quarta-feira, outubro 01, 2025

Caso Tagliaferro: ex-braço direito de Moraes preso na Itália após denúncia da PGR


Tagliaferro foi denunciado pelo vazamento de mensagens

Leandro Magalhães
CNN

O ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), Eduardo Tagliaferro, foi detido na Itália nesta quarta-feira (1).

Segundo a defesa de Eduardo Tagliaferro, ele foi detido pela polícia italiana e foi conduzido para uma delegacia.

CAUTELAR – “Em um primeiro momento, a polícia italiana o conduziu para uma delegacia para, aparentemente, aplicar uma cautelar de restrição de circulação. Mas sem maiores detalhes. Vamos tomar ciência da restrição. Mas será reconduzido para a casa dele”, afirmou Eduardo Kuntz.

Ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Tagliaferro foi denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) pelo vazamento de mensagens trocadas entre servidores do gabinete do ministro Alexandre de Moraes.

Eduardo Tagliaferro está na Itália há alguns meses. Em agosto, Moraes pediu a extradição do ex-assessor acusado de vazar dados sigilosos. O Ministério da Justiça informou que enviou solicitação ao Itamaraty em 20 de agosto, para formalização junto ao governo da Itália.

DENÚNCIA – Tagliaferro apresentou denúncia em audiência por videoconferência na Comissão de Segurança Pública do Senado no começo de setembro, afirmando que Moraes teria adulterado documentos para justificar operações da PF (Polícia Federal).

Segundo relato do perito Tagliaferro, que atuava no TSE quando Moraes comandava o tribunal, ele teve que produzir um documento posterior a uma ação policial, mas houve adulteração na data para indicar que o material técnico teria sido produzido antes.

Tagliaferro sustenta que a data foi alterada porque Moraes não queria que parecesse que a PF fez busca e apreensão em alvos apenas por conta de uma notícia veiculada na época.

NOTA – Moraes rebateu as acusações feitas por seu ex-assessor Eduardo Tagliaferro. Em nota divulgada por sua assessoria no início de setembro, o ministro disse que todos os procedimentos de investigação foram realizados de forma regular.

O perito sustenta, ainda, que a assessoria do TSE foi acionada para recolher dados e que estes foram repassados às autoridades competentes.


Quem vai resolver a crise do metanol?

 

Arte: Marcelo Chello

A crise do metanol em bebidas destiladas tem a pinta de estar só começando. Pelo menos cinco pessoas morreram intoxicadas em São Paulo, e começam a aparecer casos noutros estados. Clubes e bares estão avisando seus clientes que vão parar de vender as bebidas por um tempo. Mas, como esta é uma newsletter sobre política, falemos sobre política. O que estamos assistindo neste momento é mais um embate entre Tarcísio e Lula sobre quem vai ser o dono da crise (isso é que é confiança de que podem resolver o problema assim facilmente, né?). Pano de fundo: eleições 2026 na rua, BRASEW, e a segurança pública vai ser um dos principais temas da disputa.

O ministro da Justiça, Lewandas Lewandowski, anunciou hoje que a Polícia Federal vai investigar o caso sob a alegação de que o caso teria conexões com o PCC e não está restrito a São Paulo (o que daria a jurisdição para o governo federal). Uma teoria sobre o envolvimento do PCC veio de uma associação de combate à falsificação, de que o PCC poderia estar se desfazendo do metanol que sobra dos postos de combustíveis adulterados para enfiar em garrafas de destilados. (Já pensou se a moda pega? Matar os clientes?). O governo federal botou até o ministro da Saúde na jogada, dizendo que vão tentar comprar um remédio que ajuda a resolver a intoxicação.

Já o Tarcísio entrou um dia atrasado na história. Os esquerdistas encheram as redes dizendo que o governador não pôde ontem porque estava mais preocupado com Bolsonaro do que com a população. Fato é que, hoje, o governador desmarcou até agendas públicas para mostrar que está pronto para resolver o problema e saiu dizendo: não tem nada a ver com o PCC. Tarcísio viu a urgência porque ele já perdeu a comunicação no outro caso do PCC, o da Faria Lima.

