sábado, abril 16, 2022

Eleições 2022: quem são os pré-candidatos a Presidente e os obstáculos que devem enfrentar




Jair Bolsonaro vai disputar a reeleição enquanto Lula tenta retornar ao Palácio do Planalto para um terceiro mandato. Enquanto isso, candidatos de esquerda e direita tentam se viabilizar como 'terceira via'.

Por Nathalia Passarinho, em Londres

A eleição presidencial de 2022 tende a gerar grande polarização, com Jair Bolsonaro (PL) disputando a reeleição e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentando retornar à Presidência da República para um terceiro mandato.

Mas pré-candidatos de esquerda, centro e direita tentam se viabilizar como "terceira via", entre eles Ciro Gomes (PDT) e a senadora Simone Tebet (MDB). O ex-juiz Sergio Moro havia sido anunciado como pré-candidato pelo Podemos em novembro passado, mas na quinta-feira (31/03) abriu mão da corrida após se filiar ao União Brasil.

Já o PSDB escolheu o governador de São Paulo, João Dória, como pré-candidato do partido à eleição. Mas ele terá a tarefa difícil de resgatar a relevância do partido na corrida presidencial. Em 2018, o candidato tucano, Geraldo Alckmin, ficou em quarto lugar no primeiro turno, com pouco mais de 4% dos votos.

Após rumores de que abandonaria a corrida, Dória afirmou que seguirá na disputa pelo Planalto. O candidato confirmou a informação durante um evento com prefeitos e vereadores do estado de São Paulo no final de março.

Cabo Daciolo (PMB), por sua vez, anunciou em meados de março ter desistido de se candidatar novamente à Presidência e declarou voto em Ciro. Em 2018, Daciolo ficou em 6º lugar com 1,3 milhão de votos - 1,26% do total.

Até agora, existem três mulheres entre pré-candidatos à Presidência da República: Simone Tebet (MDB), Vera Lúcia (PSTU) e Sofia Manzano (PCB). A lista definitiva de candidatos só vai ser definida nas convenções partidárias que vão ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto de 2022.

A BBC News Brasil lista aqui as pessoas que, pouco menos de um ano antes da eleição, já foram lançadas como pré-candidatas e os desafios que cada uma tem a enfrentar.

Jair Bolsonaro, pelo PL

O presidente Jair Bolsonaro vai disputar a reeleição pelo Partido Liberal, legenda de Valdemar Costa Neto, um dos condenados no escândalo do mensalão. Atualmente, um dos principais desafios de Bolsonaro é a baixa popularidade. baixa. em baixa. Segundo pesquisa divulgada em março pelo Datafolha, 46% dos brasileiros avaliam seu governo como ruim ou péssimo. Seu governo é aprovado por apenas 25% dos entrevistados.

Alguns elementos contribuíram para essa queda: a reação do governo à pandemia do coronavírus; os escândalos envolvendo filhos do presidente, especialmente o chamado caso das "rachadinhas"; e as acusações relacionadas à compra de vacinas contra a covid. Mais recentemente, seu governo foi atingido por suspeitas de irregularidades praticadas no Ministério da Educação. As suspeitas são de que pastores evangélicos estariam cobrando propina de prefeitos em troca da liberação de verbas do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE). O governo alega que determinou que o caso fosse investigado, mas o caso já levou à queda do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro.

A crise econômica, com alta contínua da inflação, e o aumento da pobreza também podem significar desafios para a reeleição de Bolsonaro. Por outro lado, o aumento do valor do Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família) pode ajudar a recuperar parte dos votos. Bolsonaro deu novo nome ao Bolsa Família, numa tentativa de imprimir marca própria na assistência social. O presidente também conta com uma base de eleitores fiéis dispostos a ir às ruas para defender suas posições, como ocorreu nos protestos de 7 de setembro.

"O principal desafio de Bolsonaro é a avaliação ruim do seu governo, conforme mostram pesquisas de opinião", disse à BBC News Brasil o cientista político Claudio Couto, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "Tem bolsonaristas que não abandonam Bolsonaro, mas tem os bolsonaristas de ocasião, que podem abandonar Bolsonaro e ir para outros candidatos de direita, principalmente para Sérgio Moro", avalia.

Para Couto, Bolsonaro tem dois desafios pela frente que não existiam na eleição de 2018. Primeiro, ele vai ter que centrar força na campanha em atacar dois candidatos: Sérgio Moro, seu principal adversário na disputa para chegar ao segundo turno; e Luiz Inácio Lula da Silva, atualmente em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto.

"Em 2018, Bolsonaro só precisava atacar Lula. Ele era o candidato do antipetismo. Agora, tem Moro como alternativa e ele vai precisar centrar fogo em duas frentes no primeiro turno", diz Couto.

O segundo desafio é o fato de que Bolsonaro terá mais dificuldade para sustentar o discurso de combate à corrupção, especialmente após as denúncias de corrupção na compra de vacinas contra a covid e as acusações de que tentou interferir em investigações da Polícia Federal.

Se antes de se eleger presidente Bolsonaro era um dos principais defensores da Lava Jato, foi durante seu governo que a força tarefa foi desmantelada e o ritmo das investigações se reduziu consideravelmente.

"Para Bolsonaro o discurso anticorrupção foi perdido e foi perdido por conta dos problemas na família, o envolvimento em compra de vacina, e o favorecimento de seus aliados do Centrão. Esse discurso, a não ser para quem acredita que o PT detém o monopólio da corrupção, não vai colar como em 2018", diz Couto.

Bolsonaro está, atualmente, em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás apenas de Luiz Inácio Lula da Silva. Num eventual segundo turno com Lula, ele poderá voltar a personificar o antipetismo que o ajudou a se eleger em 2018.

Luiz Inácio Lula da Silva, pelo PT

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silvia aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para presidente da República, seguido por Bolsonaro e Sérgio Moro. Desde que teve sua condenação por corrupção anulada pelo Supremo Tribunal Federal, sua candidatura pelo PT à Presidência é tida como certa por políticos do partido.

Embora, não tenha confirmado que irá concorrer, o ex-presidente tem participado de eventos para discutir propostas para o Brasil, vem se reunindo com setores da sociedade, como lideranças evangélicas, e até rodou a Europa para dialogar com chefes de Estado e de governo.

O principal obstáculo do ex-presidente é o antipetismo, que ainda deve ter peso na próxima disputa presidencial, com eleitores buscando alternativas numa terceira via ou recorrendo a Moro ou Bolsonaro para evitar um retorno de Lula. Apesar disso, as últimas pesquisas de opinião mostram que a rejeição do ex-presidente é menor que a dos outros quatro candidatos mais competitivos na disputa. Uma das estratégias do PT para diminuir a resistência ao nome de Lula foi o anúncio de que o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB) será o seu candidato a vice, caso a candidatura seja confirmada.

Lula aprece com 43% de rejeição na pesquisa de intenção de voto da Quaest/Genial, divulgada no dia 8 de dezembro, enquanto 64% dizem que não votariam em Jair Bolsonaro (PL). Já Sergio Moro (Podemos) tem 61% de rejeição, Ciro Gomes (PDT), 55% e João Dória (PSDB), 59%.

