sábado, abril 16, 2022
Eleições 2022: quem são os pré-candidatos a Presidente e os obstáculos que devem enfrentar
A corrupção na Saúde mata?
A corrupção na Saúde mata?
Carlos Eduardo Gouvêa*
13 de abril de 2022 | 05h00
Pouco mais de dois anos se passaram desde que o SARS-CoV-2, vírus causador da COVID-
19, chegou ao Brasil trazendo muita dor, desafios e incredulidade sobre a capacidade do
ser humano em ser criativo – inclusive para o mal!
Segundo dados publicados em fevereiro último pelo IPEA – Instituto de Pesquisa
Aplicada, durante o período da pandemia, o brasileiro perdeu cerca de 4,4 anos de
expectativa de vida. Ou seja, ao invés de vivermos os esperados 76,6 anos (média de
2019), vivem-se hoje cerca de 72,2 anos. A razão é simples: morreram muito mais jovens
do que se esperava. Aliado a isto, a decisão de muitos casais em postergar gravidezes
planejadas trouxe também um grande impacto futuro no crescimento da mão de obra
– a PIA (população em idade ativa) cairá de 136 milhões em 2020 para 133 milhões em
2035. Algumas destas mudanças poderão ser revertidas no longo prazo, porém nos
curto e médio prazos, teremos uma pesada conta a pagar em várias áreas.
A grande pergunta que fica é: precisávamos estar nesta situação? Provavelmente não!
Se por um lado, fomos muito rápidos na formação de alianças para buscar soluções,
houve também muita rapidez para a proliferação de desvios de condutas, fraudes,
corrupção, nos diferentes níveis.
Do lado positivo, merece destaque a rapidez com que todo o setor de saúde organizou-
se diante do apagão logístico e de suprimento do início de 2020, a fim de buscar
alternativas para restabelecer linhas aéreas com a Ásia, por exemplo – contando
inclusive com fretamentos de aeronaves para importação dos insumos básicos que se
faziam urgentes, tais como respiradores, máscaras, testes de diagnóstico. A sociedade
civil organizada também fez o seu papel ao colaborar com programas de mapeamento
das estruturas de vacinação em todo o País, colaborando rapidamente com
equipamentos e outros itens necessários para iniciar-se o quanto antes a vacinação, tão
logo estivessem os imunizantes aprovados pela ANVISA e disponibilizados pelo PNI –
Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde. O Legislativo Federal, por sua
vez, montou uma comissão especial mista para o combate à COVID-19 e, de forma
ininterrupta, procurou dar respostas céleres às mais diferentes necessidades que iam
surgindo. E assim, tantos outros atores, como ANVISA – Agência Nacional de Vigilância
Sanitária, IES – Instituto Ética Saúde, ABIIS – Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em
Saúde, vieram de forma criativa e colaborativa com boas propostas que foram sendo
paulatinamente implementadas.
Por outro lado, à medida em que várias ações foram sendo implementadas para evitar
burocracia e demora excessivas no acesso a suprimentos essenciais, como por exemplo
a dispensa de licitações para itens relativos à COVID-19, possibilitada pela Lei 13979/20,
várias denúncias de desvios de conduta foram sendo reportadas por diferentes canais e
mesmo pela imprensa. Casos como respiradores comprados e jamais entregues ou
máscaras vendidas por uma loja de vinhos por valores totalmente incompatíveis com a
realidade de mercado. E eles não foram únicos. Nas várias esferas houve situações claras
de corrupção, pagamento de propina, falta de seguimento das regras mais básicas de
um processo de compra. O que se viu foi um total abandono dos controles exigidos em
licitações, por vários gestores e nas três esferas: União, Estados e Municípios.
