terça-feira, fevereiro 25, 2025

Emendas parlamentares batem recorde de R$ 50 bilhões e levantam questionamentos

 Foto: Vinicius Loures/Arquivo/Câmara dos Deputados

Plenário da Câmara dos Deputados25 de fevereiro de 2025 | 08:51

Emendas parlamentares batem recorde de R$ 50 bilhões e levantam questionamentos

brasil

Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) lidera discussões com o Congresso Nacional e o governo sobre a transparência e os critérios de distribuição das emendas parlamentares, um outro debate passa despercebido: a magnitude dos valores envolvidos. Neste ano, as verbas designadas por parlamentares no Orçamento ultrapassarão R$ 50 bilhões, um recorde histórico. A reportagem é do jornal “O Globo”.

Especialistas apontam que o aumento dessas verbas compromete a alocação eficiente dos recursos públicos, dispersa as ações do governo, fomenta o clientelismo e reduz a capacidade de planejamento do Estado.

O montante exato destinado a essas emendas — sejam individuais, coletivas por bancadas ou comissões — ainda não foi definido, uma vez que a proposta orçamentária ainda está pendente de votação. No entanto, os dados disponíveis indicam a ampla margem de decisão que os parlamentares brasileiros possuem sobre a aplicação desses recursos.

Em 2025, aproximadamente 20% das despesas discricionárias federais — aquelas cuja alocação é definida pelo governo — serão direcionadas pelos parlamentares por meio de emendas.

PoliticaLivre

Aras, ex-PGR, ataca: ‘Inquérito contra presidente da República não se faz na PF

 Foto: Roberto Jayme/TSE/Arquivo

Augusto Aras25 de fevereiro de 2025 | 08:57

Aras, ex-PGR, ataca: ‘Inquérito contra presidente da República não se faz na PF’

exclusivas

Antecessor de Paulo Gonet no comando da PGR (Procuradoria-Geral da República), o hoje advogado Augusto Aras tem sido criticado por não ter apresentado denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro ao STF quando chefiava a instituição, entre agosto de 2019 e setembro de 2023.

Na delação premiada, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, disse que o então presidente recebia o então procurador-geral no Palácio da Alvorada cerca de uma vez por mês. Ainda segundo Cid, também participava dos encontros a subprocuradora da República Lindôra Araújo, braço direito de Aras para os casos criminais.

Augusto Aras se defendeu no X e no LinkedIn, redes sociais onde tem perfis, com ataques à atuação da imprensa na cobertura da denúncia sobre a tentativa de golpe de Estado.

“PGR Aras delegou, como outras gestões do MPF, funções criminais aos sub-PGRs, titulares de independência funcional. Jornalistas de verdade sabem disso. O resto é fake news”, diz a postagem feita no domingo, 23, que acompanha uma foto dele de toga, da época que acompanhava as sessões do STF no plenário. Aras enviou a mesma mensagem para o WhatsApp de conhecidos no mesmo dia que a publicou em redes sociais.

Em entrevista exclusiva à coluna, Aras criticou a investigação da Polícia Federal que embasou a denúncia apresentada ao STF por seu sucessor, Paulo Gonet. Sobre os encontros regulares que tinha com Bolsonaro, ele diz que, nessas ocasiões, os dois conversavam sobre futebol.

O que o senhor tem a declarar sobre as críticas à sua atuação na apuração de indícios de crimes imputados a Jair Bolsonaro?
Augusto Aras – Estou há um ano e meio fora do cargo. Eu tenho um alto senso de responsabilidade moral, e a imprensa, às vezes, se utiliza de certos artifícios. Eu lhe mandei agora o post do X e do LinkedIn dizendo o que eu estou dizendo há quatro anos. Eu deleguei todas as funções criminais aos meus colegas subprocuradores, todos eles, além de titulares de independência funcional, atuam de acordo com suas consciências. Então, eu não posso ser responsável por nenhuma crítica na matéria penal, porque não foram da minha autoria.

O senhor se sente injustiçado?
É impressionante que tudo o que eu fiz em 14 funções no Brasil e no exterior não mereça nenhuma consideração da imprensa. Eu fiz quatro mil teses no Supremo durante meu ofício na PGR, das quais de 80% a 90% foram acolhidas. Coloquei na Amazônia 80 novos procuradores, coloquei barcos, navios, 5G. Eu fiz tantas atuações para repreender o crime organizado, do ponto de vista dos acordos internacionais. Eu estive uma vez em Washington, uma vez em Haia. Nada disso tem valor? Eu só sou lembrado pelas ações dos meus colegas? Eu jamais interferi na atuação dos meus colegas.

