Luciano Huck se tornou “embaixador” dos fraudadores
Carlos Newton
Sem deixar de reconhecer a relevância da divulgação do escândalo do banco Master por todos os meios de comunicação, devassando suas relações nada republicanas com autoridades de diversos níveis, incluindo os poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, é forçoso reconhecer que a bilionária fraude financeira ganhou maior dimensão com a cobertura do Jornal Nacional, que vinha se omitindo.
Curiosamente, até agora a imprensa não se preocupou em divulgar que uma instituição financeira fraudulenta como o Master, que acarretou prejuízo de mais de R$ 50 bilhões a milhões de clientes, incluindo cidadãos de parcos recursos, ter sido parceira de programas de grande audiência da Rede Globo, especialmente o Domingão com Huck.
WILL BANK – Como se sabe, além do Master, o Banco Central também decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, conhecido por Will Bank, de propriedade do mesmo grupo golpista, que não se sabe como pôde implementar tão vultoso ataque ao sistema financeiro nacional sem despertar a menor reação preventiva, em anos, por parte dos órgãos responsáveis por sua fiscalização, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários.
De acordo com o Banco Central, só a financeira Will tem um passivo de R$ 7 bilhões em transações correntes com a bandeira Mastercard.
Em 2025, foi anunciado que Luciano Huck e seu “Domingão” eram os novos parceiros do Will Bank, cujo CEO, Felipe Felix, afirmou: “Por ser um dos principais nomes da televisão brasileira e estar à frente de um programa no horário nobre de domingo, com um grande alcance, vimos uma sinergia importante em trazer o Huck para ser nosso embaixador. Juntos, queremos descobrir histórias e valorizar ainda mais nossos clientes que estão por todo o Brasil”.
HUCK NA PARADA – Como “embaixador” dos picaretas, Luciano Huck não deixou por menos e destacou: “O Will Bank é meu novo banco. Um parceiro que escolhi para estar ao meu lado nos próximos anos – ele já está pelos quatro cantos do Brasil, sempre com novidades incríveis e em constante evolução. Estou feliz demais e quero que meu público possa embarcar nessa com a gente”.
Como o Will Bank foi liquidado, se você é uma das vítimas desse vultoso calote, procure o Fundo Garantidor de Crédito ou, em último caso, o Ministério Público que deve processar os culpados por propaganda enganosa, segundo o Código de Defesa do Consumidor.
Em lugar algum do planeta alguém acreditaria que um cidadão desconhecido de 42 anos, chamado Daniel Vorcaro, de um dia para outro poderia abrir um banco e aplicar uma rasteira em mais de 10 milhões de clientes, causando prejuízo de dez bilhões de dólares, sem deixar vestígio algum para ser contido.
### NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Luciano Huck ficou mal nesse episódio, usando sua imagem para que seus admiradores fossem enganados por uma verdadeira quadrilha financeira. O mais incrível é que uma pessoa como Huck não selecione melhor seus parceiros nos negócios e ainda viva espalhando que pretende ser presidente da República. Recentemente, voltou a falar no assunto, sabe-se lá com que objetivo.(C.N.)
Kassab e Ratinho Jr. querem transformar impasse em oportunidade
Camila Turtelli O Globo
Diante da guerra de bastidores entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pelo protagonismo no campo da direita, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, passaram a atuar de forma mais ativa para transformar o impasse em oportunidade política.
Na avaliação de caciques da legenda, o racha no campo conservador abriu uma brecha para atrair lideranças de outras siglas para um bloco de apoio à candidatura do paranaense ao Palácio do Planalto. Um dos focos é o União Brasil.
NA CORRIDA – Nas últimas semanas, Ratinho Jr. fez reuniões internas no PSD e passou a dizer, sem rodeios, que está decidido a disputar o Planalto. Kassab, por sua vez, tem reforçado publicamente, e repetido em conversas reservadas, que, hoje, o governador do Paraná reúne as melhores condições para representar a legenda em 2026.