"O Lula tem a dificuldade de vencer o antipetismo. Mas isso está mais fraco do que foi anteriormente. Uma parte dos problemas que originou o antipetismo, que é o escândalo de corrupção, se dissolveu pelo tempo que passou, são escândalos já precificados", avalia Claudio Couto, da FGV..

Lula tem a vantagem de, ao menos por enquanto, só ter Ciro Gomes (PDT) como adversário de esquerda na disputa. Todos os demais pré-candidatos são associados à centro-direita ou direita. Isso garante a ele maior facilidade para chegar ao segundo turno.

"Lula, de todos os candidatos, é o que pode estar na posição mais confortável. Ele tem na esquerda um apoio consolidado. Ciro Gomes, ao bater forte em Lula e Dilma, como tem efeito, abdicou de parte do eleitorado da esquerda", diz Couto.

Sergio Moro, pelo União Brasil

Em 10 de novembro, o ex-juiz Sergio Moro se filiou ao Podemos numa cerimônia na qual o partido o anunciou como "futuro presidente da República". Quatro meses depois, no final de março, Moro anunciou que estava trocando de partido e se filiando ao União Brasil. A possível candidatura de Moro, é uma das principais dúvidas na lista de presidenciáveis. Isso acontece porque a sua filiação ao União Brasil causou reações na cúpula do partido, que rechaçou as pretenções de Moro para se candidatar à Presidência. A legenda quer que ele seja candidato a deputado federal, mas Moro já disse que isso não faz parte dos seus planos.

Nos últimos dias, ele modulou o discurso e diz que é um "soldado" do chamado campo democrático, um grupo de partidos que tenta construir uma candidatura viável para além das chapas de Lula e Bolsonaro.

Depois de deixar os processos da Operação Lava Jato, renunciar ao cargo de juiz, entrar para a política como ministro da Justiça de Jair Bolsonaro e pedir demissão, Moro se torna o principal adversário do atual presidente na disputa para o segundo turno da eleição presidencial de 2022.

Nas primeiras pesquisas de intenção de voto realizadas após a filiação ao Podemos, o ex-juiz aparece em terceiro lugar na disputa, atrás de Lula e Bolsonaro. Pesquisa Datafolha divulgada no dia 16 de dezembro aponta Lula com 48% das intenções de voto no primeiro turno, Bolsonaro em segundo lugar, com 22%, e Moro em terceiro, com 9%.

"Ele tem chances de roubar votos de Bolsonaro, já que parte do eleitorado do presidente também é 'morista' ou 'lavajatista'", avalia Claudio Couto, da FGV.

Por outro lado, Moro terá o desafio de comprovar que suas capacidades vão além do discurso anticorrupção. Também terá de enfrentar as acusações de que agiu com parcialidade nos julgamentos da Lava Jato e de que cometeu abusos durante a investigação. Mas ele tem espaço para conquistar votos de antipetistas, e pode roubar parte do eleitorado do PSDB que desaprova Bolsonaro, mas também não quer o retorno de Lula.

"Ele vai ter que demonstrar que consegue dominar outros temas e fazer promessas críveis. Apostaria numa disputa entre Moro e Bolsonaro para chegar ao segundo turno. Os dois vão se vender como baluartes do antipetismo, mas Moro vai precisar comprovar que é mais que um ex-juiz", diz Couto.

João Dória, pelo PSDB

O governador de São Paulo, João Dória, foi escolhido para ser candidato do PSDB após vencer o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, em prévias realizadas pelo partido.

Durante a pandemia do coronavírus, Dória se projetou ao adotar postura oposta à de Bolsonaro na reação à crise. Nos picos de infecção, ele defendeu lockdowns, fechamento de comércio e restaurantes e medidas de isolamento social, além de ter investido, por meio do Instituto Butantan, na produção da CoronaVac, a primeira vacina a ser disponibilizada no Brasil contra a covid-19.

Para se cacifar nacionalmente, a tendência é que ele se apresente como "o candidato da vacina" contra covid, ou seja, como alguém que reagiu à crise. Mas pesquisas de intenção de voto realizadas até agora o colocam na quarta ou quinta posição no primeiro turno.

O PSDB vem passando por um processo de desgaste interno e, na última eleição presidencial, candidato tucano Geraldo Alckmin só alcançou 4% dos votos no primeiro turno resultado considerado desastroso para um partido que sempre figurava em primeiro ou segundo lugar na disputa presidencial desde 1994.

Além disso, Dória enfrenta resistências dentro do próprio partido e corre o risco de ser alvo de "fogo amigo" durante a campanha. "Há chance de integrantes do PSDB apoiarem outros candidatos de centro e direita, como Sérgio Moro", diz Claudio Couto, da FGV.

Dória também vai enfrentar o desafio de convencer o eleitorado de outras regiões do país, especialmente do Nordeste, que não é um político centrado nos interesses e desafios de São Paulo e do Sudeste.

"Dória ainda tem uma imagem antipática fora de São Paulo, de alguém muito distante da realidade das regiões mais pobres do país. Ele precisa vencer essa resistência e terá a tarefa de comprovar que tem sensibilidade para questões de outros Estados", avalia o professor de ciência política da FGV.

Ciro Gomes, pelo PDT

O PDT lançou a candidatura de Ciro Gomes à Presidência no dia 21 de janeiro, em ato na sede do partido em Brasília. Esta será a quarta vez que Ciro Gomes concorre ao cargo. Em 2018, ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 12,5% dos votos.

Ele também concorreu à Presidência em 2002 e 1998. Candidato associado à esquerda ou centro-esquerda, Ciro Gomes tenta novamente despontar como terceira via, ou seja, alternativa a Lula e Bolsonaro.

A seu favor, ele conta experiência política, numa eleição que não dará o mesmo peso a "outsiders" ou figuras antipolíticas como a de 2018. Ciro foi prefeito de Fortaleza, deputado estadual, deputado federal, governador do Ceará e ministro dos governos Itamar Franco e Lula.

Ele passou por sete partidos e deve concorrer à eleição de 2022 pelo PDT. Para fazer frente à candidatura de Lula, Ciro tem adotado uma estratégia de ataque, criticando fortemente o ex-presidente petista.

"Lembre que o Brasil mudou muito e Lula não renovou as ideias. Será que ele se corrigiu e não vai repetir aqueles erros terríveis que você só descobriu depois? O pior é que você nunca viu ele pedir perdão pelos erros e está vendo ele se juntar de novo às mesmas pessoas", escreveu Ciro nas redes sociais.

O ex-governador do Ceará também chegou a acusar Lula de conspirar para o impeachment de Dilma e, quando a petista saiu em defesa do padrinho político, Ciro reagiu dizendo que a ex-presidente foi uma das pessoas "mais inapetentes, incompetentes e presunçosas" a presidir o Brasil.

