sexta-feira, fevereiro 13, 2009

TSE confirma cassação do deputado federal Juvenil Alves

Redação CORREIO
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou na noite desta quinta (12), em decisão unânime, a cassação do mandato do deputado federal Juvenil Alves (PRTB-MG), por ter fraudado sua prestação de contas da campanha eleitoral de 2006. Foi mantida a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de MInas Gerais ( TRE-MG,) que em abril de 2008 cassou o diploma do deputado.
Segundo o relator do recurso, ministro Joaquim Barbosa, ficou comprovada a existência de caixa dois na campanha de Alves por meio de correspondência eletrônica.
Juvenil Alves teve suas contas de campanha desaprovadas pelo TRE-MG em dezembro de 2007. Eleito pelo PT e atualmente no PRTB, o deputado foi cassado por abuso na captação de recursos e gasto ilícito em sua campanha eleitoral.
A decisão do TSE será encaminhada à Mesa da Câmara dos Deputados, e Alves terá de deixar o cargo assim que o acórdão for publicado no Diário da Justiça, a não ser que consiga uma liminar no próprio TSE.
Alves foi o deputado federal com maior votação entre os eleitos pelo PT em Minas Gerais no pleito de 2006, com 110.651 votos. Ele chegou a ser preso pela Polícia Federal em novembro de 2006, quando foi investigado em operação conjunta do Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal.
(Com informações da Agência Brasil)/Correio da Bahia

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

UMA BRASILEIRA NO PRIMEIRO MUNDO – PRIMEIRO MUNDO?

Laerte Braga

A suíça não é necessariamente um país, muito menos nação. É um aglomerado de interesses mesquinhos e coberta com a lona da neutralidade hipócrita de robôs que caminham pelas ruas a despeito das belas paisagens que por lá existem. Suíço não sente, faz contas. Suíço não se envolve, mas guarda toda a sujeira possível em seus bancos e ainda garante segurança absoluta. A primeira reação da polícia suíça à agressão sofrida pela advogada brasileira Paula Oliveira por jovens nazistas chamados de skinheads foi tentar rotular a moça como prostituta. Não é, mas mesmo que fosse. Trabalha para uma empresa no amontoado de “negócios” que chamam de suíça e tem condição regular segundo as leis dos bancos que governam o que chamam de país. Há dias um deputado italiano, ettore pirovano, declarou no parlamento de seu país que os brasileiros não são conhecidos “pela fama dos seus juristas, mas por suas dançarinas”. Imagina que juristas brasileiros sejam como gilmar mendes. É o que conhece e avaliou pelo relato do seu embaixador no Brasil. O tal que entrou pela porta dos fundos de gilmar e saiu pelos fundos também. Com certeza deixou fundos, gilmar não opera se não for assim. Tucano nenhum opera se não for assim. gilmar é dançarina. Gosta que os clientes coloquem notas de dólares no entre-seios do sutiã dos hábeas corpus e decisões determinadas pelos controladores do stf dantas incorporation ltd. Que diferença faria se Paula de Oliveira fosse prostituta como pretendeu rotular a polícia do amontoado de bancos chamado suíça? Seria “menos gente” por isso? Atenuaria a boçalidade de doentes mentais que tatuam suásticas e agora o sucedâneo, estrelas de davi em suas cabeças? Justificaria a barbárie contra a moça? A decisão do ministro das Relações Exteriores Celso Amorim de exigir providências duras, enérgicas e severas dos blocos de gelo que operam os bancos que chamam de país mostra um Brasil diferente daquele servil e covarde, fascinado com esse negócio de europa – um continente em extinção – . Quando policiais britânicos assassinaram o brasileiro Jean Charles numa estação do metrô em londres a primeira alegação foi que Jean estava ilegal naquela colônia norte-americana, a grã bretanha. Isso muda o que? A natureza do fato, um assassinato? Ao longo dos séculos desde que portugueses aportaram por aqui e espanhóis, ingleses e franceses no resto da América, temos sido sistematicamente saqueados por países europeus. O que mudou após a suposta independência de países como o Brasil foi a forma como os colonizadores saqueiam. Se os eua conseguiram se transformar numa potência e inverteram o jogo, hoje colonizam o antigo colonizador isso é outra história, até porque aprenderam foi a receita e substituem os antigos colonizadores por aqui. Acostumamo-nos a ser dóceis e servis no fascínio por paris. Claro que é uma cidade fascinante. Óbvio que a História é um processo. É hora de sermos adultos. Passamos dos 500 anos. Somos jovens. Mas há um conceito que nos diferencia de suíços. Somos nação, ou ainda somos nação, apesar da barra da tijuca, da fiesp/daslu, dos agnelli ditando ordens. Os suíços não. São queijos de ótima qualidade, chocolate idem, relógios já nem tanto e bancos. Organizações criminosas. À época da II Grande Guerra cantava-se uma paródia que dizia que oliveira salazar, ditador fascista de portugal, mandou cobrir o país com uma lona e escrever e cima – “portugal mudou-se” – . A tal da neutralidade que não tem nada de neutra. Skinheads existem em São Paulo, um país vizinho que fala a mesma língua e é controlado pelo condomínio fiesp/daslu/tucano/dem. Na capital paulista ainda existe um jornal que acha que D. Pedro I governa o Brasil e José Bonifácio é uma espécie de primeiro-ministro. Já estamos na quinta ou sexta geração de andradas, historicamente os maiores chapas brancas do Brasil. Há quem diga que chegaram com d. joão VI, no duro mesmo vieram com cabral. É hora de varrer com essa gente também. São os que pretendem manter o Brasil servil, submisso, produtor de matérias primas e aceitando passivamente que a polícia de uma organização criminosa – bancos – chamada suíça, rotule uma brasileira de prostituta e tente justificar assim a violência característica e típica do modelo que exportam. Um modelo prostituído. O mesmo que leva um jovem preso pela Polícia Federal por tráfico de drogas a declarar que “faço isso para manter o meu padrão de vida”. Trinta milhões de brasileiros pegaram o telefone e ligaram para a globo. Para que? Votar pagando para eliminar um dos ocupantes de um bordel televisivo. É uma das formas de manter o Brasil colônia e por essas e outras é que a polícia dos bancos que chamam de suíça rotula Paula de Oliveira. Não há necessidade de enviar tropas. Basta entrar pelos fundos no gabinete do ministro presidente da suposta suprema corte, deixar fundos sem ser visto, exportar o modelo fashion de queijos cujo charme são buracos (são deliciosos, lógico, mas fazemos igual). A decisão do ministro Amorim, um chanceler à altura do desafio de enfrentar bancos e empresas chamados de país, de exigir respeito a um País de gente chamado Brasil, a despeito da globo e dos colonizadores (suíços, italianos, americanos, ingleses, franceses, o que for) serve para mostrar que aqui nem todos se chamam gilmar mendes, ou josé serra, ou fhc, ou aécio. E nem todo mundo se deixa levar pelo conto dos heróis de pedro bial, o rufião do bbb. E até porque os skinheads daqui são cópias dos skinheads de lá. Filhos do modelo prostituído e prostituidor dos bancos que chamam de suíça. E quejandos. Não é por acaso que esse trem de agências bancárias que chamam de suíça fica perto da itália e por lá pontifique um novo duce, silvio berlusconi. Nem por acaso que aqui esteja para ser julgado um processo de extradição envolvendo um refugiado político, Cesare Battisti. E que o parlamento europeu (votaram menos de dez por cento dos deputados, mas a globo não falou isso, é deles) queira que o Brasil o entregue a sanha dos skinheads travestidos de senhores do mundo. Não são mais. A realidade hoje é só acordarmos e enxergar que não precisamos deles para nada. Mas eles não serão nada mais depressa do que vão sendo, se reagirmos acabando tanto com os saques de piratas agnelli (vale) ou dos associados aqui. Aprenderão a respeitar todas as nossas Paulas.

