domingo, abril 17, 2022

CPI da Covid empaca na PGR, e investigados entram na corrida eleitoral

por Marcelo Rocha | Folhapress

CPI da Covid empaca na PGR, e investigados entram na corrida eleitoral
Foto: Antônio Augusto / Secom

Ao completar um ano de sua instalação, a CPI da Covid ainda não resultou em responsabilização judicial das pessoas indiciadas no relatório final, ao mesmo tempo em que uma parte delas se articula para disputar as eleições. O destino preferencial foi o PL, partido do presidente Jair Bolsonaro.
 

Na PGR (Procuradoria-Geral da República), encarregada de processar criminalmente o mandatário, ministros de Estado e parlamentares, as conclusões da CPI estão há quase um semestre em fase preliminar de apuração, apesar do volume de dados disponibilizado ao órgão.
 

Há frentes de trabalho mais avançadas em procuradorias como a do Distrito Federal, com inquérito policial instaurado e pedido de reparação por dano moral coletivo enviado à Justiça, e do Amazonas, onde foi ajuizada uma ação de improbidade sobre a falta de oxigênio em hospitais.
 

Entre os indiciados pela CPI estão Bolsonaro, o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e seu antecessor, Eduardo Pazuello, além dos filhos do presidente. Figuram também na lista o ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto, parlamentares, empresários e médicos.
 

Senadores que integraram a comissão criticam o procurador-geral da República, Augusto Aras, pela falta de inquéritos abertos até o momento.
 

Em novembro, um mês após o término dos trabalhos no Senado, Aras informou ao Supremo Tribunal Federal que avaliaria as conclusões da CPI em dez procedimentos preliminares. No início de fevereiro, sob acusações de complacência, disse que nenhum dos casos estava parado na PGR.
 

Alegou que seus auxiliares identificaram problemas nos arquivos da comissão, a ponto de "embaraçar" os trabalhos, e que somente em meados daquele mês a questão foi resolvida.
 

Na sequência, ele pediu aos indiciados que apresentassem defesa prévia. A partir do contraditório, já recebido na maioria dos casos, o chefe do MPF dirá o que deve ser aprofundado ou arquivado.
 

Embora menos provável, existe a possibilidade de que denúncias já sejam apresentadas. Não há previsão de quando Aras enviará as manifestações ao STF, segundo informou à reportagem sua assessoria.
 

Para a oposição, porém, o cenário não é promissor. Desde o início da pandemia, o procurador-geral se posicionou perante o Supremo contra dezenas de propostas para que Bolsonaro e alguns de seus principais auxiliares fossem investigados por atos e omissões relacionados à crise sanitária.
 

Não é comum que ministros da corte contrariem posicionamentos dessa natureza, mas decisões recentes de Alexandre de Moraes e de Rosa Weber foram recebidas como uma importante sinalização de que o tribunal pode refutar eventuais pedidos de arquivamento feitos por Aras.
 

Contra a vontade do procurador-geral, Moraes mandou abrir inquérito sobre a falsa associação que Bolsonaro fez entre vacinação contra a Covid e Aids durante live na internet. Diligências estão em curso na Polícia Federal. No último dia 6, Moraes prorrogou a apuração por 60 dias.
 

Na mesma semana, o procurador-geral pediu a Weber para reconsiderar decisão contra o arquivamento de inquérito sobre a suposta prevaricação de Bolsonaro no caso da compra da vacina indiana Covaxin, negociada pelo governo com a empresa Precisa Medicamentos.
 

O PGR seguiu o entendimento da Polícia Federal. Em 31 de janeiro, a corporação concluiu não ter identificado crime porque não havia dever funcional do chefe do Executivo de "comunicar eventuais irregularidades de que tenha tido conhecimento" a órgãos de investigação.
 

A ministra discordou e disse ser "possível extrair, do próprio ordenamento jurídico-constitucional, competência administrativa vinculada a ser exercida pelo chefe de governo".
 

Em uma estratégia para aumentar a pressão sobre Aras, integrantes da CPI também entregaram cópia do relatório final a outros setores do Ministério Público Federal.
 

