segunda-feira, novembro 21, 2022

O Bambu Tá Gemendo, o MPF requereu a CONDENAÇÃO COM PRISÃO DO PREFEITO de Jeremoabo, inclusive com PENA que poderá chegar a 12 anos de reclusão

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A fedentina é insuportável, incomoda todos moradores do município de Jeremoabo, haja creolina para desinfetar e também oléo de peroba, porque a sujeira é exorbitante, praticada pelo prefeito secertários e vereadores omissos e prevaricadores da situação, inclusive ofereceram PROPRINA AO PRESIDENTE DA CÂMARA  PARA PREVARICAR, cometendo mais um crime de corrupção ativa, para juntar ao seu currículo de improbo.
Conforme explicitado pelos vereadores de Jeremoabo e corroborado pelo PROCURADOR DA CÂMARA, o Mininistério Público Federal, requereu peranrante o Juiz de segundo grau do Tribunal Federal Regional da Primeira Região em Brasilia, a condenação do prefeito e outros envolvidos.
Para que o cidadão menos esclarecido entenda, vou tentar traduzir o que está sendo dito no vídeo:

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PEDE A CONDENAÇÃO DO PREFEITO DERI DO PALOMA POR CRIME DE DESVIO DE RECURSOS PÚBLICOS ONDE ESTE UTILIZOU DINHEIRO DO MUNICÍPIO PARA COMPRAR, MEDIANTE O USO DE TICKETS, COMBUSTIVEL EM SEU PRÓPRIO POSTO. O CRIME TEM PENA PREVISTA DE ATÉ 12 ANOS DE PRISÃO E INABILITACAO PARA OCUPAR CARGOS PÚBLICOS POR CINCO ANOS. O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL BUSCA ALÉM DA PRISÃO DO PREFEITO, A PERDA DO CARGO E DEVOLUÇÃO DOS VALORES DESVIADOS.
O prefeito Deri do Paloma, agindo intencionalmente com o intuito de se beneficiar ilegalmente de dinheiro público, condicionou os abastecimentos dos veículos da frota mediante o uso de tickets para possibilitar que os abastecimentos dos carros fossem feitos em seu conhecido Posto Paloma.
Em depoimento perante o Delegado de Polícia Federal o prefeito Deri alegou que não era mais proprietário do Posto, porem esqueceu de avisar ao delegado que quem adquiriu o posto foi sua filha, Secretária Municipal de Saúde, Sra. Deborah Carvalho.
O processo encontra-se no Tribunal Regional Federal, por tratar de recursos federais, onde o MPF busca, ainda, a devolução dos R$ 2.648.089,00 desviados em prol do prefeito". (Sic)

O prefeito de Jeremoabo está afundando nessa fria juntamente com seu conluio devido a sua ignorância, arrgância e prepotência, também confiando na impunidade, desconhecendo que a " desgraça do protegido é o protetor".
Num sábado, fevereiro 16, 2019 efetuei mais um alerta ao mesmo através da seguinte mátéria:

Em tão pouco espaço de tempo o prefeito de Jeremoabo lidera o número de notificações na Justiça Federal.


Logo que o Prefeito Deri do Paloma tomou posse, escrevi uma matéria citando: " Santo Agostinho - Prefiro os que me criticamporque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem. "

Mas antes de adentar no assunto citarei um Art.9 do Código de Ética que alguns tentam entender:

Art. 9° – É dever do jornalista:
– Divulgar todos os fatos que sejam de interesse público;
– Lutar pela liberdade de pensamento e expressão;
– Defender o livre exercício da profissão;
– Valorizar, honrar e dignificar a profissão;
– Opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos do Homem;
– Combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercida com o objetivo de controlar a informação;
– Respeitar o direito à privacidade do cidadão;
– Prestigiar as entidades representativas e democráticas da categoria;

Dito isso vamos aos fatos, embora os fanáticos façam questão de não acreditar enganando a eles próprios.
Todas as críticas que fiz e faço alertando o Prefeito Deri foi na tentativa de evitar que o mesmo entrasse nessas frias que entrou, principalmente por confiar em quem não deveria ter confiado.
Estamos diante de uma negra realidade de difícil saída para o prefeito, já que em tão curto espaço de tempo o mesmo já é réu em quatro Ações somente na Justiça Federal.
Agora a noite recebi copia da presente INTIMAÇÃO, onde os LUNÁTICOS mesmo indo contra fatos, irão dizer que é mentira do Blog que está perdendo a Credibilidade por não omitir nem esconder a VERDADE. 
 Se não me falha a memória, o prefeito é intimado por mais de quatro vezes na Justiça Federal, e o pior, dessa vez os advogados juntamente com os vereadores da oposição, dentre os pedidos, está indisponibilidade dos bens  do prefeito e da empresa. além da suspensão dos contratos supostamente irregularer.
Já no dia de ontem, o Juiz Federal Diego de Amorim Vitório, intimou o Prefeito Deri, para em 72 horas apresentar informações sobre as supostas fraudes no combustível adquirido mediante TIKET no Posto do próprio prefeito, bem como, para justificar em outros processos as supostas fraudes ocorridas nos procedimentos de contratação da empresa de limpeza pública e locação de veículos.. Colecionou, no início do final de semana, quatro intimações na Federal, por mais irregularidades praticadas com o dinheiro público.
É isso quem não escuta sossega, escuta coitado.

Nota da redação deste Blog - Deixo O BLOG a disposição do prefeito para caso deseje usar o direito de resposta.


Não escutou sosssega agora irá ouvir coitado.


Eu avisei logo quando o prefeito tomou posse, porém o prefeito Deri do Paloma preferiu escutar os puxa-sacos e os oportunistas,

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Novas informações após o termino do programa.

