domingo, março 29, 2026

Moderação alardeada por Flávio esbarra em projeto bolsonarista e no seu passado político

 

Moderação alardeada por Flávio esbarra em projeto bolsonarista e no seu passado político

Por Redação

29/03/2026 às 10:29

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado/Arquivo

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O senador Flávio Bolsonaro (PL)

O perfil de político moderado reivindicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) provoca um desafio a sua pré-candidatura à Presidência. De um lado, aliados ressaltam suas diferenças em relação ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por golpe de Estado, acreditando que o estilo menos histriônico do filho 01 pode ocasionar uma expansão do eleitorado.

Do outro lado, estudiosos da extrema direita alertam que a estratégia de Flávio é limitada, porque a pré-candidatura inscreve-se em um projeto autoritário e seu passado político está ligado à visão de mundo bolsonarista. Não por acaso, a própria esquerda já busca desconstruir a imagem alardeada pelo senador.

Aliados afirmam, sob condição de anonimato, que a moderação pode diminuir a rejeição de Flávio, uma pessoa "dócil e equilibrada". Pesquisa Datafolha deste mês mostra Flávio e Lula empatados tecnicamente no quesito rejeição —o petista soma 46% ante 45% de Flávio. O objetivo, afirmam, é mostrar que Flávio é Flávio e Jair é Jair. Com a moderação, não temem perder o núcleo duro do bolsonarismo, sendo Flávio um Bolsonaro legítimo.

Também há avaliação de que as rejeições dos dois pré-candidatos têm naturezas distintas. A do petista estaria cristalizada desde o início do terceiro mandato, enquanto o senador herdaria a reprovação do pai, o que poderia ser revertido durante a campanha. Os apoiadores de Flávio não veem contradição entre externar um discurso linha-dura na segurança pública e se mostrar atento a pautas sociais. Afinal, afirmam, a maioria da população concorda com a sentença "bandido bom é bandido morto".

Na semana passada, Flávio disse ser a favor da redução da maioridade penal para 14 anos e defendeu castração química para estupradores. O 01 passou a se apresentar como moderado no fim do ano passado em reuniões com o PIB na capital paulista, um almoço na sede do banco suíço UBS e outro na casa do empresário Gabriel Rocha Kanner, sobrinho de Flávio Rocha, dono da Riachuelo.

A estratégia logo se refletiu nas redes sociais, com postagens direcionadas a grupos minorizados.

Flávio publicou, no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, um vídeo para defender a ampliação do número de vagas nas creches oferecidas pelo governo. No mês anterior, fez outro vídeo, condenando ataques racistas sofridos pelo jogador Vinicius Jr., do Real Madrid.

Republicou ainda uma ilustração feita com inteligência artificial, em que recebe um beijo de um rapaz. A imagem era acompanhada de um dizer, sugerindo um suposto respeito à liberdade sexual e de gênero. "Tá confirmado! Flávio apoia a liberdade de todos. Você já ouviu alguma fala homofóbica de Flávio? Marque um LGBT para conhecer nosso futuro presidente."

Em 2016, quando se candidatou à Prefeitura do Rio de Janeiro, tentou emplacar a mesma tática, apresentando-se como versão polida do pai. Terminou em quarto lugar, não chegando nem a disputar o segundo turno daquela eleição vencida por Marcelo Crivella, do PRB (hoje Republicanos).

Cientistas políticos afirmam, no entanto, que "bolsonarismo" e "moderação" são antônimos.

"A expressão ‘bolsonarismo moderado’ é uma contradição em termos. O bolsonarismo existe por causa da radicalização, encarnada por Bolsonaro", diz Odilon Caldeira Neto, professor do Departamento de História da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) e coordenador do Observatório da Extrema Direita.

Neto conta que a busca pelo centro é um imperativo à pré-candidatura, mas a sustentação de tal retórica vai depender de alguns fatores, entre os quais as alianças e a recepção que terá entre os formadores de opinião.

"Flávio tem uma limitação grande, porque um elemento constitutivo da sua identidade, como filho de Bolsonaro, é o extremismo", afirma Mayra Goulart, professora de ciência política da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O bolsonarismo se difere da direita moderada, diz ela, porque ataca as instituições, defende o patriarcado e usa uma definição de democracia que exclui o liberalismo.