Na Procuradoria da República no Distrito Federal, por exemplo, o documento foi desmembrado inicialmente em 11 processos, dos quais cinco foram arquivados por duplicidade de apuração em outros casos, segundo informou a assessoria de imprensa do órgão.
 

Na primeira instância do MPF em Brasília estão em curso atualmente diligências sobre a operadora de saúde Prevent Senior. São apurados, em tese, crimes de perigo para a vida ou saúde de outrem, omissão de notificação de doença e falsidade ideológica.
 

Outra linha investigativa é dedicada a averiguar irregularidades apontadas pela CPI em contratos firmados entre a empresa VTC Log e o Ministério da Saúde. A procuradora responsável pelo caso solicitou à Polícia Federal instauração de um inquérito policial.
 

Também sob análise, o impacto da pandemia sobre povos indígenas e quilombolas passou a ser assunto de um procedimento formalizado no último dia 1º.
 

No caso dos indígenas, o indiciamento proposto pela comissão do Senado contra integrantes do governo Bolsonaro é da competência do Tribunal Penal Internacional, mas a procuradora responsável pelo assunto afirmou que os fatos justificam análise e providências na esfera cível.
 

O MPF na capital do país enviou para os procuradores do Rio de Janeiro um procedimento que analisa a atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar. Uma apuração sobre a Precisa Medicamentos que estava em São Paulo, por sua vez, foi transferida para o DF no início de março.
 

Houve uma avaliação de que o caso sobre a disseminação de fake news deve ser conduzido por promotores de Justiça do DF. O entendimento está sob análise. Segundo a CPI, a difusão sistemática do tratamento precoce com medicamentos ineficazes e a estratégia pela busca da imunidade de rebanho produziram risco grave que causou danos irreparáveis à sociedade.
 

Enquanto os achados da comissão são esmiuçados por diferentes autoridades, alguns dos indiciados encampam projetos políticos. Braga Netto e Pazuello se filiaram ao PL. O ex-titular da Defesa é cotado para compor chapa com Bolsonaro. Pazuello deve disputar vaga na Câmara.
 

Também acusadas de responsabilidade na crise da Covid, a médica Nise Yamaguchi (Pros) e a servidora pública Mayra Pinheiro (PL), conhecida como Capitã Cloroquina, também fazem planos de se enveredar na política. Querem concorrer, respectivamente, ao Senado e à Câmara.
 

Toda a exposição com os trabalhos da CPI não abalou a amizade do advogado Marconny de Faria com Renan Bolsonaro.
 

Apontado como lobista da Precisa Medicamentos e indiciado por organização criminosa, ele participou de recente festa à fantasia em comemoração ao aniversário do filho do presidente. O evento ocorreu em Brasília. Faria estava fantasiado de Drácula.
 

O advogado ajudou na abertura da Bolsonaro Jr Eventos e Mídia, mostrou a Folha de S.Paulo. Dois dias antes da festa, Renan esteve na PF em Brasília para ser interrogado sobre a companhia e as suspeitas de que defendeu interesses empresariais junto ao governo.
 

Há outros personagens que, após os holofotes da CPI, preferiram submergir. Protagonista de um caso também revelado pela Folha de S.Paulo, o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias processa o cabo da PM e lobista Luiz Paulo Dominghetti por crimes contra a honra.
 

Dias foi acusado pelo militar de cobrar US$ 1 por dose da vacina AstraZeneca. Dominghetti ofereceu ao então representante da administração Bolsonaro 400 milhões de doses do imunizante a serem fornecidas pela Davati Medical Supply, empresa americana que supostamente intermediaria essa compra.
 

No início do mês passado, a 6ª Vara Criminal de Brasília aceitou a queixa-crime apresentada por Dias e determinou que o policial militar apresentasse sua versão sobre os fatos.

Bahia Notícias

Descartado pelo mercado, advogado puxa carroça e pede atenção da OAB para situação

Descartado pelo mercado, advogado puxa carroça e pede atenção da OAB para situação
Foto: Linkedin

Uma publicação de um advogado no Linkedin viralizou por aparecer de terno e gravata carregando uma carroça emprestada, pelas ruas de Cotia, em São Paulo. O ato, segundo o advogado Valmir Goslawski, foi um grito de alerta para todos os colegas jovens ou mais velhas, de que todos podem ser descartados pelo mercado de trabalho.


