terça-feira, maio 25, 2021

Bolsonaro usa Pazuello para impor aos militares o ‘quem manda, quem obedece’


Charge do Miguel Paiva (site 247)

Eliane Cantanhêde
Estadão

Quem está no foco é Eduardo Pazuello, mas o principal responsável pela presença de um general da ativa numa manifestação política é o presidente Jair Bolsonaro, que usa Pazuello para esfregar na cara das Forças Armadas quem manda e quem obedece, testar limites do novo ministro da Defesa e jogar o novo comandante do Exército contra a parede. Estrago feito, o presidente proibiu pessoalmente notas da Defesa e do Exército.

Pazuello é o novo ídolo das redes bolsonaristas e Bolsonaro, o “mito”, se referiu a ele como “meu gordinho” nos atos de motociclistas no domingo. A turma anda mal de mitos e ídolos, já que o “meu gordinho” entra para a história por cair de paraquedas no Ministério da Saúde com a “missão” de engolir sapo, deixando o caminho livre para o negacionismo do presidente e do “gabinete das trevas”.

NO MESMO PALANQUE – Ao exibir um general da ativa num palanque político, o presidente da República, ex-militar processado por indisciplina, continua implodindo os princípios basilares das Forças Armadas: ordem, disciplina, hierarquia. Pelo Estatuto Militar e pelo Regimento Disciplinar do Exército, oficiais da ativa são proibidos de fazer declarações e de participar de manifestações políticas.

Os militares, muitos deles hoje escandalizados diante do que a sociedade vê e ouve, explicam a proibição com uma frase direta: quem usa farda e porta fuzil não sobe em palanque. E nenhum deles, de nenhuma das três Forças, defende a presença de Pazuello naquele trio elétrico, porque hierarquia é como taça de cristal: depois de quebrada, não tem santo que dê jeito.

O efeito pode ser em cadeia: se um general da ativa pode, por que cabos, tenentes, majores e capitães não podem?

PASSAR A BOIADA –  Fechar olhos, ouvidos e a hierarquia para a indisciplina de Pazuello funcionaria como deixar passar a “boiada” nas diferentes patentes das Forças Armadas. Como ficariam os comandantes imediatos? Quem controlaria seus subordinados? Por isso, Defesa e Exército não soltaram nota, mas abriram processo contra Pazuello, sujeito desde advertência até prisão.

O ato dele, apesar de inadmissível, irresponsável e de confronto, não foi inesperado e confirma a velha máxima: o que começa errado vai errado até o fim. Ou, como me disse um respeitável oficial da ativa sobre o “meu gordinho” no palanque de Bolsonaro: “Um desfecho previsível, a história de uma tragédia anunciada”.

Uma tragédia que começou com Pazuello assumindo a Saúde sem qualificação para tal e recusando-se a passar para a reserva.

UM GRANDE TESTE – Tornou-se, assim, o grande teste da cúpula militar, depois da demissão inédita do ministro da Defesa e dos três comandantes e de o novo ministro, general Walter Braga Netto, marcar presença numa manifestação golpista atrás da outra. Definitivamente, não é papel do ministro da Defesa. Aliás, de nenhuma área.

Por isso, Bolsonaro e seu “gordinho” deram um golpe traiçoeiro no Exército e no novo comandante, general Paulo Sérgio. Se não fizessem nada, seriam coniventes com a implosão da disciplina e dos protocolos militares. Se fizessem o que tinham de fazer, o risco seria Paulo Sérgio passar pelo que Pazuello passou na Saúde, desautorizado e desmoralizado pelo presidente. Reagiria com “um manda, outro obedece”? A saída foi fazer, mas sem anunciar.

Como militar da ativa, o “meu gordinho” confrontou o Comando do Exército. Como ex-ministro da Saúde, agrediu a ciência numa aglomeração, e sem máscara, o que complica sua vida na CPI e na opinião pública. Além de mentir compulsivamente, ele foi cínico ao pedir desculpas por circular sem máscara num shopping de Manaus. Pazuello, porém, é coadjuvante nessa história que tanto fere os brios e a imagem do nosso Exército. O protagonista todo mundo sabe quem é.

