terça-feira, maio 24, 2011

A Bíblia e os gays

A Bíblia e os gays

Publicada em 23/05/2011 às 16h14m

FREI BETTO

É no mínimo surpreendente constatar as pressões sobre o Senado para evitar a lei que criminaliza a homofobia. Sofrem de amnésia os que insistem em segregar, discriminar, satanizar e condenar os casais homoafetivos.

No tempo de Jesus, os segregados eram os pagãos, os doentes, os que exerciam determinadas atividades profissionais, como açougueiros e fiscais de renda. Com todos esses Jesus teve uma atitude inclusiva. Mais tarde, vitimizaram indígenas, negros, hereges e judeus. Hoje, homossexuais, muçulmanos e migrantes pobres (incluídas as "pessoas diferenciadas"...).

Relações entre pessoas do mesmo sexo ainda são ilegais em mais de 80 nações. Em alguns países islâmicos elas são punidas com castigos físicos ou pena de morte (Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Nigéria etc).

No 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 2008, 27 países-membros da União Europeia assinaram resolução à ONU pela "despenalização universal da homossexualidade".

A Igreja Católica deu um pequeno passo adiante ao incluir no seu catecismo a exigência de se evitar qualquer discriminação a homossexuais. No entanto, silenciam as autoridades eclesiásticas quando se trata de se pronunciar contra a homofobia. E, no entanto, se escutou sua discordância à decisão do STF ao aprovar o direito de união civil dos homoafetivos.

Ninguém escolhe ser homo ou heterossexual. A pessoa nasce assim. E, à luz do Evangelho, a Igreja não tem o direito de encarar ninguém como homo ou hetero, e sim como filho de Deus, chamado à comunhão com Ele e com o próximo, destinatário da graça divina.

São alarmantes os índices de agressões e assassinatos de homossexuais no Brasil. A urgência de uma lei contra a homofobia não se justifica apenas pela violência física sofrida por travestis, transexuais, lésbicas etc. Mais grave é a violência simbólica, que instaura procedimento social e fomenta a cultura da satanização.

A Igreja Católica já não condena homossexuais, mas impede que eles manifestem o seu amor por pessoas do mesmo sexo. Ora, todo amor não decorre de Deus? Não diz a Carta de João (I,7) que "quem ama conhece a Deus" (observe que João não diz que quem conhece a Deus ama...).

Por que fingir ignorar que o amor exige união e querer que essa união permaneça à margem da lei? No matrimônio são os noivos os verdadeiros ministros. E não o padre, como muitos imaginam. Pode a teologia negar a essencial sacramentalidade da união de duas pessoas que se amam, ainda que do mesmo sexo?

Ora, direis, ouvir a Bíblia! Sim, no contexto patriarcal em que foi escrita seria estranho aprovar o homossexualismo. Mas muitas passagens o subtendem, como o amor entre Davi por Jônatas (I Samuel 18), o centurião romano interessado na cura de seu servo (Lucas 7) e os "eunucos de nascença" (Mateus 19). E a tomar a Bíblia literalmente, teríamos que passar ao fio da espada todos que professam crenças diferentes da nossa e odiar pai e mãe para verdadeiramente seguir a Jesus.

Há que passar da hermenêutica singularizadora para a hermenêutica pluralizadora. Ontem, a Igreja Católica acusava os judeus de assassinos de Jesus; condenava ao limbo crianças mortas sem batismo; considerava legítima a escravidão; e censurava o empréstimo a juros. Por que excluir casais homoafetivos de direitos civis e religiosos?

Pecado é aceitar os mecanismos de exclusão e selecionar seres humanos por fatores biológicos, raciais, étnicos ou sexuais. Todos são filhos amados por Deus. Todos têm como vocação essencial amar e ser amados. A lei é feita para a pessoa, insiste Jesus, e não a pessoa para a lei.

FREI BETTO é escritor.


Fonte: O Globo

Procuradores defendem o fim do foro privilegiado

Na avaliação feita pela AMARRIBO do cumprimento por parte do Brasil da Convenção Anti corrupção da Organização dos Estados Americanos, constou uma recomendação para que o país eliminasse do seu arsenal jurídico o foro privilegiado.

Esse instrumento é responsável pelo elevado grau de impunidade que impera no país. Senadores, deputados federais e ministros, só podem ser processados pelo STF, e governadores junto ao Superior Tribunal de Justiça. Prefeitos e deputados estaduais, só podem ser processados criminalmente pelos Tribunais de Justiça dos Estados. Como esses tribunais não são equipados, e não foram criados para conduzir investigações, esses processos ficam paralisados por anos, e acabam caindo na prescrição. Essa é sempre a estratégia dos políticos que são pegos em atos de corrupção.

Segundo levantamento feito pela AMB, apenas 4,6% das ações penais instauradas diretamente, em razão do foro privilegiado, perante o Supremo Tribunal Federal desde 1998 foram julgadas. No caso do Superior Tribunal de Justiça apenas 2,2%. Dos 130 processos recebidos pelo Supremo Tribunal Federal apenas seis foram concluídos, com a absolvisão dos réus, e treze prescreveram antes de ir a julgamento. Das 483 ações recebidas pelo Superior Tribunal de Justiça, apenas 16 foram julgadas, com 5 condenações e 11 absolvições, e 71 ações prescreveram antes do julgamento. Esses são processos contra parlamentares, ministros e governadores, que têm direito ao foro privilegiado.

É importante notar que cada vez mais vozes qualificadas se posicionam contra esse instrumento, que é uma aberração do ponto de vista jurídico. É como se houvesse uma casta superior de cidadãos, que não prestam contas à justiça. Ao criar esse instrumento o arcabouço jurídico do país transformou os orgãos de justiça colegiados em tribunais de exceção, pois eles foram criados para julgar apelações e não para fazer investigações. E como não fazem investigações, não podem julgar. Está criado o ambiente para a impunidade.