O Instituto Ética Saúde e seus parceiros procuraram, ao longo da pandemia, alertar os
gestores públicos sobre a importância de manter os controles e as boas práticas de um
processo de aquisição, mesmo que diante da possibilidade de dispensa de licitação. O
apreço pela integridade no processo deve permanecer em qualquer situação – mesmo
em casos de extrema emergência e urgência dos atos. Foram estruturados, dentro do
IES, comitês de apoio tanto para o gestor público com eventuais dúvidas sobre como
conduzir um processo nesta situação excepcional, bem como para o empresário,
preocupado em fornecer o seu produto de forma rápida e correta (“Plantão de Dúvidas
– COVID-19” e “Assessoria para Aquisição de Produtos para Saúde – COVID-19”)
O impacto total da corrupção na saúde dificilmente poderá ser corretamente avaliado,
porém a percepção do custo da corrupção na saúde em breve o será, através de um
projeto conjunto da FGVethics com o Instituto Ética Saúde. O fato é que para cada
denúncia que é feita, há possivelmente outras tantas situações que não serão
conhecidas e não serão, portanto, investigadas e seus responsáveis jamais serão
punidos... Lamentável pois além do custo econômico, haverá um custo social
considerável, como se percebe no prefácio deste artigo: 4,4 anos de vida do brasileiro
foram ceifados por conta da pandemia. Quanto não poderíamos ter evitado se não
houvesse corrupção na saúde?
O CIDADÃO INVISÍVEL
Todavia, infelizmente, a corrupção acaba trazendo um ônus maior para aquele cidadão
invisível ao sistema, que, por não saber seus direitos, não se manifesta. Ao não se
manifestar, acaba criando, involuntariamente, um terreno fértil para criminosos
inescrupulosos que se valem de licitações fraudadas, produtos irregulares ou
falsificados, contratos pagos e produtos não entregues, apenas para citar alguns dos
esquemas encontrados.
No Brasil, o SUS – Sistema Único de Saúde tem como um dos seus pilares a
universalidade do acesso. Ou seja, toda a população deveria ter acesso a produtos e
serviços essenciais para saúde. A questão principal nesta discussão é se há ou não a
correta informação sobre tais direitos do cidadão e sobre os deveres do Estado. A
resposta é bem simples: não!
A própria fragmentação do processo decisório no sistema de saúde acaba aumentando
ainda mais a fragilidade e hipossuficiência do indivíduo na ponta: no sistema privado, a
escolha do médico é feita pelo paciente, mas a prescrição do tratamento e produto a
ser utilizado é feita pelo médico. Por sua vez, quando se vai escolher o provedor de
serviço de saúde, tal decisão será tomada em conjunto pelo médico e paciente. Por fim,
a escolha do fornecedor do produto a ser utilizado caberá ao serviço de saúde.
Já no setor público, o paciente não tem praticamente direito a qualquer escolha. Ele
simplesmente tem de aceitar o que se oferece: profissionais de saúde, locais de
assistência, produtos disponibilizados. A sua desinformação fica ainda maior neste caso:
diagnóstico, prognóstico, terapia, produtos, serviços.
A corrupção na Saúde mata? Sim! Porém, arrisco a dizer, não é o único motivo por tanta
morte e prejuízos. A demora na liberação e promoção do acesso a diagnóstico e terapias,
pelas mais diversas razões inclusive por falta de regulação e políticas públicas, pode ser
tão ou mais danosa. No caso da pandemia, aprendemos a duras penas que é mais do
que necessário incorporar-se de maneira acelerada novas soluções em termos de
diagnóstico e terapias, além de novos ambientes de saúde para promoção do acesso.
Foram registrados pela ANVISA (1), neste período, mais de 764 testes de diagnóstico (RT
PCR, testes de anticorpo, antígeno e, recentemente, autotestes) que possibilitaram
informações cada vez mais precoces e precisas para o individuo e, por consequência,
para o rastreamento de seus contatos – buscando-se assim a interrupção do ciclo de
transmissão do vírus. O controle epidemiológico, normalmente papel do Estado, acabou
sendo feito em parte pelo setor privado, como no caso da ABRAFARMA, que conseguiu
realizar mais de 16,6 milhões de testes neste período – em um ambiente de saúde
totalmente novo para o diagnóstico: a farmácia.
Ao se adotarem novas ferramentas de diagnóstico (testes rápidos e autoteste de
antígeno) e novos ambientes, mais próximos do cidadão (farmácias), conseguimos
seguramente trazer muitos cidadãos até então invisíveis para o sistema de saúde.
Muitos deles nunca tinham feito um exame de diagnóstico e, por medo, insegurança ou
até distância, não iriam a laboratórios ou hospitais para se testar.