Liberdade de expressão não é vale-tudo - Editorial




Após quatro anos de bolsonarismo, é preciso recompor noção e exercício da liberdade de expressão. Há uma ideia equivocada sobre a palavra, como se fosse território da impunidade. 

Em 1988, o País restabeleceu, por meio da Constituição, a liberdade de expressão, de imprensa e de opinião. A censura da ditadura militar – definindo o que podia e o que não podia ser publicado, exposto ou escrito – ficava, assim, definitivamente extinta. Para impedir eventuais retrocessos no futuro, inseriu-se no texto constitucional uma cláusula pétrea sobre o tema: “Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir os direitos e garantias individuais”.

Dessa forma, no Estado brasileiro, sempre será “livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato” (art. 5.º, IV), como sempre será “livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (art. 5.º, IX). A garantia dessas liberdades de forma permanente é fonte de paz e tranquilidade. Que cada um possa se expressar, comunicando aos outros o que acredita, é aspiração humana fundamental: é parte essencial da dignidade humana, é elemento necessário do regime democrático.

Mas, justamente para que todos possam exercer suas liberdades fundamentais, a liberdade de expressão não é uma autorização para dizer impunemente o que bem entender. Há limites. A Constituição assegura, por exemplo, que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas” – ou seja, a liberdade de expressão não dá direito a ofender. Por isso, o Código Penal prevê os crimes de calúnia, injúria e difamação. Todos têm direito a expressar sua opinião política, mas ninguém tem direito a caluniar, injuriar ou difamar quem quer que seja.

Outros exemplos de crimes previstos na lei penal envolvendo a comunicação são a injúria racial, a incitação ao crime, a comunicação falsa de crime e o ultraje ao culto religioso. Nada disso significa reduzir a liberdade de expressão. É antes o reconhecimento de que a palavra é importante e produz efeitos.

Todo esse arcabouço jurídico sobre a liberdade de expressão – suas garantias, seus limites e suas consequências – vem sofrendo um intenso e, em certa medida, inédito ataque nos últimos anos. A ameaça não é fruto de tentativas de emenda constitucional, inviáveis de prosperar em função da cláusula pétrea. O ataque é mais sutil e mais perigoso. Ele decorre de uma compreensão equivocada da ideia de liberdade de expressão, como se a palavra fosse território sem lei, isto é, como se houvesse um direito a falar o que bem entender, em um contexto de irrestrita irresponsabilidade.

O quadro atual é desafiador. Essa compreensão equivocada da liberdade de expressão não está mais restrita a pequenos grupos extremistas. Ela se difundiu. Fez-se cultura. A própria expansão da internet e das redes sociais, com a oferta de novos espaços de expressão, gerando novas percepções de liberdade, contribuiu para reforçar a ideia de que a palavra estaria imune não apenas a um controle prévio, mas à própria lei.

Tudo isso foi intensificado por Jair Bolsonaro ao longo de seus quatro anos na Presidência da República, ao transformar essa equivocada compreensão da liberdade de expressão em bandeira eleitoral. Não haveria limites, tampouco parâmetros objetivos. Sob o pretexto de liberdade, estaria assegurada ampla impunidade. Inúmeros, os exemplos envolvem desde negação de dados científicos e insinuações criminosas contra inimigos políticos até desinformação contra o regime democrático e o sistema de votação.

Agora, o País tem pela frente o desafio de resgatar a liberdade de expressão em sua dimensão de garantia e direito de todos. Ela não é instrumento de ataque de alguns que se acham mais espertos ou violentos. Nessa tarefa de recompor a noção e o exercício dessa garantia fundamental, o Poder Judiciário tem um papel especial, seja para evitar a impunidade de quem cometeu crimes, seja para ater-se aos limites de sua jurisdição – sempre lembrando que ao Estado não cabe organizar o debate público ou ser árbitro das ideias presentes numa sociedade. A liberdade de expressão é para valer, sem exceções.

O Estado de São Paulo

O que comeríamos se a Terra fosse atingida por um asteroide




Pensar em como responderíamos a um cenário pós-apocalíptico como esse não se trata de pessimismo ou de uma fixação macabra com desastres, mas um exercício de 'história futura' baseada em pesquisa

Por  Philip Maughan*

Imagine que um asteroide gigante atinja a Terra daqui a alguns anos, bloqueando o Sol e causando um colapso da agricultura em todo o mundo. Nós conseguimos ver ele chegando, mas todas as tentativas de redirecionar sua trajetória falham.

À primeira vista, nossas chances não parecem boas. O planeta está envolto em chamas. Peixes mortos cobrem os rios e canais. Os agricultores perdem a maior parte do seu gado.

Depois de apenas alguns dias, o ar começa a esfriar e as temperaturas médias globais despencam. As colheitas falham catastroficamente e o sistema de abastecimento de alimentos como conhecemos desmorona.

No entanto, e se eu dissesse que fomos capazes de sobreviver — que conseguimos construir um novo sistema alimentar usando o conhecimento do passado?

Pensar em como responderíamos a um cenário pós-apocalíptico como esse não é pessimismo ou fixação macabra em desastres.

Em vez disso, é um exercício de "história futura" baseada em pesquisa — uma maneira de viajar para trás no tempo a partir de um futuro possível, inspecionando cada conjuntura que nos leva daquela época até agora.

É uma prática amada por líderes corporativos e estrategistas militares porque incentiva a preparação, mas também requer imaginação. Isso nos ajuda a ver o presente sob uma luz diferente.

Então, vamos começar. Faz um ano desde que o asteroide nos atingiu. E foi assim que sobrevivemos.

Lições catastróficas

A melhor forma de prever o que aconteceria quando um objeto colossal se chocar contra nós envolve estudar eventos passados.

