sexta-feira, abril 15, 2022

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O Cafezinho



PLDO prevê salário mínimo em R$ 1.294,00 em 2023




O governo divulgou nesta quinta-feira, 14, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2023, que define os parâmetros a serem utilizados para o Orçamento do ano que vem. O texto estima que o salário mínimo irá subir dos atuais R$ 1.212,00 para R$ 1.294,00 no próximo ano. O valor considera apenas a correção pela inflação medida pelo INPC neste ano, sem alta real no salário. Para 2024, a previsão é de que o salário mínimo será de R$ 1.337,00, chegando a R$ 1.378,00 em 2025.

A grade de parâmetros macroeconômicos do PLDO 2023 prevê uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 2023 em 2,5%. O documento estima incremento também de 2,5% para a atividade de 2024 e 2025.

O projeto estima uma inflação medida pelo IPCA de 3,3% em 2023 e de 3,0% em 2024 e em 2025. O texto prevê as mesmas variações para o INPC.

A projeção de taxa Selic média ficou em 10% no próximo ano, 7,7% em 2024 e 7,1% em 2025. O PLDO de 2023 projeta um câmbio médio a R$ 5,3 no próximo ano, estimando este mesmo patamar também para os dois anos subsequentes.

O projeto estima ainda um crescimento da massa salarial real de 4,3% em 2023, 2,8% em 2024 e 2,9% em 2025.

Estadão / Dinheiro Rural

OMS alerta que ‘de maneira nenhuma’ pandemia da covid-19 atingiu situação de endemia




A Organização Mundial de Saúde (OMS) contestou a avaliação de que a pandemia da covid-19 possa passar a ser considerada uma "endemia". Questionado sobre o tema, o diretor executivo da OMS, Mike Ryan, disse que "de maneira nenhuma" essa classificação pode ser feita, no quadro atual da emergência de saúde. "Mudar de pandemia para endemia é apenas alterar o rótulo, nós precisamos de um controle sustentado do vírus", enfatizou, em sessão de perguntas e resposta da entidade.

Ryan também se posicionou contra a avaliação de que uma endemia poderia causar poucos problemas, lembrando que há doenças endêmicas que provocam muitas mortes todos os anos pelo mundo. Ele disse que os países com maior cobertura vacinal tem superado as ondas do vírus relativamente bem, mas notou que naqueles com baixa cobertura de vacinas o quadro é ainda muito grave.

Responsável pela resposta da OMS à covid-19, Maria Von Kerkhove disse concordar com a avaliação. "Ainda estamos no meio dessa pandemia", comentou, citando que existem milhões de casos por semana, apesar da forte queda no número de testes.

Estadão / Dinheiro Rural

Gasto estatal do Brasil com saúde é um dos mais baixos do mundo, afirma IBGE




O porcentual de gastos do governo brasileiro com a saúde da população é um dos mais baixos do mundo. Equivale a 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) e só é maior que o do México, cuja administração investe 2,7% do seu PIB em saúde. Os números fazem parte da pesquisa Conta-Satélite de Saúde, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada na manhã desta quinta-feira, 13.

Entre 2010 e 2019, as despesas com bens e serviços de saúde no Brasil aumentaram de 8,0% do PIB para 9,6% do PIB. O aumento, no entanto, saiu do bolso dos brasileiros. O gasto governamental se manteve relativamente estável ao longo desse período, enquanto o das famílias aumentou.

Em 2019, o consumo final de bens e serviços de saúde alcançou R$ 711,4 bilhões; dos quais as despesas das famílias brasileiras somaram R$ 427,8 bilhões (5,8% do PIB) e as do governo, R$ 283,6 bilhões (3,8% do PIB). Em 2010, a contribuição das famílias correspondia a 4,4%, enquanto que a do governo era de 3,6%.

Em média, em países selecionados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os governos apresentam gastos equivalentes a 6,5% do PIB, enquanto que as famílias apenas 2,3% do PIB. Em alguns países, como Alemanha, França e Reino Unido, o investimento dos governos é ainda mais alto, 9,9%, 9,3% e 8,0% do PIB, respectivamente. Na América Latina, a Colômbia e o Chile apresentam um gasto governamental proporcionalmente maior do que o brasileiro, 6,0% e 5,7%.