As conversas "de pai para filho"

Postado por Luiz Weis
Com a saída de cena – ou pelo menos do proscenio – do castelão Edmar Moreira, fica desimpedido o caminho para a imprensa pôr no devido lugar, na cabeça do noticiário político, o(s) caso(s) do presidente do Senado, José Sarney.
Eis um personagem incomparavelmente mais importante, com histórias incomparavelmente mais sérias, que o deputado do pefelê mineiro que entrou para a crônica dos costumes políticos nacionais menos, talvez, por sua folha corrida, do que por se confessar portador do “vício insanável da amizade” na atividade parlamentar.
No sábado, 7, cinco dias depois de se eleger pela terceira vez em 14 anos para o comando do Senado, Sarney apareceu numa matéria exclusiva do repórter Felipe Recondo, do Estado, no papel de interlocutor de uma conversa telefônica de abril do ano passado. Do outro lado da linha, o seu filho Fernando, conhecido homem de negócios do Maranhão, cujos telefonemas a Polícia Federal vinha gravando com autorização da Justiça na Operação Boi Barrica.
Contra Fernando corria em sigilo na Primeira Vara Criminal de São Luís um processo em que ele figura como suspeito de fazer, por intermédio de uma de suas empresas, uma doação ilegal milionária no segundo turno da eleição maranhense de 2006. [As investigações da PF sobre as movimentações do clã Sarney vão além disso.]
Na conversa vazada para o repórter do Estadão, Sarney père et filstrocam figurinhas sobre o assunto. Às folhas tantas, depois que o primeiro diz ao outro que não tinha novidade sobre a existência do tal processo – “aquele meu negócio”, nas palavras de Fernando –, este informa que já teve notícia a respeito “do Banco da Amazônia”.
Ao que o pai responde de primeira: “É, né. Da Abin?” E ouve do filho: “Também.”
O resto é o resto.
Do telefonema não dá para deduzir se a Agência Brasileira de Inteligência teve a iniciativa de bisbilhotar um “negócio” de interesse dos Sarney para alertar o filho do homem de que algo se armava contra ele na Justiça, ou se foi um deles que pediu ao serviço que desse uma espionada no caso, no que teria sido prontamente atendido.
Não estivesse o recém-eleito 2º vice-presidente da Câmara, Edmar Moreira, escarrapachado no espaço nobre das páginas políticas, a história seria a principal do setor naquele sábado. Não só por causa da suspeita de que a Abin aprontou novamente, mas pelo provável exemplo de privatização de uma repartição do Estado a que não estaria alheio o grão “dinossauro” da política nacional, como a edição desta semana da revista britânica Economist se refere ao tetrapresidente (uma vez da República, três do Senado).
A leitura dos jornais de domingo foi, a esse respeito, agridoce. O Estado saiu com uma suite morna – “Caso Sarney deve ativar tese de controle externo da Abin –“, numa página dominada por texto e foto do escândalo do “dono de castelo”. [Os colegas, em geral, parecem achar que “castelão” quer dizer apenas castelo grande, quando quer dizer também dono de castelo.]
Mas de onde menos se esperava – da Folha, cujos laços insanáveis de amizade com o seu colunista cativo José Sarney são arquiconhecidos –, veio a revelação, obtida do mesmo grampo pelos repórteres Leonardo Souza e Felipe Seligman, de que “Sarney usou jornal e TV” para atacar a tchurma do desafeto da família, o governador Jackson Lago [que derrotou Roseana, a senadora filha do cacique maranhense, na eleição de 2006].
Os jornalistas Luiz Antonio Magalhães, já no domingo, Alberto Dines e Luciano Martins Costa, no dia seguinte, escreveram no Observatório da Imprensa o suficiente sobre a cena de coronelismo eletrônico explícito captada pelo grampo da Polícia Federal no telefone de Fernando Sarney – e a afinal surpreendente decisão da Folha de dar a matéria.
Mas e de agora em diante? Por ser quem é o patriarca da família Sarney e pelo conjunto da obra, como diriam os seus inimigos, a imprensa tem uma pauta “natural” para encarar. Amostra disso é a matéria “PF suspeita que esquema atuou no governo Roseana”, no Estado da segunda-feira, também do repórter Felipe Recondo, falando em possível “lavagem de dinheiro, fraude em licitação e desvio de recursos públicos” no período em que a senadora esteve no poder no Maranhão, entre 1998 e 2002.
Com perdão pela platitude, quanto mais espaçoso o figurão, maior a obrigação da mídia de revolver o comportamento dele e dos seus.
Esta semana, por sinal, o Maranhão estará na ordem do dia. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve terminar o julgamento do processo de cassação do governador Jackson Lago, iniciado em fins de 2008. Se a maioria votar com o relator Eros Grau, ele será destituído – e substituído pela senadora Roseana Sarney.
Uma história e tanto – que começa, mas evidentemente não termina no Maranhão
Mas o leitor que não corra a apostar o seu último centavo na dispoisção da mídia em aprofundar o seu olhar até aqui de relance no reino encantado dos Sarney. Nesta terça-feira, os espaços são para o velho oligarca minimizar o grampo do Estado a uma simples conversa "de pai para filho, que não tem absolutamente nada". Abin? "Não me lembro de ter falado em Abin."
Ele ainda se deu ares de estranhar a publicação das reportagens na semana em que voltou a presidir o Senado. Já no papel de crítico de mídia, disse que a matéria da Economist que chamou a sua eleição de "vitória do semifeudalismo" era "ruim para ela", por ter sido "de agressão pessoal, inclusive com muitas inverdades e até factuais".
Fonte: Observatório da Imprensa

