sábado, abril 16, 2022

Marinha russa perde na Ucrânia mais que um simples cruzador




A dominação russa do Mar Negro parecia incontestável até agora, mas a perda do cruzador Moskva, que afundou nesta quinta-feira (14), vai além do revés operacional na guerra da Ucrânia, já que a embarcação tinha enorme valor simbólico.

O navio-símbolo da marinha russa no Mar Negro, que estava em operação desde o início dos anos 1980, afundou em poucas horas, levando consigo para o fundo uma parte do orgulho das forças armadas do presidente Vladimir Putin, que vêm sofrendo grandes perdas desde o início da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro.

Segundo Moscou, houve um incêndio a bordo do cruzador que fez explodir a munição armazenada. Kiev, por outro lado, afirma ter realizado um ataque com mísseis contra a embarcação, uma versão apoiada nesta sexta-feira (15) pelo Pentágono.

Em ambos os casos, "é uma perda simbólica muito grande", afirma o almirante francês reformado, Pascal Ausseur, diretor-geral do centro de análise Fundação Mediterrânea de Estudos Estratégicos (FMES).

Um navio como este deveria poder seguir em combate depois de um ou vários impactos, e ter a capacidade de controlar um incêndio. "É uma embarcação de 12.000 toneladas que afundou em 12 horas [...] Isso não é normal", acrescentou Ausseur à AFP.

O Moskva, de 186 metros de comprimento, portava 16 mísseis antinavio mísseis Fort (a versão marítima dos S-300 de longo alcance) e mísseis de curto alcance Osa, além de lança-foguetes, canhões e torpedos.

- Proteção aérea -

O cruzador podia transportar até 680 soldados a bordo, segundo o Ministério da Defesa da Rússia, e "fornecia proteção aérea para os outros navios durante as operações", escreveu no Telegram o porta-voz da administração militar regional de Odessa, no sul da Ucrânia, Sergey Bratchuk.

No entanto, segundo os especialistas ocidentais consultados pela AFP, apesar de sua perda ser enorme a nível operacional, ainda assim ela é administrável para a Rússia.

Com seu armamento, o cruzador protegia integralmente um diâmetro de 150 quilômetros a seu redor, explicou à AFP Nick Brown, especialista do instituto privado de informação britânico Janes. "Com a Turquia bloqueando os navios russos nos estreitos de Bósforo e Dardanelos, será difícil para a Rússia substituir sua capacidade de defesa aérea", explicou.

Porém, "o restante da frota do Mar Negro continua sendo uma força importante", segundo Brown, sobretudo com as modernas fragatas de tipo Almirante Grigorovich, equipadas com defesas antiaéreas mais avançadas que as do Moskva, apesar de um alcance mais curto, e com mísseis de ataque terrestre Kalibr.

No entanto, a perda para Moscou é considerável. Após renunciar ao controle do espaço aéreo ucraniano e mostrar suas debilidades táticas e estratégicas nas primeiras semanas da operação terrestre, agora é sua marinha que está sofrendo baixas.

- 'Vulnerabilidade verdadeira' -

"O envolvimento da marinha russa na guerra era bastante limitado", conta Maia Otarashvili, do Instituto de Pesquisa de Política Externa (FPRI, na sigla em inglês) em Washington. Mas Moscou poderia levar em conta esse ataque se estiver considerando o "envolvimento mais direto da marinha no conflito".

Pois, se houver confirmação de que o Moskva foi atacado com mísseis Neptune (possivelmente combinados com o uso de drones), como afirmam os ucranianos, surgem as perguntas sobre os equipamentos de Kiev.

"A Ucrânia possui capacidades de defesa naval que não foram consideradas por Moscou?", questiona Otarashvili, que lembrou que o governo do presidente Volodimir Zelensky não cessou suas solicitações de mísseis costeiros para sua defesa. "Que tipo de mísseis antinavio a Ucrânia conseguiu recentemente?", acrescentou.

O Moskva levou consigo para o fundo do Mar Negro um currículo operacional de prestígio, forjado na Geórgia, em 2008, e na Síria, entre 2015 e 2016.

"Era o navio de comando, e tinha a bordo, provavelmente, o Estado-Maior naval da região" e também uma tripulação experiente, que considerou que era indispensável evacuar o navio, concluiu Pascal Ausseur.

Agora, os russos terão que designar outra embarcação para coordenar as operações no Mar Negro.

"É um mar bastante pequeno, tudo está ao alcance dos mísseis antinavios, e sua detecção é muito simples", acrescentou Ausseur. Por isso, a perda do Moskva "revela uma vulnerabilidade verdadeira" da marinha russa.

AFP / Estado de Minas

Mais de 5 milhões de refugiados já deixaram a Ucrânia




Invasão russa causa o maior êxodo de civis na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Mais da metade dos ucranianos que saíram do país buscou abrigo na Polônia.