Quando o asteroide Chicxulub atingiu a Terra há 66 milhões de anos, ele transformou o leito rochoso do oceano em plasma, vaporizou toda a vida em um raio de 2.400 km e jogou detritos ao redor do mundo, numa chuva de destruição incandescente. Cerca de 25 trilhões de toneladas de matéria desenterrada entraram na atmosfera, bloqueando a luz solar.

Ao contrário dos dinossauros, muitos de nossos ancestrais mamíferos sobreviveram às terríveis consequências porque eram escavadores. Teríamos que fazer o mesmo por um tempo.

Mas não foram apenas o estilo de vida e a morfologia que os ajudaram. A dieta deles também os favoreceu.

'Uma razão pela qual os mamíferos sobreviveram aos dinossauros é porque eles tinham dietas adaptáveis'

Os dinossauros que sobreviveram a terremotos, incêndios e tsunamis logo descobriram que não tinham nada para comer. Nossos ancestrais mamíferos, por outro lado, viviam de insetos, nozes e plantas aquáticas (com pouca luz solar).

Apenas um pequeno número de dinossauros terópodes — um clado que já incluiu o Tyrannosaurus rex e do qual todas as aves contemporâneas evoluíram — conseguiu sobreviver graças às suas dietas onívoras, bico e uma moela que os ajudou a extrair nutrição das sementes.

Esta lição pode sugerir que devemos preparar estoques de alimentos básicos de emergência. De fato, em um depoimento perante o Congresso dos Estados Unidos enquanto a Guerra Fria estava esquentando, as autoridades americanas propuseram um "biscoito de sobrevivência para todos os fins" feito de triguilho.

Esse é um produto considerado comestível "após 3.000 anos em uma pirâmide egípcia".

Latas de sopa Campbell, suco em pó Tang e o "Alimento Multipropósito" da General Mills (produto à base de soja rico em nutrientes para uso em situações de "emergência ou desastre") foram todos produzidos sob ordens do governo americano para encher as prateleiras de abrigos nucleares.

No entanto, armazenar comida suficiente para alimentar a todos por uma década — ou mesmo um ano — criaria seus próprios problemas.

Estima-se que os estoques existentes de alimentos secos poderiam alimentar cerca de 10% da população global por cinco anos.

Se os governos ou a ONU (Organização das Nações Unidas) adotassem a mentalidade prepper (estratégia de sobrevivência dos super-ricos) e produzissem as cerca de 1,6 bilhão de toneladas necessárias todos os anos para alimentar todos os humanos na Terra, os preços disparariam. Isso também seria uma catástrofe. Precisaremos encontrar maneiras de cultivar alimentos mais uma vez.

Fazendas subterrâneas

Quando os EUA detonaram uma bomba atômica sobre a cidade japonesa de Nagasaki, aqueles que se esconderam em túneis de minas antigas conseguiram sobreviver desde que não estivessem muito perto da entrada.

Em um caso famoso, Akiko Takakura, de 20 anos, sobreviveu, apesar de estar a 300 metros do hipocentro da explosão porque ela estava dentro de um prédio de concreto armado — a agência de Nagasaki do Banco do Japão.

Diante de um ataque de asteroide, os cidadãos de Ancara, Pequim, Moscou e Montreal terão, portanto, uma vantagem. Cada um deles tem grandes espaços de trânsito, armazenamento ou comércios no subsolo — como inversões misteriosas das cidades acima.

A Turquia pode até utilizar a vasta rede de cidades subterrâneas na província de Nevşehir, construída pelos frígios há 2.500 anos e expandida pelos capadócios gregos temendo perseguição na era bizantina.

'Assentamentos subterrâneos podem ser um local adequado para cultivar novos tipos de culturas'

O Reino Unido também estará em uma posição forte. Além das redes de trens subterrâneos em Londres, Newcastle e Sunderland, Glasgow e Liverpool, existem abóbadas subterrâneas, abrigos, cavernas e adegas em Nottingham, Edimburgo, Chislehurst e Stockport.

Além de abrigar humanos, espaços subterrâneos poderiam ser usados ​​para cultivar alimentos nutritivos. Apesar da falta de luz e do ar úmido e com má circulação, certas culturas podem prosperar nesses locais com a abordagem correta. Felizmente, experimentos em pequena escala na agricultura urbana subterrânea já estão em andamento.

Por exemplo, Paris abriga 6 km² de espaço inexplorado na forma de estacionamentos, parte dos quais a empresa Cycloponics transformou em fazendas de cogumelos. Enquanto isso, a empresa Growing Underground está cultivando vegetais em um antigo abrigo antiaéreo em Clapham, Londres.

Por um curto período, brotos, microverdes (versões bem menores de vegetais comestíveis), aspargos brancos, ruibarbo e cogumelos podem ser cultivados com luz artificial zero ou mínima (muitas plantas germinarão e se transformarão em mudas mesmo sem luz, mas só se desenvolverão até ali).

Os brotos são uma ótima fonte de vitaminas, ácidos graxos e fibras, e usam a energia armazenada na semente para crescer. O mesmo vale para os microverdes, que podem fornecer uma variedade de sabores — de picante a azedo e doce — para enfeitar outros alimentos.

Nenhuma delas é uma solução de longo prazo, mas poderíamos usar nosso tempo no subsolo para começar a construir uma.

Em dezembro de 2020, a Autoridade Carbonífera e o Serviço Geológico Britânico divulgaram mapas de calor para os estimados 25 km² de campos de carvão em desuso em todo o Reino Unido, principalmente nas terras centrais inglesas, norte, sul do País de Gales e sul da Escócia.

O mapa é destinado a desenvolvedores para que futuras habitações possam ser construídas para extrair calor das águas que retornaram às minas depois de terem sido desativadas. Também pode ser útil para a agricultura.