Sobre lagartixas e dinossauros

Por Alberto Dines

Por que foi tão fácil liquidar a fatura com o deputado-corregedor Edmar Moreira (DEM-MG)? Em menos de uma semana, o ilustre desconhecido do baixo clero ficou conhecido nacionalmente como "Aos amigos tudo"; além disso, perdeu o cargo de corregedor, perdeu o de 2º vice-presidente da Câmara, vai perder a legenda (Democrata) e ainda corre o risco de perder o mandato.
A explicação para a vertiginosa velocidade padrão Primeiro Mundo está no seguinte cronograma: eleito na segunda-feira (2/2), Edmar Moreira fez as estapafúrdias declarações sobre o "vício insanável da amizade" na terça, O Globo deu chamada na primeira página da quarta-feira, no dia seguinte publicou (ainda na primeira página) a foto do castelo medieval e, na sexta-feira (6/2), o homem estava liquidado.
O Globo foi o autor da façanha. Parabéns efusivos. Mas sem a entrada da TV, Edmar Moreira e seus asseclas não teriam desistido tão facilmente. A TV Globo foi decisiva mas a imagem do castelo falava sozinha.
"Vontade editorial"
Pergunta que não quer calar: o imortal senador José Sarney (PMBB-AP) será abatido com a mesma determinação e facilidade?
A eleição para presidir o Senado (a terceira que ele ganha, em 14 anos) ocorreu na fatídica segunda-feira (2/2), até repercutiu no exterior (foi chamado de "dinossauro" pela mais importante revista de informações do mundo, The Economist), e no domingo (8/2) sofreu um abalo inédito: a Folha de S. Paulo, jornal onde escreve uma coluna semanal há quase duas décadas, publicou a transcrição de um grampo da Polícia Federal que flagrou o senador dando instruções ao filho Fernando, encarregado de gerir o império midiático da família, sobre como enfrentar o adversário Jackson Lago na TV Mirante.
Sarney era até aquele dia um intocável – não propriamente um pária indiano, mas um privilegiado marajá acima de qualquer suspeita ou denúncia. Mas a Folha não poderia recusar o generoso material oferecido pela Polícia Federal envolvendo uma das figuras mais importantes da República. Se o fizesse seria excluída do rodízio de distribuição de "primícias".
A Folha tem sido a campeã na luta contra o "coronelismo eletrônico" (a mafiosa distribuição de concessões de radiodifusão a parlamentares). E esta conversa entre os dois Sarney é talvez a prova mais contundente do "vício das concessões" que avilta o Congresso: o presidente do Congresso assume-se como dono da emissora e a utiliza em benefício dos seus interesses políticos.
A matéria da Folha provocou um certo frisson nos bastidores das redações: será que o jornalão vai, finalmente, obedecer ao que preconiza o seu manual e livrar-se de um dos colaboradores que mais comprometem a sua imagem?
A edição da Folha no dia seguinte (segunda, 9/2), foi decepcionante: nem uma linha sobre o grampo da PF, como se o jornal nada tivesse noticiado na véspera. O Estado de S.Paulo entrou no assunto com alguma vontade (pág. A-8), dificilmente agüentará sozinho. O Globo ficou de fora. Idem, a TV Globo.
Conclusão: Sarney não é Edmar Moreira. As semelhanças são apenas simbólicas. O império feudal do dinossauro maranhense não tem castelos e sem imagens espetaculares um caso desses fica difícil de explicar para o telespectador médio. A não ser quando há uma "vontade editorial" (expressão usada pelo ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva). Em 2002, quando a PF estourou uma empresa da sua filha e genro em São Luis (MA), as fotos da montanha de dinheiro tiveram efeito limitado – Roseana Sarney saiu do páreo presidencial, mas o caso foi encaminhado à justiça maranhense. Foram inocentados.
Bola-de-neve
Para abalar Sarney só um tsunami de grandes proporções. Sarney é um poderoso chefão, o capo da mídia brasileira. Além de afiliado da Rede Globo é o queridinho dos demais grupos de mídia eletrônica e dos respectivos coronéis interioranos. Foi ele, na condição de presidente da República, com a ajuda entusiasmada de Antonio Carlos Magalhães, seu ministro das Comunicações, quem começou a farta distribuição de concessões de radiodifusão a parlamentares. A pedido das grandes empresas de mídia, sobretudo eletrônicas, Sarney segurou ao longo de 14 anos a criação do Conselho de Comunicação Social. E quando o Conselho foi criado à sua revelia, deu um jeito para fechá-lo dois anos depois.
Sarney abalou-se com a matéria da Economist por vaidade. A imagem de dinossauro estraga a sua figura enfatiotada pelos jaquetões, confronta a imagem que tem de si mesmo. Além disso, não pode esquecer que a sua força começa no próprio quintal, por isso não pode dar trégua ao bando adversário.
Se a reportagem da Economist focalizasse com destaque o império midiático de Sarney ou a vergonhosa questão das concessões, a bola-de-neve poderia enfim rolar. No sexto parágrafo de uma matéria de oito, a aberração fica amenizada.
Edmar Moreira foi esmagado porque é apenas uma lagartixa. Sarney é um dinossauro. Vai sobreviver porque não é único.
Fonte: Observatório da Imprensa

A azia de Lula e a má digestão da imprensa brasileira

O jornalista Mair Pena Neto (ex-Globo, ex-JB, ex-Agência Estado), da Reuters, em artigo no site Direto da Redação sob o título "Da azia à má digestão" comenta a rancorosa reação da imprensa à declaração do presidente Lula, segundo a qual não lê jornais porque eles lhe dão azia. Uns tentaram desqualificar a ironia. Nenhum se propôs a refletir. Afinal, mesmo sem ler jornais, o presidente navega com aprovação de 80% da populaçao. Obama afirma que o Brasil é um líder mundial. A pesquisa Latinobarômetro aponta Lula como o iberoamericano mais bem avaliado, à frente de rei Juan Carlos. O Banco Mundial já colocou Lula entre os grandes líderes do mundo.É um equívoco tentar desqualificar o presidente Lula. A imprensa brasileira não tolera crítica. Mas, se o presidente não lê jornais e é considerado ainda assim um líder importante, alguma coisa está errada, não com o presidente, mas, com a imprensa. A azia de Lula provocou uma má digestão na imprensa, que acabou vomitando suas críticas habituais.
LEIA NA ÍNTEGRA
Fonte: Bahia de Fato

Ato da Frente Contra o Aumento na Câmara de Vereadores da Capital

Tem que fazer movimentos é em Jeremoabo/Bahia, onde os prefeitos irresponsavelmente tratam a coisa pública como se fosse uma bodega ou mesmo um postíbulo desorganizado, não tem dinheiro para pagar o funcionalismo que ficou empenhado em RESTOS A (não) PAGAR, mas tem dinheiro para dar aumento a SECRETÁRIOS, o que seria justo se o dono da prefeitura saldasse os débitos anteriores do funcionalismo, o que também não deveria acontecer por parte do ex, que a seu modo pagou apenas aos mais iguais.

