quinta-feira, abril 30, 2026

'Vai perder por oito', disse Alcolumbre antes do resultado de votação de Messias

 

'Vai perder por oito', disse Alcolumbre antes do resultado de votação de Messias

Por Folhapress

30/04/2026 às 06:44

Foto: Carlos Moura/Arquivo/Agência Senado

Imagem de 'Vai perder por oito', disse Alcolumbre antes do resultado de votação de Messias

Davi Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), cravou o resultado da votação que rejeitou a nomeação do advogado-geral da União, Jorge Messias à vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).

"Acho que vai perder por oito [votos]", disse Alcolumbre ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, pouco antes do telão do plenário exibir o resultado.

O presidente da casa cravou a diferença na votação, que teve 42 votos pela rejeição contra 34. A confirmação do nome escolhido pelo presidente Lula (PT) dependia da maioria simples dos 81 senadores, ou seja, 41 votos.

Ao rejeitar o nome do AGU, o Senado impôs uma derrota sem precedentes para o governo. A última vez que uma indicação tinha sido enterrada foi no século 19, quando o então presidente Floriano Peixoto indicou Cândido Barata Ribeiro.

Questionado, Alcolumbre afirmou, por meio de sua assessoria, que a fala representou a opinião do senador. "Como outros parlamentares que, ao longo dos últimos dias, vinham fazendo avaliações, deu sua opinião. Isso só reafirma e demonstra a experiência do presidente da casa em votações", diz a nota.

A derrota imposta pelo Senado ao presidente Lula despertou a fúria de governistas contra Alcolumbre. Parte dos aliados de Lula fala em declaração de guerra entre o governo e a presidência do Senado. Uma das ideias defendidas nesse setor é uma ofensiva governista no Amapá, estado de Alcolumbre, para reduzir o poder do grupo político do senador.

Politica LIvre

Oposição tenta fatiar veto de Lula da Silva ao PL da Dosimetria e acirra disputa sobre penas do 8 de janeiro

Publicado em 29 de abril de 2026 por Tribuna da Internet


Senado impõe derrota histórica a Lula e barra indicação de Jorge Messias ao STF

Publicado em 29 de abril de 2026 por Tribuna da Internet

Mesias precisava do apoio da maioria absoluta

Rafael Moraes Moura
O Globo

O Senado Federal impôs nesta quarta-feira (29) uma derrota histórica ao Palácio do Planalto ao rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Este é o maior revés da administração petista na arena legislativa neste terceiro mandato, marcado pela relação conturbada do governo com o Congresso. Messias obteve 34 votos, menos que os 41 exigidos pela Constituição Federal. Ao todo, 42 votaram pela sua rejeição.

A articulação que levou à derrubada da indicação do ministro de Lula no plenário do Senado foi comandada por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que inicialmente trabalhou para colocar no cargo o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), mas não conseguiu convencer Lula a indicá-lo.

OFENSIVA DE ALCOLUMBRE – Nos últimos dias, aliados de Alcolumbre diziam que ele não ajudaria, mas também não atrapalharia a campanha de Messias. Até o último momento, porém, ele trabalhou para impedir que o ministro de Lula fosse aprovado, insuflando a oposição e pressionando senadores de partidos do Centrão para que votassem contra, mesmo que em público dissessem que poderiam apoiar Messias. O voto no plenário é secreto.

A ofensiva de Alcolumbre superou a intensa costura de bastidores que reuniu de parlamentares da base lulista à lideranças evangélicas e até mesmo de integrantes do STF com bom trânsito entre parlamentares da oposição. Antes do fracasso de Messias, a última vez que o Senado havia barrado um indicado ao STF ocorreu em 1894, no governo Floriano Peixoto.

Até a tarde desta quarta-feira (29), aliados de Messias previam uma vitória apertada e arriscavam um placar entre 44 e 48 votos favoráveis – uma margem similar à obtida por Flávio Dino (47 votos), André Mendonça (47) e pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet (45 votos), em sua recondução ao cargo, em novembro do ano passado.

MUDANÇA NO CLIMA – Ao longo da tarde, porém, senadores da base lulista detectaram uma mudança no clima geral da Casa e foram inclusive apelar ao presidente do Senado. Messias foi a 11ª indicação de Lula ao STF ao longo de seus três mandatos – e o único a ser barrado pelo Senado.

Além da ofensiva de Alcolumbre, pesou contra Messias a oposição de Dino e Alexandre de Moraes, além da campanha declarada contra ele do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência contra Lula, que pretendia impor duas derrotas ao governo – na indicação do chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) e na votação sobre o veto do presidente da República contra o projeto da dosimetria.

VAGA ABERTA – Além de reforçar a narrativa de um governo fraco, Flávio queria que o Senado deixasse a vaga aberta para ser definida caso ele ganhe as eleições de outubro. A derrota do chefe da AGU também cria um novo precedente – e implode um amplo histórico favorável à aprovação de indicações presidenciais ao STF.

Apenas em 1894 o Senado barrou indicações ao STF – todas elas no início da República Velha, durante o governo Floriano Peixoto, que ficou conhecido como o “Marechal de Ferro” devido ao perfil autoritário em uma gestão marcada pela repressão de revoltas e pela perseguição a opositores políticos.

