Publicado em 14 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Malafaia diz que não tem nada que desabone Jorge Messias
Jussara Soares
CNN
Pastores evangélicos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disseram à CNN não ter nada contra a eventual indicação do ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, para o STF (Supremo Tribunal Federal), apesar de verem na escolha uma tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de se aproximar do eleitorado religioso.
Membro da Igreja Batista e homem de confiança de Lula, Messias é considerado um dos favoritos para ocupar a vaga deixada pela aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. Se confirmado, o AGU pode ser o segundo evangélico na Corte, depois do ministro André Mendonça, integrante da Igreja Presbiteriana e indicado em 2021 pelo ex-presidente Bolsonaro. Após a indicação presidencial, o candidato ao STF precisa ser sabatinado e aprovado pelo Senado.
NADA CONTRA – À CNN, o pastor Silas Malafaia, líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, disse não entrar no mérito sobre ter um segundo evangélico no STF, mas diz que não há nada que desabone o AGU. “Minhas divergências com Jorge Messias são no campo ideológico. Eu não tenho nada pessoal contra ele, não vi até aqui nada moral contra a vida dele. A minha questão é ideológica só. Eu aprendi uma coisa: eu posso discordar, eu posso até criticar, mas é uma indicação de competência do presidente da República”, afirmou.
Para Malafaia, a eventual indicação de Messias é uma tentativa de Lula de se aproximar do segmento religioso. “Talvez Lula, que está tão longe dos evangélicos, agora queira também fazer uma média com alguém que é aliado dele. A minha questão é ideológica, não pessoal. Não há nada que desabone até aqui. Se aparecer algo, não é por ser evangélico que eu vou poupar. Mas precisa ser fato, não narrativa ou conversa fiada”, disse.
Malafaia lembrou ainda que não foi contrário à indicação do ministro Cristiano Zanin, mesmo tendo sido advogado de Lula. “A minha crítica foi veemente ao Flávio Dino, que é um militante ideológico. Para mim, é perigoso se for da esquerda, da direita, de onde for.”
ELOGIO – Já o pastor Robson Rodovalho, líder da Igreja Sara Nossa Terra e próximo da família Bolsonaro, disse considerar natural a indicação de Messias pela atuação dele no PT e elogiou o AGU. “Messias é um homem de caráter e honra”, afirmou.
O líder religioso avaliou ainda como positivo o fato de a Corte poder contar com um segundo ministro evangélico. “Os evangélicos são em média 30% da população. Nessa proporção deveríamos ter quatro Ministros do STF , e não apenas um. Acho que todo ato de correção de injustiça é sempre muito bem visto pela sociedade”, disse Rodovalho à CNN.
Como mostrou a CNN, a indicação de Jorge Messias pode ser um trunfo de Lula junto ao eleitorado evangélico. O movimento, segundo aliados do Planalto, poderá ser capitalizado como um aceno do presidente a um segmento mais identificado com Jair Bolsonaro e a direita.
APROXIMAÇÃO – No governo, Messias tem buscado aproximar os evangélicos do presidente Lula. O ministro se reúne com lideranças e participa de eventos como a Marcha para Jesus. Até aqui, porém, os gestos do Planalto, que chegou a lançar uma campanha voltada ao público evangélico, não surtiram o efeito esperado.
Messias costuma enfatizar que separa espiritualidade de política. Ao participar da Marcha para Jesus, em junho, o ministro da AGU não citou Lula em sua fala, mas depois entregou uma carta do presidente aos organizadores do evento.
“Fiz questão de, no palco, levar uma mensagem religiosa. A Marcha é para Jesus e não um evento político. É assim que nós pensamos. O homem não deve ocupar o lugar de Jesus”, disse à CNN.