Décadas de atraso

Marcelo Copelli


Já dizia Rui Barbosa, "a justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta". No Brasil, o Judiciário ainda se mostra de pés e mãos atados, sem a mínima disposição em dar um tom ágil e verdadeiramente competente às demandas. Dos Juizados Especiais aos grandes casos que provocam comoção nacional, a Justiça brasileira peca pela morosidade, pelo excesso de recursos, pela dificuldade da efetivação da sentença, entre outros.
Ontem, após 20 anos do naufrágio do Bateau Mouche, os sócios da empresa tiveram o pedido negado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao recorrerem de decisão que os condenou ao pagamento de pensão à família de vítima do naufrágio que deixou 55 pessoas mortas. A notícia carrega intrínsecos anos de atraso e um gosto amargo de revolta.
Décadas se passaram, a Justiça responsabilizou os donos da empresa, mas de recurso em recurso, usando de todas as medidas protelatórias, empurram a expectativa das famílias das vítimas para o buraco. A situação vexatória de processos semelhantes que se arrastam anos a fio é discutida diariamente nos quatro cantos do País. E cadê solução? O jogo do "empurra", a burocracia e os trâmites deixam tudo de perna para o ar. Quem consegue caminhar assim?
Fonte: Tribuna da Imprensa

Logo, a revogação da Lei Áurea

Carlos Chagas

BRASÍLIA - Continua valendo a máxima utilizada há décadas por mestre Hélio Fernandes: no Brasil, o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera. Sem mecanismos e, em especial, sem vontade política para impedir a cascata de demissões em massa que assola o País desde novembro, o governo deixa escapar para a imprensa a disposição de facilitar acordos coletivos capazes de reduzir jornadas de trabalho e salários. Tem horas que o palácio do Planalto sustenta ser da exclusiva atribuição de patrões e empregados o diálogo e as decisões sobre suas relações. De vez em quando, porém, muda de camisa e reivindica o papel de agente regulador dos entendimentos. O problema é que sempre atua, o governo, em favor da guilhotina, jamais do pescoço, isto é, cedendo sempre às imposições do capital contra o trabalho.
Por que estimular a redução de salários e da jornada diária ou semanal se fica evidente a maldade de obrigar um trabalhador a sobreviver com menos do que a merreca recebida no mês anterior? E o que adianta reduzir as horas de trabalho se a sombra do desemprego atinge sua própria atividade atual, quanto mais o sonho de usar o tempo livre em outro emprego?
Mas tem mais. Desde que a crise começou, apenas o ministro do Trabalho levantou-se em defesa da obrigação de bancos e grandes empresas comprometerem-se a não demitir, quando usufruem planos e programas de doação de bilhões de reais do Tesouro a título de recuperação de seus próprios erros e de sua ambição desmedida - causas do caos que hoje domina a economia. Sobre essa contrapartida, nem uma palavra oficial, a não ser que se considere como tal o pito passado em Carlos Lupi pelo presidente Lula.
Do jeito que as coisas vão, logo o governo dito dos trabalhadores mostrar-se-á simpático também a outras propostas em gestação adiantada nas cúpulas do empresariado: a extinção do décimo-terceiro salário, das férias remuneradas e das indenizações por demissão sem justa causa. Logo chegarão à revogação da Lei Áurea.
Para boi dormir
Ninguém entendeu a iniciativa dos ministros José Múcio e Tarso Genro de entregar aos presidentes da Câmara e do Senado sete propostas de projeto de lei e uma de emenda constitucional estabelecendo a reforma política fatiada. Primeiro porque já tramitam ou dormem nas gavetas do Congresso iniciativas parecidas. Depois porque batem na mesma tecla, de obter a extinção dos pequenos partidos e de favorecer as cúpulas partidárias. Tome-se a votação apenas nas siglas, nas eleições para deputado federal, deputado estadual e vereador. O eleitor não votaria mais no seu candidato preferido, mas no partido. Os caciques preparariam as listas, obviamente que se colocando nos primeiros lugares, garantindo a vitória até sem fazer campanha, enquanto a renovação ganharia a estratosfera. Os jovens, os mais novos, aqueles sem tradição partidária iriam para o fim da fila, ou seja, ainda contribuiriam com seus votos para a eleição dos velhos.
Na proposta oficial sobressaem outras aberrações, como a cláusula de barreira e o financiamento público das campanhas. Em vez de estabelecer punições imediatas para quem se utilizar do poder econômico para eleger-se, sugerem a distribuição de recursos públicos para os candidatos através dos dirigentes partidários. Será aquela divisão que o leão fez da carcaça da zebra entre seus amigos, a hiena e a raposa. A maior parte, ou até a parte inteira, para ele. Acresce que num período de crise onde recursos públicos são destinados para salvar bancos e empresas falidas, onde falta dinheiro para escolas, hospitais e estradas, como justificar sua existência para a eleição de políticos? Mais um argumento, apenas: o financiamento público impedirá gastos por debaixo do pano?
Pobres prefeitos
Qual o saldo da reunião de quase 4 mil prefeitos em Brasília, ontem e anteontem? Os que não conheciam, conheceram a capital federal. Os que jamais usaram terno e gravata obrigaram-se a tanto. Os que ainda não haviam visto o presidente Lula ao vivo deliciaram-se, mesmo de longe, com os improvisos do companheiro-mor e suas diatribes permanentes contra a imprensa. Ainda tiveram direito a ver de perto a mãe do PAC, Dilma Rousseff, mesmo em certos períodos sonolenta e desinteressada.
É claro que os prefeitos também souberam que as dívidas de seus municípios com o INSS serão esticadas por vinte anos e que as obras do PAC continuarão, mesmo à custa de batons e de manicures.
Valeu a pena terem os alcaides enfrentado filas de até três horas para ingressar no auditório do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, expostos a um sol de rachar entremeado com chuvas para ninguém botar defeito? Poderiam ter tomado conhecimento dessas boas novas pelos jornais, o rádio ou a televisão. De qualquer forma, chegando a partir de hoje em suas cidades, não haverá um só que deixe de alardear aos eleitores haver trocado impressões com o presidente Lula e seus ministros, sendo que o chefe do governo até perguntou pela saúde de dona Maria e seus pimpolhos, não deixando de cumprimentá-lo pela já iniciada recuperação do posto de saúde.
Dupla dinâmica
Importa menos saber quem é o Batman e quem é o Robin, mas a verdade é que José Sarney e Michel Temer agem como nova dupla dinâmica na defesa das prerrogativas parlamentares. Acertaram trocar informações e ideias permanentes sobre a pauta diária dos trabalhos em cada casa do Congresso. Mais ainda, selecionarão o que deve ser votado na Câmara e no Senado, prioritariamente, para evitar a superposição de tarefas. Lutarão também contra o inimigo maior, as medidas provisórias, ignorando-se apenas se elas vestem o fraque do Pinguim ou a fantasia do Charada. Pode ser que dê certo, mas desde que tenham aposentado o Alfred, pois corre em Brasília que ele mudou de lado e, para substituir a Batcaverna, construiu um castelo de 36 suítes, oito torres, vinte salas de jantar e piscina com cascata...
Fonte: Tribuna da Imprensa

