quarta-feira, novembro 17, 2010

Gravações reforçam suspeita de propina para procuradores do DF

Ex-chefe do Ministério Público e Deborah Guerner participavam de esquema para aliviar investigações contra Arruda, diz PF

17 de novembro de 2010 | 0h 00
Vannildo Mendes / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Vídeos apreendidos pela Polícia Federal reforçam as provas de que o ex-procurador-geral do Ministério Público do Distrito Federal Leonardo Bandarra e a procuradora Deborah Guerner recebiam propina para aliviar as investigações contra o ex-governador José Roberto Arruda e outros envolvidos no chamado mensalão do DEM.

Exibidos ontem pelo Jornal Nacional, da TV Globo, os vídeos são do circuito interno de segurança da casa da própria Deborah e indicam que o local funcionava como um bunker, frequentado por Bandarra de modo furtivo, para supostamente acertar a divisão de propina. Um dos vídeos mostra que Bandarra chegava de moto e só retirava o capacete dentro da residência, para não ser reconhecido na rua.

Outros vídeos mostram imagens e diálogos da procuradora com o marido, Jorge Guerner, combinando onde enterrar o cofre com dinheiro ilícito. Combinam, ainda, deixar a quantia de R$ 100 mil num cofre mais visível dentro de casa, de origem comprovada, como isca para ludibriar os policiais.

A vácuo. A operação não adiantou. O cofre, com cerca de R$ 280 mil, acabou localizado pela polícia, enterrado no jardim. Além de farta quantidade de dinheiro, foram encontrados documentos e disquetes, tudo empacotado a vácuo.

Na denúncia que entregou ao Tribunal Regional Federal, o procurador regional da República, Ronaldo Albo, encarregado do processo, destacou atitudes de Bandarra que considerou "não condizentes" com o cargo de procurador-geral, no relacionamento com a promotora. Ele notou, por exemplo, que dentro do imóvel, Bandarra tinha sempre a preocupação de desligar o telefone celular e retirar as baterias, para não ser rastreado.

Os vídeos foram apreendidos em junho, com base em depoimento do ex-secretário Durval Barbosa, de Relações Institucionais do DF, cujas delações ajudaram a PF e a Justiça a desmantelaram o esquema, batizado de mensalão do DEM de Brasília. O ex- governador Arruda, além de preso por dois meses por tentar obstruir as investigações, perdeu o cargo e responde a processo por corrupção, peculato e formação de quadrilha. Mais de 30 dirigentes e políticos de Brasília também estão indiciados junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo Durval Barbosa, Bandarra recebeu mais de R$ 1,6 milhão de propina, além de mesada, para interferir no Ministério Público e impedir investigações sobre os contratos do lixo.

Lixo. No caso dos procuradores, por prerrogativa de foro, a ação corre no TRF. Em outra denúncia, Bandarra e Guerner são acusados de vazar informações para membros da quadrilha envolvidos no desvio de recursos de empresas que mantinham negócios com o governo na área de informática. Eles também são investigados por suposto favorecimento a empresas de coleta de lixo no Distrito Federal, que renovariam ilegalmente seus contratos sem serem molestados pelo Ministério Público. Bandarra e Guerner foram afastados das funções e respondem por concussão, formação de quadrilha e violação do sigilo funcional.

Fonte: Estadao



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