sábado, janeiro 15, 2022

Viagens à Lua: por que há tantas missões em 2022




2022 deve ser um grande ano para a exploração lunar

O ano de 2022 será marcado por uma série de missões à Lua, após um ano sem um único pouso lunar sequer.

A Nasa, agência espacial americana, vai dar o pontapé inicial em seu programa Artemis e está patrocinando várias outras missões à Lua para levar equipamentos e suprimentos que serão usados ​​por futuros astronautas.

A Índia, Japão, Rússia, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos também vão lançar missões lunares neste ano — e, assim como estes países, várias empresas também vão participar da corrida para chegar ao satélite natural da Terra.

Todos estes serão voos espaciais não tripulados e, em sua maioria, estarão preparando o terreno para uma presença humana sustentável na superfície da Lua em menos de uma década.

Mas este também não é o objetivo final — a criação de uma estação espacial lunar é apenas um passo a caminho de missões tripuladas para o planeta vermelho, Marte.

Zoë Leinhardt, astrofísica da Universidade de Bristol, no Reino Unido, acredita que este ano vai marcar o início de uma nova corrida espacial envolvendo novos países.

Enquanto muitas destas missões visam examinar a própria Lua, outras têm aspirações mais elevadas.

"Algumas missões têm objetivos de longo prazo estabelecidos mais além, e as missões à Lua são tanto uma prova de conceito, quanto uma oportunidade para testar novas tecnologias e colaborações", diz Leinhardt.

Mas, afinal, do que se trata cada missão e qual sua finalidade?

A seguir, o que o ano de 2022 reserva para a Lua:

Missão Artemis-1 e Capstone da Nasa

O ambicioso programa espacial Artemis, da Nasa, visa levar humanos de volta à Lua até 2025.

Em março deste ano, a missão Artemis-1 começará a preparar o terreno para esta meta ambiciosa.

A missão não será tripulada, com exceção de um "Moonikin", que ocupará o assento do comandante da Artemis 1. Trata-se de um manequim realista que recebeu o nome de Arturo Campos, engenheiro que foi fundamental para trazer a Apollo 13 com segurança de volta à Terra.

O papel de Campos será testar o mesmo traje espacial que os astronautas da Artemis vão usar durante o lançamento, entrada e outras etapas dinâmicas de suas missões.

O novo Space Launch System (SLS) da Nasa — o foguete mais poderoso do mundo — lançará a missão e levará a espaçonave Orion ao redor da Lua para testar a segurança do veículo de tripulação.

A Nasa estará observando atentamente os dados do escudo térmico da Orion durante sua reentrada em alta velocidade na Terra, a quase 2.760 graus Celsius.

Ainda neste ano, outro elemento-chave do programa Artemis vai dar um passo importante.

'Os cientistas da Nasa estarão observando de perto a espaçonave Orion'

A Capstone — sigla em inglês para Experiência de Navegação e Operações Tecnológicas do Sistema de Posicionamento Autônomo Cislunar — é a missão pioneira do programa Artemis.

A Nasa lançará um satélite do tamanho de um forno de micro-ondas ou um CubeStat, a espaçonave da Capstone, também em março de 2022, para testar uma órbita centrada na Lua, girando junto com a mesma enquanto ela orbita a Terra.

O objetivo é garantir a segurança dos astronautas em viagens futuras.

'O objetivo final é Marte'

As informações que serão obtidas com este teste ajudarão a validar modelos operacionais para outro componente chave do programa Artemis — o Gateway.

A Nasa o descreve como "um posto avançado multifuncional orbitando a Lua, que oferece suporte essencial para o retorno humano de longo prazo à superfície lunar".

Se tudo correr como planejado, em 2025, a Artemis-3 deve fazer o primeiro pouso na Lua desde a missão Apollo 17 em 1972.

A missão também está programada para incluir a primeira mulher astronauta e a primeira pessoa negra a pisar na Lua .

Hannah Sargeant, cientista planetária da Universidade da Flórida Central, nos EUA, observa que esse foco na Lua faz parte de uma visão mais ampla.

O Gateway também se destina a ser uma base de apoio para a exploração do espaço profundo.

"Missões robóticas à Lua são um dos primeiros passos nesse roteiro, levando a uma estação espacial lunar, uma base lunar e, finalmente, a missões tripuladas a Marte", diz ela.

Missões da Índia, Japão e Emirados Árabes Unidos

Outros países e empresas também estão de olho na Lua neste ano.

Alguns estarão realizando pesquisas, enquanto outros vão entregar suprimentos e equipamentos.

Dois anos após uma tentativa de pouso fracassada na Lua, a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO, na sigla em inglês) está planejando uma missão de exploração lunar chamada 'Chandrayaan-3'.

Uma espaçonave transportando um robô lunar e um módulo de pouso estacionário será lançada no terceiro trimestre de 2022.

O Japão, por sua vez, tem dois projetos lunares ambiciosos para este ano.

A Jaxa, agência espacial japonesa, planeja lançar um módulo de pouso lunar em abril de 2022.