Imobiliárias, bancos, fabricantes de carros ganharam fortunas, ainda recebem compensação

Helio Fernandes

Não há dúvida: como presidente, Lula foi o que mais se projetou no exterior e consequentemente elevou o nome do País. FHC errou muito como presidente, mas errou mais ainda como analista, o que não chega a ser surpreendente.
Previsão, constatação ou adivinhação de FHC sobre o período Lula: "Ele não poderá viajar, seu grande fracasso será lá fora, com quem irá conversar se não fala nem português?"
Apesar dos 84 por cento de popularidade interna, a grande vitória de Lula é precisamente onde FHC duvidava. Lula tem um carisma fantástico, FHC com todo o seu aparato está longe disso.
Isto não é elogio e sim reconhecimento. Reis, rainhas, presidentes e primeiros-ministros querem se aproximar de Lula, conversar com ele. Por isso, Lula passa uma parte enorme do seu tempo viajando, respeitado por todos.
Não dará para eleger ninguém na sua trilha, sabe disso melhor do que ninguém. Mas se houver chance do terceiro mandato seguido, vencerá no primeiro turno.
Serrando os possíveis adversários. Mas não conseguirá domá-los ou dilmá-los, sejam eles quais forem. E o PT-PT, se não houver mais chance para Lula, vai se REVOLTAR. Para a sucessão de 2010, como aconteceu agora no Senado.
Antes do futuro de Lula ser definido, o PT-PT também ficará indefinido e indefinível. Só se definirá quando Lula não tiver mais chances de Poder. É a conduta e o comportamento dos subservientes.
O ex-Bush fez um pacote de 700 BILHÕES, ninguém descobre como será gasto. É muito dinheiro, não se sabe de onde vem e para onde vai. Todos acreditam que irá (o dinheiro) para bancos e as Gutierrez, Odebrecht e Camargo Corrêa de lá.
Depois desses 700 BILHÕES, veio outro pacote, de Obama, calculado em 825 BILHÕES. O Congresso aprovou 819, os jornalões da Matriz e da Filial retumbaram: "Obama já não está tão prestigiado".
Mas não é só isso. Obama falou ontem mesmo, "vou liberar 2 TRILHÕES para os bancos". Mas os bancos não são os tesouros maravilhosos do mundo? Não acumularam fortunas, sem perder nada a vida inteira?
Bancos, automobilísticas, estaleiros e imobiliárias não ganharam fortunas, sem o menor susto? Uns cobravam superjuros, outros ganhavam o normal, e o anormal, com superfaturamento. Por que favorecê-os, beneficiá-los, privilegiá-los?
E o próprio Obama, afirmou inacreditavelmente: "Esse dinheiro servirá para que os bancos não TOMEM AS CASAS DAQUELES QUE NÃO PODEM PAGAR AS HIPOTECAS". Mas não foi nesse setor que tudo começou?
A irresponsabilidade de executivos de bancos poderosos, médios ou pequenos "alavancou" a crise financeira que teria que se transformar em econômica, como já é mais do que visível.
Esses Executivos pagavam fortunas a eles mesmos e ainda são anistiados? Não foi o próprio Obama que "limitou" bonificações a 500 mil dólares por ano, fora os salários? É muito dinheiro.
Até a explosão da roubalheira, só os salários dos atletas eram revelados. Mas estes pelo menos davam espetáculo, tinham suas vidas devassadas.
Esses executivos de bancos, imobiliárias, montadoras, fabricantes de carro, estaleiros, ganhavam fortunas colossais num tempo mínimo. Continuam ganhando.
Isto não é OTIMISMO ou PESSIMISMO e sim REALISMO. Não querem salvar o capitalismo com essa forma de Socialismo que não foi sonhado por Marx ou Trotsky?
PS - Pois então transformem em ações todo o dinheiro que estão DANDO ou DOANDO aos próprios exploradores. O presidente Lula tem a oportunidade de FAZER o que americanos e europeus não FAZEM, criar a "BOLSA-AÇÃO PARA O POVO".
PS 2 - Lula não fará. Está tão satisfeito com tudo, que fica assustado só com a sugestão de mudar a favor da coletividade. Uma pena e um lamento.
Fonte: Tribuna da Imprensa