Com tudo isto, vemos que a responsabilidade para aprimorar-se o legado que será
deixado é enorme. Temos de olhar para outras situações graves que nos rodeiam, como
a atual epidemia de sífilis ou mesmo os mais de 500 mil pacientes com hepatite C, uma
doença grave e silenciosa, que não sabem do seu status (sendo que há tratamento
incorporado e disponível no SUS). Temos de continuar avançando na promoção do
acesso de forma inteligente e acelerada, dentro do conceito de universalidade.
Aprendemos, infelizmente, que o tempo urge! E que corrupção e omissão na Saúde
matam!
1 ANVISA
https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiNTY5NGJmZWQtMWU3YS00ZTNjLTllZWUtN
mFlZWUyODFkYTQ5IiwidCI6ImI2N2FmMjNmLWMzZjMtNGQzNS04MGM3LWI3MDg1Zj
*Carlos Eduardo Gouvêa, advogado e administrador público, é executivo de Relações
Institucionais do Instituto Ética Saúde e presidente executivo da CBDL – Câmara
Brasileira de Diagnóstico Laboratorial
Este texto reflete única e exclusivamente a opinião do(a) autor(a) e não representa a visão do Instituto
Não Aceito Corrupção
Na volta da insensatez, Bolsonaro retoma, em SP, as vergonhosas e caras motociatas
Presidente, que não move uma palha diante do caos socioeconômico instalado no Brasil, faz nesta sexta (15) mais um de seus showzinhos particulares de mediocridade e sadismo luxuoso com o dinheiro público – Por Henrique Rodrigues

No país da infâmia e do governo abertamente inerte diante das chagas impostas ao povo após mais de três anos de uma política extremista desastrosa que lançou a República num oceano de miséria, desesperança e ódio difuso, Jair Bolsonaro, o mensageiro do caos, espécie de divindade que milicianizou o Brasil e tragou para o ralo da morte o pouco de vida que tínhamos, retoma a mais emblemática das ações desavergonhadas de seu mandato: as motociatas.
Símbolo de sua verve detestável e vitrine das milícias organizadas e desorganizadas do país, nesta sexta-feira (15), ele voltou a São Paulo, a maior metrópole brasileira, para desfilar com sua moto potente, cercado por uma matilha lorpa que exala violência e ódio por todos os poros. Tudo isso, que custa milhões de reais cada vez que o “evento” ocorre, pago pelo contribuinte. Seu governo não tem um mísero plano mambembe para tentar achatar a inflação, ou diminuir o desemprego e a miséria, mas o exibicionismo boçal dos detestáveis tem espaço (e dinheiro) de sobra para figurar como prioridade.
É a institucionalização do banditismo e da vilania.
Denominada “Acelera Para Cristo”, a motociata desta sexta ensolarada partiu de São Paulo às 10h e tomou como rumo a rodovia dos Bandeirantes. Tarcísio de Freitas, seu ex-ministro da infraestrutura e candidato a governador do estado mais rico e populoso do país, participou da celebração dantesca que evoca simbologia cristã para conquistar as camadas mais reacionárias de uma gente permanentemente em transe.
As imagens são as mesmas, desde o período da pandemia. Dinheiro público sendo rasgado, deboche da cara dos brasileiros que passam fome (e nunca foram tantos) e as clássicas bandeiras cretinas que alienam o debate político, tornando-o raso, estéril e ameaçador.
Um levantamento divulgado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo à rede CNN mostra que apenas na encenação descabida e grotesca desta Sexta-feira Santa, Bolsonaro torrou R$ 1 milhão. Se somadas as motociatas realizadas desde 2021, o valor absurdo para sustentar a farra arruaceira de um sujeito a quem chamamos de chefe de Estado chegou a R$ 7,82 milhões
A palhaçada ainda gera problemas para a população. Na saída de um feriado, quando o trânsito já é naturalmente perturbado, uma das principais estradas de São Paulo teve pistas interditadas num trecho de 137 quilômetros, entre a capital e a cidade de Santa Bárbara d’Oeste.
