terça-feira, novembro 21, 2023

Milei vence disparado e o seu desafio está nos seus próprios projetos

Publicado em 21 de novembro de 2023 por Tribuna da Internet


PF faz operação contra bolsonaristas que incitaram e atuaram no ataque do 8/1

 Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

PF faz operação contra bolsonaristas que incitaram e atuaram no ataque do 8/121 de novembro de 2023 | 09:04

PF faz operação contra bolsonaristas que incitaram e atuaram no ataque do 8/1

BRASIL

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (21) mais uma fase da Operação Lesa Pátria, com o objetivo de identificar pessoas que incitaram e participaram dos atos de 8 de janeiro.

São cumpridas medidas em relação a dez investigados: duas prisões preventivas e dez mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

As medidas estão sendo realizadas contra apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) das cidades de João Pessoa, Cabedelo (PB), Bayeux (PB), Mirassol do Oeste (MT) e Cáceres (MT).

De acordo com a PF, os fatos investigados constituem, em tese, os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido e crimes da lei de terrorismo.

Deflagrada dias após o 8 de janeiro, a Lesa Pátria ser tornou permanente, com atualizações periódicas acerca do número de mandados judiciais expedidos, pessoas capturadas e foragidas.

A operação da PF tem origem nas quatro frentes de investigação abertas após os atos de 8 de janeiro.

Uma delas mira os possíveis autores intelectuais, e é essa frente que pode alcançar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Outra tem como objetivo mapear os financiadores e responsáveis pela logística do acampamento e transporte de bolsonaristas para Brasília.

O terceiro foco da investigação PF são os vândalos. Os investigadores querem identificar e individualizar a conduta de cada um dos envolvidos na depredação dos prédios históricos da capital federal.

A quarta linha de apuração avança sobre autoridades omissas durante o 8 de janeiro e que facilitaram a atuação dos golpistas.

FolhapressPolítica Livre

Dolarização que Milei propõe para Argentina tem antecedentes na América Latina




Foto ilustrativa de uma cédula de 100 dólares e seu equivalente em pesos argentinos (100.000) no câmbio de 10 de outubro de 2023

Javier Milei, o ultraliberal que tomará posse como presidente da Argentina em 10 de dezembro, imagina um país em que a moeda oficial é o dólar e sem um Banco Central, como forma de combater a inflação crônica.

Vários países latino-americanos já se voltaram para o dólar, oficialmente ou de fato, alguns em busca de soluções para fenômenos hiperinflacionários - ou quase -, e em todos os casos com a esperança de alcançar uma estabilidade econômica e financeira que não era proporcionada por suas moedas.

Confira alguns casos de dolarização no continente e os motivos que levaram os países a adotar a moeda dos Estados Unidos.

- Equador -

O Equador adotou o dólar em março de 2000 para tentar superar uma profunda crise bancária que provocou prejuízos de 5 bilhões de dólares e deixou milhares de pessoas perto da falência. O aumento dos preços ameaçava virar uma hiperinflação.

Operacionalmente, a mudança do sucre para o dólar aconteceu após um feriado bancário somado a um congelamento temporário de 50% dos depósitos, em um cenário de crise financeira.

O Equador conseguiu com o mecanismo registrar níveis de inflação baixos, incluindo períodos de deflação. Para 2023, o índice anual deve ficar em 3,10%.

- El Salvador -

El Salvador dolarizou a economia em janeiro de 2001. O governo de Francisco Flores (1999-2004) alegou que pretendia tornar o país mais atraente para os investimentos estrangeiros e para o comércio. Também desejava reduzir o risco de desvalorização e permitir que o sistema bancário local oferecesse melhores condições de crédito.

"A dolarização teve efeitos adversos. Aumentou o custo de vida. Quando o dólar entrou, os preços dos bens e serviços dispararam e quem continua pagando por esta situação são os mais pobres. Não temos política monetária, pois dependemos do que os Estados Unidos fazem com a moeda", afirmou o economista independente César Villalona.