“Me sinto envergonhado com 50 anos de idade vir aqui expor a realidade, sou advogado tributário há mais de 15 anos! Olha para isso OAB!!!!! Sou Pós graduado pela PUC e agora um inútil social, tenho coragem, força, conhecimento  jurídico notório, plena capacidade física e mental, reputação ilibada, experiência profissional, mas infelizmente esse advogado que pertence aos seus quadros empurra uma carroça dignamente para sobreviver , pois não sou mais interessante para o mercado”, escreveu o tributarista na rede social. No texto, o advogado diz que só pode lamentar aos seus iguais, pois essa é “a realidade da advocacia brasileira”, profissão pela qual ainda tem muito amor em exercer.

Bahia Notícias

"Mourão, o senhor pode usar Viagra. O que não pode é entregar nosso país", diz Roberto Requião

 Por Tribuna em 16/04/2022

 

As Forças Armadas compraram 35 mil unidades de Viagra, com a justificativa de que o remédio se destinava ao tratamento de pacientes com Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP), o que já se comprovou falso.

Em recado a Mourão, Requião afirmou que ele pode sim usar Viagra, só não pode ser cúmplice do governo entreguista de Jair Bolsonaro (PL). "General Mourão o senhor pode usar Viagra, prótese peniana, e KY [lubrificante íntimo]. O que o senhor não pode é concordar em entregar o petróleo, a dignidade do povo e o nosso país". (Do Brasil247)

Motociatas de Bolsonara já custaram cerca de R$ 5 milhões aos cofres públicos

 Tribuna em 17/04/2022
Motociatas de Bolsonara já custaram cerca de R$ 5 milhões aos cofres públicos

Sem objetivos gorvenamentais é escancarada campanha eleitoral antecipada e abuso de poder econômico, conforme conhecida lei, com farta jurisprudencia dos tribunais.

 

Levantamento com base na Lei de Acesso à Informação inclui gastos dos estados e com cartão do governo federal.

 

Os eventos serviram como palco para os arroubos autoritários de Bolsonaro, que buscou uma demonstração de força em meio à queda de popularidade impulsionada pelo avanço da inflação e pela exposição do governo federal na CPI da Covid.

Nessas ocasiões, o presidente reforçou, por exemplo, que não aceitará os resultados das eleições de 2022 caso seja derrotado. Aproveitou, ainda, para atacar governadores e ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e do STF (Supremo Tribunal Federal).

Fonte Uol. G1 e Poder 360 

Pastor Jarkson organizador do Acelera Para Cristo com Bolsonaro, recebeu 16 parcelas de auxílio emergencial

 Por Tribuna em 17/04/2022

Ao mesmo tempo que se gabava, fazendo propaganda de seus cultos, dizendo ter realizado a maior motociata para Bolsonaro nas suas redes sociais, ia ao banco todo mês receber dinheiro publico do Governo Federal.

Veja que na data de suas postagens Jarkson Vilar da Silva ele recebia o Auxilio Emergencial, no total recebeu R$ 5.700 entre os meses de abril de 2020 e outubro de 2021.Jarkson também participou da organização da última edição do evento de motos.

Meses depois do primeiro evento (10.set.2021), Vilar se arrenpedeu disse que Bolsonaro “não merece respeito” e o chamou de “frouxo covarde” “traidor”.

Disse que “não acredita mais” no presidente Jair Bolsonaro depois que ele pediu aos caminhoneiros que interrompessem a paralisação, já que a mesma traria prejuízos econômicos ao país.

Vilar foi o organizador da motociata pró-Bolsonaro em 12 de junho em São Paulo. O evangélico é dono de uma loja de móveis na zona sul da capital paulista. Em vídeo que circula nas redes sociais, ele diz que “jogou a sua liberdade fora para defender o país”, mas que o presidente “traiu os caminhoneiros”.

“Todos que foram presos foram enganados por Bolsonaro, enganado por este traidor que quer andar de helicóptero do Exército, quer ver gente lá aplaudindo. Eu vou queimar minha camisa com o nome Bolsonaro. Você não merece respeito Bolsonaro! Você traiu os motociclistas, você traiu os caminhoneiros, você traiu o seu o seu povo”, declarou Jackson Vilar.

