quarta-feira, agosto 21, 2019

Haddad reage à condenação por caixa 2 e diz que provou mentira de delator


Haddad diz que ‘por aquilo que foi acusado, foi absolvido’
Luiz Vassallo
Folha
O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) reagiu enfaticamente à condenação imposta a ele de 4 anos e 6 meses em regime inicial semiaberto por suposto caixa 2 nas eleições de 2012. “Provei que o delator mentiu”, afirma Haddad, em entrevista ao Estadão. Ele pode recorrer. Na mesma sentença, foi absolvido por falsificação de notas fiscais, quadrilha, corrupção passiva, improbidade e lavagem.
Segundo a denúncia, o ex-prefeito teria recebido R$ 2,6 milhões em caixa dois da empreiteira UTC Engenharia. Ao sentenciar Haddad, o juiz da 1.ª Zona Eleitoral da Capital, Francisco Shintate, afirmou que ‘Fernando Haddad, mediante um documento (prestação de contas) veiculou 258 declarações ideologicamente falsas (258 operações de prestação de serviços simuladas), com a finalidade eleitoral’.
QUESTIONAMENTOS – O ex-prefeito questiona. “Isso não foi objeto sequer da acusação. Por aquilo que fui acusado, eu fui absolvido. Agora, a pergunta que não quer calar é: por que alguém declara uma nota fiscal de um serviço não prestado? A segunda pergunta é: por que essa pessoa mandaria fazer 200 notas de valores pequenos? Qual é o sentido disso? Não teria nem racionalidade uma coisa dessas. Nem por mal.”
“Quatro anos atrás, eu fui acusado de ter recebido uma doação da UTC para o pagamento de uma gráfica que não teria sido contabilizado na minha prestação de contas. Passados 4 anos, eu provei que o delator mentiu. Eu disse isso o tempo inteiro. Eu não recebi esse dinheiro, a gráfica não prestou esse volume de recursos para mim”, afirma.
Estadão: Como o senhor recebe a decisão que o condenou?
Fernando Haddad: Quatro anos atrás, eu fui acusado de ter recebido uma doação da UTC para o pagamento de uma gráfica que não teria sido contabilizado na minha prestação de contas. Passados 4 anos, eu provei que o delator mentiu. Eu disse isso o tempo inteiro. Eu não recebi esse dinheiro, a gráfica não prestou esse volume de recursos para mim. Esses serviços foram prestados para outras campanhas, não para mim. Então, durante quatro anos, eu defendi exatamente a mesma tese, de que o delator tinha mentido, e provei isso, porque o juiz afastou a delação. E, agora, ele me condena por ter prestado contas para a Justiça de serviços supostamente não prestados em uma acusação que jamais foi feita ao longo dos últimos quatro anos.
Estadão: A denúncia foi por caixa dois da UTC Engenharia. Isso ocorreu?
Fernando Haddad: Esse assunto é matéria há quatro anos de jornal. Convido a resgatar todas as matérias. A acusação é de que eu tinha recebido recursos da UTC e não declarados. Eu disse: é mentira, e provei a mentira. A condenação, agora, é o inverso disso. É de que as notas fiscais que eu informei da gráfica não tiveram o serviço prestado correspondente. Se alguém que por algum motivo que desconheço quisesse colocar uma nota fria de 200 mil reais, ia mandar expedir 200 notas? Qual é o sentido de fazer uma coisa dessas? Eram serviços pequenos, feitos do dia para o outro, quebrados, inclusive, e que foram prestados durante a campanha. Mas eram pequenos. Por isso, ele afastou a delação da UTC. Conseguimos mostrar que ele estava mentindo. A condenação é sobre uma coisa da qual eu nunca respondi.
Estadão: Francisco Carlos e Ronaldo Cândido, das gráficas, admitiram receber o dinheiro da empreiteira. Eles dizem que não foi para a sua campanha, e sim para a de outros candidatos do partido. Esse dinheiro não foi para a sua campanha? Esta é a versão do executivo da UTC.
Fernando Haddad: Isso o juiz reconheceu que não foi só o cara da gráfica. Todas as testemunhas atestaram, e o Ricardo Pessoa estava mentindo. Ele pagou a gráfica, mas ela não prestou serviços para mim.  Só que a condenação não tem nada a ver com essa acusação pela qual eu respondi durante quatro anos. esse é o ponto. Esse mesmo juiz de hoje que sentenciou afastou tudo: corrupção, improbidade, lavagem. Tudo, inclusive, a delação. E a condenação versa sobre um tema estranho ao próprio inquérito. Eu não fui perguntado sobre isso em nenhuma circunstância.
Estadão: Isso não era objeto da denúncia?
Fernando Haddad: Isso não foi objeto sequer da acusação. Por aquilo que fui acusado, eu fui absolvido. Agora, a pergunta que não quer calar é: por que alguém declara uma nota fiscal de um serviço não prestado? a segunda pergunta é: por que essa pessoa mandaria fazer 200 notas de valores pequenos? qual é o sentido disso? Não teria nem racionalidade uma coisa dessas. Nem por mal.
Na noite desta terça-feira, Haddad, foi ao Twitter comentou a decisão da Justiça Eleitoral, que o condenou por suposta prática de caixa 2 em sua campanha para a prefeitura da capital paulista em 2012.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Conforme adiantou esta Tribuna nesta terça-feira, Haddad, ontem mesmo,  já foi dormir tranquilo. No início da noite, o ex-prefeito de São Paulo comentou no Twitter a decisão da Justiça Eleitoral, que o condenou por suposta prática de caixa 2 em sua campanha para a prefeitura da capital paulista em 2012. Viralizou. (M.C.)

