segunda-feira, janeiro 26, 2026

Lula mostra irritação com Toffoli e chega a dizer a aliados que ministro deveria deixar STF

 

Lula mostra irritação com Toffoli e chega a dizer a aliados que ministro deveria deixar STF

Por Catia Seabra/Folhapress

26/01/2026 às 06:27

Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

Imagem de Lula mostra irritação com Toffoli e chega a dizer a aliados que ministro deveria deixar STF

O presidente Lula

O presidente Lula (PT) tem manifestado irritação com a conduta do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), na relatoria do inquérito do Banco Master.

O petista acompanha o andamento do caso e as repercussões sobre a atuação do magistrado. Nos últimos dias, deu sinais de que não pretende defender Toffoli das críticas feitas ao ministro.

Em conversas reservadas com ao menos três auxiliares, Lula fez comentários considerados duros sobre Toffoli e chegou a afirmar, em desabafos, que o ministro deveria renunciar a seu mandato na corte ou se aposentar, segundo relatos colhidos pela Folha.

Lula disse a esses aliados que pretende chamar Toffoli para uma nova conversa sobre sua conduta no inquérito —eles já discutiram o assunto no fim do ano passado.

Apesar dos rompantes, colaboradores duvidam que o presidente vá propor ao ministro que se afaste do tribunal ou abra mão da relatoria do caso.

O presidente está incomodado com o desgaste institucional ao Supremo causado por notícias que expuseram laços de parentes do ministro com fundos ligados à teia do banco. De acordo com aliados, o petista também reclamou do sigilo imposto ao processo e do receio de que a investigação seja abafada.

A auxiliares Lula tem defendido as investigações e afirmado que o governo precisa mostrar que combate fraudes sem poupar poderosos, evitando críticas por eventuais interferências. "Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões", afirmou Lula na sexta-feira (23).

Além disso, haveria a percepção de que o caso pode abalar políticos de oposição e deverá prosseguir, ainda que respingue em governistas.

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tem ligações com políticos do centrão e também com aliados do governo do PT na Bahia. O empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, é próximo de Rui Costa, ministro da Casa Civil, e do senador Jaques Wagner, líder do governo.

Desde o fim do ano passado, o presidente monitora a evolução do inquérito. Ele teria ficado intrigado com a decisão de Toffoli de colocar sob sigilo elevado um pedido da defesa de Daniel Vorcaro para levar as investigações ao STF.

A medida aconteceu uma semana antes de o jornal O Globo revelar que o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, tinha um contrato de R$ 3,6 milhões mensais para defender os interesses do Master.

Nas palavras de um aliado, o presidente passou a desconfiar que o caso terminaria em uma "grande pizza". Em dezembro, Lula convidou Toffoli para um almoço no Palácio do Planalto, com a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Na conversa, descrita como amistosa pelo próprio Lula, o presidente teria dito que tudo que seu governo desvendou deveria ser levado às últimas consequências. Ainda segundo relatos, ele queria entender se essa era a disposição no tribunal, mesmo após a decretação do sigilo.

Em resposta, segundo relatos, o ministro disse que nada seria abafado e que o sigilo era uma medida justificável. Lula, então, afirmou que Toffoli faria a coisa certa. O presidente disse ainda, segundo informação do colunista Lauro Jardim, confirmada pela Folha, que a relatoria seria uma oportunidade para que Toffoli reescrevesse sua biografia.

Essa conversa aconteceu antes de revelações que põem em xeque a atuação do ministro. Toffoli está sob pressão devido à sua postura na supervisão do inquérito. As críticas vão desde o severo regime de sigilo imposto ao caso, seguido pela viagem de jatinho com um dos advogados da causa e por negócios que associam seus familiares a um fundo de investimentos ligado ao Master, como revelou a Folha.

A interlocutores Toffoli disse que, neste momento, descarta abdicar do processo por não ver elementos que comprometam a sua imparcialidade.

O ministro indicou a interlocutores que nem a viagem de jatinho na companhia do advogado nem a sociedade entre seus irmãos e o fundo de investimentos comprometem sua imparcialidade. E, como mostrou a Folha, em sua história, o STF só reconheceu o impedimento ou a suspeição de ministros em casos de autodeclaração.

Responsável pela indicação de Toffoli para o tribunal, Lula coleciona decepções com o ex-advogado do PT. Toffoli, por exemplo, impediu que Lula assistisse ao velório do irmão, tendo pedido desculpas ao presidente anos depois.