Mais de 5 milhões de refugiados já fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa, no final de fevereiro, segundo dados da ONU divulgados nesta sexta-feira (15/04). Mais da metade buscou abrigo na Polônia.

Esse é o maior êxodo de civis na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Cerca de 90% dos que fugiram da Ucrânia são mulheres e crianças. Atualmente, as autoridades ucranianas não permitem a saída do país de homens em idade militar.

Entre os refugiados estão 4,7 milhões são ucranianos e outros 215 mil são cidadãos de outros países que viviam na Ucrânia. Já o número de deslocados internos passa de 7,1 milhões. No total, cerca de 12 milhões de ucranianos tiveram que abandonar suas casas para fugir da guerra. Este número representa mais de um quarto da população do país.

Ainda segundo a ONU, quase dois terços das crianças ucranianas foram obrigadas a deixar suas casas.

Quase seis em cada dez refugiados foram para a Polônia, que já recebeu cerca de 2,7 milhões de ucranianos. Antes da guerra, 1,5 milhão de ucranianos morava no país.

A Romênia é o segundo país que mais recebeu refugiados ucranianos, mais de 725 mil. Outros países vizinhos da Ucrânia, como a Hungria, a Eslováquia, a Rússia e, em menor escala, a Belarus, também abrigam dezenas de milhares de refugiados.

Em 51 dias, a ofensiva militar lançada pela Rússia na Ucrânia já matou quase 2 mil civis, incluindo cerca de 150 crianças, segundo dados da ONU. A invasão russa foi condenada pela comunidade internacional, que respondeu com o envio de armas para a Ucrânia e o reforço de sanções econômicas e políticas contra Moscou.

Deutsche Welle

Um passo a passo para perverter a democracia




Entusiasta das ditaduras, o linguista e ativista Noam Chomsky fez um mapeamento das estratégias utilizadas pelos donos do poder, "ensinando" como desmantelar a democracia. 

Por Luciano Trigo 

No futuro, o filósofo, linguista e ativista político americano Noam Chomsky, hoje com 93 anos, talvez seja lembrado pelo mapeamento que fez das estratégias de perversão da democracia pelas elites, em livros como “A manipulação do público”, “Visões alternativas” e “Controle da mídia”.

O filósofo escrevia do ponto de vista de um esquerdista contra o “sistema” capitalista que burlava as regras do jogo democrático. Mas basta inverter alguns sinais para perceber que o conjunto de práticas que Chomsky analisou e atribuiu à direita foi assimilado e aprimorado de forma muito sofisticada pela nova esquerda, no Brasil e no mundo.

Até porque as elites – a elite social, a elite econômica, a elite intelectual e acadêmica, a elite política – mudaram de lado: hoje todas se declaram de esquerda, vejam só, e por vezes até financiam a esquerda - que retribui paparicando seus novos companheiros, de George Soros ao banqueiro sensível às causas sociais e à bilionária do varejo que sempre foi socialista. Na época de Lênin e Stálin, os três receberiam um bilhete só de ida para a Sibéria.

Mas este é um paradoxo apenas aparente, já que a esquerda jogou no lixo a bandeira da luta de classes e se associou ao grande capital, com o objetivo de conquistar e se perpetuar no poder. O inimigo agora é outro.

Para essa inusitada dobradinha (esquerda e grande capital) ter êxito, é imperativo moldar a opinião pública por meio de mecanismos variados, que submetem a população de forma cotidiana e implacável a uma verdadeira fábrica de consensos artificiais.

A missão dessa fábrica - da qual hoje fazem parte a grande mídia, o poder Judiciário, a universidade etc - é falsear a representação da realidade de forma a conquistar o consentimento e a complacência da opinião pública frente à implantação de uma determinada agenda.

Por exemplo, é notório que na grande mídia todas as questões ligadas a valores e comportamento – aborto, drogas, ideologia de gênero nas escolas, atletas trans competindo com mulheres, identitarismo, pronomes neutros, vitimização dos bandidos, cultura do cancelamento etc (a lista é longa) – não são tratadas como temas controversos que merecem debate, mas como temas consensuais.

Só que o consenso foi imposto por decreto a uma sociedade cada vez mais atordoada. E ai de quem for contra: aquele que discordar da fábrica de consensos só tem o direito de calar a boca – ou arcar com as consequências.

Em uma de suas muitas frases de efeito, Chomsky afirmou que "a propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete significa para o Estado totalitário".