A principal despesa das famílias é com os serviços privados de saúde (como planos de saúde), que respondem por 67,5% do total das despesas nesse segmento. Os gastos com medicamentos, que em 2019 totalizaram R$ 122,7 bilhões, correspondem a 29,3% das despesas das famílias com saúde.

Outro indicador apresentado pela pesquisa é o da despesa per capita com saúde. Em 2019, o gasto per capita com o consumo de bens e serviços de saúde das famílias alcançou R$ 2.035,6, enquanto que o do governo foi de R$ 1.349,6.

A análise das despesas per capita utilizou a chamada paridade de poder de compra entre os países em dólares (US$ PPP). O cálculo permite comparar a capacidade de consumo de produtos de saúde do Brasil em relação a de outros países. Nessa comparação, as despesas brasileiras per capita com saúde são mais elevadas que a de outros países latino-americanos, como Colômbia e México. Ficam, porém, abaixo da média observada nos países da OCDE, que despendem o equivalente a 2,9 vezes o gasto brasileiro.

Estadão / Dinheiro Rural

O Viagra não resolverá




Segundo Bolsonaro, as Forças Armadas não estão broxas, mas com reumatismo

Por Ruy Castro (foto)

Nelson Rodrigues disse certa vez, "Se todos conhecessem a vida sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém". Por sorte, a maioria das pessoas mantém certo recato e, com isso, continuamos a cumprimentá-las sem nos perguntarmos onde botam a mão. Nesta semana, no entanto, falou-se dos possíveis desaires pessoais de membros de uma categoria por definição viril: os militares. As Forças Armadas compraram 35.320 comprimidos de Viagra para seus homens.

Ao ouvir a notícia, e sabendo que o Viagra é um remédio para a disfunção erétil, vulgo impotência, o Brasil estremeceu de rir —imagine um bando de oficiais provectos tendo de apelar para o comprimido a fim de bater continência. Aos que me vieram falar, aconselhei respeito: "Esse assunto não nos compete. E daí se há milhares de generais, almirantes e brigadeiros broxas? Em que isso interfere na pintura de postes e faxina dos quartéis?".

Mas então, Jair Bolsonaro —que sonegou enquanto pôde as vacinas anti-Covid ao povo brasileiro— justificou a compra alegando as outras funções cobertas pelo Viagra: sua eficácia no tratamento da hipertensão arterial e das doenças reumáticas. Por um lado, é tranquilizador: nossos militares estão em dia quanto à performance sexual. Em compensação, estão com a pressão lá no alto, a ponto de explodir as artérias, e com os ligamentos, músculos e tendões em pandarecos, daí o surto de lumbago e bico-de-papagaio entre eles.

Isso, sim, é preocupante. Imagine se Bolsonaro perder a eleição e tentar melá-la botando na rua seus másculos atiradores, "colecionadores" de armas, milicianos, seguranças, bombeiros, PMs, suboficiais do Exército e aspirantes, tropa que apascenta desde que assumiu? Como reagirão nossas hipertensas e reumáticas Forças Armadas, supostas detentoras do poder armado no país? Irão combatê-los ou aderir?

Seja como for, não será o Viagra que resolverá.

Folha de São Paulo

Casa Civil apaga fotos de encontro entre Ciro e pastor envolvido em suposto esquema no MEC




Perfil do deputado Vicentinho Júnior (PP-TO) publicou imagem de reunião do pastor Arilton Moura com o ministro Ciro Nogueira (Casa Civil) 

Segundo lista divulgada pelo GSI, reunião do ministro Ciro Nogueira com o pastor Arilton Moura ocorreu no dia 21 de setembro do ano passado na Casa Civil.

Por Marcelo Parreira

A Casa Civil apagou fotos que estavam na conta do Flickr da pasta de uma reunião do ministro Ciro Nogueira com o pastor Arilton Moura, suspeito de ter participado de um possível esquema de corrupção no Ministério da Educação (MEC).

O encontro ocorreu no dia 21 de setembro do ano passado e foi registrado por um fotógrafo da Casa Civil.

O endereço em que as fotos estavam originalmente hospedadas figurava como indisponível ao ser acessado nesta quinta-feira (14). "Parece que a foto ou o vídeo que você está procurando não existe mais", diz a mensagem no site. A agenda oficial do ministro também não faz menção a nenhum encontro com o religioso.

O g1 procurou a Casa Civil sobre a exclusão das imagens da reunião com o pastor investigado, mas não houve resposta até a última atualização desta reportagem.