“Tudo o que acontece é o PCC. Tem se especulado sobre a participação do crime organizado nessa adulteração de bebida. Não há evidência alguma.”

Só hoje começaram a ser fechados bares e adegas em São Paulo onde estavam vendendo produtos suspeitos.

Senso de crise

Huguito Motta, nosso atual dono da Câmara frigorífica, que adora resolver suas crises com a crise dos outros (senso de oportunidade é tudo na vida da pessoa), de repente, não mais que de repente, botou urgência em oito projetos de segurança pública. Quando um projeto entra em urgência no Congresso, significa que vai direto à votação do Plenário. E qual a crise do Huguito, Tixa? A crise da anistia, dosimetria, PEC da blindagem, todas juntas ao mesmo tempo.

Huguito parece que está usando o mesmo modus operandi da crise dos bolsonaristas que tomaram sua cadeira no Congresso, e ele teve que entregar a solução para o ex-Arthur Lira. Na época, para mostrar força, Huguito aproveitou a onda do vídeo do Felca para botar urgência no projeto que regulava as redes sociais para proteger crianças e adolescentes.

Nota nada aleatória. Os projetos pautados por Huguito não têm a ver com a PEC da Segurança Pública encaminhada ao Congresso pelo Lewandas.

Enfim o IR

O presidente da Câmara ainda fez mais uma hoje: garantiu que o projeto que isenta de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil vai ser votado. Aleluia!!! Mas ainda está a maior treta sobre a forma de compensar a perda de arrecadação. O projeto original do governo, e depois chancelado por Arthur Lira, que é o relator, quer taxar os mais ricos. Mas está o maior lobby para que essa parte não fique assim.

Barroso vai curtir uma Brahma

O supremo Barroso, o agora ex-presidente supremo, resolveu fazer um retiro espiritual organizado pela Brahma Kumaris. O que se diz é que o ministro pretende refletir sobre a possibilidade de se aposentar. Você nem imagina, darling, o que tem de gente entrando junto na rede de orações para que ele se aposente mesmo e deixe a cadeira vaga. É Rodrigo Pacheco, é Messias, é Bruno Dantas.

Mas o que é a tal Brahma Kumaris? É um movimento espiritual criado na Índia por um homem, mas que entregou todo seu legado para oito jovens mulheres, e hoje a organização é comandada por mulheres. Quem sabe se Barroso se aposentar, Lula se inspira na Brahma e indica uma mulher para a vaga dele? Né?

Gilmar, o supremo

Gilmar Mendes está todo trabalhado em discutir projetos de lei contra sanções estrangeiras a autoridades brasileiras. Nas redes sociais, Paulo Figueiredo, o amigo de Dudu Bolsonaro que faz lobby com ele contra o Brasil a favor de Bolsonaro direto dos States, disse que o decano pode se espernear quanto quiser, mas que as sanções vão chegar até ele. Aff. Quando essa novela acaba?

Ainda estamos para descobrir quem tem melhor lobby depois que o Trump acenou que adorou o Lula e que vai negociar com ele.

Valdemar

E o Valdemar Costa Neto, que manda e é dono do PL, andou sinalizando que o partido pode topar a história de dosimetria em vez de anistia. Dosimetria é a história de reduzir as penas de quem foi condenado pelo 8 de janeiro. Muita gente sairia da prisão com essa solução. E Bolsonaro teria uma bela redução da pena.

E vem mais fundo por aí

A Comissão Mista do Orçamento quer aumentar o fundo eleitoral para as campanhas de 2026. Nossa, que surpresa, né? Estão falando de uns R$ 5 bilhões do nosso dinheiro.

E é isso, já se inscreveu na nossa newsletter? Link aqui.
Direto no seu e-mail.

Lóve you, com acento.

