segunda-feira, abril 20, 2026

O impasse da jornada de trabalho torna-se uma forte disputa política no Brasil


O que está em jogo é o controle do tempo

Marcelo Copelli
Revista Fórum

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil deixou de ser periférica. Consolidou-se como uma das questões estruturais do presente. Em um país cuja legislação ainda reflete a lógica produtiva do século passado, a manutenção de cargas horárias extensas já não se sustenta como exigência econômica. É a expressão de uma resistência histórica à redistribuição do tempo.

O debate não é técnico. É político. Está em jogo quem controla o tempo — e até que ponto o trabalho seguirá ocupando posição dominante na organização da vida social. A proposta de uma semana de 40 horas, com a superação gradual da escala 6×1, responde a transformações materiais que já alteraram a dinâmica produtiva, sem que isso tenha sido acompanhado por uma atualização na forma de distribuir o tempo laboral.

MODELO PERSISTE – A produtividade avançou. Tecnologia, automação e transformação dos processos alteraram a relação entre tempo e desempenho. Gera-se mais, em menos horas e com maior intensidade. Sustentar jornadas prolongadas como condição indispensável ao funcionamento da economia tornou-se cada vez mais difícil. Ainda assim, o modelo persiste — não por eficiência, mas por preservar estruturas de poder.

A extensão do expediente deixou de ser requisito técnico. Passou a atuar como mecanismo de organização social, delimitando não apenas o tempo de trabalho, mas o espaço disponível para outras formas de vida. É nesse ponto que o debate revela sua natureza real.

Os dados não sustentam o discurso de risco mobilizado por setores contrários à mudança. Em vez disso, indicam que a reorganização do tempo pode ocorrer sem prejuízo estrutural à economia, desde que acompanhada de ajustes institucionais. A narrativa de ameaça persiste menos como diagnóstico e mais como contenção política — acionada sempre que se questiona a forma como o tempo é dividido entre produção e vida.

PADRÃO – O cenário internacional confirma esse padrão. Experimentos no Reino Unido com semana de quatro dias mantiveram níveis de atividade. Na Islândia, a redução foi implementada em larga escala sem ruptura. Na América Latina, Colômbia já avança na diminuição progressiva, enquanto Chile e México seguem na mesma direção. Não houve colapso. Houve adaptação.

O padrão é claro: sistemas produtivos se ajustam quando a distribuição do tempo muda. A duração da jornada não é uma imposição econômica — é uma construção moldada por relações de poder e decisões políticas.

A resistência, portanto, não decorre da falta de comprovação. Decorre da disputa pelo controle do tempo. A defesa de jornadas longas preserva um modelo que concentra poder ao definir quanto da vida pode ser apropriado pelo trabalho, limitando outras dimensões sociais, políticas e econômicas. Reduzir a jornada altera esse equilíbrio. Redistribui horas — e, com elas, autonomia.

CONTRADIÇÃO – No Brasil, a contradição é evidente. Em diversos setores, a jornada efetiva já se aproxima das 40 horas semanais. A economia opera com mais flexibilidade do que a legislação admite. O teto legal superior não responde a uma necessidade produtiva — preserva margens ampliadas de controle sobre o tempo. A norma deixou de refletir a realidade e passou a protegê-la.

A ideia de que a redução geraria desemprego segue o mesmo padrão. Não há base empírica consistente que sustente essa relação de forma generalizada. A redistribuição do tempo reorganiza a demanda por trabalho, ajusta a dinâmica ocupacional e, em determinados casos, amplia a necessidade de contratação. Esse argumento funciona como bloqueio político — não como diagnóstico econômico.

Jornadas extensas não preservam empregos. Preservam um modelo que resiste à atualização. Ao manter o tempo como variável central, esse arranjo reduz incentivos à inovação, retarda adaptações e transfere ao trabalhador o custo de uma estrutura ineficiente. Onde houve redução, houve adaptação. A rigidez não está na economia — está na forma como ela é politicamente organizada.

ORGANIZAÇÃO DO TEMPO – Persistir nesse modelo sustenta um paradoxo: níveis crescentes de produtividade convivem com uma organização do tempo que já não corresponde a essa realidade. Não é uma exigência econômica. É uma escolha política — que preserva relações de poder dependentes da centralidade do trabalho.

A redução da jornada não rompe com a racionalidade econômica. Atualiza-a. Reconhece que ganhos de produtividade não podem permanecer dissociados da forma como o tempo é distribuído — e que essa distribuição é, no limite, uma decisão política.