Daqui para frente, cada vez mais teremos que conviver com as demonstrações nojentas e sujas de poder, por parte do elemento político mais deletério da História do Brasil, que se nega a aceitar que sua derrocada pode estar próxima do fim. Agora, é respirar fundo, segurar a náusea e somar forças até a batalha final, em outubro.
https://revistaforum.com.br
Motociata de Bolsonaro é patrocinada por empresa que fornece suplementos ao Exército
O evento em apoio ao presidente foi realizado na manhã desta sexta em São Paulo

A empresa GDS - Grow Dietay Supplement, que fornece suplementos para o Exército, está listada como uma das patrocinadoras da motociata em apoio ao presidente Bolsonaro (PL) que ocorreu na manhã desta sexta-feira (15), em São Paulo.
Segundo informações do jornalista Guilherme Amado, no Metrópoles, a empresa aparece na lista de patrocinadores da motociata com o seu nome fantasia, Black Skull.
A GDS consta no Portal da Transparência como fornecedora de diferentes complementos alimentares ao Comando do Exército. Somadas, as notas fiscais representam R$ 83 mil. A primeira nota data de 28 de outubro do ano passado e a última de 2 de março.
No site da empresa é informado que eles oferecem descontos para militares. "Qualquer membro de qualquer polícia (seja militar, Guarda Municipal, Civil, Federal, cientifica ou outra) brasileira que possua funcional válida, inclusive bombeiros e combatentes das Forças Armadas (FEB, FAB e MB) recebem desconto de 20%", diz a empresa.
https://revistaforum.com.br/politica
Pesquisa inédita pode ajudar na recuperação de florestas

Pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV), em Belém, identificaram marcadores moleculares capazes de quantificar genes e proteínas que favorecem práticas de manejo e aumentam o estoque de carbono no solo. A pesquisa inédita pode ajudar na recuperação de florestas e potencializar a captura de carbono da atmosfera. As informações são da Agência Brasil.
O estudo Genes e proteínas relacionados a ciclagem de nutrientes, fixação de carbono e saúde do solo teve início em 2016 e se divide em três vertentes: mapeamento dos solos naturais, acompanhamento da recuperação de áreas degradadas e avaliação da qualidade do solo em projetos de reflorestamento e sistemas agroflorestais. Nesta última etapa, o levantamento está associado à meta de recuperar mais 500 mil hectares de florestas no Brasil até 2030.
Os pesquisadores recolhem amostras do solo e, no laboratório, conseguem mapear o DNA e as proteínas existentes. Segundo o coordenador do estudo, Rafael Valadares, já foram feitas pesquisas em solos naturais, sistemas agroflorestais e impactados pela mineração. O estudo teve início na Floresta Amazônica, com análise do solo na Serra de Carajás, área de atuação da Vale, principalmente nos campos rupestres ferruginosos e na Floresta Nacional de Carajás.
“Fizemos uma grande biblioteca de genes e proteínas dessas áreas naturais. Em um segundo momento, conhecendo o que existe de biodiversidade microbiana, rotas bioquímicas de funções nos sistemas naturais, avançamos para áreas de projetos de recuperação de áreas degradadas. Também na Floresta Amazônica, nas áreas recuperadas pela Vale, onde conseguimos demonstrar o avanço da recuperação do ponto de vista bioquímico do solo - que é o coração da floresta”, explicou à Agência Brasil.
De acordo com Valadares, a terceira etapa foi realizada em um projeto piloto em Linhares, no Espírito Santo, na Reserva Natural Vale e entorno, onde são analisados diferentes sistemas produtivos.
“É avaliada a capacidade de agrossistemas florestais, que são sistemas mais conservativos que usam do plantio de frutíferas, associados com espécies arbóreas. Avaliamos em Linhares a capacidade de sistemas agroflorestais de estocar mais carbono e se o sistema agroflorestal é um solo mais saudável ou não. O objetivo é ver qual sistema está contribuindo para um solo mais saudável”, disse.
O estudo é disseminado a produtores rurais para que possam compreender melhor o solo em que atuam. “De posse das informações do que está funcionando bem ou mal no solo, o produtor pode direcionar as técnicas de manejo para corrigir o que está indo errado. Da mesma maneira, podemos comparar diferentes sistemas de cultivo, diferentes plantios e indicar qual sistema está contribuindo para melhoria geral do solo e qual está degradando”, argumentou.