Ainda que alguns orgãos tenham tentado se equipar para conduzir investigações, isso apenas mitiga um pouco essa distorção do princípio da igualdade perante a lei, pois foi criada para proteger políticos corruptos.

Os quatro candidatos ao cargo de procurador geral da República, Ela Wiecko, Antonio Fonseca, Rodrigo Janot, bem como o atual incumbente do cargo, Roberto Gurgel são contra o instituto do foro privilegiado. Os quatro vão concorrer em uma votação interna do Ministério Público Federal para criar uma lista tríplice que será submetida à Presidenta Dilma Roussef, que nomeará o próximo procurador geral para um mandato de 2 anos. Normalmente os presidentes escolhem o mais votado deles para a nomeação.

Somente o Congresso Nacional pode mudar essa lei, e por isso é necessário pressão da sociedade para que isso aconteça, como no caso do ficha limpa. É importante que mais vozes de autoridades como o procurador geral da República se manifestem para que a sociedade brasileira se veja livre de mais esse instrumento indecente de impunidade de corruptos.



Fernanda - Amarribo

Justiça condena casal por extorsão ao padre Júlio Lancellotti

A Justiça de São Paulo condenou nesta segunda-feira Anderson Marcos Batista e Conceição Eletério a sete anos e três meses de prisão por extorquirem dinheiro do padre Júlio Lancellotti.

Acusados de extorsão contra o padre Júlio têm prisão decretada
Justiça mantém absolvição de acusados de extorquir dinheiro de padre
Polícia conclui que padre Júlio Lancelotti sofreu extorsão
Polícia procura ex-interno da Febem acusado de extorquir padre Júlio Lancelotti
Padre Júlio Lancelotti diz que pagou extorsão por constrangimento
Leia a íntegra do pronunciamento do padre Júlio Lancelotti

Conceição, no entanto, irá recorrer da sentença em liberdade por ter comparecido espontaneamente quando foi intimada, de acordo com o juiz Eduardo Crescenti Abdalla, da 5ª Vara Criminal da Barra Funda.

Batista --que é ex-interno da Fundação Casa, instituição que recebia visitas do padre-- já estava detido e permanecerá no Centro de Detenção Provisória do Belenzinho (zona leste).

De acordo com a acusação do promotor Eder Segura, Batista e Conceição ameaçaram 'dar um tiro na cabeça' do padre Lancelotti caso ele não pagasse dinheiro para os dois. A ameaça foi no dia 11 de janeiro. Uma câmera de segurança de uma rua no bairro do Belenzinho filmou a abordagem do casal ao padre.

Ainda de acordo com a denúncia, Conceição também ligou várias vezes para o padre de um telefone celular rastreado pela Polícia Civil para pedir dinheiro.

Os acusados negaram o crime, Conceição também negou ter telefonado a Lancellotti para pedir "ajuda". De acordo com a versão deles apresentada ao juiz, a acusação seria uma represália por parte do padre, que teria oferecido R$ 200 mil a Anderson para dar uma entrevista desmentindo um caso entre eles.

O padre alegou que, logo após a última extorsão, comunicou a polícia. O delegado responsável pela investigação afirmou em juízo que confirmou as informações do padre e que, ao final de suas investigações, "ficou claro que a vítima teria sofrido a extorsão e toda a depressão psicológica decorrente dos fatos".

"A absolvição anterior dos acusados envolvendo a mesma vítima não guarda relação com os fatos desses autos, praticados em período diverso. Respondem, assim, por um delito de extorsão, em sua forma continuada, iniciado com o telefonema de Conceição, seguido pela abordagem direta do marido Anderson", afirmou o juiz em sua sentença, que também afirmou que não há razão para duvidar do padre em razão de seu trabalho social e por ser sacerdote.

Fonte: Folha.com

CMI Brasil - Desembargador que proibiu Marcha da Maconha em SP foi condenado por agressão

CMI Brasil - Desembargador que proibiu Marcha da Maconha em SP foi condenado por agressão: "– Enviado usando a Barra de Ferramentas Google"

Nova regra vai baratear telefone fixo para 68 milhões

Agência Estado

A partir do próximo sábado, 28, começam a valer novas regras para a realização de chamadas entre telefones fixos de cerca de 560 municípios brasileiros, que passarão de ligações de longa distância (DDD) a ligação local. A mudança deixará a conta de telefone mais barata para 68 milhões de pessoas, conforme estimativa da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). As mudanças abrangem ligações realizadas em 39 regiões metropolitanas e três regiões integradas de desenvolvimento.

A alteração tornou-se possível a partir da revisão do Regulamento sobre Áreas Locais para o Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC). A mudança havia sido publicada pela Anatel em 21 de janeiro deste ano. Com o novo regulamento, foram ampliados os critérios de definição de áreas locais. A regra considera o conjunto de municípios pertencentes a uma região metropolitana ou região integrada de desenvolvimento (Ride) que tenham continuidade geográfica e pertençam a um mesmo código nacional de área, ou seja, o mesmo DDD.

Novas situações que se enquadrem na definição de "Áreas com Continuidade Urbana" ou em decorrência de solicitação fundamentada por parte da concessionária de telefonia fixa na modalidade do serviço local serão revistas anualmente. As revisões de configuração da área local resultante da criação ou da alteração de regiões metropolitanas ou de Rides ocorrerão junto com as revisões quinquenais dos contratos de concessão. Os valores de ligações entre fixos e móveis - e vice-versa - não sofrerão mudanças com as alterações de áreas locais.