Bolsonaro nega recuo e diz que data de indicação depende de Eduardo

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Charge do Duke (www.otempo.com.br)
Gustavo Uribe
Folha
Após ter sinalizado um recuo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, dia 21, que está mantida a indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para o posto de embaixador nos Estados Unidos. Na entrada do Palácio da Alvorada, ele disse que o nome do filho será apresentado quando o próprio parlamentar avaliar que é o momento certo e que o papel dele será apenas de “usar a caneta Bic”, ou seja, assinar a indicação.
Para ser efetivado, o nome do parlamentar precisa ser apreciado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado e aprovado por mais da metade dos votos dos presentes em votação no plenário. “Ele vai ser apresentado ao Senado. Vai ser. Não tem recuo. É o momento certo. E o Eduardo está estudando, está se preparando”, disse.
“URUBU” – O presidente voltou a chamar os veículos de imprensa de “urubu” e disse que eles acompanharão a sabatina do filho, que, na avaliação dele, precisará ter um desempenho melhor do que teria um chanceler. “Vai ser uma sabatina em que todos vocês [jornalistas] estarão lá, todos sem exceção, é igual urubu na carniça, né? Vai estar todo mundo lá de olho. E ele tem de fazer uma sabatina melhor do que se fosse o [chanceler brasileiro] Ernesto Araujo”, afirmou
Perguntado quando oficializaria Eduardo, Bolsonaro disse que pode indicar o filho em setembro, após o Dia da Independência, mas reafirmou que a decisão é dele. “Talvez setembro, após a Semana da Pátria. Essa pergunta tem de fazer ao Eduardo, ele que vai sentir o timing. Apenas vou usar a caneta Bic”, disse. As sondagens informais realizadas pelo Palácio do Planalto apontam hoje um placar apertado e desfavorável para a aprovação do filho do presidente.
ENCONTROS RESERVADOS – Para tentar reverter o quadro, Eduardo pretende intensificar até a metade de setembro encontros reservados com senadores indecisos. Para formalizar a indicação, o Palácio do Planalto tem trabalhado por uma margem de pelo menos cinco votos de vantagem em plenário. Ou seja, garantir um apoio de 46 dos 81 senadores, reduzindo, assim, o risco de derrota. Para evitar surpresas, Bolsonaro tem tentado viabilizar junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), uma votação aberta, apesar de o regimento prever o voto secreto.
Caso o Planalto não consiga obter uma vantagem segura até a primeira quinzena de setembro, o presidente avalia segurar a indicação para o início de outubro. Ele quer evitar que uma eventual derrota crie um constrangimento internacional às vésperas da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). A abertura, que terá discurso de Bolsonaro, ocorrerá no dia 24.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Entre as típicas idas e vindas em seu discurso, Bolsonaro quer evitar submeter Eduardo “ao fracasso”, como declarado nesta semana, e garantir o “filé mignon” do rapaz. Tal e qual no jogo do bicho, tenta cercar por todos os lados, esticando prazos, fazendo acertos, reduzindo os riscos e negociando a alteração do voto secreto. Abrindo, vai ter senador pensando duas vezes em qual rumo tomar.(M.C.)