Em 2021, El Salvador também admitiu o bitcoin como moeda de uso legal.

A inflação no país da América Central foi de 7,32% em 2022. A projeção para 2023 é de 3,3%.

- Panamá -

O Panamá é o país latino-americano onde o dólar circula há mais tempo como a moeda oficial, ao lado do balboa, a moeda local. A divisa norte-americana é utilizada desde 1904, pouco depois de a nação obter a independência da Colômbia e se aproximar dos Estados Unidos com a construção do Canal do Panamá, que está sob controle panamenho desde 1999.

Apenas moedas são cunhadas para o balboa e não cédulas. O setor público utiliza esta divisa apenas para fins contábeis.

O Panamá registra níveis de inflação abaixo de 3% por ano.

- Venezuela: dolarização de fato -

A Venezuela tem uma dolarização informal desde o final de 2018, quando o governo flexibilizou os rígidos controles cambiais como válvula de escape para a profunda crise. Na época, o país enfrentava o primeiro ano de hiperinflação, com escassez da moeda local, o bolívar.

"Um conjunto de fatores gerais teve relação com a dolarização de fato. Estruturalmente foi a inflação elevada, mas também houve outros fatores como a situação da crise elétrica", lembra o analista econômico Henkel García, da Albusdata. Sem energia elétrica, os pontos de pagamento com cartões pararam de funcionar e, diante da escassez de bolívares em espécie, o dólar foi a alternativa natural.

A desvalorização profunda do bolívar tornou necessários grandes volumes de cédulas para pagar bens e serviços.

Quatro anos depois, o país saiu da hiperinflação, mas continua com um dos maiores índices do planeta. Até setembro, a inflação em termos anuais era de 317%, segundo o Banco Central.

Paradoxalmente, o dólar, símbolo do "imperialismo americano" e considerado um "inimigo da revolução", virou a moeda de maior circulação, segundo os economistas.

- Economias "bimonetárias" –

Em alguns países da América Latina, o dólar é utilizado para a compra de bens e serviços, contratos de aluguel são assinados em dólares e é possível abrir contas bancárias na divisa dos Estados Unidos, além de sacar dólares de maneira direta nos caixas eletrônicos. Peru e Uruguai – onde os preços de bens duráveis como imóveis, veículos ou eletrodomésticos são fixados em dólares – são dois exemplos.

AFP / SWI

Sem dólar, Argentina poderia ter crise de liquidez e recessão com eventual dolarização, diz ex-Febraban




Milei foi eleito presidente da Argentina e quer dolarizar sua economia

Reserva de dólares e ajuste fiscal são vistos por economistas como essenciais para que o Plano tenha chance de ir à frente

Por Danilo Moliterno

O ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) Roberto Troster afirmou em entrevista à CNN que caso o presidente eleito da Argentina, Javier Milei, leve à frente sua proposta de dolarizar a economia do país sem garantir a reserva necessária de dólares, o país pode ir à recessão.

“Não há condições técnicas para fazer isso agora. Mesmo que todos os argentinos quisessem, ele não conseguiria. Teria que trocar pesos por dólares. Pode ter alguma boa vontade do FMI, os mercados abriram otimistas hoje, mas não há valor suficiente. É um passo maior do que a perna”, disse.

Segundo o economista, caso seja forçado um processo de dolarização sem as reservas necessárias, a Argentina pode viver uma crise de liquidez — ou seja, faltaria dinheiro na economia.

“Não teria dinheiro, pararia a economia. Seria algo parecido com o que aconteceu aqui [no Brasil] em 1990 com o Plano Collor. Sem dinheiro, o PIB caiu 4%”, disse.

Também em entrevista à CNN, o ex-diretor do Banco Central brasileiro Luiz Fernando Figueiredo indica que não é possível para a Argentina realizar o processo de dolarização nas condições atuais. Ele reitera a possibilidade de crise de liquidez.

“Não tem como fazer. Precisa ter a quantidade necessária de dólares, se não você enxuga demais a base monetária”, disse.

