quinta-feira, maio 07, 2026

 

Flávio Bolsonaro divulga nota sem citar Ciro Nogueira e diz que notícias sobre operação são graves

Pré-candidato à Presidência afirma confiar em André Mendonça, do STF, à frente do caso Master

Por Isadora Albernaz/Folhapress

07/05/2026 às 16:17

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado/Arquivo

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O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira (7) que as informações sobre a operação da Polícia Federal que teve entre os alvos o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), são graves e disse esperar uma "ampla apuração" do caso.

Em nota, Flávio não citou diretamente Ciro, mas disse acompanhar com atenção as notícias divulgadas pela imprensa. Segundo a PF, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pagava R$ 500 mil por mês ao presidente do PP, que foi ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL).

O pré-candidato também disse confiar na relatoria do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, indicado por Bolsonaro à corte, no caso Master e declarou esperar "uma ampla apuração".

"Entendemos que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal", escreveu.

Integrantes do governo do presidente Lula (PT) vão tentar associar Flávio, principal adversário do petista na eleição deste ano, ao escândalo do Banco Master após a operação mirando Ciro —próximo do clã Bolsonaro.

A expectativa de aliados de Lula é que, ao menos por enquanto, o presidente não dê declarações fortes sobre a operação espontaneamente. A tarefa de desgastar o bolsonarismo a partir das acusações contra Ciro ficaria com ministros, congressistas e outros aliados políticos.

Ciro é presidente do PP, um dos principais partidos do Centrão e que hoje compõe uma federação com o União Brasil. Desde que se lançou ao Planalto, Flávio tem tentando angariar o apoio público do grupo, que também conta com siglas como Republicanos, para fazer frente à tentativa de reeleição de Lula.

O QUE DIZ A POLÍCIA FEDERAL

Entre as principais suspeitas da PF, estão a de que o Ciro Nogueira recebia quantias repassadas por Felipe Vorcaro, primo do dono do Master.

Felipe teria feito uma parceira "ligada aos pagamentos mensais em favor do senador, correspondentes, inicialmente, ao valor de R$ 300 mil, com indícios de que teriam sido posteriormente aumentados para a importância de R$ 500 mil". O primo de Vorcaro foi preso temporariamente.

O advogado de Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse em nota que a defesa "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar".

Ele diz que o senador está comprometido em contribuir com a Justiça "a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos".

A reportagem não localizou a defesa de Felipe Vorcaro.

Segundo a decisão de Mendonça, as suspeitas da PF contra Ciro envolvem, por exemplo, a apresentação de uma emenda que ampliaria a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.

Essa proposta foi apelidada no mercado, à época, de "emenda Master". A intenção era dar uma saída ao dono do banco, que àquela altura já não conseguia sustentar a arquitetura financeira que havia montado, apontada nas investigações como fraudulenta.

A PF afirma ainda que, em 2023, Vorcaro ordenou a retirada de envelopes da residência do senador que continham minutas de projetos de lei de interesse particular, que foram levados posteriormente para um escritório indicado pelo banqueiro.

Em seguida, foram processados por pessoas ligadas a Vorcaro e devolvidos a um servidor do parlamentar por um funcionário de Vorcaro.

As suspeitas relacionadas à relação de Vorcaro com Ciro também envolvem o pagamento de despesas pessoais. Os investigadores apontam que o senador tinha um "imóvel de elevado padrão" à sua disposição, além do custeio de hospedagens, jatinhos para viagens internacionais, restaurantes e outros gastos pessoais.

Politica Livre

Reunião de Lula e Trump nos EUA termina após quase três horas; entrevista é cancelada


Americano diz que reunião correu 'muito bem' e que ambos discutiram diversos temas, incluindo comércio e tarifas

Por Isabella Menon/Folhapress

07/05/2026 às 15:45

Foto: Divulgação

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O presidente Donald Trump dá as boas-vindas ao presidente Lula na Casa Branca nesta quinta (7)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o homólogo americano, Donald Trump, na Casa Branca.