Refeições prontas

Uma semana se passou. Saímos de nosso refúgio temporário e testemunhamos uma paisagem que não reconhecemos mais. Tudo que era verde está morrendo. A fuligem flutua no ar e a luz lembra o crepúsculo antes do amanhecer, prometendo um brilho que nunca chega (ou pelo menos pode levar de cinco a 10 anos para chegar).

Entramos em contato com outros sobreviventes e concordamos que todo o conhecimento e tecnologia serão de código aberto. Cada um de nós tem pacotes iniciais: bactérias, sementes e células.

Como os cogumelos não contêm cloroplastos — as pequenas fábricas movidas a luz solar em plantas que convertem CO2 em açúcares — eles não precisam de luz para crescer. O que eles precisam é de calor, umidade e um substrato de matéria orgânica para frutificar, recém-abundante na vegetação derrubada do velho mundo biológico.

Infelizmente, os cogumelos não são uma grande fonte de calorias. Muitos são venenosos. A maioria produz esporos tóxicos para humanos em alta concentração e rasga edifícios que preferimos usar como abrigo. O cultivo de cogumelos deve ocorrer em porões, edifícios e túneis especialmente designados.

'Cogumelos são um alimento confiável que cresce sem luz solar, mas têm desvantagens'

Não será fácil conseguir uma dieta equilibrada — mas isso pode ser feito. As pessoas continuarão comendo espécies de ruminantes sobreviventes como veados, vacas, cabras e galinhas, alimentando o número reduzido que mantemos com gramíneas mortas, folhas e madeira em decomposição.

Quanto às vitaminas complicadas, E, A e B12 podem ser sintetizadas por processos industriais. Outras, como K ou D, serão mais difíceis de adquirir.

A maior parte da vitamina D comercial hoje vem do refino e irradiação da lã de ovelha. No curto prazo, podemos extrair nutrientes de flores, folhas e partes não lenhosas das árvores. O chá de agulha de pinheiro, por exemplo, tem muitas vezes mais vitamina C do que um suco de laranja. O chá de urtiga contém vitaminas A, C e K, e o chá de dente-de-leão é rico em potássio.

Modelos de computador construídos para estudar uma guerra nuclear total — muitas vezes usado como análogo para um enorme baque de asteroide — prevê que menos de 40% da luz normal persistirá perto do equador, com apenas 5% mais perto dos pólos.

A beterraba sacarina mostrou tolerância a temperaturas mais baixas e podemos ter sucesso limitado no cultivo de cenouras, repolhos, batatas e ervilhas.

Muitas outras culturas essenciais, como batata, trigo, cevada, arroz, milho e soja, poderiam ser realocadas para os trópicos e complementadas por mandioca, baobá, espinafre selvagem e inhame, que já estão lá.

Aqui construiremos estufas — supondo que a cooperação e o comércio continuem possíveis — estruturas simples feitas de madeira, filme de polímero, cascalho e pregos que maximizem a luz solar que recebemos.

Comida pós-fazenda

Uma visão comum nas cidades hoje são rios e canais entupidos com algas. No entanto, esse imenso poder de crescimento pode tornar as algas altamente valiosas em um desastre. Espécies como chlorella e nanochloropsis, entre outras, são ricas em nutrientes, incluindo os raros ácidos graxos ômega-3 e ômega-6, e podem ser cultivadas com pouca luz e colhidas durante todo o ano.

Um trabalho de pesquisa observou a rápida recuperação do fitoplâncton no Chicxulub (uma antiga cratera de impacto soterrada no México), um lembrete da "grande resiliência da biosfera unicelular".

Se cultivar algas em piscinas, tanques, lagoas e canais abandonados parece um devaneio solar absurdo, bem, provavelmente é. Existem, de fato, outros meios mais estáveis ​​para alcançar nossos fundamentos nutricionais.

É bem conhecido que as algas prosperam nas cidades devido ao escoamento de fertilizantes da agricultura. Das milhares de espécies conhecidas, muitas são tóxicas para humanos e outros animais. Talvez no futuro possamos reformular esse mau uso da química e da biologia e aproveitar o processo para usá-lo deliberadamente.

'Se o crescimento de algas pudesse ser aproveitado com segurança, elas poderiam ser uma fonte de alimento'

Com matérias-primas como petróleo, gás natural, CO2 ou as sobras não comestíveis das plantações(resíduos que sobraram da colheita ou extração de madeira) podemos produzir proteínas "sintéticas", açúcar e gorduras — todos os três macronutrientes humanos.

No ano passado, a Nasa (agência espacial norte-americana) concedeu três prêmios importantes a equipes pioneiras na conversão de CO2 em açúcar para uso em futuras missões espaciais.

Historicamente, em períodos de guerra ou crise econômica, a infraestrutura foi redirecionada para atender às necessidades mais prementes da sociedade. Durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA adaptaram 66% das fábricas de automóveis para a produção de aeronaves.

E, depois que a pandemia de covid-19 começou em 2020, a empresa de roupas Barbour fez aventais hospitalares e a Land Rover reprogramou suas impressoras 3D de prototipagem de peças de carros para fabricação de viseiras de proteção.

Novamente, pelo menos no Reino Unido, a ação maior será no norte. Refinarias de biocombustíveis e fábricas de papel em Selby, Grimsby, Wilton, Manchester e outros lugares poderiam ser reaproveitadas para produzir açúcares comestíveis a partir de biomassa lignocelulósica.

Um estudo descobriu que as fábricas de papel são, de fato, mais adequadas para o trabalho, ostentando uma correspondência de 85% de componentes com uma usina de açúcar bioquímico.

Transformar hidrocarbonetos em ceras e gorduras digeríveis — literalmente transformando combustíveis fósseis em alimentos — pode ajudar a suprir várias deficiências. Não seria a primeira vez.