A partir de sábado, serão atendidas as seguintes regiões metropolitanas: Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Londrina (PR), Maringá (PR), Baixada Santista (SP), Campinas (SP), Belo Horizonte (MG), Vale do Aço (MG), Rio de Janeiro (RJ), Grande Vitória (ES), Goiânia (GO), Vale do Rio Cuiabá (MT), Salvador (BA), Aracaju (SE), Maceió (AL), Agreste (AL), Campina Grande (PB), João Pessoa (PB), Recife (PE), Natal (RN), Cariri (CE), Fortaleza (CE), Sudoeste Maranhense (MA), Belém (PA), Macapá (AP), Manaus (AM), Boa Vista (RR), Central Roraima (RR), Sul de Roraima (RR), Florianópolis (SC), Chapecó (SC), Vale do Itajaí (SC), Norte/Nordeste Catarinense (SC), Lages (SC), Carbonífera (SC), Tubarão (SC).

Na Bahia, 4,6 milhões de moradores da Região Metropolitana de Salvador e da Região Integrada de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) serão beneficiados. A região de Salvador é composta por 13 municípios e terá 3,9 milhões de beneficiados. O Polo Petrolina e Juazeiro (PE/BA), com oito municípios, terá 727,4 mil beneficiados.

Quanto às regiões de Foz do Rio Itajaí (SC), Grande São Luís (MA) e São Paulo (SP), todos os seus municípios já são considerados uma mesma área local. As Rides são Distrito Federal e Entorno (DF/GO/MG), Polo Petrolina e Juazeiro (PE/BA) e Grande Teresina (PI/MA).

Fonte: A Tarde

Oposição defende saída de Palocci do governo

Agência Estado

Brasília - Na escalada de críticas contra o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, a oposição passou a defender sua saída do governo da presidente Dilma Rousseff. Em manifestações no plenário, o líder do PSDB, Alvaro Dias (PR), e os senadores Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) e Ana Amélia Lemos (PP-RS) defenderam que o ministro deixe o cargo.

Palocci está na berlinda devido ao crescimento de seu patrimônio durante 2006 a 2010 que ele atribui a consultorias prestadas no período. "O governo está contaminado com a sua presença. Pode-se até dizer que a oposição está indo em socorro ao governo ao pedir sua saída porque esse caso está contaminando a administração federal”, disse Alvaro Dias.

Para o tucano, as revelações sobre o faturamento da empresa Projeto, os clientes e a confirmação de cobrança de taxa de sucesso trazem indícios de que o ministro pode ter cometido o crime de tráfico de influência. “É elementar que ele se afaste até o esclarecimento cabal de todas as denúncias. Se absolvido, ele retorna, se condenado paga o que a Justiça decidir”,

O líder tucano destacou que a oposição vai aditar a representação feita contra o ministro na Procuradoria-Geral da República e que busca assinaturas para instalar uma CPI mista sobre o episódio.

Nesta terça-feira, 24, lideranças de PSDB, DEM, PPS e PSOL farão uma reunião para definir a estratégia para os próximos dias. Dissidente do PMDB, o senador Jarbas Vasconcellos também falou sobre o tema em plenário.

Ele lembrou o caso da quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa e afirmou que o ministro está desperdiçando sua “segunda chance”. Jarbas cobrou que Palocci abra suas contas. "O Ministro da Casa Civil não pode mais se esconder detrás de uma cortina de ferro, da cláusula de confidencialidade exigida pelos clientes para os quais ele prestou consultoria. Esse segredo não é do interesse público e, portanto, mantê-lo é incompatível com a permanência de Palocci na Casa Civil”, afirmou o peemedebista.

Ana Amélia citou a necessidade de transparência sobre os negócios do ministro. Lembrou que sob a presidência de Itamar Franco o então chefe da Casa Civil Henrique Hargreaves foi afastado do cargo quando estava sob suspeição, tendo retornado após ter provado sua inocência. “Depois do esclarecimento, Hargreaves voltou muito mais fortalecido. Agora, da mesma forma, se poderia esperar que a presidente Dilma preste a esta Casa os esclarecimentos deste caso para não pairar nenhuma dúvida”.

Fonte: A Tarde

O que diferencia os mensalões do PSDB, do PT e do DEM (II)

Em segundo artigo sobre o assunto para o Congresso em Foco, o procurador Manoel Pastana afirma que o que diferencia os três casos apelidados de mensalão são os tamanhos das organizações criminosas

Manoel Pastana*

Os fatos indicam que a diferença entre os esquemas delituosos, conhecidos por mensalões, está, primeiramente, no tamanho da organização criminosa. No mensalão do PT, produziram-se atos normativos sucessivos (a Medida Provisória 130/2003, que se converteu nas Leis 10.820/2003 e 10.953/2004 e os Decretos 4.799/2003 e 5.180/2004, além de instruções normativas). Essa produção legislativa e normativa e mais inúmeros atropelos a procedimentos administrativos, bem como a utilização escancarada da estrutura da Administração Pública, denotam que tal organização criminosa é, de longe, a maior que já operou neste país. Para se ter uma idéia, o esquema PC Farias, que derrubou o Governo Collor, parece uma “batida de carteira”, se comparado ao Mensalão do PT.

A outra diferença entre os mensalões, na verdade, não diz respeito aos esquemas delituosos, mas na forma como foram combatidos. Por exemplo, no mensalão do PSDB, o chefe do Executivo foi acusado. No mensalão do DEM, o chefe do Executivo foi acusado, sem contar o insistente pedido de intervenção no Distrito Federal. Já no mensalão do PT, o chefe do Executivo NÃO foi acusado, apesar de haver mais provas contra ele do que contra o apontado, na denúncia, como o líder do esquema criminoso.