Paulo Gonet atuou perante o Tribunal Superior Eleitoral na gestão do senhor. Como era a relação?
Paulo Gustavo Gonet, que é um homem de bem, sério, responsável, que foi meu delegatário (procurador que recebe delegação do PGR) no Ministério Público Eleitoral, quando foi dar o parecer (no TSE) contra Bolsonaro, me telefonou. Disse: “Você quer que eu mande o parecer e você assina?”. Eu disse: “Não, Paulo, eu nunca fiz isso com ninguém, não vou fazer com você. Você dá o parecer que a sua consciência mandar”. Ou seja, como é que eu respeitei todas as delegações sem nenhum tipo de inserção, todas da área criminal, todas da eleitoral, e me reservei 14 funções diferentes, que é o que a Constituição estabelece, e eu só sou atacado por aquilo que eu não fiz?

Se fosse então para ser apresentada uma denúncia contra Bolsonaro na gestão do senhor, quem deveria ter apresentado, já que o senhor delegou a função?
Em primeiro lugar, é preciso ter investigado. Na minha gestão, houve uma onda de estrangulamento de representações para efeitos políticos que não tinham nenhum valor. Essas representações, que muitas não tinham nem página de jornal, como está começando a acontecer agora na gestão atual, elas eram apreciadas pelos delegatários. Todas elas. Eu só queria responder aquilo que foi da minha lavra, da minha capacidade pessoal de gerir.

Nessa questão específica do golpe, na qual o senhor está sendo bastante atacado, desculpa insistir nesse ponto…
Essa é a parte mais interessante que tem. É a parte que o jornalista Luís Costa Pinto entrevistou ministros do Supremo, procuradores, entrevistou 20 pessoas diferentes e, por último me entrevistou. No livro do Luís (“O Procurador”, lançado em 2024), ele narra a nossa atuação juntamente com o Ministério Público Militar, juntamente com os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Luiz Fux. Olha, o Fux tinha snipers no teto (do STF) para atirar em quem invadisse o Supremo. O (general) Braga Netto (ex-ministro da Defesa e da Casa Civil de Bolsonaro) me telefonou para perguntar se podia. Eu disse: “Pode defender a sua instituição e a sua sede”.

Quando era PGR, o senhor não apresentou a denúncia porque a investigação não tinha sido finalizada, é isso?
Não apresentei denuncia porque na época não houve (não completa a frase). Em 2021 e 2022, nós não permitimos nenhum movimento militar armado de nenhuma especie. Lá no livro também está dito que eu havia me comunicado com ministros do PT, já do governo Lula, para adiantar a posse. É verdade. Quem falou do assunto foi eu, com o ministro Rui Costa e com o senador Jacques Wagner. O ministro Alexandre (de Moraes) nega, mas eu comuniquei isso, que era muito importante.

Na delação, Mauro Cid diz que o senhor tinha uma relação muito próxima com o então presidente Bolsonaro, e que ia ao Palácio da Alvorada sem agendamento prévio. É verdade?
Eu nunca fui ao Palácio, nem do Planalto nem do Alvorada, sem ser convidado. Nunca pedi nenhuma audiência com Bolsonaro. Todavia, de dois em dois meses ele me convidava, e eu tenho dever de ofício, acima de tudo, de atender aos convites do presidente da República, assim como fui semanalmente ao Supremo em gabinetes conversar com ministros. Ministros esses que também frequentavam o Palácio, não sei se o Planalto ou a Alvorada, e ninguém levanta nenhuma suspeita.

Como eram essas visitas?
As visitas para as quais ele me convidava eram sempre de 15 minutos de conversa. Ele me recebia sempre vestido ao modo dele, esportivamente, só conversava de futebol, de Palmeiras, Corinthians, Botafogo. E, com 15 minutos, acabou a conversa, eu ia embora.

Ele não pedia nada?
Nada, zero. Zero conversa de ordem estatal.

O senhor torce para o mesmo time do Bolsonaro?
Em hipótese alguma. Eu não entendo de futebol, não tenho afinidade com futebol. Aliás, jocosamente, eu digo que sou Botafogo, porque o Botafogo, depois de mais de 30 anos, só foi campeão no ano passado. Não é o meu esporte preferido, eu não gosto de futebol. A declaração do Mauro Cid não diz nada. Se eu fosse lá a cada 30 dias, não teria nenhuma importância, porque o presidente nunca convidou ninguém, a mim pelo menos, para tratar de assunto nenhum. Agora, lhe garanto que, se você for ver quantas vezes eu fui ao STF, vai dar muito mais, para tratar de assuntos relevantes para a nação. Mas não com o presidente.