As imagens, no entanto, ainda estão disponíveis no perfil do Instagram do deputado Vicentinho Júnior (PP-TO), que também participou da reunião. Na ocasião, o parlamentar postou a seguinte legenda com as imagens: "Mais uma vez estive com o ministro Ciro Nogueira para tratar sobre as demandas dos municípios tocantinenses. Agradeço imensamente ao ministro pela paciência e presteza que sempre nos atende. Agradeço mais ainda pela sensibilidade em atender nossos pedidos que beneficiam as pessoas do Tocantins".

Nesta quinta-feira, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República divulgou uma lista com registros de acessos do pastor Arilton Moura a gabinetes do Palácio do Planalto. A relação aponta que, no dia 21 de setembro de 2021, o pastor Arilton esteve na Casa Civil.

Arilton e outro pastor, Gilmar dos Santos, estão no centro das denúncias de irregularidades no Ministério da Educação. Em um áudio, o ex-ministro Milton Ribeiro diz, durante reunião com prefeitos, que repassava verba da pasta para municípios apontados pelos dois religiosos. Ribeiro, que foi demitido após as denúncias de irregularidades no MEC, disse ainda que fazia isso a pedido do presidente Jair Bolsonaro.

Depois, o ex-ministro negou que favorecesse os pastores e que estivesse obedecendo a uma determinação de Bolsonaro, apesar do áudio. Os dois pastores não têm cargos no governo.

Após o caso ter sido revelado, prefeitos relataram que Santos e Moura pediram propina para liberar verbas do MEC aos municípios. Segundo os prefeitos, foram solicitados dinheiro e até ouro e compra de bíblias como propina.

Santos e Moura já foram registrados em fotos oficiais do governo em eventos no Palácio do Planalto e em encontro com Bolsonaro no gabinete. Bolsonaro também já participou de evento da igreja da qual os pastores fazem parte.

G1

Por que se calam?




Lira e Bolsonaro mostram que sua obrigação de prestar contas não é levada a sério

Por Ranier Bragon (foto)

Dia desses, a Folha quis saber dos principais pré-candidatos a comandar esse país o que eles pensam do semipresidencialismo em debate na Câmara.

A assessoria de Jair Bolsonaro (PL), como de praxe, ignorou a pergunta. A de Lula juntou preguiça com desprezo pela inteligência alheia e disse que o petista ainda não é candidato, logo, não falaria.

Parece uma besteira, mas há aí o sintoma de um mal maior, a certeza de que eu, político responsável pela gestão de milhões ou bilhões em recursos públicos, ou candidato a isso, só me manifestarei sobre aquilo que eu quiser, do jeito que eu achar mais conveniente, no momento em que julgar adequado, no ambiente controlado que escolher —e se, por ventura, estiver disposto a tal.

Escolas públicas de Alagoas visitadas pelo repórter Paulo Saldaña sofrem com falta de sala de aula, internet, computadores e até água encanada. Para lá o governo federal enviou não a infraestrutura que deveria ter providenciado há décadas, mas kits de robótica ao valor unitário de R$ 14 mil.

Empresa de um aliado do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), intermediou o negócio e comprou pelo menos parte desses kits por R$ 2.700 cada um. Ou seja, revendeu os kits às prefeituras com um ágio de 420%.

Todo mundo sabe como revolta ser alvo de injusta suspeita. Dá vontade de sair às ruas gritando e farfalhando documentos para provar o acerto do gasto feito, a justeza de se cobrar o valor cobrado e a melhoria que tudo isso trouxe à precária realidade dessas escolas.

Dá muita vontade. Ou deveria dar. A empresa e o MEC preferiram a mudez. Lira e Bolsonaro se limitam a dizer que não têm nada a ver com isso apesar de, sim, ambos terem a ver com isso.

Não há razão que justifique políticos encastelados e a salvo do contraditório em uma República de cem anos e lá vai pedrada. É dever elementar dar explicações públicas rotineiras de mandos e eventuais desmandos. Por que se calam?

Folha de São Paulo

O voto, a vergonha e as redes




Por Malu Gaspar (foto)

A recente recuperação de Jair Bolsonaro nas pesquisas de opinião fez uma pergunta que andava superada voltar a ocupar as mentes de estrategistas e analistas políticos. Afinal, até onde o presidente da República pode crescer? Teremos, neste ano, uma quantidade significativa de votos envergonhados, daqueles que só se revelam na última hora? E ainda: pelo andar da carruagem, Bolsonaro pode acabar se reelegendo? 