SOLOS
Nesta sexta-feira, 15 de abril, é comemorado o Dia Nacional da Conservação do Solo. Dados do Painel Intergovernamental para Mudanças do Clima das Nações Unidas (IPCC) mostram que o solo responde por cerca de 70% do carbono estocado na terra na forma de matéria orgânica. Isto representa quase três vezes mais do que o armazenado na vegetação e cerca do dobro em comparação com a atmosfera.
Atualmente, de acordo com Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 33% dos solos do mundo e 52% dos solos agrícolas estão degradados, principalmente por erosão, compactação e contaminação. Segundo o especialista em Solos e Microbiologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Igor Assis, o solo é fundamental para a vida na Terra.
“O solo tem várias funções, como produção de alimentos, fibras e combustíveis. Mas ainda como sequestro de carbono, purificação de água - a água que sai da nascente geralmente é limpa porque o solo faz essa purificação; degradação de contaminantes - muitos que acabam sendo aportados no solo, a própria microbiota degrada esses contaminantes”, explicou.
Assis ressaltou ainda a importância do solo na regulação de enchentes. “Quando o solo é bem manejado, estruturado, ele armazena uma quantidade gigantesca de água das chuvas. Quando o solo está degradado, fica compactado e não consegue armazenar essa água de chuva, que acaba indo toda para os rios e aí acontecem as grandes enchentes que a gente vê atualmente. O solo tem a função de ser fonte de recursos genéticos e farmacêuticos, que tem uso direto pela população no nosso dia a dia”, disse.
Para o professor, a educação a respeito do solo é essencial para a sobrevivência da espécie humana.
“Temos um crescimento exponencial da população mundial e vem aumentando muito a quantidade de solos degradados. Então, estamos indo para uma conta que não fecha: a população crescendo, precisamos produzir mais alimentos que os solos nos fornecem e eles estão sendo degradados e num futuro não muito distante, muitos desses serviços vão ser reduzidos drasticamente e isso afeta diretamente a nossa vida”, afirmou.
BAIXO CARBONO
Outro ponto em destaque é a recente discussão sobre economia de baixo carbono, destinada a conter as emissões de gases de efeito estufa. O assunto tem ganhado cada vez mais espaço pelo mundo
Segundo o professor, solos bem manejados são uma forma eficaz de conservar carbono na forma orgânica, diminuindo a emissão de gases do efeito estufa e contribuindo para o mercado de crédito de carbono.
“A questão de mudanças climáticas, que está relacionada com a economia de baixo carbono tinha inicialmente a ideia de diminuir a emissão de CO2 para atmosfera e hoje a gente trabalha com duas áreas relacionadas a isso: que é diminuir a emissão, como sequestrar, drenar o carbono que está na atmosfera. E o único componente que a gente consegue manejar para fazer isso de forma mais fácil é o solo”, destacou.
Nesse sentido, para precificar o mercado, países têm criado o chamado mercado de carbono, um mecanismo que permite a venda de créditos por nações que limitam as emissões desses gases para nações com maiores dificuldades de cumprir as metas de redução.
No Brasil, o tema tem sido discutido na Câmara dos Deputados com o PL 528/2021, que institui o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE). A proposta quer assegurar a diminuição da emissão de gases do efeito estufa, freando o aquecimento global.
Bahia Notícias
Outsiders acumulam desgastes e enfrentam obstáculos para eleições
por Artur Rodrigues | Folhapress

"Não sou político, sou gestor", repetia o empresário João Doria (PSDB), quando apareceu na cena política em 2016.
Banindo a gravata e vestindo o figurino do empresário que traria da experiência na iniciativa privada as soluções para a política, ele foi um dos pioneiros da onda de outsiders que inundou a política nos últimos anos.
Seis anos depois, porém, a fórmula parece ter se exaurido. Muitos que surgiram com essa roupagem patinam nas pesquisas e vivem percalços no período pré-eleitoral resultantes do isolamento político -caso do próprio Doria.
