sábado, abril 16, 2022

Emirados Árabes constroem distrito inteligente entre Dubai e Abu Dhabi

 



DUBAI, EMIRÁDOS ÁRABES - Uma área outrora totalmente desértica, transformada para receber os pavilhões da Expo 2020 nos Emirados Árabes Unidos, agora se prepara para abrigar um distrito inteligente e sustentável. A ideia é que o novo centro urbano, entre Dubai e Abu Dhabi, comece a funcionar em outubro.

A exposição ficou em cartaz entre outubro de 2021 e março passado em Dubai –o evento, inicialmente previsto para 2020, teve de ser adiado devido à pandemia de coronavírus. Cerca de 80% da estrutura deverá ser reaproveitada para a nova cidade, numa área de mais de 2 quilômetros quadrados.

Segundo Sconaid McGeachin, vice-presidente de Comunicação da Expo, a ideia de um centro urbano inteligente entre o polo financeiro e a capital está presente desde o início do projeto do evento. “O espaço já foi construído como uma cidade futura, a qual só estávamos usando para a Expo por seis meses.”

Pelo cronograma, já em outubro devem ser instaladas as primeiras empresas. O District 2020 receberá escritórios de grandes companhias como Siemens, Terminus e DP World, mas o foco está nas startups.

Para atrair as empresas, o país lançou um programa de benefícios, que incluem dois anos de espaço de trabalho gratuito, vistos, habitação subsidiada e acesso a tarifas especiais para prestadores de serviços. Num segundo momento, a partir de janeiro de 2023, cerca de 800 unidades residenciais serão entregues.

A ideia é que o District 2020 continue crescendo até atingir a população de 145 mil habitantes. Se o plano dará certo ou não é uma incógnita. O mercado imobiliário de Dubai sofreu forte retração nos últimos anos, e o preço dos imóveis chegou a cair até 40% desde o auge, em 2014. Até a Palm Jumeirah, famosa ilha artificial em formato de palmeira, tem passado por sobressaltos, com proprietários relatando dificuldades para vender imóveis mesmo a preços abaixo da média do mercado, de acordo com o Financial Times.

A localização é apontada como trunfo do District 2020. A área fica na saída de Dubai, na rodovia que conduz a Abu Dhabi. Além disso, está a cerca de 20 km do porto de Jebel Ali, um dos mais importantes do Oriente Médio e entre os mais movimentados do mundo. Além disso, investiu-se fortemente em tecnologia e sustentabilidade. Segundo os organizadores, o local terá internet 5G, objetos conectados por meio de IoT (internet das coisas) e um sistema de transporte público operado por veículos autônomos.

Os prédios devem possuir certificados de engenharia sustentável, e a promessa é de uma cidade com foco nos pedestres e no uso de bicicletas –ideia que na prática precisará driblar obstáculos em uma região em que, no verão, a temperatura média fica acima dos 40°C, podendo beirar os 50°C nos picos de calor.

Os Emirados Árabes possuem uma economia fortemente dependente do petróleo e, ainda que com uma série de dificuldades multiplicadas pela pandemia e pela Guerra da Ucrânia, têm feito esforços para diversificá-la. Uma das frentes visa a criar uma imagem de diplomacia preocupada com a crise do clima: Dubai sediará, em 2023, a COP-28, conferência das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas.

O QUE FOI A EXPO 2020

A Expo 2020 foi a exposição mundial realizada em Dubai entre outubro de 2021 e março deste ano –período que evitou o verão tórrido dos Emirados Árabes. Além de pavilhões dos países, o local recebeu prédios dedicados a três temas centrais: mobilidade, sustentabilidade e oportunidade.

O local ainda tinha atrações como o Garden in the Sky, torre de 55 metros de altura de onde era possível ver toda a área da Expo e a região desértica que se estende para além dos muros do evento. A instalação é uma das obras que permanecerão no local, com visitação aberta quando o District 2020 for inaugurado.

Ao longo de seis meses, a Expo registrou 24,1 milhões de visitas –o que não representa o total de pessoas que estiveram no evento, já que 49% dos visitantes estiveram ali mais de uma vez. A meta inicial era de 25 milhões, mas estabelecida antes da Covid; por isso, os organizadores se dizem satisfeitos com as cifras.

O fato de Dubai sediar a exposição chegou a ser alvo de protestos por parte de entidades de defesa dos direitos humanos. No dia em que a Expo começou, a Human Rights Watch divulgou um comunicado em que afirmava que as autoridades emiradenses estavam usando o evento para promover uma imagem pública de abertura quando, na verdade, o país cometia sistêmicas violações de direitos humanos.

As exposições mundiais existem há mais de 170 anos –a primeira edição foi realizada em Londres, em 1851, e tinha como foco mostrar ao mundo as inovações da Revolução Industrial.