Diretora da Pesquisa Latina Consultoria, a cientista política Thaís Pavez conta que o bolsonarismo moderado já fracassou, desde que governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi preterido para disputar o Planalto. "Vai ser difícil equacionar as demandas da base bolsonarista com a imagem de moderado, sendo que Flávio vai ficar mais exposto do que nunca durante a campanha."

Atenta à tática de Flávio, a cúpula do governo mudou o discurso na última semana. A instrução de agora é desconstruir a imagem moderada, alardeada pelo adversário. Adriano Gianturco, professor de ciência política do Ibmec e coordenador do curso de relações internacionais, discorda da visão dos outros especialistas e diz ser possível surgir um bolsonarismo moderado.

Ele conta ser comum que movimentos políticos apareçam com uma proposta radical, arrefecida pouco a pouco, pelo esmorecimento das ideais iniciais. Para Gianturco, existem vários bolsonarismos. "Os bolsonaristas que defendem ditadura são pouquíssimos. A maioria que vota em Bolsonaro nem sei se é bolsonarista. Falar que metade da população é bolsonarista é um espantalho."

Ao longo de sua carreira política, Flávio nunca deixou de defender a visão de mundo propalada pelo pai.

Deputado estadual pelo Rio de Janeiro por quatro mandatos, condecorou, em 2005, o ex-PM Adriano da Nóbrega com a medalha Tiradentes. Suspeito de matar um guardador de carros, Nóbrega recebeu dentro da prisão a honraria. Ele morreu, há seis anos, numa troca de tiros com a polícia, no interior da Bahia, de acordo com a versão oficial. Estava foragido, acusado de liderar a maior milícia do Rio de Janeiro.

Uma década depois, Jair Bolsonaro tornou-se "habitué" dos programas de TV aberta. Num deles, o CQC, da Band, disse que os filhos não corriam risco de namorar uma mulher negra ou de virarem gays, "porque foram muito bem-educados." Flávio defendeu o pai, dizendo ser contra o politicamente correto. Em 2016, minimizou a homenagem feita pelo pai ao Coronel Brilhante Ustra, torturador da ditadura, na votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Flávio tem se dividido entre a pré-campanha e a defesa do pai, com pedidos de anistia. Há dois anos, negou, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, a tentativa de golpe de Estado, ocorrida em 8 de janeiro de 2023.

"Se eu quiser te vender um terreno na lua agora, você vai aceitar? Não. Por quê? Porque é um crime impossível. Quando é um crime impossível, não há crime. Essa narrativa de tentativa de golpe no 8 de janeiro é um crime impossível. Vocês querem me convencer de verdade que alguém que cometeu os atos de vandalismo ia sentar na cadeira de presidente da República, ia começar a dar ordem e ia todo mundo cumprir?"

No ano passado, antes de ser anunciado herdeiro político de Bolsonaro, disse à Folha que o candidato da direita deveria se comprometer a indultar o ex-presidente, usando a força, se preciso, para deter qualquer reação do STF (Supremo Tribunal Federal). Na ocasião, negou ter usado um tom de ameaça.

"Estou fazendo uma análise de cenário. Bolsonaro apoia alguém, esse candidato se elege, dá um indulto ou faz a composição com o Congresso para aprovar a anistia, em três meses isso está concretizado, aí vem o Supremo e fala: é inconstitucional, volta todo mundo para a cadeia. Isso não dá."

"Essa é uma fala golpista", afirma Gabriela Zancaner, professora de direito constitucional da PUC-SP. "Há uma separação de poderes na nossa Constituição e não cabe ao Executivo interferir em questões do Judiciário."

Politica Livre

CNJ investiga conduta de desembargador que criticou pensão a mulher vítima de violência doméstica

 

CNJ investiga conduta de desembargador que criticou pensão a mulher vítima de violência doméstica

Por Wendal Carmo, Carta Capital

29/03/2026 às 13:00

Atualizado em 29/03/2026 às 13:01

Foto: Divulgação TJ/BA/Arquivo

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O desembargador José Reginaldo Costa

O corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, determinou apuração sobre a conduta do desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia que criticou, durante um julgamento na 3ª Câmara Cível do TJ baiano, a concessão de pensão alimentícia a uma mulher vítima de violência doméstica.

Segundo apurou a reportagem, a investigação quer entender se José Reginaldo Costa incorreu em violência institucional, prática caracterizada pela revitimização de vítimas ou testemunhas por agentes públicos durante procedimentos de apuração.