Enquanto isso, figuras da política tradicional, varridas pelo desejo de renovação e de castigar uma classe atolada por escândalos de corrupção, já fazem planos para voltar.
Com a mudança da maré, o apresentador Luciano Huck nem se arriscou a entrar na disputa presidencial e preferiu a calmaria dos domingos na TV Globo. O ex-juiz Sergio Moro, cuja candidatura era tida como forte, não decolou e por ora foi tirado do páreo da corrida pelo Planalto pelos políticos profissionais.
A situação era diferente nos últimos anos. Após os protestos de junho de 2013, cresceu um sentimento de insatisfação contra a política tradicional que se mostrou nas urnas a partir de 2016.
Dois anos depois, mesmo políticos com décadas de experiência, como o presidente Jair Bolsonaro (PL), estavam vestindo o figurino de outsider para colher dividendos políticos.
"[Em 2016] foi um momento em que surgiram algumas figuras contra o establishment político que passaram uma ideia de que as pessoas que viriam de fora da política teriam mais virtudes e capacidades do que aquelas que estavam viciadas com algumas práticas do sistema político brasileiro", diz o cientista político Bruno Silva, pesquisador do Laboratório de Política e Governo da Unesp Araraquara.
Para Silva, parte dos eleitores já começou a demonstrar arrependimento logo nas eleições municipais de 2020. Na opinião dele, isso se deveu justamente à performance das pessoas que foram eleitas como outsiders nos últimos anos.
"Muitos daqueles que iriam fazer algo diferente, que diziam representar a nova política, na verdade não tinham absolutamente nada de novo. E mostraram inexperiência, incapacidade diante da gestão pública e trapalhadas", diz o cientista político.
Uma das principais forças antissistema, turbinada com o discurso anticorrupção e protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT), o MBL (Movimento Brasil Livre) se enfraqueceu ao se descolar do bolsonarismo. Agora, se vê em crise devido a declarações dadas por seus membros.
O deputado estadual paulista Arthur do Val (União Brasil) foi obrigado a desistir do posto de pré-candidato ao governo pelo Podemos após vazarem declarações sexistas sobre mulheres ucranianas, como a aquelas em que disse que elas "são fáceis porque são pobres".
De postura confrontadora em relação aos colegas da Assembleia Legislativa de São Paulo, ele pode ser vítima do isolamento político que construiu e receber pena mais grave, a cassação, já aprovada pelo Conselho de Ética da Casa.
Outro célebre integrante do MBL, o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil) teve a imagem abalada por discussão sobre nazismo.
Ele participou do podcast Flow ao lado do podcaster Monark (Bruno Aiub) e da deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
Monark defendeu o direito de existência de um partido nazista. Tabata Amaral rebateu o podcaster. Kim foi questionado por Tabata se achava errado a Alemanha ter criminalizado o nazismo. O deputado respondeu que sim.
"Por mais absurdo, idiota, antidemocrático, bizarro, tosco que [seja o assunto que] o sujeito defenda, isso não deve ser crime. Por quê? Porque a melhor maneira de você reprimir uma ideia antidemocrática, tosca, bizarra, discriminatória, é você dando luz àquela ideia para que aquela ideia seja rechaçada socialmente, e então socialmente rejeitada", afirmou o deputado no debate.
Com dificuldade de se encaixar, integrantes do grupo já vinham pulando de partido em partido nos últimos anos -a última mudança foi do Podemos para a União Brasil.
Os problemas do MBL respingaram em outro outsider, o ex-juiz e agora ex-aliado do grupo Sergio Moro, que, após diversas ações vistas como mostra de inabilidade política, parece ter sido escanteado da corrida presidencial.
Figura mais conhecida da operação Lava Jato, Moro encampa o discurso anticorrupção que mobilizou a política nos últimos anos, mas que hoje ficou em segundo plano.
A corrupção, que, no auge da operação, entre 2015 e 2017, chegou a ser apontada como o principal problema do país, com menções na casa dos 35%, hoje é citada por apenas 5% dos ouvidos pelo Datafolha. Saúde (22%) e economia (15%) são as maiores preocupações atualmente.