Se por um lado essa estratégia visa firmar Ciro Gomes como alternativa a Lula, por outro, pode eventualmente afastar eleitores que nutrem alguma simpatia pelo PT ou que defendem uma ampla aliança anti-Bolsonaro.

"Ao mesmo tempo em que essa estratégia pode custar votos de eleitores da esquerda, Ciro tem dificuldade em conquistar, de fato, eleitores da direita. Ele ainda é visto como alguém, no mínimo, de centro-esquerda", diz o cientista político Claudio Couto.

Simone Tebet, pelo MDB

A pré-candidatura de Simone Tebet foi lançada em dezembro de 2021 pela direção nacional do MDB.

Ela foi a primeira mulher a disputar o comando do Senado, em 2021. Também foi a primeira parlamentar mulher a comandar a disputada Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a primeira vice-governadora de Mato Grosso do Sul e primeira prefeita de Três Lagoas (MS).

A possibilidade de candidatura à Presidência surgiu do destaque que Tebet teve na CPI da covid no Senado. Embora não fosse integrante fixa da comissão, ela participou dos principais depoimentos da CPI com uma postura contundente e crítica à gestão do governo Bolsonaro na pandemia.

O principal obstáculo que a senadora deverá enfrentar é se tornar nacionalmente conhecida. "Ela é desconhecida fora de seu estado, o Mato Grosso do Sul. A CPI fez com que ela se tornasse conhecida por uma parcela pequena dos eleitores, aqueles que leem jornal, mas isso não é ainda suficiente", avalia Couto.

Para se consolidar como candidata, Simone Tebet também deverá enfrentar a resistência interna dentro do próprio MDB. Líderes do partido têm mantido encontros com o ex-presidente Lula e indicam que podem apoiá-lo no primeiro ou no segundo turno, o que enfraquece os planos da senadora. Nos últimos dias, Simone tem tentado reunir em torno de si os outros nomes da chamada terceira via, entre eles o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSDB) e Sergio Moro.

Luciano Bivar, pelo União Brasil

Luciano Bivar é deputado federal e já foi candidato à Presidência em 2006

O deputado federal e presidente nacional do União Brasil, Luciano Bivar (PE) teve seu nome escolhido pela bancada do partido na Câmara dos Deputados como o pré-candidato da legenda à Presidência da República. A decisão ainda precisará ser referendada pelas convenções partidárias, que deverão acontecer nos próximos meses. Ele tem 77 anos de idade.

Bivar é empresário e já foi dirigente do Sport Clube Recife, um dos mais tradicionais de Pernambuco. Ele foi um dos fundadores do PSL, partido pelo qual o presidente Jair Bolsonaro se elegeu em 2018.

Após desentendimentos entre Bolsonaro e o comando da sigla, o presidente deixou o partido. Em fevereiro deste ano, o PSL se fundiu ao Democratas para criar o União Brasil.

Em seus discursos, Bivar defende o liberalismo econômico. Em 2006, ele chegou a disputar a Presidência da República, mas ficou em penúltimo lugar entre todos os candidatos, com apenas 0,1% dos votos válidos.

O anúncio da pré-candidatura de Bivar coloca mais um obstáculo nas pretensões de Sergio Moro a disputar a Presidência da República. Desde que se filiou à legenda, Moro enfrenta forte resistência de integrantes do partido em relação ao seu projeto presidencial.

Apesar de estar em um partido grande e que deverá ter acesso a R$ 770 milhões do fundo eleitoral, para se consolidar como candidato, Bivar deverá ampliar a faixa do eleitorado que o conhece. Além disso, ainda não está inteiramente claro se a pré-candidatura de Bivar à Presidência é uma posição firme do partido ou se ela irá mudar ao longo dos próximos meses.

Vera Lúcia, pelo PSTU

Vera Lúcia encara sua candidatura como mais uma missão partidária

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) lançou a candidatura de Vera Lúcia na sexta-feira (19/03). Esta será a segunda vez que ela disputa a presidência pela sigla. A primeira foi em 2018, quando obteve 55,7 mil votos, o equivalente a 0,05% dos votos válidos.

O PSTU foi fundado no início dos anos 1990 a partir de dissidências de outros partidos como o PT, partido ao qual Vera Lúcia chegou a ser filiada até 1992. O partido se auto-define como "socialista e revolucionário".

Antes de ingressar na carreira política, Vera Lúcia foi faxineira e costureira em Sergipe, estado onde iniciou sua militância. Ela participou da fundação do sindicato dos profissionais de costura da indústria calçadista do estado.

Durante os governos petistas, o PSTU se colocou como oposição, fazendo críticas tanto às gestões do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto de Dilma Rousseff.

Na avaliação da cientista política Carolina Botelho, o Laboratório de Estudos Eleitorais, de Comunicação Política e de Opinião Pública da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o principal obstáculo a ser enfrentado por ela e por outros candidatos pouco conhecidos é, justamente, a a alta taxa do eleitorado que afirma não saber quem eles são.

"Em geral, a principal barreira é o desconhecimento. Para fazer dessa candidatura algo nacional, é muito difícil nesse contexto", afirma Botelho.

Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha divulgada na quinta-feira (24/03) mostra que 69% dos eleitores entrevistados afirmam não conhecerem Vera Lúcia.

Sofia Manzano, pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Em fevereiro, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) lançou a pré-candidatura da professora universitária Sofia Manzano. Ela tem 50 anos de idade começo sua militância política aos 18, em 1989.

Manzano é economista formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), mestra em desenvolvimento econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e doutora em História pela Universidade de São Paulo (USP).

Desde 2013, ela vive em Vitória da Conquista, onde dá aulas na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). O foco das suas pesquisas são as relações de trabalho e a desigualdade social.

Em entrevista concedida no dia 6 de abril para o site Brasil de Fato RS, Manzano defendeu propostas como intensificar pesquisas universitárias para o setor agrícola para que elas tenham como foco a agricultura familiar e as pequenas propriedades e não o chamado agronegócio. Ela também fez uma defesa do comunismo.

"Porque o comunismo é a proposta mais generosa que a humanidade já produziu para ela própria. Mas como o comunismo sempre é o responsável pelo enfrentamento do que há de mais terrível no capitalismo, é muito demonizado", disse Sofia.

Luiz Felipe D'Ávila, pelo Partido Novo

O cientista político Luiz Felipe D'Ávila foi anunciado no dia 3 de novembro como pré-candidato do Partido Novo à Presidência da República. Em 2018, o partido surpreendeu em desempenho quando seu então candidato à presidente, João Amoêdo, terminou o primeiro turno em quinto lugar, com 2,5% dos votos, à frente de candidatos como Henrique Meirelles e Marina Silva.

Amoêdo, que chegou a anunciar voto em Bolsonaro no segundo turno, passou a defender o impeachment do presidente durante a pandemia. Ele chegou a ser lançado novamente como pré-candidato pelo Novo no início do ano, mas sua candidatura sofreu oposição de parcela dos integrantes do partido, sobretudo entre os que apoiam Bolsonaro. O partido, então, decidiu lançar Luiz Felipe D'Ávila.