Algumas estruturas hoje consideradas icônicas foram construídas para antigas exposições mundiais, como a Torre Eiffel, erguida para a Expo de 1889, o Atomium, feita para a edição de 1958, de Bruxelas, e a Space Needle, torre de 184 metros que hoje é símbolo de Seattle (EUA), que sediou o evento em 1962.

POR DAVID LUCENA 

FolhaPress / Daynews

Ruim com Simone, pior sem ela




Enquanto seu lobo e a terceira via não vêm, o risco é debandada para Bolsonaro, não Lula

Por Eliane Cantanhêde (foto)

O União Brasil quer fugir de Jair Bolsonaro no primeiro turno, o MDB não quer ser só mais um no Centrão e o PSDB... bem, o PSDB se debate para se manter à tona, jogado para um lado e para o outro por Bolsonaro, o ex-presidente Lula e as próprias divisões internas. O Cidadania tenta evitar que todos afundem.

É óbvio que superestimaram a importância do jantar de Lula com senadores em Brasília no início da semana. Ali não teve nada demais. Nem novidade. Quem estava com Lula continuou com Lula, quem não estava continuou não estando.

O MDB tem 12 senadores e nem metade estava lá, na mansão do ex-senador e ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (CE). Ele e o senador Renan Calheiros (AL) são lulistas de outros carnavais. O apoio deles não muda nada.

Além disso, são oito deputados federais do MDB nos nove Estados do Nordeste, que tende para Lula, e nove só nos três Estados do Sul, onde, sem candidatura própria, a debandada seria para o outro lado – Bolsonaro. Alagoas, de Renan, tem 14 votos na convenção nacional do MDB e o Rio Grande do Sul, 44.

Logo, não é inteligente atacar a senadora Simone Tebet agora, como já não foi bombardear o ex-juiz Sérgio Moro. Sem Simone para segurar o MDB e sem Moro na jogada, a maioria dos aliados e dos votos deles não vai para o petista e pode ir para o capitão.

Assim, o MDB de 14 Estados, suas frentes (jovem, mulher, afro...) e associações de prefeitos e vereadores reafirmam apoio a Simone. Ruim com ela, pior sem ela. Com ela, o risco é repetir o fiasco de Henrique Meirelles em 2018. Sem, o partido perde assento no centro e se embola com o Centrão – e Bolsonaro. Mais: como Meirelles, ela não tira dinheiro dos candidatos, pois tem o fundo eleitoral das mulheres.

O União Brasil nasceu de uma fusão artificial de DEM e PSL, embalado pelos interesses de seus caciques, e tem problemas de crescimento. Atraiu Moro do Podemos para o limbo e lançou Luciano Bivar para nada. Você não está entendendo nada? Nem eles entendem. Aliás, não se entendem.

E no PSDB, João Doria quer entrar no vácuo das desistências (de Moro, por exemplo) para encostar em Ciro Gomes (PDT) no terceiro lugar – como aponta a pesquisa do Poder 360 – e demonstrar fôlego, reduzindo a rejeição. Eduardo Leite está à espreita.

Enquanto seu lobo e o nome da terceira via não vêm, o maior adversário de Lula e Bolsonaro é a alta rejeição e uma coisa é óbvia, inclusive para os petistas: a campanha do capitão é muito mais eficiente do que a do petista. Ainda vamos ter muita emoção. E muito medo!

O Estado de São Paulo

O pacto de silêncio entre Lula e Alckmin




Por Malu Gaspar (foto)

Antes de chegar ao elogio público e entusiasmado de ontem, num evento com as centrais sindicais, Geraldo Alckmin e Lula fizeram um pacto de silêncio que durou meses.  

A história foi contada por interlocutores dos dois em uma mesa, no jantar promovido nesta semana pelo grupo de advogados ligados a Lula, o Prerrogativas, que deu as boas vindas a Alckmin na aliança.

A combinação entre os dois foi feita no primeiro jantar desse mesmo grupo de que o ex-governador participou, também em São Paulo, em dezembro. 

Na ocasião, a aliança já vinha sendo discutida havia meses, mas ainda era uma novidade no cenário político e enfrentava resistências tanto no PT quanto entre aliados do ex-governador de São Paulo. 

Do lado petista, era preciso contornar as resistências do ex-presidente, Rui Falcão, e mesmo da atual presidente, Gleisi Hoffman.

A ex-presidente Dilma Rousseff, que não foi ao jantar em São Paulo, também não era fã da união. 

Alckmin, por sua vez, tinha que fechar com um partido e tentar atrair para ele alguns ex-tucanos, o que de fato fez. 

Desde então, foram várias reuniões e costuras internas. Nas entrevistas, Lula defendia a possível aliança, mas não a confirmava. 

Já Alckmin oscilou entre o PSB, o Solidariedade e o  PV, mas só fechou definitivamente com o PSB no início de março. E ficou irritado com o presidente do partido, Carlos Siqueira, por ter vazado o acordo entre eles. Tanto Alckmin como Lula queriam controlar todos os movimentos da articulação. 