O senhor leu a denúncia apresentada ao Supremo por Gonet sobre a tentativa de golpe?
Não olhei a denúncia por razão muito simples: até a minha gestão, não havia nenhum inquérito contra o presidente sobre golpe. Os inquéritos que eu abri contra ele foram sete ou oito.

E nesses outros casos, o senhor não apresentou denúncia. Por quê?
Porque os inquéritos não foram concluídos. Inquérito contra presidente da República são judiciais, feitos no STF, que passam pela supervisão da Suprema Corte. Inquérito contra presidente da República, principalmente na ativa, não se faz na Polícia Federal. Bom, isso é o que a lei e a jurisprudência do Supremo mandam. Se isso não é feito atualmente, aí eu já não posso responder.

Como o senhor encara as críticas?
Tudo que me imputam não tem nada a ver com a minha atividade funcional, e isso me dá a tranquilidade e a paz da minha consciência. Não tem nada. O que existe é um mau jornalismo. Eu tenho todas as minhas respostas no X e no LinkedIn e em entrevistas a correspondentes estrangeiros. Eu não vou me defender porque eu não tenho nada do que me defender. A cada vez que eu fui atacado covardemente, eu me defendi no X. Eu não vou me defender de nada, a não ser processar alguns mentirosos.

O senhor tem mantido contato com o ex-presidente Bolsonaro?
Em hipótese alguma. Eu falei com ele no final de 2022 para desejar um bom Natal e acabou, “c’est fini”. Eu não tenho contato com ninguém do ex-governo, a não ser quando encontro em algum evento acadêmico, mais nada.

O senhor era mesmo amigo de Meyer Nigri, fundador da construtora Tecnisa? Segundo Mauro Cid, Nigri e outros empresários se reuniram com Bolsonaro em novembro de 2022 para defender uma “posição mais radical” sobre o resultado das eleições.
É uma maldade que alguém fez, eu sei quem fez. Conheço ele há uns dez anos. Estive com ele pessoalmente nos últimos seis anos no dia da minha posse como PGR e em mais outros dois eventos sociais. É um empresário filantropo, respeitável no Brasil e fora do país. Qualquer ilação é pura mentira, nunca tive negócio nenhum com ele. É um filantropo, tem a natureza de contribuir com humanidade. Isso é coisa de gente que não tem o que fazer, e eu sei quem é o autor. Primeiro, quiseram envolvê-lo e, depois, me envolver. Eu o vi no máximo três vezes em eventos sociais, mas isso não me faz deixar de reconhecer o trabalho dele como filantropo.

Mas ele fez mesmo campanha perante Bolsonaro para o senhor ser nomeado para o comando da PGR?
Tem tantas pessoas outras, porque só ele (foi citado)? Posso dizer, então, que muitos jornalistas me ajudaram quando me entrevistaram na época. E mais: foi Alberto Fraga (deputado do PL-DF), não Meyer, que me apresentou a Bolsonaro.

Mas ele ajudou na campanha também?
Ele falando ao meu favor, certamente (ajudou). O empresariado de São Paulo me apoiou e me apoia até hoje. Os inimigos que eu tenho são somente na imprensa.

Nigri falou sobre o senhor com Bolsonaro?
Falou de mim, mas também falaram de mim o pessoal da Faria Lima, do agro, da mineração, de todas as áreas econômicas.

Carolina Brígido/PlatôBRPoliticaLivre

Steven Levitsky analisa Trump e o risco à democracia americana

Publicado em 24 de fevereiro de 2025 por Tribuna da Internet

Levitsky diz que Trump vai tentar uma agenda extremista

Marcus André Melo
Folha

Em entrevista recente, o cientista político americano Steven Levitsky afirmou ao UOL que não está certo que os tribunais irão conter Trump. “É muito difícil prever. As cortes vão provavelmente frear ou bloquear algumas dessas decisões. Mas nem todas. E outro aspecto é que as cortes se movem lentamente. Mesmo que nem todas as decisões de Trump eventualmente sobrevivam, ele pode quebrar o Estado. Além da lentidão das cortes, outra dúvida é se Trump irá cumprir as decisões das cortes”.

Mas esta conclusão está em franco desacordo com o seu diagnóstico em livro recente com Daniel Ziblatt de que a democracia americana está ameaçada por instituições contramajoritárias (que analisei aqui).

