – menos de um mês antes do primeiro turno das eleições. Quem se lembra das manifestações de 7 de setembro de 2021 e, principalmente, da postura do presidente naquela data tem razão para preocupações neste início do quarto inverno do governo Bolsonaro. Sobretudo caso venha acompanhando com atenção os eventos desde a divulgação do vídeo da famosa reunião ministerial de 22 de abril de 2020.

São eventos que realçam a relevância do artigo do historiador mexicano Enrique Krauze, Os dez mandamentos do populismo (Estado, 15/4/2006, A17), que assim se inicia: “O populismo na América Latina adotou um amálgama desconcertante de posições ideológicas. Esquerdas e direitas poderiam reivindicar a paternidade do populismo, todas ao conjuro da palavra mágica ‘povo’”.

Krauze aponta dez traços característicos do funcionamento do populismo, que me permito sintetizar aqui. O primeiro: “Não há populismo sem a figura do homem providencial que resolverá os problemas do povo”. O segundo traço: “O populista se sente o intérprete supremo da verdade geral e também a agência de notícias do povo”. O terceiro: “O populismo fabrica a verdade. Os populistas levam às últimas consequências o provérbio latino: ‘Vox populi, vox Dei’. Mas como Deus não se manifesta todos os dias e o povo não tem uma única voz, o governo ‘popular’ interpreta a voz do povo, eleva essa versão à condição de verdade oficial. Confundem a crítica com inimizade militante, por isso buscam desprestigiá-la, controlá-la, silenciá-la”. O quarto: “O populista (...) não tem paciência com as sutilezas da economia e das finanças (...) pode embarcar em projetos que considere importantes ou gloriosos sem levar em conta os custos”. 

O quinto: “O populista divide diretamente a riqueza. (...) Mas o populista não divide de graça: focaliza sua ajuda e a cobra em obediência”. O sexto: “O populista alimenta o ódio de classes (...) fustiga ‘os ricos’, mas atrai os ‘empresários patrióticos’ que apoiam o seu regime”. O sétimo: “O populista mobiliza permanentemente os grupos sociais. O populismo apela, organiza, inflama as massas. (...) O povo não é a soma de vontades individuais expressas em um voto e representadas por um Parlamento (...) mas uma massa seletiva e vociferante”. O oitavo: “O populismo fustiga sistematicamente o ‘inimigo externo’. Imune à crítica e alérgico à autocrítica, precisando apontar bodes expiatórios para os fracassos, o regime populista (...) precisa desviar a atenção interna para o adversário de fora”. O nono: “O populismo despreza a ordem legal”. O décimo: “O populismo mina, domina e, em último recurso, domestica ou cancela as instituições da democracia liberal. Ele abomina os limites a seu poder, considera-os aristocráticos, oligárquicos, contrários à ‘vontade popular’”.

Krauze conclui seu artigo com importante reflexão: “O populismo (...) alimenta sem cessar a enganosa ilusão de um futuro melhor, mascara os desastres que provoca, posterga o exame objetivo de seus atos, amansa a crítica, adultera a verdade, adormece, corrompe e degrada o espírito público. Desde os gregos até o século 21, passando pelo aterrador século 20, a lição é clara: o efeito inevitável da demagogia é subverter a democracia”.

No – indissociável – mundo da economia, não faltam experimentos populistas fracassados de “esquerda” e de “direita” na América Latina. E, quando sobrevém o fracasso, os mais prejudicados são exatamente aqueles que pretendiam favorecer. Em meu texto Limites do autoengano? (Estado, 13/8/2017, A2), escrevi: “A questão central é se políticas de aceleração do crescimento e de geração de emprego com inclusão social e redistribuição de renda estão sempre destinadas a fracassos. A resposta é, claramente, não. Mas isto exigiria uma atenção muito, mas muito maior para certos riscos, que os populistas aparentemente não estão muito dispostos ou preparados para aceitar – especialmente na área fiscal (nível, composição e eficiência, tanto dos gastos públicos quanto da tributação), dívida pública e quanto à absolutamente necessária elevação da produtividade em seus respectivos países”.

A discussão acima é, a um só tempo, econômica e política. Voltando a esta última, em meu texto Quadriênios: Trump e Bolsonaro (Estado, 13/12/2020, A2), notei o paradoxo enunciado por Marcus A. Mello (FSP, 7/12): “Um chefe do Estado populista irá se deparar com um sistema institucional que imporá limites à sua discricionariedade. E o apoio do bloco só existirá se Bolsonaro for popular”. E acrescentei: política, afinal, é expectativa de poder, de preservação de espaços ocupados e de expectativas de espaços por ocupar. Este é o quarto de três artigos já publicados sobre os inícios de inverno deste governo. Os eleitores concederão a Bolsonaro um quinto inverno? Como diz Marcus A. Mello, ao que parece, as próximas eleições serão decididas pelo eleitor que “votará em quem não aprova para evitar quem rejeita mais”.