Chamado SLIM ( sigla em inglês para "módulo de pouso inteligente para investigar a Lua"), ele demonstrará técnicas precisas de alunissagem e reconhecerá crateras lunares aplicando tecnologia de sistemas de reconhecimento facial.

O telescópio espacial X-Ray Imagining and Spectroscopy Mission (XRISM) também estará a bordo.

E a empresa espacial japonesa, ispace Inc., também enviará um módulo de pouso para a Lua no segundo semestre de 2022. A missão 1 (M1) faz parte do programa de exploração comercial lunar da Jaxa, 'Hakuto-R', por meio do qual dois robôs exploradores serão implantados.

Um deles é construído pela própria Jaxa — um robô de duas rodas de pequena escala que vai explorar a superfície da Lua.

O outro robô que a empresa japonesa vai implantar é dos Emirados Árabes Unidos, chamado Rashid. É um veículo de quatro rodas encarregado de testar o solo da Lua.

Missão russa Luna 25 e Orbitador lunar da Coreia do Sul

'A missão russa Luna 25 pousará no polo sul da Lua'

A missão lunar da Rússia para 2022 é chamada Luna 25.

Será a primeira missão do país à superfície da Lua em 45 anos — e deve ser a primeira missão a pousar no polo sul do satélite. Esta é a área que a Nasa está considerando para missões lunares tripuladas.

A agência espacial russa, Roscosmos, programou o lançamento para julho de 2022.

O Instituto de Pesquisa Aeroespacial da Coreia, a agência espacial da Coreia do Sul, lançará o Orbitador Lunar Coreano Pathfinder (KPLO) para a Lua um mês depois, em agosto de 2022.

O KPLO vai estudar a superfície da Lua e ajudará a planejar futuras missões aos polos lunares.

Robôs comerciais da Nasa

As empresas privadas também estão na corrida para a Lua.

Sob um programa da Nasa chamado Commercial Lunar Payload Services (CLPS), as companhias vão competir para fornecer serviços de transporte para a superfície da Lua.

A Intuitive Machines, com sede em Houston, pretende usar um robô lunar de seis patas chamado Nova-C para transportar cargas úteis para a superfície da Lua no início de 2022.

Uma missão posterior será lançada pela Astrobotic Technology, com sede na Pensilvânia, em meados de 2022.

A Peregrine Mission 1, da empresa, levará cargas úteis de pesquisa científica com um módulo de pouso de quatro patas em forma de caixa.

Qual é o objetivo destas missões?

Sargeant diz que muitas delas vão examinar o ambiente lunar, com o objetivo de encontrar maneiras de proteger tripulações e equipamentos de qualquer ameaça, como poeira lunar e vento solar intenso.

As missões também darão aos cientistas a oportunidade de testar os protótipos de equipamentos e experimentos que podem ser usados ​​para gerar recursos como a água.

"Queremos garantir que estas máquinas funcionem antes de enviarmos nossas equipes para lá, que vão depender dos suprimentos preciosos que elas geram", diz Sargeant.

"Por fim, estes suprimentos podem ser usados ​​para produzir o combustível necessário para enviar missões avançadas a Marte."

"A Lua também atua como uma plataforma de testes para tecnologias que gostaríamos de usar um dia no planeta vermelho. Está muito mais perto de casa, a apenas três dias de distância, do que os pelo menos seis meses necessários para chegar a Marte."

BBC Brasil

O novo fim de Paulo Guedes

 




Decreto coloca ministro sob ainda mais tutela, mas Guedes já não podia quase nada

Por Vinicius Torres Freire

Um decreto de Jair Bolsonaro submeteu Paulo Guedes à tutela oficial de Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil, em alguns assuntos orçamentários menores. Nogueira é senador e presidente licenciado do PP, um dos dois regentes do que sobra do governo bolsonariano: a distribuição de dinheiros que auxiliem a eleição da turma do centrão. O outro regente é Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara.

Dizem que Guedes perdeu poder. Perdeu poder de quê?

Para começar, qualquer ministro da Economia pode pouco se não há um governo com rumo e base parlamentar, para nem mencionar articulação social. O governo de Jair Bolsonaro não existe, para todos os fins humanos e positivamente práticos.

Quando se meteu em assuntos econômicos, Bolsonaro sabotou ou desmoralizou Guedes, como se o ministro ainda precisasse passar mais vergonha depois de tanta promessa de trilhão, déficit zero, da privatização da semana que vem, afora disparates e preconceitos.

Guedes não tem articulação política. Perdeu seus principais assessores. Alguns porque não conseguiam fazer nada ou não sabiam fazê-lo. Uns foram fritados por Bolsonaro. Outros saíram para não dar mais vexame ou com medo de processos, como a baciada que debandou quando chutaram o pau de teto de gastos.

Além do mais, Guedes perdeu um naco do seu superministério cheio de criptonita (o Trabalho). Pode ser que o Planejamento seja amputado também na "reforma ministerial", um arranjo final do governo para a reeleição, aliás enrolado.

