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Brasil cresce à noite, quando a classe dirigente dorme e não consegue atrapalhar…

Charge do Bira (Arquivo Google)
Carlos Newton
O Brasil não caminha para o abismo, porque é um país muito grande, não cabe dentro do buraco e consegue crescer um pouco à noite, quando os dirigentes dos Três Poderes estão dormindo e não atrapalham. O maior problema é a classe dirigente, com uma elite ignorante, gananciosa e insaciável, que apodrece os três poderes e aumenta cada vez mais a desigualdade social, sem que ocorra uma necessária e vigorosa reação a essa disparidade.
Basta citar o espantoso fato de que não há protestos realmente incisivos contra os penduricalhos ilegais nem contra o sistema desumano de reajuste, que confere o mesmo percentual a quem ganha um salário mínimo ou recebe o teto, algo inacreditável, inviável e inaceitável.
REAJUSTE PERVERSO– Os números não mentem e exibem às escâncaras o progressivo aumento da desigualdade social. Os reajustes têm o mesmo percentual para todas as categorias, acertados entre patrões e empregados, via negociação sindical, e o mesmo sistema vigora no serviço público.
Assim, quando há um aumento de 10%, por exemplo, o funcionário de salário mínimo (R$ 1.621,00) passa a ganhar mais R$ 162,10, ao receber R$ 1783,10 mensais. Já o servidor que recebe o teto (R$ 46.366,19) sem penduricalhos, que é coisa rara), tem reajuste de R$ 4.636,20, e sobe para R$ 51.002,38.
É um sistema nada republicano ou democrático, absolutamente perverso, impiedoso e desumano, porém não se vê nenhuma reação contra isso.
PRECISA MUDAR – É óbvio que a situação tem de mudar. O distanciamento entre ricos e pobres precisa diminuir. Os reajustes salariais têm de ser maiores para quem ganha o mínimo e menores para quem recebe o máximo – é uma necessidade lógica, óbvia e gritante.
A sistemática de reajustes iguais para todos é idiota, cruel e suicida. Estamos criando uma sociedade em que a riqueza absoluta tenta conviver com a miséria absoluta, mas isso “non ecziste”, diria o piedoso Padre Quevedo, não se misturam, são como água e óleo.
A desigualdade social crescente e irrefreável gera consequências funestas, como o aumento da criminalidade, movido pela corrupção e pela revolta dos desvalidos. Por isso, vivemos num clima de total insegurança. As pessoas têm medo de sair às ruas; preferem uma vida desprezível, agarram-se aos celulares e computadores como se fossem boias salvadoras.
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P.S. – Desculpem a exasperação. Esse assunto é tabu, ninguém ousa criticar a desumanidade com que os pobres são tratados pela sociedade dominante, digamos assim. Agora mesmo, saiu a notícia de que a Câmara de SP gasta R$ 14,3 milhões com ‘benefício nutricional’ para servidores aposentados. Enquanto isso a patuleia ganha alguns benefícios sociais, para não morrer à míngua, mas está impedidos de evoluir socialmente, porque falta o essencial – salário digno, educação de qualidade e assistência médica eficaz. A imprensa não toca no assunto, é como se a desigualdade ainda não tivesse fugido ao controle, embora já esteja completamente descontrolada. Mas quem se interessa?
Nota da Redação Deste Blog -
EDITORIAL: O País dos "Mais Iguais" – A Perversidade dos Reajustes e o Silêncio da Elite
Existe uma frase famosa que diz: "O Brasil cresce à noite, enquanto a classe dirigente dorme e não consegue atrapalhar". Infelizmente, ao amanhecer, a realidade que encontramos é a de um país desenhado para manter privilégios e aprofundar abismos. A grande imprensa, porta-voz de uma elite que parece viver em outra galáxia, só faz barulho quando o assunto é o salário mínimo, o Bolsa Família ou qualquer melhoria para quem está na base da pirâmide. Para eles, qualquer migalha para o pobre é "risco fiscal", mas os bilhões para o topo são "direitos adquiridos".
Como bem pontuou Carlos Newton na Tribuna da Internet, vivemos em um sistema onde existem os "iguais" e os "mais iguais".
1. A Matemática da Crueldade: O Reajuste que Exclui
O sistema de reajuste salarial no Brasil é, por definição, desumano. Aplica-se o mesmo percentual para quem ganha o mínimo e para quem recebe o teto. À primeira vista, parece "justo", mas a matemática revela a perversidade:
Para o Trabalhador do Mínimo: Um aumento de 10% sobre R$ 1.621,00 representa apenas R$ 162,10 a mais. Mal dá para cobrir a alta do feijão e do gás.
Para o Marajá do Teto: Os mesmos 10% sobre um salário de R$ 46.366,19 significam um aumento real de R$ 4.636,20.
Ou seja: o aumento de quem ganha muito é quase três vezes o salário inteiro de quem ganha pouco. É um sistema que não diminui a desigualdade; ele a multiplica mensalmente sob o carimbo do Diário Oficial.
2. A Elite Insaciável e a Inércia dos Três Poderes
O maior problema do Brasil não é o seu tamanho, pois somos grandes demais para caber em qualquer buraco. O problema é a nossa classe dirigente. Temos uma elite gananciosa que "apodrece" os Três Poderes, criando benefícios que desafiam a lógica e a moralidade.
Enquanto a "patuleia" (o povo humilde) luta para não morrer de inanição com auxílios que apenas mantêm o corpo vivo, assistimos a notícias revoltantes, como a da Câmara de São Paulo, que gasta R$ 14,3 milhões com "benefício nutricional" para servidores aposentados que já ganham salários altíssimos. É o banquete dos reis servido com o suor de quem não tem o essencial.
3. Por que a Grande Imprensa se Cala?
Você já reparou que a grande mídia nunca faz editoriais indignados contra os penduricalhos do Judiciário ou contra esses reajustes desproporcionais? Eles se calam porque fazem parte do mesmo círculo. O assunto é tabu.
Para a sociedade dominante, o pobre deve receber apenas o suficiente para não morrer à míngua, mas deve ser impedido de evoluir. Falta o tripé da dignidade:
Salário Digno: Que não seja devorado pela inflação.
Educação de Qualidade: Para que o filho do pobre não seja apenas mão de obra barata.
Saúde Eficaz: Para que a doença não seja uma sentença de morte por falta de atendimento.
Conclusão: É Preciso Reagir à Disparidade
O Brasil não pode continuar sendo um país de castas. A desigualdade social crescente gera criminalidade, revolta e insegurança. Agarrar-se ao celular como boia salvadora não vai resolver o problema quando sairmos às ruas e dermos de cara com a miséria absoluta que tentamos ignorar.
A sistemática de reajustes precisa mudar: mais para quem ganha menos, e menos para quem já ganha o máximo. É uma necessidade lógica e cristã. Enquanto aceitarmos que a riqueza absoluta conviva com a miséria extrema sem protestar, seremos cúmplices de um suicídio social.
Blog de Dede Montalvão: Onde a indignação vira palavra e a verdade não tem dono.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)