quarta-feira, maio 26, 2021

Secretária defende cloroquina e contradiz versões de Pazuello sobre tratamento e crise no AM

 

Conhecida como "capitã cloroquina", Mayra também apresentou versões que conflitam com as apresentadas à comissão na semana passada pelo ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello

Secretária defende cloroquina e contradiz versões de Pazuello sobre tratamento e crise no AM
Notícias ao Minuto Brasil

26/05/21 05:21 ‧ HÁ 3 HORAS POR FOLHAPRESS

POLÍTICA MAYRA-PINHEIRO



BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira (25), a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, fez defesa ferrenha do uso da hidroxicloroquina, medicamento sem eficácia comprovada para tratamento da Covid-19, e admitiu que a pasta federal orientou médicos de todo o país para que adotassem o tratamento precoce.

Conhecida como "capitã cloroquina", Mayra também apresentou versões que conflitam com as apresentadas à comissão na semana passada pelo ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, em particular sobre a crise em Manaus e a plataforma TrateCov.

Mayra, que é médica, prestou depoimento munida de um habeas corpus concedido pelo STF (Supremo Tribunal Federal) que lhe garantia o direito de ficar em silêncio sobre os fatos de dezembro do ano passado e janeiro, quando houve o colapso do sistema de saúde de Manaus, na segunda onda da pandemia. Ela, porém, respondeu a todas as perguntas que foram feitas ao longo de quase oito horas.

Mayra é investigada em ação que corre em segredo na Justiça do Amazonas. Ela confirmou ter informado à Secretaria de Saúde do estado que era inadmissível não adotar a orientação da pasta sobre a utilização desses medicamentos -ineficazes no enfrentamento da doença, segundo estudos.

A secretária foi questionada sobre o tema pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL). O senador leu trecho de um ofício encaminhado por ela ao Amazonas no qual estimulava a gestão municipal a usar as drogas orientadas pelo Ministério da Saúde.

"Aproveitamos a oportunidade para ressaltar a comprovação científica sobre o papel das medicações antivirais orientadas pelo Ministério da Saúde, tornando dessa forma inadmissível, diante da gravidade da situação de saúde em Manaus, a não adoção da referida orientação", diz trecho do documento lido por Renan.

Mayra ainda afirmou à CPI que a "orientação para tratamento precoce é para todos os médicos brasileiros, não só para Manaus".

Secretária defende cloroquina e contradiz versões de Pazuello sobre tratamento e crise no AM

Conhecida como "capitã cloroquina", Mayra também apresentou versões que conflitam com as apresentadas à comissão na semana passada pelo ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello

Secretária defende cloroquina e contradiz versões de Pazuello sobre tratamento e crise no AM
Notícias ao Minuto Brasil

26/05/21 05:21 ‧ HÁ 3 HORAS POR FOLHAPRESS

POLÍTICA MAYRA-PINHEIRO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira (25), a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, fez defesa ferrenha do uso da hidroxicloroquina, medicamento sem eficácia comprovada para tratamento da Covid-19, e admitiu que a pasta federal orientou médicos de todo o país para que adotassem o tratamento precoce.

 

Conhecida como "capitã cloroquina", Mayra também apresentou versões que conflitam com as apresentadas à comissão na semana passada pelo ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, em particular sobre a crise em Manaus e a plataforma TrateCov.

Mayra, que é médica, prestou depoimento munida de um habeas corpus concedido pelo STF (Supremo Tribunal Federal) que lhe garantia o direito de ficar em silêncio sobre os fatos de dezembro do ano passado e janeiro, quando houve o colapso do sistema de saúde de Manaus, na segunda onda da pandemia. Ela, porém, respondeu a todas as perguntas que foram feitas ao longo de quase oito horas.

Mayra é investigada em ação que corre em segredo na Justiça do Amazonas. Ela confirmou ter informado à Secretaria de Saúde do estado que era inadmissível não adotar a orientação da pasta sobre a utilização desses medicamentos -ineficazes no enfrentamento da doença, segundo estudos.