O pedido de perdão ocorreu em dezembro de 2022, após a eleição de Lula. O ministro do Supremo Tribunal se desculpou por não ter autorizado o petista a comparecer ao velório de seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, quando estava preso em Curitiba. Vavá morreu em janeiro de 2019.

Augusto Lima, ex-Master, ergueu império do Credcesta com conexões políticas e teias empresariais

 

Augusto Lima, ex-Master, ergueu império do Credcesta com conexões políticas e teias empresariais

Por Alexa Salomão e João Pedro Pitombo/Folhapress

26/01/2026 às 06:45

Foto: Divulgação/Arquivo

Imagem de Augusto Lima, ex-Master, ergueu império do Credcesta com conexões políticas e teias empresariais

Augusto Lima

Com uma calça preta e camiseta branca, Augusto Lima subiu ao palco no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador, ao lado da esposa Flávia Péres. A orquestra Neojibá, xodó das gestões petistas no estado, embalava os convidados que bebericavam copos de uísque.

Era novembro de 2023 e o casal lançava o Instituto Terra Firme na presença de secretários, deputados, procuradores, conselheiros de contas, empresários e artistas. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) anunciou uma parceria com a entidade, e o prefeito Bruno Reis (União Brasil) lembrou que ele e Lima estudaram no mesmo colégio.

O evento foi uma demonstração de poder e prestígio de um banqueiro embalado pelo sucesso de sua sociedade no Banco Master.

A trajetória de Augusto Lima é marcada por uma rápida ascensão. Em menos de uma década, a partir da criação do Credcesta, em 2018, saiu da Bahia, ganhou espaço na Faria Lima, expandiu o negócio do consignado por 24 estados e 176 municípios. Em novembro de 2025, foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga a suspeita de fraudes em carteiras de créditos que o Master vendeu ao BRB (Banco Regional de Brasília).

Lima está em casa, com tornozeleira eletrônica, e foi convocado a prestar depoimento nesta semana. Sua defesa disse que não comentaria detalhes desta reportagem.

Segundo reconstituição da Folha, com base em documentos e relato de pessoas próximas ao empresário, a trilha que colocou Lima no centro do maior escândalo financeiro em décadas inclui estruturas empresariais opacas, teias societárias complexas e costuras políticas.

Nesse caminho, Lima utilizou muitos fundos em seus negócios e criou fortes laços com a Reag, a gestora de recursos que foi alvo em agosto de 2025 da Operação Carbono Oculto, por suspeita de operar para o PCC, e foi liquidada pelo Banco Central.

A PKL One, empresa dona do Credcesta, recebeu aumento de capital de um fundo chamado Reag 34, depois rebatizado de Diamond. Esse fundo detém o controle da empresa e está sob a gestão da WNT, que foi citada na segunda fase da operação Compliance Zero.

O fundador da Reag, João Carlos Falbo Mansur, figura, na pessoa física, como representante de sócio em outra empresa conectada à cadeia de relacionamentos de Lima, a Consiglog. Especializada em fornecer sistemas para gestão de empréstimos consignados, é ela que atua com o Credcesta.

Entre os imóveis apontados como ligados a ele está a Ilha do Topete, na baía de Todos-os-Santos. O direito de uso da ilha está em nome da RC Participações, que consta como ativo de um fundo gerido pela Reag.

Lima também declarou ganhos milionários em operação envolvendo ações da Akaa Empreendimentos e cotas do Murrien 41, que receberam investimentos do Hans 95, um dos fundos que foram alvo da Carbono Oculto.

DO CARNAVAL AO MERCADO FINANCEIRO

Nascido em uma família de classe média de Salvador, Guga, como é chamado entre amigos, cursou economia em uma universidade particular. Formou-se em 2002 com um trabalho final sobre a indústria do Carnaval.

Trabalhou com venda de abadás até entrar no setor financeiro com a Terra Firme da Bahia, fundada em 2001 para atuar como correspondente de instituições financeiras.

Nos anos seguintes, fundou outras empresas neste segmento e ajudou a criar as associações de servidores Asteba e Asseba, que prestavam serviços, inclusive financeiros, aos funcionários públicos.

Aproximou-se dos governos do PT na Bahia a partir de 2017, quando Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil, era governador, e o senador Jaques Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico.

