|
.A edição do jornal O Paiz de quinta-feira, 9 de abril de 1908, estampou na primeira página a notícia da fundação, dois dias antes, de uma associação de imprensa. Entre seus objetivos estavam criar e manter uma caixa de pensões e auxílios para os sócios e suas famílias; oferecer assistência médica e farmacêutica; e manter, no centro da cidade do Rio de Janeiro, uma sede social com biblioteca, salões de conferência e espaços de convivência para profissionais de imprensa. A primeira diretoria era formada por Gustavo de Lacerda, seu fundador e idealizador, Francisco Souto e Luiz Honório, entre outros.
Hoje, 7 de abril de 2026, celebramos com orgulho os 118 anos de criação daquela que viria a se tornar a Associação Brasileira de Imprensa (ABI). O prédio-sede, sonho desde a fundação, só se concretizaria trinta anos depois, em 1938, durante a presidência de Herbert Moses, que dá nome ao edifício — projetado pelos irmãos Marcelo e Milton Roberto e hoje considerado uma referência da arquitetura moderna brasileira.
Ao longo de sua trajetória, grandes nomes do jornalismo brasileiro integraram o quadro de associados da ABI, e muitos deles assumiram, com firmeza e coragem, a liderança da entidade em momentos desafiadores da conjuntura nacional. Entre eles, destacam-se Prudente de Morais Neto, com atuação decisiva no enfrentamento à ditadura, e Barbosa Lima Sobrinho, que lutou pelo fim do regime militar, pela anistia, pelas Diretas Já e deu início ao impeachment de Fernando Collor. Barbosa destacou também na defesa da soberania nacional, contra os contratos de rico e as políticas de privatização.
Mulheres jornalistas, hoje ampla maioria nas redações, também deixaram sua marca na história da entidade e no exercício da profissão, com atuação pioneira. Entre os nomes de destaque estão, por exemplo, Ana Arruda Callado — jornalista, escritora, educadora e a primeira mulher a chefiar a redação de um jornal no Brasil — e Maria Ignez Duque Estrada, que iniciou sua trajetória na imprensa quando a presença feminina nesses espaços ainda era incomum. No card desta edição, escolhemos Ana Arruda e Maria Ignez como símbolo da presença feminina nas redações e nas lutas de nossa profissão. As duas também tiveram presença de destaque na ABI. Ana, aos 88 anos, continua presente.
Além de marcar a fundação da ABI, o 7 de abril é também o Dia do Jornalista. A data homenageia Líbero Badaró, defensor da liberdade de imprensa, assassinado em 21 de novembro de 1830 por adversários políticos. O crime agravou a crise no Império e contribuiu para a abdicação de D. Pedro I em 7 de abril de 1831. Em 1931, um século depois, a ABI instituiu o 7 de abril como o Dia do Jornalista, reafirmando a luta de Badaró pela liberdade de expressão.
Desde sua fundação, a ABI se destacou — e continua a se destacar — como um baluarte da defesa da democracia, da liberdade de expressão, dos direitos humanos e da liberdade de imprensa. Esses princípios permanecem centrais na vida da entidade.
Por isso, apesar de dos tempos difíceis de precarização de nossa profissão, a ABI aproveita o 7 de abril para reafirmar seu lema em 2026: “Compromisso com a Verdade. Resistência Democrática. Defesa da Soberania”. Essas bandeiras ganham importância especial neste ano marcado por eleições gerais em que a democracia estará novamente em jogo em nosso país. A ABI estará como sempre ao lado das forças progressistas, dando combate às correntes reacionárias de direita e extrema direita.
Democracia Sempre! Ditadura nunca mais!
Octávio Costa
Presidente da ABI