Aprovado pelo Centrão na Câmara, novo projeto é incentivo à degradação ambiental

Publicado em 25 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Gilmar Fraga / Agencia RBS

Gilmar Fraga (Gaúcha/ZH)

Maria Hermínia Tavares
Folha

Patrocinado pelo Centrão, saiu da Câmara rumo ao Senado o projeto que, a pretexto de modernizar o arcabouço de regras que norteiam o licenciamento ambiental no Brasil, praticamente destrói o pilar da Política Nacional de Meio Ambiente.

Se virar lei na versão atual, o projeto 37/2004 abrirá alas para a insegurança jurídica, ao transferir a estados e municípios o poder de definir o processo de concessão de licenças.

MAIS DANOS AMBIENTAIS – Ao introduzir exceções à obrigatoriedade do licenciamento ou facilitar a sua obtenção, multiplicará as chances de danos ambientais graves – do desmatamento à poluição do ar e dos rios por atividades industriais mal concebidas e a catástrofes semelhantes às que destruíram Mariana e Brumadinho, poucos anos atrás.

Finalmente, elevará à enésima potência os riscos a que já estão submetidos os povos indígenas e quilombolas à medida que isentar de licenciamento os territórios ainda em processo de demarcação.

Muitas atividades podem ser mais bem executadas quando livres de interferência e regulação estatais: a imprensa é uma delas, as artes e a cultura, outras tantas. Não é, de forma alguma, o caso da proteção ambiental. Esta requer que o cálculo de ganhos coletivos futuros – e, por isso, difíceis de aquilatar – tenha precedência sobre interesses imediatos e palpáveis.

PODER PÚBLICO – Na gestão ambiental, o poder público é insubstituível para definir a norma e fazê-la cumprir, criando incentivos apropriados para os agentes privados.

A destruição do licenciamento ambiental atesta o quanto o Brasil bolsonaresco descarta o futuro em prol de mesquinhos objetivos da hora – no caso, contingente não desprezível das bases eleitorais do ex-capitão.

Indica também como o país envereda pela contramão do mundo civilizado, onde a preocupação em limitar a mudança climática vai de mãos dadas com medidas concretas – e de forte teor regulatório –, destinadas a proteger as populações dos inevitáveis desastres ambientais que ela já está provocando e poderá ocasionar mais adiante.

PROPOSTAS MALIGNAS – O projeto de lei aprovado pelos deputados da coalizão governista é a primeira de quatro medidas com o mesmo propósito estritamente eleitoreiro, que o Executivo encaminhou ao Congresso quando da eleição dos presidentes das duas Casas.

Tratam de mineração em terras indígenas, concessões florestais, estatuto do índio e regularização fundiária, apropriadamente conhecido como o “PL da grilagem”. Madeireiros, grileiros, desmatadores e companhia feia, produtores de resíduos tóxicos ou de obras malfeitas, agradecem.

Os brasileiros ficam ainda mais à mercê dos desastres ambientais – e o país, ainda mais desprestigiado na cena internacional.

Bolsonaro se irrita com apoiadora: ‘Quem não está contente comigo tem Lula em 2022’

Publicado em 25 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Bolsonaro saiu do Palácio demonstrando irritação

Dimitrius Dantas
O Globo

O presidente Jair Bolsonaro se irritou na manhã desta terça-feira com uma apoiadora que cobrou uma ação mais enérgica do presidente, com uso das Forças Armadas. A mulher afirmou que o povo estaria sofrendo “na mão daqueles demônios” e questionou por que Bolsonaro não usa seu poder como chefe das Forças Armadas.

Ao responder à apoiadora, entretanto, o presidente afirmou que “ditadura não é comigo”. E disse que aqueles que não estiverem contentes com ele, podem votar no ex-presidente Lula nas eleições de 2022.

DECRETO AMEAÇADOR – Nas últimas semanas, Bolsonaro tem ameaçado editar um decreto que, em suas palavras, poderia colocar o Exército nas ruas contra medidas restritivas adotadas por prefeitos e governadores.

— Tem algum posIcionamento a favor do 31 de março de 1964 (data do golpe militar)? Tem alguma posição tua? — disse à apoiadora, antes de completar: — Porque vieram tudo para cima da gente, contra a gente, naquela época. Bom, não vou discutir esse assunto, não vou debater, não. Olha, quem não está contente comigo, tem Lula em 22 aí.

