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À sombra do pai, Flávio Bolsonaro tenta evitar um impasse
Carlos Newton
O senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) na contramão do próprio pai, está agindo de forma correta ao insistir em pedir a seus irmão Carlos e Eduardo que não compareçam às manifestações contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, programadas para o dia 15, em âmbito nacional, conforme informa a excelente colunista Bela Megale, no site de O Globo.
A jornalista revela que a solicitação já foi feita aos parlamentares envolvidos na criação do Aliança pelo Brasil, partido que está sendo articulado pela família Bolsonaro, e também ao próprio irmão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).
ERROS DO PAI E DO IRMÃO – Na família presidencial, tudo indica que o senador Flávio Bolsonaro é quem conhece mais profundamente os meandros da política. Sabe que o pai errou infantilmente ao enviar mensagens de vídeo pelo Whatsapp para pedir adesão às manifestações do dia 15.
E sabe também que o irmão Eduardo, que é deputado federal, também errou ao apoiar publicamente a convocação feita por Bolsonaro e colocar ainda mais lenha na fogueira, dizendo que ninguém se importaria se caísse uma bomba H no Congresso Nacional, acabando com todos os parlamentares.
Segundo a repórter Bela Megale, o senador Flávio tem destacado que é importante a imagem da família não estar associada aos protestos o dia 15, cujos principais alvos serão o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.
BASE PARLAMENTAR – Bolsonaro pai exibe uma falta de conhecimento político que chega a ser constrangedora. Não percebe que entrar em choque com os outros Poderes da República significa inviabilizar a própria gestão, como ocorreu na fase contemporânea com os presidente João Goulart, Jânio Quadros, Fernando Collor e Dilma Rousseff, que não se preocuparam em formar uma base parlamentar sólida, governaram em clima de crise permanente e não conseguiram chegar ao final de seus mandatos.
A preocupação de Flávio Bolsonaro é procedente, porque já se sabe que a equipe econômica não conseguirá obedecer à chamada “regra de ouro”, que limita os gastos do governo. Em consequência, o presidente Bolsonaro necessita de uma autorização especial do Congresso, para descumprir a lei sem incorrer em crime de responsabilidade.
Se o Congresso negar a licença, ficará automaticamente caracterizado o crime de responsabilidade e o presidente da República poderá sofrer impeachment, exatamente como ocorreu com Dilma Rousseff.
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P.S. – De toda forma, percebe-se que aconteceu um avanço, porque a atitude do senador Flávio Bolsonaro demonstra que – rachadinhas e milicianos à parte – ainda existe vida inteligente na família e nem tudo está perdido. Por enquanto. (C.N.)
P.S. – De toda forma, percebe-se que aconteceu um avanço, porque a atitude do senador Flávio Bolsonaro demonstra que – rachadinhas e milicianos à parte – ainda existe vida inteligente na família e nem tudo está perdido. Por enquanto. (C.N.)