No meu livro autobiográfico, De Faxineiro a Procurador da República, revelo que a “falha” não ocorreu apenas na acusação, mas também na investigação. Por exemplo, Marcos Valério, apontado como o operador do esquema criminoso, destruiu provas (queimou notas fiscais etc.), mas o ex- procurador-geral da República Antonio Fernando, autor da denúncia do mensalão do PT, não viu motivos para prendê-lo.

Em quase duas décadas atuando na área criminal, eu nunca vi um investigado dar tanto motivos para ser preso. Também nunca vi tanta resistência por parte de um membro do Ministério Público para que um investigado, destruidor de provas, não fosse preso. Por exemplo, 19 membros da CPI (tinha 20 membros) instaram o dr. Antonio Fernando a requerer junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão de Marcos Valério, mas o então procurador-geral não concordou e até chegou a discutir na imprensa com o presidente da CPI.

Curioso é que, pouco tempo depois, o mesmo procurador promoveu embate na mídia com um ministro do STF que havia deferido liminar em habeas corpus levando à liberdade presos da operação Navalha. Neste caso, que não havia notícia de que algum investigado estivesse destruindo provas, o procurador Antonio Fernando queria a prisão a todo custo, contrariando seu comportamento anterior em que fez de tudo para não pedir a prisão de Marcos Valério, que destruía provas descaradamente. É muito estranho.

Mais estranho ainda foi o fato de Valério pedir para colaborar nas investigações, a fim de obter o benefício legal da delegação premiada (que reduz ou até isenta de pena o delator) e o dr. Antonio Fernando não concordar, sob o argumento de que a delação seria “prematura” e “inoportuna”. Ora, os benefícios da delação premiada são aferidos no final do processo, quando se saberá se a ajuda do delator contribuiu efetivamente para a identificação dos demais envolvidos.

Portanto, não há como falar-se em prematuridade de um procedimento cuja aferição faz-se no final. Destarte, a atitude de Antonio Fernando, para lá de estranha, deixou escapar instrumento valioso para apurar delitos praticados por mentes criativas, cujas provas os criminosos não costumam registrar em cartório. Por exemplo, no mensalão do DEM, se não fosse a colaboração do delator Durval Barbosa, jamais o ex-governador José Arruda perderia o mandato. Se fosse aceita a colaboração de Marcos Valério, certamente o estrago seria ainda maior (bem maior) do que o proporcionado por Durval Barbosa, que levou para a prisão o ex-governador do DF.

Apesar da investigação ter ocorrido de forma absolutamente incomum, sobraram provas para acusar Lula, mas o ex-presidente não foi denunciado. Lula não poderia ficar de fora da ação penal que tramita no STF, pois, sem ele, que praticou atos materiais, rompeu-se o elo probatório para se chegar aos autores intelectuais, que não praticaram atos materiais. Por exemplo, na denúncia está escrito que o banco BMG foi favorecido por empréstimos consignados em folha de pagamento a aposentados, proporcionando lucros extraordinários e que parte do dinheiro teria sido repassada ao partido da situação por meio de empréstimos fictícios (recentemente, um relatório da PF diz que, além do PT, mais três empresas suspeitas de envolvimento no mensalão também receberam “empréstimos” do referido banco). A denúncia diz que foi a Medida Provisória 130/2003 que criou a situação para a prática delitiva (autorizou empréstimos a aposentados consignados em folha de pagamento).

Ocorre que quem assinou a famigerada medida provisória não foi José Dirceu, apontado na denúncia como o líder da quadrilha. Também não foi Dirceu quem assinou o Decreto 5.180/2004 que socorreu o referido banco em face do indeferimento de sua pretensão, pois a medida provisória não deixava claro se banco não pagador de benefício previdenciário (situação do BMG) poderia participar dos empréstimos consignados em folha de pagamento dos aposentados. Daí, o BMG teve sua pretensão rechaçada pela Procuradoria Federal do INSS, sendo necessária a edição do referido Decreto que permitiu ao banco não pagador de benefício habilitar-se. Esse decreto não foi assinado por José Dirceu.

Também não foi José Dirceu quem assinou as mais de dez milhões de cartas enviadas a aposentados do INSS instando-os a fazer os empréstimos, favorecendo o BMG de tal forma que, com apenas dez agências bancárias, superou a Caixa Econômica Federal (CEF) com suas mais de duas mil agências. A CEF era a única instituição financeira que concedia os empréstimos e já vinha fazendo há quase um ano, quando o BMG, favorecido pelo mencionado decreto e atropelos administrativos que o habilitaram em prazo recorde, ingressou no mercado. Até meados de 2005, com tais empréstimos, a CEF faturou cerca de dois bilhões, trezentos e oitenta milhões de reais; enquanto que o minúsculo BMG, segundo o Tribunal de Contas da União, favorecido pela propaganda de mais de dez milhões de cartas, faturou mais de três bilhões de reais. Isso em prazo inferior a um ano (outubro de 2004 a agosto de 2005).

Também não foi José Dirceu quem assinou o Decreto 4.799/2003, que alterou a forma de publicidade do Governo Federal, proporcionando às empresas de Marcos Valério o domínio e o controle do serviço de publicidade da área federal. Isso permitiu as mais variadas formas de fraudes. E mais. Proporcionou a Marcos Valério status de administrador de recursos públicos, passando por suas mãos recursos públicos destinados a patrocínios e pagamentos de publicidade.