*Economista, foi ministro da Fazenda no governo FHC.

O Estado de São Paulo

O avesso do avesso




Por Merval Pereira (foto)

A participação de militares no governo Bolsonaro começou com a presunção de muitos de que eles conseguiriam controlar seus ímpetos autoritários, enquanto a escolha de Paulo Guedes para o superministério da Economia indicaria um governo liberal. A escolha de Sergio Moro, também para um Ministério da Justiça fortalecido na sua estrutura com órgãos de fiscalização como o Coaf, indicaria o combate à corrupção de maneira organizada.

Bolsonaro, o político bronco, teria sido manipulado por grupos políticos e militares para abrir caminho à tomada do poder de um projeto político liberalizante. Seria uma espécie de marionete para a volta dos militares ao poder pela porta da frente, já que o último general ditador, João Figueiredo, saíra do Palácio do Planalto pela porta dos fundos, negando-se a transmitir a faixa presidencial a José Sarney, vice de Tancredo Neves.

No último dos quatro anos de governo Bolsonaro, já não resta nada do projeto liberal do Paulo Guedes, nem do combate à corrupção planejado por Moro, nem a suposta resistência dos militares. Ao contrário, dominam o cenário atual militares que foram cooptados pelo presidente para uma ação que a cada momento ganha mais força, enquanto o jogo político se desenvolve sem que o mandatário demonstre fôlego para se reeleger democraticamente.

O abuso do poder político e econômico do governo é cada vez mais explícito, levando por terra a fama dos militares de serem a elite do funcionalismo público, enquanto não sobra pedra sobre pedra do processo liberal na economia, a ponto de o ministro Paulo Guedes ter defendido nos últimos dias um congelamento de preços para controlar a inflação que já chega a 12% ao ano.

Não chegamos ainda à tentativa governamental de controlar os preços diretamente, como já aconteceu anteriormente, mas o sonho de consumo de estancar num estalo a corrida dos preços contra o bolso do cidadão está explícito no sonho iliberal de congelamento por “três, quatro meses” na palavra de Guedes, num ato falho que indica o sonho de chegar a 2 de outubro nas eleições sem os preços subirem.

A mirabolante fórmula para conter a alta dos combustíveis, torrando uma Eletrobras inteira nessa aventura, neutraliza a privatização, um dos pontos capitais do superado projeto liberal na economia. O ministro da Defesa, general Paulo Sérgio, chegou ao posto de comandante do Exército, aparentemente, contra a vontade de Bolsonaro, que ficara irritado com um artigo que publicou defendendo a prevenção da Covid-19. Então chefe do Departamento Geral de Pessoal do Exército, anunciava números que indicavam que a Força tinha menos incidência de Covid devido a um política que em tudo era contra o que Bolsonaro defendia em público.

Se existiam mesmo diferenças de posição com o presidente, essas foram sendo gradativamente superadas à medida que a convivência no centro do poder foi aproximando os dois. Foi promovido depois a Ministro da Defesa. Hoje, a Defesa é uma aliada incondicional da campanha do presidente Bolsonaro para desacreditar as urnas eletrônicas, auxiliando na confrontação com os tribunais superiores, especialmente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A insistência com que os técnicos militares, passados todos os prazos e limites legais, continuam a apontar supostos problemas no sistema eleitoral, aponta para um apoio à pregação de Bolsonaro de que está sendo armada uma manobra para roubar-lhe a vitória nas urnas. Sem, no entanto, um resquício de prova para sustentar a desconfiança.

A mais recente cartada está sendo organizada mais uma vez para o dia 7 de Setembro, em que se comemorará o Bicentenário da Independência do país. A utilização de data tão simbólica para confrontar as instituições, a menos de um mês das eleições, prenuncia a intenção de impedir que elas se realizem. Bolsonaro afronta o STF e o TSE dia sim, outro também. Agora mesmo, em Orlando, encontrou-se com o foragido bolsonarista Allan dos Santos, e voltou a ameaçar não respeitar decisões dos tribunais superiores.

Seu parceiro Donald Trump, com quem pretende se encontrar perto das eleições, está às voltas com a Justiça nos Estados Unidos, acusado formalmente de ter tentado um golpe de Estado ao não aceitar a vitória de Joe Biden para a Presidência. Bolsonaro vai pelo mesmo caminho, e o TSE e o STF já deram mostras de que não estão brincando ao confirmarem a cassação dos mandatos de dois deputados bolsonaristas por divulgarem fake news pela internet. Muitos começam a achar que ele está querendo ser cassado, para escapar de uma derrota que parece inevitável e poder alegar que está sendo perseguido pelo “sistema”.

O Globo

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