A mensagem transmitida pelo dirigente é clara: se a decisão fosse tomada agora, Ratinho seria o escolhido, ainda que o partido mantenha outros nomes no radar e acompanhe de perto os movimentos do Republicanos e do PL. A leitura no PSD é que a indefinição entre Flávio e Tarcísio não apenas atrasa a organização da direita como cria um vácuo de comando.
Flávio se coloca como herdeiro político do bolsonarismo, mas enfrenta dificuldades para ampliar alianças além do núcleo ideológico. Tarcísio, por sua vez, oscila entre acenos ao projeto presidencial e sinais de que buscará a reeleição em São Paulo — o que, na avaliação de aliados de Ratinho Jr., joga a favor do paranaense por retirar do jogo o nome considerado pelo grupo como mais competitivo.
SOB PRESSÃO – Na última sexta-feira, Tarcísio voltou a afirmar que seu projeto político está na reeleição em São Paulo e que vai “trabalhar muito em prol do Flávio Bolsonaro”, negando que haja pressão do entorno bolsonarista por uma definição mais clara. A postura reforça, segundo interlocutores do PSD, a avaliação de que o chefe do Executivo paulista tende a permanecer fora da disputa nacional, ainda que o tema siga sensível nos bastidores da direita.
— Não tem nada de pressão. Até porque agora a gente vai trabalhar muito em prol do Flávio Bolsonaro, não vai ter problema nenhum com relação a isso. Acho que, com o tempo, as coisas vão se acomodando. Isso é absolutamente normal. Tenho certeza que teremos uma candidatura muito competitiva — afirmou Tarcísio durante a entrega de moradias populares em Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo.
A disposição de Flávio em disputar o Planalto mesmo sem reunir o apoio de setores da direita anima Kassab a lançar Ratinho Jr. Segundo pessoas próximas ao dirigente partidário, esta é a primeira vez que Kassab sustenta de forma concreta o projeto presidencial de Ratinho Jr., não apenas como ativo para negociações futuras.
SEGUNDO TURNO – O cálculo envolve também o segundo turno: no PSD, a avaliação é que o paranaense teria mais chances de chegar à fase final da disputa contra o presidente Lula em um cenário com Flávio na corrida do que em uma eleição polarizada com Tarcísio como principal nome da direita fora do bolsonarismo.
Nesse contexto, já há uma estratégia de campanha em gestação. O marqueteiro argentino Jorge Gerez, que já fez campanha para diversos políticos da direita na América Latina, participa das discussões iniciais. Uma das linhas prevê o uso intensivo da figura do pai do governador, o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, como ativo eleitoral. A aposta é explorar a popularidade do comunicador para ampliar a penetração do projeto presidencial fora do eixo Sul e Sudeste.
Aliados defendem que o governador do Paraná explore a segurança pública como vitrine, destacando indicadores no estado, investimentos em tecnologia, monitoramento por câmeras, uso de inteligência artificial e a reestruturação das carreiras policiais. A avaliação interna é de que o tema será central na eleição e pode funcionar como ponte tanto com o eleitor conservador quanto com as classes C e D.
DIFICULDADES REGIONAIS – Apesar do entusiasmo no PSD, dirigentes reconhecem que a construção de uma candidatura presidencial de Ratinho Jr. enfrenta obstáculos relevantes na montagem de palanques regionais. Em estados estratégicos, a correlação de forças locais limita o espaço para um projeto nacional do partido. Como mostrou O Globo, em pelo menos seis estados as resistências vêm da própria legenda.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o prefeito Eduardo Paes (PSD) está alinhado a Lula e deve atuar pela reeleição do petista, o que dificulta a defesa de uma candidatura presidencial de centro-direita pela legenda. Na Bahia, outro estado-chave, o PSD integra a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e mantém aliança com o Planalto, cenário considerado incompatível com um discurso de oposição.