O ex-juiz teve sua imagem desgastada ao aderir e se descolar do bolsonarismo, e também devido a sua postura em relação ao ex-presidente Lula (PT) ter sido declarada parcial pela Justiça.
Nesse cenário, ele não ultrapassa a casa de um dígito na corrida presidencial, com a polarização dos eleitores entre Bolsonaro e Lula.
Em busca de uma estrutura partidária para tentar furar esse teto, Moro mudou do Podemos para a União Brasil, onde caciques do partido pretendem enterrar de vez seu sonho de concorrer a presidente.
Se o ex-juiz se contentar com a disputa para a Câmara dos Deputados, ainda deverá atuar como puxador de votos em um partido cheio de figuras que foram alvos da Lava Jato.
Também cheio de inimigos no mundo político, o ex-governador Doria patina na corrida presidencial. Mesmo tendo vencido as prévias, o PSDB está rachado entre seu nome e o do ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite, com ambos em pré-campanha.
A situação de Doria é vista por especialistas e pelo mundo político como o resultado de anos de atitudes desastradas que o isolaram, além de uma imagem desgastada pelo o excesso de exposição --situação que não foi revertida nem mesmo pela marca de ter trazido a primeira vacina contra o coronavírus ao país.
Doria falhou na primeira queda de braço interna do PSDB quando, em agosto de 2019, propôs a expulsão de Aécio Neves (PSDB-MG), implicado no áudio da JBS, e perdeu na votação da executiva do partido por 30 a 4. Aécio foi absolvido neste mês.
Desde então, Doria tem Aécio como inimigo na sigla --o mineiro opera contra os interesses do paulista e lhe impôs outras derrotas, como na definição das regras das prévias presidenciais tucanas.
Sem a mesma base de apoio e com suspeitas de corrupção em seus estados, outros outsiders eleitos para governos estaduais sofreram dificuldades ainda maiores que Doria. O ex-governador do Rio Wilson Witzel (PSC) ficou pelo caminho, após processo de impeachment e cassação do mandato.
O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, sofreu dois processos de impeachment e escapou. Wilson Lima, do Amazonas, também teve pedido arquivado. Moisés e Lima agora tentam se reeleger em disputas que devem ser apertadas, mostram pesquisas.
Com a máquina na mão, porém, outros governadores com perfil parecido estão em situação mais confortável. É o caso de Romeu Zema (Novo), em Minas, e Ibaneis Rocha (MDB), no Distrito Federal.
Em São Paulo, o atual governador, Rodrigo Garcia (PSDB), faz o caminho inverso de Doria, de quem pretende se descolar. Na campanha, nenhum sinal da figura de outsider. Ele investe na imagem de político experiente e com perfil técnico para continuar chefiando o Palácio dos Bandeirantes.
Eleitos na cola do bolsonarismo para o Congresso, muitos políticos antissistema perderam parte da sua base de apoio ao se descolar do presidente e ainda tateiam em busca de um novo público.
Um caso simbólico é o da deputada federal Joice Hasselman (PSDB), que deve tentar a reeleição. Eleita com 1 milhão de votos em 2018, dois anos depois, já afastada do bolsonarismo, ela conseguiu apenas 10% disso na disputa à Prefeitura de São Paulo.
O deputado federal Alexandre Frota (PSDB) é outro que tenta se reinventar. Dizendo-se desiludido com Brasília, desistiu de tentar a reeleição e disputará uma vaga na Assembleia de SP.
Na Câmara, a taxa de renovação em 2018 foi de 47%. Políticos mais experientes acreditam que muitos que chegaram nessa onda terão passagens relâmpago pela Casa.
Sentindo que as nuvens de 2018 se dissiparam, nomes simbólicos da velha política tentam voltar ao jogo. Entre eles, estão emedebistas como Romero Jucá, que tenta voltar ao Senado por Roraima, e Eunício Oliveira, em busca de uma vaga na Câmara.
Mas nem todos os outsiders estão em baixa. O eterno quase candidato José Luiz Datena (PSC) é tido como favorito na disputa ao Senado por São Paulo. Após diversas mudanças de partido e desistências, dessa vez ele parece estar decidido mesmo a se candidatar. Ao menos por enquanto.
Bahia Notíciass
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