Wagner conduziu a privatização da Ebal, a estatal responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo, que operava com um cartão de compras. Os dois primeiros leilões ficaram vazios, e Lima levou a Wagner a solução para tornar o negócio mais atraente: de mero instrumento para compras, o cartão passaria a agregar um combo de benefícios para os servidores, inclusive serviços financeiros.

A Ebal foi arrematada em abril de 2018 por R$ 15 milhões pela única empresa que apareceu, a NGV SPE Empreendimentos e Participações. Lima não está entre os sócios, e nem apareceu no leilão.

O representante foi o espanhol Ignacio Morales –diretor da Ginso, entidade assistencial que já havia se reunido com Lima e o governo baiano em fevereiro e firmou contrato com a gestão Rui Costa.

Na mesma época, o governo baiano aprovou uma proposta da gestora Reag para estruturar um fundo para construir um novo Centro de Convenções da Bahia. O projeto não avançou.

A diretora da NGV, então, era a advogada Nayanne Britto –que depois atuaria no Banco Master e é diretora jurídica do instituto fundado por Lima.

Um email datado de 3 de março, revelado em reportagem do UOL, mostrou Lima organizando a NGV junto com a Cartos –a empresa de Henrique Souza e Silva Peretto, que em 2025 seria apontada como parte no esquema de venda de carteiras fraudulentas ao BRB. Ele foi preso no mesmo dia que Lima e também está na lista de depoentes desta semana.

Rapidamente a NGV transferiu os direitos de exploração comercial do cartão para a PKL One. Lima também não aparece na PKL. Entre os diretores responsáveis pela PKL estão executivos ligados ao grupo Terra Firme, esse sim, de Lima, como Andrea Novaes Lima e Ana Paula de Almeida Pithon.

À Folha Wagner afirmou que, apesar de ter conhecido Lima em um ambiente institucional, se tornaram amigos, e que a venda da estatal foi um bom negócio para a Bahia: além de ser incomum um governo possuir uma rede de supermercados, naquele período a Cesta do Povo enfrentava dificuldades financeiras.

Confirmou que negociações para compra da Ebal foram feitas com Augusto Lima e Ignacio Morales, mas diz desconhecer detalhes de uma eventual sociedade entre ambos. Destacou ainda que a licitação teve o aval dos órgãos de controle.

Lima foi a São Paulo buscar um banco para viabilizar o cartão Credcesta. Bateu na porta do BMG com o advogado André Kruschewsky Lima, que orbitou em negócios no entorno do banqueiro. Foi sócio da Consiglog e diretor no Master. Já Luiá Kruschewsky Monteiro aparece como sócia-diretora da Ebal.

Os relatos divergem sobre a recepção do BMG. Uma versão é que o banco declinou do Credcesta porque não queria sócio num segmento em que já era forte. Outra é que identificou riscos no pacote do cartão de benefício.

O Credcesta tem exclusividade de 15 anos no governo da Bahia, com taxa de juros na casa de 4,7%, ocupando um adicional de 30% de comprometimento da renda. Isso elevou para 75% o comprometimento da renda de um servidor na Bahia. Ele também pode empenhar outros 33% com empréstimo em qualquer instituição autorizada pelo governo (e muitos fizeram também com o Master) e mais 12% via entidade sindical (incluindo aquelas com ligações com Lima).

Lima foi, então, apresentado à equipe de Daniel Vorcaro quando o Master ainda tinha o nome Banco Máxima. Foi empolgação instantânea. Em poucas semanas já estava de pé um acordo em que a PKL e o banco firmaram uma parceria dividindo os ganhos com a operação do Credcesta.

CONEXÕES POLÍTICAS

Daniel Vorcaro e Augusto Lima são descritos como homens de personalidades até antagônicas. Quem trabalhou com ambos diz que, se o mineiro preferia festas exuberantes e ternos vistosos, o baiano era simples, evitando extravagâncias. Recusava até convite para happy hour no bar para não aborrecer a esposa.

A união da influência política da dupla, no entanto, escalou o Credcesta, que depende de negociação com governos. O produto se espalhou pelo país, com taxas de juros ainda maiores. Em junho de 2021, o governo Claudio Castro (PL) no Rio de Janeiro autorizou margem de 20% de comprometimento da renda e juros de 5,5%, com exclusividade –que só foi suspensa no final do ano passado.

O Master ainda conseguiu autorização para operar também com o consignado do INSS. Na ponta, a modalidade era apresentada ao consumidor como mais uma vantagem do Credcesta.