À época, o Senado rejeitou a nomeação do médico Barata Ribeiro, dos generais Innocêncio Galvão de Queiroz e Francisco Ewerton Quadros, além do subprocurador da República Antônio Caetano Navarro e do então diretor-geral dos Correios, Demosthenes da Silveira Lobo, sob a alegação de falta de notável saber jurídico. Todas essas rejeições ocorreram em 1894. Na época, as sessões eram secretas, e a maioria das atas se perderam com o tempo.

REVÉS – Antes da derrota de Messias, o governo Lula já havia enfrentado um revés em outra indicação para a área da Justiça neste terceiro mandato, mas nada comparável à rejeição de Messias. Em 2023, a indicação de Igor Roque para a Defensoria Pública da União (DPU) foi rejeitada com apenas 35 votos a favor e 38 contrários.

Antes mesmo de ser confirmado, Roque montou equipe, dava entrevistas e despachava com ministros do governo Lula, o que irritou senadores que acharam que ele sentou na cadeira antes da hora. Messias, por outro lado, procurou ser mais cauteloso e submergiu publicamente em meio à demora de Lula em encaminhar a “mensagem ao Senado” para Alcolumbre, mas mesmo assim não conseguiu superar a resistência do presidente da Casa, que articulou até o último minuto pela sua derrota no plenário.

Antes da sabatina, aliados de Messias trabalhavam reservadamente com um placar entre 44 e 48 votos favoráveis. Preocupado com o quórum da votação, o Palácio do Planalto mapeou possíveis ausências e acelerou a liberação de emendas para afastar o risco de rejeição. Ao longo de sua peregrinação por votos no Senado, o chefe da AGU contou com o apoio de lideranças evangélicas e integrantes do STF, como André Mendonça e Kassio Nunes Marques, ambos indicados por Jair Bolsonaro.


Fila de delatores no caso do Banco Master esbarra em investigações já avançadas

Publicado em 29 de abril de 2026 por Tribuna da Internet

Charge do Duke (Instagram)

Raquel Landim
Estadão

Formou-se uma fila de possíveis delatores do caso do Banco Master: o banqueiro Daniel Vorcaro, o cunhado e operador financeiro dele Fabiano Zettel, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. À medida que as investigações apertaram o cerco, todos adotaram a mesma estratégia. Trocaram de advogado e passaram a buscar um acordo.

Seus advogados, porém, têm ouvido a mesma coisa de interlocutores na Polícia Federal, na Procuradoria-Geral da República (PGR), e no gabinete do relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Não vai ser fácil. O mesmo motivo que os levou a buscar uma delação premiada é o que se transforma agora numa barreira para que consigam avançar no caminho do perdão judicial em troca de informações: as investigações da Polícia Federal avançaram demais.

RAMOS DISTINTOS – Entre os investigadores, o caso é Master é tratado por ramos distintos. A trama central – que é a fraude financeira provocada pela quebra do Master e a tentativa frustrada de compra do banco pelo BRB – está praticamente elucidada. Graças ao trabalho inicial do Banco Central, à extração minuciosa da Polícia Federal dos celulares e computadores, e, claro, do descuido dos alvos, poucas vezes se viu uma investigação de corrupção tão bem detalhada.

Já está praticamente comprovada a gestão fraudulenta das carteiras do Master, que provocou um rombo no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), e a tentativa de cooptar a cúpula do BRB para tentar encobrir os maus feitos. Aliás, as mensagens entre Paulo Henrique Costa e Vorcaro são para lá de comprometedoras.

O que mais os delatores, incluindo Vorcaro, podem entregar nesse núcleo central? A resposta é simples. Praticamente nada, a não ser que cheguem em eventuais políticos que tenham facilitado as falcatruas. O ex-governador do DF Ibaneis Rocha, por exemplo, tinha ciência do que se passava?

RELAÇÕES COM O STF – Estará Vorcaro disposto a esclarecer as suspeitas sobre suas relações para lá de nebulosas com os ministros do Supremo Tribunal Federal já reveladas pela imprensa? Cabe aqui dizer que não é um caça às bruxas. Os investigadores não têm alvos pré-determinados, porque isso fere o próprio princípio da colaboração. Mas a questão técnica é se os delatores serão capazes de ampliar o escopo da investigação? Isso sem falar no risco de que um delator “esvazie” o outro.

Uma colaboração bem-sucedida precisa de fatos adicionais, tem que oferecer recuperação de patrimônio e entregar provas ou elementos que permitam aos investigadores chegar nessas provas. Caso contrário, nada feito.

STF trava CPI do Banco Master e paralisa nova frente de investigação no Senado


Em destaque

STF: quais são os próximos passos após o Senado rejeitar uma indicação Processo é reiniciado e exige nova escolha do Presidente da República, com impacto na articulação entre Executivo e Legislativo

    STF: quais são os próximos passos após o Senado rejeitar uma indicação Processo é reiniciado e exige nova escolha do Presidente da Repúb...

Mais visitadas