A avaliação interna é que as declarações do magistrado não representam uma mera divergência jurídica, mas eventual violação à regra do CNJ que obriga a adoção da perspectiva de gênero na análise de casos semelhantes.

O episódio ocorreu na última terça-feira 24. Na ocasião, a 3ª Câmara Cível analisava um recurso que pedia o pagamento de pensão alimentícia transitória a uma mulher que foi impedida de trabalhar por quase 10 anos pelo ex-marido, sofreu com violência doméstica, mora de favor atualmente na casa de amigos e tem medo de novas perseguições do ex-companheiro, com quem teve um filho. De acordo com a defesa dela, o relacionamento com o ex-marido foi iniciado quando ela ainda era menor de idade, e perdurou por mais de seis anos.

Relator do caso, o desembargador Francisco de Oliveira Bispo votou contra a pensão por considerar que ela era jovem e conseguiria se inserir no mercado de trabalho para garantir a própria renda.

A divergência partiu de Almir Pereira de Jesus, que reproduziu áudios agressivos enviados pelo ex-marido à vítima.  “Negar os alimentos sob o argumento de que a mulher é jovem e apta para o trabalho é aplicar a lei de olhos fechados. É presumir autossuficiência onde existe uma dependência imposta pelo agressor”, destacou o magistrado, sugerindo que a pensão fosse paga até que a mulher conseguisse se colocar no mercado de trabalho.

Reginaldo Costa, então, criticou a concessão do benefício. “Esses alimentos devem ser vistos com muita cautela, para não estimular a ociosidade”, afirmou o desembargador, questionando a discussão: “Daríamos o mesmo tratamento se fosse o inverso? O homem não tem perspectiva de gênero nesse ponto. Eu julgo de forma isenta, não estou preocupado com isso”.

Ao ver que a soma das pensões chegaria a seis salários mínimos, o magistrado ironizou a realidade a cidade onde a mulher mora, comparando salário da elite local. “Talvez seja o salário do prefeito de Guanambi. No interior, se a gente procura uma diarista, não acha. Ninguém quer mais trabalhar“, reclamou.

“Nosso país atravessa uma situação muito parecida. Com essas bolsas de tudo que tem por aí, ninguém quer mais trabalhar. No interior, se você procurar uma diarista não encontra. Estou me referindo à ociosidade”, completou Reginaldo Costa.

As falas provocaram indignação nas desembargadoras que integram a comissão. “Se ele a impediu de trabalhar, ele tem que arcar com o ônus de mantê-la”, declarou Rosita Falcão. A desembargadora Joanice Guimarães reforçou que o protocolo não é uma escolha.  “A perspectiva de gênero é obrigatória para qualquer um”. Já Alberto Raimundo Gomes disse que a contrariedade ao benefício seria a síntese da cultura do “macho alfa” brasileiro.

No fim, a 3ª Câmara Cível do TJ-BA, por maioria,  decidiu conceder a pensão no valor de três salários mínimos para a mulher, sem prazo fixo para acabar.

Politica Livre

Quando os políticos mentem, a única saída é buscar a verdade na imprensa


Os três... na charge do Duke

Charge do Duke (Arquivo Google)

Demétrio Magnoli
Folha

Se todos mentem o tempo inteiro, a consequência não é que as pessoas param de acreditar em mentiras, mas que param de acreditar em qualquer coisa. A ideia, formulada por Hannah Arendt, mais atual do que nunca nessa era das redes sociais, só acentua a relevância da imprensa. O jornalismo tem o dever de preservar um espaço de verdade na vida pública.

A verdade nem sempre é óbvia. Há que selecionar, na incomensurável pilha de fatos, aqueles capazes de contar uma história verdadeira. Inexiste a possibilidade de fugir à interpretação, que envolve subjetividade. O jornalista percorre caminhos riscados por ciladas. Mais ainda em ano eleitoral, quando o desenlace parece, aos olhos de milhões, assumir proporções épicas. Aí, o perigo maior não mora nos canalhas, que mentem a soldo, mas nos virtuosos tocados pela varinha do orgulho.