BRANCOS EM MINORIA – Dentre essas instituições estão o Colégio Eleitoral, uma Suprema Corte poderosa, o bicameralismo forte, quóruns qualificados no Senado, e um federalismo muito robusto. Estas entidades permitiriam, alega, que a elite branca possa manter o status quo ante a perspectiva de ser minoritária no futuro.

Ora, não é o que se observa: Trump foi eleito tanto no Colégio Eleitoral quanto no voto popular, e os republicanos são majoritários nas duas casas do Congresso. E mais, as minorias —latinos e negros— aumentaram o voto em Trump entre 2016 e 2024.

Passemos então a seu prognóstico de que as instituições não conterão Trump. A primeira parte do argumento diz respeito na realidade à indiferença da opinião pública:

DIZ STEVEN LEVITSKY – “A primeira eleição de Donald Trump à Presidência em 2016 desencadeou uma defesa enérgica da democracia por parte do establishment americano, mas seu retorno ao cargo foi recebido com uma indiferença marcante. Muitos políticos, comentaristas, figuras da mídia e líderes empresariais que viam Trump como uma ameaça agora tratam essas preocupações como exageradas —afinal, a democracia sobreviveu ao seu primeiro mandato”.

Na realidade, quanto mais sólidas as democracias mais confiantes os cidadãos nas suas instituições. Kristian Frederiksen estudou 43 democracias entre 1962 e 2018 e mostrou que quanto maior a experiência com a democracia, maior a indiferença em relação a ameaças a democracia pelos incumbentes.

 E Christopher Claasen mostrou que quando um país se torna mais democrático, paradoxalmente o apoio à democracia na opinião pública diminui; e que quando aumenta seu componente liberal (contramajoritário) surge uma contratendência.

TERMOSTATO – Este “efeito termostato” se baseia em pesquisas em 135 países em um período de 20 anos. Em dissertação defendida na UFPE, Alan Cavalcanti estendeu a análise desses autores e encontrou novas e fortes evidências de que a experiência democrática pregressa implica maior apoio à democracia.

Assim, a indiferença já era esperada em uma democracia longeva. As evidências empíricas sugerem que é mais provável que após a lua de mel venha uma reação tanto na opinião pública quanto em termos dos efeitos dos “checks and balances”.

O primeiro teste são as eleições congressuais em 2026. O segundo já está em curso: o federalismo e os tribunais —temidos por Levistky em seu livro por seus efeitos contramajoritários. É questão de tempo. A pergunta decisiva: e se Trump não acatar decisões dos tribunais? Quem detém a espada são as Forças Armadas que em mais de dois séculos nunca violaram a legalidade.

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Juiz que fez Cid desmaiar tem agido fora dos ritos legais ao auxiliar Morais

Publicado em 24 de fevereiro de 2025 por Tribuna da Internet

Airton Vieira sugeriu estratégia para que uso 'descarado' do TSE fosse  evitado, diz jornal :: Tribuna do Agreste

Juiz auxiliar diz que pedia relatórios manipulados ao TSE

Ranier Bragon
Folha

O juiz instrutor Airton Vieira, que em março do ano passado comunicou em audiência ao tenente-coronel Mauro Cid que ele voltaria à prisão, é o mesmo que aparece nas trocas de mensagens que indicaram uma atuação fora do rito do gabinete de Alexandre de Moraes em investigação contra bolsonaristas.

Na audiência de 22 de março de 2024, o juiz, que era na ocasião o assessor mais próximo de Moraes no STF, informou a Mauro Cid sobre a prisão dele em decorrência de gravações publicadas pela revista Veja em que o tenente-coronel afirma que estaria sendo forçado a delatar o que não havia acontecido.

DISSE O JUIZ – “Eu tenho, no entanto, que cientificar a todos que o senhor ministro relator Alexandre de Moraes, nos autos da PET 11.767 do Distrito Federal, decidiu e decretou a prisão preventiva do senhor Mauro Cesar Barbosa Cid”, disse Airton na audiência, cujo vídeo foi tornado público por Moraes na semana passada.

Nessa oitiva (a primeira de Cid no Supremo), o tenente-coronel chorou duas vezes e desmaiou instantes após ouvir a ordem de prisão, tendo sido atendido por socorristas do tribunal.

Como revelou a Folha em agosto de 2024, o gabinete de Moraes no STF ordenou por mensagens e de forma não oficial a produção de relatórios pela Justiça Eleitoral para embasar decisões do próprio ministro contra bolsonaristas no inquérito das fake news no Supremo durante e após as eleições de 2022.