Na década de 1910, o químico Arthur Imhausen adaptou um processo conhecido como oxidação de parafina para criar manteiga aus kohle, ou "manteiga de carvão", em resposta à inflação na Alemanha.

Outra inovação de guerra, a cultura de proteínas de levedura de célula única para alimentar soldados, foi adotada na Grã-Bretanha para produzir um aditivo para ração animal na década de 1960 e, finalmente, tornou-se o substituto de carne Quorn (uma proteína derivada de fungos).

Uma nova fábrica em Chongqing, na China, usa um processo de síntese química refinado para produzir 20 mil toneladas de proteína a partir de bactérias. Essa proteína unicelular requer apenas metano, oxigênio e nitrogênio para crescer e será usada para alimentar peixes, mas pode ser ajustada para humanos.

Pode não parecer especialmente delicioso, mas a ferramenta de sobrevivência mais importante que temos é uma história que sugere que podemos confiar: a inovação culinária.

Talvez possamos pensar nos alimentos à base de plantas de hoje como um laboratório para fabricação — no qual as proteínas da ervilha replicam a fibrosidade da carne ou das raízes da soja para fazer os hambúrgueres vegetais "sangrarem".

Essa é a continuação de uma tecnologia que tem sido utilizada em todas as culturas para intensificar o sabor, tornar os alimentos mais duradouros, transformar sua forma, cor, textura ou desencadear efeitos psicoativos: a fermentação.

Os resultados até agora incluem pão, cerveja, kimchi, tempeh (alimento originário da Indonésia fonte de proteínas vegetais), molho de soja, vinho e queijo, assim como o ácido cítrico, etanol combustível e penicilina. Mas a história está longe de terminar.

O mar

É difícil prever o que acontecerá com os oceanos após o baque. A pesquisa sobre o inverno nuclear prevê acidificação, aumento da radiação ultravioleta e colapso das teias alimentares.

Alguns argumentam que um "amortecedor" bem administrado, reduzindo a pesca atual à medida que o dia do impacto se aproxima, pode nos fornecer um frenesi de frutos do mar quando mais precisarmos.

Atualmente, menos de 2% de nossas calorias vêm do oceano. Apenas 22% de todos os navios em condições de navegar são usados ​​para pesca. Quando chegar a hora, porta-aviões, navios porta-contêineres, rebocadores e iates devem ser requisitados para a aquicultura, usando rotas marítimas concebidas para um propósito totalmente diferente.

A empresa de serviços offshore Roxel Aqua desenvolveu um sistema modular (conhecido como "o conceito Octopus") que converte plataformas de perfuração de petróleo em fazendas de peixes e está buscando aprovação regulatória.

Em outros lugares, como no Golfo do México, empresas e a academia colaboraram em sistemas de "aquacultura multitrófica integrada" que usam plataformas de petróleo desativadas para cultivar mexilhões, peixes e algas, ao mesmo tempo em que produzem energia renovável.

As algas marinhas crescem com pouca luz, o que significa que podem ser protegidas dos raios UV perigosos, submergindo as linhas de cultivo em profundidades maiores. Espécies como wakame, kelp e emi-tsunomata são mais eficientes, quando comparadas aos peixes, para converter recursos limitados em nutrição valiosa para os seres humanos.

Bivalves como amêijoas, mexilhões e ostras são excelentes fontes de ferro, a deficiência nutricional mais comum entre os humanos em todo o mundo. Elas crescem em espaços apertados e não sofrem de piolhos e doenças como os peixes.

Para começar mais rápido, sardinhas e anchovas selvagens são carregadas com a cada vez mais escassa vitamina D. Elas também têm o bônus adicional de amadurecer em seis meses e botar milhares de ovos.

Os ecossistemas marinhos florescem onde superfícies rígidas e estáveis ​​se tornam disponíveis — em plataformas de petróleo abandonadas. Além das plantas, anêmonas, peixes e aves marinhas que se aglomeram ao seu redor, essas plataformas podem abrigar alojamentos, silos cheios de ração, currais gigantescos e cabos submarinos extremamente longos para o cultivo de bivalves ou algas marinhas.

Elas são construídas para resistir ao mau tempo: ilhas do passado das quais podemos estimular a regeneração nos mares. Se o clima estiver frio o suficiente — é possível que possamos caminhar até o Complexo Douglas, na costa de Liverpool, e usar sua broca para acessar as regiões mais profundas.

Terra culinária

O recente sucesso da Nasa em alterar o caminho do asteroide Dimorphous é reconfortante, e os pesquisadores estimam a probabilidade de uma colisão do tamanho de Chicxulub em apenas 0,000001%.

Mas isso não significa que não devemos nos preparar para um colapso catastrófico do suprimento de alimentos. Afinal, os asteroides não são a única ameaça que enfrentamos: também há mudanças climáticas, bioterrorismo, patógenos de plantas e ervas daninhas ultrarresistentes, inverno nuclear e supervulcões.

No futuro, talvez precisemos afrouxar nossa ideia de como é a agricultura. Aqui eu usei um asteroide para fazer isso — mas a arte, o comércio e a ciência têm um papel a desempenhar.

Nosso sistema alimentar atual é mantido por subsídios governamentais, monopólios corporativos e um viés cultural em relação aos alimentos que percebemos como naturais ou tradicionais. No entanto, tanto os desastres causados ​​pelo homem quanto os naturais são inevitáveis.

Para nos prepararmos, devemos reconsiderar os lugares e saberes que podem se tornar viáveis ​​quando os campos e a luz do sol não existirem mais: túneis, minas, moinhos, fábricas e plataformas oceânicas.

Isso pode nem sempre parecer palatável para alguns, mas a sobrevivência de nossa espécie pode depender disso.