Ex-PSDB, D'Ávila coordenou o programa de governo do candidato tucano à Presidência Geraldo Alckmin em 2018, mas depois deixou o partido e recentemente se filiou ao Novo. Ele é crítico de Bolsonaro e Lula, e diz que os dois formaram governos "populistas de direita e esquerda". Ao ser lançado pré-candidato pelo Novo em cerimônia no dia 3 de novembro, ele defendeu privatizações e outras reformas para reduzir o papel do Estado na economia.

"O populismo apenas perpetua a miséria, a pobreza, a corrupção e o mau funcionamento das instituições democráticas", disse.

A dificuldade do partido Novo será tornar D'Ávila conhecido nacionalmente. Além disso, enquanto em 2018 o partido se beneficiou de um forte movimento de rejeição da política e de busca por quadros novos, a eleição de 2022 tende a ser menos focada na busca pelos chamados "outsiders".

Na avaliação de Carolina Botelho, um dos principais obstáculos a serem enfrentados por D'Ávila é o desgaste do Partido Novo decorrente da aproximação da legenda com posições bolsonaristas.

"Acho que o principal problema a ser enfrentado é a rejeição que o Novo ganhou nos últimos anos. Eles foram responsáveis pelo ingresso do ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles na vida pública e estão com uma imagem muito associada ao bolsonarismo", afirmou.

Leonardo Péricles, pela Unidade Popular pelo Socialismo (UP)

Leonardo Péricles é técnico em eletrônica e presidente nacional do Unidade Popular pelo Socialismo (UP), um partido de esquerda fundado em 2019. Ele mora em uma ocupação em Belo Horizonte e sua pré-candidatura foi anunciada em novembro de 2021.

O pré-candidato defende pautas como a realização de uma nova assembleia constituinte e um plebiscito para consultar a população sobre refinanciamento da dívida pública do país e a reforma urbana por meio da destinação de imóveis ociosos para moradia popular.

Assim como Vera Lúcia, Leonardo também enfrenta uma alta taxa de desconhecimento por parte do eleitorado.

Segundo o Datafolha, 80% dos eleitores entrevistados em março afirmaram não conhecerem o pré-candidato.

"Acho que essa barreira (baixa taxa de reconhecimento) é muito grande. Até por isso, não acredito que algumas dessas candidaturas tenham, de fato, o objetivo de chegar à presidência. É comum que alguns usem esse momento para levantar suas bandeiras e fazerem seus partidos ficarem mais conhecidos", afirma Carolina Botelho.

André Janones, pelo Avante

Andre Janones

André Janones tem 37 anos, nasceu em Ituiutaba, no triângulo mineiro, é advogado e exerce seu primeiro mandato como deputado federal

O partido Avante oficializou a candidatura do deputado federal André Janones (MG) no dia 29 de janeiro. Em discurso, ele defendeu a criação de um programa de renda mínima para pessoas na faixa da pobreza no Brasil.

"Vamos encampar essa campanha de um programa de renda mínima para aqueles que mais precisam. E quando eu falo sobre isso, a primeira coisa que sempre me perguntam em qualquer entrevista ou debate é 'vai tirar dinheiro de onde?'. Ninguém nunca perguntou de onde vai tirar dinheiro para pagar o juro a banqueiro, para pagar amortização de dívida, para pagar privilégio de político", disse.

Janones também tenta se consolidar como a "verdadeira" opção da "terceira via". No lançamento de sua candidatura, ele chamou Ciro Gomes (PDT) e Sergio Moro (Podemos) de "puxadinhos" de Lula e Bolsonaro, respectivamente.

"As pessoas não migraram para a terceira via porque perceberam que era mais do mesmo. O eleitor que vota em Bolsonaro não vê muita diferença se for para Moro e os eleitores de Lula não veem muita diferença em mudar para Ciro. É trocar seis por meia dúzia", declarou.

André Janones tem 37 anos, nasceu em Ituiutaba, no triângulo mineiro, é advogado e exerce seu primeiro mandato como deputado federal.

Em 2016, ele se candidatou à prefeitura da cidade em que nasceu, mas foi derrotado. Dois anos depois, foi um dos principais apoiadores da greve dos caminhoneiros em MG, o que fez bombar a sua popularidade das redes sociais.

Em 2018, foi o terceiro deputado federal mais votado de Minas Gerais, com 178.660 votos. Assim como os demais pré-candidatos à presidência que são parlamentares, Janones terá a dificuldade de se tornar realmente conhecido em âmbito nacional.

José Maria Eymael, pelo Democracia Cristã

José Maria Eymael concorre pela sexta vez

O fundador e atual presidente do Democracia Cristã, é apresentado como pré-candidato pelo partido desde 2020, mas a informação foi formalizada na quarta-feira (30/03).

Empresário e advogado, com especialização em Direito Tributário, Eymael já disputou a Presidência outras cinco vezes no passado. Foi deputado federal constituinte em 1988 e ficou conhecido pelo jingle "Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão", lançado em 1985, quando se candidatou a prefeito de São Paulo pela primeira vez.

No discurso em que formalizou sua participação na corrida de 2022, o candidato disse que é a favor de "valores da família" e que defende a adoção de programas de emprego e moradia para o país.

"Nossos valores são os valores da família, as necessidades da família. E na campanha para a Presidência da República vamos defender alguns princípios. Um deles é o emprego. E, para ter emprego, precisamos ter desenvolvimento no país", declarou.

O convite para o evento do Democracia Cristã em Brasília na quarta o apresentou como pré-candidato e informou que o ato foi destinado a filiações à legenda.

Eymael, de 82 anos, concorreu à Presidência nas eleições de 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018. Nunca foi para o segundo turno e, nas últimas eleições, recebeu 41,7 mil votos (0,04%).

Estado de Minas / BBC Brasil

O lado positivo do Bolsonarismo



A corrupção na Saúde mata?

 A corrupção na Saúde mata?


Carlos Eduardo Gouvêa*

13 de abril de 2022 | 05h00


Pouco mais de dois anos se passaram desde que o SARS-CoV-2, vírus causador da COVID-

19, chegou ao Brasil trazendo muita dor, desafios e incredulidade sobre a capacidade do


ser humano em ser criativo – inclusive para o mal!

Segundo dados publicados em fevereiro último pelo IPEA – Instituto de Pesquisa

Aplicada, durante o período da pandemia, o brasileiro perdeu cerca de 4,4 anos de

expectativa de vida. Ou seja, ao invés de vivermos os esperados 76,6 anos (média de

2019), vivem-se hoje cerca de 72,2 anos. A razão é simples: morreram muito mais jovens

do que se esperava. Aliado a isto, a decisão de muitos casais em postergar gravidezes

planejadas trouxe também um grande impacto futuro no crescimento da mão de obra

– a PIA (população em idade ativa) cairá de 136 milhões em 2020 para 133 milhões em

2035. Algumas destas mudanças poderão ser revertidas no longo prazo, porém nos

curto e médio prazos, teremos uma pesada conta a pagar em várias áreas.

A grande pergunta que fica é: precisávamos estar nesta situação? Provavelmente não!