ATRASO POLÍTICO – O Brasil não enfrenta um dilema econômico. Enfrenta um atraso político. A realidade produtiva mudou. A produtividade avançou. O trabalho se transformou. O que persiste é a resistência em redistribuir o tempo e atualizar as regras que organizam a vida social. Manter o modelo atual é uma escolha: preservar a concentração de poder e adiar sua revisão.

No fim, não está em debate a carga horária. O que está em jogo é o controle do tempo — e quem decide quanto da vida pode ser apropriado pelo trabalho, apesar de uma realidade que já não o sustenta.

Vereador Nitinho é criticado ao chamar Orla de Maceió de “favela”

 A declaração foi feita durante sua fala na plenária, enquanto discutia a organização dos espaços urbanos e comércio de ambulantes na capital

Imagens das afirmações do vereador repercutiram nas redes sociais, gerando diversas críticas (Foto: Assessoria de Imprensa)

O vereador Nitinho Vitale (PSD-SE) foi criticado após declarar que a Orla de Maceió, capital do estado de Alagoas, “virou uma favela”. A afirmação foi feita durante sessão na Câmara de Vereadores de Aracaju (CMA) na última quarta-feira, 15, e suas falas repercutiram nas redes sociais.

A declaração foi feita no plenário da CMA, enquanto discutia a organização dos espaços urbanos e comércio de ambulantes na capital. “Tem que ter o cuidado nas concessões que estão sendo dadas na Orla de Atalaia, senão lá vai virar uma favela, como virou a favela na Orla de Maceió. A Orla de Maceió hoje é uma favela.”, afirmou.

Imagens das afirmações do vereador repercutiram nas redes sociais, gerando diversas críticas, principalmente de moradores de Maceió, que expressaram descontentamento e alegaram falta de respeito com a cidade.

“Respeite Maceió. Chamar trabalhadores de ‘favela’ não é crítica urbana, é desrespeito com quem vive do próprio esforço. A orla de Maceió não é bagunça, é viva. É feita por empreendedores que acordam cedo pra sustentar suas famílias! Eu defendo organização, padronização e qualidade, mas sem tirar o pão de quem trabalha. Nosso cartão postal não é só paisagem. É gente, cultura e trabalho!”, comentou um internauta.

A Prefeitura de Maceió publicou um vídeo mostrando moradores da cidade desaprovando as falas do vereador. “A Prefs viu um vídeo circulando por aí… e não dava pra deixar passar. Quando falta respeito, sobra resposta: a melhor orla do Brasil fica em Maceió”, publicou.

Pedido de desculpas

Em entrevista para uma rádio sergipana nesta segunda-feira, dia 20, o vereador afirmou que não fez as falas por maldade e pediu desculpas por seus comentários. 

A

“Não foi maldade de nenhuma forma. Então, neste conceito de favela, eu peço desculpa ao nosso querido povo de Maceió, e se você pegar o meu vídeo como todo, eu venho elogiando também Maceió, a praia, que é uma praia belíssima, que é o ‘Caribe do Brasil’, eu sei bem, é conhecido. Vivi muitos anos em Maceió, diversas vezes fui para lá, e desfrutei daquele mar maravilhoso, né? Então qualquer viagem que eu fazia foi em Maceió, que é o lugar mais próximo que tem, Salvador ou Maceió. Então não foi maldade”, expressou.

Nota da CMA

Com a repercussão do caso, a Câmara de Vereadores de Aracaju publicou uma nota se manifestando e afirmou que não compactua com as falas do vereador. Confira a nota na íntegra:

“A Câmara Municipal de Aracaju, em nome de todos os vereadores que compõem esta Casa Legislativa, vem a público manifestar-se acerca das declarações proferidas pelo vereador Nitinho Vitale, durante sessão na última quarta-feira, 15. 

Nessa sessão, ao tratar da necessidade de organização dos espaços públicos na Orla de Aracaju, o parlamentar utilizou como exemplo a Orla de Maceió para fazer uma comparação inadequada e infeliz, que gerou repercussão negativa e compreensível indignação.

A Câmara Municipal de Aracaju esclarece que não compactua com a referida fala por entender que ela não representa o pensamento institucional deste Parlamento, tampouco o posicionamento da maioria de seus membros.

Esta Casa reafirma o compromisso com o respeito entre as cidades, com a valorização do turismo, da cultura e da população de todas as regiões, reconhecendo a importância de Maceió como um dos principais destinos turísticos do país.

por Carol Mundim

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Jeremoabo em Transe: A 13ª Cavalgada de São Jorge Para a História

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Um post compartilhado por Anabel Carvalho (@anabelcarvalhoficial)

Por José Montalvão

Como já era de se esperar, o domingo, 19 de abril, não foi apenas mais uma data no calendário de Jeremoabo, na Bahia. Foi o dia em que a cidade provou que sua energia é inigualável. Quem não está habituado com a garra desse povo assistiu a uma cena curiosa: era difícil distinguir se o que acontecia era uma cavalgada tradicional, um carnaval fora de época ou um São João antecipado. A animação foi, em uma palavra, contagiante.