USP cai para segundo lugar em ranking de melhores universidades da América Latina

 Foto: Divulgação/Arquivo

Campus da USP01 de outubro de 2025 | 09:01

USP cai para segundo lugar em ranking de melhores universidades da América Latina

brasil

A USP (Universidade de São Paulo) perdeu o posto de melhor universidade da América Latina e do Caribe, de acordo com o 15° ranking QS (Quacquarelli Symonds) 2026, divulgado nesta quarta-feira (1º).

Após dois anos consecutivos na liderança, a instituição paulista caiu para a segunda posição, sendo superada pela Pontifícia Universidade Católica do Chile (UC), que agora reassume o posto de primeiro lugar.

Apesar da perda da liderança da USP, o Brasil manteve presença entre as dez melhores colocadas do ranking. A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) aparece na terceira posição, enquanto a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) na quinta colocação, mesmas colocações do levantamento anterior.

A Unesp (Universidade Estadual Paulista) subiu e agora aparece na sexta colocação, duas posições à frente em relação ao ranking 2025.

Segundo o relatório da QS, responsável pelo levantamento, o Brasil continua sendo o país mais representado no ranking, com 130 universidades, quase o dobro do número apresentado por México e Colômbia, que contam com 67 instituições cada.

O vice-presidente sênior da QS, Ben Sowter, afirma que o alto número de instituições brasileiras no ranking mostra o desempenho e a produtividade em pesquisa das universidades brasileiras, além da “força motriz na definição do futuro do ensino superior em toda a região”.

“Nos últimos anos, o sistema de ensino superior do Brasil fez avanços importantes em inclusão, acesso e reforma de políticas, enquanto enfrentava desafios persistentes em taxas de conclusão e qualidade”, explica Sowter.

Além disso, as universidades brasileiras também se destacam em outros critérios do ranking. No critério de reputação acadêmica, o país conta com três universidades (USP, Unicamp e UFRJ) entre as dez melhores nesse indicador.

No critério de pesquisa, o país conta com cinco universidades entre as dez melhores da região em Rede Internacional de Pesquisa e Citações Por Artigo (CPP). No caso de Artigos Por Docente (PPF), o Brasil conta sete instituições entre as dez melhores.

Além disso, a USP segue como uma das principais instituições de pesquisa da América Latina, liderando critérios, como o de Artigos Por Docente (PPF) e o de Rede Internacional de Pesquisa (IRN), que avaliam respectivamente a produtividade acadêmica individual e a capacidade de colaboração.

Para Ben Sowter, da QS, a busca do fortalecimento da colaboração internacional e doméstica com iniciativas, como a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), explica o bom posicionamento do Brasil neste indicador.

“Ao vincular a cooperação Norte-Sul e Sul-Sul, o Capes posiciona o Brasil para aprimorar a formação de pós-graduação, atrair talentos e fortalecer seu papel na produção global de conhecimento”, afirma Sowter.

No entanto, segundo o ranking, o Brasil está entre os 16 países da região que registraram queda de posição de suas instituições.

Das universidades brasileiras listadas, 41% (39) caíram de posição, 29% (28) subiram e 30% (29) permaneceram estáveis em relação ao último levantamento. Apesar disso, o recuo do Brasil foi o menor entre os 16 países que registraram queda, com uma variação de -11%.

A 15ª edição do ranking QS América Latina e Caribe conta com critérios de formação dos docentes e da publicação científica, além de outros, como pesquisa e reputação como empregador.

FolhapressPolitica Livre

Gilmar Mendes defende lei contra sanções estrangeiras para as autoridades brasileiras

 Foto: Antonio Augusto/ STF/Arquivo

O ministro Gilmar Mendes, decano do STF30 de setembro de 2025 | 19:25


brasil

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse nesta terça-feira (30) que participa da discussão de um projeto de lei contra sanções estrangeiras a autoridades e entidades brasileiras.

A afirmação foi feita a jornalistas após uma palestra na qual o ministro defendeu que o Brasil discuta formas de aumentar a sua autonomia digital e reduzir a dependência das big techs.

“Nós estamos nos debruçando sobre um debate de lei anti-embargos para proteger as autoridades e também aquelas chamadas entidades que sofrem sanções secundárias, como bancos e prestadores de serviços”, disse Gilmar, depois de participar de um evento do grupo Lide, em Brasília.