Em outubro de 2021, Guedes já era um pato manco depenado, como se escrevia nestas colunas. Então, já havia perdido o poder sobre o Orçamento de 2022. Isto é, sobre pequena parte do dinheiro federal, pois 95% é carimbada para despesas obrigatórias, na prática mais do que isso, se não se quiser apagar a luz e fechar as portas da "máquina". Lira, Nogueira e o comitê central do centrão tomaram conta.

A política macroeconômica, que era pouca, se acabou com a mudança inepta e picareta do teto de gastos. Está à deriva, nas ondas do mercado de juros e câmbio, que mais e mais vai depender da política, da eleição e das atrocidades de Bolsonaro, ou nas mãos do Banco Central. Fim. Claro que sempre é possível fazer mais besteira. Para todos os fins prestantes, é isso: fim.

Dizem que, com o decreto, Nogueira vai ficar com o pepino de definir politicamente o destino de uns dinheiros, arbitrando a fome das hienas. Nogueira pega o pepino e faz salada, que come com gosto. É parte da sua dieta política, que é retalhar os dinheiros públicos entre amigos de paróquias e currais.

Trocando em miúdos, o decreto exige que Nogueira dê aval a mudanças em princípio pequenas no Orçamento. Se aparecer uma sobra de dinheiro que possa ser mudada para lá ou para cá e um crédito especial (gasto imprevisto na lei orçamentária), pode se fazer um favor para amigos "da base", como se faz com emendas parlamentares, várias delas aliás dirigidas para as regiões de ministros que vão se candidatar. Apenas em caso de mutreta grossa e catástrofe (abertura de créditos extraordinários) apareceria dinheiro grande.

Sim, essa gente vai se estapear por um dinheiro "pequeno", dado o total do Orçamento, mas "grande", em termos político-eleitorais. Não muda grande coisa na porcaria que são os planos e a execução orçamentários, embora possa encher o cofre eleitoral da turma, onde há até adversários regionais de Bolsonaro.

Sim, na última meia década, o Congresso ficou com mais poder de decidir o que fazer, porcamente, do que sobra de dinheiro livre do Orçamento. O decreto foi mais um avanço nessa boquinha. Quanto a Guedes, é barulho por nada.

Folha de São Paulo

Hostilidade cresce entre os vacinados e os não




A polêmica envolvendo o tenista Novak Djokovic expôs a hostilidade crescente entre vacinados e não vacinados

Por Humberto Saccomandi (foto)

A polêmica atual envolvendo o tenista Novak Djokovic expôs a tensão existente em muitos países entre a maioria de pessoas vacinadas e a minoria de não vacinados. A hostilidade mútua gerou uma torcida pró e contra o sérvio. Afinal, como deve ser a política para os não vacinados? Essa questão ameaça criar mais um cisma social numa época já de fortes polarizações.

Movimentos antivacinas existem há décadas, assim como os que rejeitam os medicamentos tradicionais. Por trás disso há posições filosóficas, religiosas e desconfiança em relação aos grandes grupos farmacêuticos ou ao capitalismo em geral. Porém, a rejeição à vacina contra a covid-19 ganhou outros dois argumentos.

O primeiro é quanto à segurança, devido ao tempo recorde em que as vacinas foram desenvolvidas, o que poderia gerar falhas e reações adversas perigosas. Cidadãos de países com regimes autoritários, como a Rússia, também desconfiam da qualidade das vacinas locais.

Conheço o caso de um jovem saudável que teve uma reação muito grave, que médicos de um dos melhores hospitais de São Paulo atribuíram com grande probabilidade a uma vacina específica. Ele felizmente se recuperou e tomou a segunda dose, de um outro fabricante.

Essa é uma preocupação legítima, mas superestimada. O risco de morte por reação à vacina é muito menor do que o risco de morrer de covid-19. Mas, claro, jovens saudáveis, com bem menos chances de terem complicações da covid-19, podem achar esse risco desnecessário.

O outro argumento é político. Desde o início da pandemia, grupos de direita negaram ou minimizaram a gravidade da doença. Por consequência, rejeitaram medidas de combate. Alguns, como o premiê britânico Boris Johnson, recuaram dessa posição inicial e apoiaram tanto ‘lockdowns’ (quando foi preciso) como a vacinação. Outros, não.

Há ainda aqueles não se opõem à vacina, mas à obrigatoriedade de vacinação. Querem liberdade de escolha. A liberdade individual é um princípio existencial no Ocidente, ao contrário da China, por exemplo, onde o interesse individual está submetida ao interesse coletivo (que é sempre definido pelo regime, claro).

Mas mesmo no Ocidente existe um antigo e amplo debate sobre os limites da liberdade individual. Não temos a liberdade de não pagar impostos. Do mesmo modo, somos obrigados a vacinar nossos filhos contra uma série de doenças para poder matriculá-los nas escolas públicas.

Esses argumentos por vezes se confundem. Djokovic sempre foi um negacionista, mas hoje alega defender a liberdade individual (chegou a promover, durante um período de ‘lockdown’ na Europa, um torneio de tênis na Sérvia, que acabou virando foco de infecção). Já o ex-presidente Donald Trump, que se opõe à obrigatoriedade, disse ter tomado as três doses e defendeu a vacina em comício em dezembro, sendo por isso vaiado por parte de seus apoiadores.