A secretária foi questionada sobre o tema pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL). O senador leu trecho de um ofício encaminhado por ela ao Amazonas no qual estimulava a gestão municipal a usar as drogas orientadas pelo Ministério da Saúde.

"Aproveitamos a oportunidade para ressaltar a comprovação científica sobre o papel das medicações antivirais orientadas pelo Ministério da Saúde, tornando dessa forma inadmissível, diante da gravidade da situação de saúde em Manaus, a não adoção da referida orientação", diz trecho do documento lido por Renan.

Mayra ainda afirmou à CPI que a "orientação para tratamento precoce é para todos os médicos brasileiros, não só para Manaus".

Ela defendeu a hidroxicloroquina e disse que, como médica, mantém a orientação "de que a gente possa usar todos os recursos possíveis para salvar vidas". Por outro lado, afirmou que nunca recebeu ordens para propagar o medicamento. "Nunca recebi ordens, e a indicação desses medicamentos não é iniciativa minha pessoal,"

Ela depois ainda disse que a cloroquina e outros medicamentos foram criminalizados. "A gente teve um grande prejuízo à humanidade de pessoas que poderiam não ter sido hospitalizadas e não terem ido a óbito se a gente não tivesse criminalizado duas medicações antigas, seguras e baratas, que poderiam ter sido disponibilizadas e prescritas pelo médico", disse.

Divulgado como solução para a pandemia pelo presidente Jair Bolsonaro, o chamado tratamento precoce, que inclui geralmente cloroquina, azitromicina e ivermectina, não tem qualquer efeito, de acordo com as autoridades de saúde mais respeitadas no mundo, os países que combateram com sucesso o vírus e a comunidade científica.

Na CPI, a defesa da cloroquina feita por Mayra foi rebatida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico.

"Não tem nenhum estudo que possa demonstrar que foi feita a primeira, segunda, terceira e quarta fases. Além disso, doutora, todos esses estudos têm que ser acompanhados do ponto de vista farmacológico, farmacodinâmico e farmacocinético, para saber como a droga no organismo do paciente desenvolve sua ação. Hidroxicloroquina não é antiviral em estudo sério nenhum no mundo", afirmou.

Essa insistência de permanecer no erro não é virtude, doutora, é defeito de personalidade. Não é da senhora, não, eu estou me referindo até ao presidente da República", completou.

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) questionou posteriormente se a secretária se incomodava de ser chamada de "capitã cloroquina".

"Não acho o termo adequado, porque não sou uma oficial de carreira militar. Sou uma médica conceituada no meu estado. Então prefiro ser chamada de Mayra Pinheiro", respondeu.

Em seu depoimento, a secretária também contradisse versões dadas por Pazuello, em especial sobre o colapso do sistema de saúde de Manaus. Apresentou, por exemplo, uma data diferente em que o Ministério da Saúde tomou conhecimento de problemas de falta de oxigênio, que resultou na morte de pessoas asfixiadas.

A secretária afirmou que o Ministério da Saúde soube dos problemas de escassez do insumo em Manaus por meio de um email da empresa White Martins, que havia sido repassado pelas autoridades locais para a pasta.

Ela negou que tenha sido informada do problema da falta de oxigênio no período em que esteve atuando em Manaus, em missão do ministério -Mayra esteve no estado de 2 a 5 de janeiro.

"Não houve uma percepção que faltaria. De provas, é que nós tivemos uma comunicação por parte da secretaria estadual que transferiu para o ministro um email da White Martins dando conta de que haveria um problema de abastecimento", afirmou.

"O ministro teve conhecimento do desabastecimento de oxigênio em Manaus creio que no dia 8 [de janeiro], e ele me perguntou: 'Mayra, por que você não relatou nenhum problema de escassez de oxigênio?'. Porque não me foi informado", disse à CPI.

Em depoimento à comissão, Pazuello afirmou que foi informado do problema apenas na noite do dia 10 de janeiro.
A CPI tem documentos que mostram, porém, que a White Martins enviou email à Secretaria de Saúde do Amazonas no dia 7 de janeiro no qual informou que não tinha quantidade suficiente de oxigênio para suprir a demanda do estado. No mesmo email, a companhia apontou o nome de outro concorrente, Carboxi, que poderia ter a carga necessária, segundo mensagem a que o jornal Folha de S.Paulo teve acesso.