Diferentes pessoas que trabalharam com Lima contam que ele mantinha controle sobre a operação do Credcesta – diziam que tinha ciúme de sua criação. Entrou na sociedade do Master em maio de 2020 e ampliou a operação.

Pessoas que acompanham o Master contam que ao assinar o acordo para sair, em maio de 2024, Lima estava disposto a deixar a marca Credcesta, mas mediante o pagamento de R$ 1,5 bilhão e um banco. Como Vorcaro protelava o pagamento, Lima foi ficando. Manteve o escritório no Master e o controle sobre a operação do Credcesta. Em abril de 2025, por exemplo, representava o Master em uma premiação para parceiros dentro da sede do próprio banco. Há fotos do evento.

O que se conta é que só se afastou quando conseguiu aprovação do Banco Central para ficar com o banco Voiter, que ele rebatizou de Pleno, e levou o Credcesta.

Com os ganhos do cartão benefício nesses anos todos, Lima comprou carros, aeronaves, fazendas e passou a ser anfitrião de festas badaladas na Bahia. Também expandiu outros negócios no estado.

Em fevereiro de 2025, a Pharos 71 Empreendimento Imobiliário participou de um polêmico leilão da prefeitura de Salvador por uma área no Morro Ipiranga. Lima não aparece como sócio da firma, mas sua administradora é Andrea, a mesma da PKL.

No campo pessoal, o círculo de amizades se estendeu mais à direita também. Ficou próximo de João Roma, ministro da Cidadania de Bolsonaro entre 2021 e 2022. Atraiu a atenção do senador Ciro Nogueira, presidente do PP, e do presidente do União Brasil, Antônio Rueda.

Foi por intermédio desse grupo que conheceu Flávia Péres, deputada federal pelo PP e ministra de Bolsonaro. Pessoas próximas contam que foi um match instantâneo. Lima deixou a esposa em 2023. O casamento com Flávia foi celebrado na Ilha dos Frades, em janeiro de 2024, e os convidados não puderam fazer fotos ou postagens em redes sociais.

Ao lado de Lima, Flávia recebeu o título de cidadã baiana proposto pelo deputado estadual Vitor Azevedo (PL). Em seu discurso na ocasião, Lima chamou de amigos políticos como João Roma, Otto Alencar Filho, Cacá Leão, José Ronaldo, Sandro Régis, todos presentes.

Quando montou a equipe do banco Pleno, Lima convidou para a diretoria Ronaldo Vieira Bento, sucessor de Roma no ministério da Cidadania em 2022. Roma nega tê-lo indicado para o banco.

Dias antes da prisão, em dezembro, a rede de conexões políticas do banqueiro seguia a todo vapor. Conforme revelado pelo site Metrópoles, um helicóptero de Lima foi usado por João Roma, pelo ex-prefeito ACM Neto e pelo prefeito Bruno Reis, que rumaram para o interior da Bahia. Procurado, o prefeito afirma que a viagem foi feita dentro da legalidade.

Quem frequenta o círculo próximo a Lima afirma que, se Vorcaro parece abandonado por muitos, os amigos de Lima nunca foram tão fiéis.

Politica Livre

Dias Toffoli e o risco de contaminação institucional no caso Master


Charge do Sponholz (Arquivo Google)

Vera Magalhães
O Globo

Desde que assumiu o caso, Toffoli tomou uma série de decisões no mínimo controversas para centralizar as investigações no STF: suspendeu apurações em curso na primeira instância, impôs sigilos amplos, questionados por investigadores, e restringiu o acesso do Ministério Público a elementos relevantes. Também determinou limites estritos à coleta de depoimentos.

Isoladamente, essas decisões podem ser enquadradas no guarda-chuva de um princípio famoso e sempre moldável ao gosto do freguês: o garantismo penal. Em conjunto, porém, produziram falta de transparência e, por vezes, constrangimento a quem agiu para investigar e conter os gravíssimos indícios de que foram praticados desvios em série nas transações do Master.

RESORT – Tal histórico ganhou gravidade com as sucessivas revelações sobre o resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR). Reportagens mostraram que o empreendimento teve como acionistas irmãos e um primo de Toffoli e que foi vendido a um fundo de investimento ligado ao Master, controlado por Daniel Vorcaro. Os familiares do ministro negam participação no negócio. A cunhada Cássia Pires Toffoli, em cujo endereço está registrada a empresa que chegou a ser dona de um terço do empreendimento, negou qualquer ligação da família com a venda do Tayayá.