Roberto Troster lista um total de dez barreiras que Milei terá de superar para colocar seu plano em ação, que vão desde o combate ao déficit fiscal à inserção externa da economia argentina.

O fiscal é essencial também para o plano de dolarização, indicam os economistas. Isso porque, sem a possibilidade de emitir moeda, o governo argentino precisaria gerar superávit primário para se manter saudável.

Em seu plano de governo, Milei indica que para o reordenamento do Estado planeja reduzir em 15% do Produto Interno Bruto (PIB) os gastos do governo. Os economistas indicam que a medida não deve encontrar popularidade e pode ser politicamente inviável.

Em paralelo com o corte de gastos (por meio da privatização de estatais, por exemplo), Milei planeja reduzir impostos e realizar a abertura comercial do país. Por fim, o presidente eleito quer “eliminar o Banco Central”.

Figueiredo não crê que será possível levar este último tópico à frente. Ele destaca que, para além da emissão de moeda, o Banco Central têm funções indispensáveis, como o ordenamento do sistema financeiro como um todo.

CNN

Como a eleição de Milei pode impactar a economia brasileira




Presidente eleito da Argentina, Javier Milei, fala a apoiadores após vitória na eleição

Economistas consultados pela CNN indicam que corte de relações com o Brasil não deve ir além do discurso político

Javier Milei (La Libertad Avanza), presidente eleito da Argentina neste domingo (19), afirmou durante sua campanha que poderia cortar relações com o governo brasileiro e mesmo abandonar o Mercosul, o que traz dúvidas sobre o futuro dos laços comerciais do Brasil com seu principal parceiro na região.

Sobre a possibilidade de Milei romper com o Brasil, economistas consultados pela CNN indicam que a afirmação não deve ir além do discurso político.

“Acho que não tem risco nenhum. Foi muito mais um discurso para mostrar que era contra a esquerda”, disse o ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Roberto Troster.

Em 2022, a Argentina foi o terceiro maior importador de produtos do Brasil, com cerca de US$ 13,09 bilhões (cerca de R$ 63,61 bilhões) na balança comercial, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O vizinho também figurou como o terceiro principal exportador de bens brasileiros, somando US$ 15,34 bilhões (R$ 74,55 bilhões).

Na balança parcial de 2023, entre janeiro e outubro, a Argentina aparece como terceiro maior exportador, com US$ 14,90 bilhões (R$ 72,41 bilhões), mas perde uma posição nas importações, totalizando US$ 10,15 bilhões (R$ 49,32 bilhões).

Apesar das sinalizações de Milei sobre possível afastamento do país, o principal interlocutor de Brasília na campanha do novo presidente argentino, Guillermo Francos, afirmou recentemente que eventual vitória do ultralibertário não afetará a relação.

O ex-diretor do Banco Central (BC), Luiz Fernando Figueiredo, diz não acreditar em relação próxima entre Milei e Lula. Porém, pontua que o sucesso do novo mandatário em seus planos econômicos é benéfico ao Brasil por ter um vizinho financeiramente mais saudável.

Mercosul

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nos últimos meses que Milei ameaça o Mercosul — o presidente eleito critica duramente o bloco econômico de forma pública.

Apesar dos ataques, Alexandre Pires, professor de relações internacionais e economia no Ibmec-SP, pontua que, segundo o tratado do Mercosul, Milei precisaria de maioria absoluta no Congresso argentino para deixar o bloco.

“Milei não terá o condão de unilateralmente romper com o tratado”, explica. “Mas é mais uma presidência dentro do bloco contrário à forma como o Mercosul está organizado atualmente”.

No fim de setembro, Haddad chegou a afirmar que o acordo com a União Europeia pode tornar o Mercosul mais atraente e servir como “antídoto” ao bloco na possibilidade da eleição de Milei.

Negociadores do Mercosul e da União Europeia voltam a se reunir na próxima semana, em Brasília, para encaminhar um acordo de livre comércio entre os países.

CNN

Como se explica a vitória avassaladora de Milei na Argentina?