Outra contradição da secretária diz respeito ao aplicativo Tratecov. Ela afirmou à CPI que a ferramenta foi alvo de uma extração de dados, e não um hackeamento, como havia informado Pazuello na semana passada.

Segundo Mayra, a constatação de que houve uma extração de dados foi o que levou o ministério a tirar a plataforma do ar, mas frisou que não houve alterações nele porque o sistema era seguro.

Já Pazuello disse que isso havia ocorrido em razão de um hackeamento e que o aplicativo havia sido manipulado.

"Ele [o hacker] pegou esse diagnóstico, botou, alterou, com dados lá dentro, e colocou na rede pública. Quem colocou foi ele; tem todo o boletim de ocorrência. Eu vou disponibilizar para os senhores", disse Pazuello.

Nesta terça, Mayra disse que o laudo da perícia no aplicativo mostra não ter havido hackeamento, mas que ele foi retirado do ar para que houvesse uma investigação.

"Ele não conseguiu hackear. Hackear é quando você usa a senha de alguém. Foi uma extração indevida de dados. O termo usado [por Pazuello] foi um termo de leigos", afirmou. "O que ele [a pessoa que inspecionou o aplicativo] fez foram simulações indevidas, fora de contexto epidemiológico", disse Mayra.

Segundo a secretária, o TrateCov servia como uma plataforma para auxiliar médicos no diagnóstico da Covid. De acordo com senadores, no entanto, o aplicativo também receitava cloroquina para crianças e adolescentes.

A fala sobre o Tratecov é uma das 11 contradições da​ secretária que foram apontadas pelo relator.

Renan também indicou uma declaração em que Mayra disse que não era possível prever a quantidade de oxigênio que deveria ser usado na crise em Manaus. Em outro momento do depoimento, Mayra afirmou que era, sim, possível fazer o cálculo por meio do prognóstico de hospitalizações.

No início da sessão, Renan provocou grande polêmica ao fazer um paralelo entre a situação atual da pandemia do novo coronavírus e o período do nazismo na Alemanha.

Renan citou o Tribunal de Nuremberg, que julgou dirigentes nazistas por seus crimes. "O tribunal da história é implacável", disse.

"Não podemos dizer ainda que houve genocídio. Mas podemos dizer que há sim uma semelhança assustadora, uma semelhança terrível, uma semelhança tenebrosa no comportamento de algumas altas autoridades que testemunharam aqui na CPI e o relato que acabei de ler sobre um dos marechais do nazismos no Tribunal de Nuremberg", afirmou.

A fala provocou reação imediada de senadores governistas, que afirmaram que haveria um pré-julgamento e um paralelo absurdo, segundo descreveu o líder do governo, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). Houve um princípio de tumulto.

Durante o depoimento, a secretária foi elogiada por governistas. Fernando Bezerra disse que, se o tratamento precoce tivesse sido usado mais vezes, mortes poderiam ter sido evitadas, apesar da falta de comprovação científica sobre a diretriz.

Bezerra também afirmou que pode ter havido "atraso em algumas negociações" de compra de vacinas, mas que "não houve dolo, não houve negligência".

Já o senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) afirmou que diversos estados têm protocolos para o uso da cloroquina, numa tentativa de tirar o foco do governo federal.

Após a oitiva da secretária, a sessão desta quarta-feira (26) será destinada à votação de requerimentos. O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que tem 402 pedidos na fila para serem apreciados, entre eles solicitações para convocar ao menos 12 governadores.

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Transporte intermunicipal ficará suspenso na Bahia três dias antes e após São João

Transporte intermunicipal ficará suspenso na Bahia três dias antes e após São João
Foto: Glauber Guerra / Bahia Notícias

A suspensão do transporte intermunicipal na Bahia vai ocorrer no período de três dias antes do São João e três dias depois. A informação foi divulgada na noite desta terça-feira (25) pelo governador Rui Costa durante o “Papo Correria”. Rui já havia confirmado a suspensão (ver aqui), mas não tinha detalhado como ela aconteceria. A medida visa conter a transmissão do novo coronavírus. 