No Piauí, outro estado governado pelo PT há mais de uma década, o PSD deve estar na chapa à reeleição do governador Rafael Fonteles, com o deputado federal Júlio César (PSD) em uma das vagas ao Senado. Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição pelo PSD, disputa o apoio do PT com o prefeito de Recife, João Campos (PSB).
ARTICULAÇÃO – A costura articulada por Kassab inclui ainda Minas Gerais, um dos principais focos de atenção do PSD na montagem do tabuleiro eleitoral. As conversas entre Ratinho Jr. e o governador Romeu Zema (Novo) avançaram nos últimos meses com discussões sobre cenários de composição — ainda sem definição formal. Embora Zema tenha rejeitado publicamente a hipótese de ser vice de Flávio Bolsonaro, o PSD avalia que o diálogo com o mineiro é central para preservar um palanque competitivo no estado.
Segundo aliados, o acordo fechado durante a filiação do vice-governador Mateus Simões ao PSD garantiu autonomia regional e blindou Minas de uma vinculação automática ao bolsonarismo.
Ministério das Cidades preparou mapa de distribuição por regiões do País
(Foto: Ministério das Cidades)
O Brasil já soma 2 milhões de moradias contratadas pelo Minha Casa, Minha Vida desde 2023, quando o programa foi retomado pelo Governo Lula. A marca foi atingida nesta sexta-feira (23/1), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandou a entrega de mais 1,2 mil novas unidades em Maceió (AL). O resultado veio um ano antes do previsto.
A recriação do programa em 2023, e sua ampliação nos anos seguintes, têm impulsionado não apenas o acesso à moradia digna para famílias de baixa renda até a classe média, mas também a geração de empregos e o aquecimento da economia local, especialmente por meio da construção civil. O programa é apoiado por nove em cada dez brasileiros, segundo pesquisa da Genial/Quaest de 2025.
Conheça agora a distribuição por cada região do País: Centro-Oeste: O Centro-Oeste já soma 231.435 moradias contratadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida desde 2023, dentro do total de 2 milhões de unidades contratadas em todo o país no período. Os empreendimentos estão distribuídos por Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal e beneficiam cerca de 925 mil pessoas de famílias de diferentes faixas de renda.
Na região Centro-Oeste se destaca o estado do Goiás, com 138.309 unidades habitacionais contratadas. Elas representam cerca de 550 mil pessoas realizando o sonho da casa própria, ao todo nesse estado. Os contratos abrangem diferentes modalidades do Minha Casa, Minha Vida, entre moradias subsidiadas e financiadas, incluindo áreas urbanas e rurais de todo o Brasil.
Nordeste – Nordeste já soma 557.265 moradias contratadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida desde 2023, dentro do total de 2 milhões de unidades contratadas em todo o país no período. Os empreendimentos estão distribuídos por todos os nove estados nordestinos – Bahia, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Maranhão, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Piauí .
Eles beneficiam cerca de 2,229 milhões pessoas de diferentes faixas de renda e fortalecer a política habitacional nos municípios. Os contratos abrangem diferentes modalidades do Minha Casa, Minha Vida, entre moradias subsidiadas e financiadas, incluindo áreas urbanas e rurais de todo o Brasil. Destacam-se os estados da Bahia, Pernambuco e Ceará, com, respectivamente, 108.949, 88.487 e 80.385 moradias contratadas.
Norte – O Norte já soma 107.822 moradias contratadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida desde 2023, dentro do total de 2 milhões de unidades contratadas em todo o país no período. Os empreendimentos que, juntos, beneficiam mais de 400 mil pessoas, estão distribuídos por Pará, Amapá, Rondônia, Tocantins, Roraima, Amazonas e Acre .
Na região Norte se destacam os estados do Pará e do Amazonas, com 45.522 e 23.082 unidades habitacionais contratadas, respectivamente. Os contratos abrangem diferentes modalidades do Minha Casa, Minha Vida, entre moradias subsidiadas e financiadas, incluindo áreas urbanas e rurais de todo o Brasil.