O mapeamento que Chomsky fez das estratégias utilizadas pelos donos do poder – que não são necessariamente os vencedores das eleições – para perverter a democracia com base na manipulação da sociedade pela mídia permanece atualíssimo. Vamos a elas:

1 – Distração / desvio de foco:

“Um dos principais componentes do controle da opinião pública é a estratégia da distração, fundamentada em duas frentes: primeiro, desviar a atenção do público daquilo que é realmente importante oferecendo uma avalanche de informações secundárias e inócuas, que como uma cortina de fumaça esconde os reais focos de incêndio. Em segundo, distrair o público dos temas significativos e impactantes (...) Quanto mais distraído estiver o público menos tempo ele terá para aprender (...) e/ou para pensar.”

Comentário:

Desviar o foco – ou “mudar de assunto” – é uma estratégia usada exaustivamente pelo campo progressista sempre que a conversa envereda por um caminho difícil. Repare que, diante de qualquer acusação, o militante nunca reage negando o mérito da acusação, mas desqualificando quem acusa ou apontando o dedo para outro caso que não tem nada a ver com o assunto original.

Outra artimanha recoorrente é atribuir ao interlocutor algo que ele não disse para, em seguida, desqualificá-lo em tom debochado e superior – por aquilo que aquilo que ele não disse. Assim, por exemplo, durante a pandemia, a qualquer questionamento sobre os riscos da vacina ou a eficácia do lockdown o militante reagia: “Ah, quer dizer que você é daqueles que defendem o genocídio?”

2 – Gradação:

“É uma estratégia de aplicação de medidas impopulares de forma gradativa e quase imperceptível.”

Comentário:

Chomsky se refere à implantação gradual de medidas na direção do Estado mínimo pelos governos liberais, mas a estratégia também é usada no sentido inverso, na implantação do Estado máximo – lembrando que o Estado máximo é um elemento historicamente definidor do Fascismo (“Tudo pelo Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado” era o lema da Itália de Mussolini).

A estratégia da gradação é perceptível no acúmulo de pequenas regras que aumentam a intervenção do Estado não apenas no funcionamento dos mercados como também em diferentes aspectos da vida privada. Trata-se de um fator fundamental na consolidação de uma nova hegemonia: além de interferir de forma desmedida no cotidiano da população, o Estado máximo segue a velha fórmula: criar dificuldades para vender facilidades.

Busca-se, por meio da gradação, alcançar a transformação do Estado e da sociedade aos poucos, de forma a tornar naturais e aceitáveis medidas que seriam consideradas absurdas, se implantadas de uma só vez.

3 – Discurso para crianças:

“Emprego de um discurso infantilizado, valendo-se de argumentos, personagens, linguagens, estratégias, etc. como que dirigido a um público formado exclusivamente por crianças ou por pessoas muito ingênuas. Quando um adulto é tratado de forma afetuosa como se ele ainda fosse criança observa-se uma tendência de uma resposta igualmente infantil.”

Comentário:

O líder de esquerda adota frequentemente essa prática, ao se dirigir aos seus eleitores com ideias simplistas, raciocínios rudimentares e uma linguagem rasteira. É a velha postura paternalista de se apresentar como “pai dos pobres”, como se os brasileiros fossem incapazes e precisassem de um pai atencioso, e não de educação de qualidade e oportunidades de trabalho e crescimento pelos próprios méritos.

(Continua)

Gazeta do Povo (PR)

Excesso de fatos




A CPI do MEC não sai porque a bola está com a velha guarda da velhíssima política

Por Dora Kramer (foto)

Um dos cacoetes mais frequentes na avaliação sobre a competência de políticos é o de levar em conta resultados obtidos ignorando os métodos adotados. Quando a pessoa alcança êxitos repetidos, confere-se a ela condecoração máxima no quesito “habilidade política” e por isso passa a ser celebrada.

Aceita-se, assim, que os fins justificam os meios, costume condenado na teoria, mas muito festejado na prática. Tal celebração da esperteza em prejuízo do critério da boa conduta entre nós é um hábito, cujo prazo de validade expira quando algum escândalo dá um tombo no esperto.

Os exemplos estão aí. Tanto dos que tiveram a carreira encerrada quanto daqueles cuja reabilitação confirma o dito: alguns fundos de poço na política têm molas. E há também os que, depois de uma vida dedicada a expedientes escusos de menor porte, obtêm sucesso no repúdio a grandes malandragens, mas se juntam aos seus autores quando a necessidade bate à porta.

É o caso do presidente Jair Bolsonaro. Vai se dando muito bem em sua aliança de resultados com o Centrão, grupo a que sempre pertenceu na condição de soldado raso. Note-se, vai se dando bem segundo aqueles critérios citados acima, da esperteza chamada de habilidade. Nada a ver com probidade, transparência, legalidade e demais pré-requisitos exigidos pela Constituição ao bom exercício da administração pública.

Por aquela óptica torta, há uma avaliação corrente no mundo político, até entre gente defensora da ética no palanque, de que Bolsonaro está “fazendo tudo certo”. Seu novo/velho partido, o PL, tornou-se a maior bancada da Câmara e suas outras legendas-satélite também ganharam força, somando cerca de 200 deputados. Contingente agora organizado e bem alimentado a poder do Orçamento da União, sob as batutas de Ciro Nogueira, ministro-che­fe da Casa Civil, e Arthur Lira, presidente da Câmara.