*Philip Maughan é um escritor e pesquisador que vive entre Londres e Berlim. Ele é cofundador da plataforma de pesquisa de alimentos Black Almanac.

BBC Brasil

Volta ao velho normal




Militares têm atuado de maneira ambígua, permitindo que manifestantes acampem em áreas de “segurança nacional e alimentando desvarios negacionistas

Por Merval Pereira (foto)

O Brasil precisa voltar à normalidade, e os militares são parte importante desse retorno. Não é aceitável que as aglomerações em frente aos quartéis sejam consideradas normais, ainda mais quando pedem medidas inconstitucionais, como a intervenção militar para não permitir que o presidente eleito tome posse. São as novas “vivandeiras alvoroçadas” que incentivavam os militares a ações golpistas.

Não ver o que está sendo gestado nesses movimentos ilegais, ou pela continuada ação de bloqueio em estradas pelo país, é ser cúmplice, no mínimo por leniência e inação. Bolsonaro levou os militares para o centro da política partidária, prometendo reintroduzi-los na vida nacional pela porta da frente, como se precisassem do aval de um político desqualificado, “mau militar”, para ter o respeito da população.

Acabou colocando os militares em situação delicada, sendo vistos pela população como privilegiados, como no caso da reforma da Previdência, ou como agentes políticos com lado, como acontece agora. Logo que assumiu, Bolsonaro fez questão de agradecer publicamente ao General Villas Boas, em palavras cifradas: “General Villas Boas, o que nós conversamos ficará entre nós, o senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”.

O que terão conversado os dois? O presidente recém-eleito poderia estar se referindo à nota do General no Twitter, na véspera do julgamento de um habeas-corpus a favor de Lula que poderia tê-lo tirado da cadeia mais cedo, permitindo que disputasse a eleição presidencial de 2018.

Poderia também estar relembrando fato anterior, quando a então presidente Dilma tentou decretar o Estado de Defesa para evitar seu impeachment, e os militares não a apoiaram. O fato é que a eleição de Bolsonaro foi considerada dentro da estratégia de volta por cima dos militares na vida política do país, e a partir daí o “mau militar” passou a dar as cartas, sob a alegação de que ele, sim, tinha voto e sabia lidar com o povo.

Era comum nas discussões internas, quando havia um impasse qualquer com os militares em posições civis no entorno do presidente, alegar que ninguém ali entendia mais de política que ele. Conseguiu até mesmo demitir comandantes militares que não se alinhavam com seu projeto, sem haver crise militar. Envolveu os militares em ações polêmicas, como a produção de cloroquina durante a pandemia, ou colocando o General da ativa Eduardo Pazuello no ministério da Saúde, transferindo para a corporação as críticas às ações do governo.

Bolsonaro, ao contrário do que prometeu, levou os militares novamente para a senda golpista, abrindo um enorme fosso que os separa da sociedade civil organizada. A análise fria das manifestações histéricas dos que não aceitam a derrota nas urnas mostra que Bolsonaro está colhendo o que plantou, felizmente não a ponto de ter êxito.

A atuação dos militares na questão das urnas eletrônicas os colocou em confronto com a Justiça Eleitoral, fazendo com que atuassem como parte da disputa política. Chegou a ser patética a sugestão de que havia alguma coisa a descobrir depois da “auditoria” que fizeram das urnas, mesmo que admitissem não ter descoberto nada.

No momento, diante das manifestações ilegais e antidemocráticas em frente aos quartéis, pedindo uma intervenção militar diante da vitória de Lula na eleição presidencial, os militares atuam de maneira ambígua. Considerar que essas manifestações representam o direito de expressão livre dos cidadãos, e permitir que acampem em áreas que sempre foram consideradas de “segurança nacional”, é alimentar desvarios negacionistas.

Não tem sentido andar soltando nota oficial para discutir com as milícias digitais que acusam alguns generais de serem “melancias”, isto é, verdes por fora, vermelhos por dentro, porque seriam contrários às manifestações ilegais, ou simplesmente a favor da posse do presidente eleito, como acontece em todas as democracias.

Dar asas a essas elocubrações, como fez o General Braga Neto, candidato derrotado à vice-presidência, é perigoso. Diante de um bando de manifestantes que clamavam por uma intervenção militar, à porta do Palácio da Alvorada, Braga Neto mandou uma mensagem: “Tenham fé, é a única coisa que posso dizer agora”. Perdeu a chance de ficar calado, já que sua fala permite que muitos vejam embutidas nela intenções antidemocráticas.

Por essas e outras é que o futuro governo fará bem em nomear um ministro da Defesa civil, como era o plano original quando o ministério foi criado, no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso. Trata-se de destacar a prevalência do poder civil sobre o militar

O Globo

Conheça os bastidores da ociosidade antidemocrática de Jair Bolsonaro




Por Josias de Souza (dir.)

A ausência de Bolsonaro no Palácio do Planalto completou três semanas. Na iniciativa privada, quatro semanas longe do local de trabalho justificam uma

. Na Presidência, a falta de assiduidade é premiada com o pagamento do contracheque sem a contrapartida do trabalho. No caso de Bolsonaro, o contrassenso é ainda maior, pois ele recebe o salário para conspirar contra o interesse público. Abriu mão de presidir a República. Mas molha a camisa presidindo iniciativas antidemocráticas.

A ociosidade de Bolsonaro é apenas aparente. Longe dos refletores, o presidente exibe intensa atividade. Age para prolongar os acampamentos que reivindicam"intervenção federal" na frente de prédios do Exército. E articula uma nova investida contra a Justiça Eleitoral. As duas iniciativas visam um objetivo comum: estimular a crença segundo a qual o resultado da eleição presidencial poderia ser modificado por uma reviravolta qualquer. Nas últimas horas, as más intenções de Bolsonaro foram terceirizadas a personagens subalternos, em dois lances.

