Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça
“O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

No dia em que o Brasil celebrava sua Independência, parte da militância bolsonarista foi às ruas, não sob o verde-amarelo, mas sob as cores da bandeira dos Estados Unidos. O paradoxo não é novo: o patriotismo de fachada, embalado por hinos e retórica nacionalista, sempre teve como estética símbolos importados. A cena, carregada de contradições, ocorreu justamente na data que deveria reforçar a soberania brasileira.
Mas o espetáculo não parou aí. Entre cartazes, discursos exaltados e uma fé quase mística em teorias conspiratórias, muitos manifestantes pareciam viver num universo paralelo. Para eles, Lula não é apenas um adversário político: é uma entidade extraterrestre. Conversam com pneus, enxergam sinais invisíveis e atuam como personagens do filme Homens de Preto, onde a realidade é apenas um detalhe. Trata-se de um retrato de delírio coletivo que mistura política, religião e ficção científica em doses preocupantes.
Enquanto isso, no STF, o julgamento de Jair Bolsonaro e sua malta se arrasta desde terça-feira com os primeiros votos. A pauta é séria, mas não menos contraditória foi a atuação de Luiz Fux. Conhecido como um jus-punitivista ferrenho nos tempos da Lava Jato, agora ensaia ares de libertário. O mesmo magistrado que, no auge da operação, era tratado nos bastidores como aliado confiável — “in Fux we trust”, revelaram mensagens de procuradores — hoje se apresenta como defensor das garantias individuais.
Não é a primeira metamorfose. Fux sempre surpreendeu, seja pela forma como chegou ao Supremo, pelas mãos de Adriana Ancelmo e do então governador Sérgio Cabral — ambos, ironicamente, símbolos da corrupção que depois viriam a ser alvo da própria Lava Jato —, seja pela capacidade de se mover conforme o vento político. Sua trajetória reflete não apenas contradições pessoais, mas também a plasticidade de um tribunal que oscila entre o rigor punitivo e a súbita benevolência, dependendo do personagem em julgamento.
O julgamento, em si, é apenas mais um capítulo de uma história em que política e Justiça se entrelaçam em arranjos improváveis. Mas o pano de fundo — tanto nas ruas quanto no plenário — é o mesmo: um país ainda dividido entre realidades paralelas, contradições institucionais e lideranças que parecem mudar de pele conforme o vento.
Se a Independência nos ensinou algo, é que símbolos importados e certezas absolutas nunca garantiram soberania. O Brasil precisa, antes de tudo, recuperar a capacidade de olhar para si mesmo sem delírios, sem fetiches e sem juízes camaleônicos — ainda que, no Supremo, sempre haja quem se reinvente ao sabor do “in Fux we trust”.

Fusão da Iguá com a Aegea pode afetar concessão em Sergipe. Menos R$ 900 milhões A fusão da Iguá com a Aegea Saneamento pode afetar a concessão da distribuição de água e esgoto em Sergipe. Conforme o print acima, do resultado do leilão da concessão dos serviços de água e esgoto da Deso, a Iguá venceu com a proposta de R$ 4,5 milhões. E a Aegea ficou em segundo lugar, com a proposta de R$ 3,6 milhões.
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