 

Conforme o gestor, a intenção é fazer com que os transportes não sirvam para deslocamento que gerem aglomerações e reuniões durante o período junino. Ainda segundo o governador, antes do período citado também haverá restrição nos transportes. As empresas ficarão proibidas de usar horários extras e a capacidade dos veículos ficará em até 70% dos assentos.

 

Durante a live, o governador também fez um apelo aos comerciantes em decorrência do aumento das taxas de contaminação na Bahia. “Nos ajudem a reduzir os casos de covid-19. Não deixem entrar nas suas lojas quem estiver sem máscara, higienize a mão das pessoas ao entrarem e mantenha a higienização e o álcool gel acessível a todos. Vamos fazer um mutirão pela vida, um mutirão pela saúde, um mutirão pela redução dos casos. Com a sua participação, a gente chega lá, com fé em Deus”, disse.

Bahia Notícias

Senadores definem próximos passos da CPI da Pandemia nesta quarta-feira


Senadores definem próximos passos da CPI da Pandemia nesta quarta-feira
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A CPI da Pandemia deve votar nesta quarta-feira (26) a convocação de governadores e prefeitos para depoimento na Comissão. Os senadores também vão avaliar se o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, será chamado novamente.

 

A informação foi confirmada pelo presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), após reunião realizada nesta terça-feira (25). Segundo Aziz, os convites a governadores não representa mudança de estratégia ou de rumo na investigação, apenas o cumprimento de uma cronologia que já havia sido acertada.

 

"Não estamos fugindo da CPI, só estamos fazendo aquilo que um dos requerimentos da CPI nos manda fazer. Há um requerimento assinado por 45 senadores que pede para que a gente investigue recursos do governo federal que foram enviados aos estados", disse o presidente.

 

Devem ser votados requerimentos para as convocações de nove governadores e ex-governadores e de 12 prefeitos e ex-prefeitos. Entre os nomes confirmados por Omar Aziz estão o do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o do ex-governador do estado Wilson Witzel, que sofreu impeachment após ser acusado de crime de responsabilidade nas contratações da secretaria de Saúde para enfrentamento da pandemia de covid-19. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, também foi outro nome citado por Omar Aziz.

Bahia Notícias

Silêncio do Ministério da Defesa sobre caso do general Pazuello incomoda militares da ativa


Ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto25/03/2020
REUTERS/Ueslei Marcelino

Bolsonaro mandou Braga Neto ‘esquecer’ o assunto

Valdo Cruz
G1 Brasília

O silêncio do Ministério da Defesa e do Comando do Exército sobre a participação do general Eduardo Pazuello em ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro tem incomodado militares da ativa. A avaliação é de que Defesa e Exército já deveriam ter condenado a atitude do ex-ministro da Saúde.

Pazuello esteve ao lado de Bolsonaro em manifestação realizada no domingo (23), quando o presidente participou de um ato com motociclistas na cidade do Rio de Janeiro.

PROCESSO DISCIPLINAR – Por causa deste ato político, no qual o general até discursou, o Exército abriu um processo disciplinar contra ele, que terá direito a apresentar sua defesa e, depois, o comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, decidirá se irá puni-lo ou não.

Entre os militares da ativa, há um consenso de que Pazuello precisa ser punido exemplarmente, para evitar que se crie um clima de desrespeito à hierarquia e às regras das Forças Armadas. O Estatuto dos Militares e o Regulamento Disciplinar do Exército proíbem que militares da ativa participem de manifestações políticas de caráter político.

Interlocutores do ministro da Defesa, Braga Netto, e do comandante Paulo Sérgio disseram ao blog que os dois, pessoalmente, sabem que Pazuello precisa ser punido diante da infração às regras do Exército, mas esbarram no fato de o ex-ministro da Saúde ter participado do ato junto com o presidente da República, Jair Bolsonaro.