É um combo de questões complexas. Qualquer um que se arrisque a fazer afirmações peremptórias neste momento errará. Mas o exercício de procurar as respostas é útil para compreender o que vem por aí.

Considerando o histórico de eleições passadas, era razoável prever que Bolsonaro fosse subir nas pesquisas à medida que seu pacote de bondades começasse a irrigar a economia.

Desde março, ele já liberou R$ 160 bilhões para ampliar o alcance e o valor do Auxílio Brasil, turbinou o vale-gás e acaba de dar um reajuste de 5% aos servidores públicos da União. Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma adotaram estratégias parecidas e conseguiram o segundo mandato. 

Mas a inflação recorde e a queda na renda da população são obstáculos difíceis de transpor. Segundo o último levantamento do Datafolha, 46% dos brasileiros dizem desaprovar o governo, e 55% afirmam que não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum.

Apurados no final de março, antes da saída de Sergio Moro da corrida eleitoral, esses números davam a Lula e a seus aliados a confiança de estar próximos de chegar ao Planalto. Até outro dia, era comum ouvir de dirigentes petistas frases como “nós vamos pegar uma situação econômica pior que em 2002”. Em seus discursos, Lula dizia ter certeza de que Bolsonaro seria derrotado.

Mas não é só o presidente da República que sofre rejeição. O Datafolha mostra que 37% dos eleitores afirmam não votar em Lula de forma nenhuma. E Bolsonaro tem 26% das intenções de voto nessa mesma pesquisa. Mesmo havendo nesse grupo pessoas que também o rejeitam, ele pode tentar atraí-las explorando de forma eficaz o antipetismo.

É o que o analista político Maurício Moura chama de “batalha de rejeições”. O bolsonarismo está disposto a vencê-la. Parte dessa estratégia se baseia em pesquisas qualitativas segundo as quais uma parte relevante dos eleitores que se dizem inclinados a votar em Lula muda de ideia depois de assistir a vídeos das delações de empreiteiros e de antigas estrelas petistas como Antonio Palocci. 

Por enquanto, Lula vem facilitando o trabalho dos bolsonaristas com suas recentes declarações sobre o aborto e a classe média, que ajudam a acionar o gatilho do antipetismo adormecido em alguns eleitores. A divulgação da foto de Pabllo Vittar fazendo um manifesto a favor de Lula no festival Lollapalooza foi outro exemplo de tiro no pé amplamente comemorado no bolsonarismo.

Lula ainda tem tempo suficiente para construir um discurso mais ao centro na economia e de mitigar os temores de uma parcela do antipetismo, da mesma forma como fez em 2002.  

Há, porém, uma arena em que, tanto no lulismo quanto no bolsonarismo, muita gente acha que o caldo pode entornar: as redes sociais. Seria prematuro dizer que as eleições deste ano serão ganhas nas redes.

Mas não dá para ignorar que elas são elemento crucial do ecossistema político e têm imenso poder multiplicador, especialmente em momentos de grande tensão eleitoral.

Os dados mostram que o petista vem crescendo e conquistando engajamento ao longo do tempo. Segundo a consultoria digital Bites, se, em 2019, o presidente da República tinha 13 vezes mais interações em seus posts que Lula, hoje essa diferença é de apenas três vezes.

Mas Lula partiu de um patamar bem mais baixo do que Bolsonaro. O presidente tem 45 milhões de seguidores em suas plataformas, enquanto o petista está com 13 milhões. 

As redes petistas de WhatsApp também ainda não parecem muito orgânicas. Há grupos de apoio a Lula onde o administrador se despede às dez da noite, e as mensagens param, enquanto os bolsonaristas se mantêm em frenética atividade, mandando vídeos, memes e links de todo tipo.

O contraste entre o visual tosco e pretensamente original dos apoiadores do presidente e o jeitão programadinho das mensagens petistas mostra que a campanha de Lula ainda precisa avançar muito nesse quesito. Claro que ainda faltam seis meses até a eleição — na política, uma eternidade.

Mas o quadro geral não recomenda descansar. Pelo sim, pelo não, talvez seja melhor o pessoal da campanha de Lula botar as redes sociais para trabalhar de noite também.

O Globo

2022 veio para acabar com nossas (supostas) certezas?




