quarta-feira, novembro 23, 2022

MPE denuncia Roberto Jefferson e filha por ataques a Cármen Lúcia




O Ministério Público Eleitoral (MPE) denunciou o ex-deputado federal Roberto Jefferson e a filha dele, a também ex-deputada Cristiane Brasil, pelos ataques contra a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia.

O ex-deputado comparou a ministra a ‘prostitutas’, ‘arrombadas’ e ‘vagabundas’ em vídeo publicado nas redes sociais em outubro. Os ataques levaram o STF a mandá-lo de volta à prisão. As ofensas foram reiteradas na audiência de custódia, quando Roberto Jefferson se desculpou com as prostitutas pelo que chamou de ‘má comparação’. A gravação foi compartilhada por Cristiane, que defendeu o impeachment de Cármen Lúcia.

O MP acusa os ex-deputados de injúria. A promotora Eleitoral Annunziata Alves Iulianello argumentou que os ataques foram ‘premeditados, com menosprezo e discriminação à condição de mulher’ e que a ministra foi ‘exposta a milhares de pessoas’ nas redes sociais.

O Ministério Público Eleitoral decidiu não oferecer o chamado acordo de transação penal, usado em infrações de menor potencial ofensivo, por considerar que ele seria ‘insuficiente para reparar os crimes’.

Estadão / Dinheiro Rural

Cartas expõem duelo fiscal de economistas




Na bolsa se joga, se ganha e se perde. Façam suas apostas

Por Pedro Cafardo 

Com a bola já rolando no Catar, o ímpeto seria relaxar e escrever apenas sobre a Copa do Mundo, seu duvidoso impacto econômico e questões históricas desse megaevento.

Mas há fatos relevantes no Brasil, que se prepara para a posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. Mais importante que os duelos do Catar é o duelo fiscal que se dá aqui, onde duas correntes, ambas apoiadoras de Lula no segundo turno da eleição, tentam influenciar a política econômica do novo governo.

Teve enorme repercussão em todas as mídias a carta aberta ao presidente eleito escrita pelos economistas Pedro Malan, Arminio Fraga e Edmar Bacha. Em tom respeitoso, esses três “pais do Real” alertaram Lula para o risco de que sua atuação venha a criar “problemas maiores do que os que queremos resolver”. A preocupação deles surgiu com a alta do dólar e a queda da bolsa decorrentes do discurso de Lula na COP27. Pela avaliação do trio signatário, ele teria dado a entender que a responsabilidade fiscal representa um obstáculo ao “nobre anseio da responsabilidade social”.

Teve pouca repercussão nas mídias, principalmente na grande, outra carta ao presidente eleito, escrita por um quinteto de economistas: Luiz Carlos Bresser-Pereira, José Luis da Costa Oreiro, Luiz Fernando Rodrigues de Paula, Kalinka Martins da Silva e Luiz Carlos Garcia Magalhães. Esses quatro “Luízes” e a professora Kalinka, novos desenvolvimentistas, procuram fazer um “contraponto” à carta dos três pais do Real.

O ponto central do alerta do trio é sobre a extinção do teto de gastos, um preceito constitucional que, na opinião desses economistas, “não tira dinheiro da educação, da saúde, da cultura, para pagar juros a banqueiros gananciosos”, ao contrário do que sustentou Lula. O Brasil paga juros altíssimos, segundo eles, porque “não é percebido como um bom devedor, seja pela via de um eventual calote direto, seja através da inflação, como ocorreu recentemente”. O trio passa a ideia de que a revogação do teto de gastos pode provocar uma onda inflacionária em razão de efeitos na desvalorização cambial, na redução de salários e na vida dos trabalhadores em geral.

O quinteto discorda dessa visão. Chama de “falácia” a ideia de que o teto é fundamental para garantir a disciplina fiscal. Isso porque ele se mostrou incapaz de impedir que o governo Bolsonaro realizasse um volume de gastos extrateto de R$ 795 bilhões. Inclusive gastos eleitorais vedados pela Constituição, sob a complacência do mercado financeiro.