Cenário muito diferente daquele onde se fez a CPI da Covid, em abril de 2021. As 27 assinaturas necessárias à instalação da comissão foram obtidas com facilidade e ninguém as retirou. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, tentou dar uma de mineiro joão sem braço, mas foi chamado às falas pelo Supremo Tribunal Federal.

Deu-se a CPI, com muita ajuda do governo e sua tropa de trapalhões capitaneada pelos inacreditáveis Eduardo Pazuello, na Saúde, e Onyx Lorenzoni, no Palácio. Descobriram-se armações escabrosas que, por obra do aparelhamento e esvaziamento das instâncias de fiscalização, até o momento chegaram a lugar nenhum. Sorte do mandatário os trabalhos terem se encerrado um ano antes das eleições.

Já neste crucial 2022 a história é outra. Tão diversa que é possível cravar o seguinte: a CPI do Senado para investigar denúncias graves no Ministério da Educação não se instala e, caso se instale, não funcionará. Por vários motivos, sendo o principal o fato de a bola estar nos pés e nas mãos da velha guarda da velhíssima política. Num instante, esse pessoal retirou quatro assinaturas do requerimento.

Enquanto isso, movimentava-se a bancada evangélica preocupada com o efeito do envolvimento de pastores acusados de pedir propina para intermediar liberação de verbas. Ao mesmo tempo, orquestrava-­se a grita no Congresso contra o “uso eleitoral” da CPI. Nesse aspecto, não ajuda o autor do requerimento, senador Randolfe Rodrigues, ser um dos coordenadores da campanha de Luiz Inácio da Silva.

Detalhe até irrelevante não fosse a atuação da força-tarefa desta vez montada sob o parâmetro da “habilidade política” lastreada no vale-tudo. Vale até — e talvez principalmente — mentir de modo descarado quando se alude, por exemplo, à ausência de um “fato determinado”.

Não seja por isso. Na falta de um, há vários: intermediação indevida, pedido de propina, ônibus superfaturados, “venda” de escolas inexistentes, contratos de fornecimento de material em favor de empresas comadres, favorecimento de aliados na distribuição de verbas e o que mais haveria para descobrir sob os escombros do aparelhamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.

Enquanto a CPI da Covid revelou ilicitudes, os escândalos precedem a CPI do MEC, que, ao que tudo indica, não ocorrerá por razão semelhante à da absolvição de Dilma Rousseff-Mi­chel Temer na Justiça Eleitoral por “excesso de provas”. Aqui há excesso de fatos sobre os quais o governo trabalha, com “habilidade política”, para esconder as provas.

Revista Veja

Ciro Nogueira, o intocável - Editorial




Envolvido nas suspeitas de corrupção no MEC, ele já deveria ter sido exonerado. Se continua na Casa Civil, é sinal de que sua conduta tem a aprovação de Bolsonaro

É absolutamente constrangedor que, depois de tudo o que veio à tona, Ciro Nogueira continue no governo. Deveria ter sido imediatamente demitido. Não cabe permanecer numa função pública de tamanha relevância – a chefia da Casa Civil – alguém envolto em suspeitas tão graves de mau uso de recursos públicos na pasta da Educação. A permanência do ministro do Progressistas expõe, de maneira contundente, a verdadeira natureza do governo Bolsonaro.

Não foi por livre e espontânea vontade, mas, quando as circunstâncias políticas o exigiram, Jair Bolsonaro exonerou, sem pestanejar, ministros da chamada ala ideológica do governo. Foi o que ocorreu com Abraham Weintraub (Educação), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Ricardo Salles (Meio Ambiente) e, mais recentemente, Milton Ribeiro (Educação). Todos esses nomes, que faziam parte do núcleo íntimo do bolsonarismo, caíram. No entanto, Ciro Nogueira mantém-se intocável.

O presidente Bolsonaro não pode nem sequer alegar que não são graves as suspeitas envolvendo seu ministro da Casa Civil. Afinal, foram suspeitas semelhantes que derrubaram o último ministro da Educação.

Evidencia-se, assim, uma relação especial entre Jair Bolsonaro e Ciro Nogueira, relação esta que não se abala nem mesmo após a revelação de todas as nebulosas transações no Ministério da Educação. Vale lembrar que a Casa Civil é a essência de um governo, sendo sua chefia o cargo de confiança por excelência. A permanência de Ciro Nogueira na pasta indica que Jair Bolsonaro continua nutrindo inteira confiança no líder do Progressistas. De forma prática – com obras, e não meras palavras –, o presidente Bolsonaro põe a mão no fogo por Ciro Nogueira, vinculando-o ao seu governo.