Se por um lado, fomos muito rápidos na formação de alianças para buscar soluções,

houve também muita rapidez para a proliferação de desvios de condutas, fraudes,

corrupção, nos diferentes níveis.


Do lado positivo, merece destaque a rapidez com que todo o setor de saúde organizou-

se diante do apagão logístico e de suprimento do início de 2020, a fim de buscar


alternativas para restabelecer linhas aéreas com a Ásia, por exemplo – contando

inclusive com fretamentos de aeronaves para importação dos insumos básicos que se

faziam urgentes, tais como respiradores, máscaras, testes de diagnóstico. A sociedade

civil organizada também fez o seu papel ao colaborar com programas de mapeamento

das estruturas de vacinação em todo o País, colaborando rapidamente com

equipamentos e outros itens necessários para iniciar-se o quanto antes a vacinação, tão

logo estivessem os imunizantes aprovados pela ANVISA e disponibilizados pelo PNI –

Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde. O Legislativo Federal, por sua

vez, montou uma comissão especial mista para o combate à COVID-19 e, de forma

ininterrupta, procurou dar respostas céleres às mais diferentes necessidades que iam

surgindo. E assim, tantos outros atores, como ANVISA – Agência Nacional de Vigilância

Sanitária, IES – Instituto Ética Saúde, ABIIS – Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em

Saúde, vieram de forma criativa e colaborativa com boas propostas que foram sendo

paulatinamente implementadas.

Por outro lado, à medida em que várias ações foram sendo implementadas para evitar

burocracia e demora excessivas no acesso a suprimentos essenciais, como por exemplo


a dispensa de licitações para itens relativos à COVID-19, possibilitada pela Lei 13979/20,

várias denúncias de desvios de conduta foram sendo reportadas por diferentes canais e

mesmo pela imprensa. Casos como respiradores comprados e jamais entregues ou

máscaras vendidas por uma loja de vinhos por valores totalmente incompatíveis com a

realidade de mercado. E eles não foram únicos. Nas várias esferas houve situações claras

de corrupção, pagamento de propina, falta de seguimento das regras mais básicas de

um processo de compra. O que se viu foi um total abandono dos controles exigidos em

licitações, por vários gestores e nas três esferas: União, Estados e Municípios.

O Instituto Ética Saúde e seus parceiros procuraram, ao longo da pandemia, alertar os

gestores públicos sobre a importância de manter os controles e as boas práticas de um

processo de aquisição, mesmo que diante da possibilidade de dispensa de licitação. O

apreço pela integridade no processo deve permanecer em qualquer situação – mesmo

em casos de extrema emergência e urgência dos atos. Foram estruturados, dentro do

IES, comitês de apoio tanto para o gestor público com eventuais dúvidas sobre como

conduzir um processo nesta situação excepcional, bem como para o empresário,

preocupado em fornecer o seu produto de forma rápida e correta (“Plantão de Dúvidas

– COVID-19” e “Assessoria para Aquisição de Produtos para Saúde – COVID-19”)

O impacto total da corrupção na saúde dificilmente poderá ser corretamente avaliado,

porém a percepção do custo da corrupção na saúde em breve o será, através de um

projeto conjunto da FGVethics com o Instituto Ética Saúde. O fato é que para cada

denúncia que é feita, há possivelmente outras tantas situações que não serão

conhecidas e não serão, portanto, investigadas e seus responsáveis jamais serão

punidos... Lamentável pois além do custo econômico, haverá um custo social

considerável, como se percebe no prefácio deste artigo: 4,4 anos de vida do brasileiro

foram ceifados por conta da pandemia. Quanto não poderíamos ter evitado se não

houvesse corrupção na saúde?

O CIDADÃO INVISÍVEL

Todavia, infelizmente, a corrupção acaba trazendo um ônus maior para aquele cidadão

invisível ao sistema, que, por não saber seus direitos, não se manifesta. Ao não se

manifestar, acaba criando, involuntariamente, um terreno fértil para criminosos

inescrupulosos que se valem de licitações fraudadas, produtos irregulares ou

falsificados, contratos pagos e produtos não entregues, apenas para citar alguns dos

esquemas encontrados.

No Brasil, o SUS – Sistema Único de Saúde tem como um dos seus pilares a

universalidade do acesso. Ou seja, toda a população deveria ter acesso a produtos e

serviços essenciais para saúde. A questão principal nesta discussão é se há ou não a

correta informação sobre tais direitos do cidadão e sobre os deveres do Estado. A

resposta é bem simples: não!

A própria fragmentação do processo decisório no sistema de saúde acaba aumentando

ainda mais a fragilidade e hipossuficiência do indivíduo na ponta: no sistema privado, a

escolha do médico é feita pelo paciente, mas a prescrição do tratamento e produto a


ser utilizado é feita pelo médico. Por sua vez, quando se vai escolher o provedor de

serviço de saúde, tal decisão será tomada em conjunto pelo médico e paciente. Por fim,

a escolha do fornecedor do produto a ser utilizado caberá ao serviço de saúde.

Já no setor público, o paciente não tem praticamente direito a qualquer escolha. Ele

simplesmente tem de aceitar o que se oferece: profissionais de saúde, locais de

assistência, produtos disponibilizados. A sua desinformação fica ainda maior neste caso:

diagnóstico, prognóstico, terapia, produtos, serviços.

A corrupção na Saúde mata? Sim! Porém, arrisco a dizer, não é o único motivo por tanta

morte e prejuízos. A demora na liberação e promoção do acesso a diagnóstico e terapias,

pelas mais diversas razões inclusive por falta de regulação e políticas públicas, pode ser

tão ou mais danosa. No caso da pandemia, aprendemos a duras penas que é mais do

que necessário incorporar-se de maneira acelerada novas soluções em termos de

diagnóstico e terapias, além de novos ambientes de saúde para promoção do acesso.

Foram registrados pela ANVISA (1), neste período, mais de 764 testes de diagnóstico (RT

PCR, testes de anticorpo, antígeno e, recentemente, autotestes) que possibilitaram

informações cada vez mais precoces e precisas para o individuo e, por consequência,

para o rastreamento de seus contatos – buscando-se assim a interrupção do ciclo de

transmissão do vírus. O controle epidemiológico, normalmente papel do Estado, acabou

sendo feito em parte pelo setor privado, como no caso da ABRAFARMA, que conseguiu

realizar mais de 16,6 milhões de testes neste período – em um ambiente de saúde

totalmente novo para o diagnóstico: a farmácia.

Ao se adotarem novas ferramentas de diagnóstico (testes rápidos e autoteste de

antígeno) e novos ambientes, mais próximos do cidadão (farmácias), conseguimos

seguramente trazer muitos cidadãos até então invisíveis para o sistema de saúde.

Muitos deles nunca tinham feito um exame de diagnóstico e, por medo, insegurança ou

até distância, não iriam a laboratórios ou hospitais para se testar.