Os líderes se encontraram às 12h21 (Brasília) desta quinta-feira (7) e conversaram por cerca de duas horas e 20 minutos. O cronograma previa início às 12h e, na sequência, haveria um período reservado para fala dos líderes com a imprensa. O protocolo, porém, foi alterado.

Além de a reunião a portas fechadas ter sido alongada, eles seguiram diretamente para um almoço, sem falar com jornalistas. A entrevista coletiva no Salão Oval foi cancelada e o encontro todo durou quase três horas.

Após o almoço, Trump publicou em sua rede social que a reunião com "o presidente muito dinâmico do Brasil" correu "muito bem". Segundo ele, os líderes discutiram "diversos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas". "Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário", afirmou.

Esta é a sexta visita do petista à sede do governo americano, sendo a primeira sob Trump. Em mandatos anteriores, Lula visitou a Casa Branca em 2002 —ainda como eleito, antes de assumir o cargo—, 2003 e 2008, em encontros com o então presidente George Bush. Em seguida, em 2009, encontrou Barack Obama e, já em seu terceiro mandato, o brasileiro foi recebido por Joe Biden, em 2023.

Lula chega ao encontro com o republicano com duas principais demandas. Entre elas, o objetivo de apresentar um acordo para combater crime organizado e também para discutir questões relacionadas a tarifas.

O presidente foi acompanhado por cinco ministros: Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington César Lima e Silva (Justiça), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) e Alexandre Silveira (Minas e Energia). O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também participa da comitiva a Washington, mas não está presente na Casa Branca.

Trump, por sua vez, foi acompanhado de J. D. Vance, seu vice, além de Susie Wiles, chefe de gabinete, Howard Lutnick, secretário do Comércio, Scott Bessent, do Tesouro, e Jamieson Greer, representante comercial dos EUA.

Para prolongar a reunião a portas fechadas, a delegação brasileira pediu para que a imprensa entrasse no Salão Oval apenas no final da conversa, uma mudança de protocolo em relação a outras visitas no local.

O pedido para a mudança da ordem veio após desconforto de Lula com a presença de jornalistas desde o começo da conversa que teve com Trump em Kuala Lumpur, na Malásia, em outubro de 2025. Na visão do brasileiro, isso atrapalhou o andamento daquela reunião.

O encontro no Salão Oval estava previsto no cerimonial por um período breve. Às 12h45 (horário de Brasília), segundo o cronograma inicial, os presidentes já deveriam estar em almoço. No entanto, a reunião a portas fechadas se alongou, e a agenda foi novamente alterada.

Por volta de 13h45, Lula, Trump e suas respectivas comitivas seguiram para almoço. Ou seja, a reunião reservada durou cerca de uma hora e 20 minutos, e a fala à imprensa, esperada antes da refeição, foi adiada e posteriormente cancelada.

O cardápio, segundo assessores do governo americano, incluiu uma entrada de salada com nabo, laranja e abacate, além de um prato principal composto por carne grelhada, purê de feijão preto, pimentões e uma espécie de conserva de rabanete com abacaxi. Para sobremesa, os líderes tiveram pêssegos caramelizados, panna cotta com mel e sorvete de nata.

A proposta brasileira para cooperação em segurança pública inclui colaboração no combate ao tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

A busca pelo acordo acontece enquanto o governo Trump estuda designar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas.

O Brasil trabalha para evitar a designação. Na visão do governo Lula, o rótulo abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro. O governo teme ainda a exploração política do tema pelos bolsonaristas durante a campanha eleitoral.

No entanto, não é esperado que seja firmado um acordo na visita. Há uma avaliação por parte de fontes próximas a Lula que, apesar do espectro político em que ambos estão, todas as promessas de Trump sobre conversas e encontros foram cumpridas.