Quem assinou a Medida Provisória 130/2003, os Decretos 4.799/2003 e 5.180/2004, bem como as cartas-propaganda foi o ex-presidente Lula. Como ele não foi denunciado, não há como chegar ao apontado na acusação como sendo o líder da quadrilha, José Dirceu, pois este nada assinou e nem mandou bilhetes. Aliás, no meu livro antecipo a absolvição de Dirceu, justamente porque não se tem como chegar nele, uma vez que não praticou atos materiais. Quem os praticou foi o ex-presidente Lula, mas como ele não foi acusado, não se tem como alcançar os prováveis autores intelectuais do engenhoso esquema criminoso, pois estes não deixaram rastros. Assim, apenas integrantes braçais da quadrilha que deixaram pistas serão punidos, brandamente.

Causou-me estranheza o fato de o Dr. Antonio Fernando não ter pedido a prisão de Marcos Valério, embora fosse público e notório que ele estava a destruir provas; ter recusado auxílio deste, porque achou que a delação premiada seria prematura e inoportuna; ter deixado de fora da acusação o ex-presidente Lula; ter pedido a prisão de todos os acusados quando ofereceu a denúncia, sabendo-se que se o Relator aceitasse o pedido de prisão dos acusados (ele indeferiu), causaria tumulto processual que inviabilizaria a causa (o pedido intempestivo da prisão foi muito estranho, pois a hora de ter feito era quando Valério destruía provas. Porém, quando era preciso, Antonio Fernando não quis de jeito nenhum). E mais. É sabido pelos bons profissionais do Direito (o dr. Antonio Fernando é um bom profissional do Direito), que a denúncia deve ser uma peça objetiva e concisa, sendo que as discussões de pormenores ficam para as alegações finais.

Ocorre que a denúncia do mensalão não segue esse padrão, o que é muito estranho, porquanto as peças do dr. Antonio Fernando são bem objetivas e concisas. A denúncia em questão é muito longa (136 laudas), com muitos relatos complementares (vários pormenores despiciendos) que a enfeitaram com inúmeras referências em intermináveis notas de roda pé, feitas com letrinhas de difícil visualização, o que faz a leitura da peça acusatória ser extremamente cansativa e de difícil compreensão. A inicial acusatória está eivada de divagações que, data venia, mais parecem contos policiais desconexos. São muitas historinhas paralelas. Cotejando-se com o indisfarçável esforço no sentido de que Valério não colaborasse, a redação prolixa da denúncia deixa margem para muitas interpretações.

Salta aos olhos a forma diferenciada como foram conduzidas a investigação e a acusação do mensalão do PT, comparando-se aos outros mensalões. O pior é que a série de absurdos não se limita a tratamento processual diferenciado, mas também a doentias persecuções realizadas contra procuradores que tentaram investigar e/ou processar (de verdade) integrantes do partido da situação. Esse assunto é objeto do meu próximo artigo.

*Procurador da República e autor do livro autobriográfico De Faxineiro a Procurador da República

Fonte: Congressoemfoco

A consultoria de Palocci rendeu mais para os fregueses

Carlos Chagas

Em plena Renascença, em Roma, ninguém superava em riqueza e ostentação o empresário, comerciante, importador e contrabandista Agostino Chigi, conhecido pelos banquetes que oferecia, muitas vezes tendo como comensal o Papa Leão X. Mandava às vezes servir mil romanos com pratos de prata, onze para cada um, de acordo com o numero de iguarias. Depois, os pratos eram jogados no Tibre, para assegurar que não seriam usados duas vezes.

O nababo suplantou-se no dia 28 de agosto de 1519, quando o banquete foi servido em pratos de ouro, da mesma forma lançados ao rio. O que ele não percebeu é que seus empregados haviam mergulhado uma rede próxima da margem. Quando a festa acabou, recuperaram aquela imensa fortuna, que venderam no mercado negro.

Essa historinha se conta a propósito da consultoria do ministro Palocci. Até agora, pouco se fala nos que a contrataram, desconhecendo-se o nome de suas empresas, até dos cozinheiros do banquete oferecido pelo chefe da Casa Civil.

Eles também estenderam sua rede de proteção para salva os pratos de ouro, que dizer, os conselhos dados por Palocci, que revenderam para outros empresários. Muita gente ganhou mais dinheiro do que o regiamente bem pago ministro, utilizando suas informações e seus relacionamentos no governo. Só para concluir, diz a lenda que Chigi morreu pobre…

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MALUF RIDES AGAIN

Eleito novamente presidente do PP paulista, Paulo Maluf foi cortejado na convenção estadual do fim de semana por nada menos do que o governador Geraldo Alckmin, o prefeito Gilberto Kassab e o vice-presidente da República, Michel Temer. Os três foram abraçá-lo em nome do PSDB, do futuro PSD e do PMDB.

Que se cuide o senador Francisco Dornelles, presidente nacional do PP, porque no fim do ano haverá a convenção nacional destinada a renovas o seu mnandato ou a escolher outro. Imaginem qual, como essa enxurrada de cortesia que os adversários promoveram? Todos de olho na eleição à Prefeitura paulistana, no ano que vem, mas descuidados da eleição para o governo do estado, em 2014. É sempre bom lembrar que Ademar de Barros, depois de mil vezes derrotado, no fim da vida se elegeu governador.

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APROVEITANDO BRECHAS

A presidente Dilma Rousseff recebeu o vice Michel Temer para longa conversa. Votos de lealdade e confiança foram renovados ao infinito, inclusive a respeito do episódio Antonio Palocci. O PMDB mobilizará não só sua tropa de choque, mas o regimento inteiro na defesa do chefe da Casa Civil.

Em hipótese alguma o partido contribuirá para a constituição de CPIs e sucedâneos visando investigar as consultorias de Palocci. É claro que mesmo sem a menor referencia, muito menos a apresentação de listas de pedidos de nomeação.