NUMA SAIA JUSTA – Segundo um desses interlocutores, Bolsonaro colocou Braga Netto e Paulo Sérgio numa saia justa. O ideal seria o próprio presidente admitir publicamente que Pazuello não deveria ter ido à manifestação, ajudando as Forças Armadas a resolverem o caso internamente.

Dentro do governo, a tese é de que seja encaminhada uma “solução diplomática” para o caso. Pazuello pediria para ir para a reserva e sofreria pelo menos uma advertência por ter infringido as regras disciplinares do Exército.

O ex-ministro da Defesa Raul Jungmann avalia que, no caso Pazuello, o “comandante supremo, o presidente da República, tem a suprema responsabilidade de preservar a hierarquia e a disciplina nas Forças Armadas. Caso contrário, instala-se a anarquia no meio militar”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O ex-ministro Raul Jungmann está buscando alguns 15 minutos de fama. Por uma questão de decoro e dignidade, deveria ficar em silêncio, sem dar pitaco no assunto dos outros, como dizia Chico Anysio. Quando era ministro da Defesa, em 2017, Jungmann ficou caladinho quando o general Hamilton Mourão vestiu a farda de gala e passou duas horas se pronunciando aos irmãos da Maçonaria sobre assuntos políticos, inclusive falando sobre a possibilidade de uma intervenção militar. Como se sabe, não houve qualquer punição. O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, apenas pediu que Mourão passasse para a reserva, conforme está acontecendo agora com o logístico general Pazuello, Ou seja nada de novo no front ocidental, diria o genial escritor alemão Erich Maria Remarque. (C.N.)

CPI já provou que Bolsonaro e seus auxiliares se esforçaram para deixar o Brasil sem vacinas


CPI da covid-19 e o 'mimimi'

Charge do J. Bosco (O Liberal)

Bruno Boghossian
Folha

Jair Bolsonaro se esforçou para deixar os brasileiros sem vacina contra a Covid-19 enquanto foi possível. Quase toda a estrutura do governo parece ter se mobilizado para ignorar ofertas iniciais do imunizante, apontar dificuldades que poderiam ter sido solucionadas com um pouco de trabalho e adiar ao máximo a chegada de doses por aqui.

Na melhor das hipóteses para Bolsonaro, foi exposta a total incompetência do governo para administrar o país, num momento em que as vidas de milhares de cidadãos dependiam de uma ação eficiente. Sob um ângulo mais realista, ficou caracterizada a negligência do presidente e de seus auxiliares em mais um momento crítico da pandemia.

E-MAILS DA PFIZER – O governo ignorou pelo menos dez e-mails enviados pela Pfizer durante a negociação para a compra de até 70 milhões de doses da vacina da farmacêutica. Os documentos, revelados pela repórter Julia Chaib, indicam que o Palácio do Planalto demonstrou desinteresse pelo imunizante e atrasou em cerca de um mês as conversas com a empresa.

Agora, sob fogo na CPI da Covid, o governo trabalha dobrado para inventar justificativas sem pé nem cabeça para aquela omissão — no mesmo nível da piada do presidente sobre vacinados que viram jacaré.

Nas últimas semanas, os bolsonaristas disseram à comissão que era impossível fechar o acordo com a farmacêutica porque a vacina da Pfizer não tinha uso autorizado pela Anvisa. Balela: o presidente da empresa, Carlos Murillo, avisou ao governo que era possível acertar o negócio “sem qualquer risco/prejuízo” ao país caso o imunizante não recebesse o aval da agência.

CLÁUSULAS ACEITAS – A tropa de choque do governo e o ex-ministro Eduardo Pazuello afirmaram ainda que cláusulas rigorosas impediam a assinatura do contrato.

As condições da Pfizer eram mesmo despropositadas, mas o país topou as exigências, meses depois, ao aprovar um projeto que autorizava a União a assumir responsabilidades.

O governo não tomou iniciativa antes porque não quis.