EM QUEM VOTAVA? – Um pouco antes, Bolsonaro indagou a apoiadora sobre em quem ela teria votado nos últimos 30 anos.

— Você passou 30 anos votando em quem? 30 anos votando em que tipo de gente? Calma lá, vamos com calma o negócio aí. Quer ditadura, não é comigo — afirmou.

As imagens foram gravadas e publicadas por um canal nas redes sociais simpático ao presidente. Na conversa, o presidente voltou a criticar as medidas restritivas adotadas por prefeitos e governadores contra a Covid-19.

CONTRA O ISOLAMENTO – Bolsonaro citou o exemplo do lockdown implementado em Araraquara, cidade do interior de São Paulo, governada pelo prefeito Edinho Silva, do PT. Segundo ele, apesar das críticas feitas ao lockdown, prefeitos como Edinho foram reeleitos.

—  Vocês reclamam dos prefeitos, igual aquele lá de Araraquara. Ele deitava e rolava no lockdown. Foi reeleito. Então, por favor, não me venha mais falar dessa maneira comigo. Se o cara foi reeleito, estava fazendo a coisa certa. E continua fechando Araraquara —  afirmou.

Taxa de contágio da Covid no Brasil cresce a nível em que 'doença avança sem controle'

Taxa de contágio da Covid no Brasil cresce a nível em que 'doença avança sem controle'
Foto: Reprodução/Pixabay

O indicador que estabelece a taxa de transmissão da Covid-19, o fator RT, subiu para 1,02 no Brasil, identificou o Imperial College de Londres. A entidade realiza levantamento periodicamente desde o início da pandemia, e foi atualizado nesta terça-feira (25). Reportagem do jornal O Globo lembra que o índice estava em 0,91 no relatório da semana passada.

 

Especialistas destacam que quando a taxa de contágio está acima de 1, indica que a doença avança sem controle no país. Desde a última semana de abril, o RT brasileiro estava um pouco abaixo dessa marca, lembra a reportagem.

 

O fator RT em 1,02 significa que cada 100 pessoas contaminadas transmitem a doença para outras 102.

 

O Imperial College considera uma margem de erro. Sendo assim, a taxa de contágio da Covid-19 no Brasil pode variar de 0,98 a 1,09.

 

De acordo com a reportagem de O Globo, o Imperial College também projeta que o Brasil deve registrar 14.600 óbitos pela Covid-19 nesta semana, um aumento em relação à anterior, quando foram contabilizadas 13.681 mortes pela doença.

Bahia Notícias

Bolsonaro já proibiu Defesa e Exército de se manifestarem sobre o caso de Pazuello

Publicado em 25 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Imagem

Charge do Nando Motta (Arquivo Google)

Renato Souza
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro proibiu o Exército Brasileiro e o Ministério da Defesa de se posicionarem em relação a ida do general Eduardo Pazuello a um ato político no Rio de Janeiro. O chefe do Executivo, que está no Equador, ligou para o ministro da Defesa, Braga Netto, após saber informações pela imprensa sobre uma nota que seria publicada.

Após a determinação do presidente, o Exército suspendeu um comunicado que faria aos jornalistas, informando que seria aberta apuração disciplinar contra Pazuello.

CONFIRMAÇÃO – A informação foi revelada pelo jornal Estado de São Paulo, e confirmada pelo Correio junto a fontes militares. O general Pazuello foi até a manifestação favorável a Bolsonaro, subiu em um carro de som e discursou para a multidão. Como ele ainda está na ativa das Forças Armadas, violou o Estatuto Militar e o Código Disciplinar do Exército.

A intenção é de que Pazuello tenha 10 dias para apresentar defesa. A punição aplicada pode ir desde advertência até prisão, de acordo com decisão do comandante da Força, general Paulo Sérgio. No entanto, fontes ligadas ao governo afirmam que o presidente também indicou que não quer nenhuma punição do militar.

O episódio cria uma nova crise entre o governo federal e as Forças Armadas. É a segunda neste ano, já que no mês de março, o presidente demitiu o ministro da Defesa e os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, em um ato sem precedentes desde a redemocratização.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Em tradução simultânea, conforme a Tribuna da Internet publicou bem cedo nesta terça-feira, com absoluta exclusividade, o general Eduardo Pazuello não será punido por ter participado do ato político com Bolsonaro. Ele simplesmente vai passar para reserva, porque está em final de carreira, já ocupa o mais elevado posto de general intendente, e o assunto deve ser engavetado, como ocorreu com o então general Mourão em 2015 e 2017, em casos muito mais graves. (C.N.)