O quinteto também classifica como “equivocada” a afirmação do trio de que o Brasil paga altíssimos juros porque “não é percebido como bom devedor”. Para fundamentar a crítica, cita o principal indicador do risco envolvido ao emprestar dinheiro para governos soberanos, o Embi+, calculado pelo banco J.P. Morgan. Em 2 de janeiro de 2003, primeiro dia útil do primeiro mandato de Lula, esse índice estava em 1.374 b.p., ou seja, um spread de 13,74% sobre a taxa de juros dos títulos da dívida pública americana. Oito anos depois, em 31/12/2010, último dia do segundo governo Lula, o índice havia caído para 189 b.p, (spread de 1,89%). Segundo o quinteto, isso é “prova inconteste da confiança do mercado na responsabilidade fiscal do governo Lula”.

Será que esse histórico de disciplina basta para garantir a responsabilidade fiscal agora? A pergunta é feita na própria carta do trio do Real, que responde “não”: “A verdade é que os discursos e nomeações recentes e a PEC ora em discussão sugerem que não basta. Desculpe-nos a franqueza”.

As críticas de Lula ao setor financeiro são contestadas na carta do trio: “O setor financeiro recebe juros, sim, mas presta serviços e repassa boa parte dos juros para o resto da economia, que lá deposita seus recursos”.

Mas o quinteto entende que os juros (13,75% ao ano) poderiam ser muito mais baixos no Brasil, porque a política monetária e fiscal do país tem capacidade restrita de intervir no processo inflacionário hoje gerado fora do país. A inflação em 12 meses na União Europeia estava em 11,25% em outubro, quase o dobro da brasileira. Na Alemanha, era de 11,6% no mesmo período, e, nos EUA, de 7,7%. E os juros estão em 0,75% na UE e 3% a 3,25% nos EUA.

Com juros a 13,75%, o quinteto desenvolvimentista faz um alerta a Lula sobre o custo da dívida pública, um “elemento ausente” no debate do ajuste fiscal. Em 2022, esses gastos serão de R$ 500 bilhões e, em 2023, de R$ 700 bilhões. Esse seria “o maior programa de transferência de renda do mundo, só que uma transferência para o 1% mais rico do país”. O complexo das taxas de juros, segundo o quinteto, é “uma anomalia na comparação com o resto do mundo”, porque não decorre de elevado endividamento público, hoje em 77%, nada alarmante em nível internacional - na Espanha, por exemplo, é de 118%.

Esse duelo fiscal está apenas começando - nos últimos anos predominou o discurso fiscalista - e vai se expandir no Congresso nas próximas semanas, na discussão da PEC da Transição. Não deixa de ser um avanço que as citações da responsabilidade fiscal venham agora sempre aliadas à social. Ao longo dos debates haverá certamente novos impactos na bolsa. É bom lembrar, porém, que a bolsa, além de fonte relevante de capitais, é um grande campo onde se joga, se ganha e se perde. Façam suas apostas.

Copa do Mundo

Já em clima de Copa e abandonando o duelo fiscal, vale arriscar palpites sobre os jogos. A boa seleção brasileira tem chance de título, mas precisa abandonar o cai-cai adotado na Copa de 2018, principalmente por Neymar. As falsas quedas e contusões, consentidas pela arbitragem no Brasil, são punidas nas copas. E uma expulsão por simulações pode custar um título.

Com exceção da polêmica convocação do lateral direito Daniel Alves, as escolhas do técnico Tite tiveram apoio generalizado. Estão distantes os tempos de desavenças de torcedores sobre os escolhidos quando a maioria dos jogadores atuava no Brasil. Naquela época, o partidarismo clubístico falava mais alto, e geralmente a seleção saía do Brasil para as Copas debaixo de críticas.

Desta vez, há quase unanimidade no apoio aos escolhidos e a seleção inicia a Copa quinta-feira credenciada ao hexa. Infelizmente, a história mostra que têm mais chances de título seleções que saem do Brasil desacreditadas.

Valor Econômico

Em Mato Grosso Forças de Segurança já liberaram 18 pontos de bloqueios em rodovias




São 9 pontos em rodovias federais, 6 em estaduais e duas em municipais

As ações do Gabinete de Crise, que coordena as operações para desbloquear as rodovias em Mato Grosso, já liberaram, somente na manhã desta terça-feira (22), 18 pontos que estavam com interdição.