Do outro lado, há múltiplos argumentos em favor das vacinas. Elas comprovadamente protegem contra formas graves da covid-19. Um estudo publicado nesta semana pela “New England Journal of Medicine” diz que quase 100% dos adolescentes que necessitaram de UTI por covid, em 23 Estados dos EUA pesquisados (entre 1º de julho e 25 de outubro de 2021), não eram vacinados.

É legítima também a preocupação dos vacinados de estar num ambiente fechado junto com não vacinados.

Além disso, há um custo social da não vacinação. Bolsões de não vacinados favorecem surtos da covid-19, que prejudicam uma série de atividades, afetando os vacinados. Favorecem também o surgimento de novas cepas.

Ao lotarem hospitais em surtos de covid, os não vacinados põem em risco quem precisa de atendimento por outro motivo. Se alguém tiver um AVC, pode se deparar com UTIs lotadas por pacientes de covid não vacinados.

O tratamento de quem não se vacina é pago pelos contribuintes, incluindo os que se vacinaram.

Além disso, a vacinação parece induzir a uma confiança maior das pessoas em circularem, o que favorece a economia em geral.

Por fim, há o argumento moral da carona grátis. Não vacinados se beneficiam dos efeitos da vacinação, que ajuda a controlar a doença, ao mesmo tempo em que colocam em risco aqueles que se vacinaram. Se ninguém se vacinasse, haveria uma situação de restrições prolongadas, com muitíssimos casos a mais, hospitais lotados, mais mortes, mais desemprego e economia destruída. Ou seja, os não vacinados pegam uma carona sem custo com os vacinados.

Como resolver isso? O tema é extremamente complexo. A ex-premiê alemã Angela Merkel, democrata-cristã, opunha-se à obrigatoriedade de vacinação, em favor de um processo de diálogo e persuasão dos não vacinados. Já o premiê da Itália, o liberal Mario Draghi, foi o primeiro líder na Europa a obrigar os trabalhadores a se vacinarem (e agora qualquer cidadão acima de 50 anos), pois trata-se de uma emergência e não há tempo a perder.

No lugar de obrigatoriedade, alguns defendem soluções de mercado. Cingapura desde o ano passado exige que não vacinados paguem pelo seu tratamento de covid-19. De forma similar, a província de Quebec, no Canadá, cogita criar um imposto de saúde a ser cobrado dos não vacinados. Isso daria um estímulo para as pessoas se vacinarem: escapar de uma eventual punição.

Ainda que pareça justo, isso é discriminatório e possivelmente ilegal na maioria dos países. Em geral, é proibido negar assistência médica pública a um cidadão. Por analogia, isso levaria a cobrar pelo tratamentos de fumantes e pessoas obesas, que também geram custos adicionais à saúde.

É possível que, sendo a covid uma situação emergencial, com impacto social, econômico e na saúde muito mais grave do que o tabagismo, esse debate avance. Mas é politicamente difícil.

O que fazer então? A Europa parece rumar para a vacinação obrigatória, inicialmente dos adultos, com risco de protestos violentos - manifestantes contra a vacina quase invadiram o prédio do Parlamento da Bulgária na quarta-feira. Nos EUA, a Suprema Corte barrou ontem a principal iniciativa do governo de Joe Biden de vacinação obrigatória, que previa que todos os trabalhadores de empresas com mais de cem funcionários teriam de se vacinar.

O impasse expõe a enorme crise de confiança que se instalou em quase todo o mundo. O discurso racional cedeu lugar ao discurso emocional, com as pessoas entrincheiradas nas suas posições e hostis aos argumentos alheios. A liberdade individual parece ser apenas a liberdade de dizer não, e nunca a de dialogar, negociar e, eventualmente, ceder. Isso é um mau presságio para tudo.

Valor Econômico

Guedes de novo rebaixado - Editorial




Chefe da Casa Civil passa a mandar no Orçamento e o ministro da Economia é mais uma vez humilhado por Jair Bolsonaro

O dinheiro do contribuinte será a partir de agora manejado – oficialmente – sob a direção do chefe da Casa Civil da Presidência da República, ministro Ciro Nogueira (PP-PI), principal nome do Centrão no Executivo federal. O ministro da Economia, Paulo Guedes, ficará subordinado, de forma explícita, ao novo comandante das finanças da União. Qualquer decisão sobre custeio, investimento, transferência, orientação ou reorientação de recursos ficará “condicionada à manifestação prévia favorável” do ministro da Casa Civil, segundo decreto publicado no Diário Oficial de quinta-feira. Com essa decisão, o presidente Jair Bolsonaro rebaixou mais uma vez o ministro da Economia, ex-Posto Ipiranga, e subordinou a execução orçamentária, de forma integral e sem disfarce, à figura mais importante e mais influente do gabinete presidencial.

A nova humilhação parece ter sido bem aceita no Ministério da Economia, a julgar pela primeira reação registrada pela Agência Estado. Com a nova distribuição de poderes, ficará mais fácil “dividir o desgaste” ocasionado pelo corte de recursos, de acordo com resposta obtida pela reportagem. Segundo as mesmas fontes, o assunto foi discutido com a pasta. Confirmada essa informação, ficará evidenciada, de novo, a atitude mansa do ministro Guedes diante das investidas do presidente e de seu aliado favorito, o chefe da Casa Civil.