A atitude de Jair Bolsonaro, como se as recentes revelações sobre Ciro Nogueira não afetassem sua confiança no líder do Progressistas, transmite uma mensagem inequívoca à população: a de que nada disso é novo para Bolsonaro. Caso contrário, se o mau uso de dinheiro público envolvendo o Ministério da Educação fosse uma surpresa, o presidente teria todo o direito de se sentir traído por Ciro Nogueira. Não é assim que Jair Bolsonaro tem reagido. A ter em conta os atos do presidente, parece que tudo vinha funcionando tal como o Palácio do Planalto esperava, não havendo nenhum motivo para mudança na Casa Civil.

A incrível estabilidade de Ciro Nogueira no governo – nada parece abalá-la – faz recordar as circunstâncias nas quais ele assumiu a Casa Civil. Jair Bolsonaro não apenas entregou o posto mais sensível da administração federal ao líder do Centrão – nem Dilma Rousseff, em seus momentos de maior fragilidade, atuou assim –, como aumentou seus poderes. Com todo o rigor, pode-se dizer que Ciro Nogueira é o superministro do governo Bolsonaro.

Em janeiro deste ano, Jair Bolsonaro editou um decreto determinando que atos relacionados à gestão do Orçamento público precisariam ter aval da Casa Civil. Com isso, qualquer decisão sobre custeio, investimento, transferência, orientação ou reorientação de recursos ficou “condicionada à manifestação prévia favorável” de Ciro Nogueira. A concessão de tal poder à Casa Civil representou uma mudança no sistema vigente há quase três décadas, em que a equipe econômica era a responsável por dar a última palavra em relação ao Orçamento. Na ocasião do decreto, o Ministério da Economia reconheceu que a tal delegação à Casa Civil era inédita.

Bolsonaro entregou as chaves do Orçamento a Ciro Nogueira e, a despeito de todas as revelações das últimas semanas sobre o líder do Centrão, parece determinado a manter as coisas exatamente do jeito que estão. Ou seja, Ciro Nogueira deve estar fazendo o que e como o seu chefe gostaria que fizesse.

Ao manter Ciro Nogueira na Casa Civil, Bolsonaro debocha da moralidade pública e da população. Na alma do governo, encontra-se alguém cuja atuação política está diretamente relacionada à corrupção na pasta da Educação. Não apenas há corrupção no governo, como Bolsonaro vê tudo com bons olhos, sem necessidade de mexer em nada.

O Estado de São Paulo

Que consequências teria a entrada da Suécia e Finlândia para a Otan




A primeira-ministra Sanna Marin (dir.) encontrou-se com a líder sueca Magdalena Andersson em Estocolmo para discutir a entrada na Otan 

POR JULIA BRAUN 

Os governos da Suécia e da Finlândia estão estudando a entrada na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) nos próximos meses. A discussão sobre o tema foi reacendida pela invasão russa na Ucrânia.

A primeira-ministra finlandesa, Sanna Marin, se reuniu na quarta-feira (13/4), com a premiê sueca, Magdalena Andersson, em Estocolmo, para discutir cooperação de defesa, segurança e o conflito na Ucrânia. A adesão à aliança militar também foi pauta.

Após a reunião, Marin disse que seu país deve decidir se aplicará ou não para ser aceito como membro “dentro de semanas”.

A Suécia, por sua vez, deve concluir uma análise de sua política de segurança até o final de maio.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou, na última semana, que a Otan mantém contato diplomático com Suécia e Finlândia.

As declarações coincidiram com a publicação de um relatório do Parlamento finlandês que concluiu que a adesão à Otan poderia resultar em “aumento das tensões na fronteira entre a Finlândia e a Rússia”.

Moscou alertou tanto a Finlândia como a Suécia que, caso decidam se juntar à aliança, poderá reforçar suas defesas na região, inclusive com a implantação de armas nucleares.

Segundo analistas consultados pela BBC News Brasil, uma possível adesão dos países nórdicos à Otan terá como principais consequências um aumento do território da Otan e de sua fronteira com a Rússia, além da viabilização de melhores condições estratégicas para que a aliança defenda os Estados bálticos.

“Os dois países ainda veriam um longo – para a Suécia, especialmente longo – período de não alinhamento militar (e antes disso, de neutralidade) terminar para sempre. Esta é uma mudança muito grande de identidade e autopercepção”, diz Hanna Ojanen, professora da Universidade Nacional de Defesa da Finlândia e pesquisadora da Universidade Tampere.

Tudo isso ainda significaria um aumento considerável de tensão com a Rússia.

Da neutralidade à mesa de negociações

Suécia e Finlândia fizeram parte de um movimento em prol da neutralidade durante a Guerra Fria, buscando não se alinhar nem ao eixo liderado pela antiga União Soviética (URSS) nem aos americanos e à Otan.