O ex-governador de São Paulo acabou se filiando ao PSB na semana passada, assim como alguns aliados e no jantar dos advogados já parecia bem mais ambientado ao novo ambiente, contando piadas e abraçando as pessoas. 

Talvez esse pessoal tenha se surpreendido menos do que o resto das pessoas com a fala do "ex-picolé de chuchu" ontem, bradando empolgado ao microfone que Lula é o maior líder popular do Brasil.

O Globo

O Brasil precisa entrar no século XXI




Por Marco Antonio Villa (foto) 

Observando o processo eleitoral do País, um candidato está, no máximo, no século XVIII – pré-Revolução Francesa –, o outro no século XX, e que ainda não foi sequer avisado da queda do muro de Berlim

A guerra da Rússia contra a Ucrânia derrubou por terra definitivamente a platitude de que a globalização teria enterrado a sete palmos o nacionalismo, o Estado-Nação. Seria, de acordo com os doutores Pangloss da contemporaneidade, o fim dos interesses nacionais, da possibilidade de construir um projeto nacional. Os grandes protagonistas da cena política mundial, sem exceção, defendem e impõe seus interesses nacionais à frente de qualquer princípio das relações internacionais.

O cenário da terceira década do século XXI é de um nacionalismo exacerbado, nunca visto desde o século XIX, quando da expansão dos Estados nacionais por boa parte do mundo.

O discurso de que não resta espaço para um projeto nacional está a serviço de interesses alienígenas, do que, nos anos 1960, era chamado de centro do sistema capitalista. Ter um projeto nacional não significa edificar uma economia autárquica, mas garantir uma inserção na economia mundial de forma soberana. Portanto, não é uma reedição do nacional desenvolvimentismo, fruto de um contexto muito particular e que o Brasil conseguiu se adaptar e colher frutos.

Durante meio século (1930-1980), o País foi o que mais se desenvolveu no mundo ocidental. Nas últimas quatro décadas passamos por momentos de crescimento do PIB, mas sem manter continuidade, não passando de voos de galinha. O grande desafio para o Brasil é de compreender o momento histórico, entender as contradições do século XXI. Hoje, observando o processo eleitoral, um candidato está, no máximo, no século XVIII – pré-Revolução Francesa –, o outro no século XX, e que ainda não foi sequer avisado da queda do muro de Berlim (1989). Urge entrar no século XXI, enfrentar novos desafios, construir projetos que permitam ao País voltar a crescer de forma sustentável e se inserir na cadeia produtiva mundial.

Para essa tarefa deveremos construir bases sólidas no campo democrático. Não é possível dar um grande salto para um novo patamar do desenvolvimento nacional sem termos uma democracia com valores consolidados, efetivamente enraizada entre os cidadãos. Assim, o Estado Democrático de Direito será a base para o Brasil enfrentar problemas que impedem o estabelecimento de um novo projeto de desenvolvimento como o baixo nível de qualificação da força de trabalho, com o sucateamento da ciência e tecnologia e da infraestrutura. E com uma estrutura política apresada por interesses antirrepublicanos.

Revista IstoÉ

Holofotes sobre os segredos de Jair




Por Vera Magalhães (foto)

Jair Bolsonaro gosta de esconder segredos sobre seu governo. Amante confesso de ditaduras e outros regimes autocráticos, o presidente brasileiro resolveu, desde que assumiu, revogar na marra artigos da Constituição sobre a publicidade de atos da administração pública e a Lei de Acesso à Informação.

É preciso um “revogaço” dos atos inconstitucionais que, em vários órgãos, decretam sigilo de até cem anos em toda sorte de informação relevante que, por ser pública, tem de estar acessível.

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI), chefiado pelo general Augusto Heleno, tem sido a casa das máquinas da tentativa de Bolsonaro de evitar que atos seus, dos filhos e de auxiliares ganhem a luz.

Nada melhor para garantir transparência a um regime opaco como o de Bolsonaro que aumentar a carga dos holofotes. Diante da publicação das justificativas inacreditáveis para a recusa em fornecer ao GLOBO a lista com todas as vezes em que os pastores lobistas do MEC, Gilmar Santos e Arilton Moura, foram ao Planalto, Heleno teve de retroceder e entregar ao jornal aquilo que é do público por lei.

Mas esse não era um episódio isolado de tentativa de sonegar informações. Desde os gastos com cartão de crédito da Presidência, passando pelo cartão de vacina de Bolsonaro (!), a ordem nessa gestão é manter tudo o possível trancafiado nos porões, se der por até cem anos, para que nem a História possa fazer o justo registro de uma das épocas mais pródigas em retrocessos que o país já viveu.