Temer sinalizou aguardar a contrapartida do apoio explicito ao governo, nessa hora de apreensões. Terão conversado, também, sobre a esperada votação, hoje, do Codigo Florestal. Os ambientalistas não terão chance.

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CARONA NA BEATIFICAÇÃO

Nada mais natural, apesar do sacrifício em termos de saúde, do que a presença da presidente Dilma em Salvador, domingo, para a cerimônia de beatificação de Irmã Dulce. Agora, bicões não faltaram, até dos grandes, tirando carona com a santinha. Alguns tomando chuva.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Dilma não tem como substituir 335 mil terceirizados

Pedro do Coutto

A presidente Dilma Rousseff não tem como, primeiro demitir, e depois substituir os 335 mil e 700 servidores públicos terceirizados existentes nos quadros da Petrobrás, Banco do Brasil e Eletrobrás. Dar lugar àqueles que vierem a ser aprovados (e, mais importante, classificados) através de uma série infinita de concursos públicos no país. A administração nesses setores básicos da economia, pelo choque social, e pelo processo de uma seleção, dividida em vários tempos, demandaria pelo menos de dez a quinze anos na melhor das hipóteses. Enquanto esse tempo transcorresse nada se faria. Absolutamente impossível.

Ótima reportagem de Bruno Vilas Boas, O Globo de domingo 22, focalizou clara e objetivamente o tema e sua complexidade. Acentuou que o total de 335 mil só se refere à Petrobrás (291 mil) , Banco do Brasil (36 mil) e Eletrobrás (8 mil). Na matéria de Bruno não estão incluídos os contratados da Caixa Econômica Federal extra quadro, os dos Correios e Telégrafos, os terceirizados do Sistel, sistema de Telecomunicações. Se estivessem, o total seria ainda bem maior. A solução está em criar-se o estatuto dos terceirizados com base no artigo 173 da Constituição Federal.

O repórter apresentou também, paralelamente, quadros comparativos cotejando os totais de concursados e terceirizados. Neste ponto um equívoco, aliás natural, cuja origem deve se encontrar na fonte das informações. Vamos fixar como base a Petrobrás. Foi dito que a estatal possui 291,6 mil terceirizados para 80,4 mil concursados. O número de concursados está longe desta escala. Pois é preciso considerar que a exigência do concurso público decorreu da Constituição de 1988. Antes de 88, o concurso era uma opção, não uma obrigação. Assim o número de concursados é muito pequeno. Não chega, na verdade, nem a 20% da parcela apresentada como tal. Mas é o tal negócio: quem foi contratado sem concurso, ontem, passa a ser defensor do concurso hoje. Concurso para os outros, não para si. É eternamente assim. Mas esta é outra questão, aliás de aparte da natureza humana.

Mas o essencial está na impossibilidade de a presidente da República demitir os 335 mil terceirizados das empresas estatais, e também os contratados pelas autarquias e fundações, e substituí-los por mesmo número de classificados em concursos públicos. Em primeiro lugar, quanto custariam 335 mil indenizações? A qual montante se elevariam os saques de uma hora para outra no FGTS?

Porém, o problema não está somente nesses dois obstáculos enormes por si. Encontra-se também na especialização. É muito difícil substituir, por estreantes, centenas de milhares que já acostumaram a realizar tarefas essenciais nos poços de perfuração, na operação de oleodutos, na geração de energia elétrica, nas linhas de transmissão, nos serviços da rede de agências do Banco do Brasil, para seguir a linha dos setores citados na reportagem de Bruno Vilas Boas.

Além de todos esses argumentos lógicos, o mais definitivo: através de recente portaria do Ministério do Planejamento, o governo Dilma Rousseff suspendeu os concursos públicos e até os processos de seleção dos aprovados, abrindo como única exceção os já chamados para o trabalho que, além de aprovados, foram classificados nas relações até o limite das vagas disponíveis.

Portanto, como tem cabimento que o Ministério Público do Trabalho pressione o Poder Executivo para praticar demissões em massa? Elas levariam a uma crise social sem precedentes, impopularizariam o governo e arrasariam a própria administração pública. Uma loucura completa.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Corrupção de Ricardo Teixeira é atração hoje, na TV britânica BBC. Mas Teixeira fez acordo e não será processado na Suíça. Ele é o Palocci que deu certo.

Carlos Newton

Muita expectativa no ar. A TV britânica BBC exibe hoje uma reportagem revelando que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, admitiu na Justiça suíça ter havido pagamentos de propinas na FIFA , reconhecendo que fez acordo para barrar a publicação dessas informações pelo tribunal da cidade de Zug, na Suíça, no caso da ISL.

Reportagem de Jamil Chade, do Estadão, confirma que o programa da BBC se baseia em investigação do repórter britânico Andrew Jennings, autor de livros sobre os bastidores da FIFA, conforme Helio Fernandes já adiantara aqui no blog da Tribuna da Imprensa.

Entre 1989 e 1999, a empresa de marketing ISL foi a responsável pela venda dos direitos de TV das Copas, maior fonte de renda da FIFA. No início da década, a ISL quebrou e quase levou consigo a Fifa. Um processo foi aberto e se constatou no ano passado que o pagamento de propinas ocorreu dentro da entidade e que a ISL servia como empresa laranja para impedir que o pagamento da corrupção fosse revelado.

“Apesar da comprovação das propinas, os bastidores do processo, depoimentos e culpados foram mantidos em sigilo. Isso porque as partes envolvidas chegaram a um acordo: multa de US$ 5,5 milhões (aproximadamente R$ 8,9 milhões) foi paga como punição. Pela lei suíça, quando há um acordo, os detalhes do processo são mantidos em sigilo”, diz Chade, acrescentando que, segundo o programa “Panorama”, da BBC, audiências do tribunal com Teixeira revelam que ele confirmou o pagamento da propina.