Quando o relator mantém vínculos diretos ou indiretos relevantes com partes de um processo, a dúvida sobre sua isenção deixa de ser periférica e passa a contaminar o caso. No Supremo, onde não existe instância revisora, a exigência de imparcialidade deve ser ainda mais rigorosa. A legitimidade da Corte não depende apenas da convicção subjetiva de seus ministros, mas da confiança pública de que não julgam casos em que tenham interesses diretos ou colaterais.

Há saídas jurídicas claras. A mais imediata seria a redistribuição da relatoria a outro ministro, solução já adotada em diversas situações análogas. Outra alternativa que vem sendo estudada seria o próprio Toffoli remeter de volta o caso à primeira instância, sobretudo diante da ausência de prerrogativa de foro que justifique sua permanência no STF e do próprio entendimento recente da Corte.

SEM SUSTENTAÇÃO – O que não se sustenta é a manutenção do status atual, reforçando a percepção de que o Supremo reluta em agir quando o problema envolve um de seus integrantes. Lembrando que o caso também resvalou em Alexandre de Moraes, cuja mulher detém um contrato com o Master.

Nesse cenário, chama a atenção a postura da Procuradoria-Geral da República. Apesar dos indícios cumulativos de conflitos de interesse e decisões controversas, Paulo Gonet tem sido condescendente e reiteradamente dado o sinal de que está tudo certo. A leniência contrasta com a assertividade demonstrada pelo órgão sob Gonet noutros episódios sensíveis, alguns envolvendo o próprio STF e seus ministros. Pesos e medidas diferentes contribuem para a sensação de que os mecanismos de controle institucional falham quando atingem o topo do sistema.

Afastar Toffoli da relatoria do caso Master não é punição nem juízo antecipado de culpa. É medida de prudência. Ao permitir que o ministro permaneça no comando do processo, o STF aceita que a suspeição se projete sobre suas decisões. E, nesse ponto, o dano já deixou de ser individual. É coletivo.

Malafaia sabe que os chefões da Faria Lima rejeitam a candidatura de Flávio


Malafaia: Tarcísio não se arrepende de nada do que falou na Paulista

Malafaia quer convencer Tarcísio a disputar contra Lula

Roberto Nascimento     

O pastor Silas Malafaia já sentiu o vapor do vento, vindo pelos lados do Centrão e da Avenida Faria Lima, endereço dos maiores empresários paulistas, que já se decidiram pela chapa com o governador paulista Tarcísio de Freitas, tendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como vice.

Jair Bolsonaro se insurgiu contra a decisão da direita empresarial e o pragmatismo do Centrão; resolveu impor o nome do filho Zero Um para herdar o legado do bolsonarismo.

SEM CONDIÇÕES – Ocorre, porém, que Bolsonaro foi abatido em pleno voo e está preso. Portanto, ficou sem condições políticas para impor ao sistema o nome do filho Flávio, que não tem carisma para empolgar o eleitorado.

A direita sabe que aquelas condições políticas que levaram Bolsonaro ao poder não existem neste 2026. Pelo contrário, a tentativa de golpe de estado assustou aos empresários, que preferem um cenário de estabilidade democrática, ideal para o ambiente de negócios.

É por isso que Silas Malafaia há muito tempo vem costeando o alambrado para pular do sítio bolsonarista e entrar no terreno com a grama fresca e abundante da candidatura Tarcísio, antevendo a perda de capilaridade eleitoral de Bolsonaro.

FICAR NA MUDA – Mas o que angustia o pastor Malafaia é a indecisão do governador paulista. Segundo o líder evangélico, Tarcísio deveria ficar na muda. igual passarinho, e não falar em reeleição para não queimar o filme.

Assim, quando a direita que manda der a ordem, indicando Tarcísio como candidato, haverá melhores condições. Esse recado será dado até abril, quando termina o prazo para os governadores deixarem o governo para se tornarem candidatos a presidente, deputado ou senador.

Na hora certa, as cartas de quem realmente manda no Brasil vão chegar ao hóspede da Papudinha. Os chefões da Faria Lima não querem o filho Flávio como candidato da direita e serão respeitados.

Em destaque

Idec - Telemarketing abusivo - Brasil recebe mais de 1 bilhão de ligações por mês

    Estudo pelo fim do telemarketing abusivo: o consentimento como forma de garantir direitos   Brasil recebe mais de 1 bilhão de ligações a...

Mais visitadas