É piada falar de uma divisão de responsabilidade pelos cortes de gastos. Qualquer sugestão de austeridade, ou de respeito aos padrões de responsabilidade fiscal, só prevalecerá, como tem ocorrido até agora, se for compatível com os interesses do presidente Jair Bolsonaro e aceitável por seus apoiadores, sempre famintos por verbas públicas.

Bolsonaro pode até falar, de vez em quando, sobre ajuste das contas federais, mas suas decisões são normalmente voltadas para outros objetivos e motivadas por outras preocupações. Cuidar das finanças públicas é tarefa de quem governa ou pretende governar e tem alguma noção de interesse público. Mas o atual presidente nunca se ocupou dessas questões, jamais se dedicou ao governo e será uma surpresa se algum dia se dedicar. Se isso ocorrer, será quase certamente nas condições necessárias, segundo sua avaliação, para garantir apoio parlamentar e proporcionar votos eleitorais.

O sentido de política orçamentária, para Bolsonaro e para o Centrão, é aquele indicado por vários episódios escandalosos, como a destinação de R$ 5,7 bilhões ao fundo eleitoral e a farra das emendas, facilitada pela adoção do orçamento secreto. O presidente vetou os R$ 5,7 bilhões, numa decisão previsivelmente contornável no Congresso. Tem faltado dinheiro para programas de interesse público, mas tem sobrado para alimentar mais de R$ 16 bilhões de emendas destinadas a favorecer interesses particulares, principalmente eleitorais.

Nada mais compreensível, quando prevalecem os interesses particulares do presidente e de seus apoiadores, que o rompimento do teto de gastos, um dispositivo constitucional criado para limitar a expansão real da despesa pública. Quando é necessário romper esses limites, o presidente pode esperar o apoio de parlamentares e a criatividade da equipe econômica, com soluções como a alteração do calendário usado para o cálculo da inflação usada como referência. O ministro da Economia participou desse jogo. Por que evitaria participar de novos lances coordenados, a partir de agora, pelo chefe da Casa Civil?

Parte dos observadores políticos e do mercado ainda parece ver o ministro Paulo Guedes como um funcionário empenhado em disciplinar os gastos e manter saudáveis as contas públicas. Essa tarefa será especialmente difícil, neste ano, se as previsões de estagnação econômica e, portanto, de baixa arrecadação, se confirmarem. Nem por isso Bolsonaro desistirá de gastar para seus objetivos e para atender o Centrão. O ministro Guedes terá novas oportunidades de mostrar sua real prioridade em Brasília – defender as boas normas fiscais ou continuar mansamente no cargo.

O Estado de São Paulo

Nuestra América




Hoje, se houver um caminho, temos de construí-lo com governos realistas que trabalhem para o bem comum

Por Simon Schwartzman* (foto)

A eleição do jovem Gabriel Boric para a presidência traz a esperança de que o Chile talvez consiga escapar dos ciclos de populismo, autoritarismo, estagnação econômica e decadência institucional que estão assolando a maioria dos países da América Latina.

Desde o fim da ditadura de Pinochet, entre 1990 e 2010, o Chile foi governado pela Concertación, coalizão de partidos de centro-esquerda que conseguiram combinar a abertura da economia com políticas sociais inteligentes, reduzindo a pobreza e a desigualdade, melhorando a qualidade da educação e desenvolvendo a economia como nenhum outro país da região. Isto não foi suficiente, no entanto, para evitar que o sentimento de frustração crescesse, fazendo com que o país alternasse entre governos de esquerda e direita – Michelle Bachelet e Sebastián Piñera – que culminou com as grandes manifestações de rua de 2019, a convocação de uma assembleia constituinte e a última eleição presidencial, em que candidatos independentes tomaram o lugar dos antigos partidos políticos.

Boric promete canalizar de forma produtiva a insatisfação popular, em um governo de alianças que permitam a retomada da trajetória de desenvolvimento, corrigindo distorções e reconhecendo as limitações econômicas e financeiras das quais não se pode escapar. Tomara.

A distância entre o que é possível e o que é desejável explica as explosões de insatisfação que alimentam os populismos de esquerda e direita que tornam as crises sociais e econômicas cada vez mais profundas, como estamos vendo também no Brasil. Podemos ver esta distância com toda clareza em dois livros recentes sobre famílias de imigrantes que vieram para a América Latina buscando o renascer de uma nova civilização, tendo depois que reconhecer as limitações de suas utopias.