Estratégia da tropa de choque do Planalto não está funcionando na CPI da Pandemia

Publicado em 25 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Charge 12/04/2021

Charge do Marco Jacobsen ( Folha de Londrina)

Deu no Correio Braziliense

Enquanto depoimentos tomados até agora na CPI da Covid implicam o Executivo na condução da pandemia, senadores governistas se concentram na estratégia de pressionar a comissão a investigar, também, estados e municípios. Em todos os discursos, ao longo das sessões, a tropa de choque insiste ser imprescindível apurar como os entes federativos empregaram as verbas que receberam da União para combater a crise sanitária.

Até o momento, entretanto, o único que foi amplamente citado e que deve ser chamado em breve pela CPI é o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC).

ALIADO VIROU ALVO – Wilson Lima é aliado do presidente Jair Bolsonaro, determinou a abertura do comércio mesmo quando a pandemia se agravou e deixou espaço aberto para a recomendação e a entrega à população de medicamentos sem eficácia contra a covid-19.

Isso não impediu que ele se tornasse um alvo no depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. O general jogou para a gestão estadual a culpa pela crise de oxigênio em Manaus, que provocou a morte de dezenas de pacientes em hospitais da cidade.

De acordo com Pazuello, Bolsonaro resolveu não intervir no estado porque ouviu de Wilson Lima que não havia necessidade de socorro. O general sustentou, também, que foi comunicado da gravidade do problema, pela Secretaria de Saúde de Manaus, em 10 de janeiro.

DESMENTIDO – Em nota, a pasta afirmou que o secretário de Saúde, Marcellus Campêlo, relatou as dificuldades a Pazuello em 7 de janeiro e há documentos comprovando. W o governo do estado, por sua vez, nega ter recusado ajuda federal.

Outro empenhado em responsabilizar os estados é o senador Eduardo Girão (Podemos-CE). De acordo com ele, os recursos da União enviados aos entes federativos foram mal empregados. “Quase R$ 100 milhões foram gastos no Estádio Municipal Presidente Vargas, num hospital de campanha. Começaram a chover denúncias de corrupção, da noite para o dia. Com apenas cinco meses de funcionamento, o hospital de campanha, de quase 100 milhões, foi desmontado na calada da noite. O povo de Fortaleza, quando precisou, agora na segunda onda, não encontrou leito”, alegou.

O cientista político André César, sócio da Hold Assessoria Legislativa, afirmou que a base governista tem feito apelos para que os governadores sejam investigados e pedindo equilíbrio, mas que em política isso não existe. “A base é minoria. Se o governo não conseguiu maioria, problema do governo, que não teve articulação”, disse. Para ele, é possível que, no âmbito dos governadores, o foco fique apenas no Amazonas, que é um caso simbólico.

POLÊMICA ACESA – Em relação aos outros entes federativos, a oposição teria um discurso pronto, sustentando que cabe às respectivas assembleias legislativas e câmaras municipais investigarem governadores e prefeitos. Já a base governista pode alegar, em caso de derrota, que a CPI já iniciou de forma desvirtuada e não quis apurar possíveis ilegalidades cometidas pelos gestores.

Sobre Wilson Lima, o cientista político André César acredita que, se necessário, Bolsonaro rifará o governador, sem pensar duas vezes. Ainda assim, há risco de a estratégia não ser de todo bem-sucedida: “O governador Ele pode pensar: ‘Não vou afundar sozinho’. É um risco para o governo”, frisou.

Dr Roberto Kalil: Síndrome Pós-Covid pode ser tão séria quanto a própria doença

 

Manu Vergamini

Acompanhamento médico é essencial no pós-Covid
O cardiologista Roberto Kalil alerta para os cuidados que a Covid 19 inspira, mesmo
 entre aqueles que já contraíram o Novo Corona Vírus e passaram por um quadro de
 internação:
 "Estamos no meio de uma tragédia, cujos efeitos ainda serão sentidos por um longo 
tempo entre a população."