Primeira página de um jornal argentino 

A Argentina entrou em um terreno político desconhecido com a vitória do "primeiro presidente liberal libertário da história da humanidade", como disse Javier Milei em seu discurso da vitória. Mas, o que levou os argentinos a apoiarem maciçamente uma opção política construída em apenas dois anos?

- Como se formou seu eleitorado? -

Com a promessa de derrubar o status quo, o ultraliberal de 53 anos, que se popularizou como um excêntrico comentarista de televisão, atraiu primeiro os homens jovens. Era o encerramento de uma década que viu nascer o movimento "Nem uma a menos" contra o feminicídio, a luta pelo direito ao aborto e o questionamento da masculinidade tradicional.

Sua atração se explicava pela "promessa de que seu estilo iconoclasta indicasse uma abordagem radicalmente nova para a liderança", disse à AFP Benjamín Gedan, do centro de estudos Wilson Center, em Washington.

Mas, ao longo da campanha, Milei atraiu um eleitorado cada vez mais amplo, que também desejava renovação e mudança radical.

Os 55% de votos que obteve sobre o adversário, o peronista Sergio Massa (44%), "não tiveram nada a ver com o voto histórico de Milei", disse o analista político Carlos Germano.

Desta vez, "o corte foi transversal tanto no nível etário, quanto socioeconômico e de sexo", acrescentou o especialista.

- Quem ele confrontou? -

Com seu estilo belicoso, Milei fez eco em um eleitorado que repudia veementemente o kirchnerismo, corrente da atual vice-presidente e duas vezes presidente Cristina Kirchner, condenada por corrupção, após ter dominado a política argentina nos últimos 20 anos. Exceto durante o intervalo do mandato do liberal Mauricio Macri (2015-2019).

"Entre a continuidade e o risco, a sociedade optou por este último", disse Rosendo Fraga, diretor do Centro de Estudos União para a Nova Maioria.

O repúdio aos dirigentes tradicionais, e ao kirchnerismo em particular, foi exemplificado pelos lemas "a casta tem medo" e "Cristina tem medo", repetidos pelos apoiadores de Milei na noite de domingo.

Foi o que sentiu Oscar Sario, um aposentado de 68 anos, para quem "ficou demonstrado que a maior parte dos argentinos quer uma mudança. Muita gente que votou nele talvez não concorde com ele, mas quer, sim, uma mudança".

Por isso, a vitória de Milei "tem a ver com a decadência da dirigência política argentina, que cada vez ficou mais endogâmica e teve muito mais dificuldades em olhar para as preocupações de uma sociedade extenuada e que não conseguia projetar um futuro", explicou Germano.

- E a economia? -

Para Massa, era muito difícil convencer os argentinos de que poria ordem na economia, sendo o ministro em cuja gestão a inflação chegou a 143% ao ano e a pobreza alcançou 40% da população.

"O eleitorado não perdoou o governo pelo fracasso econômico-social", avaliou Fraga.

De acordo com Benjamín Gedan, os eleitores sentiam menos atração por Milei do que repulsa por Massa: assim, prevaleceu o "voto de protesto" dos argentinos.

"Milei deu voz à raiva crescente na Argentina com um sistema político que gerou uma série aparentemente interminável de crises, impondo à população dificuldades econômicas e uma inflação constante", explicou.

- Quem o apoiou? -

Milei era considerado por muitos como um candidato inviável até que, após o primeiro turno, em outubro, o ex-presidente Macri o apoiou e, com isso, o revestiu com uma aura de institucionalidade.

Esse apoio deu a Milei "maior consistência, maior volume político", disse Germano.

E o próprio Macri se esmerou por tornar mais apresentável a figura do libertário. "Tem coisas que ele propõe que são extremas", disse em um colóquio na semana passada no Wilson Center. "E ele terá que negociar no Congresso porque não tem votos suficientes (...), portanto, ele não representa nenhum perigo".

- Novo estilo de campanha? -

Milei ficou conhecido como comentarista televisivo e clipes de suas intervenções foram parar nas redes sociais, onde viralizou, chegando aos jovens.