Bolsonaro tenta impedir Exército de divulgar sua decisão sobre Pazuello


Charge do Aroeira (brasil247.com)

Pedro do Coutto

Reportagem de Eliane Cantanhêde, Felipe Frazão e Lauriberto Pompeu, o Estado de São Paulo desta terça-feira, revela que o presidente Jair Bolsonaro está tentando proibir o Exército de divulgar qualquer decisão a respeito do caso Pazuello, por sua participação, embora general da ativa, na manifestação política de apoio ao governo na caravana de motociclistas que percorreu no último domingo o roteiro da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, ao Monumento da Força Expedicionária Brasileira na proximidade do Aeroporto Santos Dumont.

A jornalista Eliane Cantanhêde, também da GloboNews, é sempre muito bem informada sobre as reações que ocorrem nos meios militares. O comandante do Exército, Paulo Sergio Nogueira, abriu uma investigação voltada para esclarecer a situação do ex-ministro da Saúde.

DIVULGAÇÃO – Bolsonaro não deseja que a decisão, seja ela de advertência ou qualquer outra medida, venha a ser divulgada oficialmente. Não atino a verdadeira razão da atitude presidencial, uma vez que parece um temor de que qualquer punição imposta à Pazuello reflita contra o Palácio do Planalto. O fato é que Pazuello subiu no palanque e até discursou.

A intenção de proibição representa um sinal de fraqueza, acentuando o fato de não ter o governo firmeza em enfrentar uma decisão pautada no regulamento militar e na questão de simples bom senso.

Como assinalou em editorial, O Globo, edição também de ontem, classifica o comportamento de Bolsonaro como um desafio colocado exatamente contra o Exército brasileiro. O comando do Exército, tendo a frente o general Paulo Sérgio Nogueira, abriu uma espécie de processo administrativo contra Pazuello. Se Bolsonaro reforçar a sua intenção de proibir  a divulgação do desfecho, estará aberta uma crise nas áreas militares do país, pois o Exército não pode recuar em seu rumo, que é o cumprimento do seu estatuto.

RECONHECIMENTO – O processo político do país está se desenvolvendo em duas frentes: no Senado a CPI da Pandemia, no Exército o processo disciplinar que Pazuello descumpriu. O caso ganhou ainda mais importância após o próprio Pazuello reconhecer publicamente na segunda-feira que havia errado, mas a desculpa não é o fim do processo. Transforma-se em um choque de correntes cujo final é de difícil previsão.

Inclusive é bom lembrar que o vice-presidente Hamilton Mourão em uma entrevista aos jornalistas na entrada do Palácio do Planalto disse que realmente Pazuello falhou e, portanto, torna-se necessária uma resposta militar.

Essa resposta pode ser desde uma advertência, uma punição escrita ou também a transferência de Pazuello para a reserva do Exército. O problema está colocado. O general Hamilton Mourão ao endossar a atitude do general Paulo Sérgio Nogueira projetou um limite entre correntes militares diferentes, encontrando-se mais próximo do afastamento de Pazuello, o que colocaria fim a uma crise que está sendo realimentada pelo próprio presidente da República.

RECUO – Mais uma vez, ao longo da história, o processo político projeta-se numa esfera tanto partidária quanto militar. Novos desdobramentos devem vir por aí. Pode ser o recuo de Bolsonaro, mas não pode ser o recuo do general Paulo Sérgio Nogueira.

O próprio Hamilton Mourão já passou por processo semelhante quando ainda na ativa defendeu o lançamento da candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República em 2018. Trata-se assim de um precedente bastante próximo da realidade de hoje. Vale acentuar que o momento é muito mais crítico do que aquele que culminou na eleição do atual presidente da República.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO –  Em artigo publicado ontem na Folha de São Paulo, o professor Hélio Hélio Schwartsman coloca bem o problema da liberdade de expressão, a ausência de censura e o trabalho dos editores nas redes sociais.

Os editores nas redes sociais seguem o exemplo dos editores de jornais e emissoras de televisão, incluindo apresentadores e apresentadoras.  A meu ver, Hélio Schwartsman está absolutamente certo. Ele critica o decreto anunciado por Bolsonaro impedindo as redes sociais de retirarem de suas plataformas matérias que a seu critério devam ser removidas. Impedimento legal nao existe para tal atitude.

Como também não procede dizer que pelo fato de receberem matérias jornalísticas, os editores devem aceitá-las integralmente. O processo é idêntico ao dos editores das mídias impressas; chegam matérias por vários caminhos e de várias fontes, incluindo também opiniões.