No total, os pagamentos chegaram a US$ 120 milhões (em torno de R$ 195 milhões) ao longo dos anos. O programa vai ao ar às vésperas das eleições na FIFA, marcadas para semana que vem e repletas de polêmicas em torno de corrupção. Joseph Blatter, presidente em exercício, concorre a mais um mandato e no domingo deu murros em um palanque na África do Sul, insistindo: “A Fifa não é corrupta”.

O presidente da CBF foi citado há duas semanas em CPI no Reino Unido por ter pedido favores em troca de votos à Inglaterra para ser sede da Copa de 2018. Questionado, Blatter declarou neste domingo ao jornal suíço NZZ que as acusações que pesam sobre Teixeira não são crimes diante da lei suíça, mostrando que o presidente da CBF continua inatingível. É o Palocci que deu certo.
Fote: Tribuna da Imprensa

A maldição da Casa Civil. José Dirceu parecia o homem certo no lugar certo. Demitido estrepitosamente. Palocci não poderia ter sido, Dona Dilma não fará nada?

Helio Fernandes

Para uma análise correta é preciso estabelecer claramente a diferença entre Dirceu e Palocci. Na penúltima campanha de Lula, quando muitos adivinhavam a primeira vitória dele, ninguém era mais íntimo, amigo e entrelaçado com o futuro presidente do que Dirceu.

Eu mesmo escrevi no jornal impresso, baseado em informes, informações, depoimentos, que Dirceu chamava Lula de “você”, era correspondido com um “senhor”. Isso, depois de presidente, na intimidade. É sempre difícil abandonar um tratamento arraigado, repetido, habitual e mais do que normal.

Dirceu era tido e havido como Chefe da Casa Civil, foi nomeado, empossado e aplaudido, sem qualquer restrição. Não se pode deturpar os fatos, para também não deturpar, macular e comprometer as observações. A entronização de Dirceu ajudou a compor as coisas, a estabelecer, politicamente, o mandato de Lula.

O primeiro descuido, displicência, verdadeiramente desastroso, foi o episódio da Loterj. Envolveu o seu homem de confiança, que faturava desabaladamente. Foi uma surpresa em matéria de honestidade, agravada pelo fato de Dirceu ser considerado competente.

Como Lula diria mais tarde no episódio do mensalão, “o chefe da Casa Civil não sabia de nada”. Nesse mensalão, tanto Lula quanto Dirceu estavam “chafurdados”. Lula sobreviveu, apesar de totalmente comprometido. É que ele não teve cerimônia, piedade, condescendência.

Lula sabia pouca coisa, mas nesse momento a sabedoria estava numa escolha: “Ele ou eu”. O país todo conhece a decisão do presidente. Dirceu perdeu a Presidência da Republica, mergulhou nos subterrâneos dos negócios. E não sairá mais, de maneira alguma.

Sua participação nas acusações contra Palocci (mais do que “comprovadas”, representam a forma que lhe sobrou para percorrer o caminho que percorria de dentro do Planalto. Ele tem razão numa coisa: “Palocci não deveria ter sido nomeado para a Casa Civil, não tem dignidade nem competência”. Nota mil na observação, mas Dirceu jamais sairá da superfície, ele que tanto se orgulhava da conquista do Planalto.

A palavra “maldição”, que coloquei no título destas notas, pode ser contestada. E principalmente por Dona Dilma. Ela tem todo o direito. “Eu não fui amaldiçoada ou destruída pela Casa Civil. Saí de lá para a presidência da República”.

Rigorosamente verdadeiro.

Ela está no lugar que seria de José Dirceu. E só está no cargo e na altura mais elevada da República, precisamente porque Lula demitiu sem complacência o maior amigo, o mais intimo e o mais influente. Se perdoasse e poupasse Dirceu, quem correria perigo e poderia nem terminar o mandato? Lógico, ele, Luiz Inácio Lula da Silva;

Agora, Dona Dilma enfrenta o mesmo problema de Lula no passado, quer conciliar em vez de resolver? Não há conciliação com a corrupção. E o que é que Palocci tem de tão indispensável? Até hoje, quase 5 meses já passados, o ex-ministro da Fazenda, demitido acintosa e desprezivelmente, só vem criando problema, e dos grandes, dos maiores.

Não sendo indispensável, certamente Palocci não é imprevisível. Deixou suas digitais em todos os lugares, por que essa temeridade de tentar salvá-lo? É a sua salvação que está em jogo, presidente. E o que a senhora arrisca, em matéria de tempo, pode ser calculado entre 3 anos e meio e 7 anos e meio.

***

PS – E Palocci? Já perdeu tudo, insensato, inconsciente, imprudente, trocou o Poder pelo pesadelo.

PS2 – Fechado num apartamento, suando, bebendo, fumando, tentando escrever o que não sabe, tem que responder ao Procurador-Geral da República. Que desde o inicio foi cuidadoso e cauteloso com ele.

PS3 – Palocci chamou o assessor que ajudou a massacrar o caseiro, teve que aceitar a recusa.

PS4 – E não é apenas sua carreira, Dona Dilma, que está em jogo. É a tranqüilidade do próprio país. As CPIs podem não produzir resultados, mas na certa criam confusão. No Planalto e fora dele.

PS5 – Não quero amenizar nada, não gosto e não preciso. Mas o seu governo, Dona Dilma, estava (está?) razoável, mais ou menos, por enquanto suportável.

PS6 – Nada brilhante, quem sabe dando a versão da esperança? Mas mesmo esse governo é suportável perto do insuportável e intolerável que é a permanência de Palocci.