Com tudo isto, vemos que a responsabilidade para aprimorar-se o legado que será

deixado é enorme. Temos de olhar para outras situações graves que nos rodeiam, como

a atual epidemia de sífilis ou mesmo os mais de 500 mil pacientes com hepatite C, uma

doença grave e silenciosa, que não sabem do seu status (sendo que há tratamento

incorporado e disponível no SUS). Temos de continuar avançando na promoção do

acesso de forma inteligente e acelerada, dentro do conceito de universalidade.

Aprendemos, infelizmente, que o tempo urge! E que corrupção e omissão na Saúde

matam!

1 ANVISA

https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiNTY5NGJmZWQtMWU3YS00ZTNjLTllZWUtN

mFlZWUyODFkYTQ5IiwidCI6ImI2N2FmMjNmLWMzZjMtNGQzNS04MGM3LWI3MDg1Zj


*Carlos Eduardo Gouvêa, advogado e administrador público, é executivo de Relações

Institucionais do Instituto Ética Saúde e presidente executivo da CBDL – Câmara

Brasileira de Diagnóstico Laboratorial


Este texto reflete única e exclusivamente a opinião do(a) autor(a) e não representa a visão do Instituto

Não Aceito Corrupção

Na volta da insensatez, Bolsonaro retoma, em SP, as vergonhosas e caras motociatas

Presidente, que não move uma palha diante do caos socioeconômico instalado no Brasil, faz nesta sexta (15) mais um de seus showzinhos particulares de mediocridade e sadismo luxuoso com o dinheiro público – Por Henrique Rodrigues

Créditos: Bolsonaro em Brasília (Foto: Marcos Corrêa/PR)
Escrito en OPINIÃO el 

No país da infâmia e do governo abertamente inerte diante das chagas impostas ao povo após mais de três anos de uma política extremista desastrosa que lançou a República num oceano de miséria, desesperança e ódio difuso, Jair Bolsonaro, o mensageiro do caos, espécie de divindade que milicianizou o Brasil e tragou para o ralo da morte o pouco de vida que tínhamos, retoma a mais emblemática das ações desavergonhadas de seu mandato: as motociatas.

Símbolo de sua verve detestável e vitrine das milícias organizadas e desorganizadas do país, nesta sexta-feira (15), ele voltou a São Paulo, a maior metrópole brasileira, para desfilar com sua moto potente, cercado por uma matilha lorpa que exala violência e ódio por todos os poros. Tudo isso, que custa milhões de reais cada vez que o “evento” ocorre, pago pelo contribuinte. Seu governo não tem um mísero plano mambembe para tentar achatar a inflação, ou diminuir o desemprego e a miséria, mas o exibicionismo boçal dos detestáveis tem espaço (e dinheiro) de sobra para figurar como prioridade.

É a institucionalização do banditismo e da vilania.

Denominada “Acelera Para Cristo”, a motociata desta sexta ensolarada partiu de São Paulo às 10h e tomou como rumo a rodovia dos Bandeirantes. Tarcísio de Freitas, seu ex-ministro da infraestrutura e candidato a governador do estado mais rico e populoso do país, participou da celebração dantesca que evoca simbologia cristã para conquistar as camadas mais reacionárias de uma gente permanentemente em transe.

As imagens são as mesmas, desde o período da pandemia. Dinheiro público sendo rasgado, deboche da cara dos brasileiros que passam fome (e nunca foram tantos) e as clássicas bandeiras cretinas que alienam o debate político, tornando-o raso, estéril e ameaçador.

Um levantamento divulgado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo à rede CNN mostra que apenas na encenação descabida e grotesca desta Sexta-feira Santa, Bolsonaro torrou R$ 1 milhão. Se somadas as motociatas realizadas desde 2021, o valor absurdo para sustentar a farra arruaceira de um sujeito a quem chamamos de chefe de Estado chegou a R$ 7,82 milhões

A palhaçada ainda gera problemas para a população. Na saída de um feriado, quando o trânsito já é naturalmente perturbado, uma das principais estradas de São Paulo teve pistas interditadas num trecho de 137 quilômetros, entre a capital e a cidade de Santa Bárbara d’Oeste.

Daqui para frente, cada vez mais teremos que conviver com as demonstrações nojentas e sujas de poder, por parte do elemento político mais deletério da História do Brasil, que se nega a aceitar que sua derrocada pode estar próxima do fim. Agora, é respirar fundo, segurar a náusea e somar forças até a batalha final, em outubro.

https://revistaforum.com.br

Motociata de Bolsonaro é patrocinada por empresa que fornece suplementos ao Exército

O evento em apoio ao presidente foi realizado na manhã desta sexta em São Paulo

Moticiata de Bolsonaro é patrocinada por empresa que fornece suplementos ao Exército.Créditos: Bolsonaro em Brasília (Foto: Marcos Corrêa/PR)
Escrito en POLÍTICA el 

A empresa GDS - Grow Dietay Supplement, que fornece suplementos para o Exército, está listada como uma das patrocinadoras da motociata em apoio ao presidente Bolsonaro (PL) que ocorreu na manhã desta sexta-feira (15), em São Paulo. 

Segundo informações do jornalista Guilherme Amado, no Metrópoles, a empresa aparece na lista de patrocinadores da motociata com o seu nome fantasia, Black Skull. 

A GDS consta no Portal da Transparência como fornecedora de diferentes complementos alimentares ao Comando do Exército. Somadas, as notas fiscais representam R$ 83 mil. A primeira nota data de 28 de outubro do ano passado e a última de 2 de março. 

No site da empresa é informado que eles oferecem descontos para militares. "Qualquer membro de qualquer polícia (seja militar, Guarda Municipal, Civil, Federal, cientifica ou outra) brasileira que possua funcional válida, inclusive bombeiros e combatentes das Forças Armadas (FEB, FAB e MB) recebem desconto de 20%", diz a empresa. 

Com informações do Metrópoles 

https://revistaforum.com.br/politica

Pesquisa inédita pode ajudar na recuperação de florestas

Pesquisa inédita pode ajudar na recuperação de florestas
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV), em Belém, identificaram marcadores moleculares capazes de quantificar genes e proteínas que favorecem práticas de manejo e aumentam o estoque de carbono no solo. A pesquisa inédita pode ajudar na recuperação de florestas e potencializar a captura de carbono da atmosfera. As informações são da Agência Brasil.

 

O estudo Genes e proteínas relacionados a ciclagem de nutrientes, fixação de carbono e saúde do solo teve início em 2016 e se divide em três vertentes: mapeamento dos solos naturais, acompanhamento da recuperação de áreas degradadas e avaliação da qualidade do solo em projetos de reflorestamento e sistemas agroflorestais. Nesta última etapa, o levantamento está associado à meta de recuperar mais 500 mil hectares de florestas no Brasil até 2030.

 

Os pesquisadores recolhem amostras do solo e, no laboratório, conseguem mapear o DNA e as proteínas existentes. Segundo o coordenador do estudo, Rafael Valadares, já foram feitas pesquisas em solos naturais, sistemas agroflorestais e impactados pela mineração. O estudo teve início na Floresta Amazônica, com análise do solo na Serra de Carajás, área de atuação da Vale, principalmente nos campos rupestres ferruginosos e na Floresta Nacional de Carajás.

