
Charge do Allan Sieber (Arquivo Google)
Roberto Nascimento
O capitalismo brasileiro é uma inovação, porque se mostra dependente dos recursos do Estado. A prática aqui é socializar os lucros e capitalizar os prejuízos. Tanto é assim que a venda das empresas do Estado ou sua concessão somente são feitas depois de muitos milhões investidos no negócio estatal. Primeiro, modernizam, depois vendem. E a arrecadação da venda nos leiloes sempre é menor do que o real valor das empresas.
Por esta razão, já se venderam muitas estatais e o Estado continua endividado, a ponto de contigenciar (cortar) recursos da Educação, da Saúde, da Cultura etc…
RECEITA DE DELFIM – Além do mais, essa receita já foi implementada no regime militar pelo Ministro Delfim Netto, que cansou de falar que deveríamos deixar o bolo crescer para depois dividir. Mas agora, depois de tantas décadas, constatamos que está cada vez mais longe de chegar esse dia glorioso em que teríamos o Estado de Bem-Estar Social.
Os economistas sempre fazem e falam o mais do mesmo, todavia, vamos de atraso em atraso perdendo o bonde da história. Juro que gostaria de acreditar nessas teses dos economistas, mas vou ficando a cada dia mais descrente dos nossos homens públicos.
Vejam o caso da Previdência, com essa monstruosidade em relação aos aposentados e àqueles que ainda vão se aposentar. O ministro Paulo Guedes tem ideia fixa pelo modelo chileno de capitalização, só se esquece de que o Tesouro Nacional não tem condições de arcar com as despesas das aposentadorias dos altíssimos salários da nomenclatura civil e militar.
HAVERÁ ISENÇÃO – Guedes não vai desistir enquanto não conseguir desonerar os empregadores da contribuição patronal de 20% sobre a folha salarial. Sua justificativa é ridícula. Diz que os patrões vão usar o dinheiro para contratar mais empregados e aumentar a produção. Mas quem vai comprar essa “produção adicional”, se o consumo está em queda? A solução de Guedes é furada.
Com o desemprego avassalador, somente a contribuição dos empregados não será suficiente para cobrir as despesas crescentes da Previdência, já que a população está envelhecendo paulatinamente.
E não adianta impor Imposto novo, tal como o proposto ITF- CPMF, ou seja, todos os brasileiros irão pagar para que os empresários não paguem nada. É o socialismo às avessas. Para os empresários, o socialismo e para o resto da sociedade, o capitalismo mais radical e impiedoso. Aonde nós vamos parar?