Assim, realizou sua campanha no Twitter, Instagram e Tiktok, distanciando-se dos formatos tradicionais, o que também sacudiu a forma de se fazer campanha no país.

"Foi uma luta entre a antiga forma de comunicação em meios tradicionais e anúncios publicitários, com fundos estatais, frente a uma forma mais orgânica de se comunicar através das novas mídias", avaliou Ana Iparraguirre, do centro de análise GBAO Strategies.

AFP / SWI

Terror, democracia e crime




Em certo sentido, não deveria surpreender que Lula equipare o terror do Hamas, massacrando crianças, mulheres e idosos, à defesa de Israel contra uma agressão bárbara

Por Denis Lerrer Rosenfield* (foto)

A esquerda revolucionária, ao contrário da social-democrata, sempre teve uma irresistível atração pela violência, considerando-a, mesmo, como ato inaugural de instauração da nova sociedade. E não só inaugural, pois a esquerda, chegando ao poder, caracterizouse pelo uso implacável da repressão, eliminando qualquer crítica e oposição. Eram os inimigos de classe, que surgem agora nas várias vertentes do pensamento dito decolonial, por exemplo, voltado contra os colonizadores, sendo os EUA o Grande Satã na vertente islâmica. Esboça-se toda uma aliança entre a esquerda da luta de classes e identitária com a dominação islâmica em nome do combate contra o Ocidente e seus valores.

Paradoxalmente, os regimes voltados para a execução dos homossexuais, para a subordinação incondicional das mulheres, para regras estritas de conduta sexual e vestimentária, cuja desobediência leva à tortura e à morte, são ícones desta nova vertente da violência sob a forma do terror. Hamas e Irã seriam exemplos.

Cabe salientar que a revolução comunista que instaurou a República Soviética foi levada a cabo pelo uso da violência, com a conquista do palácio símbolo dos czares, criando um regime implacável com os seus opositores e, depois, com os seus próprios amigos. A revolução maoísta seguiu o mesmo caminho, vindo a complementar o terror pela morte coletiva de milhões de pessoas. A revolução cubana, tão incensada ainda no Brasil, tem como seu símbolo o paredón, onde os “inimigos” eram fuzilados. Hoje, seu povo vive sob o mais brutal jugo. A revolução dos aiatolás no Irã seguiu o mesmo padrão, sendo incensada e apoiada pela esquerda, inclusive militarmente.

Em certo sentido, não deveria surpreender, neste contexto, que Lula, sob o manto de um humanitarismo hipócrita, equipare o terror do Hamas, massacrando crianças, mulheres e idosos, à defesa de Israel contra uma agressão bárbara. O Hamas tem o direito de matar, Israel não pode exercer o seu direito à autodefesa. A cegueira ideológica parece não ter limites ao ser feita a equivalência entre uma organização terrorista e um Estado democrático onde há eleições, liberdades e onde mulheres e homossexuais usufruem de todos os direitos.

A fala supostamente humanitária do cessar-fogo vela o seu propósito principal, a saber, impedir que Israel consiga eliminar o Hamas e destruir toda a sua estrutura militar. Não é a sobrevivência dos palestinos que está em questão, mas a do Hamas enquanto organização terrorista. A esquerda procura simplesmente preservar o poder de fogo dessa organização para que logo possa voltar a atacar Israel e tornar-se símbolo do combate contra os valores ocidentais.

Lula e o PT não fazem nada mais diferente do que fizeram, supostamente pela paz, ao proporem um cessar-fogo semelhante na Ucrânia, o que seria equivalente a reconhecer o status quo militar, ou seja, legitimar e referendar o esquartejamento do território ucraniano, doravante tido por russo.