O Brasil está perto de atingir 16 milhões de casos confirmados de Covid 19. Um a cada 
13 brasileiros já manifestou os sintomas dessa enfermidade. Algumas dessas pessoas7
 poderão conviver nos próximos meses com a chamada "síndrome do pós-covid", lidando 
com sintomas que vão da fadiga à depressão.

Tão séria quanto a própria doença, a síndrome pós-covid demanda cuidados médicos em
 várias frentes e dependendo de como se desenrolar, deve impactar o SUS de forma
 importante, pressionando ainda mais a saúde pública com a busca por leitos e
 atendimento nos hospitais.

O alerta é do professor titular de cardiologia da Faculdade de Medicina da USP, o médico
 Roberto Kalil, do InCor e hospital Sírio Libanês. "A Covid 19 é uma doença muito mais
 séria do que imaginávamos. Dependendo da situação, há uma grande chance de má
 evolução clínica e inclusive óbito", afirma o doutor Kalil.

Ele defende que todos os pacientes que tiveram a doença e passaram por internação,
 contem com um acompanhamento médico adequado nos meses subsequentes à cura
 da Covid 19. "É muito comum termos relatos de falta de ar, perda de olfato e paladar, 
tonturas e até dificuldade de raciocínio entre os que já estiveram internados em virtude da
 doença".
Muitos sentem que o organismo não é mais o mesmo depois da Covid 19. O acompanhamento
 médico é essencial para a plena recuperação da síndrome pós-covid, que pode durar meses"
, explica.

Pesquisas indicam que 17% dos pacientes de Covid 19 que voltam para casa precisam ser
 hospitalizados novamente. "Sem dúvida, estamos diante de um problema de saúde pública,
 para o qual ainda não nos atentamos devidamente, uma vez que o esforço maior e
 prioritário agora é a vacinação", ressalta o doutor Kalil.

"Vacinação em massa e a colaboração da população em manter o distanciamento social são
 as únicas saídas nesse momento. É preciso que a população entenda que estamos no meio
 de uma tragédia, cujos efeitos ainda serão sentidos por um longo tempo", completa.


Dr Roberto Kalil - presidente do Conselho Diretor do Instituto do Coração (InCor/HCFMUSP) e diretor do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês.

Operação Araponga: PF deflagra Operação contra orcrim especializada em falsificação de documentos da ABIN para obtenção de portes de armas em Pernambuco

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Saúde enviou 265 mil unidades de remédios sem eficácia para tratar Covid em indígenas

por Vinicius Sassine | Folhapress

Saúde enviou 265 mil unidades de remédios sem eficácia para tratar Covid em indígenas
Foto: Arquivo Pessoal / Yanama Kuikuro

O Ministério da Saúde distribuiu pelo menos 265 mil comprimidos de cloroquina, azitromicina e ivermectina a indígenas em cinco estados, com o propósito de tratar infecções pelo novo coronavírus. Os três medicamentos não têm eficácia para Covid-19.
 

Parte dessas drogas foi comprada diretamente por DSEIs (Distritos Sanitários Especiais Indígenas), vinculados ao ministério e com atuação de saúde na ponta, junto às comunidades.
 

Um informe técnico da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), de junho de 2020, orientou os DSEIs a “instruir seus respectivos processos de aquisição” de cloroquina e hidroxicloroquina, caso municípios e estados se negassem a fornecer o medicamento.
 

O envio maciço de medicamentos sem eficácia a indígenas entrou no foco da CPI da Covid no Senado. A estratégia da atual gestão do Ministério da Saúde e do general da ativa Eduardo Pazuello, que impulsionou a prática ao longo de sua administração na pasta, é sustentar que os comprimidos se destinaram aos tratamentos previstos na bula.
 

A cloroquina, por exemplo, é usada no tratamento de malária. A doença atinge cerca de 194 mil brasileiros por ano, dos quais 193 mil (99,5%) na região amazônica.
 

A azitromicina é um antibiótico usado principalmente no tratamento de doenças respiratórias. E a ivermectina se destina a infecções por parasitas.
 

Documentos e registros do próprio ministério contrariam a versão de que as compras e distribuição dos medicamentos se destinaram a essas doenças, e não para Covid-19.
 