A neutralidade foi interrompida, porém, quando os dois países se juntaram à União Europeia em 1995. Desde meados da década de 1990, as nações também são sócias da Otan.

A adesão formal de Estocolmo e Helsinki à aliança, porém, colocaria os dois governos sob o guarda-chuva de proteção maior do bloco.

Segundo o Artigo 5 do tratado que rege a Otan, os membros da aliança têm o compromisso de se defender mutuamente em caso de ataque armado contra qualquer um deles. E com a invasão da Ucrânia, cresce o temor de novos avanços do Kremlin entre os países vizinhos.

A Finlândia compartilha uma fronteira de 1,3 mil km com a Rússia. O país, que conquistou sua independência dos russos em 1917, lutou contra uma invasão da URSS em 1939, no que ficou conhecida como a Guerra de Inverno.

Helsinki assinou um Acordo de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua com os soviéticos em 1948, por meio do qual conseguiu consolidar sua independência e a sobrevivência de sua democracia liberal.

O ministro das Relações Exteriores finlandês, Pekka Haavisto, disse que a guerra da Rússia na Ucrânia mudou o ambiente de segurança na Europa e forçou a revisão da política de defesa nacional.

O Partido Social-Democrata de Sanna Marin defende tradicionalmente uma política de não alinhamento e neutralidade. Pesquisas de opinião recentes, porém, mostram que o apoio à adesão à Otan subiu de 28% em fevereiro para 62% no mês passado entre a população local, como reflexo do temor de um novo avanço russo.

Já a primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson, disse em entrevista coletiva que, dado o cenário atual na Ucrânia, “temos que realmente pensar no que é melhor para a Suécia e nossa segurança e nossa paz nesta nova situação”.

Segundo Caroline Holmqvist, professora de Estudos de Guerra na Universidade de Defesa Sueca, há um entendimento geral de que uma decisão finlandesa de formalizar a candidatura para aderir à Otan seria imediatamente seguida pela Suécia.

“Há uma colaboração muito próxima de longa data entre a Suécia e a Finlândia e indicações fortes de que as decisões devem ser semelhantes e respeitadas pela Suécia”, diz.

Tensão com a Rússia

Ao que parece até o momento, a entrada de Suécia e Finlândia na Otan deve causar um aumento da tensão com a Rússia. E o desgosto de Moscou pode ser manifestado tanto em direção as dois países nórdicos, como contra a aliança militar em si.

Um dos principais motivos que levaram Vladimir Putin a prosseguir com a invasão da Ucrânia é seu receio em relação à Otan. Para Moscou, os Estados Unidos e a Europa Ocidental utilizam a aliança para cercar a Rússia, de forma que tem exigido quer que a organização cesse suas atividades militares no Leste Europeu.

E se a Finlândia, em particular, se juntar à Otan, o Kremlin encontraria a Rússia de repente compartilhando uma fronteira adicional de 1,3 mil km com a aliança.

Em fevereiro, depois de o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, agradecer o apoio da Suécia e da Finlândia em sua luta contra os russos, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que uma possível entrada da Finlândia na Otan “teria sérias repercussões militares e políticas”.

Após o encontro das lideranças sueca e finlandesa em Estocolmo, Moscou subiu o tom ainda mais.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Putin vai considerar “uma série de medidas” elaboradas pelo Ministério de Defesa do país. O vice-ministro das Relações Exteriores, Alexander Grushko, afirmou ainda que Finlândia e Suécia enfrentarão “as consequências mais indesejadas” se ingressarem na aliança militar, segundo a agência de notícias russa Tass.

Na quinta-feira (14/4), outro porta-voz russo tocou no assunto. Ex-presidente e membro do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev deu a entender que seu país poderia até utilizar armas nucleares as nações nórdicas se juntem a Otan.

Um dos homens mais próximos de Putin, Medvedev disse que “não se poderá falar mais de um Báltico livre de armas nucleares. O equilíbrio tem de ser restaurado. Até hoje, a Rússia não tinha adotado essas medidas e não planejava adotá-las. Mas, se formos forçados… Lembrem-se: não fomos nós que propusemos isto”, afirmou.

Para Niklas Helwig, professor do Instituto Finlandês de Relações Internacionais (FIIA), a entrada da Suécia e da Finlândia na Otan mudaria definitivamente sua relação com a Rússia.

“A Finlândia tem dado ênfase para sua relação de boa vizinhança com a Rússia, apesar das crescentes tensões. Mas é de se esperar que a adesão à Otan coloque a relação entre os dois países em posições antagônicas”, diz.

“Na prática, isso pode significar provocações russas por meio de campanhas cibernéticas e de desinformação.”