Fonte: Tribuna da Imprensa

A maldição da Casa Civil. José Dirceu parecia o homem certo no lugar certo. Demitido estrepitosamente. Palocci não poderia ter sido, Dona Dilma não fará nada?

Helio Fernandes

Para uma análise correta é preciso estabelecer claramente a diferença entre Dirceu e Palocci. Na penúltima campanha de Lula, quando muitos adivinhavam a primeira vitória dele, ninguém era mais íntimo, amigo e entrelaçado com o futuro presidente do que Dirceu.

Eu mesmo escrevi no jornal impresso, baseado em informes, informações, depoimentos, que Dirceu chamava Lula de “você”, era correspondido com um “senhor”. Isso, depois de presidente, na intimidade. É sempre difícil abandonar um tratamento arraigado, repetido, habitual e mais do que normal.

Dirceu era tido e havido como Chefe da Casa Civil, foi nomeado, empossado e aplaudido, sem qualquer restrição. Não se pode deturpar os fatos, para também não deturpar, macular e comprometer as observações. A entronização de Dirceu ajudou a compor as coisas, a estabelecer, politicamente, o mandato de Lula.

O primeiro descuido, displicência, verdadeiramente desastroso, foi o episódio da Loterj. Envolveu o seu homem de confiança, que faturava desabaladamente. Foi uma surpresa em matéria de honestidade, agravada pelo fato de Dirceu ser considerado competente.

Como Lula diria mais tarde no episódio do mensalão, “o chefe da Casa Civil não sabia de nada”. Nesse mensalão, tanto Lula quanto Dirceu estavam “chafurdados”. Lula sobreviveu, apesar de totalmente comprometido. É que ele não teve cerimônia, piedade, condescendência.

Lula sabia pouca coisa, mas nesse momento a sabedoria estava numa escolha: “Ele ou eu”. O país todo conhece a decisão do presidente. Dirceu perdeu a Presidência da Republica, mergulhou nos subterrâneos dos negócios. E não sairá mais, de maneira alguma.

Sua participação nas acusações contra Palocci (mais do que “comprovadas”, representam a forma que lhe sobrou para percorrer o caminho que percorria de dentro do Planalto. Ele tem razão numa coisa: “Palocci não deveria ter sido nomeado para a Casa Civil, não tem dignidade nem competência”. Nota mil na observação, mas Dirceu jamais sairá da superfície, ele que tanto se orgulhava da conquista do Planalto.

A palavra “maldição”, que coloquei no título destas notas, pode ser contestada. E principalmente por Dona Dilma. Ela tem todo o direito. “Eu não fui amaldiçoada ou destruída pela Casa Civil. Saí de lá para a presidência da República”.

Rigorosamente verdadeiro.

Ela está no lugar que seria de José Dirceu. E só está no cargo e na altura mais elevada da República, precisamente porque Lula demitiu sem complacência o maior amigo, o mais intimo e o mais influente. Se perdoasse e poupasse Dirceu, quem correria perigo e poderia nem terminar o mandato? Lógico, ele, Luiz Inácio Lula da Silva;

Agora, Dona Dilma enfrenta o mesmo problema de Lula no passado, quer conciliar em vez de resolver? Não há conciliação com a corrupção. E o que é que Palocci tem de tão indispensável? Até hoje, quase 5 meses já passados, o ex-ministro da Fazenda, demitido acintosa e desprezivelmente, só vem criando problema, e dos grandes, dos maiores.

Não sendo indispensável, certamente Palocci não é imprevisível. Deixou suas digitais em todos os lugares, por que essa temeridade de tentar salvá-lo? É a sua salvação que está em jogo, presidente. E o que a senhora arrisca, em matéria de tempo, pode ser calculado entre 3 anos e meio e 7 anos e meio.

***

PS – E Palocci? Já perdeu tudo, insensato, inconsciente, imprudente, trocou o Poder pelo pesadelo.

PS2 – Fechado num apartamento, suando, bebendo, fumando, tentando escrever o que não sabe, tem que responder ao Procurador-Geral da República. Que desde o inicio foi cuidadoso e cauteloso com ele.

PS3 – Palocci chamou o assessor que ajudou a massacrar o caseiro, teve que aceitar a recusa.

PS4 – E não é apenas sua carreira, Dona Dilma, que está em jogo. É a tranqüilidade do próprio país. As CPIs podem não produzir resultados, mas na certa criam confusão. No Planalto e fora dele.

PS5 – Não quero amenizar nada, não gosto e não preciso. Mas o seu governo, Dona Dilma, estava (está?) razoável, mais ou menos, por enquanto suportável.

PS6 – Nada brilhante, quem sabe dando a versão da esperança? Mas mesmo esse governo é suportável perto do insuportável e intolerável que é a permanência de Palocci.

Fonte: Tribuna da Imprensa

STF decidirá sobre poupança em junho

Débora Melo
do Agora

O STF (Supremo Tribunal Federal) deverá julgar, no mês que vem, o direito à revisão das cadernetas de poupança que tiveram correção menor durante os planos econômicos Bresser (1987), Verão (1989), Collor 1 (1990) e Collor 2 (1991), de acordo com informações do presidente do tribunal, ministro Cezar Peluso.

A data exata e os detalhes do julgamento serão divulgados em breve. Os ministros vão julgar se os planos respeitaram a Constituição --a alteração dos índices de correção das poupanças fez com que o poupador tivesse um rendimento mais baixo. A decisão vai unificar o entendimento sobre o tema e deverá ser seguida pelos demais tribunais.

Em agosto de 2010, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) já havia decido a favor dos poupadores, mas os bancos recorreram ao Supremo, que suspendeu os processos em andamento --exceto os da primeira instância.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta terça,

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