AUTOCRÍTICA – A reportagem teve acesso a mais de 6 gigabytes de mensagens e arquivos trocados via WhatsApp por auxiliares de Moraes, entre eles Airton Vieira.

Em um dos áudios reproduzidos naquelas reportagens, Vieira chegou a demonstrar preocupação com a forma de atuação dos gabinetes do ministro no STF e no TSE.

“Formalmente, se alguém for questionar, vai ficar uma coisa muito descarada, digamos assim. Como um juiz instrutor do Supremo manda [um pedido] pra alguém lotado no TSE e esse alguém, sem mais nem menos, obedece e manda um relatório, entendeu? Ficaria chato.”

CRIATIVIDADE – Em outro áudio, ao ser informado que só haviam encontrado “publicações jornalísticas” em consulta ao site da revista Oeste, Vieira sugere o uso da “criatividade” para produção de relatório que teria sido encomendado por Moraes para desmonetizar publicações que o ministro consideraria “golpistas”.

Airton Vieira é paulista e formou-se em direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Virou juiz de 1º grau em 1990 e, em 2013, juiz substituto em segunda instância no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Foi assessor de Cezar Peluso no STF e, em 2021, assumiu o cargo de desembargador do TJ-SP. É amigo de Moraes, tendo sido juiz auxiliar de seu gabinete de 2018 a 2023 e, depois, de fevereiro a dezembro de 2024.

PUNITIVISTA – Na sua posse como desembargador, Moraes fez uma saudação especial e disse que a única coisa que não poderia dizer do amigo é que ele era um “garantista”, sugerindo considerar “punitivista” o perfil de atuação de Airton.

Em 2014 o site Ponte Jornalismo publicou reportagem que abordava decisão relatada por ele que absolveu em segunda instância um fazendeiro de 80 anos condenado por manter relações sexuais com duas adolescentes, de 13 e 14 anos, em troca de dinheiro (estupro de vulnerável).

A reportagem “As Duas Faces da Justiça” contrapôs essa decisão a manifestações de Vieira no documentário “Bagatela”, que aborda o princípio da insignificância na esfera penal e conta a história de mulheres presas por pequenos furtos. No documentário, Airton defende a punição a esses delitos, sob argumento de que a pessoa deve sentir a resposta do Estado sob pena de se sentir autorizada a praticar outros crimes, inclusive piores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O repórter Ranier Bragon mostra que Moraes tem assessores que o “ajudam” a errar por excesso, como o juiz Airton Viera. Falta examinar o trabalho do delegado federal Flávio Shor, que é pior ainda. (C.N.)

 

Flávio Dino avisa que o Supremo não pode perder seu protagonismo


Dino libera R$ 370 milhões em emendas parlamentares para saúde

Dino mostra que é só mais um ministro, como os outros

Bruno Teixeira e Henrique Sales Barros
da CNN , São Paulo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino defendeu, nesta segunda-feira (24), o “protagonismo” que a Corte angariou nos últimos anos.

“É algo que veio para ficar”, disse Dino sobre o assunto em entrevista coletiva antes da palestra para estudantes de Direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), na capital paulista.

MUITOS ACERTOS – “É uma marca que traz muitos acertos, muitos pontos positivos. Às vezes traz problemas, pontos negativos, como toda instituição humana. Mas, certamente, o que não é possível é imaginar um Supremo omisso”, acrescentou.

Para Dino, “esse protagonismo do Poder Judiciário, às vezes criticado, na verdade, corresponde uma exigência social”.

“Não é uma opção individual de cada juiz que integra o Supremo, nem é um excesso”, disse. “O Judiciário nos últimos tempos entrou um pouco na linha de tiro das críticas de uma maneira geral. Às vezes são críticas justas, frequentemente são críticas injustas, às vezes são construtivas, às vezes são maldosas. Faz parte da vida democrática conviver com elas e levar a sério as críticas que merecem credibilidade”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 O problema é justamente esse – o Supremo jamais erra, mas soltou o megatraficante André do Rap por motivo tolo. Também soltou Lula, em decisão altamente tendenciosa. Depois o descondenou, fazendo o mesmo com Marcelo Odebrecht, José Dirceu, Antonio Palocci, Leo Pinheiro e um monte de pilantras. O problema é que o Supremo não erra. O ministro Moraes, então, tornou-se totalmente à prova de erros. E por falar nisso, cadê as gravações do 8 de Janeiro no ministério da Justiça??? Cadê as gravações no Aeroporto de Roma??? Fala sério, diria Bussunda. (C.N.)


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