Para FHC, Lula faz campanha aberta para eleição de Dilma

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "está em campanha" e repetiu quatro vezes, em dez minutos de entrevista, que "a lei não permite." "Nós (do PSDB) estamos seguindo a lei. Talvez, se o presidente Lula continuar forçando antecipar a eleição, vamos ter que pedir autorização ao Tribunal (Superior Eleitoral). Porque não pode, simplesmente não é o momento de lançar", reclamou.
Ele reconheceu, porém, que o tempo de seu partido para a escolha de um candidato "está encurtando". "Todo mundo sabe quais são os candidatos possíveis (do PSDB), são dois, de Minas e de São Paulo. A minha posição é dar tempo ao tempo. Mas como o Lula está precipitando, então o nosso tempo está encurtando. Mas é preciso ver a lei. É uma loucura o que está acontecendo, fazer campanha nesse momento", criticou.
Fernando Henrique fez o comentário após ser indagado sobre declaração de Lula, terça-feira, diante de cerca de 3.500 prefeitos, em Brasília. Na ocasião, o presidente, sem citar o governador José Serra (PSDB), dirigiu-se ao prefeito Gilberto Kassab (DEM) e afirmou que o Estado mais rico do País tem 10% de analfabetos. "Kassab, você vai cair da cadeira. Você não sabe e eu não sabia, mas no Estado de São Paulo ainda temos 10% de analfabetos. O Estado mais rico da federação", disse Lula.
"Nem sei se o dado é certo", comentou Fernando Henrique, antes de começar a acusar o presidente de fazer campanha para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, possível candidata do PT em 2010. "O presidente já está com a candidata andando pelo Brasil todo, está precipitando, mas a legislação não permite. Não sei como vamos sair dessa. Porque ele, como é presidente, faz o que quer. E nós, se começarmos a lançar candidato agora, vem processo em cima, porque é contra a lei", declarou. "Não quero entrar em campanha, quero respeitar a lei. Existe um calendário."
Fernando Henrique afirmou que "em princípio" não é contra a realização de prévias no PSDB, "desde que haja uma prévia verdadeira". "Quem é que vai cadastrar? Quem tem direito a votar? Não são coisas simples." Sobre o fato de o seu partido ter rachado em relação à liderança na Câmara, o ex-presidente declarou: "Conversei com alguns deles. É uma questão local Me importa muito mais que posição vão tomar. O que eu pedi a eles é que tomassem posição política com relação ao Brasil, ao governo, ao futuro. Em vez de brigar internamente, que briguem para fora."
O ex-presidente participou, no Rio, da abertura da 3ª Reunião da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia.
Fonte: Tribuna da Imprensa

Lula avaliará Dilma em seu reduto, o Nordeste

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveita a viagem que fará hoje ao semiárido como laboratório para avaliar, no seu tradicional reduto eleitoral, a performance da sua candidata ao Planalto em 2010, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Com a "mãe" do PAC a tiracolo, ele sobrevoa um trecho das obras da ferrovia Transnordestina, incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em Salgueiro, no sertão pernambucano.
Lula e Dilma sobrevoam as obras da BR-101, também incluídas no PAC, no Recife. Depois, o presidente visita o projeto de criação de peixes no porto da capital e estará em Ceará Mirim, no Rio Grande do Norte, onde lança uma linha de microcrédito do Banco do Brasil. Dilma não o acompanha na viagem ao Rio Grande do Norte.
É lá, lembram pessoas próximas dele, que está um exemplo da força das "novas matriarcas", mulheres de temperamento forte, sem tato político e que ganharam fama de administradoras rigorosas - não necessariamente de grandes famílias. Popular no interior potiguar e inexpressiva no Congresso, a senadora Rosalba Ciarlini é a aposta do rival DEM para o governo do Estado. Péssima de discurso, Rosalba fez fama no comando da Prefeitura de Mossoró.
Numa época em que motocicletas substituíram os jegues, as casas de internet se proliferaram nas cidades com problemas de abastecimento de água e as antenas parabólicas foram incorporadas à paisagem da caatinga, candidatas com algumas características das históricas mulheres nordestinas fazem a diferença, avaliam assessores do Palácio do Planalto.
Dilma Rousseff tem o perfil das mulheres determinadas que fascinam o presidente, lembram pessoas próximas dele. Assessores do governo, avaliam que o comportamento "firme" de Dilma não será recebido como prepotência ou distância pelo eleitorado do semiárido, mas como o de uma "mãe" exigente e austera. A ministra é considerada dura no trato com seus auxiliares.
O ministro de Relações Institucionais, José Múcio, um dos assessores do presidente que mais conhecem o eleitorado nordestino, diz que, apesar da falta de experiência nas urnas, Dilma vai surpreender na região. Ele avalia que os novos tempos no semiárido acabaram com a história de que os "machões" só votam em homens. "Ela é o rosto do trabalho; o nordestino é apaixonado por pessoas assim", afirma. "Ela não rodeia, é direta, é um nome novo e não copia ninguém", completa. "Em 2002, o presidente também era uma figura nova na política."
Diferenças
"A matriarca do Nordeste é a suplente do homem que viaja; ela tem grande capacidade de gerir os negócios sem o apoio masculino", diz a ensaísta e escritora Heloisa Buarque de Hollanda, que publicou o estudo "Matriarcas do Ceará - D. Fideralina de Lavras", um pequeno clássico das relações humanas no Nordeste, em parceria com Raquel de Queiroz.
Heloisa pondera que é preciso entender que entre Dilma, uma "poderosa", e as mais lendárias matriarcas nordestinas existe uma diferença de tempo, de um ou dois séculos. A diferença de tempo cria situações diferentes. "As matriarcas faziam parte de uma lógica patriarcal, não mudavam a relação homem e mulher, e eram voltadas para a família e para o seu pequeno mundo", explica. "A mulher moderna é voltada para o mundo, vai à luta", completa. Heloisa observa, porém, que as matriarcas têm muitas características que são encontradas no perfil das mulheres modernas, tanto que essa nova mulher se torna imbatível na gerência de bancos, observa. "É uma questão de tomada de poder, ela toma a palavra, isso é uma tradição brasileira."
Onde Dilma nasceu, Minas Gerais, o sertão está quase todo urbanizado. Foi lá que reinou nos tempos do Brasil colônia a matriarca Joaquina do Pompéu, mulher que aumentou o espólio da família e controlou com mão de ferro criados e parentes.
As matriarcas do antigo sertão mineiro e do velho e novo sertão nordestino são descritas nos romances e filmes sofisticados e na literatura de cordel como mulheres de temperamento forte, administradoras enérgicas, com capacidade para gerir e influenciar grupos. Muitas delas enfrentaram a tortura e a prisão. Criaram sozinhas os filhos e se tornaram poderosas sem ajuda de marido. Mas não são consideradas grandes estrategistas políticas.
Fonte: Tribuna da Imprensa