Sudeste – O Sudeste já soma 870.528 moradias contratadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida desde 2023, dentro do total de 2 milhões de unidades habitacionais contratadas em todo o país no período. Os empreendimentos estão distribuídos por São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, beneficiando aproximadamente 3.482 milhões de pessoas em diferentes faixas de renda e fortalecendo a política habitacional nos municípios.
Na região Sudeste se destacam os estados de São Paulo e Minas Gerais, com 588.344 e 175.817 unidades habitacionais contratadas, respectivamente. No Rio de Janeiro, são 88.303 moradias contratadas e, no Espírito Santo, são 18.064 unidades residenciais.
Sul – O Sul já soma 347.234 moradias contratadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida desde 2023, dentro do total de 2 milhões de unidades contratadas em todo o país no período. Os empreendimentos estão distribuídos por Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina e beneficiam aproximadamente de 1,388 milhão de pessoas de diferentes faixas de renda.
Na região Sul se destacam os estados da Paraná e Rio Grande do Sul, com 142.346 e 146.829 unidades habitacionais contratadas, respectivamente. Os contratos abrangem diferentes modalidades do Minha Casa, Minha Vida, entre moradias subsidiadas e financiadas, incluindo áreas urbanas e rurais de todo o Brasil.
Setor em alta Indicadores calculados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a partir de informações da Associação Brasileira de Incorporadoras mostram que o setor imobiliário atingiu um recorde histórico de lançamentos em 2025, antes mesmo do encerramento do ano, impulsionado diretamente pelo Minha Casa, Minha Vida. O volume de imóveis lançados teve crescimento de 34,6% até outubro, o maior nível da série histórica. Contribuíram para o resultado o aumento de 38,6% do número de novas unidades relacionadas ao Minha Casa, Minha Vida.
Fonte: Agência Gov com informações do Ministério das Cidades
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Nota da Redação Deste Blog - Sinceramente, é difícil entender o discurso dos fanáticos bolsonaristas diante de fatos tão claros. Mesmo com números concretos mostrando avanços reais na vida do povo pobre e no desenvolvimento do Brasil, ainda insistem em dizer que o presidente Lula “nada faz” e que só gera pobreza. Isso não se sustenta diante da realidade.
O programa Minha Casa, Minha Vida, retomado em 2023, já soma 2 milhões de moradias contratadas, um ano antes do previsto. Isso significa milhões de famílias realizando o sonho da casa própria, com dignidade, segurança e estabilidade. Além disso, não é só moradia: é geração de empregos, aquecimento da economia local e fortalecimento da construção civil em todo o país.
Enquanto isso, fica a pergunta: quantas casas Bolsonaro construiu para os menos favorecidos? Onde estavam essas políticas habitacionais durante o governo dele? É curioso ver gente que nunca se incomodou com a falta de moradia agora criticar um governo que está, de fato, entregando resultados.
E não é algo distante ou abstrato. Até Jeremoabo será beneficiada com a distribuição de moradias. Ou seja, os frutos dessas políticas chegam também aos municípios do interior, onde a carência habitacional é histórica.
Os dados por região mostram que o programa é nacional e inclusivo:
– Nordeste com mais de 557 mil moradias contratadas;
– Sudeste com 870 mil;
– Centro-Oeste, Norte e Sul igualmente contemplados.
Isso desmente a narrativa de que “nada está sendo feito”. Pelo contrário: há uma política pública estruturada, com impacto social e econômico comprovado, apoiada por nove em cada dez brasileiros, segundo pesquisa da Genial/Quaest.
Portanto, dizer que Lula só gera pobreza é negar a realidade. É fechar os olhos para milhões de casas construídas, empregos criados e famílias beneficiadas. A crítica é legítima em qualquer democracia, mas o fanatismo que ignora fatos não é crítica: é má-fé política.