Em nome de uma pretensa “autodeterminação dos povos”, Lula e o PT têm justificado que ditadores esquerdistas oprimam os seus próprios povos. Internamente, tudo podem fazer, pois seriam os revolucionários, os representantes da luta contra os EUA, o “imperialismo”. A ausência de condenação da violenta repressão na Nicarágua, empreendida por “companheiros” petistas, é de cortar o fôlego. Contra o Ocidente tudo vale, enquanto os “camaradas” têm direito ao uso indiscriminado do arbítrio e da violência.

Cuba é outro exemplo eloquente do mutismo esquerdista, como se tudo fosse de responsabilidade dos EUA. Seria uma Amsterdã, no dizer do presidente Lula, não fosse o “imperialismo”. Não há bloqueio em Cuba, mas tão somente a impossibilidade de negociar com os EUA e suas empresas no mundo. Para negociar com o Brasil, a Rússia, o Irã e a China, por exemplo, não sofre nenhuma restrição. Conta, no entanto, a dominação da burocracia comunista com o uso intensivo de prisões e tortura, quando não de morte. Onde estão os valores verdadeiramente humanitários?

Não menos reveladora é a acolhida da “dama do tráfico” amazonense nos Ministérios da (In)Justiça e dos Direitos (In)Humanos. Ela teve direito, inclusive, ao pagamento de diárias e custeio de sua viagem. Compreende-se, também, melhor por que o governo Lula é tão ardoroso defensor de gastos incontrolados, preocupando-se apenas com o aumento da arrecadação tributária. O lema é gastar e arrecadar mais. Note-se, igualmente, que aqui está presente toda uma tradição de esquerda de elogio – se não glamourização – de criminosos e delinquentes. São os bandidos sociais, os excluídos que fazem valer a sua voz pela violência, os contestatários da ordem capitalista.

Numerosos eram os romances e as peças de teatro tendo como mote a imbricação íntima entre crime e política. A “dama” amazonense aparece como um símbolo dos presidiários/criminosos em seu combate à atual sociedade. Sua entidade, aliás, se denomina Associação Instituto Liberdade do Amazonas. Curioso, não?

*Professor de filosofia na Ufrgs 

O Estado de São Paulo

'A mudança venceu o medo': 3 fatores que explicam a contundente vitória de Milei nas urnas da Argentina




Os seguidores de Milei comemoraram a vitória nas ruas de Buenos Aires

Por Gerardo Lissardy

Em apenas alguns anos, Javier Milei deixou de ser um economista que atraiu a atenção em programas de TV com suas ideias libertárias para se tornar o novo presidente eleito da Argentina.

O próprio Milei definiu sua ampla vitória no segundo turno presidencial no domingo (19/11) como um “milagre”, com 55,7% dos votos contra 44,3% do partido governista representado por Sergio Massa, com 99% da contagem concluída.

“Obrigado à equipe que trabalha há dois anos para transformar a Argentina e realizar o milagre de ter um presidente liberal-libertário”, disse Milei no discurso após a vitória.

Sem ter experiência governamental, o presidente eleito sagrou-se vencedor como líder de um novo partido chamado La Libertad Avanza, que inclui vários "forasteiros" — como ele próprio diz — e prevaleceu sobre a força que dominou a política argentina durante décadas: o peronismo.

Como Milei conseguiu essa ascensão vertiginosa ao topo do poder em seu país? Existem pelo menos três fatores que explicam esse sucesso.

1. A crise econômica

A Argentina atravessa uma grave situação econômica e social. Duas em cada cinco pessoas vivem na pobreza e a taxa de inflação anual atingiu 143% em outubro.

O analista político argentino Rosendo Fraga aponta que esta é a terceira grande crise do tipo que o país vive desde que restaurou a democracia há 40 anos, depois da hiperinflação que antecipou o fim do governo de Raúl Alfonsín em 1989 e da crise social que provocou a queda do presidente Fernando de la Rúa em 2001.

“Milei surge como uma alternativa onde os aspectos econômicos e sociais são ainda piores do que nas duas oportunidades anteriores”, disse Fraga à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC para a América Latina.

A importância desta crise nas eleições aumentou desde que Massa foi nomeado como candidato oficial enquanto era o Ministro da Economia do país.