No Litoral Norte, a barra mansa do Itariri

Por Nelson Rocha
No Litoral Norte, no território do município do Conde, km 135 da Linha Verde, a 160 km de Salvador, o viajante sai do asfalto e entra numa abandonada estrada de seis quilômetros que vai sair numa vila de aproximadamente 1.500 pessoas, entre nativos e passantes que resolveram ficar definitivamente. Todos são testemunhas diárias do encontro do rio Itariri, nascido na cidade de Esplanada, que chega serpenteando pelo manguezal para abraçar o mar. Na Boca da Barra moradores e visitantes se reúnem para se banhar preferencialmente na água salobra, como que esnobando o oceano que banha um dos mais deslumbrantes recantos da costa baiana, cenário do filme Tieta do Agreste. O caminho que pode ser percorrido de ônibus ou automóvel fica para trás quando desponta a aconchegante e deslumbrante Barra de Itariri - que em Tupy-Guarany quer dizer pedra que rola-, paisagem de pura beleza natural e habitante crestados do sol. A partir do primeiro contato com qualquer um deles, percebe-se imediatamente que além da sensação de estar num paraíso, aflora o prazer de ser bem acolhido. Há oito anos, o paulista Roberto Carlos Amaral descobriu este encantador destino, através de propaganda na televisão “que dizia venha para a Bahia, melhor pra trabalhar, melhor pra viver. A gente acreditou e já viemos pra cá com a intenção de montar alguma coisa”. O resultado da permanência é a bem situada pousada Bela Vista, a única com lan-house e uma das seis do pacato lugarejo, que também tem um camping de 11.300² de terreno arborizado próximo ao mar, violência zero e culinária dez. São vários os restaurantes com cardápio básico de frutos do mar e galinha caipira. Na praia, a comunidade aproveita o movimento dos fins de semanas para oferecer moqueca de aratu, crustáceo pego pelas mulheres que os atraem pelo assobio em caminhadas no mangue e é oferecido temperado em folha de banana ou na palha do coqueiro, por apenas R$ 1,00. O bar e restaurante Boca da Barra anunciam “a melhor moqueca do litoral norte”, conforme sustenta com satisfação o empresário e vereador Edson Artcouro, nascido em Alagoinhas onde era camelô de produtos de couro até descobrir Barra de Itariri nos anos 80. Hoje gosta de ir para a cozinha preparar um peixe ao molho de camarão, o prato mais pedido servido ao custo R$ 48, e que satisfaz até a três bocas famintas.
Uma vila carente de infraestrutura
A vida na ex-aldeia de pescadores surgida entre coqueiros gravita em torno da beira do Rio Itariri. Aos sábados acontece a feira das confecções e nos dias seguintes a doce rotina de sempre. Os jovens, entretanto, queixam-se da falta de oportunidades enquanto os turistas só falam dos momentos agradáveis. “Aqui está muito carente das coisas. Barra de Itariri deveria ser um pouco mais olhada e observada. Agora que começaram a fazer um posto médico bacana, mas a nossa estrada é o pior acesso do litoral, não temos pracinhas, quadras...”, lamenta o salva-vida e pedreiro Júnior, 25, para quem “preservar o lugar é fundamental” e “se o turismo não chega, não entra verba, não melhora a vida de ninguém”. O aposentado Luiz Carlos Nascimento, 52, mora em Salvador, mas desde o final do século passado freqüenta a Barra de Itariri. Quando não fica na casa do tio aluga uma como a última, de quatro quartos e com tudo dentro, para uma temporada de quinze dias por R$ 500. O mesmo imóvel na semana do carnaval custa R$ 2.000. “Recomendo que as pessoas venham aqui conhecer, tirar muitas fotos, filmar, ajudar a preservar. É show de bola”, confirma. A nativa dona-de-casa Marisol Maciel dos Santos, 26, concorda com a visão do morador temporário, entretanto clama “por uma boa pista, por que esta é horrível e as pontes estão acabadas”, referindo-se a estrada de barro, e pede “trabalho por que o povo aqui se vira nos restaurantes e na roça”. Saulo Leite, 22, filho do mestre cuca Artcouro, é da opinião que muita gente não vai a Barra de Itariri por causa da precariedade do acesso, porém acredita que dentro em breve a estória será outra. “Estão fazendo a licitação para aumentar e compactar a estrada, que irá daqui até Siribinha, um povoado que fica a 40 quilômetros. Depois que a estrada sair as coisas começarão a melhorar. Muita gente vai investi aqui por isso. Mas vai mudar”, garante o herdeiro do edil. Que o futuro não tire a paz do pôr-do-sol e das noites de luar da Barra de Itariri refletidas nas dunas da Lagoa Grande, cuja trilha é uma das mais exploradas por quem aí chega e não quer mais partir. E que a pedra continue rolando.
Fonte: Tribuna da Bahia