Não é só o gosto pela escuridão que dita esta política. Claramente existe muito a esconder. Agora que o jogo de esconde-esconde acabou, descobrimos que um dos pastores esteve nada menos que 35 vezes no Planalto, enquanto o outro por lá passou em dez ocasiões. Segundo o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, havia um “pedido especial” de Bolsonaro para atender prioritariamente aos dois chefes religiosos na liberação de verbas na pasta.

O acesso regular de Carlos e Jair Renan Bolsonaro ao palácio, que o general Heleno também se prontifica a manter longe da vista do público, não se deve a saudades do papai, mas à necessidade de construir a partir do Planalto a rede da campanha à reeleição dele, no caso do filho Zero Dois, e de tráfico de influência junto a empresários, no caso do Zero Quatro.

Essas informações são relevantes e urgentes, pois delas dependerá uma série de iniciativas para investigações já requeridas — algumas andando a passos lentos, a contragosto do procurador-geral da República, outras simplesmente abafadas, por obra e graça deste ou do Congresso.

A Lei de Acesso à Informação (LAI), um marco na transparência de dados no Brasil, completou dez anos em novembro de 2021. Ela faculta a qualquer cidadão o direito de solicitar informações aos três Poderes e exige destes a prestação ágil e objetiva dessas informações.

Desde que assumiu, Bolsonaro investe de forma calculada na redução da transparência alcançada com esse e outros institutos legais. Em recente viagem presidencial à Rússia e à Hungria, o governo alugou trituradoras de documentos. Para quê? Quem regulamenta o tipo de papéis que podem ser destruídos numa viagem oficial? A opacidade vai se tornando regra, de forma que esses episódios passem batidos.

As desculpas para decretar sigilo de cem anos a informações que têm de estar ao alcance de todos são as mais estapafúrdias. Tanto que nem Heleno conseguiu segurar o rojão.

Cabe ao Supremo julgar de forma sistemática as várias representações que há contra medidas dessa natureza, reiterar o princípio constitucional da publicidade e que a LAI continua em pleno vigor.

Não pode ficar para depois da eleição, pois o escrutínio do eleitor em outubro tem de se dar de posse de todas as informações sobre o que se praticou nos gabinetes do poder com o dinheiro público.

O Globo

A grandeza da mediocridade




O heroísmo de Volodymyr Zelensky é medido pela nossa desimportância. 

Por Theodore Dalrymple (foto)

O heroísmo do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, tem sido estupendo. Ainda mais por vivermos em uma época de políticos insignificantes. Ou melhor, de pessoas que não podem nem ser chamadas de capituladoras, porque para capitular é preciso ter princípios prévios. E nossos líderes não têm nenhum princípio além da busca por um mandato.

Zelensky, que não era um homem nada admirado quando os russos invadiram seu país, tendo sido o vulgar quase militante que uma carreira televisiva como a dele exigia (não que qualquer um seja obrigado a ter uma carreira na televisão), passou a ser uma fonte de heroísmo que envergonha a maioria dos líderes. Claro, se você quer ser um herói, pode ser útil ter uma situação bem definida em que se é um herói ou um covarde, uma vez que a maior parte das opções é consideravelmente mais ambígua. Mas o heroísmo continua sendo heroísmo.

De novo, o heroísmo é uma dessas virtudes que requerem uma qualidade adicional para torná-la verdadeiramente admirável. Afinal, é possível ser heroico em uma causa abominável. Os políticos ocidentais que chamam homens-bomba islâmicos de covardes são idiotas: eu gostaria de vê-los explodindo! Ninguém que planeja e executa um bombardeio suicida é covarde. Ao contrário, eles são muito corajosos, mas essa coragem de maneira nenhuma traz brilho ao ato. Ao contrário, esses homens desonram a própria virtude da coragem.

Agora, o heroísmo de Zelensky está em uma boa causa: me parece uma amostra impressionante de audácia, digna da escola de falsidade de Stálin, o senhor Putin afirmar que, ao invadir a Ucrânia e bombardear alvos civis, ele está “eliminando o nazismo”. Ao contrário, é totalmente óbvio que sua própria conduta e a justificativa para essa conduta se parecem muito com as dos nazistas.

Mas talvez isso não devesse me surpreender tanto: a única vez que encontrei uma multidão supostamente antifascista na Inglaterra (ela era bem pequena), foi uma forte lembrança de um comportamento fascista. Seus membros estavam usando roupas pretas e máscaras e promovendo violência contra pessoas e propriedades. Eles repetiam gritos de guerra, como se a repetição garantisse a verdade, e a veemência garantisse a retidão. A intimidação era seu argumento favorito. Aliás, era o único.

Um pianista num campo de futebol

No entanto, temo que a elevação de Zelensky ao status de herói mais cedo ou mais tarde (provavelmente mais cedo) seja seguida da descoberta de um defeito ou uma fraqueza — que todos nós temos. Parece que o desejo ou a necessidade de trazer heróis para o nosso próprio nível é tão grande quanto o nosso desejo ou a nossa necessidade de ter heróis.