Agora o pastor volta a apoiar e organizar motociata para Bolsonaro como se nada tivesse acontecido.

O empresário já foi candidato a deputado federal pelo Partido Republicano da Ordem Social (Pros) em 2018. Ele se candidatou com o "nome de urna" Jackson Villar.

Pelas redes sociais, ele divulgou o passeio Acelera para Cristo com Bolsonaro, com a cobrança de R$ 10 para os participantes que quisessem ficar em uma "área VIP", próxima ao presidente.

O passeio contou com cerca de 3.703 motocicletas, metede da quantidade da primeira motociata em 2021, segundo dados de concessionária da Rodovia dos Bandeirantes divulgados pela Secretaria de Logística e Transportes (SLT) e pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).

Motociatas de Bolsonara já custaram ao menos R$ 5 milhões aos cofres públicos

Sem objetivos gorvenamentais é escancarada campanha eleitoral antecipada e abuso de poder econômico, conforme conhecida lei, com farta jurisprudencia dos tribunais.

Levantamento com base na Lei de Acesso à Informação inclui gastos dos estados e com cartão do governo federal.

Os eventos serviram como palco para os arroubos autoritários de Bolsonaro, que buscou uma demonstração de força em meio à queda de popularidade impulsionada pelo avanço da inflação e pela exposição do governo federal na CPI da Covid.

Nessas ocasiões, o presidente reforçou, por exemplo, que não aceitará os resultados das eleições de 2022 caso seja derrotado. Aproveitou, ainda, para atacar governadores e ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e do STF (Supremo Tribunal Federal).

Fonte Uol. G1 e Poder 360

Tribuna da Imprensa

Brasil é refém do Centrão, que mantém tudo dominado, não importa quem seja o “eleito”


Charge O TEMPO 14-09-2021 | O TEMPO

Charge do Duke (O Tempo)

William Waack
Estadão

A excepcional eleição deste ano já tem resultado conhecido. É a confirmação da vitória do Centrão, do sistema político tradicional, da fraqueza dos partidos e do degradante nível geral do Legislativo, não importa o vencedor para o Planalto.

É muito elucidativo constatar o conforto político no qual vive o grande grupo amorfo dessas forças políticas. Consolidaram-se como dominantes – a ponto de se importarem relativamente pouco com o resultado da escolha presidencial.

ORÇAMENTO SECRETO – O Centrão é o resultado de uma longa linha do tempo que tem como ponto de partida a saída do regime militar. Mas o controle que esse grande grupo hoje exerce é inédito.

Seu símbolo maior é o orçamento secreto, apoiado nas emendas do relator, em si uma contradição com os preceitos democráticos básicos de transparência. Bolsonaro foi manietado pelo STF, mas o Legislativo escapou.

Bolsonaro e Lula reconhecem publicamente as condições políticas e afirmam que sem o Centrão não governam. Não parecem dedicados a alterar esse estado de coisas, talvez convencidos de que o fundamental é escapar de um impeachment. É um reducionismo brutal da expressão “fazer política”.

ACESSO AOS COFRES – Diante dessa realidade, o comportamento dos caciques do Centrão é racional, lógico e previsível. Os que estão hoje no governo se empenham pela continuidade do acesso aos cofres e máquina públicos. E no nome do presidente para ajudar a eleger deputados nos distritões estaduais – base de seu poder.

Os que não são governo falam em terceira via, pois nela enxergam ferramenta adicional de barganha. Mas não estão empenhados seriamente em candidaturas competitivas contra os dois líderes das pesquisas.

Consideram alguns donos de partidos lançar seus próprios nomes como “candidaturas técnicas” à Presidência, mesmo sabendo que não têm a menor chance de vitória. Assim, não precisam se declarar por Bolsonaro ou Lula antes do primeiro turno, prejudicando a formação de bancadas.

APOIAM QUEM VENCER – Nas mãos do Centrão foi consideravelmente reduzida à imprevisibilidade com o depois das eleições.