São 9 pontos em rodovias federais, 6 em estaduais e duas em municipais. Apenas um trecho da BR 070, na saída de Primavera do Leste para Campo Verde, ainda permanece interditado.

Ainda há bloqueios parciais em oito pontos. E aglomerações em 12 locais.

O trabalho do Gabinete de Crise, que é composto pela Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Politec, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal e órgãos de inteligência, é para garantir a liberação de todos os trechos no Estado e assegurar o direito de ir e vir da população.

O gabinete vem atuando em conjunto desde que as manifestações tiveram início. Contudo, com a mudança no perfil do movimento, as forças de segurança deram início à operação, nesta terça-feira, para a desobstrução de todas as rodovias do Estado.

Rodovias liberadas

BR 174 – Comodoro

BR 163 – Sinop

MT 140  – Sinop

MT 320 – Colíder

BR 174 – Pontes e Lacerda

BR 174 – Conquista D’Oeste

MT – Campos de Júlio

Estrada Municipal em Alta Floresta

BR 364 – Rondonópolis

BR 163 – Nova Mutum

BR 163 – Lucas do Rio Verde

BR 364 – Diamantino  (Ponto 1)

BR 364 – Diamantino (Ponto 2)

BR 163 – Sorriso

BR 158 – Água Boa

MT 240 – Água Boa

MT 242 – Querência

MT 010 – Ipiranga do Norte

SECOM/MT / Daynews

Quebra de sigilo já!




Nenhum sigilo de cem anos foi tão grave e deletério quanto o do Exército sobre Pazuello
 
Por Eliane Cantanhêde (foto)

Ao lavar as mãos e deixar para lá um ato de insubordinação público e inquestionável do então general da ativa Eduardo Pazuello, o Exército abriu a porteira para a boiada passar e pisotear o Estatuto Militar e o seu próprio Regimento Interno. Deu nisso: oficiais da ativa usando as redes para xingar autoridades constituídas, instituições e até o presidente da República eleito, como mostrou o repórter Marcelo Godoy.

Derrubar os atos do ainda presidente Jair Bolsonaro aplicando cem anos de sigilo a toda hora, para qualquer coisa, será uma das primeiras providências de Luiz Inácio Lula da Silva ao assumir a Presidência pela terceira vez. O digníssimo público tem direito de saber de atos, fatos e personagens que são… públicos.

Pela Lei de Acesso à Informação, um presidente pode decretar sigilo de até cem anos, mas, evidentemente, para questões de Estado, não para favorecer a ele, aos filhos, a amigos. O sigilo decretado pela Inglaterra para delicadas questões de Estado durante a Segunda Guerra Mundial foi de 50 anos. Aqui, Bolsonaro decretou o dobro para qualquer bobagem. A não ser que não sejam tão bobagens assim…

Ele, por exemplo, decretou cem anos de sigilo para histórias envolvendo sua mulher ou os filhos e mais: 1) seu cartão de vacinação; 2) as mensagens do Itamaraty sobre Ronaldinho, preso no Paraguai por documentação falsa; 3) as entradas dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura no Planalto, quando eles cobravam propina no MEC.

Nenhum desses sigilos, porém, causa mais curiosidade, ansiedade e tensão do que o de cem anos para a reunião do Alto Comando do Exército que livrou a cara de Pazuello por confrontar todas as regras e subir num carro de som do próprio Bolsonaro, num comício escancaradamente político-eleitoral.

Quais as alegações? O que cada general de quatro estrelas disse sobre o general intendente da ativa que constrangeu os militares com uma sabujice –”um (Bolsonaro) manda, o outro (ele) obedece” – e descumpriu as regras, criando um grave precedente?

Mesmo com o fantasma da covid voltando, não tem nem graça saber se Bolsonaro tomou ou não vacina. Mas é importante, e para já, saber como foi a decisão do Exército sobre Pazuello, depois de Bolsonaro atravessar o País para jantar no extremo Norte com o comandante do Exército, general Paulo Sérgio, promovido mais adiante a ministro da Defesa.