O próprio governo finlandês reconhece os riscos. Em uma relatório entregue ao Parlamento do país, a administração de Sanna Marin diz que, se Finlândia e Suécia se tornarem membros de pleno direito da Otan, “o limiar para o uso da força militar na região do Mar Báltico aumentaria”, aumentando “a estabilidade da região a longo prazo”.

O relatório adverte também que “a força militar pode ser usada apenas contra a Finlândia” e que a situação de segurança na Europa e na Finlândia atualmente é mais séria e mais difícil de prever do que em qualquer momento desde a Guerra Fria.

Mas, segundo Caroline Holmqvist, não é possível prever nenhuma ação de Putin.

“Mesmo os observadores que acompanhavam a situação mais de perto não esperavam uma invasão tão repentina da Ucrânia. Então, é muito difícil prever, no momento, quais serão os próximos passos de Putin, que está cada vez mais isolado e concentra todas as decisões em suas próximas mãos”, diz.

“Mas a ideia de que a ameaça militar mais próxima para a Suécia viria da Rússia sempre esteve na psique nacional. A Rússia é o grande ator militar da região”.

Defesa nacional

O relatório apresentado ao Parlamento finlandês diz que o “efeito mais significativo” da adesão à Otan “seria que a Finlândia faria parte da defesa coletiva da Otan e estaria coberta pelas garantias de segurança”.

O documento também menciona o efeito dissuasor de ser membro da Otan, que seria ser “consideravelmente mais forte do que é atualmente, uma vez que se basearia nas capacidades de toda a aliança”.

Observa ainda que, se a Finlândia se juntasse ao bloco, seria forçada a gastar até 1,5% a mais de seu orçamento em Defesa, mas reconhece que a adesão ofereceria ao país uma maior capacidade de se proteger.

A Finlândia já anunciou um aumento de 40% em seu orçamento de Defesa até 2026. A Suécia também planeja ampliar os gastos na área em cerca de 3 bilhões de coroas suecas (R$ 1,47 bilhões de reais) ainda neste ano.

Para os especialistas consultados pela BBC News Brasil, os dois países já demonstraram ter capacidade de se defender sozinhos. Mas entrar para a Otan seria uma forma de evitar um conflito em primeiro lugar.

“A Finlândia já tem um Exército muito capaz, com planos para se defender sem assistência em caso de um ataque russo. Essa capacidade foi demonstrada recentemente pela compra finlandesa de 65 jatos F35 dos Estados Unids”, diz Niklas Helwig.

“A ideia é que a adesão finlandesa à Otan possa impedir a Rússia de uma agressão armada contra a Finlândia, já que Moscou não teria interesse em um confronto direto com a Otan.”

Hanna Ojanen explica ainda que tanto a Finlândia quanto a Suécia já são tratadas como aliadas próximas da organização e já fazem parte de muitas das atividades da aliança.

“A principal diferença que o planejamento de defesa da Otan seria estendido a esses países e eles participariam da defesa de outros países da Otan, se necessário”, diz.

BBC Brasil / Daynews

Ucrânia identifica 900 civis mortos na região de Kiev




Chefe de polícia da região disse que número de óbitos pode ser maior, já que muitos escombros ainda estão sendo retirados de Makariv e Borodianka. Segundo ele, 95% dos corpos tinham ferimentos a bala.

A Ucrânia informou nesta sexta-feira (15/04) que já identificou 900 civis mortos durante a ocupação russana região de Kiev, incluindo 350 na cidade de Bucha.

"Hoje atingimos a cifra de 900 civis mortos. Ressalto que são civis cujos corpos encontramos e entregamos para exame forense, para exame detalhado. Todas essas pessoas morreram nas mãos do Exército russo", disse o chefe da polícia da região, Andriy Nebytov, segundo a agência Ukrinform.

"O maior número de vítimas foi encontrado em Bucha, mais de 350 corpos", detalhou, acrescentando que "um número significativamente menor" de corpos foi descoberto nos distritos de Vyshgorod e Brovary. O Kremlin vem negando a autoria do massacre em Bucha e acusa Kiev de "encenação".

Nebytov declarou ainda que o trabalho para remover os escombros em Makariv e Borodianka continua e, por essa razão, o número de mortos pode ser ainda maior.

"Temos certeza de que ainda há corpos sob os escombros", lamentou.

Em relação a Bucha, ele esclareceu que foram encontradas duas valas comuns na cidade. Segundo o chefe de polícia, um homem que trabalhava nos serviços públicos antes da invasão ficou na cidade e pediu aos soldados russos que lhe permitissem retirar os corpos das pessoas das ruas.

"Ele os enterrou em duas covas. Na primeira foram 40 pessoas e na segunda, 57. Já recuperamos 40 corpos", declarou.

Segundo Nebytov, a maioria dos corpos foi analisada pela polícia e 95% dessas pessoas foram baleadas com rifles de precisão ou armas pequenas, o que significa, de acordo com ele, que elas foram "simplesmente executadas". 