Atribui-se pouca probabilidade aos imponderáveis “conhecidos”, como Bolsonaro esticando demais a corda da ruptura institucional para cima do TSE, por exemplo. Ou Lula conquistando um arco de alianças tão amplo a ponto de se considerar “garantida” uma vitória dele em primeiro turno.

É igualmente tido como de baixa probabilidade o surgimento de um nome de terceira via que encante o eleitorado e obrigue os operadores do Centrão, em todas as suas facções, a refazer os cálculos. Por via das dúvidas, melhor nem tentar.


Brasil precisa se curar dessa polarização, para depois conseguir curar de si mesmo

Publicado em 17 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

A face positiva da polarização política - 27/08/2019 - Opinião - Folha

Charge do Hubert (Folha)

Eduardo Affonso
O Globo

Foi no lançamento do disco da Áurea Martins, “Senhora das folhas”, em que essa menina de 81 anos reverencia as cantadeiras, rezadeiras e benzedeiras do Brasil. Teatro lotado, gente feliz se abraçando na plateia como há muito tempo não se usava mais.

Áurea reluz no palco, cercada dos melhores músicos, de convidados especiais. Entre uma incelença, uma prece, um ponto, ela começa a entoar os versos da pernambucana Flaira Ferro: “Se eu não tiver coragem/De enfrentar os meus defeitos/De que forma, de que jeito/Eu vou me curar de mim?”

CANTA, BRASIL – Quem cantava com a voz da Áurea, naquele momento, era o Brasil. O Brasil que adoeceu do “nós contra eles” inoculado por Lula, inflamado por Dilma, supurado sob Bolsonaro. E que precisa de um banho de manjericão, Pra pedir pro santo/Pra rezar quebranto/Curar mau-olhado. Mas, antes, tem de se curar de si.

Se curar das milícias — a do miliciano hoje no governo, com sua família de milicianos, seus amigos milicianos, sua ética de miliciano.

E a daquele que quer retornar ao poder e insufla a formação de milícias para intimidar parlamentares e suas famílias (“Se a gente pegasse e mapeasse o endereço de cada deputado e fosse [sic] 50 pessoas na casa do deputado (…) incomodar a tranquilidade dele…”).

EM NOME DE DEUS – É preciso se curar dessa gente que não deixa Deus em paz. Que diz que “Deus é petista”, por acreditar que seu partido seja presidido sob inspiração divina. Que quer “Deus acima de todos” — um Deus fundamentalista, capaz de fazer vista grossa a pastores que roubam o futuro ao cobrar pedágio em barras de ouro para liberar verbas para a Educação.

Se curar de quem despreza a cultura, demoniza a ciência e se compraz com a própria ignorância. E de quem, para manter a fama de “inimigo da zelite”, atribui “mentalidade escravista” a essa mesma classe A que o apoia — e investe R$ 10 mil por mês para que seus herdeiros sejam doutrinados à base de argumento de autoridade (“Me respeite, porque sou doutor em antropologia. Não tenho opinião, sou especialista por Harvard” — bufa o catedrático em autoritarismo, harvardiano de YouTube, sem apreço ao diálogo).

Se curar de quem afirma que a classe média ostenta — tendo no pulso o relógio (presente de um amigo) que custa algo como 700 botijões de gás. E de quem torra R$ 900 mil (dinheiro público, equivalente ao Auxílio Brasil de 2.250 famílias) em férias e autopromoção.

E MAIS AINDA – Tem de se curar desse cuja administração tramava um superfaturamento de R$ 700 milhões na compra de ônibus escolares e não tem como enviar ajuda humanitária à Ucrânia. E de quem, leviana e toscamente, se jacta de que resolveria a crise com a Rússia numa mesa de bar.

Se curar de quem diz bravatas a correligionários no curralzinho do Alvorada e vai, em seguida, ceder anéis, dedos, mãos e braços ao Centrão. E de quem posa de progressista no curralzinho da militância, para depois vir a público se desdizer (e ceder anéis, dedos etc.) para não perder o voto dos conservadores.

Salve, salve a fé no amor/Que cura todo mal, a dor – canta Áurea Martins, luminosa. O Brasil tem jeito. Só precisa, primeiro, se curar de si.

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