Num, Bolsonaro pressionou Valdemar Costa Neto, o dono do PL, a colocar em dúvida o resultado de pelo menos 250 mil urnas eletrônicas. O questionamento será protocolado nesta semana no Tribunal Superior Eleitoral. Noutro lance, Bolsonaro transformou o general Braga Netto, candidato a vice na chapa derrotada, num boneco de ventríloquo. Expressando-se pela boca do general, o capitão reativou o seu cercadinho, enviando recados messiânicos que se propagam pelo WhatsApp e outras redes sociais bolsonaristas.... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2022/11/20/conheca-os-bastidores-da-ociosidade-antidemocratica-de-jair-bolsonaro.htm?cmpid=copiaecola

Neste sábado, Valdemar Costa Neto declarou, por "insistência" de Bolsonaro, que cerca de 250 mil urnas antigas utilizadas nas eleições de 2022 não dispõem de número de identificação individualizado. Insinuou que deveriam ser desconsideradas. Informou que entregará ao TSE, provavelmente na terça-feira, relatório com as "provas" colecionadas pelo partido. "É no Brasil inteiro", disse ele. "São as urnas de 2020 para baixo, são as urnas antigas. Todas elas têm o mesmo número, não têm patrimônio, não tem como controlar a urna. Você vai checar a urna antes da eleição, são todas com o mesmo número."

Um detalhe torna risível o lero-lero do PL: as mesmas urnas que enviaram Lula para o trono pela terceira vez deram ao partido de Valdemar as maiores bancadas nas duas Casas do Congresso. Usada no cálculo dos fundos eleitoral e partidário, a bancada de deputados do PL, com 99 representantes, fará de Valdemar o gestor da maior caixa registradora do mercado partidário.

O presidente do TSE, Alexandre de Moraes, poderia convidar Valdemar para uma audiência. Abriria o diálogo com duas indagações singelas: Se as urnas são inconfiáveis, o PL promoverá uma renúncia coletiva dos seus parlamentares? Devolverá as arcas bilionárias?

Na sexta-feira, véspera do stand-up comedy de Valdemar, Braga Netto havia parado o carro no cercadinho do Alvorada para conversar com um grupo de bolsonaristas. O general soou enigmático: "Vocês não percam a fé, é só o que eu posso falar para vocês agora". Oscilando entre a lamúria e a impaciência, uma mulher interveio: "A gente está na chuva, no sufoco". E o boneco, articulando palavras do seu ventríloquo: "Eu sei, senhora. Tem que dar um tempo, tá bom?".

O diálogo de Braga Netto com os bolsonaristas foi filmado. O vídeo deslizou, com método, para dentro das redes sociais. Horas depois, Braga Netto tornou-se um dos tópicos mais efervescentes na lista dos assuntos mais comentados do dia no Twitter. O Jornal da Cidade Online, ninho do bolsonarismo no Telegram, divulgou um link que conduz à filmagem com a fala do general. "A mensagem foi dada", anota a legenda.

Como candidato a vice, Braga Netto atravessou a campanha mudo. Convertido em boneco, o general tornou-se coadjuvante de uma palhaçada. Manipulado por Bolsonaro, seu ventríloquo, soltou a matraca. Passou a operar como uma espécie de porta-voz informal do golpismo do chefe. Na quinta-feira, em outra manifestação feita no cercadinho, esforçou-se para desfazer a maledicência segundo a qual o presidente abdicou da tarefa de presidir.

Segundo Braga Netto, Bolsonaro já estaria curado de uma moléstia na perna. "Ele deve voltar logo. Ele já se recuperou da infecção. Está tudo bem", disse. Abstendo-se de fixar uma data para o retorno, o general entoou antes de se retirar o bordão predileto do presidente: "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

No dia anterior, quarta-feira, Bolsonaro irritara-se com uma revelação feita pelo vice Hamilton Mourão. Colega de generalato de Braga Netto, Mourão havia sido incumbido, por intermédio de um emissário do presidente, da tarefa de receber no Planalto as credenciais de embaixadores estrangeiros.

Ao justificar a ausência do titular, o vice informara que Bolsonaro contraíra uma erisipela, infecção bacteriana aguda. "É questão de saúde", explicara Mourão. "Está com uma ferida na perna, uma erisipela. Não pode vestir calça, como é que ele vai vir para cá de bermuda?"

Antes, numa entrevista ao jornal Valor Econômico, Mourão havia esboçado um cenário que contrastava com a atmosfera de anormalidade que vigora na realidade paralela que Bolsonaro tenta criar. Indagado sobre a reação dos militares diante do retorno de Lula ao poder, Mourão declarou: "Vai continuar tudo como dantes no quartel de Abrantes." Citando uma frase atribuída a Delfim Netto, czar da Economia no tempo da ditadura, o vice de Bolsonaro disse que, no dia 1º de janeiro, "a quitanda precisa abrir com berinjela pra vender e troco para o freguês. É isso que vai acontecer".

Em essência, o que Mourão declarou, com outras palavras, é que a hipótese de virada de mesa só existe na cabeça de Bolsonaro. Prestes a assumir o mandato de senador que recebeu do eleitorado gaúcho, Mourão não se anima a endossar o questionamento ao resultado das urnas. O mesmo ocorre com aliados pragmáticos como o novo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ex-ministro da Infraestrutura.

Enquanto os devotos do bolsonarismo tomam chuva na frente dos quartéis e Bolsonaro discute com seus prepostos de que lado da terra plana vai saltar, o Brasil real se prepara para a aterrissagem do terceiro mandato de Lula. A despeito de todos os esforços em contrário, o bunker antidemocrático de Bolsonaro, estilhaçado pelas urnas, será desmontado em 41 dias.