É por coisas assim que tem até coronel da ativa nas redes atacando o presidente eleito, as urnas eletrônicas, o TSE e ministros do Supremo. É inadmissível. Logo, é preciso cortar o mal pela raiz. Quebra de sigilo já, para o bem das nossas Forças Armadas!

O Estado de São Paulo

Uma Grande Estratégia para o Brasil




Uma percepção mais ampla de defesa e de segurança, não restrita ao âmbito militar, responderia aos desafios da projeção do País no contexto internacional.

Por Rubens Barbosa* (foto)

As circunstâncias conjunturais pelas quais o Brasil passa hoje fazem com que as atenções da opinião pública informada se concentrem no debate sobre economia, taxa de juro e inflação, orçamento, sobre redução do desemprego, da pobreza, a saúde no novo governo. O brasileiro menos favorecido quer saber como ganhar dinheiro para pagar a comida, o remédio, o transporte e sua roupa.

Neste contexto, pouca gente está pensando o Brasil como uma potência emergente, cada vez mais dividida e com um novo governo que terá grandes desafios para reafirmar a democracia e as instituições, em vista da previsível feroz oposição bolsonarista. Assuntos institucionais, como o lugar do Brasil no mundo, defesa e segurança, o aperfeiçoamento dos meios de trabalho das Forças Armadas para defender os interesses reais do País e superar as novas ameaças globais, são tratados por restrito número de pessoas no governo, no meio acadêmico, no âmbito de instituições militares e (muito pouco) no Congresso. O Brasil não enfrenta ameaças de uma guerra convencional entre Estados, sendo efetiva a atuação das Forças Armadas em missões de paz, intervenções humanitárias, combate ao terrorismo, ao crime organizado, em segurança cibernética, Garantia da Lei e da Ordem (GLO), ações cívicas e outras.

No Brasil, soberania, defesa e segurança são, normalmente, associadas a questões de natureza militar, como ocorre, em linhas gerais, nos importantes documentos recentes sobre Estratégia Nacional e Política Nacional de Defesa. O conceito de defesa deveria ser examinado de forma mais abrangente, não limitado às percepções militares, como ocorre nesses documentos, que discutem as concepções política e os objetivos da Defesa e estratégica e os fundamentos da Defesa. Ambos os documentos procuram responder aos desafios como hoje percebidos e o planejamento das prioridades para a Defesa.

A vantagem de uma percepção mais ampla de defesa e de segurança, não restrita ao âmbito militar, mas envolvendo outros atores, em diferentes setores da sociedade, responderia aos desafios da projeção do Brasil no contexto internacional, dentro das suas grandes dimensões estratégicas. E colocaria o País em melhor posição para a defesa de seus interesses no momento em que as transformações geopolíticas, de inovação e tecnologia e a nova ordem econômica dão realce a temas globais como mudança do clima e segurança alimentar.

Quando ministro da Defesa, Celso Amorim ressaltou que o Brasil deveria seguir o conceito de uma Grande Estratégia, baseado numa coordenação de políticas de defesa e externa, com vistas à defesa do interesse nacional e à contribuição para a paz mundial. No contexto das limitadas discussões estratégicas, focadas sobretudo nos aspectos de soberania e defesa, está faltando um debate amplo, que deveria extrapolar o âmbito militar, sobre a formulação desta Grande Estratégia, em que a política de defesa e a política externa sejam complementadas por anseios da sociedade civil e, mais recentemente, por demandas da comunidade internacional sobre segurança ambiental, energética, alimentar e outras áreas. A Constituição, que define os objetivos, princípios e direitos fundamentais, deveria ser a base para a definição da Grande Estratégia, levando em conta a geopolítica e as transformações por que passa o cenário internacional, em especial na economia global, no meio ambiente, na tecnologia e na inovação, e que reflita o poder efetivo do País.

No âmbito do Executivo, a elaboração da Grande Estratégia deveria ser responsabilidade do Conselho de Defesa Nacional (CDN), vinculado à Presidência da República, com a participação de outros atores políticos, ministérios que tratam de temáticas interdependentes, como Relações Exteriores, Ciência, Tecnologia e Inovações, Justiça e Segurança e Economia, assim como dos representantes do Congresso Nacional. Instituições independentes, não pertencentes às corporações do Estado, serviriam para evitar possíveis omissões e distorções e contribuiriam para um maior apoio da sociedade às ações do Estado voltadas para defesa e segurança.