Por Thomas Milz* (foto)

'Bolsonaro recuperando fôlego nas pesquisas é uma das surpresas de 2022'

O ano está relativamente só começando, mas já traz muitas surpresas. Difícil fazer previsões sobre as eleições no Brasil, a Copa do Mundo ou os rumos da geopolítica, escreve Thomas Milz.

Para a grande maioria da classe política alemã, a invasão russa da Ucrânia foi um choque. Acreditava-se que as relações econômicas com a Rússia evitariam conflitos desse tipo, não vistos na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Mas aconteceu, e trouxe junto graves interrupções nas cadeias de produção e distribuição. Agora temos que repensar toda a estrutura de comércio e cooperação internacional construída durante as últimas décadas.

E há sinais vislumbrando no horizonte de um segundo choque no Ocidente, dessa vez em relação à China. Acreditava-se, como no caso da Rússia, que as interligações econômicas abafariam as diferenças (geo)políticas. 

Para a Europa, esse choque de realidade traz um novo espírito de unidade e energiza a cooperação. A União Europeia, como a Otan, também se rejuvenesceu. Teve que repensar as dependências energéticas e seu sistema de defesa.

Mas o ano de 2022 ainda conta com eleições na França e as eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos, que podem dar vitórias a Marine Le Pen e aos republicanos americanos, e assim enfraquecer a posição conjunta atual do Ocidente.

E para o Brasil? Quais são as "certezas" que o ano pode "matar"? 

Primeiramente, a de que o setor financeiro brasileiro entraria numa época de juros baixos, seguindo o mundo afora. Mas, ao contrário, a Selic está em 11,75% e subindo, entrando em patamares vistos nos governos Dilma e Temer. Claramente, a inflação deriva de um problema na oferta, e não na demanda. Assim, diminuir a demanda ainda mais, através de juros altos, não parece a resposta certa. 

E não se esperava isso de um governo cuja política econômica é guiada por um "neoliberal" como Paulo Guedes. Com a Selic alta e as sequelas da guerra na Ucrânia, bem como os efeitos da pandemia, está de volta um real mais forte, surpreendendo a maioria dos especialistas.

O que esperar das eleições?

Outra surpresa é a força do presidente Jair Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto. Em parte, deve-se isso ao fracasso da "terceira via", que até agora não conseguiu oferecer uma alternativa viável. Antes, vislumbrei uma divisão em "terços": um terço da população apoiando Bolsonaro, um terço fiel a Lula e o outro terço buscando uma terceira via. Seria esse terceiro terço que decidiria as eleições de outubro. 

Parece que tanto a desastrosa resposta do governo à pandemia quanto os atuais problemas econômicos não atingem tanto Bolsonaro como muitos esperavam. Se ele conseguir convencer os eleitores de que são problemas externos e, portanto, não gerados por ele, suas chances de reeleição aumentam significativamente.

Por outro lado, me surpreende a lentidão de a candidatura de Lula se concretizar. Por que tanta hesitação em falar claramente que é candidato, quando todos já sabem que ele é? Até agora, não se vê uma agenda clara de um eventual governo Lula parte 3. 

E por que falar abertamente a favor do aborto e da demissão dos militares do governo? A questão do aborto é desnecessária, já que é o Congresso que decide o tema, e não o governo. Em relação aos militares, é óbvio que Lula não quer ter 8 mil fardados em seu governo. Mas por que "ofender" os militares publicamente?

Será que Lula, a velha raposa, o animal político, perdeu seu faro? No fim do ano passado, uma vitória de Lula parecia certa. Agora a corrida parece surpreendentemente aberta. 

Nesta semana, o poderoso Bayern de Munique, que forma a espinha dorsal da seleção alemã, foi eliminado da Liga dos Campeões pelo time do Villarreal. Não dá nem para ter certezas no futebol. Teremos surpresa na Copa do Catar, em dezembro? Fecharia este ano tão surpreendente com chave de ouro.

*Thomas Milz saiu da casa de seus pais protestantes há quase 20 anos e se mudou para o país mais católico do mundo. Tem mestrado em Ciências Políticas e História da América Latina e, há 15 anos, trabalha como jornalista e fotógrafo para veículos como a agência de notícias KNA e o jornal Neue Zürcher Zeitung. É pai de uma menina nascida em 2012 em Salvador. Depois de uma década em São Paulo, mora no Rio de Janeiro há quatro anos.

Deutsche Welle

Corrupção no atual governo




Por Míriam Leitão (esq.)