Biografias de figuras que costumavam ser admiradas raramente deixam de trazer revelações de que o biografado tinha muitos vícios que prejudicam a conquista da nossa admiração. E, apesar de sermos multiculturais, julgamos nossas figuras pelos padrões mais absolutos e rigorosos do momento atual, sem nunca nos ocorrer que nossos padrões atuais podem, eles mesmos, mudar um dia ou até mesmo ser condenados por gerações posteriores. Somos multiculturais apenas na geografia, não no tempo: nosso provincianismo no tempo é absoluto.

A necessidade de reduzir heróis ao nosso nível enfatizando seus defeitos e suas falhas morais é interessante. O que isso nos diz sobre nós mesmos? Ficamos envergonhados com a nossa própria mediocridade e, por isso, tentamos reduzir o extraordinário ao nosso próprio nível mesquinho. Um cientista brilhante roubou suas ideias de um assistente do laboratório. Um autor famoso plagiou seu melhor livro de outro autor obscuro e injustamente menosprezado. E ficamos feliz de descobrir tudo isso, porque sentimos alívio em relação aos nossos próprios complexos de inferioridade.

Mas por que sentimos vergonha da mediocridade? Afinal, é inevitável que todos nós sejamos medíocres na maior parte das coisas. E se não temos nenhuma aptidão especial para nada, não é nossa culpa. A pessoa mais bem dotada é medíocre na maior parte das coisas, assim como o intelectual mais erudito é infinitamente ignorante. Coloque um pianista de concerto em um campo de futebol ou sente um jogador de futebol diante de um piano Steinway, e é improvável que o resultado seja edificante, ainda que possa ser divertido por um instante.

O homem é um animal comparador

Considerando sua predominância, a mediocridade é um tema muito negligenciado. Penso nele com muita frequência, ainda que não de forma obsessiva, em parte porque tive de lidar com muitas burocracias de governo. E cheguei à conclusão — timidamente, sem dúvida — que a mediocridade mudou sua natureza; para pior, claro.

No começo da minha carreira, os medíocres estavam felizes em ser medíocres. Eles não ficavam preocupados em não ser especiais de nenhuma forma. E tocavam a vida, faziam seu trabalho e não incomodavam ninguém. Eram totalmente respeitáveis e, na verdade, todo país precisa de medíocres, aos milhões.

Alguns anos atrás, conheci um recrutador de uma grande montadora de carros que dizia estar sempre em busca de pessoas sem ambição nem iniciativa, que ficariam contentes com bons salários e não desejariam nada mais. Essas pessoas, que costumavam ser numerosas, estão cada vez mais difíceis de encontrar.

Por que a mudança? Minha sugestão são dois fatores (mas não posso provar isso). A primeira é o crescimento do ensino superior, o que inevitavelmente alimenta ambição. A segunda é a difusão do entretenimento televisivo e das redes sociais. O homem é um animal comparador, e quanto mais ele puder se comparar com os outros, menos contente ele fica com sua situação atual.

Mas as habilidades fundamentais que a maioria das pessoas tem não mudaram junto com seus horizontes. No entanto, esses horizontes em expansão tornaram a busca por distinção pessoal ainda mais desesperada (claro, a busca sempre existiu, nenhuma novidade nisso, foi sempre uma questão de predomínio).

O exercício de poder é a maneira como aqueles que carecem de talentos especiais, os medíocres, tentam se destacar. E, como existem tantos medíocres em busca de distinção, as disputas de poder mesquinhas (mais uma vez, elas sempre existiram) estão cada vez mais comuns e amarguradas. Pelo menos, foi isso que observei em meus hospitais, nos quais a implacabilidade e a determinação, mas não a habilidade, se tornaram a chave para o sucesso.

Revista Oeste

Impunidade estimula delinquência de Bolsonaro




Por Josias de Souza

Abençoadas as criaturas que, não tendo nada a dizer, poupam seus semelhantes de demonstrar a insubsistência com palavras. Como ainda não foi abençoado com a graça da compreensão sobre a eloquência do não dito, Bolsonaro continua transmitindo seu vácuo interior expressamente. Impune, tirou a Sexta-Feira Santa para cometer pecados em série. 

O presidente discursou num comício ilegal, em São Paulo. Blasfemou contra a Justiça Eleitoral e a iniciativa privada. Gastou verba pública como se fosse dinheiro grátis. Pela lei, a campanha começa em 16 de agosto. Candidato em tempo integral, Bolsonaro participou de mais um passeio de motocicleta, adornado com um comício.

Atacou acordo firmado entre um representante do Estado, o Tribunal Superior Eleitoral, e uma empresa privada, o WhatsApp. "Não será cumprido", bradou. Em acerto com a Corte Eleitoral, o aplicativo adiou para depois do segundo turno da eleição presidencial o lançamento no Brasil de uma ferramenta chamada "comunidades". Mensagens que hoje são transmitidas para no máximo 256 pessoas passarão a ser disparadas para milhares de usuários. 