O documento definiria e priorizaria objetivos de longo prazo, levando em conta as condicionantes e necessidades derivadas de cenários e ameaças possíveis e de metas definidas para permitir o seu enfrentamento, bem como os recursos que o Estado estaria disposto a alocar ao longo do tempo para o alcance desses objetivos. Essas decisões de alto nível são essenciais para evitar alguns dos principais problemas da abordagem de baixo para cima que vem sendo usada. A Grande Estratégia, política de Estado, cobriria um horizonte mais extenso (de dez a 20 anos), como fez recentemente o Reino Unido, que, depois da saída da União Europeia, definiu seu lugar no mundo dentro de uma ampla visão global, ou a Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, assinada pelo presidente Joe Biden e recentemente divulgada.

Neste contexto, o futuro governo, junto com o Congresso, a academia e think tanks especializados, poderia aproveitar o momento para propor uma Grande Estratégia para a segurança e a defesa dos interesses nacionais, de forma abrangente, a ser discutida, ampla e democraticamente, a partir de janeiro de 2023.

*Presidente do Centro de Estudos de Defesa e Segurança Nacional (Cedesen) 

O Estado de São Paulo

Ainda os militares




Não é aceitável que manifestações contra a posse do presidente eleito continuem sendo permitidas

Por Merval Pereira (foto)

Georges Clemenceau, jornalista, médico e político, primeiro-ministro da França na Primeira Guerra Mundial, definiu: - A guerra! É uma coisa séria demais para ser deixada por conta dos militares.

Talvez esteja na frase desse grande estadista a explicação para que um Ministério da Defesa deva ser ocupado por um civil, sem que isso signifique menosprezo aos militares.

O ex-ministro da Defesa Raul Jungmann definiu como imperativo para o país, como nação soberana, “levar a sério nossa defesa e as Forças Armadas, assumir as responsabilidades que cabem ao poder político e às nossas elites”. O Livro Branco da Defesa Nacional de tempos em tempos é enviado ao Congresso justamente para que os representantes do povo aprovem as diretrizes de segurança nacional, prioridades do setor e relação do país com o mundo, numa demonstração de que o poder civil é que determina os objetivos do setor.

Quando participou em Brasília da 15ª Conferência de Ministros da Defesa das Américas, em julho deste ano, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, incluiu como a afirmação do papel dos militares numa sociedade democrática “o respeito às autoridades civis, aos processos democráticos e aos direitos humanos”. Para ele, é necessário que as Forças Armadas e as de segurança “estejam preparadas, capacitadas e sob firme controle civil”.

Os militares, como organização, estão lenientes com as manifestações antidemocráticas e, quando não agem, a inação é entendida como autorização para que aconteçam. Bem fizeram os tribunais de contas do país, por meio de sua associação, em repudiar declarações do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes, que, mesmo em privado, disseminava informações golpistas. Diante da repercussão, ele desmentiu que apoiasse ato golpista, mas o estrago estava feito.

Nunca é demais lembrar o que aconteceu nos Estados Unidos quando, ao contestar o resultado das eleições presidenciais de 2020, o então presidente Donald Trump incentivou a invasão do Capitólio em Washington. Por isso será investigado por um promotor independente. Durante o período em que tentou anular a eleição de Joe Biden, acusando as eleições de ter sido fraudadas, Trump, ainda presidente, viu-se às voltas com as Forças Armadas, que atuaram na contenção dessa tentativa de golpe.

A principal autoridade militar dos EUA, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Mark Milley, tão preocupado estava com que Trump e seus aliados tentassem um golpe que se uniu a outras autoridades civis com o objetivo de detê-lo. Ao contrário do que acontece entre nós, com o Ministério da Defesa tentando de forma patética alimentar a descrença nas urnas eletrônicas, e os comandantes das Três Armas soltando uma nota oficial dúbia, o comandante americano fez um comunicado oficial colocando de prontidão as Forças Armadas para defender a democracia.

