quarta-feira, setembro 04, 2019

Estratégia de Guedes para resolver a dívida pública é fingir que ela não existe


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Charge do Davilson (Arquivo Google)
Carlos Newton
É uma notícia boba, sem importância, ninguém dá atenção, embora seja do interesse direto de todos os brasileiros. No entanto, jamais se torna manchete de jornal, não é destaque em nenhum noticiário escrito, falado ou televisado, como se dizia antigamente, e se repete todos os meses, cada vez mais ameaçadora. A informação mais recente revela que a dívida bruta geral do setor público, que contabiliza os passivos dos governos federal, estaduais, municipais e do INSS, subiu em julho, passando de R$ 5,54 trilhões, o equivalente a 79% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas do país).
Os otimistas podem dizer que muitos países desenvolvidos têm dividas proporcionalmente maiores do que o Brasil; os pessimistas responderiam que o país não tem mesmo jeito; e os realistas diriam que a diferença é que o Brasil paga juros compostos (juros sobre juros, calculados mensalmente), enquanto muitos outros países pagam juros simples anuais, que não aumentam a cada mês.
 AUDITORIA -Se algum dia fosse feita a ansiada auditoria da dívida, os realistas enfim seriam ouvidos e o governo teria de mudar os termos da ditadura financeira que explora esta nação, pois a dívida bruta brasileira é alimentada por juros muito acima do padrão internacional.
Parece que as pessoas estão desistindo de criticar a falta de debate sobre a dívida. Mas desistir é um verbo que jamais pode ser aceito pelas pessoas de bem, conforme ensinou aos brasileiros a professora Laura Alvim. Filha do médico e mártir Álvaro Alvim, que teve de amputar os dois braços, após tanto aplicar raios X nos pacientes, a linda e culta Laura Alvim morreu pobre, depois de doar ao Rio de Janeiro seu único bem pessoal – o sofisticado Centro Cultural que ela construiu na praia de Ipanema e que leva seu nome.
Não se pode perder o exemplo deixado por essa mulher admirável, que insistiu até concluir a luxuosa obra. Não se pode desistir de denunciar a relação que existe entre a dívida pública e os juros compostos praticados no Brasil, que seguem na contramão do mundo civilizado.
JUROS NEGATIVOS – Nos Estados Unidos, no Japão e em muitos outros países, é comum haver até juros negativos. Aqui no Brasil, porém, nenhum Chicago Boy (ou Oldie) leva a sério esse importantíssimo instrumento de política monetária. É como se não existissem juros negativos. Aliás, são raríssimos os economistas brasileiros que se atrevem a criticar os juros compostos.
Quem o faz, como os especialistas que editam o corajoso site Auditoria Cidadã da Dívida,  está se colocando na situação do menino do conto “A Roupa Nova do Rei”, do genial escritor dinamarquês Hans Christian Andersen. Assim como agiu o garoto que flagrou a nudez de sua majestade, é melhor ser antiquado e defender o interesse público do que parecer moderninho e se comportar como um perfeito idiota.
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P.S.  1 –
 Há quem pense que fazer auditoria é algo muito complicado. No caso da dívida pública, porém, basta apurar quanto já foi pago de juros e depois comparar com os padrões internacionais, para calcular quantas vezes a dívida já deveria ter sido considerada paga. Simples assim. Mas quem se interessa?
P.S. 2 – O presidente Bolsonaro comporta-se como se nada tivesse a ver com isso. “O problema é do Guedes”, costuma dizer, adotando uma posição cômoda e irresponsável. (C.N.)   

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