O silêncio de mais uma vítima dos Ba-Vis

O corpo inerte na cama da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital da Cidade, na Caixa D’Água, retrata a história de uma tragédia de um futebol que deveria ser feito apenas de festa. O coma do jovem E.S.M., de apenas 17 anos, causado por um traumatismo craniano, impede que ele mesmo relate o ocorrido. Mas, o pai do adolescente, o policial Raimundo Marques, 47, garante que o filho foi espancado na saída do Ba-Vi, no Estádio Barradão, por torcedores de uma torcida organizada do Vitória. Segundo Marques, o filho dele foi ao estádio com amigos e um vizinho. “Na hora de ir embora, ele teve o desacerto de pegar a torcida do Vitória subindo”, comentou. “Foi o arrastão do Barradão. Eles não perdoam ninguém no arrastão do Barradão. Sempre existiu isso e ninguém vai acabar”, completou o pai do adolescente, que mora na Fazenda Grande do Retiro. O policial afirmou que o filho foi ao estádio sem camisa de nenhum clube ou torcida organizada. Mesmo implorando para não apanhar e afirmando torcer para o Vitória, clube de seu coração, E.S.M. foi agredido com socos, pontapés e pedradas. “E esse foi o primeiro Ba-Vi dele, ele me falou que iria porque este seria o Ba-Vi da vida dele”, lembrou Marques com os olhos lacrimejados. Após sofrer as agressões, o torcedor do Vitória ficou desacordado na entrada do Barradão. Com traumatismo craniano e afundamento do crânio, deu entrada no Hospital Roberto Santos às 22h40min de domingo. Durante a madrugada, foi transferido para o Hospital da Cidade, onde passou por uma cirurgia de mais de três horas, na segunda-feira, para tirar um coágulo e estancar a hemorragia. “Ele está totalmente em coma. Não ouve, não fala, não se mexe. Apenas respira e, por aparelho”, lamentou o pai. O caso foi denunciado à reportagem da Tribuna da Bahia por um integrante da Torcida Organizada Bamor. Segundo ele, houve ainda agressões da sua torcida à torcida rival no caminho de volta, no bairro de São Rafael, onde um integrante da Torcida Uniformizada Os Imbatíveis também foi espancado. “Nosso objetivo não é esse. A diretoria, inclusive, condena isto e quando sabemos do caso tentamos identificar as pessoas e expulsá-las da Bamor. Só queremos apoiar o Bahia, como fizemos no domingo”, afirmou sem querer ser identificado. Como não estava presente no Barradão no domingo, Raimundo Marques não confirma qual torcida organizada do Vitória teria provocado o “arrastão”. “Não posso dizer com toda certeza qual foi, mas só tem uma lá que ‘arregaça’, não existe outra”, disse. Por outro lado, um diretor de Os Imbatíveis, maior torcida organizada do Vitória, diz desconhecer a agressão. “Isso é novidade para a gente. Nós procuramos o máximo evitar essas coisas. Quando descobrimos, procuramos saber mesmo se é um integrante da torcida, se é associado e aí punimos eles”, comentou salientando que a torcida organizada foi escoltada durante todo o período pela Polícia Militar. (Por Raphael Carneiro)
Três torcedores já morreram por brigas entre torcidas
O caso do adolescente E.S.M. não é o primeiro grave a acontecer no futebol baiano. A lista negra da rivalidade, cada vez mais perigosa, entre as torcidas de Bahia e Vitória se iniciou em 2006. De lá para cá, já foram três mortes que mancharam o futebol baiano e entristeceram famílias. A primeira morte ligada à brigas entre as duas maiores torcidas do Estado, Bamor e Os Imbatíveis, aconteceu em 12 de abril de 2006. Depois do jogo entre Vitória e Cruzeiro pela Copa do Brasil, Hermílio Ribeiro Júnior, integrante da torcida do Vitória, sofreu uma emboscada em Pernambués e acabou falecendo dez dias depois no Hospital Roberto Santos. A morte foi ligada a possíveis integrantes da Bamor. Em 2007, dois torcedores perderam a vida em um Ba-Vi realizado no dia 11 de fevereiro, também no Barradão. Antes do jogo, o pedreiro Luiz Carlos Vítor Pereira, 41 anos, casado e pai de uma menina de quatro anos, foi agredido com um soco no rosto por torcedores do Bahia e não resistiu aos ferimentos. Ao término da partida, torcedores do Vitória seguiram um ônibus da torcida adversária e armaram uma emboscada na BR-324. O aposentado Pedro Sales Silva, 41, deficiente físico, não conseguiu correr e foi apedrejado, também vindo a óbito. No ano passado, o integrante da Bamor Adelmare dos Santos Júnior, 20, levou um tiro nas proximidades da Escola de Engenharia Eletromecânica da Bahia, no bairro de Nazaré. Com alguns amigos, ele se preparava para assistir o jogo do Bahia contra o Grêmio Barueri, pela Série B do Campeonato Brasileiro, quando foi surpreendido por supostos integrantes da Torcida Uniformizada Os Imbatíveis. (Por Raphael Carneiro)
Ministério Público pode punir organizadas por agressões
Aprender bons exemplos e refutar hábitos errados são frases comuns na vida de toda criança. Desde pequenos, pais e avós costumam educar seus pupilos de forma a evitar que os menores cresçam e reproduzam os maus comportamentos aprendidos fora de casa. Se a cidade de Salvador fosse uma criança, os episódios ocorridos no Estádio Manoel Barradas, no último domingo, durante o primeiro Ba-Vi do ano, demonstrariam que a capital baiana tornou-se uma menina mal-educada. Informado pela equipe de reportagem da Tribuna da Bahia sobre o estado de saúde do adolescente de 17 anos - internado no Hospital da Cidade após ter sido espancado na porta do Barradão depois do clássico baiano - o promotor de Justiça, José Renato Oliva, membro da Comissão Nacional de Prevenção à Violência nos Estádios, afirmou que as consequências da agressão dependem do decorrer das investigações. “Se ficar comprovado que a agressão foi provocada por uma torcida organizada, iremos tomar providências contra essa associação”, afirmou Oliva. De acordo com o Código Civil Brasileiro, é plena a liberdade de associações para fins lícitos. No entanto, o cometimento de atos ilícitos por parte de qualquer associação, como agressões, no caso das torcidas organizadas, pode resultar na suspensão ou extinção das mesmas por parte da Justiça. Para o pai de E.S.M, Raimundo Marques, a solução para acabar com atos de violência nos estádios seria a proibição de torcidas visitantes em dias de clássicos, como sugeriu o diretor de futebol do Bahia, Paulo Carneiro. “Espero que com esse episódio de meu filho, a ideia de Paulo Carneiro seja aceita, ou até uma outra melhor. Se a opinião dele tivesse prevalecido, meu filho não estaria aqui no hospital hoje. Por isso, espero que as autoridades deixem a vaidade e a ambição de lado. Se não existir um homem nesta terra, isso vai se repetir de novo em Pituaçu”, lamentou. (Por Vanessa Alonso)
Fonte: Tribuna da Bahia

Dois ex-prefeitos baianos são condenados pelo TCU

Redação CORREIO
O Tribunal de Contas da União (TCU) condenou nesta quarta-feira (11) dois ex-prefeitos baianos. Jediael Veiga Morais, ex-gestor de Ibucuí, foi condenado a pagar R$ 30.333,33, por não ter prestado contas de recursos recebidos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para garantir, supletivamente, a manutenção de escolas públicas municipais e municipalizadas que atendessem mais de 20 alunos no ensino fundamental.
O tribunal também multou o ex-prefeito em R$ 5 mil e autorizou a cobrança judicial das dívidas. O relator do processo foi o ministro José Jorge.
O outro ex-prefeito condenado foi Osmar Rodrigues Torres, do município Central. Torres foi condenado ao pagamento de R$ 228.924,83, valor atualizado, por não ter prestado contas de recursos recebidos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para implantar o Programa de Apoio à Educação de Jovens e Adultos.
O ex-prefeito também foi multado em R$ 20 mil. O relator do processo foi o ministro Marcos Bemquerer. Ainda cabe recurso das decisões.
De olho da BahiaNesta terça-feira (10), o TCU condenou quatro gestores municipais (entre prefeitos e ex-prefeitos) baianos a pagarem multas e prestarem esclarecimentos após constatar irregularidades nas contas públicas das cidades de Várzea da Roça, Itabuna, Pé de Serra e Alagoinhas.
Veja também:TCU condena ex-prefeitos a pagarem multas por ilegalidades
Fonte: Correio da Bahia

Aeroporto de Ilhéus volta a operar sem restrições nesta sexta (13)

Redação CORREIO
O Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, deverá voltar a funcionar normalmente a partir desta sexta-feira (13) - pelo menos foi o que prometeu o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao governador Jaques Wagner.
A liberação acontece depois de quase 6 meses de restrição. Os obstáculos apontados pelos técnicos do DAC foram solucionados - o pavimento de um hotel que fica na cabeceira da pista chegou a ser demolido.
Segundo a assessoria de comunicação do governo, o Departamento de Aviação Civil (DAC) deverá emitir uma Nota Técnica de Aviação (NTA) nesta quinta, com novos parâmetros para orientar companhias aéreas e pilotos sobre o aeroporto. Agora, será permitida a aproximação por instrumento das aeronaves até 1.500 pés. A regra vale para vôos noturnos ou diurnos
Fonte: Correio da Bahia

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