Revelações de reportagens e livros mostram que Milley e outros integrantes do Estado-Maior tomaram a decisão de renunciar para não cumprir ordens que considerassem “ilegais, perigosas ou imprudentes”. Segundo relatos, Milley conversou com autoridades e políticos e garantiu que Trump e seus aliados não conseguiriam fazer nada sem os militares:

— Eles podem tentar, mas não vão conseguir. (…) Não dá para fazer isso sem a CIA e o FBI. Nós somos os caras com as armas.

Ele acreditava que Trump fomentava uma agitação com o intuito de invocar a Lei de Insurreição e convocar os militares. A estratégia de Bolsonaro parece ter sido a mesma. Só não deu certo porque as instituições civis, não as militares, reagiram. Após a insurreição de 6 de janeiro, Milley fez teleconferências diárias com Mark Meadows, chefe de gabinete de Trump, e com o então secretário de Estado, Mike Pompeo, assim como com a presidente da Câmara, Nancy Pelosi.

Quando Trump demitiu o secretário de Defesa Mark Esper em novembro, Pelosi foi um dos vários congressistas que ligaram para o general Milley.

— Estamos todos confiando em você — disse. Lembre-se de seu juramento.

Pelosi disse ao general que estava preocupada com a possibilidade de Trump, que ela considerava louco, usar armas nucleares durante seus últimos dias no cargo. Ele a tranquilizou:

—Seguiremos apenas ordens legais. Só faremos coisas que sejam legais, éticas e morais.

Não é o que se vê aqui até agora. O presidente eleito está montando seu governo e dentro de 40 dias tomará posse no Palácio do Planalto. É aceitável que manifestações contra sua posse continuem sendo permitidas?

O Globo

O que é o sistema de defesa antiaérea Patriot




Sistema americano foi projetado para neutralizar diversos tipos de ameaças aéreas, como mísseis, aviões e drones maiores. Alemanha anunciou envio desse sistema à Polônia, que faz fronteira com a Ucrânia.

Por William Noah Glucroft

Desde a invasão russa da Ucrânia no início do ano, os membros da Otan têm se dedicado a uma espécie de dança das cadeiras de equipamento militar. Isso ocorre com frequência quando um aliado envia armas para a Ucrânia e depois recebe novos equipamentos, e também ocorre dentro da própria aliança militar.

O anúncio feito pela Alemanha na segunda-feira (21/11) de que ofereceu seus próprios mísseis Patriot à Polônia é o capítulo mais recente nessa reorganização de equipamentos militares na Otan em direção ao seu flanco leste, voltado para a Rússia.

"A Polônia é nossa amiga, aliada e, como vizinha da Ucrânia, particularmente exposta", disse a ministra alemã da Defesa, Christine Lambrecht, após um telefonema com o ministro da Defesa polonês, Mariusz Blaszczak.

Defesa antiárea versátil

A exposição da Polônia à guerra foi sentida no início do mês, quando um míssil caiu dentro de suas fronteiras. Era provavelmente um míssil ucraniano perdido, e não um projétil lançado pela Rússia, disseram autoridades polonesas e oficiais da Otan. Mas o incidente, que matou duas pessoas, foi o primeiro em que armas usadas no conflito atingiram um terceiro país.

Dependendo do tipo e da trajetória do míssil que atingiu a Polônia, o sistema Patriot poderia ter tido uma chance de interceptá-lo.

O Patriot tem um longo histórico. Foi concebido no início dos anos 60, mas tomou seu nome e forma atual uma década depois. O Exército americano começou a implementar o sistema – composto por radares, unidades de comando e controle e vários mísseis interceptadores – nos anos 80.

A gigante americana de equipamentos bélicos Raytheon é a fabricante do Patriot e atualizou o sistema diversas vezes. A empresa diz que planeja seguir incorporando novos desenvolvimentos técnicos no sistema até pelo menos 2048. Em sua atual iteração, o Patriot pode defender um território contra mísseis balísticos táticos, mísseis de cruzeiro, drones, aeronaves e "outras ameaças" que a Raytheon não especifica quais.

Esses são alguns dos objetos aerotransportados que a Rússia usa para atingir a Ucrânia, e com os quais a Otan se preocupa em relação a seu próprio território. Entretanto, as forças russas também usam dispositivos menores, tais como mini drones que se mantêm mais próximos do solo e são mais difíceis para o sistema Patriot rastrear e interceptar.