Além disso, na pauta do encontro estarão as investigações da seção 301 que o governo Trump abriu contra o Brasil e podem resultar em sanções e tarifas contra o país. Do lado americano, os temas prioritários devem ser a exploração de minerais críticos no Brasil e a atuação das big tech americanas no país.

Politica Livre

Trump e Lula em Washington: interesses cruzados e o cálculo político da diplomacia


Encontro será um exercício de pragmatismo político

Pedro do Coutto

O encontro entre Donald Trump e Lula da Silva, realizado em Washington,  não é apenas mais um capítulo protocolar da diplomacia internacional. Trata-se de uma reunião carregada de simbolismo político, interesses estratégicos e, sobretudo, de cálculos internos que transcendem a agenda bilateral. Ambos os líderes chegam à mesa com objetivos claros — e, em certa medida, assimétricos.

Do lado norte-americano, a prioridade é inequívoca: ampliar o isolamento do Irã por meio de um regime mais robusto de sanções. Para isso, Washington busca apoio de países com peso regional e capacidade de influência no chamado Sul Global — papel que o Brasil, sob Lula, tenta recuperar. No entanto, essa aproximação esbarra em uma tradição diplomática brasileira historicamente pautada pela autonomia e pelo não alinhamento automático, especialmente em temas sensíveis de geopolítica.

NARRATIVA DE SEGURANÇA – Trump, por sua vez, adiciona um elemento doméstico à equação internacional ao tentar reforçar sua narrativa de segurança: a proposta de classificar organizações criminosas como entidades terroristas. A medida, ainda que tenha apelo político interno nos Estados Unidos, levanta questionamentos jurídicos e diplomáticos relevantes. Exportar esse enquadramento para parceiros como o Brasil não é trivial — implica riscos de militarização de políticas de segurança pública e possíveis tensões com marcos legais já consolidados.

Lula, por outro lado, parece operar em múltiplas frentes. Externamente, busca projetar o Brasil como um ator relevante nas grandes discussões globais, reforçando a imagem de um país comprometido com a estabilidade democrática e o diálogo multilateral. Internamente, o encontro serve como ativo político. Em um cenário de desafios domésticos, a visibilidade internacional — especialmente uma agenda na Casa Branca — pode ser instrumentalizada para sinalizar liderança, equilíbrio institucional e capacidade de articulação global.

Ainda assim, é preciso relativizar a ideia de que o encontro, por si só, seja capaz de “amenizar” a crise interna brasileira. A política doméstica responde a dinâmicas próprias, e ganhos simbólicos no exterior nem sempre se traduzem em capital político duradouro no plano interno. Há, inclusive, o risco de leitura crítica por parte de setores que veem com desconfiança qualquer movimento que possa ser interpretado como alinhamento excessivo aos interesses norte-americanos.

“ALINHAMENTO DEMOCRÁTICO” – Outro ponto que merece atenção é a tentativa de enquadrar o encontro como um marco de “alinhamento democrático”. Embora a retórica seja conveniente, ela simplifica uma realidade mais complexa. O Brasil historicamente busca equilíbrio entre valores e interesses, e dificilmente adotará uma postura de alinhamento automático — sobretudo em temas que envolvem sanções unilaterais ou redefinições conceituais no campo da segurança.

O encontro entre Trump e Lula, assim, refletirá revela menos uma convergência estrutural e mais um exercício de pragmatismo político. Cada líder tenta extrair o máximo de ganhos possíveis — seja no tabuleiro internacional, seja no doméstico.

O sucesso dessa estratégia, contudo, dependerá não apenas das declarações conjuntas ou das imagens produzidas, mas da capacidade concreta de transformar intenções em resultados tangíveis, sem comprometer a coerência das respectivas políticas externas. Em diplomacia, como na política, gestos importam — mas são os desdobramentos que definem quem, de fato, saiu fortalecido.

André Mendonça demonstra insatisfação com delação meia-sola de Daniel Vorcaro



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