Deve-se o adiamento ao receio de que candidatos promovam a divulgação massiva de mentiras e ataques a adversários. Bolsonaro chama de "censura" a prevenção do crime. Entretanto, além de espernear, não há muito que o presidente possa fazer para impedir a execução de um acordo celebrado entre o Judiciário, um poder autônomo, e um ente privado. 

O deslocamento de Bolsonaro foi 100% financiado pelo déficit público. O Tesouro Nacional bancou os carros oficiais, o avião da Força Aérea, a equipe de assessores e guarda-costas. As arcas do estado de São Paulo custearam o aparato de segurança que bloqueou o trânsito para liberar o deslocamento do candidato extemporâneo e seu séquito. Nos dois casos, Bolsonaro voltou a transformar sua propensão para infringir a legislação eleitoral num processo de desperdício do suor do contribuinte.

O desrespeito à legislação eleitoral, as blasfêmias e a torrefação de verbas públicas são pecados manjados. Reincidente, Bolsonaro precisaria de muita engenhosidade para cometer na Sexta-Feira Santa um pecado original.

A Justiça Eleitoral é, por assim dizer, cúmplice do pecador. Contribuiu para a reiteração dos pecados ao se abster de castigar o presidente no julgamento do pedido de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão por crimes praticados na sucessão de 2018.

O processo dormiu nas gavetas por três anos. Foi apreciado apenas em outubro de 2021, a um ano da nova sucessão. Cinco dos sete ministros do TSE concluíram que restou comprovado o ilícito de propagação de notícias falsas em massa da campanha de Bolsonaro contra adversários via WhatsApp. E ficou por isso mesmo.

O relator do caso, Luís Felipe Salomão, então ministro-corregedor da Justiça Eleitoral, afirmou em seu voto que "inúmeras provas" demonstram que o esquema operava desde 2017. Sustentou que a prática ganhou "contornos de ilicitude". 

Salomão mencionou inclusive a existência de "indícios de ciência" de Bolsonaro sobre a produção de fake news. Mas concluiu que não foi possível atribuir aos fatos gravidade suficiente para cassar os mandatos de Bolsonaro e Mourão.

Luís Roberto Barroso, então presidente do TSE, disse que a Corte tomou uma "decisão para o futuro", pois fixou balizas para evitar a repetição dos ilícitos na eleição de 2022. O diabo é que o futuro não pode ser cobrado ou conferido. E Bolsonaro não se cansa de demonstrar que cabe tudo no futuro.

Alexandre de Moraes, que será o presidente do TSE a partir de agosto, declarou o seguinte durante o julgamento: "Se houver repetição do que foi feito em 2018, o registro [da candidatura] será cassado. E as pessoas que assim fizerem irão para a cadeia.".

O Tribunal Superior Eleitoral não foi criado para servir de ringue para juízes valentões. Tampouco se presta a funcionar como tribunal de recados. Justiça que tarda, mas não chega consolida-se como Justiça conivente. 

Blog do Josias de Souza

A Era de Ouro dos Picaretas

 




Depois de um breve período da Era de Ouro da Corrupção (governos Lula e Dilma), temos agora a Era de Ouro dos Picaretas. 

Por Alexandre Soares Silva (foto)

A Era de Ouro dos Serial Killers foi dos anos 50 aos 70 – o Renascimento dos serial killers, com Michelangelos da tortura e do desmembramento vagando pelo Wyoming às dezenas, como se não fosse nada. Essa arte sobreviveu um pouco nos anos 80, decadente, e ainda produzindo de vez em quando alguma coisa interessante (como acontece agora com as séries de tevê depois da Era de Ouro das Séries, dos 90 aos anos 00). Mas agora está morta, e depois de um breve período da Era de Ouro da Corrupção (governos Lula e Dilma), deu lugar à Era de Ouro dos Picaretas.

Para se ter uma ideia da importância cultural da picaretagem nos dias de hoje, considere o número de documentários, filmes e séries de tevê atuais sobre trambiqueiros, velhacos, bilontras e aldrabões de todas as espécies:

* O Golpista do Tinder (The Tinder Swindler) – documentário sobre o aldrabão israelense Simon Leviev, que agora, aliás, está lançando NFTs.

* WeCrashed – série de ficção sobre o caso real da WeWork. Boa, até, se você tolerar o nariz prostético e o sotaque ainda mais prostético de Jared Leto.

* Inventando Anna (Inventing Anna) – série de ficção sobre o caso real da golpista Anna Delvey, que enganou um monte de socialites e banqueiros de Nova York.

* De Rainha do Veganismo a Foragida (Bad Vegan) – documentário sobre a chef Sarma Melngailis, que fraudou sócios e empregados e foi fraudada pelo marido.

* The Dropout – série de ficção sobre o caso real de Elizabeth Holmes, criadora da Theranos.