A 13ª Cavalgada de São Jorge, idealizada por Tista de Deda, retornou após um hiato de cinco anos com a força de um furacão cultural. O que se viu foi um sucesso absoluto que reafirmou o evento como um dos maiores e mais importantes de todo o estado da Bahia.


O Retorno de uma Tradição Avassaladora

Após meia década de espera, a retomada da tradição foi celebrada com um entusiasmo que transbordou pelas ruas. O evento não apenas voltou, mas deu uma verdadeira "volta por cima", unindo a fé ao santo guerreiro e o orgulho da cultura do vaqueiro nordestino.

Os números e destaques que marcaram o dia:

  • Público Recorde: Relatos de moradores e organizadores são unânimes: foi a maior cavalgada da história de Jeremoabo. Uma multidão compacta acompanhou o cortejo, transformando a cidade em um mar de gente e cavalos.

  • Trilha Sonora de Peso: A festa não deixou ninguém parado. Do meio-dia até as altas horas da noite, o som ficou por conta de feras como Danielzinho, o Caceteiro do Forró, Zezinho da Ema, Júnior Santos e a Banda 100 Parea.

  • Estrutura Impecável: A concentração teve início na Fazenda Isabela, de onde o cortejo partiu seguindo um imponente trio elétrico, garantindo que o ritmo não caísse em nenhum momento do trajeto.

  • Impacto Regional: Além da festa, o evento movimentou a economia local e atraiu lideranças políticas e visitantes de diversas cidades vizinhas, consolidando a influência regional de Jeremoabo.


Fé, Cultura e Alegria

O sucesso da Cavalgada de São Jorge 2025 reside na sua capacidade de misturar o sagrado e o profano com harmonia. É um espaço onde a bota e o chapéu de couro encontram o trio elétrico, onde a reza se mistura ao refrão do forró, e onde o povo de Jeremoabo mostra por que é referência em hospitalidade e folia.

"A Cavalgada de São Jorge não é apenas um evento; é o coração de Jeremoabo batendo no ritmo da nossa história."

Para quem viveu este domingo, ficou a certeza de que a tradição está mais viva do que nunca. Jeremoabo não apenas realizou uma festa; ela escreveu mais um capítulo épico na cultura baiana. Que venham as próximas, pois o sarrafo, agora, está lá no alto!

Blog de Dede Montalvão: Memória viva, fiscalização constante e a voz de quem defende o patrimônio de Jeremoabo.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)



domingo, abril 19, 2026

v"A corrupção no Judiciário e..." by Moisés Lazzaretti Vieira

 

A corrupção no Judiciário e o caso dos magistrados aposentados pelo Conselho Nacional de Justiça (2008-2017).
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Author Photo Moisés Lazzaretti Vieira
2019, Dissertação (Mestrado em Ciência Política). Universidade Federal do Rio Grande do Sul
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EUA apreendem navio iraniano e tensão com Teerã aumenta às vésperas do fim da trégua

 

EUA apreendem navio iraniano e tensão com Teerã aumenta às vésperas do fim da trégua

Por Redação

19/04/2026 às 17:40

Foto: Reprodução/Instagram/Arquivo

Imagem de EUA apreendem navio iraniano e tensão com Teerã aumenta às vésperas do fim da trégua

Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a apreensão de um navio de bandeira iraniana que, segundo ele, tentava escapar do bloqueio naval imposto por Washington no Estreito de Ormuz. De acordo com o relato, a embarcação não respondeu à ordem de parada e foi interceptada por forças da Marinha americana, que agora controlam o cargueiro e investigam sua carga.  A reportagem é do jornal O Globo.

O episódio ocorre em meio a versões conflitantes sobre a continuidade das negociações entre EUA e Irã. Enquanto Trump afirmou que uma nova rodada de diálogo aconteceria no Paquistão, autoridades iranianas negaram qualquer acordo para retomar as conversas após o fracasso da primeira reunião. A tensão aumenta com o estreito praticamente fechado, rota estratégica por onde passa grande parte do petróleo mundial.

Com o cessar-fogo próximo do fim, os EUA voltaram a ameaçar ataques a infraestruturas iranianas caso não haja avanço nas negociações ou reabertura da rota marítima. Do lado iraniano, líderes afirmam que houve progresso parcial, mas alertam para a possibilidade de retomada dos combates, elevando o risco de uma nova escalada militar na região.

Politica Livre

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