Nuestra America, de Claudio Lomnitz, conta a história da família a partir do avô, Misha Adler, judeu que partiu da antiga Bessarábia para o Peru há um século, da mesma região e na mesma época em que meu avô veio para o Brasil. É uma história análoga à da família de Fausto Cabrera, espanhol que veio para Santo Domingo e depois Colômbia, escapando da guerra civil e do franquismo, tal como narrada por Juan Gabriel Vásquez (C. Lomnitz, Nuestra América: Utopía y persistencia de una familia judía: Fondo de Cultura Economica, 2019; J. G. Vásquez, Volver la vista atrás. Madrid:

Penguin Random House Grupo Editorial, 2021). Adler colaborou com o peruano José Carlos Mariátegui na tentativa de desenvolver na América Latina um socialismo de raízes indígenas e valor universal, foi expulso do Peru, refugiou-se na Colômbia e terminou indo para um kibutz em Israel depois da guerra na esperança de, finalmente, viver a pureza da vida simples e comunitária.

Cabrera depositou suas esperanças no poder purificador que a revolução armada poderia trazer para o novo mundo, colocando seus filhos para se preparar, na China de Mao, para ingressar nas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Esgotada a experiência do kibutz, os Adlers foram para o Chile e, depois de abandonar a guerrilha, o filho de Fausto Cabrera, Sérgio, se transformou em um importante cineasta colombiano.

Ainda que de forma muito diferente, e mais trágica, o escritor judeu austríaco Stefan Zweig, que veio para o Brasil fugindo da guerra em 1940, escreveu Brasil, país do futuro, uma terra paradisíaca em que uma nova civilização estava surgindo, mais simples do que a europeia, mas livre do trauma macabro do racismo e das guerras (S, Zweig, Brasil, um país do futuro: L&PM, 2006, 1941). Não para ele, que se suicidou logo depois.

São histórias extraordinárias, escritas por autores de talento que tiveram acesso às fotografias, cartas, diários e testemunhos recolhidos por seus antepassados. Mas representativas dos milhões de anônimos que fizeram o mesmo percurso, da Europa para a América, e do interior para as cidades, em busca das promessas de uma nova vida livre da miséria, dos conflitos e da falta de perspectiva das terras onde nasceram. A grande maioria permaneceu anônima, trabalhando, organizando suas vidas e, sobretudo, investindo e acreditando no futuro de seus filhos. A vida era dura e, mesmo para os que conseguiam se educar e conseguir um trabalho razoável, a distância entre o que obtinham e o que haviam sonhado era crescente. Outros se envolveram ou buscaram apoio em movimentos sociais, organizações comunitárias, partidos políticos, igrejas, e, quando havia eleições, davam seus votos aos políticos que apareciam e melhor expressavam suas esperanças ou ressentimentos.

Cem anos depois, o Brasil e nossa América Latina não são mais o País ou a região do futuro, mas de uma promessa que não se cumpriu. A crença, no passado, era que Deus estava de nosso lado e o clima, a índole do povo e as promessas das grandes utopias garantiriam um futuro risonho. Hoje sabemos que, se houver um caminho, temos de construí-lo nós mesmos, superando as confrontações fratricidas, com governos realistas que trabalhem para o bem comum, e não vendam ilusões. Não é impossível, mas não há nenhuma garantia de que dê certo.

*Sociólogo, é membro da Academia Brasileira de Ciências

O Estado de São Paulo

Europa com crescente aumento de casos mas estável taxa de mortalidade

 




O maior número de casos foi verificado em pessoas entre os 15 e 24 anos

A Europa registou, na semana passada, um "elevado e crescente" número de casos de covid-19, uma situação "muito preocupante", apesar da estável taxa de mortalidade, anunciou esta sexta-feira o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).

Numa atualização semanal sobre a situação epidemiológica na União Europeia e Espaço Económico Europeu (UE/EEE), hoje divulgada e referente à semana de 3 a 9 de janeiro, a agência europeia fala numa "elevada e crescente taxa de notificação de casos e uma elevada, mas estável, taxa de mortalidade".

"Foi observada uma situação epidemiológica bastante ou muito preocupante em 28 países da UE/EEE. Esta situação é em grande parte motivada pela propagação crescente da variante de preocupação ómicron", assinala o ECDC.

Segundo o ECDC, a ómicron já está presente em todos os países da UE/EEE, tendo uma prevalência média estimada de 46,4%, "o dobro do que na semana anterior", com os países a registarem percentagens entre 1,1% e 98,5% no que toca à dominância desta estirpe, altamente contagiosa.

Em termos concretos, a taxa de notificação a 14 dias de casos de covid-19 foi de 2008 por 100 mil habitantes na semana de 3 a 9 de janeiro na UE/EEE, com os países a registarem um intervalo de 227,6 a 5.572.

De acordo com o ECDC, o maior número de casos foi verificado em pessoas entre os 15 e 24 anos seguidas pelas de 25 a 49 anos e pelas de idade inferior a 15 anos.

No que toca à taxa de mortalidade a 14 dias associada à covid-19, fixou-se em 49,2 por milhão de habitantes nesta semana, com um intervalo entre os países de 10,2 a 142,7.

Segundo a agência europeia, "esta taxa de mortalidade tem-se mantido estável durante sete semanas", após um máximo registado na semana de 30 de novembro a 06 de dezembro, de 115 por milhão de habitantes.

Relativamente aos internamentos, a taxa de taxa de admissão hospitalar para a UE/EEE na semana de 3 a 9 de janeiro foi de 15,4 por 100 mil habitantes, num intervalo entre os países de 2,4 a 37,3.