Blog do Josias de Souza

"Não aprenderam nada. Não esqueceram nada"



Entrevista a Duda Teixeira

O cientista político Bruno Garschagen (foto) diz que Lula e o PT pensam a política com a mesma cabeça de quando eram governo e serão implacáveis contra todos os que forem vistos como inimigos.

O cientista político Bruno Garschagen, de 47 anos, já publicou dois livros contestando a crença de que um Estado grande e fortalecido beneficia os cidadãos: Pare de acreditar no governo e Direitos máximos, deveres mínimos – o festival de privilégios que assola o Brasil. Um terceiro, sobre o conservadorismo no país, será lançado no próximo ano.

Pesquisador do Centro de Investigação do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, ele também dirige com a esposa uma empresa de cursos on-line e cuida da filha de três meses.

A Crusoé, Garschagen falou sobre o retorno do PT ao poder e sobre como o partido e Lula se comportarão no governo. Ele cita a frase do diplomata francês Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord a respeito dos Bourbon: “Não aprenderam nada, não esqueceram nada”. Para o cientista político, “Lula e o PT pensam a política com a mesma cabeça de quando eram governo e serão implacáveis contra todos os que forem vistos como inimigos“. Segue a conversa.

Lula vai substituir Jair Bolsonaro na Presidência no dia 1º de janeiro. Qual sua expectativa?

Bolsonaro sempre teve uma posição ambígua em relação ao papel do Estado e à responsabilidade do cargo de presidente. Nesses quase quatro anos de governo, suas declarações se encaixam naquilo que o historiador Gilberto Freyre qualificou como um traço da nossa cultura: um “equilíbrio dos antagonismos”. Por um lado, Bolsonaro criou um Ministério da Economia liberal e defendeu várias vezes a agenda de Paulo Guedes. Por outro lado, manifestou posições mais intervencionistas. Isso provocou a queda do presidente da Petrobras, que se recusou a mexer na política da preços da empresa.

E Lula?

Em relação ao Lula, ao PT e aos partidos e organizações satélites do lulopetismo, aplica-se a frase do diplomata francês Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord a respeito dos Bourbon que, sob o governo de Luís XVIII, perseguiram os inimigos que depuseram a monarquia já restabelecida: “Não aprenderam nada, não esqueceram nada”. Ou seja, Lula e o PT pensam a política com a mesma cabeça de quando eram governo e serão implacáveis contra todos os que forem vistos como inimigos.

Quais sinais Lula já deu sobre qual será o tamanho do Estado em seu próximo mandato?

Aquilo que mais se comentou na campanha foi justamente a vontade de derrubar o teto de gastos. E Lula ainda usou os mais pobres para justificar o fato de que ele e o seu partido estão interessados em ter mais dinheiro e controlá-lo.

Os eleitores de Lula querem mais governo?

Sem dúvida alguma, muito embora uma parcela, talvez minoritária, votou em Lula com o objetivo único de impedir a reeleição de Bolsonaro. Essa parcela será a primeira a sofrer uma desilusão.

Na reta final da campanha, o bolsonarismo conseguiu avançar em regiões onde se concentra a classe C, que ganha entre 500 reais e 2 mil reais por pessoa, por mês. O que explica isso?

Essa parcela votou no Bolsonaro porque foi beneficiada com o Auxílio Brasil ou porque concordava com o discurso fundamentado na moralidade. A que votou porque foi beneficiada pelo auxílio não terá qualquer problema com o novo governo Lula. A outra parcela, por outro lado, possivelmente estará atenta às falas de Lula e decisões de governo em temas como aborto, drogas e criminalidade.

Quando ainda era candidato em 2018, Jair Bolsonaro falou em privatizar mais de 50 estatais. Ele fracassou?

A promessa era, claramente, exagerada para qualquer pessoa que entendesse o mínimo de política e dos processos necessários para que se efetive uma privatização. E apesar de o governo ter obtido uma grande conquista, a privatização da Eletrobras, empresas que seriam símbolos do ambicioso Programa Nacional de Desestatização, o PND, como Correios e Petrobras, permaneceram do mesmo jeito. Não podemos esquecer também que parte da responsabilidade nesse processo é do Congresso, que sentou em cima dos projetos enviados pelo governo.

O brasileiro da classe C é contra as privatizações? Ou isso está mudando?

Isso mudou completamente. Hoje, só são contra as privatizações os políticos e alguns que ganham dinheiro com as estatais. O povão já percebeu que grandes empresas estatais não trazem qualquer benefício para a vida dele. Um dos tantos acontecimentos que ratificou essa percepção popular foi o sucessivo aumento dos preços dos combustíveis. Isso fez muita gente questionar de que adianta ter uma Petrobras estatal se o preço da gasolina só aumenta.

Lula prometeu criar o Ministério dos Povos Originários, o Ministério da Igualdade Racial e o Ministério da Mulher, além de outros. Essas coisas terão algum impacto real na sociedade?

É difícil responder isso de forma abstrata sem saber se esses ministérios serão mesmo criados, quem os comandará e quais serão as respectivas agendas. O que se pode afirmar com toda certeza é que esses ministérios, se criados, vão aumentar o gasto estatal, servir de cabide de emprego e serão instrumentos ideológicos da ala progressista radical do PT e seus aliados.

Alguma outra mudança?

O precedente aberto pelo governo Bolsonaro no uso de instituições estatais como a Secretaria Especial de Cultura e a Fundação Palmares para a tal guerra cultural será aproveitado pelo PT. Mas o partido, provavelmente, agirá sem fazer barulho. Em vários níveis, acredito que eles vão realizar mudanças abaixo do radar para não provocarem reações da sociedade. Será preciso ficar muito atento para todos aqueles ministérios, secretarias e fundações em que ninguém presta atenção porque não dá manchete de jornal.

Revista Crusoé

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