CÓDIGO MORAL –  MJohn Burns, do New York Times, duas vezes agraciado com o Pulitzer, foi ao ponto: “No nosso tempo, tornou-se comum para jovens repórteres expor como seu código moral a vontade de produzir um mundo melhor. É algo belo, mas que pode nutrir um complexo missionário –até uma arrogância – capaz de estimular uma cegueira para fatos inconvenientes, em favor dos outros”.

O veículo de imprensa ou jornalista que se proclama perfeitamente objetivo engaja-se no autoengano –ou, mais provavelmente, na tentativa de enganar os demais. Mas é obrigatória a busca incessante pela objetividade possível, ideal fundador do jornalismo.

O jornalista que arranja os fatos com a intenção de gerar um efeito político (o “mundo melhor”) trai inadvertidamente esse ideal. Pior: contribui com os fabricantes profissionais de mentiras que almejam disseminar a descrença no ecossistema da informação.

USAR O CETICISMO – O primeiro antídoto contra a tentação missionária está no Projeto Folha: o ceticismo diante das lideranças políticas, sem exceção. Extirpar a crença em líderes redentores. Desconfiar das certezas ideológicas. Confrontar os discursos com as práticas. Prestar atenção em fatos que complicam as narrativas fáceis.

O segundo antídoto é internalizar o princípio básico dos sistemas democráticos: o conceito de pluralismo, que repousa na celebração da diversidade de ideias. A atitude exige convicção, pois contradiz a inclinação humana a buscar a confirmação de nosso modo de pensar. O meu “mundo melhor” não necessariamente coincide com o “mundo melhor” do meu vizinho.

Num passado recente, os derrotados em disputas eleitorais cumpriam o ritual de congratular o vencedor. Bem mais que um protocolo vazio, o gesto exprimia reconhecimento da legitimidade do governante eleito e, sobretudo, respeito à vontade da maioria que o havia sufragado. A implosão desse protocolo, como efeito da polarização, ensina à sociedade uma lição antidemocrática: os eleitores situados no lado oposto tornam-se traidores, “inimigos do povo” ou “inimigos da pátria”.

LIÇÃO DEMOCRÁTICA – O jornalismo tem o dever de ensinar a lição democrática. Sem jamais abandonar o escrutínio dos candidatos e a condenação absoluta a tentativas de violar as regras do jogo, precisa respeitar as distintas verdades de todos os cidadãos.

Candidatos deslizam, às vezes, para o terreno da ilegitimidade; o eleitorado, nunca. No fim, trata-se de admitir que o eleitor detém a prerrogativa de errar por último na tentativa de parir “um mundo melhor”.

 

Bolsonaro preso em casa; CPMI não indicia Lulinha

 

Por Coisas da Política

Publicado em 29/03/2026 às 08:09

Alterado em 29/03/2026 às 08:40



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https://www.jb.com.br/colunistas/coisas-da-politica/2026/03/1059129-bolsonaro-preso-em-casa-cpmi-nao-indicia-lulinha.html

O escândalo da Previdência e o peso político de uma CPI sem precedentes


Charge do Gilmar Fraga (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

A conclusão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) projeta um dos episódios mais delicados da política recente brasileira. Não apenas pelo volume financeiro envolvido — estimado em cerca de R$ 18 bilhões —, mas sobretudo pela dimensão institucional e política dos nomes citados.

Com 215 pessoas arroladas para possível indiciamento, a CPI rompe um padrão histórico de investigações parlamentares no país. Nunca antes uma comissão legislativa havia avançado com uma lista tão extensa, revelando um esquema que, segundo o relatório final, operava de forma estruturada e disseminada dentro da Previdência Social.

EMPRÉSTIMOS CONSIGNADOS – O núcleo da fraude, conforme apontado, estaria concentrado na concessão irregular de empréstimos consignados, muitos deles fictícios, que atingiram diretamente aposentados e pensionistas — justamente o grupo mais vulnerável do sistema. Trata-se, portanto, não apenas de um escândalo financeiro, mas de uma crise moral, na medida em que expõe a exploração sistemática de cidadãos dependentes do Estado.

Entre os nomes citados, destacam-se figuras de elevado peso político, como Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula da Silva, além do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi. A inclusão desses nomes amplia significativamente o impacto político do relatório, sobretudo em um momento de alta sensibilidade eleitoral.

A CPI também recomenda a responsabilização de agentes públicos e políticos que, direta ou indiretamente, teriam contribuído para a perpetuação do esquema. No caso do ex-ministro, a crítica central recai sobre a incapacidade — ou omissão — de impedir que a fraude atingisse proporções sistêmicas durante sua gestão.