O sistema cobre uma distância de cerca de 68 quilômetros, de acordo com as Forças Armadas da Alemanha. Seu radar pode rastrear até 50 alvos, e atacar cinco deles de uma só vez. Dependendo da versão em uso, os mísseis interceptadores podem atingir uma altitude de mais de dois quilômetros e atingir alvos a até 160 quilômetros de distância.

Cada unidade requer cerca de 90 soldados para a sua operação, de acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, um think tank americano.

Sistema testado em batalha

A Polônia não é uma novidade para o Patriot, mas um dos 18 países que já utilizam ou desejam adquirir o sistema de defesa aérea. Os Estados Unidos entregaram unidades à Polônia logo após a invasão russa da Ucrânia, e a Polônia pediu para comprar mais.

A Alemanha tem 12 unidades do sistema, de acordo com reportagens, e estacionou duas delas na Eslováquia. Os detalhes do envio do sistema à Polônia serão definidos pelos ministérios da Defesa dos dois países.

O Patriot já foi usado em diversos combates. Seu primeiro uso em situação real de conflito foi em 1991, quando defendeu os militares dos EUA e da coalizão, bem como áreas povoadas em Israel, contra os mísseis Scud iraquianos durante a Operação Tempestade no Deserto. Na época, oficiais dos EUA e da Raytheon celebraram a eficácia do Patriot, mas pesquisas independentes posteriormente questionaram esses resultados.

No incidente mais mortal, um ataque com míssil Scud matou 28 militares dos EUA em seus alojamentos na Arábia Saudita quando os Patriots que os protegiam não conseguiram interceptar o míssil que chegava.

As modernizações seguintes melhoraram a eficiência do sistema. O Patriot foi novamente enviado para o Iraque em 2003, durante a guerra liderada pelos EUA naquele país. Diversos lançamentos de testes desde então resultaram em intercepções bem sucedidas, embora vários mísseis Patriots sejam com frequência necessários para deter uma única ameaça.

O maior desafio do Patriot, em vez de acompanhar a tecnologia inimiga, pode ser o custo de fazer isso. A primeira aquisição do Patriot pela Polônia custou 4,75 bilhões de dólares, mais de um quarto do orçamento de Defesa proposto pelo país para 2023. Um único teste de interceptação, de acordo com o RAND, um grupo de pesquisa de defesa sediado nos EUA, pode custar até 100 milhões de dólares.

Muitas das ameaças que o Patriot enfrenta, como os drones, custam uma pequena fração disso. Para ajudar a dividir os custos, alguns membros da Otan concordaram, em outubro, em tratar conjuntamente suas necessidades de defesa antiaérea, incluindo a compra de mais unidades Patriot.

Deutsche Welle

Por que OCDE prevê PIB do Brasil mais forte em 2022 e vê riscos a partir 2023




A previsão é de que a política monetária continue restritiva e a atual taxa de juros básicos da economia deva se manter até meados de 2023, na avaliação da OCDE

Por Daniela Fernandes, De Paris 

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) ampliou significativamente a previsão de crescimento do PIB brasileiro neste ano para 2,8%, segundo um estudo publicado nesta terça-feira. A estimativa anterior, realizada em junho, era de aumento de apenas 0,6% em 2022.

Para 2023, a entidade, com sede em Paris, manteve sua projeção de aumento de 1,2% do PIB do país, abaixo da média mundial de 2,2%.

Segundo a organização, a atividade econômica no Brasil acelerou acima do esperado no primeiro e segundo trimestres deste ano, mas o crescimento perdeu força no terceiro trimestre.

"O consumo interno no Brasil tem sido apoiado por programas de transferência de renda mais elevados e pelo vigoroso crescimento do mercado de trabalho, mais isso deve se atenuar no próximo ano", diz o estudo da OCDE com previsões para a economia mundial.

A organização afirma ainda que o investimento privado vai continuar subindo no Brasil por conta da maior confiança empresarial. A previsão é de que a política monetária continue restritiva e a atual taxa de juros básicos da economia deva se manter até meados de 2023, na avaliação da OCDE.