* A Inventora (The Inventor) – documentário sobre Elizabeth Holmes.

* Generation Hustle – série de documentários sobre golpistas diferentes, incluindo Anna Delvey, Adam Neumann da WeWork e outros oito amigos-do-alheio.

Claro que há muitos documentários atuais sobre serial killers, mas todos sobre serial killers de décadas atrás, porque, em termos de serial killers, a verdade é que caímos num estágio de decadência absoluta e ainda nos apoiamos nas obras dos gigantes do passado.

Por contraste, temos Rafaéis e Ticianos da vigarice andando entre nós. A arte da aldrabice floresce, mesmo no Brasil, onde durante séculos poderemos procurar inspiração nas obras completas de Bel Pesce, Marcelo Nascimento da Rocha (o “Herdeiro da Gol”), a cientista Joana D ‘Arc, Eike Batista, a Grávida de Sorocaba, João de Deus e Patrícia Lélis – esta última um caso peculiar, sem nenhuma obra sólida ainda, meramente rascunhos de picaretagem, artimanhas e facécias inacabadas -, mas uma carreira a seguir com o máximo de interesse, certamente.

Houve uma época em que eu acreditava que a internet havia tornado impossível a antiga arte da picaretagem. No passado, raciocinava eu, cada vez que sumia um herdeiro de trono, de título nobiliárquico ou de fortuna, vinte pessoas apareciam dizendo ser esse herdeiro; um, geralmente, conseguia fingir melhor que os outros e assumia o trono, o título ou a fortuna, e muitas vezes anos se passavam até que a farsa fosse descoberta e a pessoa fosse decapitada.

Com a internet, eu achava que íamos testemunhar a decadência do 171. Uma ingenuidade gigantesca, e é um milagre que sendo tão ingênuo eu nunca tenha sido vítima desses novos picaretas da Era de Ouro.

Mas o argumento com que quero terminar este texto é que eles são admiráveis. Eles são admiráveis porque conseguem contar uma história infantil, absurda, ridícula, com uma convicção extraordinária.

Ouçam lá o vilão do documentário Bad Vegan gritando com a mulher dele pelo telefone. Dá pra ouvir as ligações – e, bem, ele está contando uma história tão ridícula que faria um bebê rir (até um feto duvidaria dele), mas sem hesitação nenhuma, com uma força de crença que até me arrastou um pouco quando vi. Já eu quando estou falando uma verdade, que sei que é verdade, e que não pode ser nada além de uma verdade, titubeio, gaguejo, desvio os olhos, me enrolo com detalhes desnecessários, suo na palma das mãos, e termino implorando pra que acreditem em mim. Nem eu acredito na verdade que falo – e é uma verdade.

Como não admirar esses picaretas? Olha Anna Delvey indo pegar dinheiro emprestado no banco dizendo que é herdeira de uma fortuna, calma como uma estátua de Buda. Olha o mesmo vilão de Bad Vegan reunindo uma sala inteira de banqueiros pra conseguir um empréstimo, também usando mentiras como garantia, e calmo como o cadáver de um iogue. Já eu entro no banco pra pagar uma conta e fico nervoso quando chego no caixa.

Vejo esses documentários e séries desejando ser um pouco como esses golpistas. Desejando pelo menos ter a mesma convicção e segurança, só que para falar a verdade. Fico desejando ser uma espécie de trambiqueiro da verdade, um estelionatário sincero.

Mas, para a minha tristeza, como todos os artistas de todos os tipos de arte, às vezes os grandes mestres da picaretagem parecem modelos inalcançáveis de comportamento. Talvez só me reste ver essas séries e admirá-los de longe.

Revista Crusoé

Incoerências da esquerda pós-colonial




Não concordo com as generalizações de Maria de Fátima Bonifácio sobre africanos e ciganos mas discordo do juiz que quer julgá-la por isso. Se for condenada, será um duro golpe na liberdade de expressão. 

Por João Pedro Marques (foto)

Na reabertura dos trabalhos parlamentares o deputado André Ventura lançou mais uma diatribe contra os ciganos. A propósito de um crime eventual e alegadamente cometido por um deles — o espancamento até à morte de um agente da PSP —, lançou o anátema sobre toda a comunidade cigana. Foi interrompido e advertido pelo Presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, que lhe lembrou, e muito bem, que “não há atribuições colectivas de culpa em Portugal.” Esta advertência foi aplaudida por todos os deputados, excepção feita aos do Chega, e foi, em muitos casos, aplaudida de pé, para melhor frisar a concordância do parlamento com o que o seu presidente dissera. Como Augusto Santos Silva estava carregado de razão, esse aplauso quase unânime ecoou na sociedade portuguesa e muita gente veio a público louvar essa intervenção e perfilhar aquele reparo político e pedagógico.