LIMITAÇÃO – As matérias, no caso dos jornais, estão limitadas pelo espaço disponível. Assim não existe obrigação nenhuma por quem recebe um texto em publicá-lo. Há também uma seleção de conceitos, sobretudo porque a edição jornalística exige a pesagem das matérias através da importância sob as quais se revestem.

Há certas matérias que são efetivamente impublicáveis. Liberdade de expressão não significa imunidade de seus autores. São escalas diferentes. Para isso é que existem os critérios jornalísticos. Rejeição não significa censura, mas o direito de escolha pelos jornais,  emissoras de televisão, rádios e também pelas redes sociais.

terça-feira, maio 25, 2021

Capitã Cloroquina contradiz Pazuello, que soube da falta do oxigênio dois dias antes

Publicado em 25 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, depõe à CPI da Covid no Senado Foto: Pablo Jacob / O Globo

Mayra defendeu o uso da cloroquina na pandemia

Marcela Mattos, Beatriz Borges e Luiz Felipe Barbiéri
G1 — Brasília

Em depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira (25), a Secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, afirmou que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello soube sobre o desabastecimento de oxigênio em Manaus no dia 8 de janeiro deste ano.

A declaração contradiz versão dada por Pazuello à CPI na semana passada, quando ele sustentou que apenas teve conhecimento da situação na noite do dia 10 de janeiro.

TROCA DE DATAS – “Eu estive em Manaus até o dia 5 [de janeiro]. O ministro teve conhecimento do desabastecimento de oxigênio em Manaus creio que no dia 8, e ele me perguntou: ‘Mayra, por que você não relatou nenhum problema de escassez de oxigênio?’”, afirmou a secretária.

Em janeiro deste ano, o número de internações por Covid disparou na cidade, as unidades de saúde ficaram superlotadas, e pacientes morreram por falta de oxigênio. Diante do colapso de saúde em Manaus, o ex-ministro somente foi ao Amazonas em 11 de janeiro, quando anunciou um plano de contingência.

Mayra Pinheiro disse que, enquanto esteve em Manaus, de 3 a 5 de janeiro, não foi informada pelo governo local sobre a iminência da falta de oxigênio hospitalar.

CONFIRMAÇÃO – “Eu confirmei a informação com o secretário estadual de Saúde, perguntando: ‘Secretário, por que, durante o período da minha prospecção, não me foi informado?’”, relatou à CPI.

A versão de que Pazuello soube antes sobre a situação calamitosa em Manaus também foi contada por Mayra Pinheiro ao Ministério Público Federal, no âmbito do inquérito em que é investigada sobre o colapso na capital amazonense.

“O secretário [de Saúde] Marcellus [Campêlo] me comunicou que ele havia recebido no dia 8, de madrugada, um informe por e-mail da White Martins dizendo que havia um problema da rede, que a quantidade de litros de oxigênio que estava sendo usada estava sendo muito maior do que aquela que a rede poderia oferecer. E aí ele entrou em contato com o ministro Pazuello”, disse Mayra ao MPF.

‘ERRO’ DE SERVIDOR – O próprio Ministério da Saúde formalizou, em ofício, que Pazuello teve conhecimento sobre o desabastecimento em Manaus no dia 7 de janeiro. À CPI, o ex-ministro disse que essa foi uma informação equivocada de um servidor da pasta e que o erro foi reconhecido.

“Isso é o papel, escrevendo. Agora, eu estou falando pessoalmente aqui sobre esse assunto. O telefonema do secretário de Saúde para mim no dia 7, à noite, foi exclusivamente para apoio logístico de transporte de tubos de oxigênio que iam para o interior do Amazonas, saindo de Belém para Manaus”, disse Pazuello.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– A CPI da Covid corre o risco de se tornar repetitiva e monótona. É preciso trabalhar com seriedade e evitar os excessos. Comparar o que acontece agora no Brasil com o holocausto dos judeus é uma afronta histórica, totalmente desnecessária. Apenas isso. (C.N.)

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