* José Montalvão - Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, pós-graduação em Jornalismo proprietário doBlog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025
O cantor e ministro de louvor Maílson Braga, natural de Salvador, é um dos grandes destaques da programação do Yahweh Shammah 2026, evento que integra a Semana da Cultura Gospel em Simões Filho e reúne nomes expressivos da música cristã na Bahia.
Com um estilo marcado pelo Worship pentecostal, Maílson vem conquistando espaço no cenário gospel ao unir musicalidade contemporânea com profunda intensidade espiritual.
Sua participação, considerada uma das grandes novidades desta edição, acontece na quinta-feira (29) e deve atrair um público que busca experiências autênticas de adoração.
Mais do que apresentações musicais, Maílson Braga desenvolve um ministério voltado para a edificação de vidas. Suas canções e ministrações carregam mensagens de fé, entrega e esperança, conduzindo o público a momentos de reflexão e conexão com Deus.
“Meu propósito é usar a música como instrumento para glorificar a Deus e alcançar corações”, destaca o cantor. Essa missão se reflete em cada apresentação, onde o louvor vai além do palco e se transforma em uma verdadeira experiência espiritual.
O Yahweh Shammah 2026 se consolida como um dos principais encontros de fé e cultura gospel do estado, e a presença de Maílson Braga reforça o compromisso do evento em valorizar artistas que impactam positivamente a sociedade por meio da música cristã.
Além de Maílson, o Yahweh Shammah 2026 que começa neste domingo (25) e segue até o dia 31 de janeiro reunirá grandes nomes do gospel nacional.
Juízes de corte italiana rejeitaram série de solicitações
Michele Oliveira Folha
A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) na Itália afirmou que vai pedir a substituição dos juízes que acompanham o caso na Corte de Apelação de Roma por considerar que eles estão agindo de forma hostil e com “pré-juízo”.
Em audiência ocorrida na última terça-feira (20), os três magistrados rejeitaram uma série de solicitações da defesa, como o acesso a mais informações sobre o cárcere onde Zambelli deverá cumprir sua pena no Brasil –a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia– e a documentação sob sigilo do julgamento ocorrido no Brasil.
TESTEMUNHA – Também foi pedido que Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), fosse ouvido como testemunha —o que também foi negado. Tagliaferro foi acusado de vazar mensagens de integrantes do gabinete de Moraes para obstruir investigações sobre a trama golpista.
Ele está na Itália, impedido pela Justiça de deixar o país enquanto aguarda a tramitação de seu processo de extradição. “Percebemos que eles [juízes] estavam sendo hostis e com pré-juízo em relação às nossas solicitações, não atendidas”, disse o advogado Pieremilio Sammarco à Folha.
O pedido de troca de magistrados precisa ser apresentado por escrito nos próximos dias. Na sessão de terça, foi a própria Zambelli quem anunciou a intenção de pedir a substituição dos juízes. No Brasil, ela se considera vítima de perseguição política pelo STF ( Supremo Tribunal Federal).
NOVA SESSÃO – Após três adiamentos desde o fim de novembro, essa audiência, que já havia começado com atraso de cerca de duas horas, foi suspensa no fim da tarde. Na última quarta-feira, o tribunal marcou para o próximo dia 11 uma nova sessão para avaliar a extradição.
Zambelli está presa há quase seis meses na Itália, depois de ficar dois meses foragida. Se for extraditada para o Brasil, esse tempo de detenção será descontado do restante da pena a ser cumprido.
FUGA – Ela fugiu do país em junho para escapar da pena de dez anos de prisão referente à invasão do sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e à emissão de um mandado falso de prisão contra Moraes.
Quando já estava na Itália, foi condenada a outros cinco anos por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Os dois casos compõem um único processo de extradição. A Corte de Apelação de Roma atua como primeira instância nesse caso. Após a decisão do tribunal, as partes podem recorrer.
Temos cerca de dois meses e meio para entender o que a direita nacional levará para a campanha presidencial contra a reeleição de Lula. As pesquisas mostram que a soma dos diversos candidatos da direita é maior que os votos prometidos a Lula, sugerindo que, se houvesse um candidato único desse espectro político, a disputa seria acirrada.