“É preciso entrar um pouco neste mundo e discutir isso, e acho que o Congresso é o locus adequado para esse tipo de proteção”.

Gilmar citou punições que foram aplicadas a autoridades brasileiras, como a suspensão pelos Estados Unidos de vistos de ministros do Supremo e a aplicação da lei Magnitsky, que impõe sanções financeiras, ao ministro Alexandre de Moraes.

Ele disse que “esse é um fenômeno que também está ocorrendo com autoridades europeias” e, por isso, a necessidade de discussão do tema também no Brasil.

O ministro não explicou em detalhes como tem sido feita a discussão desse projeto e nem com quais pessoas do Congresso.

Antes, na palestra, Gilmar afirmou que o Brasil tem dependência crítica de empresas estrangeiras que controlam tecnologias estratégicas, como a infraestrutura 5G.

Também disse que “mais de R$ 3 bilhões foram gastos em contratos públicos para soluções de nuvens e softwares licenciados por quatro conglomerados globais”.

“Essa concentração tecnológica transcende a economia e impacta diretamente a segurança nacional, ao expor informações estratégicas a algoritmos opacos e a jurisdições alheias. Trata-se de um problema sistêmico, que ultrapassa o plano econômico. É a própria noção de soberania que está em jogo”.

Aprovada inicialmente em 2012 na gestão Barack Obama e depois expandida em 2016, a Lei Magnitsky permite que o governo dos EUA imponha sanções financeiras e restrições de visto contra estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos.

O nome faz menção a Sergei Magnitsky, um advogado e auditor financeiro que, ao delatar uma fraude fiscal do governo da Rússia em 2008, foi preso e, quase um ano depois, morreu na cadeia.

A lei prevê dois tipos principais de sanções: pessoais de imigração, que correspondem a medidas como proibição de concessão de vistos e revogação de autorizações de entrada nos EUA, e financeiras. Neste caso as principais sanções são o congelamento de bens nos EUA e a proibição de que cidadãos e empresas americanas façam negócios com os sancionados.

José Marques/FolhapressPolitica Livre

Isenção de IR até R$ 5.000 chega ao plenário da Câmara em meio a batalha sobre compensação

 Foto: Vinicius Loures/Arquivo/Câmara dos Deputados

Plenário da Câmara01 de outubro de 2025 | 06:34

Isenção de IR até R$ 5.000 chega ao plenário da Câmara em meio a batalha sobre compensação

economia

O projeto de lei que isenta de Imposto de Renda as pessoas que ganham até R$ 5.000 mensais chega ao plenário da Câmara dos Deputados para votação nesta quarta-feira (1º) em meio a uma batalha travada em torno da medida de compensação.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propôs a criação de um imposto mínimo de 10% sobre a alta renda. O alvo são 141 mil contribuintes que têm boa parte de seus rendimentos isentos e recolhem, em média, uma alíquota efetiva de 2,5% —abaixo do que pagam profissionais como policiais (9,8%) e professores (9,6%).

Enquanto a isenção na base da pirâmide é consenso entre parlamentares, o imposto mínimo é alvo de resistências. Pelo menos duas siglas de oposição ao governo (PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e Novo) devem apresentar destaques para que esse ponto seja alvo de uma votação específica —o que vai obrigar o governo a arregimentar votos e garantir apoio de ao menos metade dos presentes na sessão.

“A compensação vai ser a discussão do plenário. Vamos compensar em 10% em cima de todo mundo? Nós vamos querer excepcionalizar advogado, engenheiro, arquiteto? Ou vamos encontrar outra solução? Essa é uma discussão de partidos, líderes e plenário, junto comigo, de maneira bem transparente”, disse o relator, deputado Arthur Lira (PP-AL), nesta terça-feira (30), durante reunião com a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), uma das mais influentes do Congresso.

Lira ainda sinalizou que seu relatório, por enquanto, está mantido, mas deixou claro que ainda receberia parlamentares e setores da sociedade para discutir sugestões.