QUESTIONAMENTOS – É nesse ponto que o relatório ganha contornos mais complexos. Ainda que parte dos valores desviados tenha origem em irregularidades detectadas em gestões anteriores, inclusive durante o governo de Jair Bolsonaro, o avanço e a continuidade das fraudes durante o atual governo levantam questionamentos inevitáveis sobre falhas de controle e governança.

O Palácio do Planalto, por sua vez, enfrenta um dilema político clássico: ao mesmo tempo em que precisa sustentar a narrativa de recuperação de recursos e reparação aos prejudicados, vê-se pressionado por acusações que atingem figuras próximas ao núcleo de poder. A presença de aliados do chamado “Centrão” entre os citados reforça a percepção de que o problema transcende governos e se enraíza em práticas políticas mais amplas.

No plano eleitoral, o impacto tende a ser imediato. A exposição de nomes ligados ao presidente Lula da Silva ocorre em um contexto de disputa acirrada pela reeleição, abrindo espaço para adversários explorarem o episódio como símbolo de fragilidade ética do governo. Candidatos como Ronaldo Caiado e Romeu Zema já sinalizam, nos bastidores, a intenção de incorporar o tema ao debate público.

CAUTELA – Ainda assim, é preciso cautela. Relatórios de CPI, embora politicamente relevantes, não possuem caráter condenatório. Caberá ao Ministério Público e ao Judiciário transformar — ou não — as conclusões em responsabilizações formais. A história recente brasileira mostra que o caminho entre denúncia política e condenação judicial é, muitas vezes, longo e incerto.

O que não se pode ignorar, no entanto, é o efeito sistêmico revelado pela investigação. Mais do que casos isolados de corrupção, a CPI descreve um modelo de captura institucional, no qual falhas de controle, interesses políticos e fragilidades administrativas convergiram para produzir um esquema de larga escala.

DESCONFIANÇA – No fim, o maior dano talvez não seja apenas financeiro. É a erosão da confiança pública em um dos pilares do Estado social brasileiro. Quando aposentados — que contribuíram por décadas — tornam-se alvo de fraudes bilionárias, o que está em jogo é a própria legitimidade do sistema.

A CPI do INSS, portanto, não se encerra com a leitura de seu relatório final. Ela inaugura uma nova fase: a do julgamento político e institucional de um escândalo que, pela sua magnitude, dificilmente será esquecido no curto prazo.


Misoginia é um crime grave, que o Brasil ainda se recusa a enfrentar


Lauro de Freitas: feirão de seminovos com descontos de até R$ 10 mil

 


                          Fotos: Divulgação/ Assoveba


Lauro de Freitas: feirão de seminovos com descontos de até R$ 10 mil


Evento acontece no estacionamento do Parque Shopping Bahia, com veículos a partir de R$ 29.900 e opções de pagamento com zero de entrada

Lauro de Freitas recebe nos dias 10, 11 e 12 de abril (de sexta a domingo) a 31ª edição do Feirão Duelo dos Seminovos, que será realizado no estacionamento do Parque Shopping Bahia. Esta será a terceira edição do evento na cidade da região Metropolitana de Salvador, com proposta de atrair clientes de outros municípios do entorno. 

O evento vai reunir 34 lojas especializadas com mais de mil veículos seminovos disponíveis.

Os visitantes poderão encontrar carros e utilitários com preços que variam de R$ 29.900 a R$ 200 mil, todos com o padrão de qualidade já reconhecido da Assoveba, a Associação Oficial de Revendedores de Veículos do Estado da Bahia. 

Entre os atrativos estão planos de financiamento com taxas especiais para os três dias de feirão. Também haverá diversas modalidades de crédito com possibilidade de zero de entrada, pagamento em até 60 meses, facilitando o acesso para diferentes perfis de compradores. Todos os benefícios dependem da análise individualizada de crédito.

Durante os três dias de evento, o Bradesco Financiamentos estará de plantão com equipe de gerentes e analistas para oferecer aprovação imediata de crédito. 

A expectativa dos organizadores é atrair consumidores interessados em condições especiais e em comparar ofertas de diferentes lojistas em um único espaço, um verdadeiro duelo pelos clientes.

Pauta enviada pelo jornalista Fábio Allmeida

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