Esta taxa relativa aos internamentos "aumentou durante duas semanas", de acordo com o ECDC.

Já no que se refere à entrada nos cuidados intensivos, a taxa foi de 1,9 por 100 mil habitantes de 03 a 09 de janeiro, com um intervalo entre os países de 0,5 a 8,4, e tem-se "mantido estável há seis semanas".

A Europa enfrenta assim um elevado ressurgimento de casos de infeção com o SARS-CoV-2, sendo que a contribuir para estas acentuadas taxas, que batem máximos, está a elevada transmissibilidade da variante Ómicron.

O ECDC especifica que os países onde esta variante do SARS-CoV-2 é mais dominante incluem a Finlândia (99,8%), Bélgica (99,7%) e Dinamarca (95,8%).

Jornal de Notícias (PT)

Hackers norte-coreanos roubaram US$ 400 milhões em criptomoedas em 2021

 



Hackers norte-coreanos roubaram cerca de US$ 400 milhões em criptomoedas por meio de ataques cibernéticos no ano passado - informou a plataforma de dados blockchain Chainalysis.

Analistas afirmam que a Coreia do Norte fortaleceu suas capacidades cibernéticas com um exército de milhares de hackers bem treinados, que extraem fundos para financiar os programas de armas do Estado.

Em 2021, esses hackers lançaram sete ataques a plataformas de criptomoedas, extraindo ativos de "carteiras 'quentes' conectadas à Internet" e transferindo os fundos para contas controladas pela Coreia do Norte, de acordo com um relatório publicado pela Chainalysis em seu site.

"Uma vez que a Coreia do Norte obteve a custódia dos fundos, as autoridades iniciaram um cuidadoso processo de lavagem para encobri-los e coletá-los", explicou.

"Essas táticas e técnicas complexas levaram muitos investigadores de segurança a caracterizar os atores cibernéticos da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) como ameaças persistentes avançadas", apontou a empresa.

O relatório também destacou a ascensão do Lazarus Group, que ganhou notoriedade em 2014 ao ser acusado de hackear a Sony Pictures Entertainment em retaliação por "A Entrevista", um filme satírico que zombava do líder Kim Jong-un.

"A partir de 2018, o grupo roubou e lavou enormes somas de moedas virtuais a cada ano, normalmente mais de US$ 200 milhões".

Os hackers também têm como alvo uma variedade diversificada de criptomoedas. Principal moeda digital do mundo, bitcoin responde por apenas 25% dos ativos roubados.

"A crescente variedade de criptomoedas roubadas aumentou, necessariamente, a complexidade da operação de lavagem de criptomoedas da RPDC", de acordo com Chainalysis.

O programa cibernético norte-coreano remonta pelo menos a meados da década de 1990. Desde então, contudo, tornou-se uma unidade de guerra cibernética de 6.000 pessoas, conhecida como Bureau 121.

De acordo com um relatório militar dos Estados Unidos de 2020, opera em vários países, incluindo Belarus, China, Índia, Malásia e Rússia.

Os EUA impuseram novas sanções à Coreia do Norte esta semana, depois que Pyongyang anunciou ter realizado testes de mísseis hipersônicos em 5 e 11 de janeiro. Pyongyang já é alvo de várias sanções internacionais por seus programas de desenvolvimento de bombas atômicas e mísseis balísticos.

Nesta sexta-feira, autoridades sul-coreanas e japonesas disseram que a Coreia do Norte disparou um projétil não identificado para o leste, o que seria seu terceiro teste de armas em pouco mais de uma semana.

AFP / Estado de Minas

O Brasil é uma festa!




Boris Johnson pode cair por uma festa na pandemia, Bolsonaro é ‘mito’ por viver de festa em festa

Por Eliane Cantanhêde (foto)

Esses ingleses são mesmo esquisitos. Bastou uma “festinha” de 40 pessoas nos jardins de Downing Street (sede do governo), no pico da pandemia e do lockdown, cada um levando seu próprio vinho, para os britânicos, a oposição e até parlamentares do partido se mobilizarem para pedir o afastamento do primeiro-ministro Boris Johnson.

Ok, é grave, mas isolado. E um certo presidente, além-mar, que na pandemia não toma vacina, faz churrasco na residência oficial, é filmado em uma aglomeração atrás da outra, diverte-se em atos golpistas, abraça idosos sem máscara antes das vacinas, arranca máscara de criança na rua e proíbe em palácio, descumpre as leis do DF e é processado por governos estaduais por suas motociatas?

Entre Reino Unido e Brasil há diferenças do regime, parlamentarismo e presidencialismo, e um fosso cultural e político. Apesar de um tanto démodé, com reis, rainhas, coroas..., a monarquia britânica é sólida, o parlamentarismo confere estabilidade e o regime prevê a troca do primeiro-ministro, sem crise, quando ele é incompetente ou perde a maioria.