A corrupção sempre esteve presente no governo Bolsonaro, mas está escalando neste final de mandato. O presidente Jair Bolsonaro tem dito que é um governo sem corrupção. Está mentindo. O Ministério da Educação tinha pastores pedindo propina a prefeitos, o dinheiro do Fundo Nacional de Educação está sendo distribuído de forma fraudulenta, uma construtora desconhecida domina as licitações em obras financiadas com verba do orçamento secreto e até as Forças Armadas distribuem recursos a políticos de forma não transparente.

O Ministério da Educação foi minado pela corrupção. O órgão nunca foi tão necessário e nunca foi tão inútil para a educação brasileira. E além disso foi ocupado por picaretas. A ligação entre as maracutaias dos pastores e o presidente é clara. Mas agora o governo tenta apagar as pegadas, colocando em sigilo as entradas no Palácio do Planalto dos pastores que, pelo que disse o ex-ministro Milton Ribeiro, haviam sido enviados pelo próprio presidente Bolsonaro.

Quatro ONGS — Transparência Internacional, Human Rights Watch, Anistia Internacional e WWF — através de suas sedes no Brasil, enviaram ontem à OCDE um pedido de audiência com o novo secretário-geral, Mathias Cormann, fazendo alertas sobre os retrocessos brasileiros na área de direitos humanos, proteção ambiental e combate à corrupção.

— Os exemplos da carta são bem ilustrativos em todas as áreas e mostram, no fundo, um retrocesso democrático. Em todos os setores que apontamos há desafios, mas o mais importante deles é o retrocesso nos níveis de transparência da informação pública no governo atual. O governo tenta enfraquecer a Lei de Acesso à Informação, nega acesso aos dados, e decreta sigilos extraordinários e abusivos — diz Bruno Brandão, da Transparência Internacional.

Os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, suspeitos de corrupção no Ministério da Educação, entravam e saíam do Planalto. O GLOBO pediu acesso a essa informação. Não apenas foi negado como o Gabinete de Segurança Institucional colocou as as informações em sigilo alegando que isso afeta a segurança do presidente.

— Para se ter uma ideia do uso abusivo desse recurso, os papéis da guerra do Vietnã ficaram 40 anos sob sigilo. A ida dos filhos do presidente ao Planalto e a carteira de vacinação foram colocados em sigilo de um século — comparou Brandão.

A empreiteira Engefort nunca havia tido contrato com o governo até que passou a dominar as licitações. Ganhou 53 de 99 licitações e 70% dos seus contratos são financiados pelo orçamento secreto. Tudo sob o guarda-chuva da Codevasf. Há outros casos.

Na CPI da Pandemia foi revelado que o governo assinou contrato da vacina Covaxin por um preço 1000% mais caro do que a empresa havia oferecido seis meses antes. Ex-diretor de Departamento de Logística do Ministério pediu propina de US$ 1 por dose. A pressão para fechar o contrato foi denunciada diretamente ao presidente, segundo revelou na CPI o deputado Luis Miranda, e Bolsonaro nada fez. A denúncia na CPI impediu que o negócio fosse realizado. O ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles foi alvo de investigação internacional por suspeita de acobertamento de contrabando de madeira.

As falcatruas do Ministério da Educação englobam compra de kit robótica para enviar para escolas sem água e sem luz, sobrepreço na proposta de licitação de ônibus escolares e anúncio de escolas falsas. O ministro Ciro Nogueira tem induzido prefeitos a anunciar início de obras que não podem ser executadas, porque libera-se apenas um percentual mínimo do valor da obra. Com isso o eleitor é enganado, o dinheiro público é desperdiçado e obras que precisam ser concluídas são abandonadas.

No ano passado, o Grupo de Trabalho sobre Suborno da OCDE criou um subgrupo apenas para monitorar o caso do Brasil:

— O governo neutralizou os dois pilares centrais do sistema de checks and balances brasileiro: o jurídico e o político. O jurídico pela indicação de um PGR com alinhamento sistemático com o governo, e o pilar político pelo orçamento secreto. É o que a gente chama de corrupção institucional — disse Bruno Brandão.

O governo Bolsonaro está mergulhado em corrupção, mas não se deixa investigar, nega o acesso à informação, enfraqueceu a Polícia Federal, neutralizou a PGR e comprou uma parte do Congresso dando uma enorme fatia do Orçamento.

O Globo

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