Só que não. Quando se vai para o segundo turno, Lula hoje venceria qualquer deles. Está garantida a vitória? Nada disso.
A rejeição a Lula continua alta, mas a de Flávio Bolsonaro é de igual magnitude. Teremos então, como em 2022, uma disputa entre rejeitados? Só se Flávio mantiver sua candidatura até 4 de abril.
TARCÍSIO É OPÇÃO – Ainda há pesquisas pela frente. Se nelas o candidato oficial do bolsonarismo não conseguir se manter estável, é provável que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, volte a surgir como candidato possível.
O que é preciso saber é se a teimosia do ex-presidente Bolsonaro o impedirá de mudar de ideia, mesmo com uma derrota provável prevista pelas pesquisas. Perder com Flávio seria melhor que vencer com Tarcísio, como ele parece pensar agora, ou a vontade de ser libertado falará mais alto?
Com Lula reeleito, não haverá indulto, ou graça, ou outra medida qualquer que o beneficie. Com Tarcísio, mesmo com toda a desconfiança, é provável que saia alguma coisa, embora a liderança da direita no Brasil passe de mãos.
EM DECLÍNIO – Com a possibilidade de Tarcísio ficar oito anos à frente do governo, dificilmente os Bolsonaros terão papel relevante no jogo político. Prosseguindo candidato, Flávio poderá unir a centro-direita num segundo turno contra Lula?
Primeiro, tem de chegar ao segundo turno, o que pode ser dificultado por uma candidatura do PSD como a do governador Ratinho Junior, do Paraná. Se o candidato for Tarcísio, a direita estará unida desde o primeiro turno. Se for Flávio, estará dividida. A divisão dos dois ajudará Lula, mas dificilmente o presidente atual venceria no primeiro turno.
Qualquer dos dois que chegue ao segundo turno unirá a direita, mas um sobrenome desses não levará o apoio do centro. Podem aumentar os votos nulos e em branco, mas pode ocorrer novamente o mesmo que na eleição mais recente: os votos do centro elegerão Lula, ainda que com pequena vantagem. Talvez a vantagem se amplie, depois do que aconteceu no governo Bolsonaro.
HAVERÁ MUDANÇAS – As placas tectônicas da política estão se movimentando, alguns dos governadores que se lançaram candidato não se apresentarão. Ronaldo Caiado, de Goiás, deverá disputar o Senado; Romeu Zema deverá ser candidato a vice de Ratinho, enquanto o Centrão tenta emplacar a vice de Flávio Bolsonaro.
Para garantir um Bolsonaro na chapa, Tarcísio se aproxima da ex-primeira-dama Michelle, que aparentemente tem mais votos que Flávio. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, não disputará contra Tarcísio nem Ratinho, que é de seu partido.
A esquerda, aparentemente hegemônica na eleição presidencial, tem dificuldades para montar seus palanques nos principais estados. Tirando o Rio, onde apoiará o prefeito Eduardo Paes, o PT não tem candidaturas fortes em São Paulo ou em Minas — são os três estados que costumam indicar a vitória presidencial. Especialmente em Minas. Nunca nos tempos recentes foi eleito um presidente que perdeu lá.
DESESPERO DO PT – A invenção de uma candidatura da ministra do Planejamento, Simone Tebet, para o governo de São Paulo não passa de desespero político do PT, num estado em que o atual governador é candidato favorito à reeleição e pode ainda ser o candidato da direita à Presidência.
Em Minas, Zema é a maior força política, e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco não parece ter fôlego político suficiente para alavancar Lula.
As peças começam a ser movidas no tabuleiro. A partir de 4 de abril começa o jogo para valer.
### NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Belíssima análise de Merval Pereira, que aborda as diversas hipóteses de candidaturas. Se Flávio Bolsonaro insistir na pretensão, as chances de Lula ser reeleito aumentam bastante. (C.N.)