Isso foi especialmente evidente entre as pessoas de extrema-esquerda que encheram o facebook com os seus louvores a Santos Silva e que, como sucedeu com Carmo Afonso, por exemplo, escreveram artigos nos jornais repetindo, muito acertadamente, que não há atribuições colectivas de culpa em Portugal. Curiosamente, algumas dessas pessoas são as mesmas que, nos últimos cinco anos, têm defendido e, até, exigido que os portugueses peçam desculpa por actos praticados por outros portugueses em contexto colonial e num mais ou menos longínquo passado. Luminárias dessa esquerda decolonial ou pós-colonial — Miguel Vale de Almeida, por exemplo — que, em Abril de 2017, exigiam a Marcelo Rebelo de Sousa que pedisse desculpa pelo envolvimento de portugueses no tráfico transatlântico de escravos, vieram agora corroborar Augusto Santos Silva e sancionar a ideia de que não há atribuições colectivas de culpa em Portugal.

A incoerência é manifesta, mas muito reveladora dos critérios ou falta deles, em que as cabeças de extrema-esquerda vão boiando. Não há, de facto, atribuições colectivas de culpa no nosso país — nem noutros —, ou seja, Augusto Santos Silva está carregado de razão e André Ventura não tem nenhuma. Mas a afirmação do Presidente da Assembleia da República é tão válida para o presente como para o passado. A culpa do comportamento brutal e ilegal de muitos portugueses e de algumas autoridades superiores ou subalternas para com as populações locais de várias partes do império português, das Molucas ao Amazonas, cabe por inteiro a essas pessoas e autoridades que o praticaram e que foram muitas vezes advertidas e condenadas pelo poder central, e não ao português seu contemporâneo que amanhava a terra no Minho ou no Algarve, e muito menos aos actuais portugueses.

Do mesmo modo, a culpa dos crimes de guerra que estão a ser praticados na Ucrânia não é do vulgar cidadão russo. A culpa também não é das gentes do PCP que, simpatizando com a Rússia, à qual estão afectivamente ligadas por décadas de subordinação e de amor, tentam suavizar ou relativizar os crimes dos seus soldados e dos seus dirigentes políticos — isso é, apenas, seguidismo e má-fé. A culpa é das bestas humanas que cometem esses crimes, e daquelas que, conhecendo os factos e os códigos legais que os proíbem e punem, lhes dão cobertura, com o execrável Putin à cabeça. Espero que seja possível levar essas bestas a tribunal e castigá-las como merecem, e lamento que já não esteja na nossa mão fazer outro tanto às muitas bestas de séculos passados cujos crimes ficaram impunes. Mas faço votos, também, para que um ou outro seguidor do pensamento de esquerda decolonial ou pós-colonial perceba, finalmente, que não pode usar um duplo critério que lhe permite verberar muito adequadamente André Ventura, por generalizar culpas, e aplaudir incoerente e indevidamente Miguel Vale de Almeida quando ele faz exactamente a mesma coisa.

PS: Quando terminava este artigo li que um juiz de instrução de Matosinhos, Miguel Aranda Monteiro, decidiu levar a julgamento a historiadora Maria de Fátima Bonifácio por alegado racismo e aplicou-lhe uma medida de coacção: termo de identidade e residência. Está em causa um artigo escrito pela minha colega em 2019, artigo esse que provocou, na altura, um grande clamor público e suscitou queixas de várias pessoas e do SOS Racismo contra ela. Essas queixas tiveram, agora, acolhimento, pois, segundo o referido juiz, Maria de Fátima Bonifácio teria ofendido, rebaixado e inferiorizado africanos e ciganos “em razão da cor da sua pele e origem, pertença cultural ou étnica”. Eu estou certo de que não foi nem é a cor da pele que incomodou e incomoda Maria de Fátima Bonifácio. Parece-me, também, com base na notícia que agora li, que o juiz se terá focado nesse aspecto — pois foi para aí que o SOS Racismo e outros queixosos apontaram as suas lanternas —, e não no verdadeiro assunto do artigo da historiadora, isto é, as quotas étnico-raciais de acesso ao ensino universitário e a injustiça de uma eventual medida que as estabeleça. Julgo, ainda, que, ao contrário do que o juiz considerou, Maria de Fátima Bonifácio não tinha como propósito ofender nem tinha consciência de que o seu texto poderia enquadrar-se em conduta proibida e punida por lei criminal.

Não concordo com as generalizações de Maria de Fátima Bonifácio sobre africanos e ciganos, e escrevi-o num artigo que publiquei nessa altura, mas discordo igualmente de um juiz que pretende julgá-la por essa razão. Se isto for avante, e se a minha colega historiadora for condenada, será um golpe profundo na liberdade de expressão no nosso país e um importante triunfo da cultura woke e do seu expoente institucional, o SOS Racismo, cujo mais conhecido dirigente, Mamadou Ba, tem espalhado ódio às pazadas e insultado pública e impunemente muita gente.

Observador (PT)

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