Desfazendo um velho equívoco: a UnB foi criada por Juscelino e não por Darcy Ribeiro

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JK e Lúcio Costa, quando tudo era ainda apenas um sonho
Vicente Limongi Netto
Darcy Ribeiro não fundou a UnB coisíssima alguma. Inacreditável e deplorável que a monumental falácia seja alimentada por profissionais ilustres ou simplesmente desinformados e reféns de patrulhas ideológicas. Na Biblioteca Central da UnB tem fita gravada e a transcrição da conferência de Ciro dos Anjos, ex-secretário particular de JK, realizada no auditório da Reitoria, em que relatou, mais uma vez, os fatos que alguns pretendem negar.
Vitor Nunes Leal, ex-ministro do Supremo, que também confirmou a versão ao ex-reitor José Carlos Azevedo, havia pedido demissão da chefia da Casa Civil de Juscelino e sabia que o presidente queria a sua volta. Chamado por JK para procurá-lo, passou antes no escritório do também ex-ministro do STF, Osvaldo Trigueiro, que confirmou essa história, pois Vitor Nunes Leal lhe relatou sua preocupação de receber um convite irrecusável de Juscelino para voltar à Casa Civil.
SUGESTÃO – Trigueiro aconselhou-o a iniciar a conversa sugerindo a JK a criação de uma universidade em Brasília, achando que seria uma medida inaceitável para o presidente. Mas o erudito Leal então lembrou a JK que o epitáfio escolhido por Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos, que está em sua sepultura em Montebello, diz o seguinte:
“Aqui jaz Thomas Jefferson, autor da Declaração da Independência Americana, do Estatuto da Liberdade Religiosa na Virgínia, e pai da Universidade de Virgínia”. Não menciona ter sido presidente dos EUA.
JK ACEITOU – O presidente Juscelino gostou da ideia, chamou Ciro dos Anjos e deu-lhe a missão de elaborar os atos da criação da UnB, cujo marco inicial foi o radiograma de JK ao ministro da Educação, Clóvis Salgado, datado de 2 de abril de 1960:
“Ministro Clóvis Salgado, a fim de completar panorama cultural nova capital não posso deixar de fundar a universidade de Brasília, portanto, peço estudar plano e redigir mensagem a ser enviada ao Congresso tendo em vista desse objetivo pt precisamos porém criar universidade em moldes rigorosamente modernos pt gostaria remeter mensagem congresso dia 21 abril pt sds JK”.
Portanto, não tem amparo nos fatos e é rigorosamente falso atribuir a Darcy Ribeiro a iniciativa de criação da UnB. Foi Juscelino quem a teve e determinou todas as providências para criá-la. E foi Clóvis Salgado que as levou a bom termo. Na comissão criada, em que Darcy era um dos participantes, seu papel foi secundário. 
PODEM PESQUISAR – Quem se interessar em detalhes, pode consultar, além do depoimento de Ciro dos Anjos, na biblioteca da UnB, os relatos de Clóvis Salgado e de historiadores da Universidade Federal de Minas Gerais, com perto de 10 horas de duração, que integram o projeto “História Viva” daquela universidade.
Em artigo na Folha de São Paulo de 15 de setembro de 1986, na sua costumeira vesânia, Darcy afirmou ser o fundador da Universidade Nacional da Costa Rica, que foi fundada em 1970, pelo padre Benjamin Nunes Gutierrez. Na verdade, Darcy apenas colaborou, como fez em universidades do Chile, Peru, Venezuela, México e Uruguai.
Em Brasília, Darcy Ribeiro, como ministro da Educação de João Goulart, concluiu a obra iniciada por Juscelino. O jornalista, professor e escritor Ciro dos Anjos, nascido na mesma cidade de Darcy, Montes Claros, em Minas Gerais, insinuou que lhe cabia a explicação por ter incluído Darcy na comissão e sugerido seu nome para reitor, quando não havia candidato a esse cargo e a UnB só existia no papel.

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