Notas de empenho referentes a compras de azitromicina pelos DSEIs Alto Purus, no Acre, e Cuiabá registram que a aquisição do medicamento se destinou ao “enfrentamento da emergência de saúde pública decorrente do Covid-19” ou a “medidas de controle de infecção humana pelo novo coronavírus (Covid-19)”. O empenho é a autorização para o gasto.
 

Para o tratamento de indígenas no Acre foram adquiridos 20 mil comprimidos de azitromicina com dosagem de 500 mg. É a mesma especificação recomendada em nota técnica do Ministério da Saúde, atualizada em maio, que embasa o combo de medicamentos sem eficácia para Covid-19: cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina e Tamiflu, este último recomendado para gripe.
 

Cada comprimido saiu por R$ 1,82. O valor total foi de R$ 36,4 mil.
 

A azitromicina adquirida pelo DSEI Cuiabá também tinha dosagem de 500 mg. O valor unitário foi de R$ 1,25. Os 20 mil comprimidos custaram R$ 25 mil.
 

Também houve compras de antibióticos por DSEIs em Mato Grosso, para os indígenas do Xingu e para os xavantes, e em Rondônia, para etnias como suruí, cinta larga e terena.
 

As compras são informadas num portal alimentado pelo Ministério da Saúde, chamado Localiza SUS, criado para divulgar os gastos e ações de combate à pandemia.
 

O mesmo Localiza SUS faz um detalhamento do envio de 100,5 mil comprimidos de cloroquina, todos eles destinados a indígenas em Roraima. O objetivo foi o tratamento de Covid-19, segundo o portal.
 

Do total distribuído, 39,5 mil se destinaram aos yanomami em Roraima. O restante foi usado em comunidades da terra indígena Raposa Serra do Sol.
 

Há ainda distribuições feitas pela Aeronáutica e cujos destinos a Força Aérea Brasileira mantém ocultos, como a Folha mostrou em reportagem publicada no último dia 6.
 

Um desses transportes foi para a região chamada Cabeça do Cachorro, no Amazonas, na fronteira com a Colômbia e a Venezuela. Pelo menos 1,5 mil comprimidos de cloroquina foram transportados para o local, onde estão 23 etnias.
 

Também houve uma compra direta de cloroquina pelo DSEI de Vilhena (RO). Segundo os registros do Localiza SUS, a aquisição está associada a ações contra a Covid-19.
 

É a mesma situação de aquisições de 24 mil comprimidos de ivermectina pelos DSEIs Alto Rio Negro, que atende a Cabeça do Cachorro, e Xingu, em Mato Grosso.
 

O Ministério da Saúde distribuiu ainda 370,2 mil cápsulas de Tamiflu a indígenas em 16 estados. A pasta registra que o medicamento se destinou ao combate à influenza, mas o Tamiflu integra o kit do chamado “tratamento precoce” de Covid-19, previsto em protocolo ainda em vigência.
 

A Folha questionou o ministério sobre cada compra e distribuição a indígenas de medicamentos sem eficácia para Covid-19. “O antimalárico é adquirido e enviado regularmente a 25 DSEIs que estão em área endêmica”, disse, em nota, em relação à cloroquina.
 

“Azitromicina e ivermectina são medicamentos que constam na Rename (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais) e utilizados em diversos tratamentos de atenção primária do SUS. A aquisição de medicamentos da Rename é feita a partir das demandas de atendimento dos DSEIs”, afirmou.
 

Segundo o ministério, serviços básicos de saúde não foram suspensos durante o pico da pandemia. “Somente em 2020, foram realizados mais de 12,1 milhões de atendimentos nas aldeias, e contratados mais 700 profissionais para reforçar a assistência em saúde.”
 

Na CPI da Covid, no segundo dia de depoimento, Pazuello negou que sua gestão tivesse distribuído medicamentos do “tratamento precoce” aos DSEIs. A negativa ocorreu na quinta-feira (20), em resposta a questionamentos do senador Fabiano Contarato (Rede-ES).

Bahia Notícias
 

O general da ativa contou outras mentiras em seus depoimentos na CPI, em relação a vacinas e à crise do oxigênio em Manaus em janeiro, o que despertou a reação de senadores não alinhados ao governo de Jair Bolsonaro.

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