A votação da proposta ocorre mais de seis meses após sua apresentação pelo Executivo e representa uma tentativa do Legislativo de retomar a pauta econômica após a dominância de temas como PEC (proposta de emenda à Constituição) da Blindagem, que dificulta investigações contra parlamentares e presidentes de partidos, e anistia aos condenados por atos golpistas, que tiveram repercussão negativa e motivaram manifestações nas ruas.

O texto do IR foi aprovado em comissão especial no mês de julho, mas ainda precisa passar pelo plenário da Câmara e também pelo Senado. Em agosto, os deputados aprovaram o regime de urgência do projeto, que acelera a tramitação no plenário.

A isenção de IR até R$ 5.000 é uma promessa de campanha de Lula e também a principal aposta do governo para 2026, ano de eleições presidenciais. Na proposta original, o governo ainda propôs um desconto no tributo pago por aqueles com renda até R$ 7.000 mensais. Na tramitação, Lira decidiu ampliar o benefício aos que recebem até R$ 7.350.

Mas a desoneração desses contribuintes, a um custo estimado em R$ 31,2 bilhões para o ano que vem, depende diretamente da medida de compensação. Trata-se de uma exigência da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) e uma necessidade do governo para não desequilibrar o Orçamento.

A aplicação do imposto mínimo já em 2026, por sua vez, depende diretamente da aprovação e sanção do texto ainda neste ano, já que a legislação exige anterioridade anual para aumentos de Imposto de Renda. Por isso, a retomada da discussão é essencial para os planos do governo.

Nos últimos dias, parlamentares do centrão cogitaram a possibilidade de incorporar ao projeto do IR as medidas de aumento de impostos apresentadas pelo governo na MP (medida provisória) 1.303, de junho deste ano. Elas incluem a taxação de títulos do agronegócio e do setor imobiliário hoje isentos, além de maior tributação das bets e de instituições financeiras.

A equipe econômica, porém, rejeita essa opção porque conta com a arrecadação das duas medidas (MP e imposto mínimo) para fechar as contas de 2026. Fundir as propostas significaria, na prática, abrir mão de uma parte delas —provavelmente da maior taxação sobre a alta renda.

Embora tenha reconhecido a polêmica em torno do imposto mínimo, Lira disse na reunião com a FPA que seu texto “tem impacto” e “vai onerar”. “Ninguém está aqui para dourar a pílula”, afirmou.

“O texto está cobrando 10% em pessoas que recebem gradativamente entre R$ 600 mil [anuais] e R$ 1,2 milhão e, acima de R$ 1,2 milhão, de maneira uniforme. Não tem outra opção. Não tem subterfúgio. Tem cobrança”, acrescentou.

Na visão da equipe econômica, o centrão pressiona pela fusão das propostas porque, após ampliar o alcance dos descontos —o que elevou a renúncia de receitas—, o relator ficou sem grande margem de manobra para a negociação de plenário.

A incorporação das medidas da MP daria novos instrumentos a Lira para fazer concessões e angariar apoio dos parlamentares. Por outro lado, o Executivo também avalia que o relator não irá bater de frente com o governo, de quem almeja obter apoio para concorrer ao Senado no ano que vem.

Por outro lado, a oposição planeja propor uma isenção ainda maior, para quem recebe até R$ 10 mil, o que ampliaria o custo fiscal da medida. A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), responsável pela articulação política, disse que a oposição “não tem nem moral para apresentar uma proposta dessas”, dado que a tabela do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física) ficou sem reajuste durante a gestão Bolsonaro.

Após a votação na Câmara, o Executivo espera que o tema seja apreciado em breve no Senado. “Acredito que [a tramitação] não demora no Senado”, afirmou Gleisi.

Carolina Linhares e Idiana Tomazelli/FolhapressPolitica Livre

Em destaque

Entre a indignação e a coerência: denúncias, política e responsabilidade com Jeremoabo

Hoje comecei a semana recebendo um vídeo de um amigo da cidade de Tucano, na Bahia, trazendo graves denúncias contra um deputado federal da ...

Mais visitadas