Ataque à área residencial em Kharkiv

A Ucrânia também informou nesta sexta-feira que pelo menos sete pessoas morreram, entre elas um bebê de sete meses, e 34 ficaram feridas, sendo três crianças, em um bombardeio russo a uma zona residencial de Kharkiv.

"O segundo maior exército do mundo [o exército russo], ao que parece, só pode lutar com a população civil", disse Oleg Sinegoubov, governador da região, em mensagem no Telegram. Ele pediu à população para não sair à rua.

Segundo Sinegoubov mais de 500 civis foram mortos na região, que faz fronteira com a Rússia, desde o começo da invasão na Ucrânia. Com quase 1,5 milhão de habitantes antes do conflito, Kharkiv era a segunda maior cidade da Ucrânia.

Mísseis de longo alcance contra Mariupol

Também nesta sexta-feira, o porta-voz do Ministério da Defesa ucraniano, Oleksandr Motuzyanyk, disse que, pela primeira vez desde o início da guerra, a Rússia usou mísseis de longo alcance para atacar Mariupol.

A cidade portuária é um dos principais objetivos russos para conseguir o controle total da região de Donbass e formar um corredor terrestre no leste do país a partir da península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. A situação na cidade é catastrófica, com dezenas de milhares de pessoas impedidas pelas tropas russas de deixar o local. Há escassez de água, comida e medicamentos. A Ucrânia acusa a Rússia de não permitir a saída de civis e nem a chegada de veículos com ajuda humanitária.

'Conquistar Mariupol é um dos principais objetivos das tropas russas'

Ataques no Leste da Ucrânia

A guerra na Ucrânia chegou nesta sexta-feira ao seu 51º dia e, atualmente, as tropas russas concentram seus ataques na região de Lugansk e Donetsk – em 24 horas foram ao menos oito, todos repelidos, segundo a Ucrânia.

De acordo com relatório do Estado-Maior ucraniano, os militares russos estão tentando principalmente capturar as cidades de Popasna e Rubishne, na região de Lugansk. Vários tanques russos e um sistema de artilharia teriam sido destruídos nos contra-ataques da Ucrânia. As informações não puderam ser checadas pela DW de forma independente.

'Novo cemitério é improvisado na cidade de Severodonetsk, na região de Lugansk'

Ataque à fábrica em Kiev

Apesar de as tropas russas se concentrarem no leste, a Rússia anunciou que intensificaria o lançamento de foguetes em Kiev, em retaliação a ataques ucranianos.  A declaração vem depois que as autoridades russas acusaram a Ucrânia de lançar ataques aéreos em edifícios residenciais na região russa de Bryansk. 

Por essa razão, segundo Moscou, um alvo militar nos arredores da capital ucraniana foi atacado com mísseis de cruzeiro durante a noite de quinta-feira, atingindo uma fábrica que constrói e conserta mísseis, disse o Ministério da Defesa russo. As explosões em Kiev foram as mais fortes desde a recente retirada das tropas russas da região ao redor da capital ucraniana. 

Embora Ucrânia e Estados Unidos afirmem que mísseis ucranianos tenham provocado o naufrágio do navio-almirante russo "Moskva", a Rússia deu uma outra versão, afirmando que a embarcação de guerra afundou em mar agitado enquanto era rebocada para um porto. O Ministério da Defesa havia dito anteriormente que um incêndio havia causado a explosão de munições. 

Expulsão de diplomatas da UE

A Rússia declarou nesta sexta-feira  como "persona non grata" 18 funcionários da missão da União Europeia (UE) em Moscou, em resposta a uma medida semelhante de Bruxelas, segundo informou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia. Eles terão que deixar o país em breve. 

A notificação da expulsão foi entregue ao embaixador da UE na Rússia, Markus Ederer, que foi convocado ao Ministério das Relações Exteriores do país.

"O lado russo chamou a atenção para a responsabilidade da UE pela destruição gradual do diálogo bilateral e da arquitetura de cooperação que havia sido criada há décadas", ressaltou o comunicado da pasta chefiada por Sergey Lavrov.

Moscou também pediu à União Européia que "cumpra rigorosamente os requisitos da Convenção de Viena de 1961 sobre relações diplomáticas".

No último dia 5 de abril, a União Europeia declarou "persona non grata" 19 membros da Missão Permanente da Federação Russa junto à UE em Bruxelas por realizar "atividades contrárias" ao seu status diplomático.

Segundo o portal russo RBC, este ano mais de 420 diplomatas russos foram expulsos de diferentes países, a maioria deles após o início da invasão na Ucrânia.

Este é o máximo de expulsões em mais de 20 anos, já que, entre 2000 e 2021, um total de 418 trabalhadores de diferentes missões diplomáticas russas foram declarados indesejados. 

Deutsche Welle

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