 

“Fizemos uma grande biblioteca de genes e proteínas dessas áreas naturais. Em um segundo momento, conhecendo o que existe de biodiversidade microbiana, rotas bioquímicas de funções nos sistemas naturais, avançamos para áreas de projetos de recuperação de áreas degradadas. Também na Floresta Amazônica, nas áreas recuperadas pela Vale, onde conseguimos demonstrar o avanço da recuperação do ponto de vista bioquímico do solo - que é o coração da floresta”, explicou à Agência Brasil.

 

De acordo com Valadares, a terceira etapa foi realizada em um projeto piloto em Linhares, no Espírito Santo, na Reserva Natural Vale e entorno, onde são analisados diferentes sistemas produtivos.

 

“É avaliada a capacidade de agrossistemas florestais, que são sistemas mais conservativos que usam do plantio de frutíferas, associados com espécies arbóreas. Avaliamos em Linhares a capacidade de sistemas agroflorestais de estocar mais carbono e se o sistema agroflorestal é um solo mais saudável ou não. O objetivo é ver qual sistema está contribuindo para um solo mais saudável”, disse.

 

O estudo é disseminado a produtores rurais para que possam compreender melhor o solo em que atuam. “De posse das informações do que está funcionando bem ou mal no solo, o produtor pode direcionar as técnicas de manejo para corrigir o que está indo errado. Da mesma maneira, podemos comparar diferentes sistemas de cultivo, diferentes plantios e indicar qual sistema está contribuindo para melhoria geral do solo e qual está degradando”, argumentou.

 

SOLOS

Nesta sexta-feira, 15 de abril, é comemorado o Dia Nacional da Conservação do Solo. Dados do Painel Intergovernamental para Mudanças do Clima das Nações Unidas (IPCC) mostram que o solo responde por cerca de 70% do carbono estocado na terra na forma de matéria orgânica. Isto representa quase três vezes mais do que o armazenado na vegetação e cerca do dobro em comparação com a atmosfera.

 

Atualmente, de acordo com Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 33% dos solos do mundo e 52% dos solos agrícolas estão degradados, principalmente por erosão, compactação e contaminação. Segundo o especialista em Solos e Microbiologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Igor Assis, o solo é fundamental para a vida na Terra.

 

“O solo tem várias funções, como produção de alimentos, fibras e combustíveis. Mas ainda como sequestro de carbono, purificação de água - a água que sai da nascente geralmente é limpa porque o solo faz essa purificação; degradação de contaminantes - muitos que acabam sendo aportados no solo, a própria microbiota degrada esses contaminantes”, explicou.

 

Assis ressaltou ainda a importância do solo na regulação de enchentes. “Quando o solo é bem manejado, estruturado, ele armazena uma quantidade gigantesca de água das chuvas. Quando o solo está degradado, fica compactado e não consegue armazenar essa água de chuva, que acaba indo toda para os rios e aí acontecem as grandes enchentes que a gente vê atualmente. O solo tem a função de ser fonte de recursos genéticos e farmacêuticos, que tem uso direto pela população no nosso dia a dia”, disse.

 

Para o professor, a educação a respeito do solo é essencial para a sobrevivência da espécie humana.

 

“Temos um crescimento exponencial da população mundial e vem aumentando muito a quantidade de solos degradados. Então, estamos indo para uma conta que não fecha: a população crescendo, precisamos produzir mais alimentos que os solos nos fornecem e eles estão sendo degradados e num futuro não muito distante, muitos desses serviços vão ser reduzidos drasticamente e isso afeta diretamente a nossa vida”, afirmou.

 

BAIXO CARBONO

Outro ponto em destaque é a recente discussão sobre economia de baixo carbono, destinada a conter as emissões de gases de efeito estufa. O assunto tem ganhado cada vez mais espaço pelo mundo

 

Segundo o professor, solos bem manejados são uma forma eficaz de conservar carbono na forma orgânica, diminuindo a emissão de gases do efeito estufa e contribuindo para o mercado de crédito de carbono.

 

“A questão de mudanças climáticas, que está relacionada com a economia de baixo carbono tinha inicialmente a ideia de diminuir a emissão de CO2 para atmosfera e hoje a gente trabalha com duas áreas relacionadas a isso: que é diminuir a emissão, como sequestrar, drenar o carbono que está na atmosfera. E o único componente que a gente consegue manejar para fazer isso de forma mais fácil é o solo”, destacou.

 

Nesse sentido, para precificar o mercado, países têm criado o chamado mercado de carbono, um mecanismo que permite a venda de créditos por nações que limitam as emissões desses gases para nações com maiores dificuldades de cumprir as metas de redução.

 

No Brasil, o tema tem sido discutido na Câmara dos Deputados com o PL 528/2021, que institui o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE). A proposta quer assegurar a diminuição da emissão de gases do efeito estufa, freando o aquecimento global.

Bahia Notícias

Outsiders acumulam desgastes e enfrentam obstáculos para eleições


por Artur Rodrigues | Folhapress

Outsiders acumulam desgastes e enfrentam obstáculos para eleições
Foto: Reprodução / Poder 360

"Não sou político, sou gestor", repetia o empresário João Doria (PSDB), quando apareceu na cena política em 2016.
 

Banindo a gravata e vestindo o figurino do empresário que traria da experiência na iniciativa privada as soluções para a política, ele foi um dos pioneiros da onda de outsiders que inundou a política nos últimos anos.
 

Seis anos depois, porém, a fórmula parece ter se exaurido. Muitos que surgiram com essa roupagem patinam nas pesquisas e vivem percalços no período pré-eleitoral resultantes do isolamento político -caso do próprio Doria.
 

Enquanto isso, figuras da política tradicional, varridas pelo desejo de renovação e de castigar uma classe atolada por escândalos de corrupção, já fazem planos para voltar.
 

Com a mudança da maré, o apresentador Luciano Huck nem se arriscou a entrar na disputa presidencial e preferiu a calmaria dos domingos na TV Globo. O ex-juiz Sergio Moro, cuja candidatura era tida como forte, não decolou e por ora foi tirado do páreo da corrida pelo Planalto pelos políticos profissionais.
 

A situação era diferente nos últimos anos. Após os protestos de junho de 2013, cresceu um sentimento de insatisfação contra a política tradicional que se mostrou nas urnas a partir de 2016.
 

Dois anos depois, mesmo políticos com décadas de experiência, como o presidente Jair Bolsonaro (PL), estavam vestindo o figurino de outsider para colher dividendos políticos.
 

"[Em 2016] foi um momento em que surgiram algumas figuras contra o establishment político que passaram uma ideia de que as pessoas que viriam de fora da política teriam mais virtudes e capacidades do que aquelas que estavam viciadas com algumas práticas do sistema político brasileiro", diz o cientista político Bruno Silva, pesquisador do Laboratório de Política e Governo da Unesp Araraquara.
 