Após um crescimento do PIB brasileiro estimado em 2,8% neste ano, o estudo ressalta que a expansão menor da economia projetada em 2023, de 1,2%, ocorre por conta da deterioração das previsões globais, da política fiscal mais apertada e dos efeitos dos aumentos dos juros nos últimos meses para conter a inflação.

"Preços mais baixos das commodities e a desaceleração econômica em grandes parceiros comerciais vão reduzir a demanda externa. Condições de crédito mais rigorosas vão limitar o consumo dos lares, como também uma desaceleração na geração de empregos em 2023 no Brasil", afirma o estudo.

No próximo ano, apesar de ficar novamente abaixo da média mundial, o PIB brasileiro irá crescer acima do americano e do PIB da zona do euro, ambos com expansão estimada em 0,5% e da média de 38 países da OCDE, projetada em 0,8%.

Para 2024, a OCDE prevê uma leve melhoria do PIB brasileiro, com crescimento estimado em 1,4%, abaixo da média mundial, que deve ser de 2,7%.

O estudo prevê ainda que a inflação no Brasil deverá diminuir durante o período de projeção à medida que os efeitos dos preços mais altos da energia e dos alimentos se atenuarem. A OCDE projeta que a taxa deverá cair de 8,9% ao ano em 2022 para 4,2% em 2023, subindo levemente para 4,5% em 2024 com o pequeno aumento retomada econômica.

Incertezas

"Os riscos que pesam sobre a inflação estão voltados para cima, uma vez que a maior parte da queda da inflação é proveniente de preços administrados, como o dos combustíveis. Os preços aumentam menos rapidamente para os bens industriais, mas restam dinâmicos no setor de serviço", afirma o estudo, acrescentando que o mercado de trabalho aquecido poderá manter a inflação dos serviços mais elevada por mais tempo, especialmente se os salários começarem a subir.

"Incertezas em torno da futura política orçamentária podem perturbar os mercados financeiros, obrigando o Banco Central brasileiro a manter as taxas de juros elevadas por mais tempo, o que pesará sobre o crescimento econômico", afirma ainda o documento da OCDE.

A organização ressalta que uma "estratégia de consolidação abrangente" é necessária para reduzir o déficit e restaurar a credibilidade do quadro fiscal. O estudo acrescenta que reduzir a rigidez orçamentária e limitar as despesas obrigatórias do Estado permitiria melhorar a eficiência dos gastos públicos.

'A OCDE ressalta que o crescimento econômico mundial perdeu seu impulso e que uma inflação alta se mantém persistente, enquanto a confiança diminui e as incertezas são elevadas'

A OCDE afirma que o Brasil teve uma política fiscal expansionista em 2022, impulsionada pelas isenções fiscais para lidar com os preços mais altos da energia e com o aumento de 50% no tamanho do programa Auxílio Brasil. Ambas as políticas devem expirar em dezembro, embora o aumento do programa de transferência de renda seja provavelmente mantido, diz o estudo. É o que sinaliza o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo informações divulgadas pela equipe de transição, o Auxílio Brasil será reestruturado e o benefício de R$ 600 deverá ser mantido.

De acordo com o estudo da OCDE, se a isenção de tributos federais sobre os combustíveis e o aumento do programa de renda forem mantidos, será difícil para o Brasil conciliar isso com as regras orçamentárias e com a necessidade de uma política fiscal mais restritiva para reduzir o déficit e conter a dívida pública a partir de 2023.

Desafios crescentes

A economia global, que está enfrentando "desafios crescentes", deverá crescer 3,1% em 2022, segundo a OCDE, cerca de metade do ritmo observado em 2021, de 5,9%, durante a recuperação registrada a partir do início da pandemia de Covid-19.

"A guerra na Ucrânia tem um efeito negativo persistente sobre as condições econômicas", diz o relatório da organização, acrescentando que a agressão da Rússia contra o país fez os preços aumentarem consideravelmente, sobretudo da energia, somando-se às pressões inflacionárias em um momento em que o custo de vida já estava subindo em todo o mundo por conta da retomada das atividades após o início da pandemia.

A OCDE ressalta que o crescimento econômico mundial perdeu seu impulso e que uma inflação alta se mantém persistente, enquanto a confiança diminui e as incertezas são elevadas. 

BBC Brasil

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