Mesmo assim, Massa surpreendeu ao ser o candidato mais votado no primeiro turno, realizado em outubro.

Mas, durante a campanha para o segundo turno, foi impossível para Massa esconder os desequilíbrios enfrentados pela Argentina, que incluíram alguns dias de escassez de combustível — Milei aproveitou o fato para afirmar que este era um “cartão postal do futuro” se o peronismo permanecesse no poder.

Neste contexto, a maioria dos eleitores inclinou-se para a mudança drástica proposta pelo libertário, que inclui dolarizar a economia, fechar o Banco Central e cortar os gastos públicos em 15% do PIB.

2. O discurso de ruptura

Além das promessas de liberalização econômica, Milei utilizou um discurso anti-establishment, com duras críticas ao que chama de “casta política”.

“Desde seu surgimento na esfera pública, quando foi eleito deputado, Milei conseguiu se diferenciar com uma narrativa política muito diferente, de confronto do sistema”, analisa o cientista político argentino Sergio Berensztein.

'Com 99% dos votos, Milei obteve uma grande vitória. Seus seguidores saíram para triunfar'

“São os famosos candidatos antiestablishment que temos visto em diferentes partes do mundo: os mais conhecidos são obviamente Donald Trump (nos Estados Unidos), ou Jair Bolsonaro (no Brasil)”, acrescenta.

“Milei pode juntar-se a esse movimento global, onde há uma reação à ordem estabelecida.”

Esse discurso de ruptura permitiu ao presidente eleito argentino atrair eleitores cansados do atual governo e da classe política, apesar da incerteza e do medo que as propostas de Milei causam em muitos outros.

Milei empolgou especialmente os jovens, que foram um pilar fundamental de sua vitória.

Diferentes pesquisas durante a campanha mostraram que, quanto menor a idade dos eleitores entrevistados, mais crescia o apoio a Milei.

3. O apoio da centro-direita antiperonista

Durante décadas, a divisão básica da política argentina foi entre peronistas e antiperonistas. E Milei baseou sua vitória no segundo grupo.

Para isso, foi importante o apoio que recebeu no segundo turno de dois líderes da coalizão de centro-direita Juntos pela Mudança: o ex-presidente Mauricio Macri e a ex-candidata presidencial Patricia Bullrich, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno disputado em outubro.

'Uma forma de fazer política acabou e outra começa', disse Milei.

Na verdade, os 14,5 milhões de votos que Milei recebeu no domingo (19/11) representam um aumento de cerca de 6,4 milhões de votos em relação ao número que ele obteve nas eleições gerais, com um nível de participação eleitoral semelhante.

O libertário também venceu em 21 dos 24 distritos eleitorais — ele ganhou em 20 províncias e na Cidade Autônoma de Buenos Aires —, enquanto o peronismo manteve a província de Buenos Aires como um bastião.

Com o endosso que Macri e Bullrich deram a Milei logo após o fim do primeiro turno, ele atenuou as críticas à “casta política” em geral e concentrou-se em difamar o Kirchnerismo.

Este setor do peronismo, liderado pela atual vice-presidente Cristina Fernández de Kirchner, que governou o país entre 2007 e 2015, esteve envolvido em vários escândalos — que incluem uma condenação por corrupção contra ela própria em dezembro de 2022.

Na busca por votos de centro-direita e de antiperonistas para o segundo turno, Milei também reduziu o uso de uma serra elétrica, que ele costumava brandir como símbolo de seus planos drásticos de cortes.

Nos debates que teve com Massa durante o segundo turno, Milei usou um tom mais comedido do que em outros momentos da campanha, a tal ponto que muitos se perguntaram por que ele evitou atacar o rival de forma mais dura.

“O que ele tentou foi não parecer emocionalmente instável. E ele conseguiu”, explica Berensztein.

“Moderação tem a ver com uma lógica de segundo turno”, acrescenta ele.

“Porém, uma vez eleito o presidente, a agenda dele não tem nada a ver com moderação.”

BBC Brasil

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