Para Silva, parte dos eleitores já começou a demonstrar arrependimento logo nas eleições municipais de 2020. Na opinião dele, isso se deveu justamente à performance das pessoas que foram eleitas como outsiders nos últimos anos.
 

"Muitos daqueles que iriam fazer algo diferente, que diziam representar a nova política, na verdade não tinham absolutamente nada de novo. E mostraram inexperiência, incapacidade diante da gestão pública e trapalhadas", diz o cientista político.
 

Uma das principais forças antissistema, turbinada com o discurso anticorrupção e protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT), o MBL (Movimento Brasil Livre) se enfraqueceu ao se descolar do bolsonarismo. Agora, se vê em crise devido a declarações dadas por seus membros.
 

O deputado estadual paulista Arthur do Val (União Brasil) foi obrigado a desistir do posto de pré-candidato ao governo pelo Podemos após vazarem declarações sexistas sobre mulheres ucranianas, como a aquelas em que disse que elas "são fáceis porque são pobres".
 

De postura confrontadora em relação aos colegas da Assembleia Legislativa de São Paulo, ele pode ser vítima do isolamento político que construiu e receber pena mais grave, a cassação, já aprovada pelo Conselho de Ética da Casa.
 

Outro célebre integrante do MBL, o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil) teve a imagem abalada por discussão sobre nazismo.
 

Ele participou do podcast Flow ao lado do podcaster Monark (Bruno Aiub) e da deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
 

Monark defendeu o direito de existência de um partido nazista. Tabata Amaral rebateu o podcaster. Kim foi questionado por Tabata se achava errado a Alemanha ter criminalizado o nazismo. O deputado respondeu que sim.
 

"Por mais absurdo, idiota, antidemocrático, bizarro, tosco que [seja o assunto que] o sujeito defenda, isso não deve ser crime. Por quê? Porque a melhor maneira de você reprimir uma ideia antidemocrática, tosca, bizarra, discriminatória, é você dando luz àquela ideia para que aquela ideia seja rechaçada socialmente, e então socialmente rejeitada", afirmou o deputado no debate.
 

Com dificuldade de se encaixar, integrantes do grupo já vinham pulando de partido em partido nos últimos anos -a última mudança foi do Podemos para a União Brasil.
 

Os problemas do MBL respingaram em outro outsider, o ex-juiz e agora ex-aliado do grupo Sergio Moro, que, após diversas ações vistas como mostra de inabilidade política, parece ter sido escanteado da corrida presidencial.
 

Figura mais conhecida da operação Lava Jato, Moro encampa o discurso anticorrupção que mobilizou a política nos últimos anos, mas que hoje ficou em segundo plano.
 

A corrupção, que, no auge da operação, entre 2015 e 2017, chegou a ser apontada como o principal problema do país, com menções na casa dos 35%, hoje é citada por apenas 5% dos ouvidos pelo Datafolha. Saúde (22%) e economia (15%) são as maiores preocupações atualmente.
 

O ex-juiz teve sua imagem desgastada ao aderir e se descolar do bolsonarismo, e também devido a sua postura em relação ao ex-presidente Lula (PT) ter sido declarada parcial pela Justiça.
 

Nesse cenário, ele não ultrapassa a casa de um dígito na corrida presidencial, com a polarização dos eleitores entre Bolsonaro e Lula.
 

Em busca de uma estrutura partidária para tentar furar esse teto, Moro mudou do Podemos para a União Brasil, onde caciques do partido pretendem enterrar de vez seu sonho de concorrer a presidente.
 

Se o ex-juiz se contentar com a disputa para a Câmara dos Deputados, ainda deverá atuar como puxador de votos em um partido cheio de figuras que foram alvos da Lava Jato.
 

Também cheio de inimigos no mundo político, o ex-governador Doria patina na corrida presidencial. Mesmo tendo vencido as prévias, o PSDB está rachado entre seu nome e o do ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite, com ambos em pré-campanha.
 

A situação de Doria é vista por especialistas e pelo mundo político como o resultado de anos de atitudes desastradas que o isolaram, além de uma imagem desgastada pelo o excesso de exposição --situação que não foi revertida nem mesmo pela marca de ter trazido a primeira vacina contra o coronavírus ao país.
 

Doria falhou na primeira queda de braço interna do PSDB quando, em agosto de 2019, propôs a expulsão de Aécio Neves (PSDB-MG), implicado no áudio da JBS, e perdeu na votação da executiva do partido por 30 a 4. Aécio foi absolvido neste mês.
 

Desde então, Doria tem Aécio como inimigo na sigla --o mineiro opera contra os interesses do paulista e lhe impôs outras derrotas, como na definição das regras das prévias presidenciais tucanas.
 

Sem a mesma base de apoio e com suspeitas de corrupção em seus estados, outros outsiders eleitos para governos estaduais sofreram dificuldades ainda maiores que Doria. O ex-governador do Rio Wilson Witzel (PSC) ficou pelo caminho, após processo de impeachment e cassação do mandato.
 

O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, sofreu dois processos de impeachment e escapou. Wilson Lima, do Amazonas, também teve pedido arquivado. Moisés e Lima agora tentam se reeleger em disputas que devem ser apertadas, mostram pesquisas.
 

Com a máquina na mão, porém, outros governadores com perfil parecido estão em situação mais confortável. É o caso de Romeu Zema (Novo), em Minas, e Ibaneis Rocha (MDB), no Distrito Federal.
 

Em São Paulo, o atual governador, Rodrigo Garcia (PSDB), faz o caminho inverso de Doria, de quem pretende se descolar. Na campanha, nenhum sinal da figura de outsider. Ele investe na imagem de político experiente e com perfil técnico para continuar chefiando o Palácio dos Bandeirantes.
 

Eleitos na cola do bolsonarismo para o Congresso, muitos políticos antissistema perderam parte da sua base de apoio ao se descolar do presidente e ainda tateiam em busca de um novo público.
 

Um caso simbólico é o da deputada federal Joice Hasselman (PSDB), que deve tentar a reeleição. Eleita com 1 milhão de votos em 2018, dois anos depois, já afastada do bolsonarismo, ela conseguiu apenas 10% disso na disputa à Prefeitura de São Paulo.
 

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB) é outro que tenta se reinventar. Dizendo-se desiludido com Brasília, desistiu de tentar a reeleição e disputará uma vaga na Assembleia de SP.
 

Na Câmara, a taxa de renovação em 2018 foi de 47%. Políticos mais experientes acreditam que muitos que chegaram nessa onda terão passagens relâmpago pela Casa.
 

Sentindo que as nuvens de 2018 se dissiparam, nomes simbólicos da velha política tentam voltar ao jogo. Entre eles, estão emedebistas como Romero Jucá, que tenta voltar ao Senado por Roraima, e Eunício Oliveira, em busca de uma vaga na Câmara.
 

Mas nem todos os outsiders estão em baixa. O eterno quase candidato José Luiz Datena (PSC) é tido como favorito na disputa ao Senado por São Paulo. Após diversas mudanças de partido e desistências, dessa vez ele parece estar decidido mesmo a se candidatar. Ao menos por enquanto.

Bahia Notíciass

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