Já no presidencialismo brasileiro o poder de abrir ou não um processo de impeachment contra o presidente da República está nas mãos de um único personagem, o presidente da Câmara. Se esse personagem é aliado e “esperto”, dá prioridade a seus próprios interesses e aos do seu grupo político. O habitante do Planalto pode fazer festinhas, aglomerações e absurdos à vontade.

E os cidadãos britânicos brindam Boris Johnson com adjetivos como “patético”, “hipócrita” e “mentiroso”, pela festa, as desculpas esfarrapadas e o contraste: o “povo” em lockdown e o primeiro-ministro se esbaldando com amigos. E no Brasil? O País chorando seus primeiros 10 mil mortos pela covid e o presidente de jet ski no Lago Paranoá; a Bahia afundando em dor e lama e o presidente de jet ski nas águas afrodisíacas de Santa Catarina.

E daí? Lá, os britânicos cobram responsabilidade do primeiro-ministro. Cá, milhões de brasileiros tratam como “mito” um presidente que ataca a democracia, máscaras, isolamento, vacinas e faz propaganda de cloroquina para covid! É para rir ou para chorar?

O relatório da Human Rights Watch replica as conclusões da CPI da Covid e cobra os ataques à democracia no Brasil, mas é só para inglês ver e eleitor refletir. As consequências jurídicas para Jair Bolsonaro são nulas. Aqui, a “festinha” de Boris Johnson na pandemia é fichinha. O Brasil é uma festa!

O Estado de São Paulo

Johnson pede desculpas por festa na véspera de funeral real

 




Imagem da rainha sozinha na Catedral de São Jorge, em Windsor, virou símbolo do luto pela perda do marido

Denúncia feita por jornal obrigou primeiro-ministro britânico a pedir perdão à rainha e ao Parlamento. Com popularidade em baixa, Boris Johnson encara pressão da oposição e da opinião pública por renúncia.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, está no centro de mais uma polêmica envolvendo festas em Downing Street, a residência oficial do governo, em Londres. Segundo denúncia do jornal Daily Telegraph, publicada nesta quinta-feira (13/01), um dos eventos ocorreu em 16 de de abril de 2021, um dia antes do funeral do príncipe Philip, consorte da rainha Elizabeth 2ª que morrera oito dias antes.

De acordo com o jornal, Johnson esteve presente em pelo menos duas festas promovidas em Downing Street. Um dos eventos teria sido para os fotógrafos oficiais, outro para o ex-diretor de comunicação, James Slack. Este publicou um comunicado através da empresa News UK, para a qual atualmente trabalha como editor-adjunto.

Slack assumiu a responsabilidade por "algo que não deveria ter acontecido": "Quero me desculpar pela indignação e pela dor causada. Esse evento não deveria ter acontecido naquela época. Sinto muito e assumo total responsabilidade.”

Depois de se desculpar por uma reunião regada a comida e bebida com funcionários nos jardins da residência oficial em maio de 2020, Boris Johnson pediu perdão à rainha nesta sexta-feira, afirmando ser "profundamente lamentável” os eventos terem ocorrido "durante um período de luto nacional”.

Tanto em maio de 2020 quanto em abril de 2021, reuniões sociais ou celebrações estavam proibidas no Reino Unido, devido à pandemia de covid-19. A imagem da rainha Elizabeth 2ª sozinha, num banco da Catedral de São Jorge, em luto pela morte do marido, tornou-se icônica para os britânicos em meio à crise sanitária.

Pressão para deixar o cargo

A denúncia feita pelo jornal conservador Daily Telegraph, no qual Johnson já atuou como colunista, deixa a situação do premiê ainda mais delicada, tanto entre a classe política quanto para a opinião pública britânica. Ambos têm pressionado por sua renúncia.

Antes do encontro a que o primeiro-ministro esteve presente, em maio de 2020, o secretário Martin Reynolds enviou um e-mail, classificado como "sensível”, no qual convidava em torno de 100 funcionários do governo, pedindo para cada um "trazer suas próprias bebidas”. Em torno de 30 a 40 compareceram, apesar das restrições anticovid impostas na época.

Em debate no Parlamento, Johnson admitiu que esteve presente em um dos eventos, pensando tratar-se de uma reunião de trabalho, e não de uma festa. Ele ressalvou que, mesmo que fosse um encontro profissional entre funcionários, e que regras de distanciamento fossem respeitadas, milhões de cidadãos não concordariam com tal atitude. "Eu deveria ter mandado todos de volta para dentro", admitiu aos legisladores, pedindo "sinceras desculpas".

"Defesa tão ridícula que foi ofensiva"

A oposição e também alguns representantes do próprio Partido Conservador pedem sua saída imediata do cargo. O líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, classificou a defesa de Johnson no Parlamento como "tão ridícula que, na verdade, foi ofensiva”.

Nas ruas, a popularidade do primeiro-ministro britânico também segue em queda principalmente desde dezembro, quando começaram as denúncias sobre festas em Downing Street.

Uma pesquisa da empresa YouGov mostra vantagem de dez pontos percentuais dos trabalhistas sobre os conservadores, a maior margem desde 2013. A mesma pesquisa apontou que seis em cada dez britânicos querem a renúncia de Johnson.

Deutsche Welle

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